Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

30
Jul19

Governador cavalo batizado do Rio ameaça prender maconheiro nas praias e deixa soltos os milicianos

Talis Andrade

neilima queiroz laranja.jpg

neilima queiroz.jpg

 

 

Coragem para prender miliciano não tem não. Bandido bom é bandido morto pé-rapado. Bandido de colarinho branco, bandido que veste farda, que tem escritório do crime, que devasta o que resta da Mata Atlântica para contruir prédios, compra toda proteção dos três poderes. Prova que o Fabrício José Carlos de Queiroz continua intocável no Rio das Pedras. 

Para prender Queiroz falta polícia, apesar de correr o boato de que virou arquivo morto.

O governador Wilson Witzel prometeu nesta terça-feira, 30, levar para a Delegacia de Polícia todas as pessoas flagradas fumando maconha em espaços públicos da cidade do Rio de Janeiro.

Quem usa droga na praia comete um crime. Embora a pena prevista na Lei Antidrogas, que foi alterada em 2006, não é mais uma pena privativa de liberdade. Quem fuma maconha na praia e usa substâncias entorpecentes tem que ser imediatamente conduzido à delegacia. Da delegacia para o juiz", declarou Witzel, durante um evento no Palácio Guanabara.

O governador de extrema-direita disse também que "quem fumar maconha vai se submeter aos rigores da lei". "Nós já sabíamos que acontece no Rio de Janeiro, eu já havia solicitado à polícia providências. Mas, por incrível que pareça, havia dúvidas de como proceder. Graças a Deus, com minha formação jurídica, eu disse o seguinte: apreende, leva para a delegacia, vai fazer o fichamento porque é crime. Está no artigo 28. Depois conduza ao juiz para audiência. Eu vou acertar com o Tribunal de Justiça os procedimentos.”

Que desperdícios de poder e de dinheiro. No Canadá, no Uruguai, o comércio é livre. 

O uso da erva para fins terapêuticos é legalizado em mais de 20 países, incluindo o Brasil desde 2014. Há casos em que um país, mesmo não legalizando por completo, libera a maconha para consumos pessoal e terapêutico, são os casos da Alemanha, Bélgica e Jamaica. 

 

 

29
Jul19

E agora que também fale o Queiroz

Talis Andrade

No Brasil, existe hoje um personagem que já se tornou famoso, que saído do nada acabou sendo não o hacker, e sim o confidente e amigo da família do atual presidente

bandeira laranja bolsonaro.jpg

laranja bolsonaro.jpg

neilima queiroz laranja.jpg

neilima queiroz.jpg

Fabrício-Queiroz- jair Bolsonaro-.jpg

Pescaria de Queiroz e Bolsonaro

Hoje os que andam no Brasil à caça das conversas pessoais dos homens do Judiciário e dos outros poderes o fazem mais para ganhar dinheiro, e os jornalistas cumprem seu dever de publicá-las, já que sua missão é a de vigiar os atos dos que governam ou distribuem justiça.

Entretanto, no Brasil, existe hoje um personagem que já se tornou famoso, que saído do nada acabou sendo não o hacker, e sim o confidente e amigo da família do atual presidente da República, Jair Bolsonaro. Do pai e de seus três filhos, todos políticos eleitos pelo voto. Refiro-me ao subtenente-PM aposentado Fabricio José Carlos Queiroz, amigo pessoal do presidente há 30 anos. Foi seu motorista e seu agente de defesa pessoal. A amizade com o pai se transferiu para os filhos, sobretudo o mais velho deles, o hoje senador Flávio Bolsonaro, então deputado estadual no Rio.

O obscuro personagem Queiroz acabou acumulando os segredos da família Bolsonaro e virando ao mesmo tempo o seu maior pesadelo. Através das acusações de corrupção que pesam sobre ele, acabou comprometendo a família Bolsonaro, que o usou não só como chofer como também o elevou a chefe de assessoria do então deputado Flávio. Era ele que fazia e desfazia dentro do seu gabinete e o que contratava assessores fantasmas, vindos do submundo das milícias que hoje dominam o Rio e se incrustaram no Estado.

Queiroz, que levou a Justiça a abrir uma investigação sobre o senador Flavio Bolsonaro, depois interrompida pelo Supremo, foi também chamado a depor à polícia, mas se negou (prestou explicações apenas por escrito) e desapareceu. O medo infundido por esse personagem, anônimo durante toda sua vida, é que ele deve guardar muitos dos segredos da família do hoje presidente e de suas relações com as milícias do Rio. Basta recordar que foi Queiroz quem levou para o gabinete do então deputado Flavio Bolsonaro a mãe e as duas filhas de um dos personagens que aparecem como envolvidos no assassinato da jovem ativista de esquerda Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes. Trata-se do capitão Adriano Magalhães, um dos líderes do grupo miliciano Escritório do Crime e suspeito de ter participado do assassinato. [Adriano Magalhães continua foragido desde janeiro último. Tal como Queiroz, ninguém sabe se está vivo ou morto]

marielle-e- pistoleiros.png

 

As relações estreitas entre a família Bolsonaro e as milícias, junto com seus segredos ainda por revelar, passam pela sombra de Queiroz, que conhece como ninguém e de perto, quase como um confessor, os pecados e virtudes dos Bolsonaro. Daí a suspeita de que seu desaparecimento, sem que nem sequer tivesse sido interrogado pela polícia, seja a demonstração de que Queiroz se tornou uma sombra perigosa que acompanha o presidente e sua família. É verdade que Bolsonaro afirmou em uma entrevista à Veja que “ninguém mais do que eu quer a solução desse caso o mais rápido possível”. Entretanto, não parece crível que a polícia, que em poucos dias conseguiu deter os supostos hackers das conversas privadas do juiz Moro e dos procuradores que trabalhavam com ele, ainda não tenha sido capaz de encontrar o desaparecido Queiroz.

adriano magalhães da Nóbrega .png

adriano magalhães da nóbrega.jpg

adriano flávio queiroz.jpg

Capitão Adriano, senador Flávio Bolsonaro e Queiroz

 

Tem razão a gente das ruas ao se perguntar nas redes e jornais, quase zombeteiramente: cadê o Queiroz, e por que ele não fala? Por que a polícia não resolve um caso dessa gravidade? Medo do quê? São medos que não só não se conjugam com a democracia e o Estado de direito como também a sujam e aviltam, ao mesmo tempo em que envenenam e dividem a sociedade.

queiroz_sid.jpg

queiroz sumiço.jpg

 

O presidente, que assumiu para si o lema bíblico “A verdade vos salvará”, deverá demonstrar, sem esperar mais, que a verdade do caso Queiroz, que pesa sobre ele como a espada de Dâmocles, saia à luz do sol. Sem isso, não se iluda, dificilmente ele terá chances de se reeleger e até se arrisca a não acabar o mandato.

A sombra do assassinato de Marielle ainda sem resolver, mais perigosa hoje morta do que viva, e o desaparecimento do confidente Queiroz, um personagem que conserva muitos segredos, podem poluir não só a democracia, mas também a convivência já difícil e inflamada dos brasileiros que se mostram cansados de fazer perguntas ao poder, do qual recebem só silêncios. Silêncios que gritam mais forte que todas as promessas goradas de reconstruir um novo Brasil. E menos em paz. [Transcrevi trechos. Leia mais no El País]

ratos queiroz.jpg

 

28
Fev19

ARQUIVO REAPROVEITADO Perícia mostra que condenações são pré-estabelecidas, diz Lula em pedido ao STF

Talis Andrade

amarildo lula .jpg

 

Por Fernando Martines

ConJur - A defesa do ex-presidente Lula pediu nesta quinta-feira (28/2) ao Supremo Tribunal Federal que seja juntada uma perícia ao processo do sítio de Atibaia. O trabalho feito pelo Instituto Del Picchia sustenta que a juíza Gabriela Hardt copiou trechos da sentença do então juiz Sergio Moro no caso do triplex do Guarujá.

 

Para o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente, a perícia mostra que a juíza, que substituiu Moro no comando da "lava jato", não julgou o caso. Apenas formalizou uma condenação pré-estabelecida, num processo de "fordização de decisões condenatórias". 

 

O parecer pericial, feito por Celso Mauro Ribeiro Del Picchia, diz que existem provas de forma e de conteúdo da cópia. No primeiro caso, paridades de cabeçalhos e rodapés, determinações das margens, a extensão das linhas, os espaçamentos interlineares e entre parágrafos, as fontes e seus tamanhos, os títulos e trechos destacados em negrito e centralizados. 

 

Quanto ao conteúdo, ressalta a existência de trechos repetidos e até mesmo um ponto no qual a juíza Gabriela Hardt cita o "apartamento", quando estava julgando o caso do sítio. A confusão seria com a outra ação penal em que Lula foi condenado, que envolve um apartamento no Guarujá, em São Paulo. O pedido de inclusão da perícia foi feito à ministra Carmén Lúcia. 

 

"Como se vê, o parecer técnico em questão evidencia, de uma vez por todas, que os processos envolvendo o reclamante [Lula] não estão sendo propriamente julgados nas instâncias inferiores; ao contrário, ali estão sendo apenas formalizadas decisões condenatórias pré-estabelecidas, inclusive por meio de aproveitamento de sentenças proferidas pelo ex-juiz da Vara, símbolo do programa punitivo direcionado. Fala-se de algo mais profundo que a fordização das sentenças judiciais", afirma os advogado no pedido.

 

Lula foi condenado a 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, na ação penal que envolve o sítio Santa Bárbara, em Atibaia. Para a magistrada, embora o processo não discuta a propriedade do imóvel, o fato de a família do ex-presidente frequentá-lo é equivalente a tê-lo recebido como forma de suborno.

copia-de-sentencas-.jpg

 

Crítica à Ajufe 


Na petição, a defesa de Lula também reclama de nota divulgada pelo Associação dos Juízes Federais (Ajufe). A entidade de classe criticou a estratégia de se chamar um perito para analisar as semelhanças das decisões.

 

"Será que advogados não podem mais se valer de auxílio de um perito para esclarecer um aspecto técnico relevante para a defesa?", critica Zanin, na petição. "É razoável que uma associação com enorme representatividade na magistratura federal se posicione dessa forma diante de um ato legítimo no exercício da advocacia? Aliás, o MPF também questionou a mesma sentença em tela sem que a Ajufe tenha feito qualquer pronunciamento a esse respeito."

Clique aqui para ler o pedido e aqui para ler a perícia

 

tolice copia.jpg

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub