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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

07
Mai20

Peça 4 – mídia e coerência

Talis Andrade

Ernesto-Araujo chanceler.jpg

 

IV - Xadrez de Moro e a mídia no país dos arrivistas

por Luis Nassif
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Não se atribua a incoerência ao público. Mesmo o homem comum cobra coerência das pessoas. É essa cobrança que inibe o arrivismo, que causa vergonha e, assim, dificulta as mudanças de posição e garante um mínimo de comportamento ético dos entes públicos.

Mas, para cobrar coerência, há a necessidade da informação isenta. E esse produto não é oferecido pela mídia.

Analisem-se políticos que se tornaram referência na redemocratização, especialmente José Serra, Fernando Henrique Cardoso e Aloysio Nunes.

Ser contra o PT faz parte do jogo político. Já abdicar de princípios é uma questão de caráter, é a marca do arrivista.

Quando os ventos mudaram, a social democracia de José Serra cedeu lugar ao candidato raivoso, que acusava a adversária de “matar criancinhas” e que aparecia na campanha eleitoral entrando na casa humilde, abrindo um exemplar da Bíblia e rezando com a família.

Como chanceler, tornou-se o Ministro que tentou comprar votos de países, para interferir na escolha da presidência do Mercosul, alimentando a guerra fria contra a Venezuela. Só parou quando a Lava Jato chegou nas contas da família, provocando problemas de coluna.

O mesmo fez Aloysio Nunes, assumindo o Ministério das Relações Exteriores e atropelando regras históricas de não-intervenção em problemas internos de outros países. Antes disso, participou da vergonhosa pantomima de ir com o ínclito Aécio Neves à Venezuela, para cobrar democracia.

Agora, Aloysio é convidado a assinar um manifesto de ex-chanceleres ao lado de pessoas sérias, como Celso Lafer, Rubens Recupero, Celso Amorim

No entanto, ambos – Serra e Aloysio – alimentaram a guerra fria que, depois, veio resultar em Ernesto, o idiota. Mas qual a diferença? Apenas o fato de Ernesto ser idiota.

bolsonaro ernesto parafuso solto.jpg

 

 

 

05
Mai20

Peça 3 – o arrivismo na história

Talis Andrade

camisas bozo.jpg

 

III - Xadrez de Moro e a mídia no país dos arrivistas

por Luis Nassif
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O arrivismo é uma tradição ancestral brasileira, um fenômeno profundamente incrustado na própria formação política e cultural do país. Uma análise das grandes figuras da nacionalidade comprova a tese.

Não houve personagem mais execrável que Rui Barbosa. Como Ministro da Fazenda foi capaz de jogar a jovem República em uma crise quase terminal – o Encilhamento – para enriquecer jovens financistas arrivistas, de quem se tornaria sócio. Como advogado, traiu sua cliente – sinha Junqueira -, mudou de lado e espalhou o Fake News de que ela encomendava assassinatos ao jagunço Dioguinho. Todas as baixarias de Rui foram varridas para debaixo do tapete da história, para permitir a consolidação da imagem do “águia de Haia”,  o “civilista”, o homem que “ foi para a Inglaterra ensinar inglês”.

José Bonifácio, o patriarca da Independência, para mim era o Benjamin Franklin brasileiro, o sábio iluminista que conduziu o jovem imperador rumo ao seu destino manifesto. Agora, a biografia do patriarca, por Mary Del Priore revela o mesmo destino manifesto dos grandes construtores da nacionalidade: o arrivismo, a busca da boquinha.

Onde estão as raízes desse arrivismo? Provavelmente no modelo de estado português, na origem das grandes fortunas tradicionais, a partir das sesmarias. É o país em que os posseiros do século 19 se tornaram quatrocentões de hoje, sempre submetidos à única medida de julgamento: o sucesso pessoal.

Qual a diferença deles do velho da Havan ou do dono do Madero? Apenas o lustro social trazido pelas gerações posteriores. (Continua)

 

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