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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

09
Jan20

Em 2020, cada um saberá quem é diante de uma realidade que exige coragem para enfrentar e coragem para perder

Talis Andrade

OS CÚMPLICES (primeira parte)Fazendeiro caminha em meio a área devastada por incêndio na região de Porto Velho, Rondônia.

Fazendeiro caminha em meio a área devastada por incêndio na região de Porto Velho, Rondônia. CARL DE SOUZA (AFP)

El País
 
Nenhum autoritarismo se instala ou se mantém sem a cumplicidade da maioria. É o que a história nos ensina. Não haveria nazismo sem a conivência da maioria dos alemães, os ditos “cidadãos comuns”, nem a ditadura militar no Brasil teria durado tanto sem a conivência da maioria dos brasileiros, os ditos “cidadãos de bem”. O mesmo vale para cada grande tragédia em diferentes realidades. Os déspotas não são alimentados apenas pelo silêncio estrondoso de muitos, mas também pela pequena colaboração dos tantos que encontram maneiras de tirar vantagem da situação. Em tempos de autoritarismo, nenhum silêncio é inocente —e toda omissão é ação. Esta é a escolha posta para os brasileiros em 2020. Diante do avanço autoritário liderado pelo antidemocrata de ultradireita Jair Bolsonaro, que está corroendo a justiça, destruindo a Amazônia, estimulando o assassinato de ativistas e roubando o futuro das novas gerações, cada um terá que se haver consigo mesmo e escolher seu caminho. 2020 é o ano em que saberemos quem somos —e quem é cada um.
 

Há várias ações em curso. E várias mistificações. Quem viveu a ditadura militar (1964-1985) conhece bem, guardadas as diferenças, como o roteiro vai se desenhando. No final de 2019, parte da imprensa, da academia e do que se chama de mercado começou a exaltar os sinais de “melhora econômica”. A alta da bolsa, a “queda gradual” do desemprego, a indicação de aumento do PIB em 2020 são elencados entre os sinais. Ainda que se esperasse mais, afirmam, “os inegáveis avanços do ponto de vista econômico”, entre eles a reforma da Previdência, “a inflação comportada” e os juros fechando 2019 “em patamar inimaginável” permitem —e aí vem uma das expressões favoritas deste seleto grupo de players— um “otimismo moderado”. Até a pesquisa de uma associação de lojistas divulgou uma incrível alta de 9,5% nas vendas de Natal, imediatamente contestada por outra associação de lojistas. É como se a “economia” fosse uma entidade separada da carne do país, é como se houvesse uma parte que pudesse ser isolada e sobre a qual se pudesse discorrer usando palavras enfiadas em luvas de cirurgião. É como se bastasse enluvar jargões técnicos para salvar os donos das mãos de todo o sangue.

Enquanto esse diálogo empolado e bem-educado do pessoal da sala de jantar, dos que sempre estão na sala de jantar, independentemente do governo, é estabelecido, bombas explodiram no prédio da produtora do programa de humor Porta dos Fundos, policiais matam como nunca nas periferias de cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, ampliando o genocídio da juventude negra, o antipresidente legaliza o roubo de terras públicas na Amazônia, ambientalistas são acusados de crimes que não cometeram, ONGs são invadidas sem nenhuma justificativa remotamente legítima, adolescentes pobres morrem pisoteados porque decidiram se divertir num baile funk numa noite de sábado, indígenas guardiões da floresta e agricultores familiares são executados, as polícias vão se convertendo em milícias como se isso fosse parte da normalidade, e são também os policiais e “agentes de segurança” condenados por crimes os únicos que são libertados no indulto de Natal. Os sinais estão por toda parte, mas membros respeitados de instituições da República que deveriam ser os primeiros a percebê-los —e combatê-los— seguem inflando a boca para assegurar que “a democracia no Brasil não está ameaçada”.

A qual Brasil se referem estes senhores bem-educados? De qual país estes luminares do presente falam? Certamente não do meu nem do de muitos, não o das favelas onde as pessoas se trancam sabendo que não há porta capaz de barrar a violência da polícia, não este em que os policiais já exterminam os pretos sem responderem por isso há muito, mas esperam mais já que o extermínio vai sendo legalizado pelas beiradas. Não este em que os templos de religiões afro-brasileiras são invadidos e destruídos apesar de o Estado ser formalmente laico. Não este em que as lideranças da floresta enxergam o Natal e o Ano-Novo como os piores momentos do ano porque é o tempo de deixar a família e fugir, pelo menos até que as capengas instituições voltem do recesso.

Neste país, pessoas da sala de jantar, há muita gente escondida neste exato momento para poder virar o ano vivo. Não esperam brindar, desejam apenas não ter o corpo atravessado por uma bala —ou por quatro na cabeça, como ocorreu com Marielle Franco, num crime não decifrado quase dois anos depois. Democracia onde? Os escondidos, os ameaçados, os parentes dos mortos querem saber. Todos nós queremos muito viver neste país em que vocês enxergaram “inegáveis avanços na economia em 2019” e “instituições que funcionam”. Não fiquem com o endereço só para vocês.

As pessoas da sala de jantar, porém, só podem seguir na sala de jantar ditando o que é a realidade porque a maioria assim permite, omitindo-se ou aproveitando-se das sobras. São as pessoas, no dizer da historiadora franco-alemã Géraldine Schwarz, “que seguem a corrente”. A questão é se você, que lê este texto, vai engrossar o rebanho dos que seguem a corrente.

Não o rebanho de ovelhas. Esta imagem evoca passividade, engano, uma obediência absolvida pela inocência. Não. Este rebanho, o dos que agem se omitindo, ou o dos que agem tirando pequenos proveitos, “porque afinal é assim mesmo e quem sou eu para mudar a realidade”, é um rebanho de lobos. Porque o ativismo de sua omissão é cúmplice do sangue das vítimas, estas que tombam, estas que vivem uma vida de terror. É cúmplice também das ruínas de um país. No caso da Amazônia, é cúmplice das ruínas da vida da nossa e de muitas espécies no único planeta disponível. [Continua]

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28
Dez19

Grupo integralista que assumiu autoria de ataque ao Porta dos Fundos já havia feito ação na Unirio

Talis Andrade

Em dezembro do ano passado, grupo havia retirado e queimado bandeiras antifascistas de campus da Unirio localizado em região próxima à sede do Porta dos Fundos, na Zona Sul do Rio

 

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Fotograma do vídeo divulgado após ação terrorista na Unirio, em dezembro de 2018 

 

Rio - O mesmo grupo integralista que assumiu, em um vídeo divulgado nesta quarta-feira, a autoria sobre o ataque à sede do Porta dos Fundos, no Humaitá, na Zona Sul do Rio, já havia realizado uma ação no campus da Unirio, localizado na rua Voluntários da Pátria, em Botafogo.

Em dezembro do ano passado – após a polêmica ação judicial que mandou retirar bandeiras antifascistas de universidades públicas, alegando se tratar de campanha política contrária ao então candidato Jair Bolsonaro –, o grupo autointitulado "Comando de Insurgência Popular Nacionalista" retirou e queimou bandeiras antifascistas do campus da Unirio.

A Polícia Civil informou que uma investigação sobre este caso corre sob sigilo na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI). Sigilo que completou um ano, e os covardes terroristas continuam no gozo da liberdade concedida pela democracia e por uma polícia que possui nazi-fascistas de estimação. 

O campus abriga o Centro de Ciências Jurídicas e Políticas (CCJP), com os cursos de Direito, Ciências Políticas e Administração Pública, e fica localizado em região próxima à sede do Porta dos Fundos – atacada com coquetéis molotov na véspera do Natal deste ano.

Em ambos os vídeos, homens mascarados aparecem usando o símbolo do integralismo. O integralismo brasileiro foi um movimento nacionalista da década de 1930, com inspirações no fascismo italiano, que teve como destaque o político e escritor paulista Plínio Salgado (1895-1975).

A Frente Integralista Brasileira – que, segundo uma reportagem do jornal O Estado de São Paulo, tem pretensões eleitorais para 2020 e deve lançar candidatos, preferencialmente, pelo PRTB e pelo Patriota – emitiu uma nota se desvinculando do ataque à sede do Porta dos Fundos. "O grupo em questão é desconhecido pela FIB e não possuímos com ele qualquer relação", afirmou. A partir de uma notícia de Luiz Franco no jornal O Dia. 

 

28
Dez19

Sargentão comemora atentado terrorista à produtora Porta dos Fundos

Talis Andrade

Fahur deixa claro seu ódio à democracia em outros tweets e defende que "bandido bom é bandido no colo do capeta"

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Muita autoridade pro um miliciano só.
Depois dele, terceiro-sargento, o segundo-sargento, o primeiro -sargento. Depois o subtenente, o aspirante, o segundo-tenente, o primeiro-tenente. Depois o capitão, o major, o tenente-coronel, o coronel. Depois o general de brigada, o general de divisão, o general de exército. O sargento dessa estória tem o bigodão de marechal, apesar da hierarquia que faz ele sempre entrar pela porta dos fundos. Com ou sem bombas. Com ou sem peidos-de velha.

Muito ódio. Defende a ordem para fardado matar civil. Faz apologia do crime de ódio. Comemorou em suas redes sociais o ataque terrorista, da extrema direita, à produtora Porta dos Fundos. 

Em seu perfil, Fahur deixa claro seu ódio à esquerda em outros tweets e defende que “bandido bom é bandido no colo do capeta”. Que bandido bom é bandido morto. 

A danação que Fahur é o deputado federal mais votado do Paraná (PSD). Um deputado que apóia bandidos terroristas, bandidos que, mascarados, jogam bombas para incendiar prédios e matar.  A partir de uma notícia da Revista Forum. 

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28
Dez19

Porta dos Fundos: Cadê a PF do Moro?

Talis Andrade

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Por Ricardo Kotscho
 
“Se os terroristas que atacaram o Porta dos Fundos não forem imediatamente punidos, isso vai empurrar o país para conflito de proporções gigantescas”, alertou o escritor Paulo Coelho no Twitter.

Já se passaram 72 horas desde o atentado terrorista, às vésperas do Natal, quando duas bombas molotov foram atiradas contra a sede da produtora do grupo de humor Porta dos Fundos, no bairro do Humaitá, na zona sul do Rio.

Até o momento em que escrevo, Sergio Moro, o ministro da Justiça, sempre tão ágil e prestativo quando se trata de defender os interesses do governo, não deu um pio, não anunciou nenhuma providência e, até onde se sabe, não acionou a Polícia Federal, que só continua preocupada com Lula.

Só quem se mobilizou até agora foram os evangélicos, mas para apoiar o atentado e pedir punição contra o grupo de humoristas, por ter exibido na Netflix o programa especial de Natal “A Primeira Tentação de Cristo”, que apresenta uma versão gay de Jesus.

Presidente da Câmara Municipal de São Paulo, o evangélico Eduardo Tuma, eventual substituto do prefeito Bruno Covas, entrou com uma ação na Justiça, junto com o Conselho Nacional dos Conselhos de Pastores do Brasil, para pedir uma indenização de R$ 1 milhão por dano moral coletivo e mais R$ 1 mil “a todos os cristãos que se sentirem lesados”.

Um abaixo-assinado já com mais de 2,4 milhões de nomes circula na internet pedindo o veto total à produção do Porta dos Fundos.

“O ato não é isolado, mas fruto de um ódio que vem sendo espalhado no Congresso e na internet. Vale repensar, no aniversário de Cristo, se compreenderam o que ele quis dizer”, afirmou o ator Gregório Duvivier, que faz o papel de Jesus.

Câmeras de segurança identificaram a placa da caminhonete usada no atentado do Humaitá, em que um dos terroristas aparece com o rosto descoberto, mas a polícia carioca também não se manifestou até o momento.

Dá para imaginar a reação fulminante de Moro e Bolsonaro, se o atentado tivesse sido cometido contra um dos templos frequentados pelo presidente.

Já teriam convocado todas as tropas para sair às ruas.

Mas parece que só Paulo Coelho e eu estamos preocupados com isso, porque até a classe artística não se manifestou ainda exigindo a prisão dos terroristas.

Enquanto todo mundo finge que nada de grave aconteceu, um grupo que se diz integrante do redivivo Movimento Integralista, a extrema-direita que infernizou o país entre 1932 e 1938, reivindicou num vídeo a autoria do atentado contra o Porta dos Fundos.

No vídeo, divulgado pelas redes sociais, um homem lê o “manifesto” dos supostos integralistas, para dizer que se trata de uma “ação direta revolucionária para justiçar os anseios de todo povo brasileiro contra a atitude blasfema, burguesa e antipatriótica”.

Posso estar enganado, mas as lembranças da ditadura militar me fazem pensar que esta história da volta dos “camisas verdes” de Plínio Salgado, assumindo o ataque contra o Porta dos Fundos, é apenas um despiste para esconder os verdadeiros autores.

Se a PF de Moro estiver mesmo interessada em chegar aos verdadeiros responsáveis, pode começar procurando nos porões dos órgãos de segurança e dos xiitas fundamentalistas que querem colocar fogo no país.

Mudam os personagens, mas não mudam os métodos daqueles agentes que atuam nas sombras, como aqueles que participaram do célebre atentado ao Riocentro, nos tempos do general Figueiredo.

Paulo Coelho está certo: o terror voltou, e não encontra reação.

Vida que segue.
 
27
Dez19

PF de Moro não investiga terrorismo; é usada como Gestapo para perseguir Lula

Talis Andrade

 

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por Jeferson Miola

O ministro da justiça Sérgio Moro transformou a Polícia Federal na sua polícia política. Ele converteu a PF na Gestapo bolsonarista – o equivalente à polícia política secreta da Alemanha nazista.

Moro tem uma mentalidade fascista, é adepto do direito penal do inimigo. Ele é um violador contumaz do ordenamento jurídico brasileiro. Moro aprofunda o regime de exceção para operar interesses ideológicos e partidários bem definidos.

Moro já comandava a Polícia Federal quando ainda chefiava a Lava Jato em Curitiba. Ele direcionava a instituição para atuar na perseguição ao único adversário político capaz de atrapalhar a viabilidade do seu projeto fascista. O alvo estratégico, principal – na verdade, sua obsessão doentia – sempre foi Lula.

Na verdadeira saga que foi [e continua sendo] a perseguição ao Lula, Moro praticou as pilantrices jurídicas reveladas pelo Intercept que, se o instituto do juiz de garantias estivesse vigente à época, ele seria preso e a Lava Jato detida [ler aqui] – desde, claro, que o juiz de garantias como contraparte do Moro não fosse um Victor Laus, ou um Gerbran Neto, ou um Thompsom Flores, ou um Leandro Paulsen …

Como chefe da Lava Jato, e com o auxílio de Deltan Dallagnol, Moro deturpou o trabalho de combate à corrupção. Maniqueísta, instrumentalizou a retórica anti-corrupção para endeusar a si mesmo e, em contraste, demonizar Lula no imaginário social.

Não por outra razão o ministro do STF Gilmar Mendes define a força-tarefa da Lava Jato como uma autêntica ORCRIM, organização criminosa.

Neste momento terrível em que o Brasil se depara com o mais grave ato terrorista cometido no país desde os atentados a bombas na OAB em 1980 e no Riocentro em 1981, Moro não investiga o atentado terrorista perpetrado por um grupo de extrema-direita contra a sede do Porta dos Fundos. Em razão disso, Moro comete crime de responsabilidade [ler aqui].

Os terroristas assumiram a autoria do atentado em vídeo que tem a mesma estética dos vídeos da Al Queida, do Talibã e do Estado Islâmico, que infundem pânico, medo e terror generalizado.

O vídeo dos terroristas mostra ao fundo cenas dos bombardeios e explosões enquanto 1 dos 3 facínoras encapuzados lê – com a voz metalizada para dificultar sua identidade – um manifesto ameaçador e amedrontador.

Moro, apesar desse cenário aterrador, não só se calou, como deliberadamente se omitiu. Com sua omissão, ele desobedeceu o comando disposto no artigo 11 da Lei Antiterrorismo, que manda a Polícia Federal presidir a investigação criminal de atos de terrorismo [ler aqui].

Ao mesmo tempo em que passou uma mensagem de leniência ao extremismo da extrema-direita, Moro usou a PF para seu esporte predileto: a perseguição ao Lula.

E a PF fascistizada, para atender o desejo do tirano, indiciou Lula numa farsa que é mais que hilária, é burlesca.

O resumo da farsa continuada é o seguinte: no inquérito a PF [1] reconhece que o Instituto Lula recebeu doações legais de empresas, sob os mesmos parâmetros que entidades de outros ex-presidentes não molestados pela Lava Jato receberam. A PF também reconhece [2] a lisura e legalidade nos valores recebidos pelas palestras do Lula [aliás, algumas vezes maior que as merrecas pagas a palestras do FHC].

Mas, apesar da absoluta inexistência de motivos, a PF do Moro indiciou Lula por suposto recebimento de propina da Odebrecht [sic]. Melhor que mil parágrafos, a patética declaração do delegado da Gestapo Dante Pegoraro Lemos explica por si este desatino:

A se considerar a missão específica das palestras proferidas pelo ex-presidente da República, não vislumbramos, isoladamente, a configuração de crime. Ressalvamos, contudo, que apurações específicas podem vir a demonstrar que alguma palestra em si ou mesmo serviços adicionais realizados possam configurar a prática de conduta típica”.

Mera coincidência ser Dante o delegado a escancarar as portas do inferno dantesco …

Note-se que primeiro Dante cita “a missão específica” que atesta que “não vislumbramos, isoladamente, a configuração de crime”.

Em seguida, um Dante contraditório e falsificador, a serviço do Moro na perseguição a Lula, ameaça que “apurações específicas” “possam configurar a prática de conduta típica”.

Moro é tão ou mais nefasto que Bolsonaro, porque ele não é menos nazi-fascista que Bolsonaro.

Moro descumpre conscientemente a Lei. Ele faz da afronta permanente ao Estado de Direito um método para erodir o ordenamento jurídico ainda vigente para aprofundar o Estado de Exceção no qual ele reina com seu sócio miliciano.

Com sua omissão no atentado terrorista contra a Porta dos Fundos e na perseguição descarada ao Lula, Moro cometeu crimes de responsabilidade e, por isso, tem de ser submetido ao rito de impedimento.

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27
Dez19

Atentado ao Porta dos Fundos ficará impune?

Talis Andrade

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Por Altamiro Borges

O site G1, do Grupo Globo, informa nesta quinta-feira (26) que a Polícia Civil do Rio de Janeiro já identificou os veículos usados no atentado ao canal humorístico Porta dos Fundos na madrugada de terça-feira: “De um carro e de uma moto, saltaram quatro homens, que atiraram dois coquetéis molotov contra a fachada da produtora. As placas dos veículos foram anotadas, e os proprietários serão chamados para depor”. 

O crime exige rápida e enérgica punição até para evitar que outros psicopatas – fascistas, fundamentalistas, milicianos ou de qualquer outra gangue – se sintam motivados a enveredar pelo caminho do terror. Desta vez não houve vítimas. “Houve danos materiais no quintal e na recepção do prédio. O fogo foi contido por um segurança. A avaliação é a de que, sem a ação do vigia, todo o prédio teria sido incendiado”, relata o G1. 

Como alertou o ator Fábio Porchat, em entrevista ao jornalista Mauricio Stycer, “precisamos resolver isso o quanto antes. Porque se ficar sem solução um atentado como esse, é um aval, uma permissão para que mais coisas como essa aconteçam, não só com a gente. Qualquer ato terrorista precisa ser resolvido o mais rápido possível para mostrar que o país, o Estado, estão empenhados em não deixar que isso aconteça”. 

O humorista disse ainda lamentar “o momento de intolerância no país, não só religiosa, mas ideológica... As pessoas estão mais agressivas. A gente vê isso. Quantos centros de umbanda são atacados, queimados e destruídos? Acho um absurdo que isso esteja acontecendo”. Para ele, o programa “A primeira tentação de Cristo”, exibido pela Netflix, é prova dessa anomalia. “Eu sinto que o especial de Natal do Porta escancarou a homofobia. Quanto mais as pessoas odeiam o especial, isso diz mais sobre elas do que sobre o especial”. 

Ao final da entrevista, Fábio Porchat demonstrou coragem e firmeza na defesa da liberdade de expressão ao dizer que o atentado não intimidará o grupo. “Isso nos dá mais força para nos unirmos e continuarmos assim. O Porta dos Fundos não vai parar de fazer o que acredita. Isso não faz com que repensemos nosso conteúdo. A gente acredita que está no caminho certo”. Essa postura altiva contra o terror fascistizante exige a urgente solidariedade das forças democráticas. Do contrário, todos estarão à mercê desses aloprados!

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26
Dez19

Polícia analisa imagens de atentado contra Porta dos Fundos

Talis Andrade

Câmeras registraram momento em que homens encapuzados lançaram coquetéis molotov contra produtora. Grupo que diz seguir o integralismo reivindicou ataque.

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A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga a participação de um grupo que diz seguir o integralismo – um antigo movimento extremista brasileiro dos anos 1930 inspirado no fascismo italiano – no atentado contra a sede da produtora do canal Porta dos Fundos. O ataque ocorreu na madrugada de terça-feira (24/12).

Na quarta-feira, integrantes de um grupo que se autointitula "Comando de Insurgência Popular Nacionalista da Família Integralista Brasileira”  divulgaram um vídeo em que reivindicam o atentado. O vídeo mostra três homens com rostos cobertos por toucas à frente de uma bandeira com o símbolo do integralismo. Um deles, sentado atrás de uma mesa onde está estendida um antiga bandeira do Império brasileiro, lê uma espécie de manifesto.

A leitura é acompanhada de imagens de homens lançando coquetéis molotov contra a fachada de um prédio. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, as imagens são mesmo do ataque contra a produtora.

No mesmo vídeo, um homem encapuzado lê com uma voz distorcida uma declaração em que o grupo reivindica a autoria do atentado, afirmando que foi uma "ação direta revolucionária” que ''buscou justiçar o povo brasileiro contra a atitude blasfema, burguesa e antipatriótica''.

"Temos o prazer de declarar que as inquietações advindas do espírito popular hoje foram parcialmente satisfeitas. O Porta dos Fundos resolveu fazer um ataque contra a fé do povo brasileiro se escondendo atrás do véu da liberdade de expressão”, diz um trecho do manifesto.

O grupo de humor vinha sendo alvo de críticas de religiosos nas últimas semanas após a produção do Especial de Natal do Porta dos Fundos, exibido pelo serviço de streaming Netflix. No especial, que foi levado ao ar no dia 3 de dezembro, os humoristas satirizam Jesus e Maria. O fundador do cristianismo é retratado como um homossexual. Maria, como adúltera e usuária de drogas. O fato de Jesus ter sido retratado como gay despertou a ira de vários grupos religiosos.

Após a divulgação do especial, surgiram petições para retirar o programa do ar. Vários líderes religiosos entraram com ações pedindo a suspensão. Um pedido chegou a ser endossado por uma promotora do Rio de Janeiro, mas acabou sendo negado por um juiz.

Ataque

Na noite de terça-feira, véspera de Natal,  dois coquetéis molotov foram atirados contra a da sede da produtora do grupo de humor, no Rio de Janeiro. O Porta dos Fundos informou que o fogo foi contido graças à ação rápida de um segurança do edifício, que conseguiu controlar o incêndio. Ninguém ficou ferido.

Porta dos Fundos

Um dos seguranças conseguiu controlar o princípio de incêndio e não houve feridos apesar da ação ter colocado em risco várias vidas inocentes na empresa e na rua.

Porta dos FundosO Porta dos Fundos condena qualquer ato de violência e, por isso, já disponibilizou as imagens das câmeras de segurança para as autoridades e espera que os responsáveis pelos ataques sejam encontrados e punidos.

Segundo o UOL, Imagens de câmeras de segurança registraram o ataque. Eles mostram o momento em que pelo menos três pessoas – duas em uma caminhonete, uma em uma motocicleta – atiram os coquetéis molotov.

Após o ataque, o humorista Fábio Porchat, um dos integrantes do grupo, disse, em sua conta no Twitter, que o ataque não vai intimidar os comediantes. "Não vão nos calar. Nunca! É preciso estar atento e forte”.

Já a assessoria do grupo informou que o "Porta dos Fundos condena qualquer ato de ódio e violência e, por isso, já disponibilizou as imagens das câmeras de segurança para as autoridades, para o secretário de Segurança, e espera que os responsáveis pelos ataques sejam encontrados e punidos”.

Transcrito da Deutsche Welle, a emissora internacional da Alemanha 

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