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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

11
Fev21

O feio papel da TV Globo na "lava jato" e no caso propinoduto

Talis Andrade

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Por Lenio Luiz Streck

 

1. As mensagens do Intercept-Spoofing
O jurista Geraldo Prado postou em seu Twitter:

"O fato da Globo não se interessar pelas revelações da Lava Jato, descortinada a partir da divulgação do The Intercept-BR, caracteriza obstrução do dever de noticiar que justifica a crença no envolvimento editorial nas práticas ilegais de investigação e processo que vieram à luz."

Correto o querido Geraldinho. O silêncio eloquente da Globo mostra que as mensagens (agora liberadas pelo STF para a defesa do ex-presidente Lula — aliás, não entendi o voto do ministro Fachin, quem não se insurgiu contra o vazamento do caso Lula-Dilma) estão cutucando a onça. Como se diz, mutuca tira boi do mato. Por enquanto, o boi resiste. Bom, as Diretas Já (1984) são um exemplo: a Globo resistiu até o último momento. Porque apoiava o regime. Hoje, a Globo apoia o lavajatismo. Isso tem de ser dito. Por que é que dizer isso incomoda? Alguém nega que seja verdade?

Observe-se: a Globo silencia naquilo que um colunista do New York Times chama de "o maior escândalo judicial da humanidade". Mais: quatro ex-presidentes da Associação Nacional dos Procuradores da República fizeram manifesto exigindo apuração dos atos da força-tarefa. Mas nada disso vira notícia, certo?

Portanto, é feio esse tipo de jornalismo seletivo. Onde estão as imagens do dinheiro jorrando por oleodutos? Agora, sugiro, poderiam mostrar milhares de mensagens afogando Moro e Deltan. Fica a sugestão para o setor de jornalismo da Vênus Platinada. Os fatos.

Também, pudera: uma das mensagens mostra o chefão da Globo em lauto regabofe (aqui) patrocinado por Joaquim Falcão, episódio que Deltinha (sic) conta com muita basófia em diálogos com seus companheiros. Ali foi feito o compromisso da emissora em fazer propaganda gratuita para o Projeto das Dez Medidas que estabelecia o uso de prova ilícita de boa-fé. Que sarcasmo do destino, não? Qualquer semelhança... a gente vê por aqui.

2. O caso Propinoduto-Silveirinha
Vejam como se pega um caso e o transforma em um cavalo de troia para vender outra coisa.

Explico: leio que o Supremo Tribunal Federal analisa nesta sexta-feira (12/2) um recurso extraordinário de réus do caso chamado de Propinoduto, que veio à tona em 2003, no Rio de Janeiro. O esquema revelou que fiscais da Fazenda estadual e da Receita Federal cobravam propinas de empresários e depositaram o dinheiro em contas na Suíça.

O total encontrado no banco suíço foi de US$ 33, 4 milhões, algo em torno de R$ 182 milhões atualmente.

Aí começa o imbróglio comunicativo. A Globo, e o seu "fantástico Fantástico", aproveitou a onda do "combate à impunidade", com seu tenentismo de microfone, e tentou tirar uma lasquinha, talvez para chorar pelo suicídio da "lava jato", coisa que a emissora não engole. Que pauta bonita essa, contra a corrupção. Alguém é a favor da corrupção? Alguém é contra a pauta do combate à corrupção?

Pauta bonita. Péssima matéria. Onde os repórteres e o diretor de jornalismo estudaram? Na faculdade ensinam que uma reportagem se faz desse modo?

A reportagem preocupou-se em mostrar o principal protagonista, Silveirinha, hoje dirigindo táxi, mas morando em uma mansão (isso não ficou claro) e nem como ele poderia, dirigindo um táxi, viver assim. Porém, isso não importa para a reportagem. Imagem é tudo. Empirismo mequetrefe.

Teve até take da Suíça. Gastaram dinheiro para ouvir a repórter que está em Zurique. Que disse o quê? Platitudes. Ah, o banco que recebeu os depósitos foi vendido. E daí? Ah, disse também que se o crime prescrever no Brasil o dinheiro volta para Silveirinha et caterva.

E por aqui, no Rio, o repórter foi mais longe. Entrevistou a ex-mulher do protagonista. E aí veio a "bomba": as duas filhas, que à época tinham cinco e oito anos, são acusadas como cúmplices. Como assim? E o repórter não mostra nada?

Uma defensora pública foi entrevistada, mas deram a ela, como sempre, oito a dez segundos. Para explicar por que as meninas sofriam com isso e não conseguiam fazer concursos publico etc. Digo eu, outra vez: como assim? Não existe MP? Vara de Menores? Criança e Adolescente? Defensoria? Quer dizer que, segundo a "esclarecedora" reportagem, o sistema judicial prejudicou duas crianças — agora moças — porque seu pai as colocou como beneficiárias em uma conta na Suíça? E isso fica por isso? E aí elas não podem fazer concurso? Só estocando comida nesse caos informativo.

E ninguém explicou mais nada para "nosotros". Disseram que os advogados disseram que o dinheiro, mesmo em caso de prescrição (que é iminente), não voltaria para os autores do desfalque. OK, mas, assim? Isso é verdadeiro? Volta ou não volta? E se voltar, isso ficará assim? O repórter não foi checar a informação? Baita jornalismo...! Tiram o espectador para idiota. Bingo: criam idiotas.

Ah, sei. A reportagem era para fazer apenas espetáculo. Pois é. Viva Guy Debord. Ao fim e ao cabo, o que ficou foi a pauta principal — e esse era o busílis: a culpa da possibilidade de prescrição é porque não existe prisão em segundo grau. Está lançada a tese.

Como assim? O que a prisão em segundo grau tem a ver com a inércia de um sistema penal-processual que permite que condenações de 17 anos prescrevam? O processo ficou parado sete anos em um tribunal? É? E por que o repórter não foi atrás para saber as razões disso? Por que não entrevistou o promotor? Um professor de Direito veio falando: maldita prescrição. É? Eu sempre achei que a prescrição era um direito do réu e o Estado tinha o dever de evitar que ocorresse.

Sigo. O Ministério Público não movimentou os autos? Deixou assim? Os autos têm vida própria? Quer dizer: a culpa pelo desmatamento é do machado. Não é de quem maneja a ferramenta. Que coisa, não? Mas culpar o mensageiro é sempre mais fácil mesmo. Olhar para o espelho é difícil pra quem tem medo daquilo que pode enxergar.

E assim a coisa vai. A Globo faz um carnaval com um processo que ela mesma tinha esquecido. Que o MP esqueceu e ninguém lhe perguntou. Que o Judiciário esqueceu e ninguém lhe perguntou. E a culpa é... de quem? Da defesa. Claro. E do "maldito sistema". Sempre o sistema. Culparam tanto o tal do sistema e... deu no que deu. Vocês sabem bem do que falo.

E a solução é simples: vamos mudar a legislação. Aliás, vamos obrigar a prisão logo na segunda instância. A Globo quer ganhar no tapetão. Lembram quando Merval dizia que se o STF der provimento às ADCs, 190 mil presos, entre eles estupradores, assassinos etc. serão soltos? Eu não esqueci. Você já esqueceu?

Pronto. A reportagem deverá ganhar um prêmio. O Ig-Nobil. Por mal informar, por fazer espetáculo barato, por correr pateticamente atrás do réu-hoje-taxista (aliás, o repórter está fora de forma) e, mais do que tudo, por nada esclarecer à população. Dá zero para eles, como dizia o filósofo Chavo Del Ocho...

Simples assim. Se alguém pensa que é só no Direito que ensinam com livros simplificados, imagino com que livros o pessoal do Jornalismo e Comunicação vem lidando. O resultado é essa "reportagem" fantástica do Fantástico. E a "cobertura" das mensagens que mostram o conluio entre Moro e acusação? Não é pauta? Ah, pauta mesmo é BBB. Ali está a cultura nacional. Eis o papel de parte da imprensa "oficial". Quem vai pro paredão? Quem vai ser cancelado? Pelo jeito, o debate sério e a legalidade de um país que prefere o showzinho.

E isso que não falei da reportagem que veio depois sobre a pandemia. Em vez de informação, muito choro de familiares de vítimas. Ig-Nóbil. O sujeito perdeu a mãe e o repórter enfia o microfone na cara do enlutado e pergunta: e agora, como você está se sentindo?

Que maravilha, não? É fantástico. Guy Debord, que os repórteres e diretores de jornalismo deveriam ler, estava certo. Trata-se de uma sociedade do espetáculo. O paradoxo: tivessem lido, não teria saído isso. Mas saiu. E é o que temos.

Mas a culpa é da prescrição. Da CF, que deu "direitos demais".

De todo modo, vale o adágio: mutuca tira boi do mato. Demora, mas tira!

14
Ago19

É gente que não importa aos jornais…

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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Os números, para que sejam insuspeitos, são os noticiados pela Veja.

Mas nos grandes jornais brasileiros, ou se resumiram a notas microscópicas ou a nada.

A foto da Avenida Presidente Vargas, no Rio, mostra que tinha gente, muita gente.

Ventania braba na cidade, tal como chuva em São Paulo, porque São Pedro tem sido mas generoso com os domingos “coxinhas” e a gente nunca reclama do sol brilhar.

Em qualquer lugar do mundo, uma manifestação deste tamanho seria notícia importante e não faltariam editoriais e articulistas alertando para dano de serem várias as universidades próximas de ter de interromper aulas e pesquisas por falta de verbas.

Mas a elite brasileira não ama a educação, embora dê muito valor aos títulos acadêmicos, sobretudo aos de fora.

E se não ama a educação, não ama os estudantes, não ama a juventude, não ama o progresso.

Não ama o Brasil.

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08
Ago19

Doente de Brasil

Talis Andrade

O sofrimento é agravado pela constatação de que as instituições não barram a violência do governo e do governante

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[Quarta parte] As pessoas, hoje, não sabem como reagir à quebra do pacto civilizatório representada pela eleição de uma figura violenta como Bolsonaro, que não só prega a violência como violenta a população todos os dias, seja por atos, seja por aliar-se a grupos criminosos, como faz com desmatadores e grileiros na Amazônia, seja por mentir compulsivamente. Não sabem, também, como parar essa força que as atropela e esmaga. Sentem como se aquilo que as está atacando fosse “imparável”, porque percebem que já não podem contar com as instituições – constatação gravíssima para a vida em sociedade. E então passam a sentir-se como reféns – e, seguidamente, a atuar como reféns.

“Como reagimos à violência de alguém como Bolsonaro, que faz e diz o que quer, sem que seja impedido pelas instituições?”, questiona. “Toda a nossa experiência dá conta de que a vida em sociedade é regulada por instâncias que vão determinar o que pode e o que não pode, que têm o poder de impedir a quebra do pacto civilizatório, este pacto que permite que a gente possa conviver. Nesta experiência de que há um regulador, se uma pessoa é racista, ela vai ser processada – e não virar presidente do país. O que vivemos agora, com Bolsonaro, é a quebra de qualquer regulação. E isso tem um enorme impacto sobre a vida subjetiva. Ninguém sabe como reagir a isso, como viver numa realidade em que o presidente pode mentir e pode até mesmo inventar uma realidade que não corresponde aos fatos.”

A documentação das experiências de autoritarismo em diferentes épocas e países costuma relatar o sofrimento físico e psíquico das vítimas, mas geralmente em condições explícitas. Como, por exemplo, um judeu num campo de concentração nazista. Ou uma das mulheres torturadas no Doi-Codi, em São Paulo, durante a ditadura militar do Brasil (1964-1985). Perceber essa violência explícita como violência é imediato. O que a experiência autoritária do bolsonarismo tem demonstrado é o quanto pode ser difícil resistir (também) à violência do cotidiano, aquela que se infiltra nos dias, nos pequenos gestos, na paralisia que vira um modo de ser, nas covardias que deixamos de questionar.

Há milhares, talvez milhões de pequenos gestos de conformação acontecendo neste exato momento no Brasil. Em silêncio. Pequenos movimentos de autocensura, ausências nem sempre percebidas. Uma autora me conta que conseguiu manter seu livro no catálogo da editora sem usar a palavra gênero.... para falar de gênero e sexualidade. Uma diretora me diz que vestiu os corpos de suas atrizes, até então nuas, numa peça de teatro. A professora de uma das mais importantes universidades públicas do país me relata que muitos colegas já deixaram de analisar determinados temas em salas de aula por medo do “poder de polícia” dos alunos, que têm gravado as aulas e se comportado de forma ainda mais violenta que a polícia formal. Um curador de eventos preferiu não fazer o evento. Mudou de assunto. Outro deixou de convidar uma pensadora que certamente levaria bolsocrentes para a sua porta. Nunca saberemos o que poderia acontecer, porque o acontecimento foi impedido para não sofrer o risco de ser impedido.

Há tantos que já preferem “não comentar”. Ou que dizem, simpaticamente: “me deixa fora dessa”. É também assim que o autoritarismo se infiltra, ou é principalmente assim que o autoritarismo se infiltra. E é também assim que se adoece uma população por aquilo que ela já tem medo de fazer, porque antecipa o gesto do opressor e se cala antes de ser calada. E em breve talvez tenha medo também de sussurrar dentro de casa, num mundo em que os aparelhos tecnológicos podem ser usados para a vigilância. Chega o dia em que o próprio pensamento se torna uma doença autoimune. É assim também que o autoritarismo vence antes mesmo de vencer.

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Um dos sintomas do cotidiano de exceção que vivemos é a colonização de nossas mentes. Mesmo pessoas que viveram a ditadura militar não têm recordação de algum momento da sua vida em que tenham pensado todos os dias no presidente da República. Bolsonaro administra o horror dos dias, com suas violências e mentiras, de um modo que o torna onipresente. Faça o teste: quantas horas você consegue ficar sem pensar em Bolsonaro, sem citar uma bestialidade de Bolsonaro? É isso o autoritarismo. Mas sobre isso poucos falam.
 
Se Bolsonaro encarna a vanguarda messiânica-apocalítica do mundo, é preciso sublinhar que os brasileiros não estão sós. Um amigo estrangeiro me conta que, desde que Donald Trump assumiu, a primeira coisa que ele faz ao acordar é conferir qual é a barbaridade que o presidente americano escreveu no Twitter, porque sente que isso afeta diretamente a vida dele. E afeta. [Continua]
 
26
Jul19

"Os ataques contra Glenn têm um único objetivo: desviar a atenção do público sobre a gravidade da Vaza Jato”

Talis Andrade

Para a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), está cada vez mais complicado trabalhar como jornalista no Brasil

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Enquanto o governo Bolsonaro se levanta contra o The Intercept Brasil, o governo Macron mira no Mediapart. Em comum entre os dois países, um jornalismo independente e de investigação que revela irregularidades de seus representantes, chacoalhando as altas cúpulas do poder.

Desde meados de junho, o Mediapart trouxe à tona supostas irregularidades envolvendo o ex-ministro francês François de Rugy, desde a época em que era presidente da Assembleia Francesa, cargo que passou a exercer em junho de 2017 e deixou em setembro de 2018, para assumir o Ministério da Transição Ecológica. Entre as várias falhas cometidas pelo ex-ministro, estão jantares suntuosos com lagostas e champanhe, oferecidos a amigos, e reformas luxuosas em seu apartamento de função - gastos astronômicos bancados com o dinheiro público.

 Em coluna publicada na terça-feira, o confundador e presidente do site, Edwy Plenel, questiona: “Para que serve o jornalismo? Para divulgar a palavra do governo, seus comunicados e propaganda? Ou para revelar informações de interesse público, abafadas ou escondidas? Para acreditar sem verificação em promessas, declarações e defesas oficiais? Ou para confrontar a realidade dos atos, decisões e comportamentos? Para se satisfazer com a perda de confiança do público sobre as instituições e políticos? Ou para fazer evoluir a democracia, levando a sério a promessa original: igualdade de direitos?”.

Mediapart é financiado unicamente por assinantes. O site não aceita nenhum tipo de publicidade.

Em entrevista à RFI, o historiador Christian Delporte, especialista em História das Mídias e da Comunicação Política da Universidade de Versailles Saint-Quentin-en-Yvelines, avalia que o governo francês enfrenta uma nova situação ao lidar com uma mídia independente, que não é bancada por grandes grupos e, portanto, não pode ser pressionada como a grande imprensa. Por isso, Macron utiliza a estratégia de descredibilização do trabalho jornalístico.

Confiança das mídias caiu após eleições

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De acordo com uma pesquisa recente divulgada pelo Instituto Reuters, intitulada de "Digital News Report", apenas 24% dos franceses acreditam na imprensa nacional. O índice de confiança baixou 11 pontos no período de apenas um ano. O principal motivo: a cobertura da crise dos coletes amarelos pela grande mídia, considerada duvidosa por boa parte do público do país.

No Brasil, apesar de toda a campanha de desinformação no WhatsApp durante as últimas eleições para presidente, o índice de confiança do público brasileiro é considerado alto, na avaliação do Instituto Reuters. De acordo com o "Digital News Report", 48% do público no Brasil acredita nas notícias. No entanto, a polarização política durante a campanha eleitoralfoi responsável por uma queda de 11% em apenas um ano na credibilidade dos brasileiros na imprensa.

Contraditoriamente, a professora da USP Roseli Fígaro, coordenadora do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho, observa que os próprios governos de países como o Brasil, a França e os Estados Unidos são principais difusores de fake news. A especialista lembra que a manipulação de massa sempre fez parte das estratégias de certos governos.

“Os ataques contra a imprensa que estamos assistindo nada mais é do que um reflexo de uma estrutura neoliberal que se impõe, retirando direitos sociais e políticos. Esses governos não podem atuar de outra maneira para implementar seus programas. Essa atitude contra a imprensa é apenas um títere de um processo maior”, afirma.

Para ela, não há dúvidas que essa tentativa de descredibilizar o trabalho jornalístico é uma espécie de censura dos governos. Por isso, acredita que a melhor forma de lutar contra esse problema é a persistência dos profissionais de mídia em continuar executando suas atividades.

“Não é apenas o jornalismo independente que vem sendo atacado. Aqui no Brasil, até mesmo a mídia tradicional é tratada desta forma. Ou seja, são questionados todos os que se contrapõem ao governo. Isso só acontece porque os jornalistas estão fazendo o seu trabalho de apurar os fatos e apontar as irregularidades. Por isso, é importante que os jornalistas continuem executando o seu trabalho, doa a quem doer”, reitera.

Polêmicas e Vaza Jato

Dar sequência ao trabalho que vem realizando é o que promete o editor executivo do The Intercept Brasil, Leandro Demori. O site é responsável por uma bombástica série de reportagens - apelidada de Vaza Jato - que revela conversas privadas entre procuradores do Ministério Público Federal e o então juiz Sérgio Moro, que atuavam na operação Lava Jato.

“Não vamos parar de publicar”, promete Demori. “O trabalho do The Intercept é o jornalismo investigativo. Nosso objetivo é levar ao conhecimento da população tudo o que os poderosos querem esconder”, declarou, em entrevista à RFI.

Desde o início de junho, a equipe liderada pelo jornalista americano Glenn Greenwald fez diversas revelações que demonstram a falta de ética e a parcialidade no sistema político e jurídico do Brasil. Também ressaltam o conluio para a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2018, e até mesmo a proteção do senador Flávio Bolsonaro, no “Caso Queiroz”, suposto esquema de corrupção dentro de seu gabinete, na época em que era deputado estadual do Rio de Janeiro.

As revelações da Vaza Jato resultaram no aumento de violências contra jornalistas. Glenn Greenwald e o marido, o deputado federal David Miranda (PSOL), chegaram a ser ameaçados de morte. Para Demori, os ataques contra a imprensa estão cada vez mais pessoais no Brasil.

“Os poderosos nunca gostaram de jornalistas. A diferença é que agora os ataques são muito mais direcionados aos jornalistas como pessoas físicas. Hoje vemos políticos no Brasil espalhando mentiras e criando histórias sobre jornalistas, sem nenhum compromisso com a veracidade dos fatos. E isso incita a violência do público também. A partir do momento que você tem o establishment falando mal do jornalismo, as pessoas que acreditam nesses políticos acabam tendo liberdade para serem agressivas também”, salienta.

Por outro lado, Demori percebe um forte apoio do público brasileiro ao trabalho que vem realizando o The Intercept. “Mesmo as pessoas que votaram no Bolsonaro, mesmo as pessoas conservadoras e que se consideram de direita no Brasil reconhecem que esses arquivos da Vaza Jato são autênticos e merecem atenção. É uma parte pequena da população que está veementemente contra a divulgação desse material. Só que é uma pequena parte barulhenta e parece mais volumosa do que realmente é”, observa.

Repressão e autocensura

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Os especialistas divergem quanto às possíveis consequências desta estratégia dos governos contra a imprensa. Roseli Fígaro teme uma possível repressão aos jornalistas no Brasil.

“Como nosso poder judiciário está completamente comprometido com o que levou esse governo ao poder, é muito provável que ele também abaixe a cabeça quando alguma denúncia mais séria acontecer e o governo comece a tomar medidas repressoras contra essas mídias”, diz.

Já Christian Delporte cogita a possibilidade do início de uma autocensura por parte dos jornalistas na França. Para ele, o fenômeno é mais grave do que a censura em si.

“É o medo de escrever, de veicular. A estratégia do governo francês é justamente essa, quando jornalistas são convocados para depor na Direção Geral de Segurança Interior, por exemplo. Trata-se de fazer pressão nas redações para que os profissionais passem a recorrer, por conta própria, à autocensura”, analisa.

No Brasil, diversas organizações de defesa da liberdade de imprensa, ONGs de defesa de direitos humanos e até mesmo a sociedade civil vem denunciando os ataques contra os profissionais das mídias. Para a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), está cada vez mais complicado trabalhar como jornalista no país.

“É importante lembrar a importância para qualquer democracia de uma imprensa livre e independente que possa fazer seu trabalho investigativo e publicar informações de interesse público, sem perseguição, ameaças ou alvo de qualquer campanha de linchamento e desprestígio”, afirma Emmanuel Colombié, diretor do escritório América Latina da RSF.

Em entrevista à RFI, a RSF manifestou seu apoio ao The Intercept, mas também a todos os jornalistas e comunicadores que querem trabalhar de maneira livre e independente. Colombié também rebateu os ataques contra Glenn Greenwald.

“Sabemos que ele está fazendo um trabalho profissional, ético e muito sério. Glenn já foi premiado com um Pulitzer, que é o maior prêmio do jornalismo internacional. As críticas sobre possíveis influências políticas por trás não são absolutamente críveis. Os ataques contra Glenn têm um único objetivo: desviar a atenção do público sobre a gravidade da Vaza Jato”, conclui. [Transcrevi trechos de reportagem de Daniella Franco na RFI]

 

 

04
Mai19

ESCÂNDALO: BOLSONARO COMPRA REDETV PARA NÃO EXIBIR ENTREVISTA DE LULA A KENNEDY ALENCAR

Talis Andrade

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu nesta sexta-feira (3) uma entrevista para o jornalista Kennedy Alencar, que seria exibida na Rede TV e num programa documental da rede britânica BBC.
 
O site Lula.com foi informado, neste sábado, que a Rede TV decidiu não exibir a entrevista. 
 
Registre-se que a emissora não só entrou com uma reclamação junto ao Supremo Tribunal Federal para garantir o direito de entrevistar o ex-presidente como gravou a entrevista no dia de ontem.
 
A entrevista deve ser divulgada no exterior na BBC. 
 
Ainda é desconhecido o preço que o governo Bolsonaro pagou para a prostituída Rede TV 
 

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27
Abr19

GLOBO DÁ VEXAME HISTÓRICO E CENSURA ENTREVISTA COM LULA

Talis Andrade

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247 – O grupo Globo de comunicação provou, mais uma vez, não ter compromisso com a democracia, com seus leitores e com a liberdade de expressão ao censurar a entrevista concedida pelo ex-presidente Lula, que foi o tema mais comentado do mundo nesta sexta-feira.

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Na entrevista, Lula falou sobre sua condição de preso político, do papel da mídia na destruição do Brasil e disse ainda que o Brasil é governado por malucos. Censura da Globo lembra capítulos tristes de sua história, como o veto à campanha Diretas-Já

 

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