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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

14
Mai22

Direito McDonald's: picanha não é picanha, direito não é direito

Talis Andrade

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Por Lenio Luiz Streck /ConJur

Arnóbio Rocha escreve belo texto denunciando o mundo fake (ver aqui). O articulista utiliza o recente caso do McDonald's, que cinicamente respondeu que o McPicanha não era de picanha, mas o molho dava a impressão da experiência do gosto de picanha. Foi obrigado a retirar do cardápio, mas não deve demorar para "repaginar" o sanduíche que era vendido a preço absurdo e com um "toque de chef, gourmet".

Como é possível que alguém engane o consumidor a esse ponto? Claro que é possível. Trata-se de um mundo fake, diz Arnóbio. Correto. E fica chique com um toque do chef.

Há décadas venho falando do direito fast food. Talvez eu tenha sido o primeiro a denunciar esse modelo, que Warat, antes de mim, chamava de direito prêt-à-porter.  A famosa mcdonaldização. Que foi sendo aperfeiçoada com TikTok, visual law e coisas do gênero. E vem mais por aí.

No direito vende-se direito que não é direito. McPicanha... que não é de picanha. Não contém picanha.  Direito sem direito. Direito só com molho de direito — claro, com um toque do chef.

Fast food jurídico é mcdonaldização.  Tudo rápido. Curtinho. Não escreva nada que tenha muitas linhas. E, é claro, desenhe. Mas não é mais direito... E daí? Tem molho à moda do chef.

O resultado da jusmcdonaldização? Comunidade jurídica mal alimentada. Obesa. Como não há picanha, só o cheirinho, só o molho, no direito ocorre algo parecido. Como não há direito no direito, o sujeito se forma reacionário, para dizer o menos. E usa o direito para levar adiante esse reacionarismo.

Vejam um bom exemplo de direito sem direito: não posso afirmar que a estatística ainda vale, porém lembro que, durante nossa luta pela presunção da inocência, 63% da comunidade jurídica era contra as ADCs 43, 44 e 54 (que buscavam a alteração da posição do STF). Ou seja: 63% das gentes formadas em direito eram contra a garantia constitucional da presunção da inocência. A maioria da área do direito era contra o direito.

Agora, o ódio e o rancor voltam. Não seria desarrazoado dizer que esse mesmo percentual de 63% agora acha que o presidente da República pode tudo (e todos os dias), chamando ministros do STF de canalhas e afrontando o Poder Judiciário com um decreto de indulto mcdonaldizado. A parcela da área jurídica que defende o presidente e defende esse ato de indulto acredita que o decreto dispensa qualquer fundamentação que diga respeito ao interesse público e à moralidade. Afinal, como disse um articulista (tem gente buscando fundamento no originalismo norte-americano), é um ato do príncipe.

Até juristas que, em 2016 diziam, com veemência, que Dilma não podia nomear qualquer um para ministro (por exemplo, a nomeação de Lula anulada pelo STF), agora dizem que "presidente pode tudo". É o que eu chamo de "anarco-textualismo", que, por vezes, vira "anarco-voluntarismo".

O pano de fundo: a liberdade de expressão. Como disse uma autoridade não faz muito, "prefiro perder a vida do que perder a liberdade". Que liberdade? A do AI-5? McNífico, não? Ups. Por coincidência,  McNífico é outro sanduíche do McDonalds.

Deixo Antônio Prata, um não-jurista, falar por mim:

"Poucas discussões estão mais mal colocadas, hoje, do que essa sobre a liberdade de expressão. Quando (i) temos bilhões de dólares e a ciência mais avançada (da matemática à psicologia) criando algoritmos que privilegiam, (ii) incentivam e propagam em escala global as opiniões mais extravagantes, chocantes e violentas; (iii) quando o resultado deste comércio desregulado de ideias é o esgarçamento do tecido social, (iv) o afunilamento do espaço público, a polarização política, as guerras culturais,  (v) o crescimento vertiginoso da depressão, ansiedade e suicídio entre jovens; (vi) quando esse sambalelê civilizacional põe a democracia em risco e se fala em Guerra Civil, nos Estados Unidos, e golpe militar, no Brasil, simplesmente defender a liberdade de expressão como um princípio absoluto e pronto, acabou-se, é meter a cabeça num buraco para não ver o que se passa."

E Prata pergunta: "Qual a solução? Mudar os algoritmos? As plataformas melhorarem seus filtros e regras de conduta? Criar-se uma espécie de constituição global para as redes sociais? Não tenho ideia, mas talvez o primeiro passo seja tirar os antolhos da "liberdade de expressão über alles!" e encarar o problema." Pronto. Disse tudo.

O mundo está doente, complementa o articulista:

"(...) uma das causas da doença é a transformação da opinião em commodity e a aplicação da lei da oferta e da procura ao campo das ideias, o que faz com que quebrar a placa com o nome da vereadora assassinada eleja um deputado, mas propostas sólidas sobre educação e saúde pública, não."

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E digo eu: o direito adoeceu. As ofensas (liberdade de expressão über alles) em redes sociais e aqui mesmo no ConJur (está cada vez mais difícil ziguezaguear no entremeio dos palavrões, ataques e nesciedades) demonstram exatamente isso que digo. Pior: gente escondida atrás de apelidos. Imaginem no Twitter.

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Pior de tudo é que o mote principal é exatamente aquilo que se faz todos os dias: em nome da liberdade de expressão está a liberdade de agressão. Das mais abjetas.

Por isso,

(i) Quando defender a tese de que se-pode-tudo

(ii) Quando incentivar, aos histéricos berros, que a Suprema Corte deva ser invadida e que cabeças de ministros devam ser quebradas

(iii) Quando se diz que tudo isso faz parte da liberdade de expressão e quando essa defesa de "liberdade über alles" é feita por gente do direito,

...é porque rotundamente fracassamos.

Na verdade, de há muito chovia na serra... e todos foram comer um McPicanha... sem picanha.

Mas com um toque do Chef!

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31
Jul20

O Brasil do genocídio naturalizado

Talis Andrade

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por Arnóbio Rocha

 - - -

A pandemia foi a melhor notícia para BolsoNERO e sua trupe mambembe.

Afinal toda sua a incompetência e incapacidade para administrar o país foi apagada. Por exemplo, o abutre Guedes pode mentir falando de que o Brasil estava em pleno voo, mas a pandemia o abateu, portanto, encontrou desculpa ideal para não ser responsabilizado pelo caos.

Guedes, com apoio midiático, se aproveitou do momento terrível para aprofundar a pilhagem contra os trabalhadores, contra a população, acabando os direitos e impondo mais castigos ao Brasil, sob aplausos da mídia e conivência de Maia e Alcolumbre.

Outros medíocres, como Sales e Araújo, aprontaram nos seus lugares, impondo mais destruição da natureza e da imagem pálida do Brasil mundo afora, tudo conspira para o pior do país e de seu povo.

As quase 90 mil mortes oficiais, nesse 28.07, parecem vistas como uma mera fatalidade, e não sendo vista como de responsabilidade do governo de BolsoNERO, de mãos livres, ele continua rindo à toa, oferecendo cloroquina para Ema, entre outras presepadas.

O Auxílio Emergencial é o grande amortecedor de uma revolta, por enquanto. A proposta aprovada pelo congresso, por enorme esforço da oposição, com valor maior do que desejado por Guedes-BolsoNERO-Globo. Imediatamente a ideia foi apropriada como sendo de BolsoNERO, o pai dos pobres e virou o estabilizador do apoio ao nefasto projeto destruidor. Escondendo os trilhões dados aos banqueiros sem nenhum repasse à economia.

Depois de meses de falas tresloucadas, BolsoNERO foi convencido a ficar em silêncio, para faturar suas conquistas, e continuar a atentar contra a Democracia, sem exposição pública. Até a sua suposta contaminação é uma forma de ganho para sua imagem.

O fosso social e econômico se refletem nos ganhos dos bilionários nessa Pandemia, ao mesmo tempo em que explodiu o desemprego e a miséria, mitigada pelo Auxílio Emergencial, nunca o país esteve tão próximo da barbárie.

Os governos estaduais que cumpriram importante papel no combate ao coronavírus, na maioria cedeu às pressões, liberando o isolamento, num momento prematuro e só aumentou o número de mortos, acabarão “sócios” de BolsoNERO, nessa conta impagável.

27
Abr20

Bolsonaro e Moro, Irmãos Siameses em Divórcio

Talis Andrade

 

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por Arnóbio Rocha

___

 

Moro é o Protótipo da Classe Média.

Moralista, juiz incorruptível usou as leis para PUNIR os criminosos, especialmente os poderosos, que expôs ao país a corrupção estatal e das empresas privadas, tudo isso desde uma pequena vara federal em Curitiba. Casado com uma advogada, vida simples e sem ostentação.

É essa a imagem construída, quase como um conto de fadas, só faltou a cena dele num cavalo brando conquistando sua amada “conja”.

Olhando mais de perto há enormes lacunas nesse currículo, que não serão respondidas no calor midiático e de cegueira coletiva, os fins da lava jato, justificaram qualquer meio espúrio, inclusive a miragem de quem é o seu principal personagem.

A corrupção jamais foi o mote da Lava Jato, ao contrário, a dominou, em nome do combate à corrupção, de produzir manchetes, cavar espaços, ampliar possibilidades de palestras, até vagas em governos, tudo isso é dito e confessado na #Vazajato.

Voltemos ao ex-juiz, há sempre incertezas, desde sua formação acadêmica e seu ingresso na magistratura, as línguas que domina, que estão na plataforma Lattes, até suas decisões, seu método de formar “convicções, ainda que não haja provas”. A sua atuação nas investigações do Banestado, até a sua entrada definitiva nos holofotes da Lava Jato.

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Bolsonaro é o inverso do outro irmão.

É um militar que foi aposentado aos 33 anos, com a patente de Capitão, sem dizer a razão de ter sido reformado tão jovem, seria didático se saber, como e por quê. Entra para política como a “voz dos milicos”. Foram oito mandatos seguidos de deputado federal, como Zero produtividade, se celebrizava pela falta de educação, postura e de que era a imagem do baixo clero.

Entretanto criou uma base sólida de votos e apoios, uma personificação de alguém que não era do Sistema, que lutava contra ele, incorruptível, mesmo que usasse das mamatas dele, vide as verbas de gabinete que ele confessa que usava para “comer gente”.

Esse personagem histriônico, quase folclórico, virou uma “blend”, uma marca, Bolsonaro tem um Presidente, um Senador (01) pelo Rio de Janeiro, Um Deputado (03) mais votado por São Paulo e um Vereador (02) pelo Rio de Janeiro, sim, um “pegador” (04), que ainda não tinha idade para cargos.

 

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A família que odeia o Estado, o estatismo, a Política e a Democracia, vive de …Política. Definitivamente a terra não é plana.

Para além disso, na esteira de Bolsonaro, se elegeram governadores, como Dória (Bolso-Dória), um juiz desconhecido, no Rio de Janeiro, Witzel, entre tantos outros, deputados, senadores.

O Casamento Fatal, Moro e Bolsonaro, sob o Mote: Contra a Corrupção, o casal que salvará a Pátria, vestida com camisas falsas da CBF.

Desde 2013, o Brasil, entrou numa espiral de baixa estima, sempre em queda. As tais jornadas despertaram um personagem sórdido, o tal gigante, sem nenhum caráter, moralista, analfabeto funcional, egoísta e arrogante. Esse sentimento ruim levou o país à lona.

Algumas instituições sem nenhum apego à democracia cresceram enormemente nesse sentimento punitivo, atávico, sem discernimento, cujo mono tema é a Corrupção e esta, foi colada no PT, talvez o único partido que tenha efetivamente combatido a corrupção, mesmo que tenha transacionado com ela, com seus agentes, pela governabilidade.

Sem nenhum pudor, personalidades como Temer, Aécio, Eduardo Cunha, viraram estrelas no processo de caçada ao PT.

Porém crescia a imagem dos dois personagens paralelos, Moro e Bolsonaro. Cada um ao seu turno, trabalharam conjuntamente, se sobrepondo à Constituição, às leis, justificados pela guerra santa à Corrupção. Santificados e incensados pelas Mídia.

A tempestade perfeita. Lava Jato e moralismo no Congresso.

O encontro entre eles resultou no impedimento de uma candidatura de Lula à presidência, tenho dúvida se mesmo com ele concorrendo, Bolsonaro não venceria, do meu ponto de vista, Haddad cumpriu um papel muito grande em ir ao segundo turno.

De toda sorte, a não candidatura de Lula, abriu espaço para o crescimento de Bolsonaro nas classes populares, na periferia, pois seu linguajar, a imagem de durão, tem apelo real, de que ele não é (era) do Sistema, assim como Lula, também é visto.

Moro foi essencial ao jogo político, decisivo no destino do Brasil, a condenação “sem provas, mas com convicções” é um clássico digno de Maquiavel.

A ida ao governo, sem antes, aqui entra o lado B da classe média, exigir uma vantagem (indevida) para deixar a magistratura. A classe média reclama da corrupção, mas ama um jeitinho, uma vantagem, inocente, como se fosse portadora de algo especial, seu espírito cívico esbarra na conta do cabeleireiro.

Bolsonaro tem traquejo político, com seus filhos numerais, encontraram em Moro um “veio moral”, que pudesse apagar as relações familiares com milicianos, personagens menores de pequenos golpes, como as “rachadinhas” de gabinetes, comportamento típico de baixo clero, de parlamentares que não fazem parte do jogo real do poder e fica com as sobras.

A atuação de Moro no ministério da justiça foi um enorme fracasso, nada digno de nota, basta lembrar que no seu discurso de demissão, gastou dois minutos sobre o que fez, e 38 minutos fazendo uma delação premiada. Nada mesmo que possa ser lembrado, uma marca qualquer que seja, um fiasco que será esquecido, apenas porque a mídia é amiga.

A vantagem (indevida) não se sabe se concretizada será tema do divórcio, quase uma pensão alimentícia, uma indenização por danos morais, pois o conge lhe atrapalhou a carreira, impediu sua ida triunfal ao STF, por enquanto.

O Divórcio será feito de forma litigiosa, com acusações, com ameaças, e, no estilo Moro, com sordidez, como apresentar conversas com sua afilhada de casamento, aquela que fez do seu casório uma festa para seu padrinho, de tanta devoção ao ex-juiz.

Moro tem a proteção da Globo, a fidelidade canina, nenhuma pergunta incômoda, nenhuma explicação sobre seus crimes, nenhum questionamento sobre a conduta, nem mesmo se as mensagens de print eram de “supostas conversas”, como fez na #vazajato. Ao amigo tudo, aos inimigos a destruição de reputação.

Pelo lado de Bolsonaro, além da máquina estatal, a força da máquina de moer das redes sociais e suas fakenews usadas à exaustão, que Moro finalmente vai experimentar contra si, já que usou tanto contra Lula, Dilma, o PT.

Dessa separação, um não viverá, um será tragado, façam suas apostas.

 

29
Out19

O "leão" fascista Bolsonaro explicita a sua ameaça de golpe

Talis Andrade

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Ali, não se trata de uma mera provocação, ou de um ato falho. Sob minha ótica, revela algo mais profundo e preocupante. Todas as instituições democráticas são tratadas como inimigas, apenas ele, o Leão, seria o bom, o homem de bem, contra as hienas, animais repugnantes.

Os partidos, do PT ao PSL, passando pelo MBL. Da OAB ao STF, e a imprensa, representada pela Globo. Ninguém escapa do ódio e da sanha do poder autocrático. A família Bolsonaro passou um recado, explícito, de que vai ao ataque, não aceitará que as instituições os enfrentem, como parte do jogo democrático e da convivência em sociedade plural.

Portanto, não se pode encarar como algo solto, principalmente no contexto de que eles estão acuados com os áudios explosivos do miliciano, parceiro e camarada de armas da família presidencial. Para sair das cordas, um vídeo cheio de símbolos, a sociedade precisa reagir, não é só apagar o vídeo, é o conteúdo da mensagem que devemos refutar de forma clara e firme.

A loucura dos de cima, como diz o bardo inglês, traz consequências nefastas para toda a sociedade, especialmente aos pequenos, os desvalidos, pagarão a conta desse desatino.

O repúdio do Ministro Celso de Mello, no decano do STF, deveria ser acompanhado pelas demais entidades ofendidas pelo presidente despreparado e que despreza a democracia.

A senha do GOLPE e do fechamento das instituições foi mais uma dada, até quando será tolerado?

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