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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

23
Set22

Propina em ouro, via bíblia e no pneu: entenda o escândalo dos pastores e ‘gabinete paralelo’ no MEC

Talis Andrade

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Sem vínculos com o setor de ensino e sem possuir cargo público, grupo de pastores passou a comandar a agenda do ministro Milton Ribeiro, da Educação, formando uma espécie de “gabinete paralelo” que interferia na liberação de recursos

 

 

Propina em ouro, compra de bíblias e dinheiro vivo escondido em pneu. Esses são alguns dos elementos de denúncias de um esquema revelado pelo Estadão: o gabinete paralelo. Pastores capturaram a agenda do Ministério da Educação (MEC) e cobraram pela liberação de verbas. O caso já resultou na queda e na prisão do ex-ministro Milton Ribeiro

Na quinta-feira, 22, essa história teve mais um capítulo revelado. Ao Estadão, o empresário do setor da construção civil Ailson Souto da Trindade, candidato a deputado estadual pelo PP no Pará, contou que o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro deu aval para que contratos de obras federais de escolas fossem negociados em troca de propina para os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura. O acordo previa que o dinheiro vivo, segundo Trindade, seria escondido na roda de uma caminhonete.

 

Gestão de Milton Ribeiro no MEC teve pedido de propina escondida em pneu; ouça a denúncia

 

O empresário é a 12ª pessoa a relatar esquema de corrupção na pasta. A denúncia traz novos elementos para o inquérito que tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF) por indícios de interferência de Jair Bolsonaro (PL) na investigação contra o ex-ministro da Educação.

 

Gabinete paralelo

 

O grupo capitaneado pelos pastores Gilmar Silva dos Santos, presidente da Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil, e Arilton Moura, assessor de Assuntos Políticos da entidade, atuava como lobista para liberar e ou acelerar o empenho de recursos a determinados municípios.

Usualmente, a destinação de verbas para uma prefeitura é um processo burocrático e demorado. Com a ajuda dos pastores, contudo, certos municípios conseguiram a liberação do empenho de recursos em tempo recorde. Em um dos casos, uma prefeitura conseguiu o empenho de parte do dinheiro pleiteado apenas 16 dias depois do encontro mediado pelos religiosos. Só em dezembro foram firmados termos de compromisso, uma etapa anterior ao contrato, entre o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e nove prefeituras, de R$ 105 milhões após reuniões com os pastores.

Prefeitos do Progressistas, do PL e do Republicanos tinha preferência para conseguir a ajuda dos pastores. Essas legendas integram o núcleo duro do Centrão. O bloco de partidos é justamente o que comanda o FNDE.

 

 

Em um desses eventos, um encontro de prefeitos com Milton Ribeiro em janeiro do ano passado, na sede do MEC, o pastor Gilmar dos Santos detalhou a atuação do gabinete paralelo e expôs claramente suas intenções: “Nós solicitamos esta reunião com o ministro para trazer ao conhecimento dele vários prefeitos que trabalham também com a igreja”, disse, deixando claro que pretende privilegiar pessoas ligadas à sua religião.

Em conversa gravada, Milton Ribeiro admitiu que prioriza o atendimento a prefeitos que chegam ao MEC por meio dos pastores Gilmar dos Santos e Arilton Moura. Falando a dirigentes municipais dentro do ministério, Ribeiro disse que segue ordem do presidente Jair Bolsonaro (PL). “Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do (pastor) Gilmar (Santos)”, diz ele – Arilton Moura e Gilmar Santos estavam presentes na reunião. “A minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, em segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar”, ironizou, em gravação divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo.

 

Propina em ouro

 

Um dos pastores que controlam um gabinete paralelo pediu pagamentos em dinheiro e até em ouro em troca de conseguir a liberação de recursos para construção de escolas e creches, disse ao Estadão o prefeito do município de Luís Domingues (MA), Gilberto Braga (PSDB). Segundo o prefeito, Arilton Moura solicitou R$ 15 mil antecipados para protocolar demandas da prefeitura e mais um quilo de ouro após a liberação dos recursos.

“Ele (Arilton) disse: ‘Traz um quilo de ouro para mim’. Eu fiquei calado. Não disse nem que sim nem que não”, afirmou Braga, que diz não ter aceitado a proposta.

 

Bíblia com foto de Ribeiro

 

Exemplares de uma edição da Bíblia com fotografias de Ribeiro, Santos e Moura foram distribuídos, em julho do ano passado, em um evento organizado pelo MEC em Salinópolis (PA), cidade a 220 quilômetros de Belém. A impressão destaca o “patrocínio” do prefeito de Salinópolis, Carlos Alberto de Sena Filho, o Kaká Sena, do PL, que também teve a imagem estampada entre a contracapa e a folha de rosto.

 

A Bíblia com as páginas das fotos que promovem o ministro e os pastores Arilton e Gilmar

A Bíblia com as páginas das fotos que promovem o ministro e os pastores Arilton e Gilmar.  Foto: Estadão

 

Após o encontro, o ministro Milton Ribeiro aprovou a construção de uma escola em Salinópolis. Ele firmou um termo de compromisso com a prefeitura no valor de R$ 5,8 milhões, dos quais empenhou, no final de dezembro, R$ 200 mil. Tanto o ministro quanto o prefeito não se pronunciaram sobre a distribuição das Bíblias.

 

Queda

 

Acossado por uma série de denúncias de envolvimento com esquema de corrupção operado por pastores no Ministério da Educação, o ministro Milton Ribeiro pediu demissão do cargo ao final de março. O presidente Jair Bolsonaro, que havia dito que colocava “a cara do fogo” pelo ministro, aceitou o pedido de demissão após o Estadão revelar que em solenidade do MEC foram entregues Bíblias com a foto do ministro impressa.

 

Prisão

 

Após a revelação do esquema pelo Estadão, o Ministério Público Federal junto ao TCU solicitou a abertura de inquérito sobre o caso. Já o senador Alessandro Vieira (PSDB-SE) cobrou que o MPF e a Procuradoria Geral da República abram investigação sobre Milton Ribeiro por suspeita de improbidade administrativa e tráfico de influência.

Em junho, a Polícia Federal (PF) prendeu o ex-ministro. A operação que apura a prática de tráfico de influência e corrupção para a liberação de recursos públicos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) foi batizada como ‘Acesso Pago’, cumpriu, ao todo, cinco ordens de prisão, solicitadas pela PF à Justiça. Além de Ribeiro, foram presos os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, que estão no centro do esquema sob suspeita.

Ao pedir a prisão do ex-ministro Milton Ribeiro, a Polícia Federal citou uma “organização criminosa” que, segundo os investigadores, se “infiltrou” no Ministério da Educação. Os policiais federais descreveram “camadas de atuação” usadas para controlar a pasta. De acordo com a PF, o ex-ministro seria responsável por “conferir o prestígio da administração pública federal à atuação” dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura.

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Estadão

23
Set22

Corrupção no MEC: Empresário afirma ter recebido pedido de propina escondido em pneu

Talis Andrade

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O empresário e candidato a deputado estadual pelo PP no Pará, Ailson Souto da Trindade, acusou o ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, de negociar propina para construção de igrejas das denominações dos pastores Arilton Moura e Gilmar Santos, que, segundo denúncias, atuavam como lobistas no Ministério da Educação (MEC).

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Trindade afirmou que a propina no valor de R$ 5 milhões seria entregue aos religiosos no pneu de uma caminhonete que faria o trecho de Belém (PA), onde está localizada sua empresa de construção a Goiânia (GO), sede da igreja dos pastores.

O advogado de Milton Ribeiro, Daniel Bialski, negou a acusação. Segundo ele, a acusação é "leviana, mentirosa e feita com intuito e interesse eleitoreiro".

Ailson Trindade atua no ramo da construção civil e responde por crime de estelionato. De acordo com o jornal, o empresário foi acusado de aplicar golpes em beneficiários do Bolsa Família, o que ele nega.

Em março, o jornal havia revelado a existência de um esquema no Ministério da Educação no qual pastores ofereciam facilitar o acesso a recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) em troca de benefícios. Ao GLOBO, o prefeito Kelton Pinheiro relatou pedido de propina entre R$15 mil e R$40 mil e até mesmo solicitação para compra de bíblias feita pelo pastor Arilton Moura. Na ocasião, há seis meses, outros prefeitos também foram à público relatar pedidos semelhantes.

As denúncias levaram à Polícia Federal a investigar o caso e à prisão do ex-ministro Milton Ribeiro e dos dois pastores. Eles acabaram sendo liberados no dia seguinte.

Trindade, que só decidiu falar agora, disse que esteve no MEC em 13 de janeiro de 2021, quando participou de uma reunião de Ribeiro com prefeitos de todo país. Na ocasião teria ocorrido a negociação da propina. Em troca do pagamento, a construtora do empresário seria beneficiada com obras do MEC.

— Funcionou assim: o ministro fez uma reunião com todos os prefeitos. Depois houve o coquetel, num andar mais acima. Lá, a gente conversou, teve essa conversa com o ministro. Eu não sabia nem quem era o ministro. Ele se apresentou: 'Eu sou Milton, o ministro da Educação, e o Gilmar já me passou o que ele propôs para você e eu preciso colocar a tua empresa para ganhar licitações, para facilitar as licitações. Em troca você ajuda a igreja. O pastor Gilmar vai conversar com você em relação a tudo isso’— disse o empresário ao jornal "O Estado de S. Paulo".

De acordo com ele, os pastores pediram pagamento imediato de R$ 5 milhões e depois de 15 dias outros R$ 50 milhões. O empresário afirma que suspeitou do método de pagamento e disse que precisava de um contrato e efetuar o pagamento em conta. E que desistiu porque ficou "com medo desse tipo de negociata".

 

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03
Jul22

Janio de Freitas critica oposição que votou a favor do estado de emergência: "contribuem com permanência de assediadores"

Talis Andrade

 

"Está contribuindo para a permanência dos assediadores de mulheres, a já prometida liberação geral do porte de arma, as milícias", escreve o jornalista

 

247 - "Ladroagem eleitoral". É assim que o jornalista Janio de Freitas, em artigo na Folha de S. Paulo, caracteriza a aprovação da PEC do estado de emergência pelo Senado, que autoriza o governo federal a gastar mais de R$ 40 bilhões por meio de benefícios sociais, a três meses das eleições.

Na coluna, ele criticou duramente os deputados da oposição que votaram a favor da PEC: "É injustificável e vergonhoso que a oposição, incluída a chamada esquerda, tenha votado e vote outra vez a favor desse golpe parlamentar-eleitoral, que cria até o perigoso estado de emergência. A alegação oposicionista, de que não poderia opor-se aos auxílios sociais infiltrados nessa mudança constitucional, é oportunista ou, em eventual sinceridade, obtusa. A mistura ardilosa e má-fé são explícitas".

"Bolsonarista ou oposicionista, quem votou no Senado e quem votar na Câmara pela emenda que derruba a proibição de gastos eleitoreiros nos 90 dias antes da eleição —fundamento das regras anticorrupção eleitoral—, não está dando um voto".

"Está contribuindo para a permanência dos assediadores de mulheres, a já prometida liberação geral do porte de arma, as milícias, o desmatamento e as extrações ilegais da Amazônia, o garimpo e o contrabando, os cortes de verbas da saúde e da educação, a repressão à cultura, os privilégios a militares e policiais, o racismo e variadas fobias desumanas", escreveu.

Em "A deliquência se desnuda", diz Janio de Freitas:

“É um sistema quadrilheiro que começa a desvendar-se. Ficam bem à vista duas estruturas que têm a Presidência da República como elo entre elas. Uma age dentro da administração pública, em torno dos cofres, e reúne pastores da corrupção religiosa, ocupantes de altos cargos e políticos federais e estaduais. A outra age do governo para fora, na exploração ilegal da Amazônia, em concessões injustificáveis, e em tanto mais. Duas estruturas independentes que se conectam na mesma fonte de incentivos, facilitações e proteção para as práticas criminais”.

 

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Bernardo Mello Franco: Ao contestar urnas eletrônicas, Bolsonaro questiona  sistema que o elegeu | bloglimpinhoecheiroso

29
Jun22

Desembargador que soltou Ribeiro será indicado por Bolsonaro ao STJ

Talis Andrade

Desembargador que soltou ex-ministro da Educação é candidato ao STJ |  Política | Valor Econômico

 

Ney Bello foi também o coveiro do relatório do Coaf no TRF-1. O relatório, considerado ilegal pelo tribunal, apontava movimentações financeiras para lá de atípicas de Frederick Wassef, advogado da familícia

 

 

por Hugo Souza

Nesta quinta-feira, 23, o desembargador Ney Bello, do TRF da 1ª Região, mandou soltar o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, atendendo a pedido de Habeas Corpus impetrado pelo advogado de Ribeiro e de Michelle Bolsonaro, Daniel Bialski.

Além do ex-ministro, foram soltos os pastores do preachergate do MEC Gilmar Santos e Arilton Moura.

Milton Ribeiro, Gilmar Santos e Arilton Moura foram presos nesta quarta-feira, 22. Um mês antes das prisões, o jornalista Guilherme Amado, do portal Metrópoles, havia adiantado que Jair Bolsonaro já tinha escolhido o nome para a uma vaga aberta no Superior Tribunal de Justiça: Ney Bello.

Naquela feita, a jornalista Malu Gaspar, d’O Globo, informou que Ney Bello teria, porém, que “se resolver” com Kassio Nunes Marques, líder do governo no Supremo. É que Nunes Marques teria algum tipo de porém com Bello.

Ney Bello foi também o coveiro, no TRF-1, do relatório do Coaf que apontava movimentações financeiras para lá de atípicas de Frederick Wassef, advogado da familícia. Bello foi o relator do caso. O relatório foi considerado ilegal. Após a decisão, o caso foi encerrado.

Desembargador que soltou ex-ministro da Educação é candidato ao STJ |  Política | Valor Econômico

27
Jun22

Bolsonaro só tem os mercadores do templo

Talis Andrade

Marcha para Jesus 2019Diário do Centro do Mundo - Marcha pra Jesus com Bolsonaro. Charge de  Gilmar (@cartunista_das_cavernas). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . #dcm #diariodocentrodomundo #bolsonaro #governobolsonaro #marchaprajesus  #jesus | Facebook

 

por Fernando Brito


Pela terceira vez em uma semana, outro evento evangélico foi transformado em ato de campanha de Jair Bolsonaro.

Outra “Marcha com Cristo”, em Camboriú (SC), hoje, serviu-lhe de comício.

É, afinal, o que ele consegue ter, porque sua aparição de 23 segundos no São João de Caruaru deu no que todos sabem.
 


Lá, voltou a repetir sandices, como a de que “podemos viver sem oxigênio, mas não sem liberdade”, o que deixa dúvidas se a sua recente amizade com Elon Musk não terá algo a ver com uma pretensão do dono da SpaceX poderá planejar uma viagem a Marte com astronautas em mangas de camisa, ou se ele pretende algum suicídio coletivo, a la Jim Jones.
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Parece que sim, pois voltou a pregar que todos se armem e invocando Cristo, tomando literalmente a Palavra, quando diz aos discípulos que “vendam a capa e comprem uma espada” como metáfora para os tempos difíceis que viriam com a sua morte.Image


Metáfora é algo além, é claro, da capacidade cognitiva do atual presidente.

O resto é uma ladainha déjà vu: o comunismo está às portas e só ele poderá salvar-nos das chamas do inferno.

Não tem mais um palanque, tem um púlpito, o que lhe dão pastores que fariam Martinho Lutero pregar mil teses, em lugar das 95 que afixou na igreja de Wittenberg, na Alemanha, sobre os perigos da promiscuidade entre dinheiro e fé.

Afinal, não se mercadeja a graça divina como se fazia, na igreja medieval, com as indulgências?

Nunca antes se viu tamanha mistura entre religião e política.

O fato é, porém, ser preciso tomar muito cuidado em não aceitar esta guerra religiosa, esta “briga do bem contra o mal” que propõe Bolsonaro.

Ela não se funda nas suas inexistentes virtudes, mas na doutrinação de que Lula seria “anticristão” e iria destruir as igrejas evangélicas.

Ninguém trabalha mais para isso, transformando-as em, quando não em mercados, em palanques eleitorais, que Jair Bolsonaro.
Silas Câmara diz que Bolsonaro vem a Manaus 'anunciar Jesus', mas terá de  dividir Jair Messias com aliados - Amazonas1
"Vai pra trás, meu Deus do céu", diz Bolsonaro em 'chega pra lá' na vice-governadora de Santa Catarina (vídeo)Image
 

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۩۞۩ᎴᏗᏉᎥ ᎶᏗᏰᏒᎥᏋᏝ۩۞۩
@DAVIGABRIELDES3
A Vice Governadora foi humilhada ontem pelo Presidente Bolsonaro no evento “EVANGÉLICO” e até agora não deu um pio. Será que todas eleitoras do Bolsonaro são assim? Submissas, belas, recatadas e do lar?
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26
Jun22

Assessores do MEC pediram demissão após insistência de Milton Ribeiro em manter pastores na pasta

Talis Andrade

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247 - Relatório de 23 de maio da Controladoria-Geral da União (CGU) revela, segundo Thaís Arbex, da CNN Brasil, que assessores do Ministério da Educação pediram demissão após o ex-ministro da pasta Milton Ribeiro insistir em manter os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos dentro da pasta.

 

www.brasil247.com - Milton Ribeiro com Arilton Moura (esq.) e com Gilmar Silva dos Santos (dir.)Milton Ribeiro com Arilton Moura (esq.) e com Gilmar Silva dos Santos (dir.). Foto Luis Fortes/MEC 

 

Segundo investigações da Polícia Federal, Ribeiro comandava, com a ajuda de Moura e Santos, um esquema no MEC de recebimento de propinas em troca de liberação de recursos do ministério.

"Os assessores chegaram a relatar, 'em tom de desabafo', que alertaram o ministro, por diversas vezes, em relação 'ao perigo' que a atuação dos pastores trazia para a imagem do ministro e do MEC. A CGU diz que as ações adotadas por Ribeiro foram contrárias ao que foi recomendado", explicou a jornalista.

 

 
23
Jun22

A responsabilidade direta de Bolsonaro na roubalheira “em nome de deus”

Talis Andrade

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Desta vez, sem a decretação de sigilo de 100 anos para abafar mais este escândalo de corrupção, o governo militar ficou nu

 

 

por Jeferson Miola

- - -

O ministério bolsonarista da Educação [MEC] é palco de vários escândalos de corrupção, em regra abafados, como ocorre em outros ministérios e órgãos do governo militar, inclusive nas Forças Armadas.

Antes do esquema de corrupção de pastores que controlavam a agenda e os repasses de verbas públicas, outros escândalos do MEC ficaram conhecidos, como, pelo menos [1] a fraude milionária com gráficas para impressão das provas do ENEM; [2] a licitação fraudulenta de R$ 3 bilhões para compra de computadores para escolas públicas, por meio da qual 255 estudantes de uma determinada escola receberiam 30 mil laptops, uma média de 117,6 laptops por aluno; e [3] a licitação, também fraudulenta, com superfaturamento de R$ 700 milhões para a compra de ônibus escolares.

A prisão do reverendo e ex-ministro Milton Ribeiro [22/6] recoloca em outros termos a discussão não só sobre a notória e sistêmica corrupção do governo militar, como a respeito da responsabilidade direta de Jair Bolsonaro no esquema de corrupção que derrubou o reverendo do MEC.

A roubalheira “em nome de deus”, operada pelos pastores evangélicos Gilmar Santos e Arilton Moura a mando do próprio Bolsonaro, consistia na cobrança de propinas pelos “agentes de deus” – inclusive em barras de 1 kg de ouro – como pré-requisito para viabilizarem a transferência de verbas do MEC para municípios.

Quando estourou o escândalo, o então ministro Milton Ribeiro declarou que “foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar [dos Santos]”.

Além de não contestar e, portanto, de dar como verdadeira e fidedigna a versão de Milton Ribeiro sobre a atuação corrupta dos pastores em seu nome, Bolsonaro ainda declarou que “eu boto a minha cara [não só a mão] no fogo pelo Milton” [sic].

Desta vez, sem a decretação de sigilo de 100 anos das ilegalidades e ilicitudes para abafar mais este escândalo de corrupção, o governo militar ficou nu.

O bordão eleitoral de Bolsonaro – “Brasil acima de tudo, deus acima de todos” – que, por sinal, é lema do Exército brasileiro [Brasil acima de tudo] é, na verdade, uma corruptela picareta de “roubai em nome de deus”.

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22
Jun22

Bolsonaro colocava a cara no fogo por Milton Ribeiro

Talis Andrade

 

 

 
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George Marques 
@GeorgMarques
Bolsonaro disse que colocava a cara no fogo por Milton Ribeiro. Agora que Ribeiro foi preso e se queimou, lava as mãos. Qual a relação do presidente com o caso? Em áudio o ex-ministro afirma que receberia os pastores presos a pedido do presidente. Jair sabia de tudo?
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Blog do Noblat
@BlogdoNoblat
Petistas comemoram prisão de ex-ministro
Parlamentares e dirigentes do partido celebraram e lembraram frases de Bolsonaro e da primeira-dama em defesa de Milton Ribeiro

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Justiça diz que ex-ministro Milton Ribeiro cometeu ao menos 4 crimes

Corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência estão citados pelo juiz em mandado

 
O ex-ministro da Educação Milton Ribeiro é acusado de ter cometido ao menos quatro crimes. Ele foi preso preventivamente pela Polícia Federal, na operação Acesso Pago, na manhã desta quarta-feira (22/6) em sua casa na cidade de Santos, no litoral paulista.

Os crimes estão relacionados a um esquema de corrupção envolvendo pastores evangélicos e distribuição de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), ligado ao MEC, durante a gestão do ex-ministro do governo Bolsonaro à frente da pasta.

No mandado de prisão, ao qual a coluna teve acesso, o juiz federal Renato Borelli cita os crimes de corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência.

Mandado de prisão preventiva contra o ex-ministro Milton Ribeiro

Mandado de prisão preventiva contra o ex-ministro Milton Ribeiro

 

 

No documento, o magistrado ainda ordena que Ribeiro seja transferido para a Superintendência da PF em Brasília e que participe de uma audiência de custódia nesta quinta-feira (23/6), às 14h, na sede da 15ª Vara Federal.

A PF também cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços dos pastores Arilton Moura e Gilmar Santos.

O pastor Gilmar Santos pediu uma oferta especial aos fiéis da sua igreja, para uma reforma no templo, horas antes de ser preso:

Os prefeitos de Bonfinópolis, em Goiás, e da cidade paulista de Boa Esperança do Sul chegaram a ter audiências com Milton Ribeiro após se reunirem com o pastor Arilton Moura. Os prefeitos relataram ao jornal O Globo que Arilton teria pedido propinas entre R$ 15 mil a R$ 40 mil, inclusive por meio da compra de bíblias

@Isaac13181
Isso tem nome...., APARELHAMENTO. Nós precisamos aparelhar também.
@canaldacidadania
Vejam a diferença de uma operação da polícia federal em um governo do Bolsonaro e como ela era feita no governo da Dilma e do Lula. Vejam os policiais estão descaracterizados as viaturas também estão descaracterizadas não tem armas não tem toda aquela ostentação militar.
 

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27
Abr22

A extrema direita é a bala perdida da política brasileira

Talis Andrade

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O episódio da bala disparada pela arma de Milton Ribeiro seria algo banal se não estivesse encaixado no contexto das aparentes alucinações da realidade

 

 

por Moisés Mendes

- - -

O episódio da bala disparada pela arma do ex-ministro Milton Ribeiro seria algo banal, da periferia dos assuntos considerados sérios, se não estivesse encaixado no contexto das aparentes alucinações da realidade brasileira.

Um pastor entra armado no aeroporto da capital do país, por onde circulam as figuras mais importantes da República, manuseia uma pistola dentro de uma pasta, toca onde não deveria tocar e provoca um incidente com a marca do bolsonarismo.

O episódio tem uma arma, a imprudência, tem a inabilidade, o desrespeito às normas legais de segurança e ainda tem o desprezo pelo bom senso e pelos outros. É um caso terrivelmente bolsonarista.

Se o presidente da República, um armamentista, não consegue efetuar um tiro por esquecer de destravar a arma, um pastor-educador não deve ter a obrigação de saber como travar uma pistola.

E assim o caso passa a frequentar só os cantinhos dos grandes jornais, como um fato esdrúxulo, quando é parte do roteiro escrito pela extrema direita. É um incidente coerente com o que vivemos por imposição do fascismo.

Ninguém morreu, ninguém se queixou de nada, a Polícia Federal devolveu o revólver ao seu dono e ninguém ficou sabendo por que um pastor tem porte de arma. 

Que situação excepcional garante a Milton Ribeiro o direito de andar armado em áreas públicas e fechadas com grande circulação de pessoas?

Se o pastor entrou no aeroporto com a arma, não se dirigiu ao posto da Polícia Federal, se foi ao balcão da empresa e só ali decidiu retirar a munição, é porque estava preparado até aquele momento para imprevistos. Dentro do aeroporto.

Se não estivesse, teria se dirigido ao check-in com tudo resolvido antes com as autoridades policiais que devem fazer valer os protocolos nessas situações.

Com a arma carregada, é possível supor que, se fosse acossado pelos sentimentos de medo e de violenta emoção, o ex-ministro poderia reagir atirando. Dentro do aeroporto.

O bolsonarismo nos oferece personagens e situações inimagináveis em circunstâncias consideradas normais, mesmo que não se saiba mais o que possa ser normal no Brasil.

É razoável supor, a partir do caso de Ribeiro, que muitos brasileiros se sintam no direito de circular armados em toda parte. Ou só em aeroportos?

Não circulam também em rodoviárias, shoppings, nas ruas e em festas do agronegócio? Em motociatas?

Noticiam que Ribeiro estaria registrado como colecionador e como caçador. Um colecionador que carrega parte da coleção para onde vai.

Um caçador que põe a pistola na pasta e entra no aeroporto, com a armada pronta para uso, para caçar o quê? Parece tema de pauta policial, mas não é.

Foram registradas no ano passado no Brasil 204 mil novas armas, mais do que o dobro de 2019. Bolsonaro mandou o país se armar.

Quase 80% dos registros são de cidadãos comuns, colecionadores e caçadores do time do ex-ministro, que acaba de criar e normalizar a bala perdida de aeroporto.

O professor que cuidava da Educação, um pastor presbiteriano, um homem de Deus, anda armado e se envolve em incidente típico de zonas de conflito e violência urbana. E estava no aeroporto de Brasília.

Não é um mero incidente de plantão policial, é mais um fato dos costumes bolsonaristas para a compreensão do estágio a que chegou o país controlado pela família no poder.

O tiro de Ribeiro deveria estar nos cantinhos dos sites da grande imprensa, como está, se tivesse partido da pasta de um contraventor. Mas o protagonista é um homem da Bíblia.

O tiro no aeroporto traz, para quem vê significado em quase tudo, o prenúncio de que algumas coisas podem sair do controle, porque estão mexendo em pastas e enfiando as mãos em cumbucas de alto risco.

Dá para imaginar o que pode acontecer no país armado por Bolsonaro, com a intenção explícita de formar milícias, com tanta gente sem competência para fazer o que deve ser o abc de qualquer manual de caçador.

Bolsonaro e líderes do bolsonarismo não sabem destravar e travar armas. A extrema direita é a bala perdida da política brasileira.Image

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talisandrade
Membros de gabinete paralelo, pastores foram 127 vezes ao MEC e ao FNDE no governo Bolsonaro. Sempre para rezar, rezar o venha a nós o dinheiro dos negócios da educação
 
27
Abr22

Ex-ministro do Mec faz disparo de arma de fogo que é crime com pena de 2 a 4 anos de cadeia

Talis Andrade

 

 

 
 
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Lenio Luiz Streck
O Brasil é incrivel. Armado, o ex min Milton do mec faz disparo de arma de fogo, que é crime com pena de 2 a 4 anos de reclusão. Isso se ele tem porte. Se não, piora. Provavelmente será dito que foi o demônio que disparou. Pastores Arilton e Gilmar já estão no local. Armados!Image
 
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Em Nova Iorque - lugar tido como exemplo por adoradores de armas - o ex-min da educação seria preso e algemado. Mas por aqui “os rigores da lei são para os inimigos”. Para os amigos, a benevolência. Por isso os pastores só foram ao palácio para orar. Obraram!Image
 
 
De todo modo, poderá ser indultado (sarcasmo!!!).

Grozny Arruda
@ArrudaGrozny
TEMPOS NEONAZISTA . . . . Ex-ministro Milton Ribeiro disparou acidentalmente uma arma de fogo dentro de Aeroporto em BSB. Estilhaços de munição atingiram uma pessoa. Quando se troca livros por armas a tragédia é iminente.
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@LenioStreck
Acréscimo: fosse um pé-de-chinelo portando arma e DISPARANDO, seria preso, algemado e outras quejandices. Simples assim!!!!!

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