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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

09
Jan20

Em 2020, cada um saberá quem é diante de uma realidade que exige coragem para enfrentar e coragem para perder

Talis Andrade

OS CÚMPLICES (primeira parte)Fazendeiro caminha em meio a área devastada por incêndio na região de Porto Velho, Rondônia.

Fazendeiro caminha em meio a área devastada por incêndio na região de Porto Velho, Rondônia. CARL DE SOUZA (AFP)

El País
 
Nenhum autoritarismo se instala ou se mantém sem a cumplicidade da maioria. É o que a história nos ensina. Não haveria nazismo sem a conivência da maioria dos alemães, os ditos “cidadãos comuns”, nem a ditadura militar no Brasil teria durado tanto sem a conivência da maioria dos brasileiros, os ditos “cidadãos de bem”. O mesmo vale para cada grande tragédia em diferentes realidades. Os déspotas não são alimentados apenas pelo silêncio estrondoso de muitos, mas também pela pequena colaboração dos tantos que encontram maneiras de tirar vantagem da situação. Em tempos de autoritarismo, nenhum silêncio é inocente —e toda omissão é ação. Esta é a escolha posta para os brasileiros em 2020. Diante do avanço autoritário liderado pelo antidemocrata de ultradireita Jair Bolsonaro, que está corroendo a justiça, destruindo a Amazônia, estimulando o assassinato de ativistas e roubando o futuro das novas gerações, cada um terá que se haver consigo mesmo e escolher seu caminho. 2020 é o ano em que saberemos quem somos —e quem é cada um.
 

Há várias ações em curso. E várias mistificações. Quem viveu a ditadura militar (1964-1985) conhece bem, guardadas as diferenças, como o roteiro vai se desenhando. No final de 2019, parte da imprensa, da academia e do que se chama de mercado começou a exaltar os sinais de “melhora econômica”. A alta da bolsa, a “queda gradual” do desemprego, a indicação de aumento do PIB em 2020 são elencados entre os sinais. Ainda que se esperasse mais, afirmam, “os inegáveis avanços do ponto de vista econômico”, entre eles a reforma da Previdência, “a inflação comportada” e os juros fechando 2019 “em patamar inimaginável” permitem —e aí vem uma das expressões favoritas deste seleto grupo de players— um “otimismo moderado”. Até a pesquisa de uma associação de lojistas divulgou uma incrível alta de 9,5% nas vendas de Natal, imediatamente contestada por outra associação de lojistas. É como se a “economia” fosse uma entidade separada da carne do país, é como se houvesse uma parte que pudesse ser isolada e sobre a qual se pudesse discorrer usando palavras enfiadas em luvas de cirurgião. É como se bastasse enluvar jargões técnicos para salvar os donos das mãos de todo o sangue.

Enquanto esse diálogo empolado e bem-educado do pessoal da sala de jantar, dos que sempre estão na sala de jantar, independentemente do governo, é estabelecido, bombas explodiram no prédio da produtora do programa de humor Porta dos Fundos, policiais matam como nunca nas periferias de cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, ampliando o genocídio da juventude negra, o antipresidente legaliza o roubo de terras públicas na Amazônia, ambientalistas são acusados de crimes que não cometeram, ONGs são invadidas sem nenhuma justificativa remotamente legítima, adolescentes pobres morrem pisoteados porque decidiram se divertir num baile funk numa noite de sábado, indígenas guardiões da floresta e agricultores familiares são executados, as polícias vão se convertendo em milícias como se isso fosse parte da normalidade, e são também os policiais e “agentes de segurança” condenados por crimes os únicos que são libertados no indulto de Natal. Os sinais estão por toda parte, mas membros respeitados de instituições da República que deveriam ser os primeiros a percebê-los —e combatê-los— seguem inflando a boca para assegurar que “a democracia no Brasil não está ameaçada”.

A qual Brasil se referem estes senhores bem-educados? De qual país estes luminares do presente falam? Certamente não do meu nem do de muitos, não o das favelas onde as pessoas se trancam sabendo que não há porta capaz de barrar a violência da polícia, não este em que os policiais já exterminam os pretos sem responderem por isso há muito, mas esperam mais já que o extermínio vai sendo legalizado pelas beiradas. Não este em que os templos de religiões afro-brasileiras são invadidos e destruídos apesar de o Estado ser formalmente laico. Não este em que as lideranças da floresta enxergam o Natal e o Ano-Novo como os piores momentos do ano porque é o tempo de deixar a família e fugir, pelo menos até que as capengas instituições voltem do recesso.

Neste país, pessoas da sala de jantar, há muita gente escondida neste exato momento para poder virar o ano vivo. Não esperam brindar, desejam apenas não ter o corpo atravessado por uma bala —ou por quatro na cabeça, como ocorreu com Marielle Franco, num crime não decifrado quase dois anos depois. Democracia onde? Os escondidos, os ameaçados, os parentes dos mortos querem saber. Todos nós queremos muito viver neste país em que vocês enxergaram “inegáveis avanços na economia em 2019” e “instituições que funcionam”. Não fiquem com o endereço só para vocês.

As pessoas da sala de jantar, porém, só podem seguir na sala de jantar ditando o que é a realidade porque a maioria assim permite, omitindo-se ou aproveitando-se das sobras. São as pessoas, no dizer da historiadora franco-alemã Géraldine Schwarz, “que seguem a corrente”. A questão é se você, que lê este texto, vai engrossar o rebanho dos que seguem a corrente.

Não o rebanho de ovelhas. Esta imagem evoca passividade, engano, uma obediência absolvida pela inocência. Não. Este rebanho, o dos que agem se omitindo, ou o dos que agem tirando pequenos proveitos, “porque afinal é assim mesmo e quem sou eu para mudar a realidade”, é um rebanho de lobos. Porque o ativismo de sua omissão é cúmplice do sangue das vítimas, estas que tombam, estas que vivem uma vida de terror. É cúmplice também das ruínas de um país. No caso da Amazônia, é cúmplice das ruínas da vida da nossa e de muitas espécies no único planeta disponível. [Continua]

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11
Dez19

Ouvidoria da polícia aponta 15 mortes em oito pancadões em São Paulo

Talis Andrade

 

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A ouvidoria da polícia de São Paulo apontou 15 mortes em oito bailes funk –conhecidos como “pancadões”– no estado de São Paulo, entre 2018 e este ano. Os casos pontuados estão sendo apurados para identificar e punir policiais militares envolvidos.

O caso mais recente  aconteceu na madrugada do dia 1º deste mês, quando nove jovens morreram e 12 ficaram feridos em Paraisópolis, zona sul, após tumulto causado por policiais que encurralaram as pessoas do baile em duas vielas.

Em novembro do ano passado, três pessoas morreram pisoteadas em Guarulhos após uma ação policial provocar correria. Pouco depois, no fim de dezembro, o jovem de 15 anos Rodrigo Marques Almeida foi morto com um tiro na cabeça em Peruíbe (135 km de SP) após uma intervenção policial.

A Juízes Para a Democracia - AJD reitera o repúdio à política de segurança pública que está sendo implementada no Estado de São Paulo, exigindo que sejam responsabilizados todos os envolvidos nas mortes ocorridas em Paraisópolis, ao tempo que se solidariza com a dor das famílias de Gustavo Xavier, 14 anos; Denys Quirino da Silva, 16; Marcos Paulo dos Santos, 16; Dennys dos Santos Franca, 16; Luara Victoria de Oliveira, 18; Gabriel de Moraes, 20;Eduardo Silva, 21; Bruno Gabriel dos Santos, 22; Mateus dos Santos Costa, 23.

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08
Dez19

Terrorismo policial separa brancos e negros

Talis Andrade

 

A cultura estadunindense mexe com os brancos (chegam a gastar 8 mil pratas por uma noite pop com proteção da polícia de Doria), e com os negros (que morrer pisoteado no pancadão do funk ou por bala perdida faz parte do risco mais do que legal chamado de excludente de ilicitude, invenção do Sergio Moro, que tem o efetivo apoio dos sádicos governantes Bolsonaro, Doria e Witzel.

El País destaca os dois eventos.

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Ok, ‘boomers’, explicamos a Comic Con Experience, a festa ‘geek’ milionária que arrebata São Paulo

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Cidade recebe a maior feira dedicada ao pop e aos quadrinhos do mundo, com mais de 280 mil pessoas

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Jovem faz cosplay de Coringa na CCXP 2019

 

por Joana Oliveira

Se você é fã de quadrinhos, séries e super-heróis, e se o auditório em questão é o do maior evento de cultura geek e nerd do mundo, que reúne seus quadrinistas, personagens, diretores e atores favoritos, a coisa muda de figura. Essa é a proposta da Comic Con Experience (CCXP), que começou na quinta-feira (05/12) em São Paulo e vai até domingo (08/12), atraindo um público de 280.000 pessoas. Nesse universo, cabem seis Maracanãs lotados com 160 horas de cultura pop, entre painéis, exibições de filmes, experiências sensoriais, sessões de fotos e autógrafos, performances e campeonatos de videogames.

Este ano, 70% do público vem de fora de São Paulo. E a previsão é de que toda essa gente movimente R$ 265 milhões na cidade, de acordo com os organizadores. 80 marcas estão presentes no espaço, que receberá mais de 40 delegações de Hollywood para promover seus próximos lançamentos. Só os ingressos, esgotados todos os dias em 2019, dão uma dimensão do potencial econômico da nerdlândia: o passe para quatro dias custava 960 reais no primeiro lote e chegaram a 1.180 reais no terceiro e último lote, com opções premium na casa dos 8.000 mil. Transcrevi trechos   

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Do samba ao funk, o Brasil que reprime manifestações culturais de origem negra e periférica

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Ao longo da história, cultura e religiões de matriz negra ou africana foram tratadas com violência pelas autoridades, que se empenham em impedir a ocupação do espaço público

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por Gil Alessi

Na década de 1930 andar pelas ruas do Rio de Janeiro carregando um pandeiro bastava para levar um tapa na cara da polícia e passar a noite na cadeia. Para as autoridades, frequentar uma roda de samba também justificava o esculacho. Mais de oitenta anos depois, a repressão se volta para outro gênero musical: o funk. Basta ir a um baile —ou fluxos, como são conhecidos— nas periferias de São Paulo para estar sujeito a tiro, porrada e bomba. Foi o que aconteceu na madrugada do dia 1º, quando uma ação da Polícia Militar na festa conhecida como DZ7, em Paraisópolis, terminou com nove jovens mortos pisoteados depois de serem encurralados pela tropa.

Após a comoção pelo massacre somada aos vídeos divulgados na Internetcom policiais agredindo jovens rendidos com barras de ferro, o governador João Doria (PSDB), até então defensor de ações da PM, ensaiou nesta quinta-feira um recuo. Ele admitiu rever as práticas de abordagem e protocolos da polícia, e se disse “chocado” com as imagens divulgadas. Inicialmente o tucano havia inocentado os agentes antes mesmo do início das investigações, dizendo que a PM não havia tido responsabilidade pela tragédia e que apenas perseguiu criminosos em uma moto que dispararam contra a viatura (nenhuma imagem desta perseguição veio à tona até o momento da conclusão desta reportagem).

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Ao longo da história do Brasil, mudou o ritmo, dos tambores, pandeiros e atabaques para a batida eletrônica grave. Mas há continuidade na repressão de manifestações culturais de matriz africana e negra (capoeira, candomblé e samba) ou periféricas (rap nos anos de 1990 e 2000 e funk atualmente) com empenho e violência. “Se no passado o sambista foi classificado como vagabundo, nos dias atuais a pessoa que se diverte no baile ou o artista do funk podem ser classificados como marginais, ou pior, traficantes”, explica Lourenço Cardoso, professor do Instituto de Humanidades da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab).Jovens periféricos ocupando o espaço público são um dos estopins da violência do Estado contra esta parcela da população, diz Márcio Macedo, professor do Departamento de Gestão Pública da Fundação Getúlio Vargas-EAESP. “A repressão ao funk e aos fluxos está bem próxima do tipo de repressão aplicada pelas autoridades a manifestações como a que ficou conhecido como ‘arrastões’ nas praias cariocas, ao rap nos anos 1990 e 2000 e à histeria que se deu aos chamados ‘rolezinhos’ em shopping centers”, afirma Macedo. Para ele, “a mídia, de certa maneira, auxilia na promoção de uma imagem de espetacularidade desses jovens, com a criação de um certo pânico moral: uma pessoa ou grupo de pessoas que emergem e são definidas como uma ameaça aos valores societários e interesses da ordem social”. Ou seja, o baile funk é sempre associado apenas a uso de drogas, consumo de bebidas alcoólicas por menores de 18 anos, sexo desenfreado e outros comportamentos considerados inaceitáveis por parte da população. Nunca como uma opção de lazer —por vezes a única além do bar— nestes bairros periféricos. Leia mais

 

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05
Dez19

Paraisópolis: como essas mortes podem nos deixar indiferentes?

Talis Andrade

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por Ivan Martins

 

Em frente à minha casa mora um rapaz que adora funk. Na mesma noite em que eu me mudei, uma sexta-feira, tive de sair na chuva às três horas da manhã para pedir a ele que abaixasse a música porque, afinal, eram três horas da manhã, né? Depois disso houve mais uma visita-campainha-conversa tarde de noite e, afinal, nos entendemos: se a música está muito alta, mando um WhatsApp para ele, que responde abaixando o volume. Não é o paraíso para nenhum dos dois, mas temos convivido em paz. Nesse ínterim, aprendi até a gostar do garoto. Ele é educado e atencioso, à maneira dele, e me faz lembrar que eu também já tive 18 anos e gostei de dançar até de manhãzinha. Faz tempo isso. 

Para a sorte dele, e para a minha, nós dois moramos num bairro em que os conflitos se resolvem conversando. Eu detesto a ideia de chamar a polícia para tratar de problemas pessoais, mas, ainda que chamasse, tenho certeza que ela abordaria o meu jovem vizinho com respeito: é um rapaz branco, de classe média alta e mora numa casa imponente, numa rua aprazível. Se fosse necessário, o pai dele conversaria elegantemente com os policiais e os faria entender que aquele comportamento inadequado era coisa de jovem rebelde: "Quem nunca fez essas coisas", perguntaria. E os policiais ririam, felizes com aquele instante de intimidade com o andar de cima.

Em outras partes da cidade, o desfecho de uma situação como essa seria outro. Há bairros em que a polícia chega jogando bombas no meio da festa, batendo impiedosamente, encurralando adolescentes assustados em vielas escuras das quais não podem escapar – e ali eles morrem esmagados como bichos, como se não fossem garotos e garotas cheios de sonhos. Se morassem em Perdizes ou Higienópolis, os nove jovens que morreram em Paraisópolis no domingo (01) estariam vivos, como vivo está, e bem, o meu vizinho que adora funk.

Como se vive e se ama num país em que acontece esse tipo de coisa? Como a gente toma café e vai para o trabalho sabendo que esse crime não será realmente investigado e de forma nenhuma punido? Como a gente respira, a cada par de segundos, tendo consciência de que milhões de pessoas, milhões de pessoas ao nosso redor, aplaudem a morte desses adolescentes, alguns deles quase crianças, como se fosse a eliminação de facínoras perigosos? Como a gente faz, diante do espelho, sabendo que não está fazendo nada, literalmente nada, para reparar essa monstruosidade, para se opor a essa hedionda covardia?

Passados três dias das mortes em Paraisópolis, tenho a impressão de que o Brasil nem piscou diante do massacre. A morte de Gugu Liberato, ocorrida num acidente doméstico em Miami, causou mais comoção. Ele era uma celebridade, afinal, uma pessoa famosa. Os fãs puderam ir à beira do caixão fazer selfies e distribuí-los nas redes sociais. As televisões transmitiram ao vivo. Os jovens mortos de Paraisópolis, em comparação, não eram ninguém, no sentido de que gente pobre e anônima no Brasil não é ninguém, nem cidadão. Quem chora pelas pessoas assassinadas na periferia das grandes cidades? Quem se importa com a dor das famílias delas?

Diante dessa monumental indiferença brasileira, tenho a sensação de que perdemos a coragem de sentir. Amputamos nossos sentimentos para sobreviver. Se nos deixássemos tocar pela dor de todos os mortos e injustiçados, seríamos obrigados a fazer alguma coisa, a reagir, a nos colocar em risco. Melhor, então, não sentir nada. Muito mais seguro nos alienarmos no conforto da nossa vida íntima, cheia de pequenas gratificações. Ao fazer isso, claro, nos tornamos menos que humanos, e deixamos as ruas e a vida pública aos predadores, aos monstros. A qualquer momento eles poderão invadir o nosso espaço protegido e cobrar a parte deles da nossa felicidade. Já aconteceu antes, em outras épocas e lugares.

Talvez no Brasil de 2019 não sejamos mais capazes de luto coletivo. Não existem mais perdas emocionais e afetivas que atinjam a todos, como sociedade. Viramos um bando de indivíduos desamparados, miseravelmente fragmentados, vivendo em bolhas espessas e opacas, cada vez menores. Não temos vínculos verdadeiros com o mundo exterior, logo, não há perdas que nos façam desmoronar. Não há luto digno desse nome. Tudo que perece é rapidamente substituído. Não existe uma ligação profunda que precise ser desfeita aos poucos, e dolorosamente, com quem desapareceu. Gugu morreu, quem é o próximo? Quem eram, afinal, essas pessoas em Paraisópolis?

Nos dizem que o funk do domingo continuou até o amanhecer, mesmo depois das mortes — e não deveria haver surpresa nisso. O país tampouco parou. As autoridades não se incomodaram. A cidade continuou a viver como se nada tivesse acontecido. Cada família chora e enterra seus mortos solitariamente, e é assim que deve ser na modernidade vazia que nos oferecem. Não há sociedade, só famílias. Se não aconteceu com você ou com os seus, não aconteceu. Na barbárie em que vamos nos metendo, não há espaço para a empatia e solidariedade fora dos laços de sangue. O lema do Brasil que escolhemos é simples e direto: "Ema, ema, ema, cada um com seus problema". A rima pobre virou modo de vida num país que afunda em silêncio. Ou morre pisoteado numa viela escura de Paraisópolis.

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04
Dez19

A tragédia de Paraisópolis e a desigualdade social em São Paulo

Talis Andrade

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por Simão Pedro

Uma das coisas que me chamaram a atenção no massacre de 9 jovens na comunidade de Paraisópolis no último domingo foi que a maioria dos que ali morreram não eram da comunidade. Foram para lá em busca de diversão no baile funk que lá ocorre semanalmente, atraindo jovens de todas as regiões da periferia da Capital.

 

Paraisópolis, bairro em que 49% dos domicílios são considerados irregulares - não tem termo de posse e nem escritura - é conhecido pelas imagens que contrastam suas casas pobres de blocos sem reboco e caixas d’água azuis aparentes fazendo divisa com os prédios com piscinas suspensas e mansões ricas do Morumbi. Um retrato da extrema desigualdade que é marca da sociedade brasileira e também paulistana.

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E essa desigualdade entre ricos e pobres que faz de nossa sociedade uma das mais injustas socialmente no mundo, aumentou mais ainda nos últimos anos. Segundo dados do IBGE divulgados recentemente, no ano de 2018 o rendimento da fatia mais rica da população aumentou em 8,4%, enquanto os mais pobres sofreram uma redução de 3,2%. Ou seja aumento da concentração de renda e consequentemente da pobreza e miséria em nosso País!

Quando falamos da parcela mais rica, falamos do 1% da população - cerca de 2 milhões de brasileiros - que vive com renda média de R$ 34 mil por mês. Quando falamos dos mais pobres, falamos dos 50% da população - mais de 100 milhões de brasileiros - que vivem com renda média de R$ 820,00 por mês. Ou seja, a parcela do 1% ganha 33,8 vezes mais que a parcela dos 50%, um patamar recorde.

Essa divisão não é só de renda. Ela também é espacial e no acesso a serviços de educação, cultura, saúde e trabalho, por exemplo. E a cidade de São Paulo é um exemplo disso! Estive olhando as informações do Mapa da Desigualdade que é o último levantamento (2018) feito pelo Movimento Nossa São Paulo em parceria com o instituto Ibope Inteligência. São estarrecedores!

Poucos paulistanos têm os mesmos acessos a serviços públicos. No Itaim Bibi, por exemplo, 0,83% dos domicílios são favelas e apenas 7 dos 96 distritos da Cidade não possuem residências nessas condições. Em Paraisópolis, já citei, 49% das residências são irregulares. Na questão de empregos, os moradores do distrito da Barra Funda têm 246 vezes mais chances de arrumar trabalho do que os que moram na 59 pontos na Cidade Tiradentes, que fica em último lugar no quesito emprego. E quem mora na Cidade Tiradentes morre bem mais cedo que os demais habitantes: enquanto a expectativa de vida naquele bairro situado no externo Leste é de 58 anos, os que moram no Jardim Paulista tem quase 2 décadas a mais: 81 anos. No tema do acesso à saúde privada, 66% dos paulistanos não têm plano de saúde e 31,6% dos domicílios viviam com renda mensal de 1/2 salário mínimo por pessoa.

No tema do acesso à atividades culturais as diferenças também são gritantes é isso tem a ver com a tragédia dos jovens de Paraisópolis. Segundo o Mapa da Desigualdade, 53 distritos de São Paulo não tem centros culturais, casas ou espaços de cultura. 60 distritos não têm museus. 52 não têm salas de shows e concertos. 54 não têm salas de cinema e 23 não têm nenhum equipamento de cultura como bibliotecas, por exemplo.

Esses números sobre os equipamentos culturais não são piores porque os CEUs, construídos a partir dos anos 2000 e as Fábricas de Cultura a partir de 2010 deram uma aliviada. Foi por isso que, quando fui Secretário de Serviços na gestão Haddad, recebi a missão de levar mais serviços públicos para a periferia. Levamos a Coleta Seletiva que só servia 85 distritos para os demais 21. Colocamos praças com WiFiLivre em todos os distritos; implantamos a rede de laboratórios de fabricação digital, os FabLabs, com 12 unidades, 9 delas na periferia; começamos o programa de iluminação com LED pelos distritos com maiores vulnerabilidades como Lageado, Cidade Tiradentes, M’Boi Mirim, Brasilandia, Raposo Tavares, Pedreira, Sapopemba e Guaianases. Isso se somando à iniciativas como os cursos universitários nos CEUs, além das 20 salas de cinemas também nos CEUs.

Paraisópolis não ficou de fora: além da praça WiFiLivre, ali inauguramos uma central de reciclagem e instalamos uma cooperativa, construímos 2 ecopontos e reforçando a iluminação pública e instamos pontos novos na nova avenida Hebe Camargo que corta o bairro, mantendo ainda os 3 telecentros em parceria com a Associação dos Moradores do local. Claro que, pouco ainda para melhorar a qualidade de vida dos moradores dali.

03
Dez19

O que é o 'Baile da 17', pancadão em Paraisópolis onde 9 jovens morreram pisoteados

Talis Andrade

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Leandro Machado
Da BBC News Brasil

Nove jovens morreram pisoteados durante uma ação da Polícia Militar no Baile da 17, uma festa de funk que costuma reunir milhares de jovens em Paraisópolis, segunda maior favela de São Paulo. Entre eles, há quatro menores de idade, incluindo um adolescente de 14 anos.

Vídeos publicados na internet mostram alguns policiais agredindo com chutes e golpes de cassetete alguns jovens que estavam rendidos e desarmados em um beco — a BBC News Brasil não conseguiu confirmar a autenticidade dos vídeos de forma independente. Em entrevista a jornalistas, uma das frequentadoras, que não quis ser identificada, afirmou que um policial quebrou uma garrafa em sua cabeça, além de machucá-la com um cassetete.

Segundo a PM, havia cerca de 5 mil pessoas no Baile da 17 no momento da operação.

O Baile da 17 foi criado no início dessa década nas ruas de Paraisópolis. Segundo moradores, o número 17 é uma referência a um bar de drinks que existia na favela.
Inicialmente, a festa teria surgido como um pagode em frente a esse boteco, mas, nos intervalos, os frequentadores ouviam funk em carros estacionados na rua.
Com o tempo, a festa cresceu e invadiu as madrugadas, focando principalmente em funk. Hoje, ela costuma ocorrer nas noites de sexta e sábado. Mas, de acordo com moradores ouvidos pela BBC News Brasil, há semanas em que o pancadão começa na noite de quinta-feira e se estende até domingo.
A festa já chegou a reunir cerca de 30 mil pessoas nas vielas de Paraisópolis — ela se concentra em quatro ruas da favela. Semanalmente, o baile recebe excursões de jovens de cidades do interior de São Paulo e até de outros Estados, como o Rio de Janeiro.
Ao longo das vielas, DJ's estacionam carros com aparelhos de som acoplados. Grupos de jovens se reúnem no entorno desses veículos para dançar e se divertir.
O alto barulho, no entanto, fez com que moradores se mudassem da área, dando espaço para estabelecimentos comerciais voltados aos frequentadores, como tabacarias e bares. Parte do baile é bancado por esses comerciantes.

A BBC News Brasil conversou com um DJ de 20 anos que regularmente leva o carro ao baile. Ele diz receber R$ 500 de um comerciante para tocar por cinco horas seguidas em frente a um estabelecimento. "Mas tem DJ que chega a receber uns R$ 2 mil, dependendo do tempo em que ele toca e da potência do som", afirmou ele, que preferiu não se identificar.
O fenômeno dos pancadões de rua, como o Baile da 17, tem sido discutido nos últimos anos tanto pela prefeitura quanto pelo governo do Estado de São Paulo. Existem centenas deles em bairros pobres e com poucas opções de lazer para os jovens.

Por outro lado, há quem critique a ação repressiva da polícia, que muitas vezes interrompe os eventos com bombas e tiros, ferindo inocentes. No caso de Paraisópolis, por exemplo, houve 45 ações de repressão ao Baile da 17 apenas nesse ano, segundo a Polícia Militar.
Para Gilson Rodrigues, líder comunitário e presidente da União de Moradores e Comerciantes de Paraisópolis, o pancadão é uma "alternativa de lazer" para jovens que têm poucas opções de divertimento em seus bairros.
"Não temos áreas de lazer em Paraisópolis. Temos um campo de futebol e hoje inauguramos uma praça. Ao invés do Estado proporcionar estruturas de lazer para o jovem, ele reprime por meio da polícia", diz.
Apesar da poluição sonora e o fechamento de vias da favela, o Baile da 17 não está entre as principais reclamações dos moradores da comunidade. Ele ocupa a 5º colocação nesse ranking, que é liderado pelos problemas no recolhimento do lixo, segundo uma pesquisa da União de Moradores e Comerciantes.


Paraisópolis

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Paraisópolis fica ao lado do Morumbi, bairro nobre na zona oeste de São Paulo.
Estima-se que a favela tenha cerca de 100 mil habitantes e 8 mil estabelecimentos comerciais — a maioria pertence a moradores. Cerca de 21% dos habitantes trabalham dentro da própria favela, segundo a associação de moradores.
Por outro lado, apesar do comércio aquecido e da fama adquirida com uma novela da TV Globo que usava suas vielas como cenário, a comunidade ainda tem uma série de problemas comuns a toda favela do Brasil, como pobreza extrema, falta de saneamento básico e violência.
Obras de urbanização estão paradas há anos, como canalização de um córrego e a construção de moradias sociais. Cerca de 5 mil famílias da comunidade vivem de bolsa-aluguel pagos pela prefeitura.
Nos últimos anos, a União de Moradores e Comerciantes criou uma série de projetos para tentar melhorar a vida no bairro, como um banco comunitário, restaurantes populares, escolas de balé e música para crianças.
Recentemente, Paraisópolis participou da criação do G-10 das favelas do Brasil, grupo que pretende desenvolver a economia local por meio do empreendedorismo. Transcrevi trechos  

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03
Dez19

Ação truculenta da polícia de Doria resultou na morte de nove jovens

Talis Andrade

 

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É revoltante a notícia de que nove jovens morreram pisoteados numa operação da PM, comandada pelo governador João Doria e, outras sete ficaram feridas durante a repressão policial, aos jovens que se divertiam num baile funk, em Paraisópolis, bairro periférico da capital paulista.

Há meses a Polícia Militar têm atacado os bailes funk, com apreensão de motos, carros e detenção de jovens, numa clara atuação preconceituosa e de marginalização da juventude negra periférica.

Há cerca de um mês uma jovem perdeu a visão de um olho, alvejado com bala de borracha numa ação policial de opressão à baile funk.

A Bancada das deputadas e deputados estaduais do PT/ SP exige explicações, punições duras e exemplares aos envolvidos na ação truculenta que resultou na morte dos nossos jovens, que tiveram seu ciclo de vida brutalmente interrompido pela violência policial.

Logo no início desta semana questionaremos o governador do Estado, secretário de segurança pública e comandante da PM e, acompanharemos com rigor este assombroso caso, para que estas mortes não caiam na vala da impunidade.

Teonilio Lula Barba
Deputado Estadual e líder da Bancada do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo

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03
Dez19

Em Paraisópolis foi genocídio. Bolsonaro, Moro e Doria são responsáveis

Talis Andrade

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por Raimundo Bonfim

A ação criminosa da Polícia Militar no baile funk na madrugada de domingo na favela Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, que resultou no assassinato de 9 jovens e em 7 feridos, é resultado da política de estímulo à violência policial. Lembremos que o ministro Sérgio Moro, com o projeto de excludente de ilicitude, quer dar às polícias licença para matar. Se o projeto já tivesse aprovado, os policiais envolvidos na ação em Paraisópolis poderiam alegar que se encontravam com medo, foram pegos de supresa ou que estavam sob violenta emoção, e assim se livrarem de qualquer punição. 

Assim como Moro, o presidente Bolsonaro quer armar a população, como se isso fosse a solução para combater a violência. Só faltam argumentarem que se as 5 mil pessoas presentes no baile funk tivessem armadas teriam evitado a tragédia. 

O governador do estado de São Paulo, João Doria, já disse que é para atirar e matar, e que primeiro atira, depois pergunta quem é. Ou seja, a matança desses jovens indefesos é mais um ato de uma deliberada política de extermínio da população pobre, jovem, negra e periférica, infelizmente com respaldo de uma boa parcela da classe média branca e das classes dominantes. 

As cenas da ação dos agentes de Estado gravadas e divulgadas pelos moradores provam os requintes de crueldade contra pessoas sem oferecer nenhum perigo ou resistência. Apenas exercitavam o direito à cultura e ao lazer. Foram vitimas de uma emboscada. Policiais dispararam gás lacrimogêneo, balas de borracha, além de garrafas de vidros, coronhadas, tapas, socos e pontapés. Há muitas denúncias de tortura. O que ocorreu não foi confronto. Foi genocídio mesmo. 

O governador do estado de São Paulo João Doria deve ser responsabilizado pela morte de Paulo Oliveira dos Santos (16 anos), Bruno Gabriel dos Santos (22 anos), Eduardo Silva (21 anos), Denys Henrique Quirino da Silva (16 anos), Mateus dos Santos Costa (23 anos), Gustavo Cruz Xavier (14 anos), Gabriel Rogério de Moraes ( 20 anos), Dennys Guilherme dos Santos Franco (16 anos) e Laura Victória de Oliveira (18 anos). 

Já passou da hora de enfrentarmos essa política de extermínio contra o povo pobre e a juventude. Ações de repressão e assassinatos de jovens em favelas e periferias têm sido constantes no estado de São Paulo. Estamos diante do desmonte do Estado voltado para o bem-estar social. Em contrapartida, cresce as ações de repressão e matança em massa, como está promovendo o governo Bolsonaro e seus aliados. 

O caminho passa, principalmente para a juventude, por políticas de cultura, lazer, educação, emprego e inclusão social. Não se pode ignorar que o funk é expressão da arte de milhares de jovens nas favelas e periferias - local onde o Estado só chega para matar, como fez na favela Paraisópolis. 

Estima-se que mais de 2 milhões de pessoas sobrevivam em favelas na região metropolitana de São Paulo. Se o Estado não dota esses territórios de serviço públicos, como edução, saúde, saneamento, cultura e lazer, que ao menos deixe essa população se divertir em paz. Sem violência. Basta de genocídio! É preciso reagir e denunciar. Não à barbárie!

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03
Dez19

O massacre de Paraisópolis e a nossa covardia

Talis Andrade

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por Renato Rovai

Mataram oito meninos e uma menina em Paraisópolis, São Paulo. Todos entre 14 e 23 anos. Assassinados pelo fascismo e pela violência policial. Pelo dedinho do Estado que atira na cabecinha. E nós? Que fazemos? Vamos tomar uma cerveja com os amigos e reclamar da vida e dos dias ruins que estamos vivendo?

Estamos anestesiados esperando a próxima chacina? Estamos esperando o morro descer? Estamos culpando o povo pela situação de merda que estamos passando, quando na verdade foi majoritariamente a elite e a classe média deste país que pediu a barbárie?

Nossos sindicatos, ONGs, artistas, intelectuais, estudantes, meios de comunicação vão ficar olhando jovens de periferia serem assassinados assim? Vão ficar esperando que a galera se vire sozinha?

É esta a nossa noção de solidariedade, de fraternidade e de defesa dos Direitos Humanos e de Justiça Social?

Cadê a galera chamando atos? Cadê artistas fechando teatros em protesto? Cadê a Paulista toda usando preto e gritando Luto por Paraisópolis? Cadê sindicatos parando o trânsito no Morumbi pra chamar a atenção daqueles que ali do lado podem fazer muito mais por esses meninos e meninas?

Vai passar batido? Não é com a gente? Não são nossos filhos, sobrinhos, primos?

Ou vamos esperar um movimento que exploda de forma desorganizada e complique ainda mais a complicada situação democrática?

Paraisópolis é a nossa vergonha e o rosto escroto das opções que o país tem feito, mas também é a cara da nossa covardia. Nós continuamos calados. Pasmados.

Não deveria ser assim. Não deveria ser assim.

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03
Dez19

Na Marina da Glória pode o que em Paraisópolis não pode

Talis Andrade
 
 

Enquanto nos jornais e sites jorram comentários sobre a barbaridade do barulho produzido nos bailes funk e se usa isso como “justificativa” para ações policiais brutais, que resultaram na morte de nove pessoas, quase ninguém viua reportagem sobre algo igual e até maior em matéria de perturbação do sossego público que ocorreu, na mesma madrugada, no Rio de Janeiro.

A chiquérrima Marina da Glória, com ingressos entre R$ 450 e R$ 900, viveu uma festa da pesada e com dois DJ estrangeiros, a Chris Lake & Fisher presents: NAFF, onde Naff é a abreviatura de “Not Another Fucking Festival”.

Gosto não se discute, mas o fato é que o volume do “batidão” techno era tão alto que, até bem depois de raiar o dia, fazia tremer portas e janelas do chique bairro da Urca, a uns quatro quilômetros, em linha reta, de distância.

— Ninguém dormiu nada essa noite porque terminou às 6h20 da manhã. As janelas e porta vibravam, pareciam que ia cair, disse um morador ao jornal Extra.

Sim, também chamaram a polícia. Mas ela não chegou com bombas de gás, spray de pimenta e balas de borracha. Levou, como devia levar, bons modos e, como alegou não ter medidores de volume sonoro, foi embora sem nenhuma providência senão um pedido para abaixarem o som, que de nada serviu.

Aos apologistas da “lei e da ordem”, a pergunta inevitável: qual a diferença entre os ricos da Marina e os pobres de Paraisópolis?

Nenhuma, não é, senão o dinheiro, as roupas, a cor da pele, os carrões e o direito de serem tratados como seres humanos.

Estadão e Globo, apesar do registro das mortes em São Paulo, abrem fotos enormes de passeios ciclísticos. Nada contra as bicicletas, mas em que avaliação editorial o trauma, o choque e a dor de uma imensa comunidade, com nove mortes, podem ser menos notícia?

É só a estética?

Será que nós, jornalistas, já não temos nem mesmo sensibilidade para perceber a discriminação sequer pelos ouvidos?

Aceitamos e toleramos como justificativa para espancar e matar pobres aquilo que, quando fazem o mesmo os “filhinhos de papai” pode ser tratado como normal e respeitável?

Quem quiser ser cúmplice disto, então não reclame quando se disser que aceitam e apoiam o apartheid.

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