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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

12
Mar22

O preço da gasolina e a corrida eleitoral

Talis Andrade

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"A verdade é que as privatizações, a diminuição de carga de processamento e a redução dos investimentos em refino levadas a cabo pela Petrobrás tornaram o Brasil dependente da importação de cerca de 30% da gasolina, do diesel e do gás. Da mesma forma, o cancelamento de projetos, o arrendamento de unidades e a redução de investimentos fazem com que  importemos mais de 80% dos fertilizantes que utilizamos", escreveu Aloizio Mercadante, que acrescentou:

- Como, desde o golpe contra a presidente Dilma, e como consequência da Lava Jato, a Petrobrás passa por um processo de completo esquartejamento, a empresa não tem mais capacidade de cumprir o papel estratégico de contenção do impacto da variação do preço internacional do petróleo no mercado interno. A Lava Jato e o projeto Temer-Bolsonaro subordinaram a Petrobras aos interesses das 392 empresas importadoras de petróleo e dos acionistas minoritários. 

Além de receberem dividendos bilionários da Petrobrás, os acionistas privados da empresa, boa parte estrangeiros, votarão para premiar com R$ 13,1 milhões a cúpula da estatal. Nesta semana, a Petrobrás anunciou novo reajuste no preço dos combustíveis. Enquanto os brasileiros gastam valores exorbitantes para abastecerem o carro, a elite da Petrobrás recebe cada vez mais dinheiro

O presidente da empresa, general Silva e Luna, e a diretoria receberão pelo menos R$ 1,45 milhão.

A denúncia foi feita pela presidente nacional do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), no Twitter. "Depois de receberem dividendos bilionários, acionistas vão votar distribuição de R$ 13,1 milhões para a cúpula da Petrobrás em prêmio por performance. Chocante! Presidente da empresa, general Silva e Luna, e diretoria vão receber no mínimo R$1,45 milhão! Se isso não é crime, é o quê?", questionou.

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Antonio Cappellari ACIONISTAS DA BR AGRADECEM
@cappellarianton
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Humberto Costa
@senadorhumberto
Quando a gente compara, a gente entende porque o Brasil rejeita Bolsonaro e quer
de novo
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Janio Ribeiro #BrotardaSemente Youtube - Esquerda
@JanioRibeiro
O lucro da Petrbrás dividido aos acionistas foi de 101 bilhões - Lucro de mais de 1000% ao acionista - A bolsa ganha e seu bolso perde.ImageImage
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ImageCharge Animada: Refinaria anuncia aumento na gasolina e no gás
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25
Fev22

Kicis the nazis: os flerteSS da deputada que quer criar o ‘crime de falsa acusação de nazismo’

Talis Andrade

Bia Kicis se encontra com deputada de partido negacionista e xenófobo da  Alemanha - CartaCapital

 

por Hugo Souza

Há poucos dias, em 14 de fevereiro, a deputada federal bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF) apresentou à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados o projeto de lei 254/2022, que prevê o “crime de falsa acusação de nazismo”.

A motivação da deputada, que preside a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, foi a demissão do comentarista Adrilles Jorge da Jovem Pan, no início de fevereiro, após Adrilles encerrar sua participação em um programa da emissora com a saudação nazista da mão direita espalmada – o sieg heil (“salve a vitória”).Depois de ganhar mídia ao fazer gesto interpretado como saudação nazista,  Adrilles diz que vai se candidatar a deputado - Brasil 247Moro faz saudação parecida com a de Adrilles que foi associada ao nazismo;  VEJA VÍDEO - Terra Brasil Notícias

Durante o programa, antes de fazer o sieg heil, Adrilles defendeu o youtuber Monark, que tinha acabado de ser dispensado do Flow Podcast por advogar, também ao vivo, pela criação de um partido nazista brasileiro.

Na justificação para o PL do “crime de falsa acusação de nazismo”, Bia Kicis escreveu que Adrilles apenas “despediu-se do público”. Ao apresentar o projeto na Câmara, a deputada falou em “um tchau mal interpretado”.

Ou então o gajo, se calhar, só queria arejar o sovaco direito:

Como exemplo do que seria uma “banalização” do termo “nazista”, Bia Kicis citou também o caso de Filipe Martins, o assessor de Bolsonaro que foi denunciado pelo Ministério Público por fazer um gesto da Ku Klux Klan durante uma audiência no Senado. Para a deputada, Martins apenas ajeitou o paletó.

Assessor de Bolsonaro depõe à Polícia Legislativa sobre gesto ofensivo em  sessão do Senado | Política | G1

Skinhead na CCJ

Bia Kicis publicou em suas redes sociais uma mensagem de Carlos Pampillón, “acusado de ligação com grupos neonazistas na Argentina”, diz o Estadão. “Pampillón é apontado como mentor e treinador de um grupo de skinheads que atacou nove pessoas em Mar Del Plata”..

Carlos Gustavo Pampillón (@CGPampillon) / Twitter

Carlos Gustavo PampilónImage

 

Nesta linha, deve ser apenas uma referência “conservadora” às runas vikings o símbolo estampado na camiseta de um amigo do neonazista argentino Carlos Pampillón, numa foto de semanas atrás em que o próprio Pampillón aparece com uma t-shirt estampada com a imagem de Jair Bolsonaro.

Wolfsangel in E. Ukraine: Foreign Policy talks to deputy leader of  'pro-govt' Azov Battalion — RT World News

Batalhão Azov com símbolo da Waffen SS, bando neonazista da Ucrânia

 

O símbolo é o Wolfsangel, usado por pelo menos quatro Divisões Waffen SS nazistas na Segunda Guerra Mundial, inclusive a temida 2ª Divisão “Das Reich”, responsável por uma miríade de crimes de guerra

Em agosto do ano passado, Bia Kicis repercutiu em sua conta no Twitter um vídeo de Carlos Bolsonaro, desculpe, Pampillón convocando os argentinos a pegarem em armas “legalmente” contra o governo de Alberto Fernández.

Eduardo Bolsonaro ironiza comunidade LGBT com camiseta pró-armas - Guia Gay  Brasilia

Depois, Bia Kicis apagou a publicação, que tinha a hashtag das manifestações bolsonaristas pelo voto impresso realizadas no dia 1º de agosto de 2021. A deputada foi a autora da PEC do voto impresso, derrotada em uma comissão especial da Câmara quatro dias depois.

Por falar em incitar a população a “se armar legalmente”, Bia Kicis se encontrou nas últimas horas com o líder do movimento Pró-Armas, Marcos Pollon. Em ano eleitoral, Pollon é figura de proa numa ação bolsonarista coordenada nos estados para liberar o porte de armas para Colecionadores, Atiradores Esportivos e Caçadores – os CACs -, conforme este Come Ananás denunciou com exclusividade no dia 10 de fevereiro.

Ótimo papo com meu amigo @PROARMASBrasil @PollonMarcos ! pic.twitter.com/5cmOWzLDLB

— Bia Kicis (@Biakicis) February 19, 2022

 

O ‘rosto amigável do Nacional Socialismo’

Em julho do ano passado, entidades judaicas brasileiras reagiram com indignação ao encontro de Jair Bolsonaro, em Brasília, com a deputada alemã Beatrix von Storch, vice-presidente do partido de extrema-direita Alternativa Para a Alemanha (AfD, na sigla em alemão). O AfD vem sendo monitorado pela Ação Federal para a Proteção da Constituição, agência instaurada na Alemanha depois da Segunda Guerra Mundial para ficar de olho em grupos que flertam, se não trepam, com o nazismo.

Beatrix von Storch é neta de Johann Ludwig Schwerin von Krosigk, que foi ministro das Finanças de Adolf Hitler. No currículo, a netinha tem histórico de incitação ao ódio contra muçulmanos.

Antes de se encontrar com Bolsonaro, Beatrix von Storch se encontrou com Bia Kicis:Bia Kicis se encontra com deputada de partido negacionista e xenófobo da  Alemanha - CartaCapital

No ano passado, um membro do AfD, Matthias Helferich, foi flagrado se autodescrevendo como “o rosto amigável do Nacional Socialismo”, que é como os nazistas, ou os neonazistas, preferem se referir a si próprios.

Bia Kicis é ligada também à “ativista”, que fez parte do grupo “feminista” Femen, de origem ucraniana e ligado a tendências neonazistas. A deputada teve ainda conexão com o grupo “300 Brasil”, que em 2020 chegou a atacar o prédio do STF com fogos de artifício e do qual Sara Winter foi uma das artífices. O grupo, extinto, guardava semelhanças com organizações neonazistas europeias.Sara Winter é presa pela PF em Brasília | VEJASara Winter

Grupos paramilitares e neonazistas ucranianos ostentam o Wolfsangel nazista como símbolo. Há dois anos, Bia Kicis se armou para a guerra quando a imprensa e políticos notaram, estupefatos, que manifestações pró-Bolsonaro na avenida Paulista estavam sendo decoradas com bandeiras ucranianas.Polícia investiga a presença de símbolo neonazista em protesto na Avenida  Paulista - Jornal O GloboSaiba quem é o dono da bandeira ucraniana que deu origem ao conflito na  Avenida Paulista - MBrasil

Ainda em 2020, uma semana antes do então secretário de Cultura do governo Bolsonaro apresentar-se em rede nacional como cosplay de Joseph Goebbels – o ministro da Propaganda de Hitler – anunciando planos para a arte e a cultura do Brasil, Bia Kicis publicou em seu perfil no Twitter um vídeo em que aparecia ao lado de Alvim e no qual Alvim dizia que “eu posso afirmar pra vocês uma coisa, sem medo de errar: 2020 vai ser o ano do renascimento da arte e da cultura no Brasil”.

O POVO on Twitter: "O secretário especial da Cultura, Roberto Alvim,  parafraseou famoso discurso do ministro da Propaganda de Adolf Hitler,  Joseph Goebbels, em pronunciamento. Veja o vídeo > https://t.co/Lxwe2XQcUf  https://t.co/uhU4STisQ7" /Bia Kicis - Encontro com Roberto Alvim, secretário...

 

‘Wie bitte?’

Em um nada menos que espetacular vídeo satírico que circulou na internet há não muito tempo, um oficial nazista, com uma suástica no braço, passa sobranceiro por uma rua quando um cidadão alemão, contrariado, o chama de “nazi”.

O oficial reage: Wie bitte? (“Como é que é?”), e prossegue:

“Que absurdo! Só porque eu sou um membro do NSDAP – o partido nazista – e da SS, então eu sou um nazi? Nazistas, nazistas, nazistas… Todo mundo é nazista. Quando ficam sem argumentos, usam a boa e velha ‘cartada do nazismo’. Só porque alguém não compartilha da sua opinião dominante, ele se torna automaticamente um nazista. No seu mundo, todos são nazistas. Para você, o Führer também é um nazista, não é?”.

Ao confirmar que sim, ora essa, o führer era um nazista, o cidadão vai preso, como Bia Kicis quer. O oficial da SS ironiza: “Já sei, já sei: ‘métodos nazistas'”.

Bia Kicis, repetimos, é presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. Isto é o “novo Brasil”, e o vídeo é este:

 

06
Fev22

O Rio racista

Talis Andrade

www.brasil247.com -

 

Por Miguel Paiva /Jornalistas pela Democracia

O racismo no Brasil sempre existiu. Nunca foi abolido assim como o conceito de escravatura. Ambos resistem ao passar dos tempos num país onde a educação é sempre deixada para trás e o que há de pior nos mandamentos herdados é o que fica. O preconceito racial se junta ao social, ao de gênero e por aí vai. Por isso continuamos assistindo cenas como os assassinatos do congolês Moïse e do brasileiro Durval Filho.

Eu, que sou branco de origem ibérica, talvez com um pouco de moro por conta da Espanha e de Portugal quando estudava no ginásio – e olha que era o colégio de Aplicação da UFRJ, exemplo de ensino moderno- era chamada pelos meus colegas de turma de disco, preto e chato. Eu devia ser chato mesmo porque não era bom de bola, não coçava o saco e não curtia papo de menino. Vivia cercado pelas meninas, fazia poesia e era gago. Difícil não sofrer bullying, mas preto eu não era e assim mesmo era considerado. Era moreno, como sou até hoje e minha pele se bronzeia muito facilmente. Mas daí a ser chamado de preto era um exagero por parte dos colegas preconceituosos e pra mim não significava nada porque de fato eu não carregava nenhuma herança africana mais próxima. 

Meu pai, mais moro do que eu, não conseguia esconder um preconceito herdado do meu avô, desembargador e fazendeiro gaúcho. Ai, exigir um posicionamento democrático é também um exagero. Meu avô se vestia com terno de lã e colete para ir ao centro de Porto Alegre todos os dias. Usava chapéu e ouvia a Rádio Belgrano de Buenos Aires. Quando fui à Argentina com meu pai, a primeira coisa que fez foi se ajoelhar no gramado que cerca o obelisco da Avenida Nove de Julho e provar do pasto de lá. Ficou convencido como fazendeiro (não era nem rico) que o pasto daquele lado do Rio de la Plata era muito mais saboroso. Pois é, essa era a minha origem, muita mais oligarca que africana e assim mesmo eu era o disco, preto e chato.

Passei ao largo desses exemplos de racismo estrutural durante toda a minha infância e juventude, mas a gente não percebia direito o que significava. Morava num bairro em que a favela se misturava com as casas e os prédios. A lotação para Copacabana que eu pegava com minha mãe para ir visitar minha avó parava na favela da Catacumba, na beira da Lagoa Rodrigo de Freitas, em plena zona sul e no transporte subiam pessoas dos mais variados tipos. Minha mãe continuava impávida sem esboçar a menor estranheza. Era a vida no Rio de Janeiro e sobretudo ali na Fonte da Saudade e Lagoa. Hoje, utilizar o transporte público no Rio é um risco de vida. Quase todos os dias vemos cenas de passageiros se escondendo durante tiroteios no trajeto. 

Ainda criança vi o incêndio da praia do Pinto e os primeiros gestos para expulsar os pobres da área dos ricos. Vi a própria favela da Catacumba dar lugar a moradias para ricos. Algumas favelas resistiram a este ímpeto e faltou educação e ocupação social do estado, salvo no período do Brizola, para que essa experiência de convívio se tornasse única.  Hoje os pobres são mantidos forçadamente longe, mas eles justamente vêm, querem frequentar a praia porque não têm o que fazer onde moram. Estão abandonados. 

O racismo não foi extirpado, a classe média prefere pisar no vizinho a se juntar a ele para melhorar de vida. Com isso assistimos à essas cenas de violência absurda e sempre contra negros, mais ou menos pobres. A carne mais barata do mercado é a carne negra, já cantava a saudosa Elza Soares. É verdade. Os brancos que matam negam isso, mas está lá dentro. É atávico. Vai ser difícil mudar, melhorar enquanto o país seguir entregue a essa gente violenta e cruel. Vamos voltar logo para a democracia plena para que as pessoas possam aproveitar novamente essa cidade tão linda e tão violenta e disco seja o da Elza na vitrola.

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10
Jan22

O Brasil está cada vez distante da América Latina

Talis Andrade

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por Juan Arias /El País

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A rejeição do presidente de extrema direita Jair Bolsonaro à oferta de ajuda do governo argentino ao Brasil devido às graves enchentes que atingiram o Estado da Bahia com dezenas de mortos e mais de meio milhão sem abrigo em pleno Natal, são mais um sintoma de como o Bolsonaro está distanciando o seu país da América Latina e do mundo em geral. A desculpa dada pelo Chefe do Estado é que o governo argentino “é de esquerda”.

Neste momento em que o Brasil parece estar mais centrado nas suas origens coloniais portuguesas com as classes altas comprando uma segunda casa lá e com visitas mais frequentes ao local, o jornalista de 73 anos Carlos Fino, uma das figuras mais proeminentes do jornalismo português, acaba de lançar o livro “Portugal Brasil: Raízes do Estranhamento” para mostrar que a chamada Russofobia está crescendo ao contrário no Brasil, alimentada por uma visão negativa de Portugal presente na imprensa, em livros e até em filmes e novelas. “O Brasil tem vergonha da herança de Portugal” e isso “parte das elites mais iluminadas”.

Se a isso se somar o fato de que Bolsonaro nada fez, pelo contrário, para estreitar os laços do Brasil com o resto da América Latina, nem mesmo com a América do Sul, fica mais claro o perigo de o país tornar-se cada vez mais isolado do mundo e trancado em si mesmo.

Quando cheguei ao Brasil, há 20 anos, o que mais me impressionou foi ver que entre as pessoas comuns e os estudantes pouco ou nada se sabia a respeito do resto do continente americano. E quando perguntei aos intelectuais como eles se sentiam no mundo, me olharam de forma estranha e responderam: “Brasileiros”. Poucas elites falavam espanhol e durante dez anos houve uma batalha no Congresso para tornar o ensino da língua Cervantes obrigatório nas escolas. Foi inútil. A lei foi esquecida sob a desculpa de que não havia professores suficientes e que eles ganhavam menos do que em outras partes do mundo.

A isso se somam as pouquíssimas informações que os grandes meios de comunicação, com raras exceções, oferecem sobre a América Latina, o que explica por que os brasileiros se sentem apenas brasileiros, donos de um império próprio, cientes de sua grande riqueza, de ser o quinto maior território do planeta que detém 16% da água potável do mundo. Isso junto com a incrível diversidade da Amazônia que este governo está fazendo tudo para destruí-la e dar lugar à pecuária e ao cultivo da soja, sacrificando se necessário os povos indígenas que sempre foram os donos desses territórios.

Este ano, o Brasil vai celebrar os 200 anos da Independência de Portugal, e com este governo encerrado no seu culposo isolamento que empobrece cada vez mais o país, em vez de fazer da data um momento de reflexão para saber de onde veio e aonde quer chegar, vive angustiado com ameaças de falência de sua democracia, acossado por um governo golpista cujo presidente em seus três anos de mandato não visitou a Europa ou a América Latina. Bolsonaro só está interessado em manter boas relações com o ultradireitista americano Trump na esperança de que ele volte ao poder.

Segundo estudo do Instituto Cervantes, apenas 6,7% conhecem ou estudam espanhol no Brasil e 3%, até mesmo dos professores, não sabem quais países fazem parte da América Latina. Sem embargo, assim como o Prêmio Nobel de Literatura, o português José Saramago, ironizou que os espanhóis continuavam a manter Portugal no mapa porque se o retirassem sentiriam um “complexo de castração” e o mapa ficaria muito feio, da mesma forma eu poderia falar do Brasil e do resto do continente. Se da América Latina isolássemos o Brasil, que faz fronteira com dez de seus países, o mapa ficaria muito feio dos dois lados.

O Brasil só será a potência geográfica e econômica que representa se enxertado no continente e só poderá ser visto como uma força mundial dentro do continente se as ideias mais abertas de alguns políticos brasileiros iluminados do passado que sonharam com um continente rico e unido forem resgatadas, com uma moeda única, uma espécie de Estados Unidos da América Latina.

Se a desunião dos povos só cria pobreza, violência e deserto, pelo contrário, a união dos povos acaba enriquecendo a todos. A experiência da União Europeia pode ser criticada, mas a verdade é que, enquanto antes da união o continente sempre viveu em guerras, hoje, desde então, nunca houve um conflito violento entre os seus Estados, e eles tem uma moeda forte.

Bolsonaro chegou ao poder com o vírus da separação, ódio e isolamento do Brasil do resto do mundo. Hoje, a única possibilidade de se voltar a sonhar com um Brasil dentro do mundo, especialmente da América Latina, é que este, que será o segundo centenário de sua independência, seja também o da sua libertação do que já é considerado o “pior governo”, o mais empobrecedor e isolacionista de sua história.

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06
Jan22

Horas após sair de hospital, Bolsonaro chuta bola em campo e assiste a jogo com sertanejos em Goiás; vídeo

Talis Andrade

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Bolsonaro nega ter tirado férias, mas anunciou própria folga em discurso

 

 

Horas após ganhar alta do hospital, o presidente Jair Bolsonaro (PL) deu um chute em uma bola no campo em que foi realizado um jogo com sertanejos, na noite desta quarta-feira (5), em Goiás (veja vídeo acima). O jogo beneficente foi organizado pelo cantor Marrone, da dupla com Bruno, e contou com vários famosos. Bolsonaro ficou dois dias internado em São Paulo por conta de uma obstrução no intestino.

Antes de ser internado por conta de uma nova obstrução intestinal, o presidente Jair Bolsonaro (PL) ligou para o médico-cirurgião Antônio Luiz Macedo e disse que “estava morrendo” ao falar sobre a dor.

“É uma dor pavorosa. É como alguém bater com um martelo na barriga com força”. O relato foi feito pelo cirurgião Macedo.Image

O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou hoje (5) ser "maldoso" quem diz que ele estava de férias, distorcendo um anúncio feito por ele mesmo semanas antes, quando declarou que tiraria dez dias de folga no último mês de 2021.

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"Vou ter dois períodos de folga esse ano. Cinco dias agora no Natal e cinco dias depois. Não estou reclamando, não. A missão, eu fui atrás dela porque quis. Eu vim candidato porque quis, dei azar, ganhei", disse Bolsonaro em discurso no lançamento do programa Rodovida, em 14 de dezembro, no Palácio do Planalto, em Brasília.

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30
Dez21

"Lamentável. Bolsonaro não ajuda e recusa ajuda da Argentina", diz Lula

Talis Andrade

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Chico Pinto
Tá de boa, enquanto a gente se fode!
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As fortes chuvas na Bahia já mataram 24 pessoas. Enquanto isso, Bolsonaro curte férias em Santa Catarina
www.brasil247.com - Lula

 

247 - Após Jair Bolsonaro (PL) se pronunciar nesta quinta-feira (30) sobre a recusa à ajuda humanitária do governo da Argentina para auxiliar as vítimas das fortes chuvas no sul da Bahia, o ex-presidente Lula (PT) criticou a atitude.

Para o petista, Bolsonaro, além de não ajudar, já que está de férias em Santa Catarina, ainda atrapalha. "É lamentável você ver um presidente que não ajuda recusar ajuda de outras pessoas".

Bolsonaro afirmou que a ajuda argentina 'não é necessária'. As fortes chuvas e enchentes na Bahia já mataram 24 pessoas e 37,3 mil pessoas estão desabrigadas.

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De férias na praia, Bolsonaro diz que apoio da Argentina para Bahia “não é necessário” 

 

247 - Em suas férias sem fim em Santa Catarina, Jair Bolsonaro (PL) se pronunciou nesta quinta-feira (30) sobre a recusa à ajuda humanitária do governo da Argentina para auxiliar as vítimas das fortes chuvas no sul da Bahia. 

Segundo o mandatário, o “fraterno oferecimento argentino” foi feito quando as Forças Armadas, em coordenação com a Defesa Civil, já estavam prestando aquele tipo de assistência à população afetada, inclusive com o apoio de três helicópteros da Marinha e do Exército.

O país vizinho ofereceu apoio psicossocial e se comprometeu a mandar profissionais especializados em saneamento para a região, ajuda que foi prontamente recusada pelo Itamaraty. 

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11
Dez21

Argentinos cantam que Lula "vai voltar" durante ato em Buenos Aires

Talis Andrade

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Blog do Noblat
O primeiro grande comício de Lula candidato foi em Buenos Aires. “Ele vai voltar”, gritou a multidão reunida pelo governo argentino para celebrar na Praça de Maio o Dia da Democracia (Por Ricardo Noblat)

 

por Pedro Grigori /Correio Braziliense

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O segundo dia de compromissos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Argentina terminou com um coro em apoio ao petista. A multidão presente na Plaza de Mayo, em Buenos Aires, cantou “vamos voltar, Lula vai voltar” logo após discurso da vice-presidente argentina Cristina Kirchner.

“Veja, companheiro, sempre que cantaram isso acertaram a previsão”, disse Kirchner ao petista. O presidente da Argentina, Alberto Fernández , e o ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica, também fizeram parte do evento em comemoração aos 38 anos da recuperação da democracia da Argentina.

Lula discursou para a multidão e agradeceu a solidariedade do povo argentino e do presidente Fernandez durante o período que esteve preso.

“O companheiro Alberto Fernández era candidato a presidente e teve coragem de ir na cadeia me visitar, mesmo eu pedindo para ele tomar cuidado, porque talvez não fosse prudente para um candidato. E Alberto disse: ‘Diga a Lula que vou visitá-lo com muito orgulho e que quero dar uma entrevista, depois que sair da prisão, para que todo o povo argentino saiba que, independentemente das eleições, eu sou humanista, defendo os direitos humanos e quero defender a liberdade do companheiro Lula, que está preso injustamente’”, lembrou o petista. (crédito: Reprodução/Twitter @alferdez)

Os presidentes Mujica (Uruguai), Alberto Fernandez, Cristina Kirchner (Argentina) e Lula (Brasil)

 

O segundo dia de compromissos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Argentina terminou com um coro em apoio ao petista. A multidão presente na Plaza de Mayo, em Buenos Aires, cantou “vamos voltar, Lula vai voltar” logo após discurso da vice-presidente argentina Cristina Kirchner.

"Veja, companheiro, sempre que cantaram isso acertaram a previsão”, disse Kirchner ao petista. O presidente da Argentina, Alberto Fernández , e o ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica, também fizeram parte do evento em comemoração aos 38 anos da recuperação da democracia da Argentina.

Lula discursou para a multidão e agradeceu a solidariedade do povo argentino e do presidente Fernandez durante o período que esteve preso.

“O companheiro Alberto Fernández era candidato a presidente e teve coragem de ir na cadeia me visitar, mesmo eu pedindo para ele tomar cuidado, porque talvez não fosse prudente para um candidato. E Alberto disse: ‘Diga a Lula que vou visitá-lo com muito orgulho e que quero dar uma entrevista, depois que sair da prisão, para que todo o povo argentino saiba que, independentemente das eleições, eu sou humanista, defendo os direitos humanos e quero defender a liberdade do companheiro Lula, que está preso injustamente’”, lembrou o petista.

Lula também disse que a América do Sul viveu o melhor momento durante os anos 2000 e 2012, período em que progressistas presidiam grande parte dos países do continente. “Esses companheiros progressistas, socialistas, humanistas fizeram parte do melhor momento de democracia da nossa Pátria Grande, a nossa querida América Latina”, afirmou.

“Nossa querida América do Sul viveu seu melhor período de 2000 a 2012, quando nós governamos democraticamente todos os países do continente, quando nós expulsamos a Alca e firmamos o Mercosul, criamos a Unasul e a Celac”, acrescentou.

Mais cedo, o ex-presidente do Brasil recebeu o Prêmio Azucena Villaflor, que homenageia cidadãos pela trajetória na defesa dos direitos humanos.

La cálida recepción que recibió el expresidente habría irritado a Jair Bolsonaro

Los ecos en Brasil del viaje de Lula da Silva a Argentina 

Mientras el líder del PT toma impulso a partir de su prestigio internacional, el presidente brasileño busca convertir a su país en una mecca para negacionistas

Reportagem de Dario Pignotti, in Página 12, aqui

 

10
Dez21

Lula da Silva: Moro e Bolsonaro, dois fascistas que "terão de disputar entre si" para disputar com o PT o segundo turno

Talis Andrade

 (Fuente: Claudio Santiesteban) Imagen: Claudio Santiesteban

 

Lula, candidato a presidente no próximo ano, em entrevista ao portal Página 12, comparou o ex-juiz parcial Sergio Moro a Jair Bolsonaro.

Lula disse que Moro é “perigoso” e neofacista, que Bolsonaro é “fascista”.

“São dois personagens muito comprometidos com a extrema direita e, no caso de Moro, é um personagem perigoso. Quando era juiz, ousou mentir em um processo para me condenar e me levar para a prisão, evitando que eu fosse eleito presidente em 2018″, disse o ex-presidente.

“Então, eu diria que são dois extremistas, Bolsonaro é fascista e Moro é neofascista. Os dois vão tentar mentir para a sociedade o tempo todo. Eles terão que disputar entre si para quem vai ao segundo turno com o PT. […] Quantas mentiras eles podem contar aos brasileiros?”

Lula também falou sobre a possibilidade de uma “segunda onda” na América Latina com a volta de governos progressistas na América Latina, citando México, Argentina e Bolívia. “Acredito que os setores progressistas podem vencer no Chile, que temos muitas possibilidades no Brasil, que a vitória de Luis Arce foi uma vitória extraordinária da Bolívia, e tem o Peru sob Castillo”, disse.

Lula: "Brasil vive una situación que no creía que volvería a vivir, con 19 millones de personas que pasan hambre"

 
Por Mercedes López San Miguel /Página 12

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Desde San Pablo

Sentado en su despacho en el Instituto Lula, Luiz Inácio Lula da Silva recibió a PáginaI12 con un mapamundi detrás. Las relaciones internacionales, la necesidad de explicar al mundo cómo serán superados los años traumáticos del Brasil de Jair Bolsonaro, son un pilar de la estrategia de este expresidente reconocido por la reducción de la pobreza. Su lugar de trabajo en el barrio Ipiranga de San Pablo se convirtió en destino de peregrinos de la política, la academia y el arte, que lo visitan a diario. El exmandatario concedió esta entrevista horas previas a aterrizar en Buenos Aires para participar en el acto multitudinario que encabezarán Alberto Fernández y Cristina Fernández celebrando la recuperación de la democracia, hace 38 años.

El líder brasileño es consciente de los problemas de Argentina, en donde además del acto de este viernes realizará varias actividades con líderes sindicales y organismos de derechos humanos. "Alberto Fernández recibió la deuda de la presidencia de Macri y entonces el pueblo argentino va a tener que tener mucha paciencia. La pandemia hizo otro tanto, pero creo que es posible que la economía argentina se recupere, que se generen empleos y mejoren los salarios para que la gente sea más feliz".

Será clave la negociación con el Fondo Monetario Internacional. Al respecto, Lula da Silva sostuvo: "esperemos que el Fondo no haga presión y llegue a un acuerdo que le permita a Argentina continuar creciendo, que permita que el pobre argentino tenga la posibilidad de recuperar su dignidad".

El candidato presidencial favorito para los comicios de octubre dijo que se va a casar el año próximo con "Janja", el apodo de su compañera Rosángela da Silva. "No es porque ella quiera. Yo necesito casarme, tengo un compromiso con ella y espero que sea antes de las elecciones". Su prometida, socióloga y militante petista, fue un gran apoyo cuando estuvo preso 580 días en la cárcel de Curitiba.

El sitio The Intercept reveló las tretas que urdieron el juez Sergio Moro y los fiscales para orquestar una condena ilegal. Al fin y al cabo, la causa Lava Jato fue anulada por el Supremo Tribunal Federal debido a la parcialidad de Moro. Al exjuez devenido en candidato Lula lo definió como "un neofascista que va a intentar mentirle a los brasileños". Moro compite por la porción electoral de Bolsonaro, a quien Lula directamente calificó de "genocida". "Brasil vive una situación que no creía que volvería a vivir, con 19 millones de personas que pasan hambre", afirmó el fundador del Partido de los Trabajadores (PT).

Mercedes López San Miguel entrevista Lula

 

--En Argentina, el macrismo dejó un enorme daño social con su política económica, en Brasil sucede eso mismo con las políticas neoliberales de Paulo Guedes. ¿Qué margen tendrá un futuro gobierno en Brasil para revertir esa herencia?

--El Partido de los Trabajadores (PT) es capaz de cambiar la situación de Brasil, necesita regresar al gobierno porque sabe poner en práctica las políticas de inclusión social, de generación de empleo, para que las personas más pobres participen del presupuesto de las ciudades y de los estados brasileños. No podemos aceptar que un país del tamaño de Brasil, que fue la sexta economía del mundo en mi gobierno, hoy sea la décimo tercera; no podemos aceptar que un país que acabó con el hambre en 2012 y hoy vea que el flagelo está tan fuerte : son 19 millones de personas que no tienen qué comer. Tanto Brasil como Argentina, como Bolivia, como Chile, precisan de gobiernos progresistas que involucren a los pobres en la participación activamente de la economía, para que puedan ser consumidores y comprar cosas y accedan a la educación. Estoy convencido de que América latina puede recuperarse. Lamentablemente personas como Néstor Kirchner y Hugo Chávez murieron, otras personas fueron violentadas como Rafael Correa y Dilma Rousseff, después de la violencia de lawfare, contra mí; el golpe contra Fernando Lugo. Los gobiernos conservadores destruyeron todo lo que nosotros construimos de bienestar social de nuestros pueblos. Sé lo que el compañero Alberto Fernández está pasando, lo que significa la deuda que Macri dejó con el FMI y de la presión de éste; por eso Alberto precisa trabajar mucho para que haya un acuerdo y que el pueblo argentino no sea víctima de los neoliberales.

 


-- ¿Qué espera de la negociación de Argentina con el FMI?

-- Es posible construir un acuerdo. El FMi fue tan benevolente con los países ricos con la crisis de 2008, entonces tiene que ser muy generoso para tratar la deuda argentina. El pueblo argentino no puede ser sacrificado.

 

-- ¿Cómo describe su relación con Cristina Fernández y Alberto Fernández?

-- Mi relación con Cristina es más antigua porque yo conviví con ella desde que Néstor Kirchner fue electo presidente de Argentina, y después con ella como presidenta. Mi relación con Alberto tuvo un momento que me conmovió y fue cuando me visitó cuando yo estaba detenido en la cárcel de Curitiba. Fue un acto de generosidad y de solidaridad de Alberto. Por eso, con mucho orgullo, voy a participar del gran acto de recuperación de la democracia en Argentina, son 38 años que deben valorarse. La victoria de Alberto y de Cristina demuestra que el pueblo no puede nunca desanimarse, que es posible para la gente recuperar la democracia en la medida en que el pueblo puede participar activamente en las decisiones. Yo tengo una estima especial por Argentina porque no concibo que Brasil crezca solo; Brasil, tiene que crecer, Argentina tiene que crecer, Uruguay lo mismo, Paraguay, Bolivia porque juntos podemos ser más fuertes. Cuando llegué a la presidencia en el 2003, el intercambio comercial entre Brasil y Argentina era apenas de 7 mil millones de dólares; cuando dejé la presidencia, era de 39 mil millones de dólares, demostrando el potencial económico y de ser socios. Para mí Argentina precisa de Brasil, y es mutuo; como necesitamos del resto de Sudamérica.

 

-- ¿Le resulta significativo que el exjuez Sergio Moro, que se presenta como candidato independiente, compita con la base electoral de Bolsonaro.?¿ Diría que son dos caras de la ultraderecha?

--Son dos personajes muy comprometidos con la ultraderecha y, en el caso de Moro, es un personaje peligroso: cuando era juez osó mentir en un proceso para condenarme y llevarme a prisión y así evitar que yo fuera electo presidente en 2018. Sigo pensando qué seriedad puede tener ese hombre para la sociedad brasileña. ¿Cuántas mentiras podrá contar a los brasileños? Entonces, yo diría que son dos extremistas, Bolsonaro es fascista y Moro es neofascista, los dos van a intentar mentirle a la sociedad todo el tiempo. Ellos van a tener que disputar entre ellos para ver quién pasa a la segunda vuelta con el PT.ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

-- Las encuestas señalan que usted ganaría el ballottage.

-- Todo indica que el PT tiene muchas posibilidades de ganar las elecciones. Tenemos que actuar con seriedad porque falta tiempo para los comicios, y entonces no podemos cantar victoria antes de tiempo. El PT tiene un legado político y económico y de inclusión social extraordinario en Brasil, vamos a intentar darle a la sociedad aquello que el PT hizo de bueno en el país. Vamos a trabajar para ganar las elecciones. De los dos que compiten conmigo, Bolsonaro, por ser presidente, tiene el uso de la maquinaria gubernamental, y Moro mismo, con ayuda de sectores de los medios que hacen el sacrificio enorme para que aparezca en las noticias. No sé si se percibe en Argentina pero aquí yo soy el mayor censurado del planeta tierra. Cualquier candidato que no sea el PT, que tiene un 1 por ciento en las encuestas, aparece más en la televisión que Lula que tiene un 46 o 47 por ciento de intención de voto. Siendo yo el que ganaría en primera o segunda vuelta, según todas los sondeos, las empresas de medios priorizan a candidatos que tienen uno o dos por ciento de intención de voto. No me preocupo porque yo tengo una relación con el pueblo muy verdadera y esto va a permitr que pueda ganar las elecciones.

 

--A propósito, qué rol cree que tienen que tener los sindicatos en los medios, como el caso de PáginaI12, en un contexto en que las corporaciones dominan la comunicación y el periodismo ?

--Estoy muy feliz con el papel del movimiento sindical en la comunicación argentina. Aquí en Brasil creamos una televisión pública, pero no recibió la inversión necesaria y ella no es hoy respetada por el gobierno de Bolsonaro. Tenemos un canal del sindicato de metalúrgicos y de los bancarios de San Pablo. Yo defiendo que los medios sean efectivamente democráticos y que las universidades y los sindicatos puedan tener canales de comunicación para conversar con la sociedad, para informarla, sea a través de la radio, la televisión, el periódico o internet. Es fundamental que la gente entienda que los medios han tenido un rol importante en la región para derrumbar a presidentes progresistas. La prensa ha apoyado golpes en Brasil, vemos cómo los medios atacan a la compañera Cristina Fernández en Argentina. Sé del comportamiento de la prensa contra Chávez y Correa. Yo sé cómo la prensa me trató en Brasil. La gente tiene que bregar por la democratización de los medios de comunicación, lo que significa garantizar que todas las personas tengan la misma oportunidad de hablar, el derecho de responder. Es una lucha muy difícil.

 

--Si usted gana las elecciones, Estima que Bolsonaro podría no reconocerlo al estilo Trump ante la victoria de Biden?

--No, no creo. Lo que va a suceder en Brasil es un golpe democrático: una gran mayoría del pueblo brasileño va a rechazar a Bolsonaro y elegirá un candidato progresista. Espero ser yo. El pueblo brasileño recuerda nuestro legado. Estoy convencido de que vamos a ganar.

 

--En México gobierna Andrés Manuel López Obrador, en Argentina, Alberto Fernández, en Bolivia, Luis Arce; podría ganar Gabriel Boric en Chile. Considera que esta es la segunda oleada de gobiernos progresistas en la región?

--Espero que sí, porque el mejor momento económico, político y social de América latina fue exactamente en el que Chile, Argentina, Brasil, Bolivia, Uruguay y Paraguay eran gobernados por políticos progresistas, presidentes que estaban preocupados por la situación de las personas más pobres. Fue un momento fuerte de inclusión social. Por eso estoy animando a que los sectores progresistas se fortalezcan para poder gobernar nuestra querida América del Sur y América latina. Creo que los sectores progresistas pueden ganar en Chile, que nosotros tenemos muchas posibilidades en Brasil, que lo de Luis Arce fue una victoria extraordinaria para Bolivia, Perú con Castillo. El pueblo está descubriendo que, incluso con muchas dificultades, los sectores progresistas gobiernan con un mayor compromiso con el pueblo trabajador y con los pobres. Creo que América latina necesita de la oportunidad de acabar con la pobreza. Nosotros somos ricos, tenemos materias primas, profesionales calificados, tenemos mucha tierra y capacidad productiva; la única cosa que lo explica es la incompetencia de muchos gobernantes que no saben gobernar para los pobres. Alberto Fernández recibió la deuda de la presidencia de Macri y entonces el pueblo argentino va a tener que tener mucha paciencia. La pandemia hizo otro tanto, pero creo que es posible que la economía argentina se recupere, que se generen empleos y mejores salarios para que la gente sea más feliz.

 

-- Está claro que usted buscará la integración regional. Qué expectativa tiene con el Grupo de Puebla?

-- El Grupo de Puebla tiene un papel muy importante, pero pienso que si los dirigentes progresistas vuelven a gobernar nuestros países, tendrán la chance de recuperar el Mercosur, de fortalecerlo, de fortalecer la Celac. Tenemos que comprender que tenemos un potencial productivo extraordinario, por eso necesitamos construir socios para hacer buenos acuerdos con la Unión Europea, con EE.UU., con China, porque necesitamos recuperar lo perdido en tiempos de pandemia. Voy a intentar reconstruir el Mercosur y crear las condiciones para que se logren acuerdos económicos que beneficien a los pobres de la región, nos merecemos recuperar en el siglo XXI todo lo que fue socavado en el siglo XX.

 

--¿Vive la victoria de Xiomara Castro en Honduras como una reivindicación histórica, tras la solidaridad de su gobierno con el destituido presidente Manuel Zelaya?

-- Zelaya fue víctima de un Golpe de estado y de los intereses de la elite; la elección ahora de su mujer es una recuperación. Espero que ella tenga suerte, que sea fuerte; espero que el Congreso tenga disposición de ayudarla. Porque es muy difícil si se tiene un congreso opositor, que logre la mayoría para poner en marcha las políticas sociales necesarias para sacar adelante a Honduras. En Brasil, en cambio, pasamos por situaciones muy difíciles porque tenemos un genocida que no cuidó la economía, descuidó al pueblo en la pandemia, no cuidó el crecimiento económico. Brasil vive una situación que no creía que volvería a vivir. Brasil ya estuvo mucho mejor, el pueblo brasileño necesita ser feliz.

20
Jun21

Atos pelo Fora Bolsonaro reuniram mais de 750 mil pessoas no Brasil e no mundo

Talis Andrade

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Protestos ocorreram no dia em que o Brasil alcançou 500 mil mortes decorrentes da gestão desastrosa e charlatã de Jair Bolsonaro, que negligenciou a compra de vacinas e empurrou cloroquina, um remédio ineficaz, para os brasileiros

 

 Rede Brasil Atual - Mais de 750 mil pessoas saíram às ruas em cidades por todo o país, e também no exterior, neste sábado (19) em mais uma grande manifestação contra Bolsonaro organizada pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, centrais sindicais e partidos políticos. Foram 427 atos nas 27 unidades da federação em mais de 400 municípios daqui e outros 17 de fora, em um coro contra a gestão genocida do presidente da República. No mesmo dia, o país alcançou a sombria marca de 500 mil mortes pela covid-19, doença cuja vacina foi oferecida e recusada por Bolsonaro e o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. Teve cartaz culpando Bolsonaro pela morte de parentes.

Nos atos, sobraram faixas, bandeiras, cartazes, flâmulas, pinturas e gritos pela Vacina no Braço e Comida no Prato. Exigindo auxílio emergencial de R$ 600 até o final da crise sanitária. Reivindica-se atenção aos pequenos e médios produtores e comerciantes, respeito à soberania nacional, ao serviço a ao patrimônio público. Teve passeata, intervenção artística, bicicletada, carreata, plenária e até ato virtual. Houve muita preocupação com a segurança sanitária, máscara, álcool, evitando proximidade e toque.

A manifestação contra Bolsonaro começou bem cedo, as primeiras notícias vieram de pequenos municípios. Logo cresceu e tomou Brasília, Recife, capitais e grandes cidades do Norte e Nordeste, Sul, Centro-Oeste. Depois Rio, Belo Horizonte e São Paulo. A Presidente Vargas e a Paulista fecharam, com direito à presença de Chico Buarque, Fernando Haddad e muitas outras personalidades. O tema pautou também as redes sociais.

Lula
500 mil mortos por uma doença que já tem vacina, em um país que já foi referência mundial em vacinação. Isso tem nome e é genocídio. Minha solidariedade ao povo brasileiro.

 

07
Jun21

BBC: Congressistas dos EUA pedem que governo Biden explique como foi cooperação entre americanos e Lava Jato

Talis Andrade

moro e dallagnol.jpgMoro e Dallagnol cooperação

 

  • por Mariana Sanches /BBC News

Um grupo de 20 congressistas americanos enviou nesta segunda-feira (07/06) uma carta ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ, na sigla em inglês) em que pede que o país torne públicas informações sobre como os órgãos de investigação dos EUA cooperaram com a Operação Lava Jato, no Brasil.

A carta, à qual a BBC News Brasil teve acesso com exclusividade, é assinada por estrelas do partido democrata, como a deputada Alexandria Ocasio-Cortez, e foi remetida ao secretário de Justiça Merrick Garland, que assumiu a pasta após a chegada de Joe Biden à Casa Branca, em janeiro de 2021.

No texto, os parlamentares se dizem "preocupados" com "o envolvimento de agentes do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) em procedimentos investigativos e judiciais recentes no Brasil, que geraram controvérsia substancial e são vistos por muitos no país como uma ameaça à democracia e ao Estado de Direito".

Diálogos atribuídos aos integrantes da força-tarefa da Lava Jato publicados pelo site The Intercept Brasil e outros veículos de imprensa sugerem que os investigadores brasileiros se esquivaram de formalizar ações de cooperação internacional nos EUA, como exigia a lei brasileira. Em entrevista à BBC News Brasil, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes afirmou que, se comprovadas as faltas, isso poderia levar a novas anulações de julgamentos da Operação.

Interferência dos EUA na política interna do Brasil?

No Congresso americano, há apreensão com a possibilidade de que investigadores americanos possam ter se envolvido ou participado de atos recentemente considerados ilegais pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro (STF), que anulou todos os julgamentos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no âmbito da Lava Jato após apontar parcialidade do então juiz federal Sergio Moro no caso.

Os parlamentares dos EUA temem que as ações de agentes investigativos americanos possam ser vistas como interferência na política nacional brasileira, já que a operação Lava Jato levou ao impedimento da candidatura presidencial de Lula em 2018 e alçou Sergio Moro a Ministro da Justiça do atual presidente, Jair Bolsonaro.

"Há muito tempo estou preocupada com a Lava Jato e suas consequências para a democracia brasileira - particularmente com o que parece ter sido um esforço politizado e falho para prender o ex-presidente Lula e mantê-lo fora das urnas em 2018. Se o DoJ desempenhou algum papel na erosão da democracia brasileira, devemos agir e garantir a responsabilização para que isso nunca se repita", afirmou à BBC News Brasil a deputada democrata Susan Wild, da Pensilvânia, uma das signatárias da carta ao DoJ.

Ouvidos pela reportagem, tanto o ex-juiz Sergio Moro quanto o Ministério Público Federal do Paraná negaram que tenha havido qualquer irregularidade ou ilegalidade na cooperação com os agentes americanos. (leia mais abaixo)

Wild afirma que prefere esperar "informações completas antes de tirar quaisquer conclusões" sobre o papel de agentes do FBI, o órgão investigativo dos EUA, ou do DoJ, mas nota que "os Estados Unidos devem estar atentos à sensibilidade de seus atos tanto no Brasil quanto em outros lugares da América Latina, dado o histórico de interferência dos EUA na região".

A congressista se refere, por exemplo, ao apoio dado pelos EUA à ditadura militar brasileira, nas décadas de 1960 e 1970. Durante a presidência do democrata Barack Obama (2009-2017), o país iniciou o que ficou conhecido como "diplomacia da abertura", quando tornou públicos documentos diplomáticos secretos sobre violações aos direitos humanos cometidos pelos regimes ditatoriais de Brasil, Argentina e Chile.

"Os Estados Unidos têm uma história sombria de intervenção na política interna da América Latina e precisamos compreender totalmente a extensão do envolvimento dos EUA (com a Lava Jato) para evitar que uma eventual implicação inaceitável aconteça no futuro", afirmou à BBC News Brasil o deputado Raúl Grijalva, do Arizona, que também assinou a carta.

Os parlamentares estão cientes de que em pouco mais de um ano, os brasileiros decidirão quem comandará o Palácio do Planalto, o que deve aumentar a temperatura do assunto. "À medida que o Brasil se aproxima da eleição presidencial de 2022, acredito ser crucial que os membros do Congresso dos EUA deixem claro que a era de interferência acabou - o povo brasileiro deve ser livre para escolher seus próprios governos", resume Wild.

biden.jpgREUTERS. Congresso americano quer saber do governo Biden como os EUA atuaram no assunto

 

Informações sob sigilo

Essa não é a primeira vez que membros do Congresso dos EUA expressam preocupação com o envolvimento de autoridades americanas com a Lava Jato. Em agosto de 2019, depois que o portal de notícias The Intercept Brasil publicou trocas de mensagens entre Moro e procuradores da Operação Lava Jato que levantavam suspeitas sobre a parcialidade do juiz para julgar o caso, 12 congressistas americanos, liderados pelo representante da Geórgia Hank Johnson, do Comitê Judiciário da Câmara, remeteram 11 perguntas ao DoJ sobre o assunto.

Eles queriam saber se as comunicações entre o então juiz federal Sergio Moro, os procuradores da força-tarefa e os agentes americanos tinham ocorrido sempre por canais formais e oficiais, se obedeciam à legislação brasileira, que tipo de apoio técnico investigativo as autoridades dos EUA forneceram à operação, se presenciaram ou souberam de condutas questionáveis de Moro ou dos procuradores durante a cooperação e se estiveram envolvidos particularmente nos processos referentes ao ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cuja condenação no âmbito da Lava Jato o impediu de disputar as eleições presidenciais em 2018.

A missiva só foi respondida pelo DoJ quase um ano depois, em junho de 2020, com uma negativa completa. "O Departamento não pode fornecer informações sigilosas sobre esses assuntos nem revelar detalhes não públicos das ações", dizia a pasta.

A resposta do DoJ levou mais de 70 deputados brasileiros, do PT, PDT, PCdoB, PSB, PSOL e da Rede, a enviarem uma carta aos colegas do Congresso nos EUA na qual pediam que eles voltassem a interpelar o DoJ sobre o assunto.

Apesar disso, nada aconteceu por quase um ano. A eleição, que retirou o republicano Donald Trump da Casa Branca para instalar ali o democrata Joe Biden, e o conturbado processo de transição de poder nos EUA consumiram a atenção dos políticos do país.

Mas, nas últimas semanas, o assunto voltou a circular no Congresso americano. Um fator foi decisivo para isso: em abril de 2020, a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal determinou que Moro tinha tido conduta parcial no julgamento do petista, ao interceptar os telefones de advogados do ex-presidente e determinar a condução coercitiva do petista em 2016, sem primeiro intimá-lo a depor.

O julgamento foi interrompido por um pedido de vistas de um dos ministros e deve ser retomado ainda esse mês, mas nos bastidores da Corte transparece que o veredicto tem poucas chances de se alterar. E embora não admitam que se apoiem nas mensagens reveladas pelo Intercept em sua decisão, alguns ministros as têm citado para justificar à imprensa sua posição.

Cooperação formal ou informal?

gilmar.jpgAFP. Gilmar Mendes afirmou que cooperação internacional com os EUA pode ter sido ilegal

 

Em entrevista à BBC News Brasil, em fevereiro, Gilmar Mendes afirmou que os diálogos sugeriam cooperação internacional ilegal com os EUA. "Hoje, por exemplo, se fala numa cooperação internacional informal que havia entre os membros da Lava Jato e determinados integrantes de instituições na Suíça e nos Estados Unidos, sem o devido processo legal. Saber se, nos casos em que houve condenação, se houve essa cooperação, pode ser relevante para esses casos também", afirmou Gilmar, sugerindo que isso poderia ser motivo para novas anulações de julgamentos da Lava Jato.

Na carta que enviaram nesta segunda ao DoJ, os congressistas americanos apontam a recente decisão do STF de anular todos os julgamentos contra Lula e citam o que consideram ser evidências de cooperação irregular. Uma delas seria a revelação de que 17 agentes do FBI, do DoJ e do Departamento de Segurança Doméstica dos EUA (DHS, na sigla em inglês) estiveram em Curitiba com os procuradores da Força-Tarefa da Lava Jato em 2015, sem que isso tivesse sido formalizado, conforme exige a legislação brasileira, junto ao Ministério da Justiça. Questionam também o modo como os americanos se envolveram na definição sobre o uso de recursos apreendidos nos EUA, como os recursos da Petrobras que os procuradores brasileiros tentaram converter em um fundo da Lava Jato, iniciativa barrada no STF.

Os congressistas citam ainda em seu pedido de informações as declarações de julho de 2017 do subsecretário interino de Justiça, Kenneth A. Blanco, em uma palestra no Atlantic Council, transcrita e publicada na página do Departamento de Justiça dos EUA. Blanco afirmou, na ocasião, que "a cooperação entre o DoJ e o Brasil gerou resultados extraordinários. Só no ano passado (2016), por exemplo, a Seção de Fraudes da Divisão Criminal e a força-tarefa brasileira Lava Jato cooperaram e coordenaram resoluções em quatro casos da FCPA (lei federal dos EUA para combater corrupção internacional): Embraer, Rolls Royce, Braskem e Odebrecht".

De acordo com Blanco, que falava especificamente sobre o caso brasileiro, "no início de uma investigação, um promotor ou agente da unidade de inteligência financeira de um país pode ligar para seu homólogo estrangeiro e solicitar informações financeiras que, por exemplo, identifiquem contas bancárias. Quando a investigação tiver progredido até o ponto em que os promotores estejam prontos para levar o caso a julgamento, as provas podem ser solicitadas por meio do canal de auxílio jurídico mútuo para que possam ser admissíveis no julgamento. Sejamos realistas, os criminosos que procuramos identificar e levar à justiça agem rapidamente e é imperativo que façamos o mesmo".

Mas, de acordo com um texto do procurador e ex-diretor da Secretaria de Cooperação Internacional (SCI) da Procuradoria-Geral da República (PGR) Vladimir Aras, publicado em 2021 em seu blog, a legislação brasileira veda a informalidade na troca de informações entre agentes, como defende Blanco. "A tramitação dá-se por intermédio das autoridades centrais designadas pelos Estados-partes. No caso do Brasil, é o Ministério da Justiça, representado pelo DRCI. Para os Estados Unidos, a autoridade central é a Procuradoria-Geral (United States Attorney General), representada pelo DoJ", escreve Aras.

Ele ainda diz que "para terem validade no Brasil, as provas criminais obtidas nos EUA devem (...) obedecer às limitações, formalidades e restrições à assistência nele apontadas".

lula impedido.jpgREUTERS. Condenação no âmbito da Lava Jato impediu Lula de disputar as eleições presidenciais em 2018

 

Aras e o chefe dos procuradores da Força-Tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, teriam tido uma discussão sobre o assunto por meio de mensagens de aplicativos, em fevereiro de 2016. Dallagnol avisava a Aras que o MPF e a Polícia Federal (PF) seguiriam com ações para extradição de um acusado dos EUA sem passar pelo Ministério da Justiça, como requeria a lei. "Obrigado, Vlad (Aras), mas entendemos com a PF que neste caso não é conveniente passar algo pelo Executivo", teria escrito Dallagnol. Aras teria respondido: "A questão não é de conveniência. É de legalidade, Delta (Dallagnol). O tratado (de cooperação internacional) tem força de lei federal ordinária e atribui ao MJ a intermediação".

Consultado em abril pelo Congresso dos EUA sobre a legalidade no intercâmbio entre autoridades americanas e brasileiras na Lava Jato, o ex-secretário de Justiça do Brasil, Paulo Abrão, afirmou que "a cooperação internacional é fundamental no combate à corrupção transnacional, mas ela só pode acontecer por meio de atos formais e documentados, para preservar as garantias dos cidadãos no Estado de Direito". Abrão esteve à frente da Secretaria de Justiça entre 2011 e 2015, período em que afirma ter celebrado mais de 4,7 mil pedidos de cooperação internacional.

A BBC News Brasil pediu esclarecimentos sobre o assunto ao Ministério da Justiça, que não respondeu até a publicação da reportagem. O Ministério, no entanto, já informou, em juízo, que não encontrou pedidos de cooperação formal entre Lava Jato e EUA nos casos envolvendo o ex-presidente Lula. A pesquisa, no entanto, não abarca certas fases de investigação, em sigilo, e por isso a atuação da Lava Jato com os americanos pode ter sido legal.

Consultado sobre em que parâmetros se deu a cooperação entre EUA e a Lava Jato, o ex-juiz Sérgio Moro afirmou à BBC News Brasil, por meio de sua assessoria, que "a cooperação foi por meios formais, inclusive por escrito, o que não exclui contatos verbais entre as autoridades envolvidas na cooperação".

Ainda segundo Moro, "não há nada de irregular ou ilegal nisso. Quem afirma o contrário, não conhece a cooperação jurídica internacional. Os únicos interesses envolvidos foram os de aplicar a lei em cooperação internacional a casos graves de suborno transnacional, como ocorre normalmente entre autoridades de países diversos".

Já o Ministério Público Federal afirmou, por meio de nota, que "nenhum documento foi utilizado pela força-tarefa Lava Jato sem ter sido transmitido pelos canais oficiais, ressalvadas situações de urgência informadas nos autos". E afirmou que, em situações de investigação internacional, "antes da formalização de um pedido formal por meio dos canais oficiais, é altamente recomendável e legal que as autoridades mantenham contatos informais e diretos. A cooperação informal significa que, antes da transmissão de um pedido de cooperação, as autoridades dos países envolvidos devem manter contatos, fazer reuniões, virtuais ou presenciais, discutir estratégias, com o objetivo de intercâmbio de conhecimento sobre as informações a serem pedidas e recebidas".

O MPF ressaltou que a cooperação internacional foi fundamental para devolver R$4,3 bilhões aos cofres públicos e que, durante a Lava Jato, recebeu 653 pedidos de cooperação de 61 países e realizou 597 pedidos a 58 países. Os procuradores disseram ainda que "os procedimentos e atos da força-tarefa da Lava Jato sempre seguiram a lei e estiveram embasados em fatos e provas" e que "não reconhecem as supostas mensagens" divulgadas pelo The Intercept como verdadeiras. "As supostas mensagens são fruto de atividade criminosa e não tiveram sua autenticidade aferida, sendo passíveis de edições e adulterações".

Os congressistas americanos afirmaram ao DoJ que aguardam esclarecimentos até o dia 31 de julho. De acordo com Hank Johnson, os desenvolvimentos recentes no Judiciário brasileiro, que anularam a condenação de Lula, "tornam mais importante que nunca determinar o papel do Departamento de Justiça brasileiro" no caso. "Isso é claramente um assunto fundamental na relação entre Brasil e EUA", disse à BBC News Brasil.

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