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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

13
Jun21

Bolsonaro é a crise sanitária

Talis Andrade

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por Cristina Serra

- - -

Jair Bolsonaro é como o vampiro de um conto de terror, insaciável em sua sede de sangue. Ele deu prova disso, mais uma vez, ao tentar flexibilizar o uso de máscaras. Para a imensa maioria da população brasileira, que não pode se dar ao luxo do trabalho em casa e é obrigada a sair em busca do pão de cada dia, a máscara e o álcool em gel são as duas únicas medidas de proteção, enquanto não tem vacina para todos e, sabidamente, existe o risco de reinfecção.

Como fazer distanciamento social em ônibus, trens e metrôs lotados? Com o nível de contaminação no Brasil, falar contra o uso de máscaras é, praticamente, tentativa de homicídio. Bolsonaro se esmera em confundir e desinformar. Esse aspecto do descontrole da pandemia entre nós foi destacado pelo médico sanitarista Cláudio Maierovitch e pela microbiologista Natália Pasternak, em depoimento à CPI da Covid. Desinformação mata. 

Ambos assinalaram que uma pandemia só pode ser controlada com grande esforço coletivo. Daí a necessidade de campanhas permanentes de informação e esclarecimento. Bolsonaro faz o contrário. Estimula a população a ser agente de propagação da doença. 

Bolsonaro é a crise sanitária. Cada vez que abre a boca, alastra a praga, pulveriza nuvens de pestilência, espalha veneno. É como um experimento altamente tóxico que escapou aos controles do laboratório. Mas, no comando do genocídio, ele não está sozinho. Tem o inacreditável suporte do Conselho Federal de Medicina, que deveria estar na vanguarda da defesa da ciência e da população, mas que advoga uma genérica “autonomia médica”. Lava as mãos covardemente. Vai ficar por isso mesmo ? 

Quem ganhou dinheiro com a falcatrua do “tratamento precoce” também é cúmplice da carnificina. Essa é uma linha de investigação a ser aprofundada pela CPI. Bolsonaro tudo faz para derrubar o nosso sistema imune, em múltiplos sentidos. O risco que corremos é o de uma septicemia.

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13
Jun21

Posições formais da Marinha e Aeronáutica dificultam pretensões golpistas de Bolsonaro

Talis Andrade

247 - O jornalista Janio de Freitas observa, em sua coluna na Folha de S. Paulo, que “são diferentes as posições formais da Marinha e da Aeronáutica, idênticas, e a do Exército, ante os acontecimentos políticos, o governo e a própria Constituição”. Para ele, “esse tem sido e será ainda mais, se mantido, um fator decisivo para a sobrevivência atual e futura da custosa democracia à brasileira”. 

“Faltam indícios da existência, ou não, de custo interno para a Aeronáutica e a Marinha. Se algum há, está bem contido e vale a pena. Para todos os efeitos constitucionais, políticos e de ordem, a estrita dedicação nas duas Forças ao profissionalismo militar tem sido um empecilho ao fechamento do circuito golpista”, avalia.

No texto, Janio ressalta que “para as intervenções na vida política e nos regimes, a unidade das Forças Armadas foi o redutor de riscos excessivos aos resultados pretendidos. Na golpeada segunda metade do século passado, por uma única vez o Exército ousou agir sozinho contra o poder constituído”. 

“Por menos que sejam conhecidas as ideias vigentes na Aeronáutica e na Marinha, e por mais que as práticas da política as desagradassem, o silêncio e a distância que mantêm são sugestões de não endosso a Bolsonaro”, analisa o jornalista.

“Com o silêncio e a distância, Marinha e Aeronáutica estão como configurações militares do regime constitucional democrático. Nunca estiveram com a história tão depositada em seus navios, seus aviões e, comprovem-na, sua dignidade”, finaliza.

 
12
Jun21

Presidente entra em voo comercial no ES e ouve gritos de ‘genocida’, ‘fora genocida’

Talis Andrade

Presença do presidente Bolsonaro em voo comercial no Espírito Santo gerou confusão (Foto: Reprodução)

Presença do presidente Bolsonaro em voo comercial no Espírito Santo gerou confusão 

 

 

Mandatário respondeu ao protesto dizendo que quem grita 'fora, Bolsonaro' deveria andar de jegue

O presidente Jair Bolsonaro surpreendeu passageiros ao entrar, na tarde desta sexta-feira (11), num avião comercial que estava parado no aeroporto de Vitória, no Espírito Santo.

Alguns passageiros gritaram “fora, Bolsonaro” e o chamaram de genocida. Outros, o apoiaram com gritos de “mito”.

Após ser hostilizado, ainda dentro da aeronave, o presidente respondeu ao protesto.

“Quem fala ‘fora Bolsonaro’ deveria está de jegue viajando, não de avião. É ou não é? Para ser solidário com o candidato deles”, disse o presidente.

Reinaldo Azevedo
Na política, existem as mentiras que salvam e as que matam. Minha coluna na desta sexta.
As contadas por Bolsonaro ainda agridem instituições e ferem princípios civilizatórios

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O amor pelo “Mito” é como a eficácia da cloroquina contra a Covid: só existe “in vitro”, no tubo de ensaio da bolha. Ao entrar num avião, estava num organismo vivo, sem o controle da tropa. E aí foi o que se viu. E olhem que os muito pobres, que mais o rejeitam, nem estavam no avião.

jegue.jpgA resposta de Bolsonaro àqueles que protestaram - “deveriam andar de jegue, não de avião” - é preconceituosa: contra nordestinos pobres. O NE concentra o maior número desses animais. São usados na lavoura e como montaria. Sentido de sua fala: “Avião não é lugar para pobre”

sem destino.jpgO tal “Acelera pra Cristo” de Bolsonaro, a motociata, vai sortear uma motocicleta. É uma mistura de Cristo, motocicleta e programa de auditório. Tudo temperado pela imoralidade inata. Deve ser uma comemoração pelas 500 mil almas que a política homicida de Saúde já encomendou.

 STF acolhe o formalismo contra os fatos; povo à mercê do vírus e do verme. A Copa América — que será disputada no Brasil por decisão clara, explícita e confessa do governo federal — AUMENTA O RISCO DE DOENÇA. Na live de todas as quintas, já com a votação no Supremo definida,

mato no peito.jpgBolsonaro barbarizou como nunca, certo de que ninguém lhe põe mesmo limites. E aprendeu mais uma: pode fazer o diabo e até anunciar que fez. Basta não assinar nenhum papelucho e não será importunado pelo Supremo.

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03
Jun21

Manuela o amor e a solidariedade

Talis Andrade

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Manuela no Twitter

Manuela
Minha solidariedade ao que está sofrendo ataques por ter indicado livros progressistas em uma celebração religiosa nas suas redes sociais. O amor e a solidariedade vão vencer o ódio, e você é um exemplo de que isso é possível 
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Há um ano, o menino Miguel, de 5 anos, foi vítima da negligência de Sarí Corte Real, ex-patroa de sua mãe, Mirtes, e caiu do 9º andar de um residencial em Recife. O caso segue sem conclusão. Exigimos #justiçapormiguel

Em depoimento à CPI, Drª Luana Araujo fala sobre o delírio de quem defende o tratamento precoce.

No Dia da Imprensa, Bolsonaro resolveu novamente atacar jornalistas. Dessa vez, @DanielaLima_ foi o alvo. Minha solidariedade à Daniela e todos jornalistas que tentam fazer seu trabalho em meio a esse caos de desinformação e violência contra a imprensa e seus profissionais.Sob ataque virtual, Daniela Lima vira 'Bonner da CNN Brasil'Um pai da escola de Laura (cuja identidade Conhecemos o que torna tudo ainda mais cruel) tirou uma fotografia de Laura e a entregou para os grupos que distribuem ódio nas redes. A partir disso, todo o submundo da internet passou a usar a imagem dela para nos agredir.Manuela D'Ávila: "Decidi, no próximo ano, combater redes de notícias falsas  e de conteúdos de ódio"

São muitos anos de violência. Como vocês sabem, quando laura ainda era um bebê de colo, foi agredida fisicamente em função de uma mentira distribuída amplamente na internet. De lá pra cá, muitas coisas aconteceram.Livro: Manuela D'Ávila lança "Revolução Laura" em São Luís - Ed Wilson  Araújo
Mas nenhuma jamais havia envolvido sua escola e algum pai de colega. Foi devastador lidar com isso. Ver a imagem sendo usada por toda essa gentalha que vive as nossas custas, diz que é político e só faz o mal, foi uma violência imensaMANUELA D'ÁVILA LANÇA “REVOLUÇÃO LAURA” EM BH : site Gui Torres
Poucos dias depois chegaram as ameaças de estupro para ela (que tem cinco anos!!!) e nova ameaça de morte para mim. A Polícia já acompanha o caso. O que é evidente que não diminui o medo, a tristeza, a culpa por ver as pessoas que mais amo submetidas a essa gente inescrupulosa.Manuela D'Avila lança livro em Teresina e fala sobre fake news -  Cidadeverde.com
São anos vivendo assim. A gente mal toma ar de uma agressão e vem a próxima. Mas quando a gente respira, a gente lembra que tem um mundo pra mudar. Que tem um genocida no governo. Que tem mãe enterrando filho e filho enterrando mãe. Que tem criança trabalhando. Se todos os dias tenho vontade de desistir, todos os dias me lembro das imensas razões que temos para continuar.Manuela d'Ávila: Vencendo a batalha ao lado de Laura – Blog do Renato
 Não conheço Manuela pessoalmente. Ouso usar fotos de Laura. Que sou um jornalista, nascido em 37, que estudou nas principais universidades do mundo, e professor de jornalismo dirigiu vários jornais e foi líder sindical, e começou a profissão ainda adolescente na imprensa estudantil e no jornal de festa do interior. Nada mais lindo, e perfeito e grandioso e santo que o amor de mãe. Rezo no Corpos Christi
Então disse Jesus: "Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas". -- Mateus 19:14
 
@ManuelaDavila
 A Ministra Cármen Lúcia acaba de autorizar abertura de inquérito para investigar denúncias contra Ricardo Salles. O Ministro do meio ambiente é investigado por advocacia administrativa, obstrução de investigação ambiental e organização criminosa. #ForaSallesImage
Bolsonaro sentiu o poder das ruas e seu pronunciamento cheio de mentiras só mostra que esse Brasil com recorde de vacinados existe só na cabeça dele #ForaBolsonaro
Bolsonaro, que diversas vezes negou a vacina, agora quer se gabar por sermos um dos países que produz o imunizante. O mundo já sabe que o Brasil está nas mãos de alguém que sabotou as medidas de combate à pandemia.
Ontem à noite, em um debate, me perguntaram se eu não sinto vontade de desistir. Sim, eu sinto. Todos os dias. Ao contrário do que muitos pensam, a violência política está cada vez mais intensa. O último mês foi muito agressivo e me impactou muitíssimo.Image
Manuela D'Ávila luta por um 'feminismo amoroso' e vem parar na lista |  PublishNews
31
Mai21

Gilmar Mendes protesta contra repressão em Pernambuco e a violência das PMs: "Até quando?"

Talis Andrade

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes usou as redes sociais para criticar a “truculência e brutalidade” empregada pela Polícia Militar de Pernambuco para reprimir manifestantes que participavam de um ato contra Jair Bolsonaro no sábado (29).

“As cenas de truculência e brutalidade da ação policial em Recife causam imensa preocupação com o despreparo das forças para lidar com manifestações de grande porte, que tendem a se tornar frequentes em 2022. Dois homens que sequer manifestavam perderam um olho. Até quando?”, escreveu Gilmar Mendes no Twitter.

POLÍCIA NAZISTA. Daniel Campelo da Silva, 51 anos, foi alvejado no olho esquerdo por uma bala de borracha disparada por um policial do Batalhão de Choque. Ele sequer participava do protesto, mas perdeu o globo ocular e a visão.Desempregado Jonas Correia de França, 29 anos, é atingido por tiro pela PM no Recife e perdeu a visão do olho direitoDesempregado Jonas Correia de França, 29 anos, é atingido por tiro pela PM no Recife e perdeu a visão do olho direito 

 

A ação da Polícia Militar aconteceu quando o ato já estava próximo do fim e os manifestantes começavam a se dispersar. Os policiais do Batalhão de Choque atiraram bombas de gás e balas de borracha, além de  utilizarem spray de pimenta, contra a multidão. 

O adesivador Daniel Campelo da Silva e o arrumador Jonas Correia de França, que não participavam da manifestação, foram atingidos no rosto por balas de borracha disparadas por policiais militares e perderam a visão em um dos olhos. Image

Liana Cirne Lins
É necessário estabelecer novas diretrizes, rígidas, sobre como deve se conduzir a polícia em atos pacíficos.
LULADILMA 2022 
@DaysePirralha
Vereadora denunciando com Coragem, a PM que a Atacou, no Recife. precisa tomar atitudes Enérgicas contra os PMs e o Comandante da Instituição. Isso não vai ficar assim! #LianaSimEleNao #29MForaBolsonaro

Claudio Monteiro
O que tem que acontecer, a OAB precisa se posicionar, já que o MP está acovardado e nada faz, esses policiais deveriam serem expulsos e que hajam leis severas contra o abuso de autoridade e que sejam penalizados com cadeia, a polícia não é paga para agredir ninguém!Image
 
 
21
Mai21

Pouca vacina e muita cloroquina os males do Brasil são

Talis Andrade

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por Alex Solnik

- - -

Números não mentem jamais.

Desde o dia em que assumiu até o dia em que foi gentilmente defenestrado, período de dez meses, Pazuello, mais que ministro da Saúde foi o ministro da cloroquina, o que está devidamente registrado em posts, lives e imprensa em geral e em protocolos por ele assinados.

Os dois primeiros ministros da Saúde da era pandêmica foram para a rua por se recusarem a adotar a cloroquina como tratamento contra o coronavírus, exigência de Bolsonaro, o único líder mundial que se transformou em curandeiro na maior pandemia dos últimos 100 anos.

De 12 de março de 2020 – quando morreu o primeiro brasileiro - até 20 de maio de 2020 – cinco dias depois de Pazuello assumir o ministério, interinamente – 5.363 brasileiros haviam morrido de covid-19. Até 21 de março de 2021 – seis dias depois de Pazuello ser demitido – foram a óbito 294 mil.

Se a cloroquina tivesse alguma eficácia, o número de óbitos deveria ter caído e não aumentado mais de 40 vezes.

Nesses mesmos dez meses fatídicos as vacinas foram solenemente ignoradas por Bolsonaro e seu ministro de estimação, sob os argumentos mais canhestros, como preço, falta de medidas legais, desconfiança, soberania, efeitos colaterais adversos

Enquanto esse pesadelo acontecia no Brasil, países mundo afora – como Israel, Reino Unido, Canadá, Estados Unidos e até o Chile, para não sairmos da América Latina – compraram vacinas em meados do ano passado, como era de esperar de estados que têm como prioridade proteger seus cidadãos e a essa altura do campeonato apresentam números declinantes de casos e de mortes porque já vacinaram mais da metade da população.

Se for necessário exibir mais provas de que vacinas salvam, basta olhar os Estados Unidos.

Enquanto o presidente foi Trump – que comprou vacinas, mas era um notório negacionista e saiu da presidência quando a vacinação apenas engatinhava – o país chegou ao pico de 5 mil mortos em 24 horas; hoje, com a vacinação em massa liderada por Biden, caiu para em torno de 300.

A estupidez, a arrogância e o obscurantismo continuam, no entanto, a prevalecer em nosso país. Bolsonaro e seu ministro não compraram vacinas quando foram ofertadas e agora a vacinação está devagar, quase parando, enquanto o chefe da nação continua promovendo a cloroquina.

E matando nossos conterrâneos e a nossa economia.

 

14
Mai21

É a narrativa, estúpidos?

Talis Andrade

por Fernando Brito

- - -

Não é preciso puxar muito pela memória e ver como a tropa de choque bolsonarista na CPI e o próprio presidente da República usam, agora, a palavra “narrativa” para minimizar ou desqualificar os fatos escandalosos que surgem agora aos borbotões, revelando os absurdos e safadezas que habitam o círculo próximo a Jair Bolsonaro: filhos, entourage militar, fundamentalistas religiosos e adeptos da picaretagem pseudofilosófica.

Mas, se o leitor fizer um pequeno exercício de memória verá que, a rigor, imundícies e estupidez nunca faltaram neste governo e, de alguma forma, tiveram divulgação pela mídia. Isto é, não ficaram escondidos como, por exemplo, os abusos e violações da Lava Jato, os quais a mídia esmerou-se em exilar do noticiário, até que os diálogos da Vaza Jato começaram a revelá-los cruamente. Não foi assim com Bolsonaro e, desde as rachadinhas, passando pelas ameaças antidemocráticas e as fogueiras amazônicas, tudo era exposto, sem lhe provocar grandes danos de popularidade.

As notícias negativas, simplesmente, “não colavam” ou, ao menos, não com a gravidade que tinham. Bolsonaro tinha o tal “efeito teflon”.

Mas, desde o final do ano (e do auxílio-emergencial) o fio aparentemente virou.

Virou por dos “B”: o bolso e o braço, à espera de vacina.

A soma da perda de renda e da elevação dos preços, notadamente o dos alimentos, começou o boca a boca. Eu próprio, saindo muito pouco de casa, nas raras idas ao supermercado, ouvi as reclamações espontâneas que ligavam Bolsonaro à alta de preços. Semanas atrás, um homem me disse, do nada, diante da prateleira onde se vendia óleo de soja (e a mais de R$ 7) saiu-se com o “precisamos tirar este cara de lá rápido”. O homem do ferro velho, semana passada, me apontou o depósito vazio e comparou: “na época do Lula isso aqui estava cheio”.

Cheias estão, agora, as calçadas e hoje, na Globonews assisti a insólita informação de que, com a queda do movimento, os restaurantes têm menos restos de comida a serem revirados pelos moradores de rua. É inevitável que se considere este “Datafolha da sarjeta” para interpretar as mudanças políticas.

O braço também ficou vazio. Ao contrário do que cria Bolsonaro, que a vacina seria rejeitada e a cloroquina santificada, a discussão sobre imunização – recordem-se dele e Pazuello duvidando de que “haveria demanda”? – passou a ser uma realidade prática, o que tornou concreta a realidade de falta de doses para a população. Ao mesmo tempo, o país entrava numa escalada de mortes pela doença que, embora agora ligeiramente atenuada, está, teme-se, em vias de ser retomada, pelo aumento de casos de infecção, ainda que sem os testes que, como anuncia a Folha, serão incinerados por perda de validade.

Não é “terceira via” ou a “escolha difícil” reeditada agora pelo Estadão em opor o atraso ao retrocesso’ o que está na cabeça da população.

É a sobrevivência, alimentar e sanitária, que ocupa e preocupa o pensamento coletivo.

Não é por acaso que Lula, que sabe entrar sem ficar dentro da “bolha” da política, escolhe o auxílio emergencial e a vacina como núcleos de suas raras falas públicas, com o que busca evitar uma superexposição e dar combustível para que se acene com a mesma tônica antipetista que se levantou em 2018.

A “narrativa” da qual tanto reclamam os bolsonaristas não seria nada sem a realidade dos fatos e sem que se despertasse a sensibilidade das pessoas para eles.

E isto é a política, não a mera construção de uma narrativa ideológica ou de conchavos e articulações partidárias. Vem-me sempre à mente a frase que ouvi de Brizola sobre ideologia: é como um radar, que ajuda a gente a não se perder nos nevoeiros, mas quando o tempo limpa podemos por o olhar a nos guiar e sabermos se estamos no rumo certo.

Quando não se perde a ligação com a população, nem que seja ficando 580 dias encarcerado, não se perde o rumo, mesmo que possa se voltar em todas as direções.

12
Mai21

Bolsonaro passou o trator no Congresso

Talis Andrade

UFRJ vai fechar por falta de recursos

orcamento secreto.jpg

Hildegard Angel no Twitter
 
Hildegard Angel
@hilde_angel
Bolsonaro passou o trator no Congresso brasileiro, deixando um rastro de grana na lama.

tratorasso genildo.jpg

Hildegard Angel
Lira do Delírio
#DilmaGuerreira
@DilmaGuerreira_
Arthur Lira: “Não há clima para impeachment “.
Só Lira levou 114 milhões do #Bolsolão
Tirem suas conclusões

tratoraço vaccari.jpgOra essa! Um governo que passa o trator em 39kg de cocaína, em 89 mil do cheque pra Michele, em 6 milhões da mansão em Brasília, em 105 reais do botijão de gás, em 15 mil de leite condensado, em 3 bi para comprar o Centrão, também passa trator tranquilo em picanha de 1.799 reais

Oportunista. Se viesse o comunismo, como eles anunciam, mudava o nome para 'o véio da Havana'

André Rocha
Eu me dou o direito de ter nojo do dono da Havan. Um sujeito que perdeu A MÃE para a Covid e segue por aí sem máscara, apoiando um genocida miliciano por conveniência. Que teve a cara de pau de colocar uns kg de comida nas lojas para abrir como "serviço essencial". Escória.

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Hildegard Angel
Guedes, querendo atacar os governos do PT, compara servidor público a militante político. Mas quem aparelhou o governo foram eles, como nunca. E pior: com desqualificados, incultos, milicianos digitais, ignorantes e Militares despreparados para as funções.
Guedes compara servidor público a militante político
"Poderíamos, assim como outros governos, estar abrindo concursos públicos, colocando gente para dentro, para aparelharmos o Estado", disse Guedes
brasil247.com

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O IMPACTO do fechamento da UFRJImage

A UFRJ vem sofrendo sucessivos cortes que parecem querer inviabilizar a ciência. Em 2020, o orçamento era de R$ 386 milhões. Agora, caiu para R$ 299 milhões e, destes, apenas R$ 146 milhões estão disponíveis. bit.ly/3nNDYky

Correio Braziliense
@correio
UFRJ vai fechar por falta de recursos, anuncia reitora. Segundo Denise Pires de Carvalho, não há mais verbas para a universidade carioca seguir funcionando. Contas de água e luz já não estão sendo pagas bit.ly/33zEfy7
 
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09
Mai21

Jacarezinho - O controle social através de um mandado de execução

Talis Andrade

 

carro polícia civil.jpg

 

O Estado é o principal produtor dos bandidos que agora quer exterminar

 

por Ricardo Nêggo Tom

- - -

Essa é a primeira vez que fico sem saber por onde começar um texto. Não por desconhecer o tema, mas pelo excesso de possibilidades disponíveis para desenvolvê-lo. Excesso de possibilidades que soube ser “bem” explorado na operação realizada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro na favela do Jacarezinho, e que resultou na morte de 28 pessoas. Para tentar começar, é preciso lembrar à sociedade que nenhuma operação policial, para qualquer que seja a finalidade ou sob quaisquer condições, pode resultar na morte de 28 pessoas. Principalmente, quando ela é realizada por uma polícia investigativa e não operacional.

Seguindo o fio, gostaria de analisar as declarações do Delegado responsável pela operação e do Secretário de Polícia Civil do RJ, que tenta nos oferecer uma narrativa extraída da polpa do bolsonarismo. O primeiro, critica o que ele chama de “ativismo judicial” da esquerda, sugerindo que tal ideologia é a responsável pela proliferação do crime no país. O segundo, apela para a mais hipócrita das abstrações sociais pregadas pelas forças de segurança do estado. A defesa do cidadão de bem. Neste caso, a defesa da infância e da adolescência que estava sendo recrutada pelo tráfico de drogas daquela comunidade.

Ao tentar polarizar politicamente a discussão em torno da legalidade da operação que comandou, o delegado usa dos mesmos argumentos simplistas que o seu “mentor” intelectual, o presidente da república Jair Bolsonaro.  Se fosse inquirido a responder o porquê de as comunidades dominadas pela milícia, não sofrerem uma operação semelhante, responderia: “E o Lula?”, num lapso temporal que o seu direito penal particular classificaria de: “Jurisprudência Moroniana” Alinhar os discursos é um pacto entre o estado e suas forças de segurança. E quando o estado é fascista, essas forças tendem a servi-lo com mais fidelidade, porque foram forjadas sob um viés fascista.

O Secretário de Segurança declara que a operação foi em defesa dos direitos humanos, porque visava salvar a vida de crianças e adolescentes que estavam sendo roubadas pelos traficantes. Desde quando o estado se preocupa em salvar a vida de crianças pobres, pretas e periféricas? Muitas delas estão nas ruas, com fome, sem assistência e sem nenhuma perspectiva de futuro, porque o estado as ignora. E, infelizmente, o que o estado não faz, o tráfico faz por elas, oferecendo uma "oportunidade", talvez a primeira e a única de suas vidas, para que elas garantam, da pior forma possível, a própria subsistência. Essa é a triste realidade.

Será que esta sanguinária operação conseguiu acabar com o tráfico de drogas na comunidade? Será que a partir de agora, as crianças do Jacarezinho serão acompanhadas pelo Estado e terão o seu futuro assegurado pelo mesmo? Por que, então, esse mesmo estado mantém as escolas públicas propositalmente sucateadas, sem recursos e sem investimentos, quando elas poderiam ser o principal refúgio dessas crianças contra o aliciamento do crime organizado? Quer você queira ou não queira, o Estado é o principal produtor dos bandidos que agora quer exterminar. Uma declaração dada por um então deputado federal, corrobora com o que escrevo aqui.

“Não adianta nem falar em educação porque a maioria do povo não está preparada para receber educação e não vai se educar. Só o controle da natalidade pode nos salvar do caos”. Essa declaração foi dada por Jair Bolsonaro em 2008. Dez anos depois, a sociedade o elegeu presidente da república. A chacina ocorrida no Jacarezinho passa por essa declaração e por outras mais polidas que tem o mesmo significado. É melhor matar, do que educar. Por coincidência, um dia antes do massacre comandado pela Polícia Civil, o autor desta frase esteve reunido a portas fechadas com o Governador do estado. Significa alguma coisa?

Significa que, não tendo interesse no desenvolvimento social da população pobre, preta e periférica, e sabendo que ela poderá se tornar um grave problema de segurança pública, o estado usa as forças de segurança para reprimir qualquer tentativa de reação que essa população insinue esboçar, no sentido de reivindicar os seus direitos como cidadãos. O que houve no Jacarezinho foi uma demonstração de poder. E isso é um procedimento diário, só que em proporções menores do que ocorreu. E não é só bandido que está submetido a esse procedimento. São os pobres (em sua maioria negros) de um modo geral. É um manter de cabeça baixa aqueles que o estado precisa oprimir, para não perder o controle.. Parece loucura, mas o inimigo é criado para continuar justificando o controle e a opressão social. 

Defender bandido não faz parte da minha ideologia. A eles, a lei e a punição que ela manda aplicar. Mas, até onde se saiba, não há pena de morte na nossa legislação. O que nós vimos acontecer no Jacarezinho foi o cumprimento de um mandado de execução. De onde partiu a ordem, não é muito difícil deduzir. Principalmente, se considerarmos o fato de o STF ter proibido operações policiais em comunidades durante a pandemia. Quem vive às turras com o Supremo, confrontando as decisões dos ministros da corte e instigando o seu gado a atacá-los? Esquece! Deve ser apenas coincidência. 

E o genocídio continua...

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