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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

30
Out22

O falso atentado a Tarcísio de Freitas ainda é uma história inacabada

Talis Andrade

tiroteio - Twitter Search / Twitter

 

Ela passa pela Agência Brasileira de Inteligência, Jovem Pan, e sabe-se mais o quê

 

Armação, não foi. Mas um tiroteio entre bandidos, por pouco, não ficou como se tivesse sido um atentado contra o candidato bolsonarista ao governo de São Paulo

Tarcísio de Freitas (Republicanos).

 

por Ricardo Noblat

- - -

Na manhã do último dia 17, em Paraisópolis, Tarcísio visitava a sede de um projeto social quando estourou um tiroteio do lado de fora, que resultou na morte de um homem e na fuga de outro.

Quem fazia a segurança do candidato? Segundo ele, a Polícia Militar paulista. Segundo a Polícia Militar paulista, ela mesma. Mas apareceram indícios de que gente estranha também fazia.

A Jovem Pan deu primeiro na edição do seu “Jornal da Manhã”: “Informação de última hora: Tarcísio é alvo de atentado em Paraisópolis”. No Twitter, Tarcísio escreveu:

“Em primeiro lugar, estamos todos bem. Durante visita ao Polo Universitário de Paraisópolis, fomos atacados por criminosos. Nossa equipe de segurança foi reforçada rapidamente com atuação brilhante da PM de SP. Um bandido foi baleado. Estamos apurando detalhes sobre a situação”.

Às 11h49m, no Twittwer, Mário Frias, bolsonarista de raiz e ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, postou:

“URGENTE! Tarcisio de Freitas acaba de sofrer um atentado em Paraisópolis. Uma equipe da Jovem Pan estava próxima. As informações preliminares são de que o candidato estava em uma van blindada e todos estão bem.”

Seis minutos depois, ainda no Twitter, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registrou:

“Acabei de falar com nosso candidato ao Governo de São Paulo e ele está bem. Graças a Deus o atentado em Paraisópolis/SP não fez vítimas fatais.”

A mensagem de Flávio foi ilustrada com uma foto onde aparece uma chamada do programa “Morning Show”, da Jovem Pan, e o título: “Urgente: Tarcísio de Freitas sofre um atentado em Paraisópolis”.

Àquela altura, no Palácio da Alvorada, Bolsonaro, o pai, já fora informado a respeito. Dali partiu a ordem para que seu programa de propaganda eleitoral daquele dia explorasse o episódio.

 A pressa foi tal que, sob um fundo preto, sem locução, foi aplicado apenas um letreiro que dizia:

“O candidato a governador de São Paulo Tarcísio de Freitas e sua equipe foram atacados por criminosos em Paraisópolis”.

Foi pela Jovem Pan que Bolsonaro soube? Segundo um assessor dele, não. Foi pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Pelo menos dois dos seus agentes faziam a segurança de Tarcísio.

A Abin não pode fazer segurança de candidatos. Ela é apenas um órgão de inteligência do governo federal. Mas, vê-se que vai além dos seus chinelos sempre que o presidente autoriza.

No fim da tarde daquele dia, depois que a Secretaria de Segurança Pública concluíra que não fora um atentado, Tarcísio, em entrevista coletiva à imprensa, reconheceu:

“Não foi um atentado contra a minha vida, não foi um atentado político, não tinha cunho político-partidário. Foi um ataque no sentido de que, se você intimida uma pessoa que está lá fazendo uma visita, isso é um ataque.”

“Foi um ato de intimidação. Foi um recado claro do crime organizado que diz: ‘Vocês não são bem-vindos aqui. A gente não quer vocês aqui dentro’. Para mim é uma questão territorial. Não tem nada a ver com uma questão política.”

Áudio obtido pela Folha de S. Paulo aponta que um integrante da campanha de Tarcísio mandou um cinegrafista da Jovem Pan apagar imagens do tiroteio. O cinegrafista filmou parte da ação.

Um dos encarregados da segurança do candidato, que portava um crachá, interrogou o cinegrafista:

“Você filmou os policiais atirando?” – ele perguntou.

“Não, trocando tiro efetivamente, não. Tenho tiro da PM pra cima dos caras”, respondeu o cinegrafista.

O segurança perguntou se ele havia filmado as pessoas que estavam no local onde tudo aconteceu, e o cinegrafista disse que não. Por fim, o segurança mandou:

“Você tem que apagar”.

Em nota, a Jovem Pan diz que “exibiu todas as imagens feitas durante o tiroteio”, e que “o trabalho do cinegrafista permitiu que a emissora fosse a primeira a noticiar o ocorrido.”

Acrescenta a nota:

“Não houve contato da campanha do candidato Tarcísio com a direção da emissora com o intuito de restringir a exibição das imagens e, por consequência, o trabalho jornalístico.”

A polícia paulista vai requisitar as imagens à emissora. O homem que morreu não foi identificado. O que fugiu, também não. O inquérito aberto pela polícia corre em segredo.Agente com Tarcísio em Paraisópolis estava com Bolsonaro no dia da facada |  Revista Fórum

Agente Danilo Cesar Campetti, de revolver na mão, na cena do crime, da execução de Felipe da Silva Liva desarmado, e morto a tiro pelas costas

tarcisio-de-freitas-abin-agente-paraisopolis-print

À esquerda, o agente licenciado da Abin Fabrício Cardoso de Paiva, assessor da campanha a governador de Tarcísio, à direita.

 

Reinaldo Azevedo: Tarcísio, Paraisópolis e o falso atentado

O repórter cinematográfico que gravou o tiroteio que matou um homem e parou a campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato ao Governo de São Paulo, na favela de Paraisópolis, falou com a equipe de jornalismo da TV Cultura. O caso foi revelado pelo jornal Folha de S. Paulo. Na entrevista, Marcos Andrade revelou como foi abordado por um servidor da Agência Brasileira de Inteligência, que faz a segurança do candidato, pedindo para apagar as imagens do confronto. Ele disse que havia pelo menos mais um agente da Abin no local. O vídeo do repórter cinematográfico da TV Jovem Pan pode ter registrado o momento em que o homem "suspeito" foi morto. O material pode esclarecer se seguranças da campanha de Tarcísio de Freitas participaram do ataque ou se um policial militar foi o autor do tiro.

Quem matou Felipe? Passados 11 dias do assassinato do jovem de 27 anos em Paraisópolis, zona sul de São Paulo, o candidato bolsonarista ao Governo do Estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), voltou a se colocar como "vítima" da ação de criminosos, mas todas as evidências levam a crer que o suposto “atentado”, anunciado nas redes antes de ter acontecido, foi uma grande armação. No debate na Globo desta quinta-feira (27), Tarcísio ainda fez uma confissão pública de que houve, a pedido de sua campanha, destruição de provas e evidências que poderiam esclarecer quem foi que assassinou Felipe a tiros. Confira a analise de Renato Rovai, editor da Fórum:

“Tarcísio fez armação e matou meu filho para se eleger”, diz pai de jovem em Paraisópolis

O pintor Fernando, pai de Felipe da Silva Lima executado pelos segurança do general Tarcísio de Freitas, deu entrevista a Joaquim de Carvalho. O irmão de Felipe também falou: "Temos medo", disse.

Vide comentários:


EX-BOZOLOIDE ARREPENDIDO

a habilidade para mentir e enganar as pessoas, vindas da ala bolsonarista, não tem limites.


Paulo Cezar Nogueira

O sujeito nem se elegeu e já implantou a milícia do Rio em São Paulo.



Antonio
O suposto tiroteio, onde só os seguranças do Tarcísio atiraram... mandaram até o cinegrafista apagar as filmagens, pra sumir com as provas do caso.
No começo os exaltados queriam explorar a tese de atentado. Depois, viram que seriam facilmente desmascarados, e ficaram caladinhos. Não querem mais falar sobre o assunto...


Jose Almeida

Quem é o homem morto? Ele não estava armado. Como ele foi baleado? POr quem? POr que? Toda essa armação será desmascarada. Tarciso fará companhia ao Bolsonaro em Bangu, como bom carioca.

Antonio
Escolha sua Teoria da Conspiração preferida:


- O “atentado” contra Tarcísio

- As urnas eletrônicas que tiram votos de Bolsonaro

- A armação dos policiais para prender Roberto Jefferson

- As rádios que não veiculam propaganda

- A censura do Alexandre de Moraes

- A vacina que implanta um chip

- A suposta “facção CPX”

- A mídia aumentando mortes por Covid


Eduardo de Paula Barreto

A ESTRATÉGIA DO MITO

 

Diante da certeza

De que será derrotado

Bolsonaro bate na mesa

E grita desesperado

Desafiando o Judiciário

Para minar com ataques diários

O Estado democrático de Direito

Porque acha preferível

Ser considerado inelegível

Do que perder o pleito.

.

Estimula a violência

Propagando mentiras

E com falsa benevolência

Com benesses conspira

Contra o arbítrio

Daqueles famintos

Que devido à carência

Talvez sejam induzidos

A reconduzir o mau mito

À cadeira da Presidência.

.

A outra opção imoral

Que Bolsonaro tem

É a convulsão social

Provocada por quem

Investe na instabilidade

Para que a sociedade

Assustada se abale

E aceite a instalação

De um governo de opressão

Exercido pelos militares.

.

Ao perder o seu cargo

Perderá o escudo do foro

E será processado

Pelos crimes e desaforos

Que cometeu impunemente

Enquanto foi o Presidente

Mais inapto, inepto e vil

E caberá a todos nós

Unir nossa força e voz

Para a reconstrução do Brasil.

.

Eduardo de Paula Barreto



Marcos Antônio da Silva

O povo de São Paulo tem responsabilidade moral de evitar que o Estado se transforme na República de Salò caipira, refúgio e reduto dos fascistas apeados do poder federal.


Eduardo de Paula Barreto

.

O TEMPO DAS TREVAS.

.

Chegamos ao fundo do poço

E nas trevas não enxergamos nada

Tornamo-nos apenas um esboço

De uma sociedade civilizada

Que deixou lá na superfície

Toda a expertise

Adquirida ao longo dos tempos

Desaprendemos a amar

A ser tolerantes e a aceitar

Que o mundo não é mais o mesmo.

.

Com oitenta tiros

Desfaz-se uma família

Deixando mortos os entes vivos

Em cuja memória o morto brilha

E os dedos que acionam os gatilhos

Apontando o pai para o triste filho

Destroem a sua reputação

E sem nenhuma autocrítica

Transformam a inocente vítima

Em apenas mais um ladrão.

.

Tornam-se frequentes os suicídios

E o ódio se materializa

Buquês são trocados por feminicídios

Ressurgem os ideais nazistas

E os embates físicos violentos

Se sobrepõem aos argumentos

Na resolução de conflitos

E o mal adquire maior relevância

Sempre que quem prega a intolerância

É chamado de mito.

.

Eduardo de Paula Barreto

30
Out22

Virada: Haddad joga Tarcísio nas cordas e vence debate da Globo

Talis Andrade

Bolsonaro larga na frente na primeira pesquisa para o 2º turno: 58% x 42%

 

Firme e convincente, petista questiona marechal bolsonarista sobre caso de Paraisópolis , desmontes do governo Bolsonaro e falta de identidade com São Paulo

 

Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo, foi o grande vencedor do debate promovido pela TV Globo na noite desta quinta-feira (27) entre os candidatos ao Palácio dos Bandeirantes.

Durante o debate, por diversas vezes, Haddad encurralou o candidato bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos), que foi obrigado a se manter na defensiva em vários dos temas muito bem abordados pelo petista.

Um dos temas que deixaram o adversário sem resposta convincente foi o caso de Paraisópolis, quando no último dia 17 de outubro ocorreu um tiroteio que interrompeu um ato de campanha de Tarcísio. O bolsonarista que, a princípio, alardeou que teria sido um “atentado”, foi desmentido pelas próprias autoridades policiais. O caso continua recheado de suspeitas, inclusive o fato já comprovado de que um membro da equipe de Tarcísio ordenou a um cinegrafista que apagasse as imagens feitas no local, que poderiam inclusive esclarecer a morte de uma pessoa baleada no tiroteio.

- - -

Fernando Haddad
Candidato ao Governo de SP
AGORA É OFICIAL: em São Paulo o Auxílio será de R$ 800! Eleito governador, vou criar o Auxílio Paulista no valor de R$ 200 pra quem recebe o Auxílio Brasil. Ou seja: o valor vai a R$ 800. Além disso, vou colocar mais pessoas pra receber o benefício. #Vote13
 

- - -

Fernando Haddad fez a Tarcísio a pergunta que os eleitores e eleitoras de São Paulo estão fazendo: por que a equipe de Tarcísio mandou apagar as imagens? Haddad lembrou ao seu adversário que a destruição de evidências de um suposto crime é um ato ilegal.

“A polícia é que decide manter ou não em sigilo a imagem. Esse procedimento é um absurdo. Pergunte para qualquer delegado se uma pessoa pode levar alguém que fez imagens de um crime e determinar que ela seja apagada. Pode comprometer a investigação. Isso gera suspeição. A sociedade está se perguntando o porquê disso”, afirmou Haddad.

- - -

Fiz a pergunta que todo eleitor está se fazendo: por que a equipe do Tarcísio mandou um cinegrafista apagar imagens do tiroteio em Paraisópolis?
 
- - -
 

Haddad foi incisivo ao analisar a falta de identidade do adversário, que nasceu no Rio de Janeiro e nunca morou em São Paulo antes das eleições, para com o estado.

“Tarcísio, você não fez nada por São Paulo, você passou quatro anos lá [no Ministério da Infraestrutura] e asfaltou 18 quilômetros, não dá pra asfaltar uma avenida em São Paulo. Você conhece a Avenida Sapopemba? Já passou por lá? Não deve ter passado nunca por lá. E a maior avenida da cidade de São Paulo. Você sabe quantos quilômetros tem a Av. Sapopemba? Sabe? São 40 quilômetros!”, indagou.

No debate, Haddad também questionou seu adversário sobre o desmonte promovido pelo governo de Jair Bolsonaro que acabou com o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e também não aplicou nenhum reajuste na merenda escolar, que aumentou ainda mais a insegurança alimentar da população mais vulnerável.

- - -

Fernando Haddad
Quem se alimenta com R$ 0,36 centavos por dia? #HaddadNaGlobo
 
- - -
 

Na sua ofensiva a respeito dos desmontes dos programas sociais conquistados durante os governos do PT, como o Farmácia Popular e o Minha Casa Minha Vida, além do corte de verbas para a Educação, Haddad mostrou mais uma vez que a prioridade do governo de Bolsonaro é com o orçamento secreto, em detrimento da defesa da vida do povo brasileiro.

- - -
 
Fernando Haddad
O bolsonarismo cortou verba da Farmácia Popular, da educação e acabaram com o Minha Casa Minha Vida. Mas para o orçamento secreto, não falta dinheiro. Não queremos isso para São Paulo. Aqui o povo tem que ser prioridade.
 
- - -
 

No último bloco do debate, Fernando Haddad taxou de inconsistentes as propostas de Tarcísio para o estado e afirmou que o plano do bolsonarista poderia ser apresentado em qualquer estado do país diante da falta de compromissos específicos com São Paulo.

“Você não tem plano de governo. Não tem uma meta, um compromisso. Você falou que é a favor do Bilhete Único Metropolitano. Nada consta. Não consta a palavra “fome” no seu programa. Não consta “Etec nem Fatec”. Você leu seu plano? Eu li. O plano poderia ter sido apresentado no Paraná. Não mudaria nada. Não tem nada específico sobre São Paulo, serve a um propósito geral”, enfatizou Haddad.

29
Out22

Notas sobre um atentado (ou dois)

Talis Andrade

 

PT cobra da PF medidas disciplinares contra agente que escoltou Lula |  Partido dos TrabalhadoresPT pede ação da PF contra agente bolsonarista que escoltou Lula - Viomundo

 

Danilo Cesar Campetti, um dos policiais responsáveis pela escolta de Lula no velório do neto Arthur Araújo Lula da Silva, no dia 3 de março deste ano, é ativista pró-Bolsonaro nas redes sociais e mantém manifestações hostis ao PT. Atencão para os símbolos no colete à prova de bala

 

Se no bolsonarismo em tudo há certo método, porque não haveria nos “atentados” que acometem Bolsonaro e bolsonaristas? O mesmo agente em Juiz de Fora, Paraisópolis e enterro do neto de Lula 

 

por Hugo Souza

Nesta sexta-feira, 28, Tarcísio de Freitas foi às redes sociais “falar sobre o que aconteceu em Paraisópolis”. Comentando a informação de que foi um agente licenciado da Abin, Fabricio Cardoso Paiva, integrante do seu staff, quem mandou o cinegrafista da Jovem Pan apagar imagens do tiroteio, Tarcísio disse que Fabrício “é meu amigo de 30 anos, que entrou comigo na Escola Preparatória de Cadetes do Exército em 1992, em Campinas”.

Come Ananás identificou que Tarcísio e Fabrício estiveram ao mesmo tempo também na graduação em Ciências Militares na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), na década de 1990, e na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), na década de 2000. Mas não só os dois. O atual chefe da Abin, Víctor Felismino Carneiro, também foi contemporâneo de Tarcísio de Freitas e de Fabrício Paiva na Aman e na EsAO.

Víctor Carneiro assumiu a Abin em abril deste ano, após a saída de Alexandre Ramagem do cargo para ser candidato a deputado federal. Ramagem, recordemos, foi nomeado por Jair Bolsonaro em 2020 para chefiar a Polícia Federal. O STF, porém, suspendeu a nomeação, dada a notória e umbilical ligação de Ramagem com a família Bolsonaro. Isto não impediu, porém – ninguém suspendeu -, que Bolsonaro nomeasse Ramagem, na sequência, para o comando da Abin.

Já Victor Carneiro, que é filho de um general quatro estrelas, chegou ao comando da Abin por indicação de Carlos Bolsonaro, atravessando um nome, Edgar Ribeiro Dias, que já tinha sido escolhido para o cargo pelo general Augusto Heleno, chefe do SGI. Havia a informação de que Dias tinha o intuito de exonerar policiais federais ligados aos Bolsonaro e levados para a Abin após a posse de Jair Bolsonaro, em 2019. Um dos policiais federais ligados aos Bolsonaro e levados para a Abin em 2019 é Danilo Cesar Campetti.

Para quem não está ligando o nome ao agente, Danilo Campetti integrou a chamada “Operação Messias” da Polícia Federal, de segurança do então candidato à presidência da República Jair Bolsonaro, em 2018. Ele estava entre os policiais que faziam a escolta de Bolsonaro no dia do episódio da facada em Juiz de Fora, 6 de setembro daquele ano. Campetti também estava acompanhando Tarcísio no dia do tiroteio em Paraisópolis. Há imagens dele com uma pistola em punho.

 

Agente com Tarcísio em Paraisópolis estava com Bolsonaro no dia da facada |  Revista FórumPolicial que estava no tiroteio de Paraisópolis estava no dia da 'fakeada'  de Juiz de Fora

Em 2018, Danilo Campetti foi indicado para integrar a “Operação Messias” pelo xará e também policial federal Danilo Balas.

“Em meados de 2018, recebi uma ligação de Brasília, do setor responsável pela segurança dos candidatos à presidência da República. Era um convite para compor a equipe que faria a segurança do então candidato à presidência Jair Messias Bolsonaro. Minha resposta foi que não poderia fazer parte da equipe por questões óbvias: sairia candidato a deputado estadual, naquele mesmo ano. Uma outra pergunta me foi feita: se eu conhecia e indicaria algum policial federal para efetuar o trabalho mencionado”, contou Danilo Balas no dia 14 de fevereiro de 2020 numa sessão solene da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp) de São Paulo, para a qual Balas havia sido eleito em 2018.

 

Balas brotam

 

Danilo Balas ficou nacionalmente conhecido em 2014, quando postou no Facebook imagens de si próprio treinando tiro ao alvo numa gravura de Dilma Rousseff: “assim fica fácil treinar”. Quatro anos antes, em 2010, Danilo Balas havia recebido um convite de Eduardo Bolsonaro para entrar na política.

Danilo Balas foi um dos primeiros a gritar “atentado!” no dia do episódio em Paraisópolis:

- - -

Tarcísio e equipe passam bem. Há informações de que um bandido foi baleado e morreu.

Nossa solidariedade ao futuro Governador @tarcisiogdf e à equipe, e agradecimentos aos policiais que reagiram prontamente. Ser o candidato da Segurança Pública tem um alto preço. pic.twitter.com/c9fRg5xEzo

— Danilo Balas (@DaniloBalas) October 17, 2022

- - -

Aquela sessão solene na Alesp na qual Danilo Balas disse ter indicado Danilo Campetti para a “Operação Messias” foi precisamente para outorgar o Mérito Legislativo do Estado de São Paulo a três agentes da Polícia Federal que estavam com Bolsonaro em Juiz de Fora no dia do episódio da facada, entre eles Campetti. Uma honraria curiosa a quem, afinal, falhou em serviço.Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais

Naquele dia, Campetti disse no microfone da Alesp que “podemos afirmar, sem sombra de dúvidas, que o capitão Jair Messias Bolsonaro é imune aos efeitos colaterais e perniciosos do poder”.

Nestes outros dias pré-eleitorais – os hodiernos – em que agentes fora de serviço, mas aliados, brotam nas ruas em dia de “atentado”, convém chamar a atenção para outra coisa que Danilo Campetti disse naquele dia na Alesp:

“Notória era a participação de policiais voluntários, inclusive aposentados, em todos os locais que comparecíamos e que, mesmo em dias de folga, não hesitavam em ombrear conosco na proteção do candidato. Dessa forma, já era prevista a realização de ‘briefings’, ou seja, reuniões preliminares, com aqueles irmãos aliados, os quais cumpriam com excelência tudo o que fora previamente estabelecido. A esses obstinados guerreiros, minha continência e homenagem. O agradecimento, realmente, meus irmãos, a todos aqueles que, aonde a gente ia, todos que estavam de folga: policiais, agentes de segurança – mesmo particulares -, segurança privada, era comum a gente chegar aos locais e essas pessoas já estarem esperando uma liderança para a gente fazer essa reunião para eles poderem compor com a gente”.

Outro agente da “Operação Messias”, também indicado por Danilo Balas, homenageado na Alesp naquele 14 de fevereiro de 2020 foi Flavio Antonio Gomes, que relatou:

“O Zero Um [como os agentes se referiam a Jair Bolsonaro] saiu de sua casa e, como de costume, cumprimentou animadamente cada um dos policiais, fazendo brincadeiras e comentários sobre os últimos acontecimentos políticos. Após alguns minutos de uma conversa informal, ele mudou a expressão. Seriedade e preocupação tomaram o lugar das risadas. Mencionou algo sobre não ser difícil acontecer um atentado contra ele, já que muita gente estava interessada em manter-se no poder. Sabíamos que ele tinha razão e ficamos em silêncio”.

Convém chamar a atenção também, retroativamente, a esta declaração, nestes dias pré-eleitorais nos quais a campanha de Tarcísio de Freitas inseriu o “atentado” de Paraisópolis numa peça de propaganda eleitoral na TV que já estava programada para ser sobre supostas – e delirantes – ligações do PT com o crime organizado.

 

‘Vamos!’

 

O terceiro agente da Polícia Federal homenageado na Alesp naquele 14 de fevereiro de 2020 foi João Paulo Dondelli, mais um indicado por Danilo Balas para a “Operação Messias”. Dondelli contou, por seu turno, outro bastidor do episódio da facada em Juiz de Fora.

Transcrevemos:

Foram dois fatores que me fizeram tomar a decisão de sacar o Adélio de lá: o primeiro foram as características que eu citei, a experiência e saber até onde vai o limite de uma equipe experiente. O segundo fator que me levou, de fato, a fazer aquilo ali, foi um diálogo que eu tive com o candidato Jair Bolsonaro em frente a um elevador, lá em Osasco, 15 dias antes.

Iria ter um evento em uma rede de televisão entre os candidatos à presidência, e ele recebeu a informação de que havia um púlpito vazio lá para um ex-presidente preso e sem registro de candidatura. Ele ficou injuriado com aquilo, olhou para mim e falou assim:

– Federal, império da lei, não tem registro e tá condenado.

E eu:

– Império da lei, Zero Um.

– Vamos pra guerra?

– Vamos pro combate!

Danilo Campetti Policial Federal fazendo a Segurança do Tarcísio em  atentado em Paraisópolis.Cinegrafista que filmou tiros da equipe de Tarcísio em Paraisópolis relata  medo após demissão - Hora do PovoArticula Redes Resiste! 🚩✊ #VamosJuntosPeloBrasil on Twitter: "@cortezpsol  Morte durante campanha de Tarcísio teve "indícios de execução". Quem vai  responder pela morte ocorrida no atentado forjado? Reage São Paulo!!!  https://t.co/0jIJTT4kPU" / Twitter

 

 

 

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