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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

17
Dez20

Um país patético à beira do abismo

Talis Andrade

Os números são, na melhor das hipóteses, aterrorizantes.

Estrondosamente aterrorizantes.

No sábado, dia 12, o total de mortos pela Covid superou a casa dos 182 mil. O de contaminados se aproxima rapidamente aos seis milhões e 900 mil. São números trágicos, e que não param de crescer.

Nos últimos dias, se manteve – a cada 24 horas – um total superior a 50 mil infectados. Mais de dois mil por hora. Uns 35 por minuto. Mais de dois por segundo.  

E diante desse quadro, o que faz o governo do Aprendiz de Genocida?

Uma sequência formidável de confusões, deixando mais do que claro que o general que ocupa o ministério da Saúde não vale o que a sola de sua botina volta e meia pisa, se é que me entendem.

Em menos de duas semanas essa figura patética anunciou cinco iniciativas diferentes e contraditórias. Gaguejou, depois quis mostrar macheza, e não fez mais que deixar clara a sua olímpica estupidez.

Não explicou, por exemplo, como pretende conseguir as mais de 400 milhões de seringas com suas correspondentes agulhar para vacinar os 212 milhões de brasileiros. 

E esse detalhe é só um da pirâmide que mostra como Eduardo Pazuello, essa bizarra figura, consegue puxar a imagem das Forças Armadas – afinal, ele é um general da ativa – para o chiqueiro que é esse governo.

Inventou que agora mesmo, em dezembro, talvez janeiro, chegariam toneladas de vacinas da Pfizer.

Foi cruelmente desmentido pela farmacêutica, que informou que em agosto mandou uma proposta de compra de imunizantes e que nunca teve resposta.

Sobram exemplos da inércia, da ineficácia, da criminosa irresponsabilidade do governo do Aprendiz de Genocida.

Sobram, e todos e cada um deles são trágicos.

E enquanto isso, o que faz o Ogro Sanguinário?

Pois deixa mais e mais evidente que, entre as suas preocupações, três ocupam espaço especial.

A primeira: manter viva a campanha eleitoral para um hipotético 2022. Por isso viaja sem parar, de preferência visitando bases militares. Logo ele, que foi expelido do Exército, não perde oportunidade de demonstrar sua proximidade com as Forças Armadas. E que se o seu governo não é militar, é militarizado, graças às sinecuras distribuídas a granel entre fardados e empijamados.

A segunda: manter um discurso dirigido diretamente à boiada de seus acéfalos seguidores incondicionais. Exemplo: anunciar, no mesmo dia em que se chegou aos 180 mil mortos pelo corona, que liberou de impostos a importação de revólveres e pistolas. E as vacinas?

A terceira: o esforço ilimitado para proteger os filhos envolvidos em um sem-fim de falcatruas.

Que, aliás, também poderão envolve-lo diretamente, bem como a vistosa figurinha de sua esposa, que aceita sorridente depósitos injustificados em sua conta bancária.

Agora, se sabe que dentro da própria ABIN, a Agência Brasileira de Inteligência, hierarquicamente submetida a essa figura bizarra chamada Augusto Heleno, um reacionário desenfreado, foi criado um esquema para proteger Carlos e Flavio, envolvidos até a medula em desvio de dinheiro público e em uma organização criminosa.

O Ogro vive desfraldando aos quatro ventos a mentira de que em seu governo não há corrupção. Há, e muita.

Ela, aliás, começa em sua própria casa, em sua própria família.

Essa nova revelação poderá apertar o laço em volta de seu esganiçado pescoço. Assim vive este pobre país.

Neste domingo, 13 de dezembro, se cumprem 52 anos da decretação do Ato Institucional Número 5, o famigerado AI-5, auge da sangrenta ditadura que o Aprendiz de Genocida diz que não aconteceu.

Tomara que ele não queira aproveitar para celebrar a data baixando alguma outra medida assassina.

Tomara.Charge do Amarildo | Noblat em 2020 | Dia internacional da mulher, Dia da  mulher, Internacional da mulher

 

20
Nov20

Assassinato de João Alberto gera onda de repúdio no Direito brasileiro

Talis Andrade

brasil racismo escravidao.jpg

 

CRIME EM PORTO ALEGRE

- - -

ConJur - O assassinato de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro, na véspera do Dia da Consciência Negra, causou comoção no meio jurídico brasileiro. O crime, cometido dentro de uma unidade do supermercado Carrefour de Porto Alegre por dois seguranças do estabelecimento, gerou indignação de magistrados e advogados de todos os cantos do país.

Leia a seguir as manifestações de repúdio dos profissionais do Direito brasileiro ao brutal assassinato do gaúcho de 40 anos:

Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal
"O Dia da Consciência Negra amanheceu com a escandalosa notícia do assassinato bárbaro de um homem negro espancado em um supermercado. O episódio só demonstra que a luta contra o racismo e contra a barbárie está longe de acabar. Racismo é crime."

Pierpaolo Bottini, advogado
"É chocante, assustador, aterrador. E não é a primeira vez. Não se trata de um caso pontual, ou de violência esporádica. É a agressão institucionalizada, empresarial, comercializada. Até quando vamos aturar a contratação da barbaridade, do racismo, da banalização da vida? Até quando empresas de segurança vão se gabar da truculência de seus funcionários? Até quando supermercados vão contratar esses serviços, revelando mais apreço a mercadorias do que a vidas? É hora de deixar de lado qualquer compostura e gritar por um basta."

Luiz Flávio Borges D’Urso,  advogado criminalista
"Justamente no Dia da Consciência Negra, todos ficamos sabendo da deplorável ocorrência da véspera, em uma loja do Carrefour na cidade de Porto Alegre, onde um cliente negro foi espancado até a morte por seguranças do supermercado. A reação a esse episódio deve ser legal e política, pois a sociedade brasileira não tolera mais esse tipo de comportamento que fere a consciência civilizada de nosso povo."

Camila Torres, advogada
"Tenho o entendimento de que é possível pedir reparação para o povo negro, fazendo com que isso se reverta em políticas, em ações que trabalhem contra o racismo. Então seria feito um pagamento à família da vítima e uma indenização que seria destinada à população em geral, a ser revertida para essas ações."

Yuri Carneiro, criminalista
"Temos duas consequências possíveis que serão discutidas em juízo. Mesmo que eles aleguem uma legitima defesa, o vídeo mostra que ocorreu ali o que o chamamos de Direito Penal de excesso em legítima defesa. Isso no mínimo. A legitima defesa só é uma tese válida quando se atua no sentido de parar a agressão. Não foi o caso."

Maíra Fernandes, criminalista
"Nesse dia 20 de novembro, dia da Consciência Negra, dói saber que, não bastasse o luto, ainda é preciso explicar que João Alberto foi vítima do racismo estrutural que parte da sociedade insiste dizer que não existe. A cada 23 minutos um jovem negro é morto no Brasil. Quantos mais precisarão morrer para que sejam tomadas medidas antirracistas reais em nosso país? Para além da responsabilidade civil do estabelecimento nesta morte trágica, é preciso que o episódio suscite a responsabilidade coletiva na luta por respeito e igualdade racial: esse é um dever de todas as empresas, dos três Poderes da República, de toda a sociedade."

Adib Abdouni, criminalista e constitucionalista
"As imagens divulgadas são prova contundente do excesso doloso havido na abusiva abordagem, feita com o emprego de violência desmedida contra a vítima. É patente o despreparo profissional dos autores das agressões que resultaram em morte, que responderão por homicídio doloso qualificado (Código Penal, artigo 121 parágrafo 2º, inciso II)."

Fernanda Tórtima, especialista em Direito Penal
"Não basta dizer que é inaceitável a situação. É preciso punir com rigor. É necessário investigar profundamente, inclusive a conduta de terceira pessoa que se encontra ao lado dos seguranças. É preciso verificar se houve instigação por parte de terceiras pessoas."

Claudio Bidino, criminalista
"Ainda que as empresas não possam ser responsabilizadas criminalmente, exige-se atualmente cada vez mais delas que assumam um papel proativo na prevenção e repressão dessas e outras infrações. Um histórico de irregularidades é um indício claro de uma política ineficiente de compliance, que, nos dias de hoje, não pode fechar os olhos para o racismo estrutural que permeia a nossa sociedade."

Marcus Vinicius Macedo Pessanha, advogado
"Por mais que nossa Constituição afirme que todos são iguais perante a lei e que nossa sociedade é baseada na solidariedade e na inclusão, de tempos em tempos percebemos que nosso racismo é estrutural e velado, estando incutido nos valores e relacionamentos. Basta que vejamos o reduzido número de negros em posição de destaque e liderança em grandes grupos empresariais e em cargos eletivos. Dessa forma, as ações afirmativas e demais políticas de inclusão social e recomposição da dívida histórica da sociedade possuem embasamento claro e livre de questionamentos em nosso ordenamento jurídico."

Diego Henrique, criminalista
"Em pleno Dia da Consciência Negra, uma das principais redes de supermercado do país, mais uma vez, demonstra que a carne negra é a mais barata. Vale destacar que este não foi um episódio isolado, 'problemas' com clientes negros em supermercados são recorrentes, vale lembrar de recente incidente no qual dois estrangeiros foram arrastados desmaiados para fora do estabelecimento após serem agredidos por funcionários."

Jorge Maurique, advogado, ex-presidente da Ajufe
"Cresci a poucas quadras onde ocorreu o cruel assassinato em Porto Alegre de um cidadão brasileiro, morto mediante pancadas de forma cruel! Me sinto triste e impotente diante de tanta barbárie. Isso aconteceu no século 21, no meu estado natal! Insuportável para alguém como eu, que dedicou a vida inteira à justiça, saber que isso aconteceu na cidade que amei e morei por tantos anos!"

Clique aqui para ler a manifestação da OAB

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