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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

25
Ago21

Se viúva do capitão Adriano da Nóbrega delata Bolsonaro sua vida acaba

Talis Andrade

MEDO DE MORRER - O ex-capitão do Bope e Julia Lotufo: a viúva do miliciano continuava foragida até o fechamento desta edição -

O capitão do Bope e Julia Lotufo, a viúva do miliciano 




por Vinícius Segalla e Igor Carvalho /Brasil de Fato 
 
O ex-presidente da escola de samba Vila Isabel, Bernardo Bello Pimentel Barbosa, acusado de ser um dos sócios do Escritório do Crime, se reuniu com o empresário Eduardo Vinícius Giraldes Silva, para tentar evitar que fosse delatado por Julia Mello Lotufo, viúva do miliciano Adriano da Nóbrega e sua atual esposa. No encontro, Bello recomendou que não citasse algum membro da família do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“Imagina se essa menina denuncia o Bolsonaro falando ‘olha só, o meu ex lá (Adriano da Nóbrega) estava todo dia com fulano de tal’. Ela vai foder com o cara. Ok, pode até foder. Mas vão acabar com a vida dela de verde, amarelo, azul e branco”, alerta Bello, sem especificar qual membro da família do presidente mantinha encontros diários com o miliciano.
 

O diálogo faz parte do encontro que ocorreu dentro de um carro, em frente ao prédio onde mora Giraldes, na Barra da Tijuca. O Brasil de Fato teve acesso à gravação - de uma hora e 11 minutos - do encontro. A fonte que entregou o áudio à reportagem não quis informar a data da reunião. Trata-se de um fato, porém, que a conversa ocorreu após o dia 26 de abril e antes do dia 17 de agosto deste ano. Estavam dentro do veículo, além de Giraldes e Bello, Pablo Barra Teixeira, advogado do empresário.

Em outro trecho, Bello explica a Giraldes como Júlia Lotufo deveria organizar o seu depoimento. “Então, se ela chegar e falar ‘não, eu sei isso aqui...ah, não vou fazer isso aqui’, ela está fodida, porque nego vai agarrar ela até o inferno. Vão falar ‘o cara deitava na cama e te confidenciava’. Ela tem que chegar e falar ‘olha só, meu ex-marido era um louco, um lunático, um capitão do Bope totalmente maluco, que deitava na cama e a única coisa que ele fazia comigo, quando fazia, era me dar oi e tchau’.”

A tentativa de Bello foi em vão. Segundo a revista Veja e o portal R7, Lotufo apresentou, no dia 7 de julho deste ano, uma proposta de delação premiada ao Ministério Público do Rio de Janeiro. No documento, ela acusaria o ex-presidente da Vila Isabel de ser sócio de Adriano da Nóbrega no comando do Escritório do Crime, organização que abriga assassinos de aluguel e é acusada de ter executado a ex-vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), em março de 2018.

Na proposta de delação, de acordo com as publicações dos órgãos de imprensa, Lotufo confirma que houve a reunião dentro do carro, em frente ao prédio onde o casal mora. Imagens do sistema de segurança do condomínio mostram o encontro e foram anexadas ao processo.

Julia Lotufo é acusada de participar de um esquema de lavagem de dinheiro e cumpre prisão domiciliar. A Polícia Civil mantém uma viatura na frente do prédio da viúva de Adriano da Nóbrega por 24 horas, para garantir sua segurança.

Os Bolsonaro e Adriano da Nóbrega

A família do presidente é citada em mais duas oportunidades na conversa. No segundo trecho, Bello argumenta com Giraldes que considera a situação de Julia Lotufo “complicada”, pois seu caso teria sido politizado, justamente pela relação de Adriano da Nóbrega com o clã Bolsonaro.

“É óbvio que o inferno astral que está acontecendo na vida dela é política, cara. É porque querem, de qualquer jeito, caçar os caras lá, a família que está no poder e, infelizmente, o ex-marido dela (Adriano da Nóbrega) tem envolvimento com os caras”, explica Bello.

Na última vez em que falam sobre a família Bolsonaro, Bello cita o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ). O ex-presidente da Vila Isabel começa falando da dificuldade em tirar o nome de Julia Lotufo do noticiário.

“A parada dela ali é politica, cara. É 100% política. Você já viu algum defunto ficar tanto tempo no jornal? Quanto tempo o Adriano morreu? Até hoje, ele sai. Teve Fantástico outro dia. Por que ele está tanto no jornal?”, pergunta Bello. Giraldes responde: “Porque envolve, sei lá, o nome do presidente.”

“Então pronto, cara. Envolve o porra do Queiroz, que o Adriano era junto. O Queiroz fazia a rachadinha do Flávio Bolsonaro e quem quer foder mais o Bolsonaro? A imprensa, cara”, sentencia Bello.

Entre os membros da família, Flávio Bolsonaro é quem teve mais proximidade com Adriano da Nóbrega. Em depoimento ao Ministério Público do Rio de Janeiro, o senador admitiu que o miliciano foi seu instrutor de tiro e que o conheceu através de um ex-assessor, Fabrício Queiroz, que é acusado de ser o operador de um esquema de rachadinha no gabinete do parlamentar.

Em seu mandato na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), quando era deputado estadual, Flávio Bolsonaro empregou Danielle Mendonça, ex-esposa de Nóbrega, e Raimunda Magalhães, mãe do miliciano, que foi morto em fevereiro de 2018, durante troca de tiros com a Polícia Militar da Bahia.

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Em 2005, Flávio Bolsonaro, ainda deputado estadual, condecorou Adriano da Nóbrega, na Alerj, com a Medalha Tiradentes, maior honraria do estado. Na época, o ex-policial cumpria pena e já havia sido preso preventivamente por homicídio.

Ameaça de morte

O encontro entre Eduardo Giraldes e Bernardo Bello foi organizado por Pablo Teixeira, que atendeu a um pedido de seu cliente. O empresário afirma ter escutado que o ex-presidente da Vila Isabel pretendia assassiná-lo.

“O que me deixou muito assustado é que não é uma vida minha, minha vida é totalmente oposta, entendeu? Eu não mexo com contravenção, com máquina, com nada, eu ando pela Barra (da Tijuca), todo mundo me conhece e eu mal te conhecia mesmo”, explica Giraldes. “Começou uma porrada de fofoca que tu ia me matar. Juro pra tu. Tu ia me matar, ia me prender, que eu sou um filho da puta. Eu? O que eu tenho a ver com essa história? Nada.”

Bello conta que soube que Giraldes visitou um amigo em comum da dupla, o ex-policial militar Adriano Maciel de Souza, o Chuca, que perdeu uma perna após ser baleado em um atentado no dia 30 de janeiro deste ano.

“Então, eu vou te explicar onde você entra na história. Há mais ou menos um mês atrás, dez pra mais, dez pra menos, um amigo em comum de nós três aqui (Chuca), procura um amigo meu e (fala) ‘pô, irmão, papo ruim demais’. Eu falei ‘o que foi?’. ‘Pô, o cara (Eduardo Giraldes) que tá namorando lá, casado lá com a viúva (Julia Lotufo), esteve aqui comigo e falou que a viúva quer enfiar o pau no teu cu e te foder inteiro, vai te arregaçar e falar um monte de merda com teu nome’. Eu falei: ‘O quê?’. Tô contando alguma mentira?”, pergunta Bello.

Intimidado, Giraldes é sucinto na resposta. “Essa parte eu não sei”. Bello retruca. “Você esteve com o rapaz que eu estou falando, que perdeu a perna?”. “É meu amigo há 20 anos...Mas isso eu nunca falei”, conclui o empresário.

Irritado, Bello sobe o tom com Giraldes. “Minha vontade é pegar você e ir lá na casa dele e falar ‘irmão, repete aí o que você falou’. Então, ele tomou uns tiros e ficou louco? Perdeu a perna ou a cabeça? Ele perdeu a perna ou o cérebro?”, pergunta.

Chuca estava com seu segurança quando foi baleado, dentro de um carro blindado. O veículo teria recebido, ao menos, 25 tiros de calibre 556. Um inquérito da Divisão de Homicídios, de 2014, aponta o ex-policial militar como membro de uma quadrilha trabalhava com máquinas de caça-níquel e jogo do bicho no Rio de Janeiro.

O defunto e a viúva

Durante a conversa, Giraldes revela como se aproximou de Lotufo, após ajudar a escondê-la, enquanto ela fugia da polícia, logo após a morte do miliciano, seu ex-marido. “O Adriano (da Nóbrega) morre em fevereiro. Logo em seguida, eu esbarro com ela no … (inaudível) ... Fratelli (restaurante no Rio de Janeiro)” recorda. “Ela estava morando na casa da mãe. Eu tinha um apartamento meu que estava, porra, vazio. Eu falei ‘fica lá’. Sem maldade, sem nada. Pô, como tu vai cantar uma viúva que chorava 24 horas?”

O empresário segue falando da relação com Lotufo e explica que ela está com depressão. Segundo Giraldes, a viúva de Adriano da Nóbrega toma sete remédios. “Ela fica dopada, é covardia”. “Ela pode tomar remédio por tudo no mundo. Ela só não pode tomar remédio por uma coisa, por minha causa, porque eu nunca quis o mal dela e nunca vou querer”, garante Bello.

Em outro trecho, Giraldes decide explicar como lida com a relação da esposa com as memórias e segredos de Adriano da Nóbrega. “Isso daí, Bernardo, é uma dor que é dela, eu não posso ficar tocando. Todo mundo tem a curiosidade, normal, para entender a história. Eu não tenho. Começa esse assunto, ela falando dele, eu me levanto. Não sei quem era segurança, não sei quem matava, não matava, quem roubava, quem fazia o caralho, quem fazia prédio, eu não sei. Porque eu não pergunto e eu acredito que ela não deva saber, porque o Adriano era uma pessoa que não falava.”

Antes de se despedirem, Giraldes explica a rotina do casal e os cuidados com Julia Lotufo. “Bernardo, a tornozeleira dela nunca descarregou, irmão, eu não deixo. Eu pego, boto na tomadazinha, igual celular. Não mexo. Para não ter uma vírgula (de erro com a Justiça). Dizem que tem que ficar três horas, ela fica seis”, encerra.

Condenado

Casado com Julia Lotuffo, Giraldes é um empresário conhecido no Rio de Janeiro. Em terras fluminenses, já usou sua marca de azeite, o Royal, para patrocinar os quatro clubes considerados grandes no estado: Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense. Além do Atlético-MG, de Belo Horizonte. 

Giraldes investe, também, no carnaval do Rio de Janeiro. O empresário patrocina alguns camarotes na Sapucaí, por onde passam jogadores de futebol, cantores, atores, entre outros famosos. 

Mas de onde viria tanto dinheiro? Segundo o Ministério Público Federal, Giraldes integra uma quadrilha de clonagem de cartão de crédito. Em 2016, o empresário foi condenado, em primeira instância, a 8 anos e 3 meses de prisão por associação criminosa, furto mediante fraude, furto qualificado e falsificação de documento. 

Em agosto de 2020, a condenação foi mantida, mas a pena reduzida para 5 anos e 10 meses de reclusão. O passaporte de Giraldes foi apreendido pela Polícia Federal. Para sair do país, o empresário precisa solicitar uma autorização da Justiça.

Outro lado

Brasil de Fato não conseguiu contato com Eduardo Giraldes e Julia Lotufo, ou mesmo seus advogados. A defesa de Bernardo Bello não quis comentar. Caso se manifestem, a matéria será atualizada.

Leia mais:

Marido de viúva de Adriano da Nóbrega afirma que gastaria R$ 12 milhões para casal sair do país

Viúva de Adriano da Nóbrega aponta versão sobre mandantes de assassinato de Marielle Franco

 

30
Jul19

Governador cavalo batizado do Rio ameaça prender maconheiro nas praias e deixa soltos os milicianos

Talis Andrade

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Coragem para prender miliciano não tem não. Bandido bom é bandido morto pé-rapado. Bandido de colarinho branco, bandido que veste farda, que tem escritório do crime, que devasta o que resta da Mata Atlântica para contruir prédios, compra toda proteção dos três poderes. Prova que o Fabrício José Carlos de Queiroz continua intocável no Rio das Pedras. 

Para prender Queiroz falta polícia, apesar de correr o boato de que virou arquivo morto.

O governador Wilson Witzel prometeu nesta terça-feira, 30, levar para a Delegacia de Polícia todas as pessoas flagradas fumando maconha em espaços públicos da cidade do Rio de Janeiro.

Quem usa droga na praia comete um crime. Embora a pena prevista na Lei Antidrogas, que foi alterada em 2006, não é mais uma pena privativa de liberdade. Quem fuma maconha na praia e usa substâncias entorpecentes tem que ser imediatamente conduzido à delegacia. Da delegacia para o juiz", declarou Witzel, durante um evento no Palácio Guanabara.

O governador de extrema-direita disse também que "quem fumar maconha vai se submeter aos rigores da lei". "Nós já sabíamos que acontece no Rio de Janeiro, eu já havia solicitado à polícia providências. Mas, por incrível que pareça, havia dúvidas de como proceder. Graças a Deus, com minha formação jurídica, eu disse o seguinte: apreende, leva para a delegacia, vai fazer o fichamento porque é crime. Está no artigo 28. Depois conduza ao juiz para audiência. Eu vou acertar com o Tribunal de Justiça os procedimentos.”

Que desperdícios de poder e de dinheiro. No Canadá, no Uruguai, o comércio é livre. 

O uso da erva para fins terapêuticos é legalizado em mais de 20 países, incluindo o Brasil desde 2014. Há casos em que um país, mesmo não legalizando por completo, libera a maconha para consumos pessoal e terapêutico, são os casos da Alemanha, Bélgica e Jamaica. 

 

 

29
Jul19

E agora que também fale o Queiroz

Talis Andrade

No Brasil, existe hoje um personagem que já se tornou famoso, que saído do nada acabou sendo não o hacker, e sim o confidente e amigo da família do atual presidente

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Pescaria de Queiroz e Bolsonaro

Hoje os que andam no Brasil à caça das conversas pessoais dos homens do Judiciário e dos outros poderes o fazem mais para ganhar dinheiro, e os jornalistas cumprem seu dever de publicá-las, já que sua missão é a de vigiar os atos dos que governam ou distribuem justiça.

Entretanto, no Brasil, existe hoje um personagem que já se tornou famoso, que saído do nada acabou sendo não o hacker, e sim o confidente e amigo da família do atual presidente da República, Jair Bolsonaro. Do pai e de seus três filhos, todos políticos eleitos pelo voto. Refiro-me ao subtenente-PM aposentado Fabricio José Carlos Queiroz, amigo pessoal do presidente há 30 anos. Foi seu motorista e seu agente de defesa pessoal. A amizade com o pai se transferiu para os filhos, sobretudo o mais velho deles, o hoje senador Flávio Bolsonaro, então deputado estadual no Rio.

O obscuro personagem Queiroz acabou acumulando os segredos da família Bolsonaro e virando ao mesmo tempo o seu maior pesadelo. Através das acusações de corrupção que pesam sobre ele, acabou comprometendo a família Bolsonaro, que o usou não só como chofer como também o elevou a chefe de assessoria do então deputado Flávio. Era ele que fazia e desfazia dentro do seu gabinete e o que contratava assessores fantasmas, vindos do submundo das milícias que hoje dominam o Rio e se incrustaram no Estado.

Queiroz, que levou a Justiça a abrir uma investigação sobre o senador Flavio Bolsonaro, depois interrompida pelo Supremo, foi também chamado a depor à polícia, mas se negou (prestou explicações apenas por escrito) e desapareceu. O medo infundido por esse personagem, anônimo durante toda sua vida, é que ele deve guardar muitos dos segredos da família do hoje presidente e de suas relações com as milícias do Rio. Basta recordar que foi Queiroz quem levou para o gabinete do então deputado Flavio Bolsonaro a mãe e as duas filhas de um dos personagens que aparecem como envolvidos no assassinato da jovem ativista de esquerda Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes. Trata-se do capitão Adriano Magalhães, um dos líderes do grupo miliciano Escritório do Crime e suspeito de ter participado do assassinato. [Adriano Magalhães continua foragido desde janeiro último. Tal como Queiroz, ninguém sabe se está vivo ou morto]

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As relações estreitas entre a família Bolsonaro e as milícias, junto com seus segredos ainda por revelar, passam pela sombra de Queiroz, que conhece como ninguém e de perto, quase como um confessor, os pecados e virtudes dos Bolsonaro. Daí a suspeita de que seu desaparecimento, sem que nem sequer tivesse sido interrogado pela polícia, seja a demonstração de que Queiroz se tornou uma sombra perigosa que acompanha o presidente e sua família. É verdade que Bolsonaro afirmou em uma entrevista à Veja que “ninguém mais do que eu quer a solução desse caso o mais rápido possível”. Entretanto, não parece crível que a polícia, que em poucos dias conseguiu deter os supostos hackers das conversas privadas do juiz Moro e dos procuradores que trabalhavam com ele, ainda não tenha sido capaz de encontrar o desaparecido Queiroz.

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Capitão Adriano, senador Flávio Bolsonaro e Queiroz

 

Tem razão a gente das ruas ao se perguntar nas redes e jornais, quase zombeteiramente: cadê o Queiroz, e por que ele não fala? Por que a polícia não resolve um caso dessa gravidade? Medo do quê? São medos que não só não se conjugam com a democracia e o Estado de direito como também a sujam e aviltam, ao mesmo tempo em que envenenam e dividem a sociedade.

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O presidente, que assumiu para si o lema bíblico “A verdade vos salvará”, deverá demonstrar, sem esperar mais, que a verdade do caso Queiroz, que pesa sobre ele como a espada de Dâmocles, saia à luz do sol. Sem isso, não se iluda, dificilmente ele terá chances de se reeleger e até se arrisca a não acabar o mandato.

A sombra do assassinato de Marielle ainda sem resolver, mais perigosa hoje morta do que viva, e o desaparecimento do confidente Queiroz, um personagem que conserva muitos segredos, podem poluir não só a democracia, mas também a convivência já difícil e inflamada dos brasileiros que se mostram cansados de fazer perguntas ao poder, do qual recebem só silêncios. Silêncios que gritam mais forte que todas as promessas goradas de reconstruir um novo Brasil. E menos em paz. [Transcrevi trechos. Leia mais no El País]

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28
Fev19

ARQUIVO REAPROVEITADO Perícia mostra que condenações são pré-estabelecidas, diz Lula em pedido ao STF

Talis Andrade

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Por Fernando Martines

ConJur - A defesa do ex-presidente Lula pediu nesta quinta-feira (28/2) ao Supremo Tribunal Federal que seja juntada uma perícia ao processo do sítio de Atibaia. O trabalho feito pelo Instituto Del Picchia sustenta que a juíza Gabriela Hardt copiou trechos da sentença do então juiz Sergio Moro no caso do triplex do Guarujá.

 

Para o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente, a perícia mostra que a juíza, que substituiu Moro no comando da "lava jato", não julgou o caso. Apenas formalizou uma condenação pré-estabelecida, num processo de "fordização de decisões condenatórias". 

 

O parecer pericial, feito por Celso Mauro Ribeiro Del Picchia, diz que existem provas de forma e de conteúdo da cópia. No primeiro caso, paridades de cabeçalhos e rodapés, determinações das margens, a extensão das linhas, os espaçamentos interlineares e entre parágrafos, as fontes e seus tamanhos, os títulos e trechos destacados em negrito e centralizados. 

 

Quanto ao conteúdo, ressalta a existência de trechos repetidos e até mesmo um ponto no qual a juíza Gabriela Hardt cita o "apartamento", quando estava julgando o caso do sítio. A confusão seria com a outra ação penal em que Lula foi condenado, que envolve um apartamento no Guarujá, em São Paulo. O pedido de inclusão da perícia foi feito à ministra Carmén Lúcia. 

 

"Como se vê, o parecer técnico em questão evidencia, de uma vez por todas, que os processos envolvendo o reclamante [Lula] não estão sendo propriamente julgados nas instâncias inferiores; ao contrário, ali estão sendo apenas formalizadas decisões condenatórias pré-estabelecidas, inclusive por meio de aproveitamento de sentenças proferidas pelo ex-juiz da Vara, símbolo do programa punitivo direcionado. Fala-se de algo mais profundo que a fordização das sentenças judiciais", afirma os advogado no pedido.

 

Lula foi condenado a 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, na ação penal que envolve o sítio Santa Bárbara, em Atibaia. Para a magistrada, embora o processo não discuta a propriedade do imóvel, o fato de a família do ex-presidente frequentá-lo é equivalente a tê-lo recebido como forma de suborno.

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Crítica à Ajufe 


Na petição, a defesa de Lula também reclama de nota divulgada pelo Associação dos Juízes Federais (Ajufe). A entidade de classe criticou a estratégia de se chamar um perito para analisar as semelhanças das decisões.

 

"Será que advogados não podem mais se valer de auxílio de um perito para esclarecer um aspecto técnico relevante para a defesa?", critica Zanin, na petição. "É razoável que uma associação com enorme representatividade na magistratura federal se posicione dessa forma diante de um ato legítimo no exercício da advocacia? Aliás, o MPF também questionou a mesma sentença em tela sem que a Ajufe tenha feito qualquer pronunciamento a esse respeito."

Clique aqui para ler o pedido e aqui para ler a perícia

 

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