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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

06
Fev24

Transparência jateada, por Carol Proner

Talis Andrade

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A decisão de Dias Toffoli, determinando a investigação da ONG Transparência Internacional, vai na linha do que já fizeram outros países

 

por Carol Proner

O Brasil tem direito de rever os métodos da Operação Lava Jato com forma de fazer justiça a empresas, empregos e ao desenvolvimento nacional profundamente prejudicado. Com o fim de aperfeiçoar o combate à corrupção, o país tem o dever, por meio das instituições democráticas, de reavaliar e ponderar os esquemas da Lava Jato e seus efeitos lesivos.
 
Considerada pelo Ministro do STF, Gilmar Mendes, como sendo a maior fraude jurídica da História, a responsabilização e a reparação de direitos violados são imperativos para evitar que a constrangedora farsa se repita.
 
É preciso responsabilizar não apenas o famoso ex-juiz e os histriônicos procuradores de Curitiba, mas todos os que atuaram nas laterais da operação para garantir que prosperassem fake news a engajar a opinião pública e a instalar uma cultura autoritária de flexibilização das garantias e desrespeito ao devido processo legal.
 
A recente decisão do Ministro Dias Toffoli, determinando a investigação da ONG Transparência Internacional por sua atuação na Lava Jato, vai na linha do que já fizeram outros países, que também questionaram a indevida ingerência de entidades em assuntos de jurisdição nacional para solver problemas de transparência e governança.  
 
Por aqui, até mesmo a Fundação Getúlio Vargas notificou a entidade em sua sede, na Alemanha, acusando a seção brasileira de ter usado mão de obra, expertise e instalações da própria FGV para cumprir memorando firmado com a Lava Jato sem o seu consentimento. Atualmente surgem novas denúncias a questionar a ONG pela falta de isenção e pela opacidade de seus interesses.
 
Entre advogados e especialistas em direito o estranhamento vem de longe. Juristas pela democracia imediatamente questionaram a motivação da entidade, tanto pela colaboração formal escolhida arbitrariamente, como pela exagerada propaganda e dedicação da ONG em promover a Lava Jato no exterior, incluindo prêmios autoatribuídos ou criados sob medida para legitimar a atuação dos procuradores e do juiz herói.
 
Revisitei um artigo que escrevi há 4 anos, publicado no dia 15 de setembro de 2020, com o título: “A ONG Transparência Internacional e a obscura parceria com a Lava Jato”. O texto circulou em diversos portais de notícia e foi escrito quando estávamos às voltas com as revelações da chamada Vaza Jato, quando a Agência Pública e o The Intercept Brasil trouxeram a público as mensagens trocadas entre o procurador Deltan Dallagnol e o diretor-executivo da sede brasileira da ONG Transparência Internacional, Bruno Brandão, sugerindo uma proximidade “pouco transparente” da organização com a Operação Lava Jato. 
 
Os chats, mais tarde reunidos no material da Operação Spoofing da Polícia Federal, mostraram que Deltan Dallagnol tinha relação próxima e frequente com Bruno Brandão e que recorria a ele quando a imagem da operação estava em perigo ou quando precisava promovê-la. A Transparência Internacional chegou a ter acesso ao contrato assinado entre a Força-Tarefa e a Petrobras para a criação da malfadada Fundação da Lava Jato, e mais, fez sugestões ao chefe da Força-Tarefa sobre a minuta do contrato.

No artigo de 2020 mencionei que achava irônico que a entidade tivesse recomendado a Deltan Dallagnol que o Ministério Público Federal não formasse parte do conselho da bilionária Fundação, a ser criada com o dinheiro das multas recolhidas do acordo de leniência da Petrobras. Irônico e trágico para o Procurador, que não deu ouvidos e insistiu em ser o Presidente da nova ONG, privada, mas formada com dinheiro público, e então viu seus planos desmoronarem.

Os dez argumentos que usei há quatro anos para fundamentar a desconfiança com a Transparência Internacional seguem intactos e vou repeti-los:

1- Porque a Transparência Internacional é uma entidade com credibilidade mundial no combate à corrupção, estando presente, por meio de agências, em ao menos 100 países;

2- Porque a Transparência Internacional sempre tomou partido acriticamente pela Lava Jato e atuou nos últimos anos para defender publicamente a operação e seus protagonistas dentro e fora do Brasil, por meio de entrevistas, contatos com a imprensa e publicação de notas de apoio;

3- Porque, e basta procurar em fontes abertas, o então presidente da Transparência Internacional, o peruano José Carlos Ugaz, visitou o ex-juiz Sergio Moro em 2016, esteve na sede do jornal Gazeta do Povo, falou com os procuradores da Lava Jato e outras entidades e, em discursos e publicações, estimulou o prosseguimento das investigações contra as empreiteiras do país, pois seguramente estariam envolvidas em corrupção;

5- Porque Transparência Internacional, imiscuindo-se em temas de política interna, chegou a fazer campanha em sua página web para que o Conselho de Controle sobre Atividades Financeiras, o COAF, ficasse sob controle do ex-juiz e, naquela ocasião Ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, no lugar de ir ao Ministério da Economia – e isso só para mencionar uma das interferências da ONG em assuntos do Brasil, mas são inúmeras, como se pode ver na página da entidade;

6- Porque, e não deixa de ser impressionante a fidelidade da ONG estrangeira a Sérgio Moro, a Transparência Internacional fez nota pública para defender a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça por ocasião da troca de comando na Polícia Federal;

7- Porque tudo isso levanta um imenso alerta a respeito dessas ONGs com nomes insuspeitos e suas verdadeiras intenções em relação ao nosso país;

8- E ainda, porque espantosamente e ignorando tudo que já se sabe sobre a operação Lava Jato, o Ministro do STF Luiz Edson Fachin havia feito, no contexto da Vaza Jato, um relatório ao novo Presidente da Corte defendendo que o trabalho da Lava Jato é pautado pela legalidade;

9- Porque devemos entender, e já são fartas as informações que comprovam, que sob pretexto de combater a corrupção, setores do poder judiciário, do Ministério Público, aliados a meios de comunicação e agências internacionais promoveram o uso do direito com o objetivo de desestabilizar o país política e economicamente;

10- Por fim, porque já passa da hora de tratar a corrupção como um problema sério, recorrente, afeto a qualquer governo, que deve ser combatida permanentemente e com rigor, mas dentro da lei e assegurando garantias para não destruir projetos de vida, biografias, empresas e interesses nacionais.
 
Aos dez argumentos somam-se muitos outros durante os últimos anos. Menciono apenas o mais recente, o fato de que a entidade segue ativa e se sente habilitada – com ecos da mídia de plantão – a julgar a percepção da corrupção no Brasil mesmo os dados estão em dissonância com os relatórios e pareceres de entidades de controle nacional. Refiro-me ao recém-divulgado Índice de Percepção da Corrupção – IPC que diminui a posição do país em 10 pontos no ranking.
 
Estudos mostram que os prejuízos advindos da Lava Jato para o setor da construção civil e para a produção de óleo e gás foram bilionários.  O Brasil perdeu a chance de fazer o bom combate à corrupção e de sanar um problema histórico e sistêmico sem prejudicar o desenvolvimento e os planos econômicos de cara ao futuro.
 
Poderíamos ter feito tudo isso dignificando o papel do Ministério Público e valorizando um judiciário consequente com a preservação das empresas e dos empregos. O que se viu foi uma tremenda falta de estratégia de defesa nacional e, como uma lição bem aprendida, ao menos agora sabemos que defender a estabilidade econômica também passa por cuidar da forma, dos métodos e das garantias jurídicas.

05
Fev24

Toffoli cobra dados sobre a parceria corrupta da Transparência Internacional com a Lava Jato

Talis Andrade

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Ministro do STF diz ser preciso investigar se recursos públicos foram parar na ONG de propaganda de Moro e Dallagnol e quadrilha de procuradores e delegados. Da Petrobras os bandoleiros sacaram mais de 2 bilhões e 500 milhões que foram depositados num fundo sujo da Liga da Justiça da mau falada República de Curitiba

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli mandou investigar se a Organização Não-Governamental (ONG) Transparência Internacional recebeu e administrou parte dos valores obtidos com multas pagas em acordos firmados pela Operação Lava Jato. 

Para justificar a decisão, o ministro afirmou ser "duvidosa" a criação e fundação de uma entidade privada para gerir recursos públicos que vieram de pagamento de multa às autoridades brasileiras.

São assinantes do acordo do fundo os procuradores

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A ong foi criada inclusive para receber da ''vítima'' Petrobras mais de 2,5 bilhões. Dallagnol, inclusive, procurou um juiz que se sentisse ''confortável'' em patrocinar a safadeza. E bem que achou

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Quem chama a Petrobras de ''vítima'' é o procurador ladrão Deltan Dallagnol, hoje empresário e latifundiário. E a juíza Gabriela Hardt se prestou a ser avalista do ''negócio'' sujo da autodenominada Lava Jato com a Petrobras.

A dinheirama foi depositada sim na conta de Dallagnol. Ele malandra e safada e cinicamente confessou

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Publica Daniela Lima que a decisão de Toffoli tem como base uma notícia-crime apresentada pelo deputado federal Rui Falcão (PT-SP), representado pelos advogados Marco Aurélio Carvalho e Fernando Hideo.

O acordo previa que a empreiteira pagasse R$ 8,512 bilhões (US$ 2,543 bilhões, no câmbio da época) ao governo federal, estados, municípios e a autoridades dos Estados Unidos e da Suíça, em até 23 anos. Esses recursos deviam ser aplicados em investimentos sociais.

Agora, Toffoli cobra que sejam apresentados dados sobre como a Transparência Internacional atuou neste período e se geriu parte dos recursos. O ministro determinou que o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) participem da investigação.

Sobre a dinheirama da Petrobras dizem que Alexandre de Moraes destinou um bilhão para educação, outro bilhão para combater a .Covid. Isso aconteceu mesmoQue autoridades receberam a dadivosa grana sem dono?! De qualquer maneira ficam faltando mais de 500 milhões dados de mão beijada e escarrada pela Petrobras sem mando e dono.

 

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06
Nov23

A racionalidade sanguinária da mídia hegemônica e a propagação do genocídio palestino

Talis Andrade

 

por Fernando Lionel Quiroga

O poder quanto a transmissão e duração das ideias e narrativas não se resume à dimensão qualitativa. É preciso um bombardeio para que a ideia “pegue”, não mais por persuasão, mas por coerção, por uma falsa convergência midiática de uma “razão julgada superior”, para usar esta expressão de Gabriel Tarde. Assim, é importante que, no frenesi da troca de plataformas e canais de comunicação em massa, o sujeito se depare com uma programação que é, a um só tempo, diversificada - correspondente aos seus desejos - e única - correspondente aos interesses do poder econômico. As fontes de informação neoliberais não produzem o homem de massa das sociedades de controle descritas por Michel Foucault; agora seu papel consiste em impulsionar a sensação de liberdade como valor supremo do capitalismo avançado. No fundo, essa “diversidade” assegurada pelo vasto repertório publicitário e midiático que levamos em nossos bolsos - o smartphone como religião portátil - não passa de uma ilusão de liberdade. Uma liberdade que desemboca, fatalmente, na vala de um novo tipo de massificação construída por tink tanks à serviço do poder econômico.

A respeito do genocícido que somos obrigados a “engolir” diariamente na Faixa de Gaza, quase como um linchamento público em escala mundial, cuja mensagem é: “permaneçam em silêncio, tirem daqui uma lição”, destacam-se dois aspectos: 1) a falácia da disputa de “narrativas”; 2) o papel da I.A na produção do homem neutral (ou, de modo mais direto, a ameaça à cidadania).

O atual genocídio palestino promovido em Gaza pelo governo israelense - sob a chancela norteamericana - tem sido exemplo do modus operandi midiático, que tem construído uma narrativa enviesada para justificar a tragédia humanitária da região. Como alertou Brian Mier em entrevista ao 247, “estamos vendo uma avalanche publicitária a favor do genocído em Gaza”. O mesmo método que fez desabar uma avalanche criminalizando o Lula e o PT; o mesmo que busca enquadrar o MTST como grupo terrorista; o mesmo que culpabiliza a escola pelos ataques com armas de fogo; o mesmo que demoniza o Estado; o mesmo que quer tampar a pobreza e a desigualdade com a pedra da meritocracia. E, também, sob outro ângulo, o mesmo que alimenta o fetiche patológico norte-americano, que impulsiona a compulsão ao consumo; que substitui a dimensão política pela gestão corporativa, que converte a escola em empresa, que submete as novas gerações à cretinice digital etc.

E há mais. Enquanto a mídia oficial hegemônica - New York Times, Washington Post, Globo, Folha de São Paulo, Estadão, dentre outros -, dão as cartas da formação das almas por meio da construção da opinião pública que deve, finalmente, respingar e espalhar-se pelo senso comum preenchendo boa parte da sociedade, entra outro elemento, desconhecido até então, como força vetorial na formação da opinião e dos novos modos de formação do pensamento. A Inteligência Artificial destina-se ao nefasto propósito de “ensinar a pensar”. Todavia, reconheçamos, é da Inteligência Artificial o caráter grosseiramente neutral, repleto de hesitações, livre da contaminação emocional humana (pensávamos haver superado o positivismo?) asséptico, individualista, impreciso, imparcial, robótico, amoral. A influência que este novo paradigma pode acarretar recai justamente na falência das características centrais da humanidade: decisão; fé; certeza; paixão; coletividade, empatia, vida.

Isto posto, é preciso abrir bem os olhos quando nos deparamos com opiniões de que o que está ocorrendo no Oriente Médio é uma luta de narrativas. Se tudo não passa de narrativa é porque, há um acordo secreto de que as palavras não possuem qualquer vínculo com a verdade, com a vida. Esse distanciamento entre a palavra e a coisa parece nos passar a seguinte mensagem: é que as palavras, no estágio atual do capitalismo, são infinitamente mais perigosas que as próprias coisas. Daí que o cinismo seja a maior representação do “capitalismo genocida” que paira sob o presente século.

Memento geopolítico

 

01
Nov23

Apoie a luta do deputado Renato Freitas contra os que querem calá-lo. Vamos fortalecer o Núcleo Periférico em Curitiba e salvar milhares de vidas

Talis Andrade
 
 
 
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A campanha foi lançada pelo jornalista Eduardo Moreira, com apoio do ICL - Instituto Conhecimento Liberta

 

O deputado estadual no Paraná Renato Freitas (PT) é alvo de novos ataques da extrema direita. A vida do parlamentar, nato de Curitiba, não é fácil. Desde sua jornada como vereador, Freitas é alvo constante dos extremistas, dominantes em seu estado. Os ataques são múltiplos. Ele passa pela quarta tentativa de cassação de seu mandato desde o início de legislatura, em janeiro deste ano. Agora, sua defesa arrolou os ministros Anielle Franco (Igualdade Racial) e Flávio Dino (Justiça) no processo. 

A ameaça da extrema direita é do racista e corrupto presidente da Assembléia Legislativa do Paraná Ademar Traiano de terrível vocação e atuação nazi-bolsonarista. 

Para defender Renato Freitas e sua obra de assistência educacional, cultural e social - no Núcleo Periférico em Curitiba, escreve Gabriel Valery:

A ideia é escancarar a natureza racista de seus processos. Freitas toca seu mandato com palavras que simbolizam sua luta “um de nós”. Preto e periférico, ele é o alvo favorito daqueles que defendem, entre outras coisas, que os atentados bolsonaristas do dia 8 de janeiro foram resultado de “esquerdistas infiltrados”.

A teoria irracional e sem base na realidade tem como defensores no Paraná os que tentam cassar Freitas, Ricardo Arruda (PL) e Ademar Traiano. 

Arruda também tem processo correndo no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná. Contudo, também pesa sobre o bolsonarista denúncia do Ministério Público sobre os crimes de: tráfico de influência, associação criminosa e peculato (enriquecimento ilícito).

Sobre as tentativas de silenciar o jovem deputado, ele mesmo sentencia: censura. “Esses processos realmente restringem a nossa atividade parlamentar. Quando ocorre esse tipo de perseguição, coage a gente. Gasta-se uma energia que poderia estar sendo investida em projetos de lei, por exemplo. Por isso, me sinto censurado”, afirma. Freitas é alvo de críticas frequentes por criticar o governador, bolsonarista Ratinho Jr (PSD), ou até mesmo o empresário radical de extrema direita Luciano Hang.

Já sobre Arruda, Freitas, que é advogado e com carreira pública, aponta uma série de preconceitos. “É racismo primeiro pela forma como Ricardo Arruda se dirige a mim, dizendo ipsis litteris que eu sou funkeiro. E eu não sou exatamente do funk, eu sou do hip hop, que é uma outra cultura. Diz ainda que sou maconheiro, incapaz e bandido. São rótulos que caracterizam uma deturpação racista das nossas imagens. Um estereótipo”, disse, em uma entrevista recente à Folha de S.Paulo.

Renato Freitas vencerá mais uma tentativa de cassação no Paraná do Rato e seu capitão do mato Ademar Traiano

Publica a redação do RBA:

“É preocupante que os donos do poder se utilizem do Conselho de Ética como instrumento de perseguição e abuso de autoridade para tentar censurar quem ousa combater o ódio e a mentira.Uma política de vida se faz com a verdade. E quem fala a verdade não merece castigo”, afirma Renato Freitas.

Das tentativas antidemocráticas da parelha governador Ratinho e presidente Traiano, eles são tão pequenos quanto os vereadores capangas do prefeito Rafael Greca. Prefeito que tem nojo de pobre. Vereadores supremacistas brancos que cassaram o mandato de Renato vereador.

 

A luta do Renato deputado está sob ataque dos poderosos que querem calá-lo, afirma Eduardo Moreira, "coragem do deputado para falar a verdade está incomodando as elites de todo o país.

Mais do que nunca, o Renato precisa do nosso apoio para que essa luta não tenha fim. Ninguém pode impedir a verdadeira transformação social", afirma Eduardo Moreira que anuncia:

"Para isso, vamos fortalecer o Núcleo Periférico em Curitiba e construir o maior Centro de Referência para pessoas em situação de rua de todo o país. Vamos ajudar na revolução que o Renato está levando adiante".

A sua doação irá possibilitar a ampliação da rede que busca fornecer assistência social e atendimentos psicológico, jurídico e médico.

O projeto hoje auxilia egressos do sistema prisional, pessoas em situação de rua ou em situação de desemprego e dependentes químicos.

Já são mais de 300 pessoas na cidade de Curitiba beneficiadas. O projeto luta para oferecer o básico existencial: café da manhã e almoço, banho, kit higiene e uso da lavanderia.

Através do centro, as populações beneficiadas também podem acessar cursos profissionalizantes como aulas de serigrafia, de corte e costura e de padeiro(a).

Eduardo Moreira reafirma: "Com a sua doação, o projeto será ampliado. O Núcleo Periférico pretende construir um Centro de referência para essas populações, e assim salvar a vida de mais pessoas, promovendo a dignidade, a autoestima e um recomeço.

Fortaleça o Núcleo Periférico, a humildade não ocupa espaço".

>>> Quem quiser colaborar com a vaquinha pode acessar este link e participar! 

20
Out23

Hamas e o que as notícias [não] nos contam

Talis Andrade

 

por Mariane Nava

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Uma vez, há muito tempo, durante uma aula de história do ensino médio, um professor falou: “a história é sempre contada pela versão dos vitoriosos”. Isso me marcou e abriu uma infinidade de possibilidades (e perguntas) em minha mente. Se a versão contada é de quem ganhou (seja uma disputa física, ideológica ou até mesmo narrativa), como seria a história aos olhos de quem perdeu?

Talvez pelo interesse na ideia da pluralidade de versões, optei por fazer jornalismo. Afinal, as notícias são ferramentas da história, pequenos fragmentos que retratam um tempo e lugar que – um dia – estarão muito distantes. E é sobre essa versão que possivelmente quem não presenciou os fatos construa o seu imaginário de como foi passado.

Por isso, é necessária a vigilância sobre o que e como são contados os fatos nos jornais. Não apenas por pura crítica, mas sim para desnudar as intenções das publicações, conectá-las ao passado e ponderar as consequências para o futuro.

Afinal, os jornais contribuem para escrever a história e legitimar uma determinada versão em detrimento de outras. E, em se tratando da imprensa hegemônica, é aquela que geralmente melhor se adequa aos interesses dos vitoriosos e poderosos. Já presenciamos centenas de vezes esse processo e estamos tendo a oportunidade novamente, agora com o conflito entre Israel e Gaza.

Se você abrir o portal do Estadão, da Folha, do Globo, de qualquer afiliada ou de pequenos sites que se alimentam das agências de notícia, perceberá uma semelhança: todas aponta o problema ao terrorismo, despertando o gatilho do medo ou da raiva em muitos leitores.

A proposta desse texto não é analisar o problema entre Israel e os Palestinos, mas apontar a unicidade nas vozes no jornalismo a partir das notícias do conflito na faixa de Gaza.

Confesso que quando vi as primeiras notícias sobre os ataques, a primeira coisa que fiz foi pesquisar a história política da antiga Palestina para relembrar a sequência de fatos da criação de Israel: um estado criado em maio de 1948 após décadas de lobby e de campanhas imigratórias promovidas pelos defensores do sionismo – movimento que defendia a criação de um Estado judeu na Palestina como solução ao antissemitismo na Europa. O que forçou os palestinos a sair do território que hoje é Israel e muitos deles se abrigaram na faixa de Gaza, criada em 1949 para esse fim.

No meio disso, é criado o Hamas. Um movimento islamista palestino, de orientação sunita, que surgiu em 1987 e que se intitula o movimento de resistência palestino contra a existência de Israel.

Alguns jornais como a CNN até trouxeram reportagens especiais comentando o que é a faixa de Gaza e as origens do Hamas, mas, ainda assim, possivelmente poucos leitores ou telespectadores façam a conexão entre a criação de Israel, a expulsão dos Palestinos e os ataques.

Grande parte do noticiário está preocupado em atualizar o número de mortos, transmitir o posicionamento dos líderes mundiais, as negociações de um corredor humanitário e etc. Novamente, essas informações são legítimas e necessárias, contudo, o jornalismo não pode mais se pautar apenas por isso, permanecendo na superficialidade e na fragmentação dos fatos.

É necessário manter a atualização dos acontecimentos, mas também é possível trazer especialistas para analisar a situação a partir de uma visão menos pontual. Sendo possível a inserção de hiperlinks e outros materiais interativos que permitam localizar o leitor historicamente e construir uma perspectiva de compreender o que aquele fato significa.

Mas, poucas empresas permitem que os jornalistas “gastem tempo” com isso e menos ainda que ofereçam outros pontos de vista para além das fontes de sempre. O resultado é a permanência de notícias rasas – facilmente copiáveis por agentes da desinformação – e que pouco exploram a complexidade dos fatos.

Mas, navegando sobre o assunto e insatisfeita com a cobertura rasa da grande mídia, encontrei um texto publicado no Intercept [Maior jornal de Israel não culpa o Hamas pelos ataques] que dá pistas interessantes para entender o que está por trás do conflito para além do “pânico terrorista”. No texto de autoria de Andrew Fishman, é apresentada a visão do jornal Haaretz de Israel sobre o conflito, e – surpreendentemente – o periódico apontou as ações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, como a causa do problema.

O texto do Haaretz, citado pelo Intercept, pontua as políticas de “limpeza étnica” marcadas por estupros, assassinatos e pilhagens perpetrada por grupos paramilitares terroristas israelenses em 1948, após a declaração do estado de Israel. E, desde então, a contínua tentativa de extermínio do povo palestino, apoiada, segundo o jornal, por Netanyahu.

Fishman explica: “Esse extremismo da parte de Israel é a causa do surto de violência, não o ‘islamismo’, o antissemitismo ou o ódio irracional. Os israelenses minimamente razoáveis veem isso claramente. Porém, qualquer um que tenha a coragem de dizer o óbvio no Brasil será criticado como apologista do terrorismo, apoiador do Hamas ou antissemita”.

Uma visão bastante distinta do que vemos na grande imprensa brasileira, que parece reduzir a complexidade de uma história milenar a uma sentença: foi um ataque terrorista. E continuar a atualização dos fatos segundo a cartilha do bem x mal… quando, na verdade, a questão não é tão simples assim.

Situação que me fez lembrar a fala do meu professor: “a história é sempre contada pelos vitoriosos” e talvez acrescentar, “muitas vezes, o jornalismo também”.

 
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13
Out23

VÍDEO: Mulher resgatada de Israel pelo governo Lula agradece ao prefeito bolsonarista de Sorocaba 

Talis Andrade

 

Ao desembarcar do avião da FAB, enrolada em uma bandeira do Brasil, repatriada "se esqueceu" que operação de resgate de brasileiros no Oriente Médio foi encampada pelo governo federal

 

por Ivan Longo

Revista Forum

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Uma das brasileiras resgatadas de Israel no primeiro voo de repatriação viabilizado pelo governo Lula, em meio à guerra com o Hamas, chamou a atenção de usuários das redes sociais e telespectadores ao fazer seus agradecimentos por ter retornado ao Brasil. 

Identificada como Mainara da Silva, a repatriada estava no avião da Força Aérea Brasileira (FAB) com outros 210 brasileiros. A aeronave decolou de Tel Aviv no início da tarde de terça-feira (10) e pousou em Brasília na madrugada desta quarta-feira (11).

A maior parte dos passageiros compunha um grupo que foi à Jerusalém fazer turismo religioso, entre eles 3 pessoas de Sorocaba (SP). A prefeitura da cidade do interior de São Paulo, então, enviou um avião particular à capital federal para buscar o trio, entre eles Mainara, que deu uma entrevista ao jornal "Hora 1", da Globo, logo após desembarcar no Dia da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, que Jair Bolsonaro, este ano, esqueceu de celebrar. 

Ao expressar sua felicidade de estar em solo brasileiro, a repatriada agradeceu à prefeitura de Sorocaba pelo resgate, "se esquecendo" que a operação no Oriente Médio foi encampada pelo governo federal.

‘Resgate’ de Manga em Israel vira piada e Sorocaba vai parar no trending topics do Twitter

No geral, as críticas lembram que foi a Força Aérea Brasileira quem trouxe os brasileiros de volta, e que a FAB é comandada pelo presidente Lula, não pelo prefeito de Sorocaba

por Paulo Andrade (Portal Porque)*
 

O “resgate” dos sorocabanos em Israel, armado pelo prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), virou piada nacional e colocou a cidade nos trending topics do Twitter, a lista dos assuntos mais comentados da rede social, nesta quinta-feira (12). No geral, as críticas lembram que foi a Força Aérea Brasileira quem trouxe os brasileiros de volta, e que a FAB é comandada pelo presidente Lula, não pelo prefeito de Sorocaba.

>> Ouça a música que viralizou, satirizando o “resgate” de Manga em Israel

>> Veja a paródia da entrevista da evangélica, que agradeceu Manga pelo avião da FAB 

O máximo que Manga fez foi embarcar, junto com sua equipe de marketing, em um jatinho cedido pela empresa NHR, para buscar alguns moradores da região, inclusive pastores amigos dele, em Brasília, após desembarcarem do voo da FAB.

As críticas ao marketing da “participação” do prefeito de Sorocaba no “resgate” dos brasileiros que estavam na zona de conflito foi parar foi um dos assuntos mais comentados no Instagram, no Facebook e no YouTube, além do Twitter.

Em um dos vídeos, uma influencer com mais de 319 mil seguidores imita a evangélica “resgatada” de Israel, que agradece o prefeito Manga nas entrevistas para as redes nacionais de televisão. A humorista diz que estava em Israel rezando pelo fim do comunismo no Brasil e agradece o prefeito Manga por trazê-la de volta. Uma única repercussão irônica desse vídeo, que se espalhou pelo Brasil, teve 26 mil curtidas e centenas de comentários.

Para o Portal DCM (Diário do Centro do Mundo), “Bolsonarista investigado por corrupção, prefeito de Sorocaba é o herói fake do resgate dos brasileiros de Israel”. Essa foi manchete nesta quinta-feira (12).

 

Dia da Criança ou da Mentira?

“Hoje é Dia da Criança, mas tem gente achando que é Dia da Mentira. Tenho lido nas redes sociais que a vinda de sorocabanos lá de Israel aconteceu por causa da intervenção do Manga. Hahaha. Já existe FAB sorocabana?”, escreveu o jornalista e humorista de Sorocaba, Celso Ribeiro Marvadão, em sua página.

Num outro vídeo, de uma sorocabana notadamente bolsonarista e seguidora do Manga, um dos comentários foi “Não precisa agradecer o Lula. É obrigação dele. Mas inventar um responsável aleatório [Manga] pelo seu resgate pé demais”.

Já em um único canal do You Tube, “Tocamente a frente”, com 222 mil inscritos, o comentarista disse que “rachou o bico” de rir ao assistir o vídeo da sorocabana bolsonarista creditando ao prefeito Manga a volta dela ao Brasil. “É para acabar, galera. Não tem nada a ver [com Manga]. Não querem dar o braço a torcer e dizer que foi o governo Lula que trouxe”.

 

Mais cinco voos da FAB

A logística do Governo Federal, em conjunto com a Força Aérea Brasileira, programou outros cinco voos para resgatar brasileiros em Tel Aviv até o domingo (15), na Operação Voltando em Paz.

Além do marketing que virou “tiro no pé”, o prefeito optou por um lado da guerra, Israel, e até hasteou uma bandeira do país em frente ao Paço Municipal. Em uma matéria do Portal Porque sobre o assunto, uma leitora questionou: “Se era para hastear uma bandeira sobre a guerra, por que não hasteou uma branca, pedindo paz?”

* Colaborou Fábio Jammal Makhoul

10
Out23

Mauro Cid diz que Braga Netto era a ligação entre Bolsonaro e golpistas

Talis Andrade

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por Iram Alfaia

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante ordens de Bolsonaro, delatou que o ex-ministro e candidato a vice na chapa do ex-presidente, o general da reserva Walter Braga Netto, atuou como a ligação entre o capitão e os golpistas que estavam acampados em frente ao Quartel General (QG), em Brasília.

Cid, que assinou um acordo de delação homologado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que o ex-ministro da Defesa “costumava atualizar Bolsonaro sobre o andamento das manifestações golpistas e fazia um elo entre o ex-presidente e integrantes dos acampamentos antidemocráticos”.

Com base nessa delação, a Polícia Federal (PF) está levantando todas as reuniões realizadas entre Bolsonaro, Braga Netto e integrantes das Forças Armadas no fim de 2022.

“Uma das informações analisadas são os registros confidenciais da agenda do ex-presidente, administrados pela Ajudância de Ordens da Presidência. A maioria desses encontros ocorreu no Palácio da Alvorada, onde o ex-chefe do Poder Executivo ficou recluso depois da derrota para Lula nas urnas”, diz o jornal O Globo, que revelou a delação.

O depoimento do general era um dos mais aguardados na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga os atos golpistas do 8 de janeiro, a CPMI do Golpe, por ele ser considerado um dos principais arquitetos da tentativa de golpe que resultou na invasão e depredação dos prédios da Praça dos Três Poderes.

Contudo, não haverá mais depoimento na CPMI que só se reúne no próximo dia 17 quando será apresentado e votado o relatório final.

O vice-líder do governo no Congresso, deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), defendeu a punição dos responsáveis pelos atos.

“SOB SUSPEITA! A Polícia Federal está investigando se o general Braga Netto teria envolvimento e atuação nos atos golpistas do 08 de Janeiro, após delação de Mauro Cid. Seguimos acompanhando e exigindo as devidas punições aos envolvidos nos atos antidemocráticos”, escreveu o deputado na rede social X [antigo Twitter].

O deputado Ivan Valente (PSOL-SP), diz que as digitais bolsonarista nos atos golpistas vão aparecendo.

“Delação de Mauro Cid descreve papel de Braga Netto na trama golpista. Vale lembrar que ele pediu que acampados não perdessem a fé na posse de Bolsonaro. A cúpula bolsonarista envolvida no golpe até o pescoço. Não tem como negar”, disse o parlamentar.

Durante evento do PL em Minas Gerais no dia 28 de agosto último, general Braga Netto afirmou que a direita brasileira está 'forte, unida e sabe para onde vai'.

04
Out23

Acordos sigilosos ainda blindam 'lava jato' e dificultam controle sobre dinheiro

Talis Andrade

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Às escuras, multas bilionárias eram fixadas e parte delas ia para a "lava jato" de Sergio Moro e Deltan Dallagnol

 

TRANSPARÊNCIA ZERO

 

Conjur - Os acordos de leniência e colaboração premiada no âmbito da "lava jato", firmados sem qualquer preocupação com a transparência, continuam ainda hoje em sigilo, o que dificulta o controle sobre a destinação de valores e sobre os cálculos de multas e reparações.

Não parece ser algo acidental. Em vez de ser direcionada à União, excluída dos processos entre 2015 e 2016, parte dos valores fixados nos acordos ia para o próprio Ministério Público Federal, impulsionando seus expoentes e sócios, que capitalizaram politicamente e financeiramente com a autodenominada força-tarefa. 

Passado o tempo, é possível entender que os acordos funcionavam em uma mesma lógica: primeiro, os casos eram artificialmente encaminhados ao ex-juiz e hoje senador Sergio Moro (União-PR), que, embora tivesse competência criminal, atuava em acordos de leniência, temática da área cível.

Depois, já nas mãos de Moro, os acordos eram postos em sigilo. Às escuras, eram estabelecidas multas bilionárias, parte delas direcionada à própria "lava jato" e a organizações parceiras. 

As leniências e colaborações chegaram a ficar públicas rapidamente, por decisão do juiz Eduardo Appio, que assumiu a 13ª Vara Federal de Curitiba por um breve período antes de ser afastado. O juiz Fabio Martino, que assumiu a vara temporariamente, devolveu o sigilo aos autos.

Hoje, mesmo com a "lava jato" cada vez mais contra a parede, continua pouco clara a destinação de parte dos valores arrecadados com os acordos: o Ministério Público Federal divulga somente dados totalizados, sem cronograma de pagamentos, destinação de valores pactuados, parcelas pagas e remanescentes e transferência de multas e ressarcimento aos destinatários. 

A ferramenta do órgão aponta que os termos dos acordos continuam todos em sigilo, inclusive as vultuosas leniências fechadas com Odebrecht, Braskem e Andrade Gutierrez, entre outras empresas (clique aqui para ver).

A atuação da "lava jato", focada na promoção de seus próprios protagonistas, gerou frutos: Moro virou senador; Deltan Dallagnol, deputado federal, enquanto outros tantos se tornaram palpiteiros famosos em jornais, emissoras de TV e redes sociais.

 

Santo sigilo

Advogados que defenderam réus na "lava jato" afirmaram à revista eletrônica Consultor Jurídico que o sigilo não poderia ter sido imposto, pois ele impossibilita qualquer controle adequado sobre os atos da autodenominada força-tarefa. Para alguns, se o problema era preservar as investigações, bastava tarjar os nomes doas envolvidos, como ocorre em outros países, como os Estados Unidos.

No mês passado, o Tribunal de Contas da União proferiu decisão que vai nessa mesma linha: a corte estabeleceu que valores obtidos nas leniências sejam destinados ao Fundo de Direitos Difusos, do Ministério da Justiça. O TCU chegou à conclusão de que a "lava jato" movimentou mais de R$ 22 bilhões, dinheiro proveniente de leniências e colaborações premiadas, sem qualquer preocupação com transparência.

Segundo a corte de contas, a aplicação dos valores ocorreu à margem do ciclo orçamentário e não é possível mensurar como eles foram gastos, já que o Ministério Público nem sequer possui um sistema ou mecanismo interno que permita a extração das informações. 

Na ocasião, o ministro Bruno Dantas, presidente do TCU, afirmou que procuradores passaram a atuar em tempos recentes como gestores públicos, mas sem a responsabilidade imposta aos gestores, e sem qualquer dever de transparência.

"A grande verdade é que nós temos promotores e procuradores espalhados pelo Brasil que viraram verdadeiros gestores públicos. E o pior: sem a responsabilidade que os gestores públicos têm. O que está acontecendo é a transferência de patrimônio do Estado brasileiro para a gestão de agentes da lei. É disso que nós estamos tratando nesta tarde", disse o ministro durante o julgamento de setembro. 

O desaparecimento de valores é tema de correições extraordinárias do Conselho Nacional de Justiça, que busca verificar desvios no transcurso da "lava jato". Um dos desafios é saber onde foi parar o dinheiro arrecadado com multas e que foi depositado em contas designadas por Sergio Moro. 

O que já se sabe é que o lavajatismo misturou-se com interesses financeiros e políticos. Deltan Dallagnol ofereceu US$ 75 mil a Bruno Brandão, da Transparência Internacional (uma empresa que se apresenta como ONG), que alugou a sua grife para corroborar as práticas que, hoje se sabe, eram corruptas.

Deltan, ex-chefe da "lava jato" do Paraná, também desenhou um empreendimento para poder administrar R$ 2,5 bilhões da Petrobras, mas teve a empreitada barrada pelo Supremo Tribunal Federal. (clique aquiaqui e aqui para ler as decisões do STF sobre o tema).

Outra tentativa, a de manter nas mãos de Moro o destino de R$ 1,4 bilhão do acordo de leniência com a Camargo Corrêa, também naufragou após o escândalo ganhar a luz do dia.

No plano original, em 2016, os procuradores previam o pagamento de R$ 625 milhões da multa da empreiteira às "investigações da operação lava jato" — nesses termos, como se o consórcio de Curitiba fosse uma empresa dotada de autonomia própria. Tudo sem a participação da União, até que, em 2019, a Advocacia-Geral da União e a Controladoria-Geral da União intervieram diante da repercussão do caso.

04
Out23

Mensagens mostram que Deltan Dallagnol tinha ideia fixa com arrecadação de dinheiro

Talis Andrade

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ConJur - Ao mesmo tempo em que rodava o Brasil para propagandear a "lava jato" em palestras que lhe custaram uma investigação no Conselho Nacional do Ministério Público, o ex-procurador Deltan Dallagnol não perdia de vista a chance de arrecadar dinheiro para o fundo que ele havia elaborado com Bruno Brandão, da Transparência Internacional, para administrar, inclusive, o dinheiro pago por empresas alvejadas pela operação em acordos de leniência. E condicionava a sua participação em eventos à oportunidade de lucrar. É o que revelam novas mensagens da "operação spoofing" às quais a Consultor Jurídico teve acesso. 

Em 2 de outubro de 2017, Dallagnol procurou Brandão para se aconselhar a respeito de um convite que recebeu para falar a uma associação de administradores de fundos com investimentos da ordem de 9 trilhões de dólares. Dallagnol não vislumbrou um bom negócio: "Se são investidores estrangeiros, não vejo maiores benefícios para a causa… vejo mais para eles, não?", perguntou ao assessor que o convidou, que reiterou a qualidade do grupo para o qual o ex-procurador falaria: "São formadores de opinião — nos moldes de Warren Buffet e quetais — e podem influenciar na adoção de práticas de compliance, anticorrupção, etc nos investimentos que farão no Brasil". 

Brandão achou que poderia ser uma boa ideia, mas fez uma ressalva: "Pode ser uma boa, acho que o que ele fala é certo e essa gente tem peso para influenciar processos e, se grandes investidores começarem a se pronunciar publicamente em favor do combate que o Brasil está dando à corrupção, acho que pode sim dar bastante força à Lava jato e a todo esse processo. Por outro lado, é o lugar perfeito pra te verem e colarem a pecha de que vc é um agente do capital estrangeiro, pra quebrar o Brasil e eles virem comprar barato. Mas um bom discuros seu, com mensagens estratégicas, poderia trazer alguns "antidotos a esse tipo de crítica'’

Sem estar convencido de que o encontro lhe traria algum benefício financeiro, Deltan desiste: "Pode ser preconceito meu, mas não vejo esse povo se pronunciando. Vejo sim eles vindo para aproveitar oportunidades. Querem é conseguir infos úteis. Acho que vou recusar então".

Menos de um mês depois, em 7 de novembro de 2017 Dallagnol viu outra oportunidade de lucrar. Ao comentar um convite para falar em um evento da FIEP (Federação das Indústrias do Paraná) que aconteceria em Foz do Iguaçu (PR), Brandão ponderou: "Deltan, eu to achando que, por ser assembleia geral ordinária e extraordinária da FIEP, talvez não tenha espaço pra um 'networking' pra captação, pois a palestra deve estar encaixada numa programação" — e indicou dificuldades na agenda. 

O ex-procurador insistiu: "Bora! Vc é solteiro, sem filhos, gasta energia só em festa do pijama… bora gastar essa juventude toda hehehe. Minha impressão de financiamento é esta: Vc semeia muito, colhe pouco e nunca sabe onde é que vai colher". E o amigo ficou sem saída: "hahahaha tá certo. entendi. deixa eu ver aqui se a logística é possível entao".

Em 12 de novembro, Dallagnol volta ao assunto: "Confirmado Foz?". "Confirmado", responde Brandão. Dallagnol discute, então, o tempo de fala de cada um — sem deixar de esquecer seu objetivo principal: "Bruno, temos ao todo 2h. Quanto tempo Vc quer? Fábio tb falará… podemos fazer diferentes arranjos. vamos aproveitar um bom tempo pra Vc. Faz uma palestra bacana de arrecadação de fundos. Como a minha tem uma pegada mais pessoal, acho que vale colocar a sua em seguida. A do Fábio talvez no meio da minha". O representante da TI diz que de 20 a 30 minutos é tempo suficiente e que seria bom ter algum espaço para debate, mas volta a tentar por algum limite no ímpeto arrecadatório do amigo: "Não dá pra passar o pires tão diretamente, mas já tenho algumas fórmulas". 

 

Auxílio-moradia

Em 5 de fevereiro de 2018, uma reportagem da Folha de S.Paulo revelou que Deltan Dallagnol recebia auxílio-moradia mesmo tendo imóvel próprio em Curitiba. Os valores das verbas indenizatórias somavam na época R$ 6.659,73. A Bruno Brandão, o ex-procurador externou seu incômodo em uma longa mensagem em que sustentava, a partir de uma nota técnica que obteve, que seu salário estaria defasado. "O subsídio hoje deveria ser de 46 mil, quando é de 33,7 mil — uma diferença de 12,3 mil". E prossegue: "ainda que tomado o auxílio-moradia e outros benefícios do MPF, eles estão aquém do direito assegurado". Em outro ponto da mensagem, Dallagnol arrisca uma conclusão: "magistrados e membros do MP não estão se locupletando em detrimento da sociedade. Se é a sociedade que fixa salário, também é a sociedade que fez o "contrato" anterior de irredutibilidade e reajuste pela inflação. Feita a conta líquida, quem deve é a sociedade". 

Em um raro momento de discordância entre os dois, Bruno Brandão apresenta a sua divergência: "Agradeço o empenho pela argumentação e sei que isso só importa pra vc pq tem um forte senso de justiça. Mas discordo profundamente de vc. Principalmente quando diz que a sociedade que decidiu isso e que está em dívida com sua categoria. Que decisão é essa? O contrato social da Constituição? Infelizmente, falta ainda construir uma sociedade nesse país pra depois ela tentar decidir qualquer coisa."

Dallagnol envia outra longa mensagem, em que tenta se justificar: "a manutenção do salário não é uma incorporação crescente de recursos ou privilégios, mas simplesmente uma garantia de previsibilidade, de manutenção do poder aquisitivo e uma garantia de independência dos poderes". Em outro momento da mesma mensagem, se queixa do salário: "no ano passado, todas as carreiras altas jurídicas tiveram salários reajustados, várias passaram nos últimos anos a ganhar bem mais do que nós, mas não a do MP [Ministério Público] e PJ [Procuradoria de Justiça]". E conclui se dizendo alvo de perseguição: "Veja que se eu estivesse na praia tomando água de cooco, ou trablhando 1x por semana como muitos MPs e PJs por aí, ou tocando investigações com a barriga (como antes de assumir a LJ ela estava sendo tocada no MP), jamais seria alvo de uma matéria como a de hoje."

30
Set23

General Heleno, um dos retratos do desgoverno

Talis Andrade

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por André Barroso

Entre as pessoas que apoiam o Bolsonarismo, estão iletrados, raivosos, milicianos, fazendeiros desmatadores, neoliberais, fascistas e principalmente adoradores do golpe militar de 1964. Geralmente, esta última camada é composta por senhores de idade e aqueles mais novos que apoiam o AI-5 e intervenção militar. Esse saudosismo com a ditadura militar, que governou com mãos sujas de sangue, mostra que essa sombra não vai se acabar em 20 anos, mas se renova com líderes da extrema direita tal qual Bolsonaro, Trump, Giorgia Meloni, Adrzej Duda, Viktor Orbán, Jimmie Akesson e mais recentemente, Javier Milei.

Um desses filhotes da ditadura, da qual Brizola costumava bradar em debates,  foi do atual general Augusto Heleno. Durante a ditadura militar trabalhou como ajudante de ordens de Sylvio Frota, tal qual o atual Cid com Jair Bolsonaro. Sylvio Frota era da considerada linha dura do exército, apoiando a tortura e contra o Gal. Ernesto Geisel, que estava levando a abertura ao país com a do Brasil. Tentaram dar um golpe dentro do golpe militar. Acabou exonerado com Frota. Seu aprendizado foi no período mais negro da história. Não à toa que seu amigo Bolsonaro exalta a figura de Ustra como herói nacional. General Augusto Heleno liderou a operação "Punho de Ferro" no bairro de Cité Soleil em Porto Príncipe, no Haiti. Essa operação foi considerado por grupos de direitos humanos a um massacre demais de 70 inocentes entre mulheres e crianças, onde através da WikiLeaks foram descobertos que foram disparados 22 mil tiros.

A muito já se sabe com áudios, vídeos, laudos de testemunhas, de que o general que estava comungando efetivamente de estratégias para a todo custo impedir a posse de Lula. Tentaram com plano A e plano B, sem sucesso. Desta vez, todo conhecimento junto aos militares da ditadura militar não foi páreo frente à democracia. Todas as tentativas torpes conjuradas por ele, Bolsonaro, Cid e a cúpula militar, não foi para frente. Apesar de bolsonaristas, os chefes do Exército (a maior frente) e da aeronáutica serem contrários, lembrando que a aeronáutica, através do comandante tenente-brigadeiro do ar Carlos Baptista Junior, teve em sua pasta o escândalo mais grave, foi do tráfego internacional de drogas, no avião presidencial. Apenas o comandante da marinha topou participar do golpe. Todos relataram que Bolsonaro se reuniu com eles fora da agenda pelo menos 10 vezes, para insistir no golpe.

A participação de Heleno na tentativa de golpe é grande. Considerando declarações de que não aceitaria a subida de Lula ao planalto, já temos diversas declarações pela imprensa e através de vídeos de apoiadores, onde sempre incitava em qualquer turba que houvesse um levante popular. Ele fez parte de um grupo de Whatsapp, o Notícias Brasil, de militares da ativa e da reserva no qual discutiam ações golpistas, para impedir a posse do presidente Lula. Hoje, tentou diminuir a importância de Mauro Cid em reuniões, assim como ele tenta se proteger se declarando um democrata. Mesmo seu histórico de vida dizer ao contrário. E mesmo não respondendo as perguntas mais difíceis e respondendo aos seus colegas de extrema direita, sendo transfóbico, sendo truculento em diversos momentos. 

Foi pego em contradição em algumas falas. E queria evitar esse constrangimento não comparecendo a CPI, mas graças ao ministro Cristiano Zanin, do STF, foi obrigado a depor. Os militares nesse momento estão preocupados com o que pode respingar de negativo com todas as provas demonstradas de participação direta no golpe de Estado. Desta vez, o general Heleno, que está na reserva, não escapa de ser apontado pela CPI como um dos mentores do oito de janeiro.

A história do Brasil é repleta de golpes de Estado condenáveis. Desta vez, a democracia dá uma prova de que ainda vale a pena acreditar em um futuro melhor. A história já me deixara para trás, só que desta vez, fascistas não passarão! 

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