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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

09
Ago21

"São medalhas das mulheres pobres, negras, batalhadoras deste Brasil profundo"

Talis Andrade

 

Phelipe Caldas no Twitter

 
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Foto Gabriel Fricke
Phelipe Caldas
São medalhas também das mulheres pobres, negras, batalhadoras deste Brasil profundo. Viúva, Dilma Queiroz criou 9 filhos (4 deles adotados). Uma faxineira do interior da BA que deu dignidade a 9 crianças. Uma delas, virou campeã olímpica. São as histórias por trás das medalhas.
Meu momento olímpico preferido é o choro de , a embargada de voz de na entrevista pós-ouro. Esse momento é lindo e impactante. É o campeão que chora pela avó morta. É o repórter que se entrega à emoção. Chorei quantas vezes assisti. #Eu fico puto com quem se impressiona porque o campeão saiu da terra de onde saiu. Sair de onde saiu não é dificuldade, figura. É orgulho.
O repórter impressionado porque saiu da pequena Baía Formosa para ser campeão olímpico de surfe. Vamos combinar? É mais impressionante se um campeão de surfe sair de São Paulo, metrópole sem orla, do que de BF, terra potiguar de belas ondas. O resto é xenofobia.
 
29
Mar21

Bia Kicis incentiva motim da PM da Bahia contra o governador Rui Costa

Talis Andrade

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PM Wesley Soares exageradamente armado

Da ala mais radical do bolsonarismo, a presidente da CCJ, Bia Kicis, incitou um golpe da PM contra o governador da Bahia, Rui Costa (PT), ao defender um soldado que, durante um surto, invadiu o Farol da Barra (Salvador) e disparou para o alto. Segundo a bolsonarista, o "soldado é um herói”. Ele foi atingido por outros PMs durante operação para contê-lo, quando atirou contra seus colegas, e morreu no fim da noite deste domingo

247 - A deputada federal Bia Kicis, que preside a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, incitou a rebelião e um golpe da Polícia Militar contra o governador da Bahia, Rui Costa (PT). Ela tentou transformar em herói o soldado que, durante um surto neste domingo (28), invadiu o Farol da Barra, um dos principais pontos turísticos de Salvador, e fez vários disparos para o alto, ameaçando e colocando em risco a vida de pessoas que transitavam no local (veja tuíte abaixo). O soldado foi  atingido por outros PMs durante a operação para contê-lo, depois de atirar contra os colegas, e morreu no fim da noite.

O policial teve a morte confirmada pela Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA). Ele estava internado no Hospital Geral do Estado (HGE) após ser baleado por policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) no início da noite. A morte foi confirmada às 22h41.

O PM foi atingido em pelo menos três regiões do corpo, incluído tórax e abdômen. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP), às 18h35, o soldado afirmou que “havia chegado o momento, fez uma contagem regressiva e iniciou disparos contra as equipes do Bope”. Os policiais, então, dispararam dez vezes contra Weslei. “No momento que caiu ao chão ele iniciou uma série de disparos contra os policiais, que novamente tiveram a necessidade de realizar disparos, e, quando ele cessou a agressão, os policiais chegaram perto para utilizar o resgate”, declarou Capitão Luiz Henrique, o negociador.

O comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), major Clédson Conceição, afirmou que os policiais buscaram utilizar técnicas de negociação e impedir um confronto, mas que Weslei “atacou as equipes”. “Além de colocar em risco os militares, estávamos em uma área residencial, expondo também os moradores", justificou. Conceição disse que tentaram fazer com que Weslei se estregasse, mas que “essa negociação alternava em picos de lucidez com loucura. Ele não falava coisas com sentido, estava bastante transtornado”.

Repórteres e cinegrafistas que estavam no local foram ameaçados por policiais, após Weslei ser baleado. Eles disparam para cima, para dispersar a imprensa - o momento foi capturado num vídeo. A PM não se manifestou a respeito até o fechamento da reportagem. Moradores do bairro acompanharam a ação e divulgaram vídeos da chegada do PM Weslei até ele ser baleado e socorrido pelo SAMU até o HGE.

O soldado Weslei era integrante da 72ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM), de Itacaré, no sul da Bahia, e chegou à capital baiana na manhã deste domingo. Os primeiros disparos de fuzil de Weslei aconteceram na Avenida Centenário, próximo ao 5º Centro de Saúde Clementino Fraga, relataram testemunhas. A perseguição policial teve início no local até chegar ao Farol da Barra, por volta das 14h. Lá, Wesley desceu do próprio carro com um fuzil à mão. Pouco depois, começou a efetuar os disparos. Não há registro de outros feridos.  Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), ele teve um “surto psicológico”.

Bia Kicis

Acostumada em disparar fake news em suas redes, Bia transformou o agente, chamado Wesley Soares, que pertence à 72º Companhia Independente de Polícia Militar de Itacaré, num herói, omitindo fato de que a Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) informou que o soldado apresentou um surto psicológico.

Com o rosto pintado de verde e amarelo, enquanto efetuava os disparos, Wesley gritava: "Eu, não vou deixar, não vou permitir, que violem a dignidade humana do trabalhador!". 

Bia usou sua frase para construir um contexto falso de que o agente lutava contra o lockdown estabelecido pelo governo baiano. “Morreu porque se recusou a prender trabalhadores. Disse não às ordens ilegais do governador Rui Costa da Bahia”.

Rádio BandNews FM
@radiobandnewsfm
Não se sabe o que teria provocado o descontrole do policial. Durante toda a tarde, o PM andou de um lado para o outro, enquanto gritava e atirava pro céu.
PM que surtou com rosto pintado de verde e amarelo é baleado em Salvador - Rádio BandNews FM
O policial militar que surtou e atirou várias vezes para cima no Farol da Barra, orla de Salvador, é baleado no fim da tarde deste domingo (28). Depois de quase quatro horas de negociação com o...
bandnewsfm.band.uol.com.br
Brigadas Populares
@BPs_nacional
Policiais Militares e membros do Exército fanatizados pelo bolsonarismo são uma ameaça ao país. Dito isso, é absurdo chamar de herói o PM da Bahia que atirou contra colegas e foi morto. Mais ainda é usar um caso de violência fruto de uma crise psíquica para deflagar um motim.
15
Out20

Mesmo sabendo que era filmado, homem espanca mulher no meio da rua em Ilhéus (vídeos)

Talis Andrade

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Agressor Carlos Samuel Freitas Costa Filho, "amigo de polícia"

Correio, Bahia - Um homem identificado pela polícia como Carlos Samuel Freitas Costa Filho espancou uma mulher com socos no rosto em Ilhéus, no Sul da Bahia. Um vídeo mostrando o momento do ataque viralizou nas redes sociais nesta quarta-feira (14). 

Nas imagens gravadas por um morador, o agressor e a vítima aparecem conversando encostados em um carro. A mulher pede por diversas vezes que Carlos saia.

 

Me solte e vá embora. Você acha que porque você é amigo de polícia... Eu vou dar queixa de você aqui, minha boca está do jeito que está”, disse a mulher.

 

De acordo com informações da TV Bahia, a vítima optou por não registrar boletim de ocorrência contra o agressor, o que foi feito independente de sua vontade, segundo a polícia informou.

Ainda de acordo com a polícia, essa é a 11ª ocorrência registrada na Delegacia Especial de Atendimento a Mulher de Ilhéus (Deam) contra Carlos Samuel, que já foi intimado a depor sobre o caso, mas ainda não foi localizado.

Nas imagens, o homem chega a ameaçar a pessoa que está gravando, chamando para a briga. “Cadê o homem que você disse que vai descer? Cadê ele? Manda ele descer que eu quero ver”.

A vítima pede para que o homem não desça e diz que ele não está armado. “Desça não moço, ele não tem nada. É um zé ruela, não tem nada”.

Logo depois, ela volta a pedir para que o agressor deixe o local, mas não é atendida.

 

Acabou. Desencosta de mim, pegue sua moto e vá embora. Vá embora, eu vou dar queixa de você”, implorou a vítima.

 

Carlos então a agride com uma sequência de socos no rosto. Após o ataque, o agressor deixa o local enquanto é xingado e chamado de covarde por pessoas da vizinhança. 

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09
Out20

Papa Francisco cita Vinicius

Talis Andrade

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O papa Francisco fez uma referência ao Samba da Bênção durante sua fala deste domingo, em Roma. "A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro na vida", repetiu a frase feita por Vinicius de Moraes para o samba de Baden Powell, lançado no álbum do poeta de 1967, durante a leitura de uma forte encíclica batizada 'Todos Irmãos'. Sua fala defendeu o direito às migrações, cobrou uma reforma da Organização das Nações Unidas e do sistema financeiro mundial. 

Vinicius e Baden estariam sorrindo de satisfação, não apenas pela deferência eclesiástica de Francisco com a citação da música para falar sobre a importância de se aprender a viver na diversidade racial e cultural, mas também pelo poder de expansão territorial de um samba de terreiro. Ao ser citada no Vaticano por um papa, a figura mais importante no catolicismo depois do próprio Jesus Cristo, Samba da Bênção sai das giras para entrar na missa 53 anos depois de sua criação.

Francisco se ateve ao verso mais, digamos, ecumênico. Não é preciso nem ter religião para entender o que Vinicius quis dizer com sua frase sobre encontros e desencontros. Mas, cuidado santidade. Se a tropa de choque dos conservadores que caminha a seu lado sonhando com sua deposição for mais à fundo, vai acusá-lo de quebra de decoro religioso ao descobrir que Samba da Bênção tem os dois pés no Candomblé. Vejamos o que diz o poeta Vinicius alguns versos adiante, quando chega o momento de se pedir bênção a torto e a direito: "A bênção, meu bom Cyro Monteiro você, sobrinho de Nonô / A bênção, Noel, sua bênção, Ary / A bênção, todos os grandes sambistas do Brasil / Branco, preto, mulato / Lindo como a pele macia de Oxum."

Oxum, a orixá das cachoeiras, a entidade que reina sobre as águas doces, é considerada a senhora da beleza, da fertilidade, do dinheiro, da sensibilidade e do poder feminino. Mamãe Oxum. Vinicius, que se intitulava "o branco mais preto do Brasil" e Baden, convertido no final da vida a uma igreja evangélica, estavam com todos os santos das religiões de matrizes africanas à flor da pele. Um ano antes de criarem os versos citado pelo papa, haviam lançado o antológico álbum Os Afro-Sambas, calma Vaticano, com Canto de Ossanha, Canto de Xangô, Bocoché, Canto de Iemanjá, Tempo de Amor, Canto do Caboclo Pedra-Preta, Tristeza e Solidão e, atenção, Lamento de Exu, uma figura que muitos sacerdotes juram ainda ser, equivocadamente ou estrategicamente, o próprio diabo.

O papa Francisco levou para os metros quadrados mais reverenciados da Igreja Católica os versos de uma canção de matriz afro-religiosa. Pecado? Jamais, diriam os progressistas. Do lado dos terreiros, ninguém sai dizendo para ninguém cantar música gospel ou hinos católicos. Afinal, como disseram Vinicius de Moraes e Baden Powell em 1967, "a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro na vida." O mundo de Francisco encontrou o mundo de Vinicius.

Samba da Bênção

 
É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
 
Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não
 
Senão é como amar uma mulher só linda
E daí?
Uma mulher tem que ter qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor e pra ser só perdão
 
Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração
 
Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não
 
Feito essa gente que anda por aí brincando com a vida
Cuidado, companheiro
A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só
Duas mesmo que é bom ninguém vai me dizer que tem sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu e assinado embaixo
Deus, e com firma reconhecida
A vida não é brincadeira, amigo
A vida é arte do encontro embora haja tanto desencontro pela vida
Há sempre uma mulher à sua espera
Com os olhos cheios de carinho
E as mãos cheias de perdão
Ponha um pouco de amor na sua vida
Como no seu samba
 
Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não
 
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração
 
Eu, por exemplo, o capitão do mato Vinícius De Moraes
Poeta e diplomata
O branco mais preto do Brasil
Na linha direta de Xangô, saravá!
A bênção, Senhora
A maior ialorixá da Bahia
Terra de Caymmi e João Gilberto
A bênção, Pixinguinha, tu que choraste na flauta, todas as minhas mágoas de amor
A bênção, Sinhô, a benção, Cartola
A bênção, Ismael Silva
Sua bênção, Heitor dos Prazeres
A bênção, Nelson Cavaquinho
A bênção, Geraldo Pereira
A bênção, meu bom Cyro Monteiro você, sobrinho de Nonô
A bênção, Noel, sua bênção, Ary
A bênção, todos os grandes sambistas do Brasil
Branco, preto, mulato
Lindo como a pele macia de Oxum
A bênção, maestro Antônio Carlos Jobim
Parceiro e amigo querido, que já viajaste tantas canções comigo
E ainda há tantas por viajar
A bênção, Carlinhos Lyra, parceiro cem por cento
Você que une a ação ao sentimento e ao pensamento
A bênção, a bênção, Baden Powell
Amigo novo, parceiro novo, que fizeste este samba comigo
A bênção, amigo
A bênção, maestro Moacir Santos, que não és um só, és tantos como
Tantos como o meu Brasil de todos os santos
Inclusive meu São Sebastião
Saravá, a bênção, que eu vou partir
Eu vou ter que dizer adeus
 
Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não
 
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração
 
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração
Ele é negro demais no coração
Ele é negro demais no coração
Ele é negro demais no coração
27
Ago20

Mais de 4.000 pessoas com covid-19 morreram à espera por um leito de UTI em seis Estados brasileiros

Talis Andrade

bolsonaro-cloroquina-.jpg

 

 

Dados levantados pelo EL PAÍS mostram como a pressão no SUS alijou pacientes no Rio, Minas, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Bahia e Maranhão durante a crise sanitária

por Beatriz Jucá

- -

Ao menos 4.132 pessoas morreram antes de conseguir chegar a um leito de terapia intensiva para o tratamento de covid-19 durante a pandemia do novo coronavírus em seis Estados brasileiros: Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Maranhão. O número, levantado pelo EL PAÍS com dados das secretarias estaduais da saúde, tenta dar pistas sobre o tamanho da pressão sofrida pelo SUS desde fevereiro, quando começou a crise sanitária no Brasil. O jornal procurou as 27 unidades da federação para saber quantas solicitações por uma UTI com perfil de covid-19 foram canceladas por morte do paciente em suas centrais de regulação ― setor que recebe todos os pedidos das unidades de saúde da rede estadual e os distribui conforme vários critérios, incluindo a gravidade do paciente. Essas mais de 4.000 mortes à espera por um leito retratam a situação em menos de um terço do país, já que apenas seis Estados informaram este dado, que pode incluir tanto os casos de desassistência por conta do colapso do sistema de saúde, quanto situações em que pacientes já chegaram tão graves que não houve tempo para colocá-los na terapia intensiva.

Em um país de proporções continentais como o Brasil, a epidemia se desenha em diferentes velocidades ao longo dos últimos seis meses. Os impactos observados até agora são muito distintos entre os Estados, historicamente marcados pela desigualdade que permeia o sistema de saúde. Nos primeiros meses da crise ―especialmente em abril e maio―, Amazonas, Ceará e Rio de Janeiro protagonizaram histórias duras da pandemia, com hospitais superlotados. Registraram longas filas de espera por um leito de UTI, onde são tratados os pacientes com a manifestação mais grave da covid-19. Em alguns locais, unidades de pronto atendimento chegaram a funcionar praticamente como hospitais, improvisaram leitos de estabilização para pacientes que precisavam ser entubados e instalaram até contêineres frigoríficos para armazenar corpos. Simplesmente não havia leitos de UTI suficientes para atender à demanda, embora gestores locais afirmassem que trabalhavam para expandir o sistema de saúde. Desde então, taxas de ocupação hospitalares têm caído, seja por sinais de arrefecimento de casos graves que demandam internação ou pelas vagas de UTI criadas durante a crise. (Continua)

17
Jun20

Deputado bolsonarista invade hospital na Bahia e ameaça prender funcionários em ala com paciente nua

Talis Andrade

 

247 - O deputado estadual Alden (PSL), que é capitão da polícia militar, invadiu o hospital de campanha Riverside, na Região Metropolitana de Salvador, na Bahia, na tarde desta quarta-feira (17). O local é dedicado ao tratamento de pacientes com coronavírus. 

De acordo com o governo baiano, Alden de tal chegou acompanhado de seguranças, e aparentava estar armado. Ele também teria ameaçado dar voz de prisão aos funcionários. O Executivo estadual também disse que um dos seguranças que acompanhavam o parlamentar se posicionou na porta de um dos quartos, e teve acesso a uma paciente que estava com as partes íntimas expostas, pois tomava banho em seu leito. 

A invasão acontece menos de uma semana após Jair Bolsonaro, em live nas redes sociais, ter incentivado seus seguidores a invadirem hospitais e filmarem a oferta de leitos. 

De acordo com o secretário de Saúde da Bahia, Fabio Vilas-Boas, "é lamentável que um parlamentar, ainda mais sendo ele policial, cometa um atentado contra a paz de um ambiente hospitalar, onde pacientes isolados estão sofrendo e lutando por suas vidas". Os relatos foram publicados na coluna Painel.

"É lamentável que o deputado e os seus seguranças coloquem em jogo a própria saúde, sob risco de serem infectados com à Covid-19, bem como a de pacientes e profissionais", disse a administração estadual, em nota.

Um boletim de ocorrência foi registrado para a apuração do crime cometido.

 

 

23
Mar20

Marco Aurélio suspende cortes no Bolsa Família na região Nordeste

Talis Andrade

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Por Fernanda Valente

Configura postura discriminatória promover cortes na transferência direta de renda por meio do programa Bolsa Família a apenas uma região do país. Assim entendeu o Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, ao determinar a suspensão dos cortes na região Nordeste.

A decisão, da última sexta-feira (20/3), acolhe pedidos dos Estados da Bahia, do Ceará, do Maranhão, da Paraíba, de Pernambuco, do Piauí e do Rio Grande do Norte. Eles sustentaram que entre maio e dezembro de 2019 houve a redução da concessão dos benefícios na região.

De acordo com a ação, foram destinados à Região Nordeste 3% dos novos benefícios e 75% às Regiões Sul e Sudeste. Os estados dizem ser "inexplicável a dissonância".

Ao analisar o pedido, o ministro considerou que há um estado de calamidade pública no país e que a concentração de cortes do benefício na Região Nordeste configura discriminação. Na decisão, ele determina que a União justifique quais foram os critérios adotados para os cortes.

"A postura de discriminação, ante enfoque adotado por dirigente, de retaliação a alcançar cidadãos – e logo os mais necessitados –, revela o ponto a que se chegou, revela descalabro, revela tempos estranhos. A coisa pública é inconfundível com a privada, a particular. A coisa pública é de interesse geral. Deve merecer tratamento uniforme, sem preferências individuais. É o que se impõe aos dirigentes. A forma de proceder há de ser única, isenta de paixões, especialmente de natureza político-governamental", diz Marco Aurélio. 

Clique aqui para ler a decisão

 

20
Fev20

PM da Bahia está mancomunada com as milícias e o governador Rui Costa vai pagar essa conta

Talis Andrade

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247 - O jornalista Breno Altman, em análise concedida à TV 247, observa os últimos elementos nas investigações do assassinato do miliciano Adriano da Nóbrega, que indicam queima de arquivo, e cobra uma postura do governador da Bahia, Rui Costa (PT). 

 

“Rui deveria colocar todos os policiais que participaram da operação [que executou Nóbrega] sob escrutínio", defende ele. “O PT deve não somente nos bastidores, mas publicamente cobrar uma postura do governador”, acrescenta. 

O jornalista defende ainda que “a esquerda deve enfrentar o tema da segurança pública”.

Altman considera que há um imenso descontrole dos governadores em relação às polícias militares. "Os policiais deveriam estar sob estrito controle dos governos estaduais” . 

“Os governos de esquerda cruzam o braços e deixam a polícia pintar e bordar com suas estruturas autoritárias”, analisa. “O único governador que conseguiu enfrentar a policia chama-se Leonel Brizola", relembra. 

livro arma polícia pm professor estudante protest

 

11
Fev20

Vídeo sobre local onde tombou Adriano contradiz versão da polícia

Talis Andrade

 

por Denise Assis

A ditadura - 1964/1985 -, foi pródiga em montar “teatrinhos” para desfazer cenários de mortes dos que a ela resistiam. Muitas foram as alegações de “troca de tiros”, para justificar mortes de presos já sob a guarda da Polícia ou do Exército.  Isto, graças à postura do Estado Brasileiro, que sempre se recusou a assumir as graves violações dos direitos humanos perpetradas em suas dependências, quer sejam civil ou militar, resultando na morte e “desaparecimento” de 434 cidadãos, conforme registrou o Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade. 

Não por acaso, durante 41 anos a Polícia manteve a versão de que foi recebida à bala, na casa onde se escondiam quatro jovens do episódio que entrou para a história como “Chacina de Quintino”, acontecido em 29 de março de 1972, quando quatro militantes da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), estavam reunidos na casa de número 72 da Avenida Suburbana 8.985, em Quintino, na Zona Norte do Rio. 

A elucidação do caso só foi possível graças ao trabalho realizado pela Comissão da Verdade do Rio, que conseguiu, resgatar a verdade a partir da revelação – embora tardia – de um dos peritos responsáveis pela autopsia dos corpos. Ele contou à Comissão que foi pressionado para adulterar o laudo que havia escrito, onde apontava a ausência de vestígio de pólvora nas mãos dos jovens abatidos pela Polícia. Tivessem, de fato, trocado tiros, e teriam pólvora nas mãos. 

O retorno a este passado se justifica quando há fartas especulações em torno da morte de Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado como chefe do “Escritório do Crime”, da comunidade de Rio das Pedras, (Zona Oeste do Rio), próximo da família Bolsonaro, a ponto de um dos seus filhos tê-la empregado. Familiares do miliciano trabalharam no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro, que o condecorou por duas vezes. 

Caso tenhamos uma autopsia correta, saberemos se Adriano trocou mesmo tiros, pois se em época de técnicas mais rudimentares foi possível ao médico-legista Valdecir Tagliari atestar que não havia pólvora nas mãos dos guerrilheiros, agora, quando a tecnologia anda a galopes, isto é muito mais fácil de ser comprovado. 

 

“Perdeu, a gente sabe que você tá aí! Joga a arma pra fora”. Um PM do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Bahia afirmou, em depoimento, que foi assim que tentou fazer com que Adriano Magalhães da Nóbrega se rendesse em uma casa na área rural do município de Esplanada, a 170 quilômetros de Salvador, na manhã de domingo. Atrás da parede de uma cozinha, o miliciano teria reagido com um tiro de pistola – e acabou levando dois, de fuzil.

Aí a notícia carece de exatidão. Ou o vídeo que circula na Internet não é o oficial, ou o depoimento do PM não é correto. Na cena exposta para quem quiser observar, vemos uma poça de sangue perto da porta de entrada, na sala de visitas. Não há dúvidas sobre o ambiente. Não é, definitivamente uma cozinha, conforme descreve o policial. Sendo assim, tudo leva a crer que a morte de Adriano tenha se dado ali, na sala, em frente à porta de entrada. Tal qual aconteceu no passado, quando os policiais invadiam e disparavam.Resultado de imagem para adriano da nobrega morte

 

 

 
 
10
Fev20

Adriano da Nóbrega lavava dinheiro da milícia em fazendas, aponta investigação

Talis Andrade

Ex-capitão Adriano mudou de esconderijo na véspera de sua morte

por Vera Araújo
 

Extra — Mesmo com a morte do ex-capitão do Bope, Adriano Magalhães da Nóbrega, na manhã deste domingo numa operação na Bahia, onde ele estava escondido, as investigações continuam, principalmente em seus negócios ilícitos. A polícia do Rio acredita que as fazendas de gado — ele teria terras na Bahia e em Sergipe em nome de laranjas — eram uma forma usada para lavar o dinheiro do crime. Ele também seria competidor em vaquejadas em Sergipe, com o nome de equipe Dakar.

Há cerca de um ano, Adriano vinha sendo monitorado. No início deste mês, houve uma operação na Costa do Sauípe, Bahia, para prendê-lo, mas ele escapou, deixando para trás uma identidade falsa. Ontem, o ex-policial foi localizado no município de Esplanada, na área rural da Bahia, no sítio de um político. Na casa, havia duas pistolas e duas espingardas. Ao ser surpreendido, atirou com uma Glock calibre 9mm. Agentes contam que houve troca de tiros e que o ex-militar chegou a ser socorrido, mas não resistiu.

'Capitão Adriano': miliciano foi morto na manhã de domingo durante tiroteio com o Bope da Bahia em área rural de Esplanada

A Secretaria de Segurança da Bahia informou que, na ação, Adriano “resistiu com disparos de arma de fogo e terminou ferido”. Ele foi atingido por dois tiros. Antes do confronto, os agentes baianos prenderam homens que davam segurança ao miliciano. O material apreendido deverá ser analisado pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MP do Rio. O corpo de Adriano deve chegar ao Rio nos próximos dias.

Deflagrada em 22 de janeiro de 2019, com base em investigações do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado, do MP, a operação Os Intocáveis revelou que o ex-capitão comandava um esquema de agiotagem, grilagem de terras e construções ilegais, com o pagamento de propina a agentes públicos, a fim de manter seus negócios ilícitos, “sempre de forma violenta e por meio de ameaças”. Adriano era o único foragido. Outros 12 integrantes da milícia de Rio das Pedras estão presos.

 

 

 

 

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