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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

04
Set21

Independência ou morte

Talis Andrade

 

por Miguel Paiva /Jornalistas pela Democracia

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Escrevo este texto antes do dia 7 de setembro, o maior enigma político dos últimos tempos. Racionalmente e até com um certo desejo achamos que não vai acontecer nada, mas no fundo todos temos medo, não aquele medo que paralisa, mas o medo da quebra total de regras por parte da direita que quer ver o circo pegar fogo, literalmente.

Para este governo e para a ideologia que o acompanha isso é normal. Não há nada a construir nem mesmo a candidatura do presidente para 2022. Ele sabe que não terá fôlego e, portanto, só sobrevive com o golpe, e golpe hoje em dia tem um significado muito mais complexo. O bolsonarismo aposta na morte. É da morte que ele se alimenta apesar disso se parecer um paradoxo já que morte é fim. Mas várias mortes juntas, a morte como filosofia, acaba fornecendo o que eles querem. 

O fascismo sempre viveu dessa ideologia. Acabar com a política, com os políticos, com os pobres, com as minorias, enfim, com tudo para que o tirano possa governar com suas milícias de estimação impondo a morte como filosofia e como punição para os incautos opositores.

Mas a morte morre cedo. A morte não resiste ao instinto de sobrevivência das pessoas. Por mais que assuste por não entendermos o que acontece depois, se é que acontece, queremos distancia dela. Desde quando damos o nosso primeiro respiro queremos dar o próximo. 

Viver é instintivo para a maioria das pessoas, mas o instinto de morte, a ideologia da morte assusta e acaba arrebanhando seguidores que encaram a morte como solução, desde que seja a morte do próximo e não a sua. É uma espécie de loteria constante como filosofia de vida. Para quem não tem dinheiro essa acaba sendo mesmo uma saída. Acreditar em Deus, na loteria e no caso, no presidente enquanto ele não te escolher para o sacrifício divino. Somos todos cordeiros de Deus em potencial esperando o chamado para o juízo final em Brasília ou o sacrifício em qualquer viela de Rio das Pedras pelas mãos da milícia. 

Este é o medo que estabelece regras. Mesmo não durando, e a História está aí para provar, ele causa muitos estragos. Perdemos um tempo social irremediável. Andamos anos para trás e retomar o caminho tem um custo muito alto. Mesmo que Lula vença as eleições, o trabalho será enorme, mas a vontade de trabalhar também. Sair fora deste ambiente mórbido e perverso vai criar automaticamente uma alegria de viver. Reconstruiremos a vida no Brasil com prazer, passando pelo trabalho, pela saúde, pela cultura e pela liberdade de viver, não de comprar fuzil e não tomar vacina. 

Venceremos a Covid como seria normal em um país democrático e não teremos mais medo de festejar nas ruas. Por enquanto vamos para as ruas defender esse sonho que está ameaçado. E que as ruas voltem a ser palco de festas e não campo de batalhas como eles querem.

 

19
Ago21

A senilidade dos generais de Bolsonaro

Talis Andrade

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O Brasil do atraso e do golpe

 

Internautas reagiram com humor e também críticas ao ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, que defende abertamente um golpe de estado. Segundo o militar, a intervenção das Forças Armadas pode ocorrer falseando o artigo 142 da Constituição. O gal criou o Dia do Foda-se. 

Leandro Demori
Heleno acaba de dizer em um programa de rádio que, devido à experiência do nosso Exército no Haiti, eles estão prontos pra nos colocar no prumo atuando como “poder moderador”.
General, fiquei com uma dúvida aqui: depois disso vocês vão evitar que soldados sob o comando do Exército estuprem nossas mulheres ou vai ser como foi no Haiti?

Os filhos abandonados da ONU no Haiti

Vivi Reis
A "experiência" do Brasil no Haiti: denúncias de corrupção, violência, estupros e 265 crianças haitianas deixadas para trás por seus pais, alguns deles militares brasileiros.
Rodrigo_Moraes
Haitianos pedem indenização da ONU por estupros na época em que general Heleno comandava forças de paz.
18
Ago21

Foi ditadura, houve tortura

Talis Andrade

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por Carla Teixeira 

 

O ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, em audiência pública ocorrida na Câmara dos Deputados, negou que houve ditadura militar no Brasil entre 1964 e 1985. Para ele, “houve um regime forte, isso eu concordo. (...) cometeram excessos dos dois lados, mas isso tem que ser analisado na época da história de Guerra Fria e tudo o mais. Não pegar uma coisa do passado e trazer para os dias de hoje. Se houvesse ditadura, talvez muitas pessoas não estariam aqui”, vaticinou o ministro.

O general mostra desconhecer a historiografia brasileira, assim como todo o imenso conteúdo produzido sobre os eventos do período mencionado. A fim de confundir seus ouvintes, utiliza de enorme desonestidade intelectual ao afirmar que “se houvesse ditadura, talvez muitas pessoas não estariam aqui”. Acontece que muitas pessoas não estão, general. Pergunte às famílias de Vladmir Herzog, Alexandre Vannucchi, Rubens Paiva, Soledad Barret, Ana Rosa Kucinski, Carlos Marighella (pra citar seis entre milhares) o que pensam e como sentem suas ausências provocadas pelo “regime forte” que o senhor mencionou.  

A ditadura militar (1964-1985) foi o maior atraso político, econômico, social e cultural que o Brasil sofreu durante todo o século XX. A miséria se alastrou na mesma proporção que a corrupção tomou conta do Estado, tendo os generais e Oficiais das armas como principais beneficiados das tenebrosas transações. O legado maldito deixado pela ditadura nos atormenta na figura de Jair Bolsonaro que todos os dias nos lembra os custos de ter conciliado a transição democrática com a escória da humanidade.

Escória, pois a anistia aprovada, em 1979, permitiu que os militares torturadores, sequestradores, assassinos, estupradores, violadores de crianças e ocultadores de cadáveres saíssem impunes de seus crimes, com suas memórias preservadas para o deleite de fanáticos como o general Braga Netto. Ele e outros Oficiais essencialmente mentirosos, canalhas que negaram e seguem negando o que todos sabem e é óbvio, e a historiografia já registrou em diversos idiomas para que a posteridade saiba a verdade que insistem em dissimular: foi ditadura, houve tortura, os militares das forças armadas são os responsáveis e jamais foram punidos. Também por conta dessa impunidade, a sociedade brasileira convive com um enorme passivo democrático que se materializa na violência contra os pretos, os pobres, as mulheres, e nas ameaças diuturnas de golpe militar.

O argumento da equivalência utilizado pelo general para afirmar que “os dois lados cometeram excessos” já foi desmascarado há muitos anos pela historiografia e o cinema. A formação das guerrilhas e suas ações diretas de combate (como assalto a bancos, por exemplo) apenas ganharam corpo após o golpe de 1964. Ou seja, o radicalismo da esquerda, naquele caso, foi produto do radicalismo da direita, especificamente dos militares. Alinhados com os interesses do imperialismo estadunidense, as forças armadas mataram brasileiros que lutavam por democracia, liberdade e dignidade para todos. Ou seja, em nome da pátria, os militares traidores da pátria mataram aqueles que genuinamente a estavam defendendo dos interesses estrangeiros.

Vale lembrar que o general Braga Netto era o comandante da intervenção militar no Rio de Janeiro quando Marielle e Anderson foram assassinados por milicianos, em 2018. Aliás, seu atual posto demonstra o sucesso de sua missão em solo carioca: favorecer as milícias e facilitar a chegada de um de seus representantes à presidência da República. À parte toda essa tragédia, é fundamental louvar a coragem dos deputados que exigiram explicações ao general. Passou da hora da sociedade civil se posicionar diante dos arroubos autoritários de Bolsonaro e seus lacaios generais. Ditadura nunca mais!As universidades e o regime militar: cultura política brasileira e  modernização autoritária eBook : Motta, Rodrigo Patto Sá: Amazon.com.br:  Livros

Indicações de leitura: Rodrigo Patto Sá Motta. “As Universidades e o regime militar: cultura política brasileira e modernização autoritária”. Zahar, 2014.Estranhas catedrais: as empreiteiras brasileiras e a ditadura  civil-militar, 1964-1988 | Amazon.com.br

Pedro Henrique Pedreira Campos. “As empreiteiras Brasileiras e a Ditadura Civil-Militar: 1964-1988”. EdUFF, 2015

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15
Ago21

Bolsonaro não tem condições mínimas para qualquer ato sobre 5G

Talis Andrade

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Tecnologia é de importância definitiva para país tentar se recuperar do atraso multissecular que o condena

por Janio de Freitas

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Joe Biden mandou ao Brasil o assessor de Segurança Nacional dos EUA e um chefão da CIA. Escolhas sugestivas, não de diplomatas, como seria entre países que se respeitem. As duas figuras nem precisariam formular ameaça alguma, chantagem alguma, seus cargos são eloquentes por si mesmos.

O poder americano quer a instalação do seu sistema informático 5G instalado no Brasil. E não o chinês.

O 5G é uma revolução assombrosa adiante da nossa internet e de outras modernidades informáticas.

O sistema americano não está concluído. Quando estiver, já é dito, ainda não será equivalente ao chinês. Por ora, tem a vantagem de que os chineses usam chips fabricados nos EUA, mas a China já se empenha em produção própria.

A decisão brasileira por meio de concorrência científica e financeira não convém aos americanos. Eles têm experiência de Brasil: situação idêntica se deu na compra de um sistema de vigilância da Amazônia, o Sivam, entregue à americana Raytheon em uma concorrência daquelas, bem brasileira, contra a francesa Thomson.

Então presidente, um alegre Fernando Henrique contou que telefonara a Bill Clinton para informar o atendimento ao seu pedido em favor da Raytheon. Hoje os americanos sabem mais da Amazônia real, e de suas riquezas, do que a soma das entidades brasileiras especializadas no tema.

A política internacional de Biden é pior para o mundo todo, exceto Israel, que a de Trump. Como diz um dos seus slogans preferidos, a meta do atual governo é “restabelecer no mundo a liderança inconteste dos Estados Unidos”.

Não foram divulgados os termos em que a questão G5 foi posta aqui pelos dois agentes. Para o essencial, nem foi preciso. Só determinar que fossem ditos em pessoa, e pelos escolhidos para fazê-lo, foi bastante.

O 5G é de importância definitiva para o Brasil tentar recuperar-se do atraso multissecular que o condena. Talvez a última oportunidade.

Mas Bolsonaro e seu pessoal não têm sequer as condições mínimas para qualquer ato em tal questão. O Congresso, em particular o Senado, precisa representar o futuro e impor medidas preventivas contra possíveis traições à soberania.

Nisso as Forças Armadas teriam papel relevante, mas estão minadas pelo bolsonarismo que se soma ao seu americanismo de guerra fria.

A concorrência legítima é indispensável. Ainda que seja retardada e aguarde a conclusão do sistema americano, para a melhor escolha de futuro brasileiro.

11
Jun21

Natalia Pasternak debocha de Heinze sobre efeito da cloroquina: 'chazinho da vó e voltas no quarteirão também funcionam' (vídeo)

Talis Andrade

Natalia Pasternak e Luis Carlos Heinze

 

247 - Em depoimento à CPI da Covid nesta sexta-feira (11), a microbiologista Natalia Pasternak deu uma reposta cheia de ironia ao negacionismo do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), que mais uma vez defendeu o suposto "tratamento precoce" contra a Covid-19, mesmo diante de dois especialistas que atestaram a ineficácia de medicamentos como a hidroxicloroquina contra o coronavírus.

Heinze citou o número de brasileiros recuperados da Covid-19 afirmando, sem citar nenhuma fonte, que tais pacientes foram medicados com remédios ditos sem eficácia contra o coronavírus. "Essas 15.670.754 têm cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina, annita, ivermectina e vitaminas. Hoje tem 16 ou 17 drogas reposicionadas que foram responsáveis por essas 15 milhões de vidas salvas".

Natalia, então, destacou que tomar medicamentos sem eficácia para o tratamento da Covid-19 têm o mesmo efeito de não tomar nada. "Essas 15 milhões de pessoas também tomaram chazinho da vó, deram três pulinhos e uma volta no quarteirão, senador".

Veja mais vídeos aqui

 

18
Jan21

“Me dá uma cloroquina aí, bagual… “

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, é um campeão.

Devia ganhar o Troféu Osmar Terra de negacionismo , acumulado com o Prêmio Eduardo Pazuello de puxassaquismo santário.

A esta altura, quando o charlatanismo presidencial não consegue nenhum adepto capaz de passar por um hospício e por lá ficar, o prefeito pediu ao Governo Federal 25 mil doses de hidroxicloroquina, 60 mil de azitromicina e outras 25 mil unidades do vermífugo Ivermectina.

Todos, claro, descartados pela comunidade científica e, agora, até pela Anvisa, como o tal “tratamento precoce” para a Covid-19.

Desconhece-se se, por razões regionais, o prefeito deixou de pedir também cilindros de ozônio para aplicação retal, como preconizado pelo seu colega prefeito (de Itajaí) e de MDB, Volnei Morastoni.

O caso foi parar na Justiça e ainda assim Melo insiste em fazer o “agrado” ao presidente, de olho em que este “amor sincero” renda recursos federais para a sua administração.

À custa, é claro, da saúde e do dinheiro da população.

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13
Nov20

Bolsonaro pretende eleger prefeitos trampolins para sua reeleição em 2022

Talis Andrade

 

Jair Bolsonaro obteve mais de 57,7 milhões de votos e foi o preferido entre os eleitores de todos os Estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e no Distrito Federal.

Mapa

Bolsonaro quer repetir o feito no Sul e Sudeste nestas eleições municipais de domingo. Perde apenas no Rio Grande do Sul.

Bolsonaro vence em Florianópolis com Gean Loureiro (Dem), em Curitiba com Rafael Greca (Dem), no Rio de Janeiro com Eduardo Paes (Dem), com Kalil em Belo Horizonte (PSD), Pazolini (Republicanos) ou Gandini (Cidadania) em Vitória.

Rafael Greca desafeto de Lula

 

O que é o Centrão vitorioso domingo próximo? 

Responde a jornalista Fernanda Galgaro, G1:

É um bloco informal na Câmara que reúne partidos de centro e centro-direita, que, dependendo da matéria, se articulam para votar da mesma maneira sobre determinado projeto.Entre esses partidos, estão PP (40 deputados), PL (39), Republicanos (31), Solidariedade (14) e PTB (12). O PSD (36), o MDB (34) e o DEM (28) também costumam estar alinhados com o grupo, assim como partidos menores, incluindo PROS (10), PSC (9), Avante (7) e Patriota (6). 

Bolsonaro nem considera derrota a reeleição de Covas, que o PSDB, num segundo turno, entre Bolsonaro versus esquerda, ficaria como sempre com a direita volver.

O Brasil e as eleições municipais

por Elaine Tavares /Palavras Insurgentes

As eleições municipais acontecem agora em novembro e, salvo algum evento cósmico, os candidatos ligados ao atraso e à morte podem levar as prefeituras em grande parte dos mais de cinco mil municípios do país. Também pode ser que as Câmaras de Vereadores fiquem recheadas de moralistas e negacionistas. Uma vertiginosa queda ao fundo do poço. Isso porque, passados quase dois anos de governo de Jair Bolsonaro, a população ainda não conseguiu avaliar de maneira clara o tamanho do buraco no qual estamos metidos. Desde o primeiro dia, a lógica foi a da destruição. Não se tratava do “mudar tudo isso que taí”, mas sim “destruir tudo o que há”. E foi por isso que cada nome para os ministérios foi seguindo a bizarra lógica do seu antagonista. Ou seja, para o ministério da Agricultura, alguém que apoia o agronegócio. Para o meio ambiente, quem quer destruí-lo, para a fazenda, um Chicago boy privatista e entreguista, para a Saúde, um militar sem formação e assim por diante.  

Quando a pandemia se abateu sobre o país, a partir de março, o que se viu foi um festival de absurdos, com o completo abandono da população. O governo federal não apresentou um plano nacional de combate ao vírus e de proteção das gentes. Pelo contrário. Minimizou a doença e atuou através de mentiras e opiniões sem base científica, receitando cloroquina e ivermectina, como prevenção. Um completo fracasso que já nos cobrou quase 200 mil vidas. A saída política foi jogar a culpa das mortes sobre os governadores e prefeitos e é justamente por isso que agora, nas eleições, estamos vendo nas propagandas dos chamados “bolsonaristas” a “denúncia” de que prefeitos e governadores “comunistas” foram os responsáveis pelo desastre econômico e pela perda das vidas. Ou seja, quem procurou proteger a população é atacado como responsável pelas perdas econômicas e humanas. Uma inversão completa dos fatos, mas muito bem amarrado via o gabinete do ódio e a máquina de mentiras dos aliados do presidente. O marquetim tem sido eficaz.  

A eleição nos Estados Unidos unificou de maneira organizada esse grupo que compõe a base de apoio de Bolsonaro. As pessoas passaram o último mês em intensa campanha, trazendo para a realidade local os temas que comandaram as eleições no país do norte. Segundo eles, o próprio deus estava atuando no sentido de eleger Donald Trump, homem eleito pelo divino para salvar o planeta dos pedófilos, comunistas e ladrões de crianças. Como eles colocam nessa turma os adversários políticos de Bolsonaro, a campanha nos EUA serviu para alavancar o debate na campanha eleitoral local. Vencer os candidatos “comunistas” é ponto de honra para esse grupo.  

A derrota de Trump nos Estados Unidos deixou a militância bolsonarista perplexa. Mas foi por pouco tempo. No mesmo dia em que se anunciou Biden como o novo presidente começaram a circular as informações de que tudo isso faz parte do “plano” de Trump para retornar com ainda mais poder. Então, a mensagem da semana é: reforçar as campanhas dos candidatos do presidente para fortalecer o cinturão de proteção em torno de Trump, pois ele vai virar o jogo. E toda hora circulam fotos de novas cédulas de votação encontradas ali e aqui que darão a vitória ao amado do senhor: Donald.  

Não bastasse isso, o presidente do Brasil continua atuando no sentido de desacreditar qualquer vacina contra o coronavírus que venha do “eixo do mal”: Rússia, China ou Cuba. Entre seus apoiadores as informações que circulam é de que essas vacinas transformarão as pessoas em autômatos comunistas, portanto, ninguém deve tomar. Hoje, depois que a Anvisa suspendeu a pesquisa que vinha sendo tocada pelo Instituto Butantan, com base em informações falsas de que uma pessoa voluntária do teste havia morrido por conta da vacina, os grupos estão em polvorosa. “Estamos salvos dos comunistas”, “Graças ao bom deus não haverá vacina chinesa”, “nos livramos da vacina do Dória”. E mesmo que a informação correta já tenha sido anunciada, de que o homem morto se suicidou e que não há ligação com o teste em si, nada muda. A mentira já pegou. Afinal, se a mais importante agência de vigilância sanitária do país veio à público suspender a vacina, é porque alguma coisa há. Navegar nesses grupos é verdadeiramente desafiar a sanidade.  

E assim vamos seguindo para as eleições, em meio a toda essa ideologização da morte. Bolsonaro politizou o trabalho de combate ao coronavírus e agora segue politizando a busca pela vacina. Se ela não vier dos Estados Unidos, ele não vai comprar. Dane-se a população. Chegou ao ápice da estupidez ao comemorar a morte do voluntário da vacina, divulgando nas redes sociais que “Bolsonaro ganhou mais uma”. Sim, ele tem essa estranha mania de se referenciar na terceira pessoa, como se fosse o avatar de si mesmo. O “ganhar”, no caso, é desacreditar a ciência, o Instituto Butantan e, por tabela, seu agora adversário, João Dória, que por descolar-se da sua política durante a pandemia virou milagrosamente “comunista”.  

A vertiginosa queda do país nas mãos desses tipos segue, aparentemente sem freio. Ao que parece, os brasileiros precisarão de mais tempo para perceber toda a perversidade que se esconde por trás das políticas negacionistas do governo federal. E enquanto o grupo de apoio do presidente se movimenta alucinadamente à base das teorias conspiratórias e com a espada de Javé nas mãos, a corrupção familiar segue a todo vapor, o judiciário faz vistas grossas, os deputados se enrolam em alianças fisiológicas e a classe dominante vai acumulando sem se sujar. O sistema, que Bolsonaro dizia que ia destruir, segue azeitado e forte, alicerçado por ele e seus seguidores.

Por fim, ainda que possa uma que outra prefeitura ser conquistada pelos partidos de centro-esquerda, provavelmente o nosso “day after”, o pós-eleição, se converterá em um festival de horrores.  

Há uma longa jornada ainda para se cumprir.  

 

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27
Jul20

MANIFESTO DA CIÊNCIA PELA VIDA PLENA!

Talis Andrade

 

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Cientistas se unem para lutar contra o descaso do governo com a vida

Atualmente, o Brasil está classificado como um dos epicentros mundiais da crise de saúde. A expansão da doença provocada pelo Coronavírus não cessa. No dia 25 de julho, foram registrados mais de três milhões e duzentos mil de casos de infecção e mais de oitenta e cinco mil mortos.

O desenrolar dessa crise é dramático e se acentua diariamente.

A ausência de políticas públicas coordenadas pelo governo federal desnuda a desigualdade econômica e social brasileira.

A piora dos indicadores econômicos e das condições de saúde atinge frontalmente os segmentos mais vulneráveis da população.

As instituições e as pessoas signatárias deste Manifesto denunciam a política institucional de negação da vida, por todas as formas e meios. 

Necropolítica é a negação da vida, da vida do negro, da vida da mulher, da vida dos idosos, da vida das crianças e adolescentes, da vida do LGBTQI+, da vida do indígena e dos quilombolas, da vida do imigrante, da vida do pobre, da vida do opositor político, da vida do sertanejo, da vida do trabalhador, da vida nas periferias, da vida no trânsito, da vida nos biomas, da vida cultural, da vida dos ecossistemas aquáticos.

Denunciam-se, neste documento, a destruição das instituições do Estado Democrático de Direito; o negacionismo da ciência no contexto da pandemia; a destruição das políticas culturais; a destruição do patrimônio ambiental; o abandono das políticas de desenvolvimento nacional e regional; a asfixia financeira e orçamentária com destruição de direitos sociais; a destruição dos ativos naturais; a venda e a alienação indiscriminada dos ativos públicos; a perseguição política e a deslegitimação das universidades públicas e centros de pesquisa; e o estímulo e a disseminação do ódio e violência como prática política e cultural.

O que está em jogo são as nossas vidas e das novas e futuras gerações. 

Nesse contexto, o Brasil precisa de um novo Projeto Nacional de Desenvolvimento para o enfrentamento dos principais problemas emergentes (Covid-19), urgentes (econômico e social) e estruturais (subdesenvolvimento e desigualdades).

O seu escopo deve conter o papel do protagonismo que a região Nordeste vem assumindo no atual contexto, por meio de seus entes federativos no apoio às respectivas populações.

O Estado voltado para uma política de desenvolvimento nacional é a chave para recuperar o atraso em que o Brasil se encontra.

Os governos da região Nordeste têm, portanto, uma grande janela de oportunidade nessa direção.

A proposta do Consórcio Nordeste e do seu Comitê Científico insere-se como instrumento de governança e de formulação e execução políticas públicas compatíveis com as ideias de Celso Furtado. 

A inspiração foi a partir das estratégias furtadianas – baseadas no então projeto inovador, que foi a criação da Sudene, instituindo o Conselho Deliberativo do Nordeste, composto por todos os governadores da região, pelos ministérios da área econômica e demais instituições de desenvolvimento econômico regional, a exemplo do BNB, da Codevasf, DNOCS, CHESF, entre outros.

Em apoio à consecução desse projeto e de iniciativas similares, propomos a construção da Rede Nordeste formada por Instituições de Ensino Superior, Centros de Pesquisas, Organizações, Intelectuais, Cientistas e Formadores de Opinião, principalmente por meio da criação de pactos político-institucionais preocupados com o desenvolvimento regional, que permitam a cooperação em múltiplas escalas com os governos estaduais e municipais, em articulação com o Consórcio Nordeste e demais atores cuja missão institucional é o progresso econômico e social da região.

Convocamos os atores políticos, sociais e econômicos a se unirem à comunidade de Ciência, Tecnologia e Inovação do Nordeste nesta luta pela Vida Plena em defesa do desenvolvimento humano, sustentável e democrático, o qual considere a segurança alimentar e nutricional, o combate à fome, a economia solidária e arranjos produtivos locais para geração de emprego e renda, o fortalecimento e expansão do Sistema Único de Saúde, a educação pública de qualidade, o combate ao analfabetismo, a inclusão digital como instrumento de coesão social e cidadania e investimentos em infraestrutura econômica e social.

Destacamos que a construção de um Projeto Desenvolvimento Nacional e Regional voltado, essencialmente, para os reais problemas da sociedade brasileira encontrou em Celso Furtado um mestre ousado e inovador nos planos cultural, ambiental, econômico, social e político, notadamente voltado para o combate das desigualdades entre as regiões e pela integração nacional. 

Nordeste, 26 de julho de 2020. 

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ASSINATURAS DO “MANIFESTO DA CIÊNCIA PELA VIDA PLENA!” 

.INSTITUCIONAIS 1. SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência 2. ABRUEM – Associação Brasileira de Universidades Estaduais e Municipais 3. Consórcio Pernambuco Universitas UPE,UFPE,UFRPE,UFAPE,IFPE,IFSertão,UFAPE, UNICAP 4. FAPsNE – Rede Nordeste das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa 5. ABED – Associação Brasileira de Economistas pela Democracia 6. IPF – Instituto Paulo Freire 7. APD – Associação de Advogadas e Advogados pela Democracia 8. CNTU – Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários 9. ABJD – Associação Brasileira de Juristas pela Democracia INDIVIDUAIS 

1. Miguel Nicolelis, cientista, professor da Universidade de Duke/EUA, co-coordenador do Comitê 

Científico do Consórcio Nordeste 2. Sérgio Rezende, cientista, professor da UFPE, co-coordenador do Comitê Científico do Consórcio 

Nordeste, ex-Ministro da Ciência e Tecnologia 3. Tânia Bacelar, professora emérita da UFPE 4. Bernardo Boris Vargaftig, professor da USP e membro da Academia Brasileira de Ciências 5. Pedro Henrique de Barros Falcão – Universidade de Pernambuco ( UPE) 6. Antonio Guedes Rangel Júnior – Reitor da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) 7. Cícero Nicácio do Nascimento Lopes – Reitor do Instituto Federal da Paraíba (IFPB) 8. Vicemário Simões – Reitor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) 9. Carlos Guedes – Reitor do Instituto Federal de Alagoas (IFAL) 10. Odilon Máximo – Reitor da Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) 11. Fábio Guedes Gomes – UFAL/ Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa de Alagoas 

(FAPEAL) 12. Tarcísio Pequeno Dora – UFCE/Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e 

Tecnológico (FUNCAP) 13. Márcio Costa – UESC/Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (FAPESB) 14. Roberto Germano – UFPB/ Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa da Paraíba(FAPESQ) 15. Antônio Cardoso do Amaral – UFPI/ Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Piauí 

(FAPEPI) 16. Fernando Jucá – UFPE/ Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa de Pernambuco 

(FACEPE) 17. André Santos – IFPI/ Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Maranhão (FAPEMA) 18. Gilton Sampaio – UERN/Presidente da Fundação Estadual de Amparo à Pesquisa do Rio Grande 

do Norte (FAPERN) 19. José Heriberto Pinheiro Vieira – Presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa e Inovação 

Tecnológica do Estado de Sergipe (FAPITEC) 20. Ana Cláudia Arruda Laprovitera – Presidente do Conselho Regional de Economia de Pernambuco 21. Paulo Fernando de Moura B. Cavalcanti Filho – Professor da UFPB, Coordenador Geral do Acordo 

PLADES-PB (UFPB-Governo da Paraíba) 22. Adroaldo Quintela – ABED 23. Sérgio Storch – Frente Interreligiosa Dom Paulo Evaristo Arns por Justiça e Paz 24. Juliana Bacelar – Professora da UFRN 25. José Farias Gomes Filho – ABED 26. Aristides Monteiro Neto – IPEA/Anipes 27. Fernanda de Lourdes Almeida Leal, UFCG. Diretora do Centro de Humanidades/UFCG, líder do 

Grão – Grupo de Estudos e Pesquisas Infâncias, Educação Infantil e Contextos Plurais. 28. José Sérgio Gabrielli de Azevedo, professor da UFBA, ex-presidente da Petrobras e ex-secretário de Planejamento da Bahia.

31
Jan20

Guedes e Moro são faces do mesmo Bolsonaro, goste ou não a grande mídia

Talis Andrade

 

governo bolsonaro moro guedes.jpeg

 

por Roberto Amaral

Trata-se de farsa ideológica e ética a grande imprensa brasileira tentar apresentar-se como isenta e independente face ao governo Bolsonaro, quando, de fato, o apoia, como apoiou o golpe de 1964 e a era Campos-Bulhões-Delfim, como apoia todo governo de força que promova o império do capital, efetivo condutor de seus movimentos.

E é este, exatamente, o regime de nossos dias, a aliança antipopular neoliberal e ao mesmo tempo autoritária que assegura a absoluta liberdade do mercado e impõe restrições aos direitos civis, às liberdades e aos interesses dos trabalhadores. Nesse regime, que ajudou a implantar (desde a preparação do impeachment), o papel da grande mídia é o de legitimar, junto às grandes massas, dos interesses da classes dominante, promovendo a sistemática distorção da realidade, a construção do falso como substituto do real.

Critica em editoriais os excessos autoritários do capitão, no mesmo tom em que se dedica à defesa da “pauta Guedes” e entoa odes e loas ao ex-juiz feito ministro como recompensa aos seus deslizes na Lava Jato, buscando passar para a população a falsa imagem de que estamos diante de entidades distintas, e não de duas faces da mesma moeda. Repete e amplia essa falsa percepção como se reproduzisse a realidade. Ora, esses personagens, e seus projetos, são inseparáveis e interdependentes como vasos comunicantes.

A “pauta Guedes” – nota promissória que caucionou o apoio do mercado à candidatura do capitão – foi levada ao governo pelo atual presidente, e é um dos esteios de sustentação do bolsonarismo junto ao grande capital, e, para operar, de mãos e pés livres como agora, depende do projeto autoritário militar-civil em plena consolidação. Pois só um Estado autoritário pode levar até às últimas consequências uma pauta econômica neoliberal em país de economia estagnada, crivada por uma patológica desigualdade social e algo como 13 milhões de desempregados, epidemia que, segundo a FGV, mais atinge os jovens de 19 a 29 anos, principalmente os jovens mais pobres.

Os jornalões, que aqui e acolá fazem restrições, justas, ao capitão e sua caterva são os mesmos que, em suas páginas de fundo e nos textos de seus principais articulistas, exalta o ex-juiz, como se pudessem ser medidas as diferenças entre essas duas espécimes de autoritarismo caboclo.  Pensará essa gente que o juiz das falcatruas da Lava Jato é menos próximo do fascismo do que seu chefe de hoje?

 

O mesmo jornalismo que se abespinha com os excessos canhestros da súcia governante – acima de tudo porque não contribuem para a coesão em torno do chefe – canta os “avanços” da economia brasileira, a pílula dourada com a qual tenta vender à população um país que só existe nos contos de carochinha. Mente para sustentar o bolsonarismo.

No regime do ajuste fiscal – um dos pleitos do golpe de Estado parlamentar que derrubou Dilma Rousseff –, a dívida pública federal sobe 9,5% e vai a R$ 9 trilhões. O crescimento do PIB continua medíocre e a renda per capita dos brasileiros permanece estagnada, quando a taxa de crescimento demográfico cai a níveis de países europeus desenvolvidos. No período 2010-2019 o PIB marcou sua pior taxa em 12 décadas, mesmo considerando a previsão otimista de crescimento de 1,7% do Boletim Focus do Banco Central para 2010. O PIB do quarto trimestre de 2010 cresceu apenas 1,0%.

As contas externas têm hoje um rombo de US$ 50,7 bi, o pior resultado desde 2015. A crise econômica internacional, a crise geral do comércio e a desaceleração da China (embora ainda seja a economia que mais cresce no mundo, a previsão de aumento do PIB para 2019 é de 6,1%, a menor taxa em 29 anos), nosso principal parceiro comercial, fazem antever a continuidade da queda das vendas externas e, ao mesmo tempo, se o país não tiver sua crise interna agravada, a expectativa é de aumento das importações de matérias-primas, insumos e bens de consumo final.

A dívida externa bruta saltou de US$ 320,61 bi, em 2018, para US$ 323,59 bi em 2019, e o quadro só não é mais grave porque o governo está deitado no colchão de US$ 356,9 bilhões acumulados como reservas internacionais a partir dos governos Lula. No entanto, a “confiança do empresário é a maior desde 2010”, disse o jornal Valor Econômico em 24 de janeiro de 2020.

Esse empresário não tomou conhecimento da queda das vendas do varejo, que se deu apesar das campanhas de liquidação de Natal e fim de ano e da Black Friday. O mais de grave de tudo é que esse empresário ignora a queda da produção industrial (-1,2%). Depois da estagnação, começamos a andar para trás.

Entre 2015 e 2018 o Brasil perdeu 17 fábricas por dia. Em 2019, sob o reinado da “pauta Guedes” que encanta nossa imprensa, a produção da indústria de transformação operou 18,4% abaixo do pico de março de 2014 (dados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física do IBGE). Cada ponto percentual de queda representa o fechamento de 5,9 mil unidades produtivas.

Ao todo, 25.376 unidades industriais encerraram suas atividades, diz levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). As instituições patronais não apuram ou não informam o número de desempregados. mas os dados  do ICT-DIEESE do terceiro trimestre de 2019 comprovam  a degradação do trabalho, principal consequência da ocupação precária.

“O índice registrado em 2019 foi o menor do ICT-DIEESE para todos os terceiros trimestres desde o início da série  histórica. A economia brasileira tem apresentado baixo crescimento (em torno de 1%, anualizado), abrindo postos de trabalho  em ritmo lento e, essencialmente, em condições mais precárias. Com isso, o ICT-DIEESE mantém-se em patamar  baixo e sem perspectivas de melhora estrutural, diante do rebaixamento de direitos e da precarização do trabalho”.

Sabe-se que a precariedade das condições de trabalho e o desemprego só tendem a crescer, alimentados pelas reformas antitrabalhistas do governo, pela crise geral do trabalho em face das novas tecnologias, pela  desindustrialização, pela desarticulação da engenharia nacional e pela desmontagem das estatais e as demissões em setores industriais estratégicos, como a BR-Distribuidora e a Casa da Moeda, como as subsidiárias da Petrobras vendidas na bacia das almas, e mais adiante o complexo Eletrobras, cobiçado pela especulação.

Qual a resposta da “pauta Guedes”?  Desaparelhar o Estado e investir no austericídio. Nenhum plano estratégico de desenvolvimento, que requer, aqui e em qualquer parte do mundo, investimentos públicos e privados (estes puxados por aqueles). Na sua lógica a pauta econômica é fenômeno autônomo, tem vida própria e independente, e não pode se comover com questões sociais. De sua parte, o dito mercado aguarda, ávido, as prometidas privatizações, quando espera fazer grandes negócios. Não tem do que reclamar de seu preposto.

A queda do setor industrial parece sem fim. Apesar de ainda possuir o 9º maior parque industrial do mundo, o Brasil perde relevância no comércio internacional de produtos manufaturados. Em 2018 nossas vendas representaram apenas 0,62% do mercado internacional; caímos da 29ª para 32ª posição no ranking dos maiores exportadores (dados da OMC). O único mercado para nossas manufaturas é o Mercosul, visto de revés pelo “posto Ipiranga”, e nele a Argentina, cujo governo, hostilizado pelo capitão, é nosso principal importador, dando fôlego à indústria automotiva aqui instalada.

A indústria de alta/média tecnologia (veículos e peças automotivas, aviões e remédios) tem o menor peso em 24 anos; retornando aos níveis de 1995 respondeu, em 2019, por 32% das vendas externas da indústria de transformação, a menor participação desde 1995. Essa indústria, porém, é a medida do desenvolvimento nacional pelo seu potencial gerador de emprego e  renda e de atração de dólares para a balança comercial. Envolve, como a indústria da construção civil, mais insumos e produtos de outros fabricantes na cadeia de fornecedores, gerando empregos.

De atraso em atraso, vivemos uma nova “revolução dos caranguejos”, andando para trás na ordem política e na ordem econômica. Retornamos aos meados do século passados e voltamos a depender das exportações de matérias-primas, dependente dos preços das commodities. Estima-se já em 10 bilhões de dólares os prejuízos que advirão em consequência do acordo provisório entre Washington e Beijing de que resultará, de imediato, a substituição de commodities brasileiras por equivalentes chinesas.

Quando as políticas públicas de educação, ciência e tecnologia e inovação são cruciais para a retomada da indústria nacional e a recuperação de nossa capacidade industrial exportadora, o governo da Fiesp-Febraban aposta no desmonte da universidade brasileira, do ensino público e da pesquisa.

É  importante evitar ilusões em relação aos atritos epidérmicos  que se dão no seio da classe dominante: seus agentes se entendem no fundamental: a manutenção do governo dos mais ricos.  É preciso mobilizar a maioria da população, desprezada pela pauta Guedes, que hoje assiste como que bestializada à destruição dos seus direitos e o encurtamento do seu horizonte. Mas para isso precisamos de oposição e estratégia.

bolsonaro governo terror.jpeg

 

 

11
Jun19

HA MUITOS ANOS QUEREM ROUBAR A PETROBRÁS DO PATRIMÔNIO NACIONAL

Talis Andrade
 

dalcio petroleo shell .jpg

 



por Helio Fernandes
---


É a maior empresa do país, alvo das mais disparadas e
ilegítimas manobras para "conquistar" a sua propriedade.
FHC, que doou uma parte enorme de empresas através da
famigerada Comissão de Desestatização, não teve coragem de
colocá-la na lista.
Mas tentando desmoralizá-la e se explicar com os 
intermediários, fez proposta que não vingou: trocar o S
final por um Z, daria a impressão de ser outra empresa. É
típico da subserviência e do prazer pela ilegalidade, desse
personagem que desgovernou o Brasil, "80 anos em 8", como
escrevi e identifiquei com ele no poder.
Depois veio o famoso plano duplo. Enriquecer as empreiteiras e empobrecer a Petrobras. Com o ato e o fato que foi a 
maior exibição e montagem de corrupção acontecida no Brasil. Conseguiram a parte inicial do objetivo: roubaram quase 100 bilhões da empresa, (confissão oficial da então presidente) mas a Petrobras continuou impávida, altiva e altaneira,
como a maior empresa do país.
Só que agora, surpreendentemente, para os que pretendem 
ganhar fortunas com a empresa, "caiu do céu "maquiavélica
decisão, autenticando a impropriedade. Ou seja, o mais alto tribunal do país,(o STF) autorizou a Petrobras a VENDER AS
SUBSIDIARIAS sem consultar ninguém.
Em matéria de trapaça ninguém havia imaginado isso. Só que 
como eu escrevi assim que o julgamento acabou, é
indispensável a INTERPRETAÇÃO ou TRADUÇÃO do julgado. Vou
"cobrir" o assunto com a maior intensidade. Hoje quero fazer uma denuncia gravíssima.

rafael guerra do petroleo venezuela pre sal.jpg

 

1- A Petrobras está se movimentando para vender as 
subsidiarias.
2- E um grupo poderoso dentro da empresa, quer considerar o pré-sal como pertencendo a uma subsidiaria.
3- É a maior riqueza da Petrobras.
4- Tenho combatido os leilões da empresa, com preços muito 
abaixo do mercado.
5- Durante muitas administrações, tentavam se justificar: "O pré-sal é para sempre, temos que faturar".
6- Será revoltante se o pré-sal evaporar.
7-Merece manifestação pacifica de rua, como foi feito, (duas vezes) em protesto contra a deseducação.

Bolsonaro-Entregando-a- Petrobras.jpg

 

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