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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

01
Jun22

Gabriel Monteiro: 'Só de ouvir a voz dele, fico com o coração acelerado', diz ex-assessora de vereador do Rio

Talis Andrade

Luiza Caroline Bezerra Batista, a ex-assessora do vereador do Rio e youtuber Gabriel Monteiro, prestou depoimento no Comitê de Ética

Foto Felipe Grinberg
 
 
 
 
por Extra
 
 

Acompanhada de um advogado, Luiza Caroline Bezerra Batista, a ex-assessora do vereador do Rio e youtuber Gabriel Monteiro, prestou depoimento nesta terça-feira (31) no processo que pode terminar com a cassação do parlamentar. Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, ela acusou o vereador de assédio sexual. Antes de começar a sessão, o relator da representação contra Gabriel Monteiro pediu um minuto de silêncio pela morte do ex-assessor do youtuber e ex-PM, Vinícius Hayden.

 

Batida na Região Serrana: Morre em acidente ex-assessor de Gabriel Monteiro que prestou depoimento com colete à prova de balas

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Investigação do Comitê de Ética da Câmara: Justiça nega pedido de Gabriel Monteiro para suspender processo que pode terminar em sua cassação

 

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Por causa das ameaças às testemunhas do processo, a Casa ofereceu aumentar a segurança dos membros do Comitê de Ética. De acordo com Alexandre Isquierdo, presidente do Conselho, os vereadores também pediram acesso ao relatório e perícia da Polícia Civil sobre a morte do ex-assessor Vinicius Hayden, que chegou a relatar estar sofrendo ameaças.

Durante seu depoimento, Luiza disse ter confirmado o teor das informações já prestadas à Polícia Civil no inquérito que apura criminalmente se Gabriel Monteiro cometeu assédio sexual e moral contra ela. Na saída da Câmara, a ex-assessora afirmou ainda que se sentiu intimidada pelo chefe de gabinete de Gabriel Monteiro, que também é advogado do vereador e, por isso, participa das oitivas.

— Respondi que sofria assédio sexual. Só de ouvir a voz dele, fico com o coração acelerado. Nesta semana irei à delegacia especificar datas sobre o ocorrido. O chefe de gabinete, que também me assediou sexualmente, me fez perguntas constrangedoras. Me perguntaram até quanto eu ganhava atualmente. Recebemos mensagens de pessoas que não conheço, perfis fakes, que fazem ameaças de morte e agressão — afirmou Luiza.

 

Em depoimento: Ex-assessor diz que Gabriel Monteiro orientava ficar de tocaia para investigar ex-secretária

 

De acordo com os membros do Comitê de Ética, a Polícia Civil ainda não enviou todas as provas que já recolheu nos inquéritos contra o vereador, pois a corporação ainda realiza perícias nos itens apreendidos, como HDs e celulares. Até o momento foi encaminhado à Câmara o que consta na denúncia, já ajuizada pelo Ministério Público, sobre o vazamento de um vídeo íntimo de Gabriel Monteiro e uma adolescente de 15 anos.

— A testemunha relatou diversos casos de assédio moral aumentando para assédio sexual. Ela praticamente, por vontade própria, trabalhava e morava na casa do vereador. A Polícia mandou o primeiro ofício e estamos aguardando mais elementos comprobatórios que ainda não temos — diz Isquierdo.

 

Veja possíveis crimes cometidos: 'Não há mais dúvida' de que Gabriel Monteiro sabia que jovem em vídeo íntimo era menor, diz polícia

Assessores e ex-assessores mudaram versão: Gabriel Monteiro é acusado de forjar ataque a tiro em carro

 

A ex-assessora trabalhava para os canais do vereador na internet e afirma que algumas situações inconvenientes estão registradas nos vídeos em que ela ajudava a gravar.

Para Wellington Dias os advogados do vereador tentam incriminar e constranger as testemunhas em suas perguntas durante os depoimentos.

— Até o presente momento não vimos indagações da defesa sobre o que está nos autos. No meu entendimento os advogados têm tentado constranger e incriminar as testemunhas. Não recebemos nada que pudesse colaborar com nosso juízo.

Próximo do fim do depoimento da primeira testemunha, Gabriel Monteiro foi até a Câmara se defender das acusações. Aos jornalistas, ele voltou a afirmar que seus ex-funcionários receberam dinheiro de envolvidos com esquema de corrupção para denunciá-lo levianamente:

— Lamento profundamente a morte do Vinícius. Não é motivo de comemoração e glória. Não existem indícios de interferência de terceiros ou que me ligue a morte. Ele já tinha sido denunciado por tentar comprar outros assessores.

 

Setor criado: Gabriel Monteiro usava assessores para investigar políticos rivais, afirma ex-funcionário

 

Mais cedo, antes da reunião começar, o vereador Chico Alencar (PSOL), relator da representação contra o vereador Gabriel Monteiro (PL) na Câmara do Rio, disse que a morte de Vinícius Hayden Witeze, ex-assessor de Monteiro, num acidente de carro no último sábado (28), trouxe temor para as outras testemunhas. No depoimento dado por Vinícius na última quarta-feira (27) foi apresentada uma série de ameaças feitas a ele nas redes sociais, com frases como "vai morrer" e "a ira divina vai cair sobre você".

— Todas as testemunhas relatam ser supostos fãs do Gabriel Monteiro ou perfis fakes. A morte não atrapalha as investigações pois todo o processo é gravado em áudio e vídeo — afirmou Isquierdo.

— É preciso investigar de maneira plena. Apurar o que aconteceu desde que o Vinicius depôs até sua morte - completou o relator Chico Alencar.

Nesta terça-feira o Comitê de Ética da Câmara de Vereadores do Rio ainda ouvirá o depoimento de Mateus Souza de Oliveira, também ex-funcionário de Gabriel Monteiro. Ele conta que conheceu o vereador em 2019, ainda antes da eleição, porque os dois faziam parte do Movimento Brasil Livre (MBL). Mateus chegou a morar na casa do parlamentar, primeiro em Niterói e depois na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, além de ter atuado como "assessor de mídia" no gabinete.

Antes da primeira oitiva desta terça-feira começar, os vereadores do Comitê se reuniram sozinhos junto da assessoria jurídica da Câmara de Vereadores. A defesa de Gabriel Monteiro não participou e reclamou pelo acesso não ter sido permitido antes. No entanto, Luiza Caroline apenas entrou na sala onde estavam os vereadores pouco antes das 14h, cerca de 30 minutos depois de chegar à Câmara.

— A gente viu que a Comissão está reunida e a testemunha com seu advogado sem ter ideia do que está acontecendo — disse Gustavo Lima, advogado de Gabriel Monteiro.

Vinícius morreu no último dia 28 em um acidente de carro na RJ-130, estrada que liga Teresópolis a Nova Friburgo, Região Serrana do Rio. De acordo a Polícia Civil, o caso está sendo investigado pela 110ª DP (Teresópolis). Agentes fizeram uma perícia no local e as primeiras informações indicavam que o motorista perdeu a direção do veículo ao entrar em uma curva da rodovia. Durante a perícia, agentes do Instituto de Criminalística Carlos Éboli recolheram objetos, entre eles uma faca dentro do forro de uma das portas, e papéis que estavam no automóvel. Também foram retiradas peças do veículo para análise.

21
Mai22

Alesp aprova cassação de Arthur do Val, que perde os direitos políticos por oito anos; é o 1º mandato cassado em 23 anos

Talis Andrade

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Em sessão curta, todos os 73 deputados presentes votaram pela cassação. Era preciso o mínimo de 48 votos. O último parlamentar que havia sido cassado pela Alesp foi o ex-deputado Hanna Garib, em 1999. 'Mamãe Falei' diz que foi alvo de perseguição política para tirá-lo da eleição deste ano.

 

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Natália Bonavides

@natbonavides

Mandato de Arthur do Val, cria do MBL, foi cassado por unanimidade na Assembleia Legislativa de SP e ele ficará inelegível. A política não pode ser ocupada por gente que trata mulheres como objeto e incentiva o turismo sexual. Saiu do esgoto e voltará pra ele.
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@ManuelaDavila
 
Mamãe fui cassado. A Alesp acaba de cassar o mandato de Arthur do Val. Apesar da covardia da renúncia, com a cassação, ele se torna inelegível por 8 anos. A política não pode ser espaço para machistas e misóginos
 
"Os parlamentos precisam reconhecer a existência da violência política de gênero, punir quem nos violenta e decidir que querem ficar do nosso lado".
 
"O objetivo da violência política é nos tirar da cena política e alertar às outras de que elas não podem entrar. É um aviso: isso é o que pode acontecer contigo." #ManuNoUOLEntrevistaImage

 

Por Rodrigo Rodrigues, g1 SP

A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovou nesta terça-feira (17) a cassação do mandato do ex-deputado estadual Arthur do Val (União Brasil). Apesar dele ter renunciado ao cargo, a cassação significa que ele perderá os direitos políticos por oito anos, segundo a Lei da Ficha Limpa.

A cassação foi aprovada por unanimidade entre todos os 73 deputados que participaram da sessão. Para ter o mandato cassado, era preciso 48 votos entre os 94 deputados estaduais da Alesp. A aprovação ocorreu em sessão muito curta para os padrões do Poder Legislativo paulista.

Conhecido como ‘Mamãe Falei’, Arthur do Val é o primeiro deputado cassado pela Alesp em mais de 23 anos. O último parlamentar que havia sido cassado pelo Legislativo Paulista foi o ex-deputado Hanna Garib, em 1999, que era acusado de fazer parte da chamada "máfia dos fiscais" da cidade de São Paulo, na época que era vereador da capital.

O que disse Arthur do ValO deputado estadual Arthur do Val (União Brasil).  — Foto: Reprodução/Facebook

 

Por meio de nota, a assessoria de Arthur do Val afirmou que “a decisão do plenário da Alesp deixa claro que foi promovida uma perseguição contra Arthur do Val e que o motivo principal não era o seu mandato, ao qual já renunciou, mas sim retirá-lo da disputa eleitoral deste ano”.

“A desproporção da sua punição fica evidente já que a mesma Casa foi branda em relação a casos muito mais graves, como o do parlamentar Fernando Cury, que apalpou os seios de uma deputada e foi suspenso por apenas seis meses”, disse a nota.Fernando Cury deverá ser expulso do Cidadania após acusação de assédio -  Politica - Estado de Minas

O deputado Fernando Cury tem que ser cassado', diz Isa Penna ao 247 -  Brasil 247

 

No início da sessão, o advogado de Arthur do Val, Paulo Henrique Franco Bueno, discursou e voltou a comparar o caso do parlamentar com a situação que envolveu o também deputado Fernando Cury, acusado de assédio contra a também deputada Isa Penna. Cury foi suspenso pela Alesp por 180 dias.Fernando Cury e o assédio a Isa Penna - Nando Motta - Brasil 247

 

O advogado defendeu ainda o uso ilegal de provas e inadmissibilidade do uso dos áudios privados de Arthur do Val no processo, pois foram vazados sem a autorização do parlamentar. O defensor ainda pontuou que não houve perícia nas evidências.

O voto de número 48 que selou a cassação do parlamentar nesta terça (17) foi dado pelo deputado Gil Diniz (PL), que várias vezes entrou em embates com Do Val no plenário da Alesp. (Transcrevi trechos

mamae falei

 

 
 
22
Abr22

Silveira, Do Val, Gabriel Monteiro. O parlamento decaiu tanto que nem essa faxina o limpa

Talis Andrade

 

Fernando Brito

- - -

O dia é ruim para os três estrupícios que simbolizam – porque a quantidade, infelizmente, é muito maior – a mancha de lixo que se espalhou no Poder Legislativo com a “onda” bolsonarista.

Daniel Silveira, o quebrador de placas, caminha para a condenação no Supremo, Arthur Do Val, o tarado da Ucrânia, e Gabriel Monteiro, o ex-PM e youtuber de sexo com adolescentes, estes já eram e o “Mamãe Falei” já renunciou na vã tentativa de escapar à cassação, inutilmente.

Nem o fato de que existem outros é tão importante quanto o fato de que existem, em número inédito, eleitores dispostos a transformar a sua representação no parlamento em um exército de valentões, debochados e policiais exibicionistas.

Sempre existiram, é verdade, mas era uma situação marginal, agora é uma regra.

Corresponde à estupidez suprema que foi levada ao mais alto cargo do país quanto, por ódio politico, as elites deste país resolveram entregá-lo a Jair Bolsonaro.

É como se a vergonha tivesse perdido a vergonha, e se orgulhasse de desfilar, crendo que irá encantar a porção da sociedade que foi progressivamente insuflada nos últimos anos.

A desfaçatez é tanta que Eduardo Bolsonaro e o próprio Brucutu Silveira foram ao plenário do STF, para tentar intimidar os ministros durante o julgamento do segundo, por ameaçar o próprio Supremo.Image

Felizmente, a restrição na ocupação das cadeiras do plenário provocada pela pandemia ainda está em vigor e evita-se, assim, a cena insólita.

Assistir, podem, mas como todos nós. Inclusive na transmissão da TV Justiça, que reproduzo abaixo.

 

07
Abr22

Mansão e condomínio dos famosos: a vida de ostentação e luxúria do vereador Gabriel Monteiro

Talis Andrade

O vereador carioca Gabriel Monteiro, denunciado recentemente no programa Fantástico, posa para foto com fuzil, a noite, em um local isolado - Metrópoles

Metrópoles – O vereador Gabriel Monteiro (PL), ex-PM e youtuber investigado por abuso moral, sexual e uso de crianças para forjar vídeos e se autopromover, mora em um condomínio de famosos na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio.

Entre as celebridades que já residiram ou ainda moram por lá estão as atrizes Juliana Paes e Bruna Marquezine, o ex-jogador Zinho e a cantora Anitta.

A casa de Gabriel foi alvo na manhã desta quinta-feira (7) de uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão.

>>> Vereador Gabriel Monteiro é alvo de operação policial sobre vazamento de vídeo íntimo com menor

A juíza Claudia Leonor Bobsin, da 1ª Vara da Infância, da Juventude e do Idoso, determinou que o Twitter retire do ar vídeo no qual o vereador do Rio e ex-PM Gabriel Monteiro mantém relações sexuais com adolescente de 15 anos. Em caso de descumprimento da decisão desta sexta-feira (1/4), há multa diária de R$ 30 mil.

O pedido foi feito pelo Ministério Público após as imagens viralizarem. A magistrada estabeleceu ainda que as redes sociais sejam monitoradas e, a cada nova postagem do vídeo, sejam as URLs separadas e retiradas do ar pela empresa.

31
Mar22

Marcas suspendem patrocínio nas redes sociais do vereador do Rio e youtuber bolsonarista Gabriel Monteiro

Talis Andrade

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Charge: Golpes digitais - Charges - Diário do Nordeste

 

 

por Redação Extra

Uma campanha destinada a retirar patrocínio das redes sociais do vereador do Rio Gabriel Monteiro já tem o apoio de pelo menos quatro marcas. O parlamentar tem cerca de 6 milhões de seguidores na internet e suas postagens acumulam até 50 milhões de visualizações. A campanha #DesmonetizaGabrielMonteiro é encabeçada pela Sleep Giants Brasil, movimento contra o financiamento de discursos de ódio e de fake news.

Relatos da equipe: 'O que mais doía era quando ele pedia para a gente forjar histórias com pessoas humildes', diz ex-assessor parlamentar de Gabriel Monteiro

Relatos da equipe: Ex-funcionários acusam vereador Gabriel Monteiro de assédio sexual, revela ‘Fantástico’

Segundo Leonardo Leal, diretor jurídico da Sleep Giants Brasil, das 15 empresas já contactadas, nove já responderam aderindo à campanha que, segundo ele está só começando. Ele disse que esse é um "trabalho de formiguinha", que para surtir o efeito desejado precisa atingir de cem a 200 marcas e dura em média dois meses.

— Não basta tirar as principais, que dão lucro (para o canal) e elas irem sendo substituídas por outras. O objetivo é conseguir o maior número possível (de adesões)— disse.

Leonardo Leal disse que a Sleep Giants Brasil já vinha monitorando, com preocupação, as redes do vereador há algum tempo, pela exacerbação da propagação de discursos de ódio e transfobia. Informou que a ideia da campanha se deve a três fatores: propagação de conteúdo nocivo, comportamento desinformativo e odioso, além de grande alcance de suas publicações.

— Quanto mais ele produzir (esse tipo de conteúdo) mais vai ganhar. Nossa lógica é desmonitizar o conteúdo, para que ele pare de ganhar dinheiro com isso — explicou.

Em resposta à Sleep Giants Brasil, a Buser publicou numa rede social " Estamos Cientes do ocorrido, nosso time já excluiu o canal da nossa lista de anúncios, e juntos com nosso time responsável vamos atualizar a lista de contas de acordo com nossa conduta". A postagem feita na tarde de quarta-feira acumula mais de 4 mil curtidas até as 8h desta quinta-feira. A assessoria de imprensa da empresa confirmou o bloqueio da Buser às contas de Gabriel Monteiro.

A Shopee publicou que "O canal não está de acordo com os valores da Shopee e nosso time de mídia já foi acionado para pausar os posicionamentos automáticos dos nossos anúncios". A Empiricus, empresa especializada em publicações de conteúdos financeiros e ideias de investimento, postou: " Já acionamos o nosso time de mídia para tomar as devidas providências em relação a exibição no canal."

A Estácio também aderiu à campanha e informou que não compactua "com nenhum tipo de violência. Já encaminhamos para o setor responsável retirar os anúncios".

Segundo o diretor da Sleep Giants Brasil também aderiram à campanha: a OI, Infinite Pay, Click Up e a Jeep.

Sem processo ou arquivamento: Em um ano, 7 denúncias na Câmara e nenhum processo contra Gabriel Monteiro

Declarações forjadas: 'Gabriel Monteiro orientou criança a falar que seu pai era alcoólatra', diz ex-assessor do vereador sobre vídeo publicado nas redes sociais

Terceiro vereador mais voltado do Rio (com 60.326 votos), Gabriel Monteiro (sem partido) é alvo de uma série de acusações e polêmicas. O Conselho de Ética da Câmara dos Vereadores do Rio vai reunir elementos até a próxima semana para avaliar se abre um processo contra ele, que pode até levar à cassação do mandato.

Antes dessa denúncia, ele foi alvo de sete representações, até hoje sem decisão final do Conselho. O programa Fantástico, da TV Globo, exibiu, em uma reportagem no último domingo (dia 27 de março) uma série de acusaçõs de ex-assessores sobre assédio sexual e moral.

A reportagem mostrou que o vereador foi acusado de assédio moral e sexual por cinco pessoas com quem o Fantástico falou. Entre elas há servidores, ex-funcionários e uma mulher que diz ter tido relações sexuais com o ex-PM.

Além destas acusações, a reportagem também mostrou que Gabriel Monteiro forjou cenas de seus vídeos no YouTube, como tiroteios ou ajuda a uma criança carente, expôs seus funcionários a outros tipos de assédio, além de cometer irregularidades no funcionamento de seu gabinete na Câmara Municipal do Rio.

No começo de março, o blog Sonar havia informado que em dez meses de um outra campanha, o Sleeping Giants Brasil havia conseguido desmonetizar o equivalente a R$ 5,42 milhões de perfis que disseminam notícias falsas na internet, segundo levantamento feito pelos coordenadores da plataforma, com base em valores estimados de publicidade e assinaturas em mídias digitais.

A mobilização mirou os portais Jornal da Cidade Online, Conexão Política, Gazeta do Povo, Brasil Sem Medo e StopHateForProfit, além dos canais no YouTube Terça Livre e do ideólogo de direita Olavo de Carvalho. Também foram interrompidos anúncios associados a contas dos blogueiros bolsonaristas Sara Giromini e Bernardo Küster.

21
Mar22

Repórter da Folha derrota deputado misógino

Talis Andrade

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Por Altamiro Borges 

Em votação nesta sexta-feira (18), a Justiça de São Paulo manteve a condenação em primeira instância que obriga o deputado estadual André Fernandes (Republicanos-CE) a indenizar em R$ 50 mil a jornalista Patrícia Campos Mello. A repórter da Folha entrou com uma ação judicial após ser alvo de ataques misóginos do parlamentar bolsonarista pelas redes sociais. 

A decisão foi tomada por consenso pelos desembargadores da 5ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo Erickson Gavazza Marques, Mônaco da Silva e James Siano. Ainda cabe recurso às cortes superiores, mas tudo indica que a sentença será mantida em função da debilidade dos argumentos apresentados pela defesa do deputado. 

Segundo a Folha, “a repórter acionou a Justiça após ser insultada pelo deputado no Twitter, que acusou Patrícia de trocar sexo por informações prejudiciais ao presidente Bolsonaro (PL)... O recurso de Fernandes voltou a dizer que a declaração feita por ele era protegida pela imunidade parlamentar, que lhe daria ‘supraliberdade de expressão’”. 



Tuite asqueroso e criminoso

Quem é André Fernandes? O deputado que reúne denúncias na | Política
O tuite do bolsonarista foi asqueroso: “Se você acha que está na pior, lembre-se da jornalista da folha de SP [sic] que oferece SEXO em troca de alguma matéria para prejudicar Jair Bolsonaro. Depois de hoje, vai chover falsos informantes pra cima desta senhora. Força, coragem e dedicação Patrícia, você vai precisar”. Ele ainda acrescentou: “Sou tão inocente, que até hoje pensava que FURO JORNALÍSTICO se tratava de outra coisa”. 

Diante dessa agressão, o André Fernandes foi condenado pela primeira vez em julho de 2011 em sentença dada pelo juiz Vitor Frederico Kümpel, da 27ª Vara Cível de São Paulo. O bolsonarista recorreu e agora sofre nova derrota. Para a advogada jornalista, Taís Gasparian, “o valor de R$ 50 mil nem de perto poderá recompor o sofrimento da jornalista, mas é simbólico o suficiente”. 



Aumento de 79% nos ataques contra mulheres jornalistas

A premiada Patrícia Campos Mello não é a única jornalista a sofrer agressões das milícias bolsonaristas. Segundo um mapeamento publicado no início de março pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o ano passado registrou um aumento de 79% no número de ataques contra mulheres jornalistas ou com viés de gênero. 

Ao todo, foram 119 ocorrências desse tipo – o que corresponde, em média, a um episódio de violência a cada três dias. A pesquisa ainda revelou que 52% dos autores identificáveis pelos ataques eram autoridades públicas. Nesse segmento, os que mais agrediram mulheres jornalistas foram o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado federal Carlos Jordy, com oito ataques cada, o vereador Carlos Bolsonaro e o assessor especial da Presidência Tercio Arnaud Tomaz, contabilizando sete ataques cada, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro, responsável por cinco outros ataques.Deputado Federal Carlos Jordy - Portal da Câmara dos Deputados

Ainda segundo reportagem de Mônica Bergamo na Folha, “os termos mais utilizados nos insultos às profissionais fazem referência a aspectos de gênero, como ‘vagabunda’, ‘puta’, ‘fofoqueira’, e a supostos vieses ideológicos das jornalistas, como ‘militante’, ‘esquerdista’ e ‘comunista’. ‘O apelo ao gênero e à sexualidade não é incidental: em sociedades com presença de valores conservadores, esse tipo de ataque é uma forma de minar a credibilidade do jornalismo profissional e de desviar a atenção do conteúdo da notícia’, afirma a Abraji”.

Mamãe Falei e a misoginia no Brasil

 
 
20
Mar22

Cassação de Mamãe Falei perde força

Talis Andrade

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Por Guilherme Amado, no Metrópoles - A cassação do mandato do deputado estadual Arthur do Val perdeu força nos corredores da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O ex-integrante do MBL não escapará de uma punição, mas as consequências para ele devem ser mais brandas.

>>>  Em áudios, Arthur 'Mamãe Falei' diz que “ucranianas são fáceis porque são pobres”

Deputados da base governista e da oposição afirmam que Arthur poderá ter o mandato suspenso por um período de seis a oito meses. Apesar de encerrar a atuação legislativa do deputado, a pena preservaria os seus direitos políticos. Já a cassação do mandato tornaria Arthur inelegível por oito anos.

Procurado, o advogado do deputado, Paulo Bueno, disse que “a cassação de Arthur do Val é inviável juridicamente e os precedentes da própria Alesp demonstram isso”.

 

COPROFAGIA

O áudio sobre as ucranianas foi gravado para um grupo de amigos no WhatsApp e o conteúdo foi revelado pela coluna do Lauro Jardim, no O Globo. O deputado diz que contou o número de mulheres bonitas na alfândega e diz que vai voltar ao Leste Europeu quando a guerra acabar.
 
“Mano, eu juro pra você, eu contei: são 12 policiais deusas. Mas deusas que você casa e faz tudo que ela quiser. Assim, eu tô mal. Eu não tenho nem palavras para expressar”, declara no áudio. 
 
O pré-candidato ao governo de São Paulo continua: “Quatro dessas eram minas que você, mano, nem sei te dizer, se ela cagar você limpa o c... dela com a língua”.
 
Em outro trecho, faz uma comparação entre as ucranianas e as brasileiras. “Se você pegar a fila da melhor balada do Brasil, na melhor época do ano, não chega aos pés da fila de refugiados aqui”, afirma o deputado.
Arthur do Val - Mamaefalei on Twitter: "Muito feliz com tanto apoio de  gente tão foda! Domingo vamos colocar essa força nas urnas e mostrar a  todos nossa arrancada. São Paulo voltará
20
Mar22

Marielle Franco e Arthur do Val

Talis Andrade

 

 

Dois fatos densos de reminiscência e que se articulam de modo a nos trazer à situação em que hoje atravessamos no Brasil

 

Por RONALDO TADEU DE SOUZA /A Terra É Redonda

 

“grande parte do que fez a grandeza dessa obra [Em Busca do Tempo Perdido] permanecerá oculta ou inexplorada até que essa classe [a burguesia aristocratizada] na luta final, revele seus traços fisionômicos mais fortes.” (Walter Benjamin, A Imagem de Proust).

“Justiça por Assata” (Ato 19/03 Goiânia informações: instagram: ayah_akili e pensar.africanamente).

 

Muito já se disse sobre a memória na formação de nossas existências. São inúmeros os teóricos sociais, filósofos, críticos da cultura e psicanalistas que afirmam ser a lembrança de uma vida de então o aspecto fundamental não só de indivíduos, mas da sociedade ao qual estão inseridos. Seja no soerguimento da identidade de cada um, seja nas disposições de organização das relações sociais, seja nos modos em que lidamos com eventos políticos significativos – o passado é parte constitutiva do ser em sentido amplo.

Não foi sem razão que Marx disse no início de O 18 Brumário de Luís Bonaparte que o espírito do passado e as tradições de outros tempos influenciam as ações do presente – mesmo que do ponto de vista da linguagem. E que Benjamin nas Teses sobre o Conceito de História, ter reivindicado que fossemos ao pretérito como um salto de tigre naquele mesmo. Tanto Marx como Benjamin estavam a escrever seus respectivos textos para aqueles e aquelas em condições de serem explorados, oprimidos pelas classes dominantes, humilhados no cotidiano por circunstâncias impostas pelo capital e suas figuras representativas e sacrificados cruelmente pela violência estatal.

Um e outro pretenderam chamar a atenção da importância para os subalternos de toda ordem da força da recordação; não da recordação que se faz patíbulo e extirpa o impulso da transformação ao prender, astutamente por vezes, as paixões políticas no passado e sim daquela que vislumbra a fusão com o contingente (essa foi a mensagem de Frantz Fanon no fim do Peles Negras Máscaras Brancas) e transfigura-se em subjetividade insubmissa, radical, revolucionária por assim dizer, e torna o futuro presente. Faz do horizonte de expectativas princípio dialético-objetivo. Ainda assim, por vezes se esquece daquilo que ocorreu no decurso da vivência.

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É por isso que devemos ter em nossas mentes dois fatos que ocorreram nos últimos dias, mas que são densos de reminiscência, e que se articulam, de modo a nos trazer à situação em que hoje atravessamos no Brasil. Essa semana completaram-se quatro anos do assassinato a mando de Marielle Franco, e dias atrás presenciamos um dos acontecimentos mais terríveis da vida pública brasileira – a ida à Ucrânia de Arthur do Val, e os áudios vazados com suas declarações sobre as mulheres ucranianas em meio ao sofrimento humano de uma guerra. (Guerra essa que é promovida por aqueles que de maneira geral personagens como esse cidadão é porta voz, as classes dominantes das potências mundiais – as burguesias e elites imperialistas, Vladimir Putin e a Rússia inclusive, que já disse para quem tem ouvidos para ouvir, escutar e atentar que a região da Ucrânia foi uma equivocada invenção do Lênin e dos bolcheviques após 1917.)

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É preciso lembrar que Marielle Franco, mulher negra, lésbica, de esquerda, militante socialista do PSOL (partido ao qual era filiada e atuava em defesa dos pobres, negros e negras que passam todo tipo de violência policial no dia-a-dia), foi exterminada covardemente pelas forças policiais-políticas que de uma maneira ou de outra hoje governam o país, com um programa econômico-político que visa a devastação literal daqueles considerados descartáveis para a ordem do capital atualmente (e Arthur do Val é irrefutavelmente um dos mais importantes políticos e representantes desse bloco no poder). Marielle sem dúvida seria uma das vozes a gritar pelos seus e pelas suas. Mas isso não foi possível a ela.

Em 2018 o Brasil já estava completa e moralmente conquistado (faltava apenas a consolidação material do poder estatal, pois não nos esqueçamos, a presidência de Michel Temer iniciou em 2016 com o golpe institucional, e que 9 de 10 que não sejam de esquerda qualificam com a dicção da legitimidade política de Impeachment) pela direita de todos os matizes. Hoje ninguém quer se associar ao bolsonarismo, ao Arthur do Val e com alguma timidez cínica acreditam no MBL (nossos liberais, ou liberais mesmo). No arco da contrarrevolução brasileira de 2014-2021, nosso 18 Brumário para lembrar o ensaio de Bruno Cava, rememoremos que liberal-conservative, conservadores, liberais, tradicionalistas, neoliberais e sociais-liberais, obviamente em nenhum momento se posicionarem contrários ao que vinha ocorrendo, está inserida a morte tramada de Marielle.

As descrições do assassinato planejado racionalmente estão disponíveis para quem quiser averiguar, não as farei aqui (já o fiz nos três anos da morte de Marielle no site A Terra é Redonda); basta dizer que Ronnie Lessa e Élcio Queiroz a espreitaram por mais de três meses antes do dia do crime. E é esse arco, em fase de estabilização agora, uma vez que estamos às vésperas da eleição – eleição que por vezes, nem sempre e não consegue de fato, tem a função de (re)estabelecer o equilíbrio instável com a competição pelo voto (Schumpeter) –, que impossibilita as investigações e a revelação de quem efetivamente exigiu o extermínio na vereadora negra e carioca. Ora, de posse do poder de Estado e sem nenhuma das veleidades democráticas (Marx) bem pensantes da esquerda legalista, era e é natural que o grupo de direita que o detém fez, faz e fará de tudo para ocultar os responsáveis: dos 9 tiros disparados pelos sicários a soldo contra Marielle Franco.

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Arthur do Val – que se diga era até bem pouco tempo aliado de Sérgio Moro – foi uma das figuras mais representativas do que alguns chamam de a nova direita brasileira. De certo modo, entendidas as coisas com ponderação aqui, ele é um dos “responsáveis”, responsável indireto e com um grau significativo de distanciamento desse indireto, pelo que ocorreu no dia 14 de março de 2014 no Rio de Janeiro. É preciso lembrar que naquele contexto a cidade do Rio estava ocupada pelas forças militares sob o comando de Braga Neto; a Lava Jato estava com o prestígio absolutamente incólume dado os vínculos com a mídia empresarial; as ideias de mercado organizam o debate sobre o futuro do país; a esquerda era sem trégua alguma qualificada de corrupta (que bela é a vingança da história); e os personagens da direita eram recebidos em todos os salões sociais e do poder como os jeovás da pátria: era na verdade o Katechon da vez. Arthur do Val era um deles.Charge do Zé Dassilva: Mamãe, Falhei! | NSC Total

Hoje a classe média, seja a conservadora, a de profissões liberais, a intelectualizada, a progressista, tem comportamentos de aversão à figura de do Val – mas no arco em questão se felicitavam e regozijavam de quando ele ia a manifestações de movimentos e grupos de esquerda os mais variados, que na maioria das vezes compunha-se de pessoas a lutar por uma vida minimamente mais digna, e fazia questões aos presentes, questões e perguntas para tentar humilhar os já humilhados, para tentar desprezar os já desprezados, às mais absurdas, como: “você sabe o que é mais-valia?”, “o que você acha do Che-Guevara?”, “você sabe o que é déficit fiscal?” etc. (Sim caro Arthur do Val! Todos e todas sabem o que é “mais-valia”, sabem quem “foi Che”, e “entendem” das implicações do não-déficit fiscal.).

Entretanto, eis que o (ex)aliado de Moro, e que é preciso e necessário divulgar, ainda falava e fala pelas forças de direita, pelos agentes de mercado, o capital e/ou a burguesia na boa teoria socialista clássica, (ele foi um contundente defensor das reformas previdenciárias contra funcionários públicos em São Paulo), e pelos conservadores do momento parte em uma viagem para a Ucrânia, junto com Renan dos Santos (e seu rosto menino de baladeiro das boas casas noturnas de São Paulo). Lá, no país com sua população, a maioria de trabalhadores e setores médios sofrendo a realidade de uma guerra não planejado por eles, muito pelo contrário, ele “revela” a que tipo de grupo e setor político e social estamos a enfrentar. Misoginia será pouco para qualificarmos as palavras de Arthur do Val (que diga-se alguns setores fingem que não é com eles de que se trata, é vergonhoso como meios de comunicação e outros setores do espectro político trataram o caso, se fosse alguém de esquerda que no Brasil se quer pode cometer o menor deslize, mesmo que de avaliação sincera e de tomada de posição as exigências seriam bem outras).

O chefe do MBL (Movimento Brasil Livre), que tramou junto aos seus – a saber, o próprio Sérgio Moro, Aécio Neves, o Vem pra Rua, Kim Kataguiri, Brasil Paralelo, o Instituto Mises, o Instituto Millenium, Eduardo Cunha, Pondé e outros colunistas de livre pensamento e democratas (são tantos), os economistas das muitas XP’s espalhadas pelas Farias Limas a fora (André Esteves do BTG à frente), Olavo de Carvalho, PSDB, DEM, Jair Bolsonaro e o espírito-Ustra – a deposição de Dilma Rousseff, um golpe palaciano lapidado como quem lápida cuidadosamente uma pedra de diamante para a Vivara (e que agora, claro, exercita a diversidade racial), com a idêntica alma-santa que o fez mentir e criar Fake News sobre Marielle Franco, mas à época a santa aliança deu de ombros, foi à Ucrânia demonstrar de fato o que pretende como político brasileiro.

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Quer, não nos esqueçamos disso, o esmagamento prático e simbólico de todos os subalternos: mulheres, negros, trabalhadores, LGBTQI+ e indígenas. Lembrar que há 1500 dias Marielle nos deixou pelas mãos e mentes de figuras-tipo como Arthur do Val e seus consortes, novamente entendidas as coisas ponderadamente, ou seja, cultivarmos a memória como irrupção do passado no presente-futuro, pode nos levar não só a redimir a vereadora negra de esquerda, como a de todas e todos que caíram e caem na luta de classes-raça árdua, às do cotidiano e às da emancipação radical.

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19
Mar22

Impunidade incita violência política contra mulheres

Talis Andrade

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O Brasil está entre os países com maior índice de homicídios femininos: ocupa a quinta posição em um ranking de 83 nações, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos

 

por Vanessa Grazziotin /Vermelho

Na última segunda-feira, 14 de março, completaram-se quatro anos do assassinato da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco. Quatro delegados passaram pelo caso, apenas duas pessoas foram presas, mas nada de chegar aos mandantes.

O silêncio das autoridades diante da falta de solução é chocante, mas, infelizmente, faz parte do modus operandi quando se trata da violência contra a mulher, incluindo a violência política de gênero. Vivemos num país com uma taxa de 4,8 assassinatos em 100 mil mulheres. O Brasil está entre os países com maior índice de homicídios femininos: ocupa a quinta posição em um ranking de 83 nações, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Em 2020 houve um aumento de 22% da ocorrência desse tipo de crime: entre março e agosto, um feminicídio era cometido a cada nove horas. Já no primeiro semestre de 2021, os assassinatos de mulheres atingiram o maior patamar desde 2017, somando pelo menos quatro por dia.

Esses números são cruéis, mas a realidade é ainda pior. O Relatório Mundial sobre a Desigualdade de Gênero de 2020, compilado pelo Fórum Econômico Mundial, avaliou países e territórios segundo a desigualdade de gênero em quatro setores: política, economia, saúde e educação. A conclusão é a de que a política continua a ser a área onde se verificam menos progressos. Sobre o Brasil, especificamente, o estudo afirmou: “A falta da atribuição de poder político às mulheres é o quesito que mais atrapalha o desempenho global do Brasil”.

As violências a que somos submetidas, física, psicológica, econômica e política de gênero mantém as mulheres afastadas da vida pública. E quando elas ousam a romper com esse paradigma enfrentam as situações mais difíceis: desvalorização, assédio e até assassinato, como foi o caso de Marielle Franco.

Em geral, os homens que cometem essa violência não são punidos. No máximo uma nota de repúdio, uma advertência, uma breve suspensão quando se trata de parlamentares e fica por isso mesmo. Entre os muitos exemplos, Manuela D´Ávila continua, há anos, sendo vítima da violência política de gênero, diariamente. A ex-presidente Dilma Rousseff é outra vítima, sem que os agressores sejam punidos.

O caso da deputada Isa Penna (SP), assediada pelo deputado Fernando Cury durante uma sessão da Assembleia Legislativa (Alesp) é outro exemplo. Ele foi afastado por 180 dias, mas não perdeu o mandato. Recentemente, outro deputado de São Paulo publicou áudios dizendo que as mulheres ucranianas eram fáceis porque são pobres. Vários pedidos de cassação foram feitos na Alesp, mas será uma surpresa se ele for cassado.

As violências a que somos submetidas, física, psicológica, econômica e política de gênero mantém as mulheres afastadas da vida pública.

A impunidade é a regra e contribui para a continuidade das agressões. O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados foi criado há 21 anos e nunca puniu um único caso de violência contra parlamentares mulheres, segundo levantamento feito pela pesquisadora Tássia Rabelo, doutora em Ciência política e professora da Universidade Federal da Paraíba. O Conselho de Ética analisou nesse período, nove casos, e todos foram arquivados. Nas câmaras de vereadores, inúmeros casos são noticiados e muitos mais sequer são denunciados.

Nas eleições temos a cota obrigatória de 30% nas chapas parlamentares, mas a maioria das candidatas não recebem o mesmo tratamento que os candidatos homens, em estrutura de campanha, recursos financeiros e prioridade na eleição. Em campanha ou eleitas, sofrem ameaças, xingamentos e são desmerecidas, submetidas a questionamentos sobre a vida privada, aparência física, forma de se vestir e assédio sexual.

Precisamos urgentemente alterar essa realidade para garantir a maior presença das mulheres na política. A Lei 14.192, já em vigor, define e pune a violência política contra a mulher. Fazer cumprir a lei é um grande desafio, ela precisa ser divulgada e sair do papel. Determina que “estão proibidas a discriminação e a desigualdade de tratamento por gênero ou raça em todas as instâncias de representação política e no exercício de funções públicas”. Assediar, humilhar, perseguir ou ameaçar mulheres para dificultar sua campanha ou o exercício do mandato agora é crime, com pena de um a quatro anos de reclusão e multa.

É uma ótima lei, representa o reconhecimento e a tipificação da violência política de gênero. As mulheres precisam saber que a lei existe e denunciar. Cabe fazer cumprir e aplicar as penas, não deixando que a impunidade a desmoralize. As autoridades podem começar respondendo à pergunta “Quem mandou matar Marielle Franco” e punindo exemplarmente os culpados.

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17
Mar22

"É preciso proteger nossas mulheres eleitas"

Talis Andrade

Comitê Suprapartidário lança manifesto em apoio à | Política

 

 
 
 
Manuela Manu Manuela d'Ávila
 
 
Manuela
Cairão um por um! Valter Nagelstein foi condenado a dois anos de reclusão e poderá ficar inelegível após áudio racista contra a bancada negra de Porto Alegre nas últimas eleições. Racistas não passarão!

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Absurdo! Enquanto lotamos as ruas no #AtoPelaTerra contra o pacote da destruição, foi aprovada a urgência do projeto que quer liberar a mineração em terras indígenas. Não podemos recuar, cobre seu deputado para que esse PL seja derrotado na Câmara! #PL191Nao
Porto Alegre terá ato pela vida e fora Bolsonaro no | VariedadesIndígenas do RS e de SC se unem à mobilização nacional | Variedades
 

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A aprovação do projeto que quer liberar a mineração em terras indígenas é um grande retrocesso para o Brasil. Vamos pressionar nossos deputados! #PL191Nao

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Minha solidariedade a , que recebeu uma nova ameaça de morte. É preciso proteger nossas mulheres eleitas.
A trajetória e lutas de Erika Hilton, estrela da capa digital da Vogue em  dezembro - Vogue | atualidades
Não consigo contar o nº de vezes que fui agredida no mercado ou na rua por conta de mentiras e ameaças. Há 8 anos, eu sinto medo por mim e pelos meus.Algumas quedas servem para provocar alegria, nossa ou a dos outros...
 
Eu lembro a primeira vez em que fui agredida por causa de uma fakenews: era 2014. Eu estava tomando café com meu marido e um menino olhou para mim e passou a me agredir por conta de uma notícia mentirosa publicada num perfil de Twitter e num site que mentia ser de humor.Se necessário, Manuela D'Ávila reafirma que abrirá mão de candidatura pela  esquerda | A TARDE
Mas eu ando nas ruas de cabeça erguida porque sei quem sou e o que defendo e sei quem são os mentirosos que me atacam. Já esse deputado tem medo de sair na rua porque descobriram exatamente quem ele é.Mamãe falei teme bobagens que disse sobre STF - Blog da Cidadania
 
Ontem escrevi esse fio. Logo depois, o Presidente em pessoa, sem intermediários, passou a me atacar em suas redes. Tipo confissão de culpa. Ficou nervosinho, né? Vai trabalhar! 
Alma Preta - A fome de literatura de Maria Carolina de Jesus rendeu a venda  de 100 mil cópias da obra o “Quarto de Despejo” na década de 60. Com o  texto,تويتر \ 🎗Dilma Resistente على تويتر: "A Carolina de Jesus, apesar de  criança, tem muita sabedoria no que diz! #LulaLivre #Resistencia101Dias  https://t.co/r1s5f7KJyd"
Olha só quem já saiu da gráfica! Que lindo  esse livro é tão importante, tão potente, tão transformador. Quarta-feira desembarco no Rio de Janeiro para autografar toda a pré-venda. Aproveita pra levar com frete grátis e presente no site: leitura.com.br/sempre-foi-sob

A atual política de preços da Petrobras é a responsável pela alta dos preços? Entendam nesse vídeo! O completo está no canal:

 
Quatro anos da morte de Marielle e nosso país ainda exige saber quem mandou matá-la!!!
Da mesma maneira, as sementes de Marielle florescendo são esperança de que podemos ser um país mais próximo daquilo que ela sonhou e lutou.
Eu olho sua imagem e penso em Dona Marinete, em Anielle, em sua filha Luyara. Penso nas mesas de domingo com a imensidão de sua ausência. Penso em Monica. Desejo que meu carinho e solidariedade chegue até cada uma delas.Image

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