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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

04
Set20

Delação da Odebrecht agora liberada será uma bomba contra Lava Jato

Talis Andrade

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O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que há relação entre a saída do procurador da República Deltan Dallagnol da Lava Jato com a determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, que deu 48 horas, a partir desta quarta-feira (2), para a força-tarefa liberar a Lula acordo de leniência da Odebrecht.

“Será que é por isso que Deltan Dallagnol saiu de fininho, e outros Golden Boys perderam o dono? O que temem os procuradores e Sérgio Moro ? Por que todo esse mistério?”, questionou Pimenta.

O ministro Ricardo Lewandowski determinou à 13ª Vara Federal Criminal da Subseção Judiciária de Curitiba do Paraná, da Lava Jato, que, em 48 horas, libere para a defesa do ex-presidente Lula o acesso integral ao acordo de leniência firmado entre a Odebrecht e o Ministério Público Federal (STF).

O acesso já havia sido autorizado pela Segunda Turma do STF, mas foi descumprido pela Lava Jato, que condicionou a consulta a uma “a prévia audiência do Ministério Público Federal e da Odebrecht”.

Um judiciário náufrago?

Escreveu Paulo Pimenta:

Esta história não acaba assim. Estou certa que a interrupção deste processo pelo golpe de Estado não é definitiva. Nós voltaremos. Voltaremos para continuar nossa jornada rumo a um Brasil em que o povo é soberano.

Dilma Rousseff, 2016

Passados quatro anos desde que a Constituição de 1988 foi violada por um Golpe de Estado parlamentar, chancelado pelo Judiciário e apoiado pela grande mídia, o país mergulhou numa conjugação de crises.

Rompida a soberania popular com o afastamento da presidenta Dilma Rousseff, eleita em 2014, abriram-se as portas para a construção da chamada “Ponte para o Futuro” anunciada pelo vice-presidente conspirador, o golpista Michel Temer.

O país colheu desde então uma sucessão de catástrofes:

— o atropelo dos diretos trabalhistas com a abolição da CLT;

— a demolição da previdência pública e a entrega dos idosos à sua própria sorte, com a reforma do sistema de previdência social;

— o desemprego em massa e a precarização selvagem das relações de trabalho como regra para aqueles que ainda conseguem manter seu posto na indústria, na agricultura ou nos serviços;

— a recessão econômica com o pibinho de 1,5% em 2019 e a anunciada queda 9,7% no segundo trimestre de 2020.

Governo genocida

E mais:

— a degradação social, a criminalização da política, a guerra cultural como tática de governo;

— a matança sem tréguas dos jovens negros e pobres na periferia das cidades brasileiras;

— a devastação ambiental apoiada ostensivamente pelo ministro do Meio Ambiente.

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Esse processo sinistro foi coroado desde março último pela maior calamidade sanitária da história do País: a pandemia de Covid-19, menosprezada pelo presidente da República como uma “gripezinha” e que contabiliza nestes dias o espantoso e inaceitável número de mais de 120 mil mortos.

O Brasil ficou mais submisso, mais pobre e mais desigual.

O ímpeto autoritário de Bolsonaro obedece a uma concepção que busca reduzir os instrumentos do Estado ao serviço das necessidades do clã e sua proteção contra inimigos reais ou potenciais.

Plutocracia e golpe

O ex-juiz que virou político Sérgio Moro caiu do pedestal onde fora exibido pela mídia corporativa, durante o período de preparação do golpe.

Caiu com algum ruído.

Afinal, não se pode, nem se deve, esconder um ex-juiz e ex-superministro com larga folha de serviços prestados tanto aos golpistas de 2016 quanto ao seu resultado imediato: a fraude eleitoral de 2018 que elegeu Bolsonaro.

Não custa lançar alguma luz sobre essa figura medíocre que se afasta para cultivar na sombra um eventual retorno como candidato a presidente da República. Assim se move a plutocracia brasileira.

O procurador Deltan Dallagnol procura sair de fininho… quanto menos ruído melhor, como antes dele, o procurador Carlos Fernando Santos Lima, um pioneiro em sair pela porta lateral… Um homem de visão… Escapou quando tudo ainda andava bem.

A Operação Lava Jato, a superprodução hollywoodiana vai, assim, perdendo pedaços… e deixando atrás de si um legado: uma subcultura de ação arbitrária dentro do Ministério Público.

Um órgão que deveria se ocupar da defesa dos interesses da sociedade, mas dedica a maior parte do seu tempo e recursos, em conluio com órgãos de inteligência estrangeiros, a mover ações contra adversários políticos e contra os interesses do Brasil.

Judiciário politizado

Assim funciona a Cosa Nostra. Seja no Ministério Público, seja no Judiciário: trabalha para proteger os seus, para que sigam a vida a salvo dos desconfortos de prestar contas pelos eventuais crimes que cometeram contra a sociedade e contra o país.

As absolvições ou anulações recentes de sentenças proferidas contra dirigentes do Partido dos Trabalhadores, em Tribunais de Recursos e Tribunais Superiores só confirmam o pântano em que a ação politizada do Judiciário, particularmente nos casos da Lava Jato, mergulhou o sistema de justiça do país.

O tempo se encarrega de desnudar a condução eivada de parcialidade de segmentos do Judiciário na condução daqueles processos.

Julgamento decente para Lula

Quinze anos depois do linchamento público e das condenações impostas, José Genoíno e Delúbio Soares foram absolvidos nos Tribunais de Recursos.

A judicialização da política, ainda que cometa atropelos como no caso do afastamento do governador do Estado do Rio, na última semana, foi levada a sentar-se no banco dos réus.

Na tarde de terça-feira última, o TRF- 1 absolveu o ex-presidente Lula de mais uma das ações que tramitavam contra ele.

O Judiciário brasileiro, se deseja se salvar do naufrágio e recuperar alguma credibilidade diante das sociedades civilizadas, deve um julgamento decente a este homem, encarcerado e impedido arbitrariamente de disputar, como favorito, a eleição de 2018, e também uma reparação pública àquela mulher, afastada de um mandato legítimo, sem ter cometido crime de responsabilidade.

E a frase de Rui Barbosa: “A justiça atrasada não é justiça; senão injustiça qualificada e manifesta”, nunca foi tão oportuna e atual. 

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31
Ago20

Relação de matérias censuradas no Jornal GGN pela justiça inimiga da liberdade de imprensa

Talis Andrade

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por Marcelo Auler

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Xadrez rápidoMoro usa Globo para calar Veja e atinge Deltan, em 19/07/2019

Pallocci revela, mais uma vez, que é o delator Bom Bril, com mil e uma utilidades

 

Quanto ganha o BTG com os aposentados no Chile e o fim do discurso do Banco Mundial, em 21/07/2019

 

Xadrez de Moro, Dallagnol e Bolsonaro, e a busca do inimigo externo, em 23/08/2019

 

As manobras por trás das mudanças no COAF, em 28/08/2019

Nas mãos de Sérgio Moro, o COAF seria utilizado como instrumento de poder e chantagem – como efetivamente foi. Daí a razão da mudança não ter provocado nenhum abalo na opinião pública. Nas mãos do BC de Campos Neto, como órgão decorativo

 

Vaza Jato: o lobby de Deltan com a amiga de Eike Batista, em 02/09/2019

Patrícia Coelho foi consultora do empresário, é próxima de Andre Esteves, do BTG Pactual, tem contratos com a Petrobras e teria doado R$ 1 milhão para o “Instituto Mude”

 

Xadrez da grande jogada do BTG com a Zona Azul, em 06/12/2019

Toda a lógica da licitação é de uma autêntica Operação de Antecipação de Receita (ARO), vetada pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

 

Zona Azul: como fazer uma licitação de cartas marcadas, em 09/12/2019

Fica evidente que todo o projeto foi preparado pelo BTG.  Com três meses de gestão, seria impossível Dória montar um projeto detalhado, cujos pontos básicos foram mantidos até o fim.

 

Prefeitura de SP instaura monopólio no Zona Azul em leilão do serviço à empresa ligada do BTG, em 11/12/2019

Gestão Bruno Covas confirma leilão que retira mais de 10 empresas do mercado; Sem concorrentes, tendência é aumento do preços aos usuários

 

Zona Azul: pode-se confiar no Tribunal de Contas do Município? em 22/01/2020

Em vez do contribuinte, através da Prefeitura, ser o beneficiário dessas ativos intangíveis, a licitação passará para o BTG sem custo algum – já que o valor da outorga se refere apenas à exploração do CAD.

 

O silêncio geral em relação ao BTG e à licitação da Zona Azul, em 20/07/2020

Entre os negócios do BTG Pactual está a rede de estacionamentos Estapar, que ganhou polêmica licitação da Zona Azul em São Paulo

 

Mais uma compra de banco de dados públicos tendo por trás o BTG, em 29/08/2020

No dia 22 de agosto passado, o Ministério da Economia resolveu assumir a responsabilidade pelos contratos e empurrar clube de desconto goela abaixo do funcionalismo.

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14
Mai20

História destroça imagem de incorruptível das Forças Armadas

Talis Andrade

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por Bepe Damasco

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Estarrecidos, tomamos conhecimento de que quase 200 mil militares, com soldo em dia, gratificações, estabilidade, paridade salarial na aposentadoria e integralidade receberam indevidamente o auxílio emergencial de R$ 600 reais.

Abocanharam uma ajuda criada pelo Congresso Nacional para socorrer os trabalhadores informais entregues à própria sorte depois que a pandemia suspendeu grande parte da atividade econômica do país. Asco e revolta são sentimentos inevitáveis diante de tamanho absurdo.

Enquanto isso, mais de 13 milhões de trabalhadores não conseguem ver a cor do dinheiro, enredados pelas exigências, pela burocracia e má vontade de um governo neofascista que odeia visceralmente os pobres. Já os que venceram a corrida de obstáculos imposta por Guedes-Bolsonaro e obtiveram o benefício não têm a menor ideia de quando terão acesso à segunda parcela.

Na ponta da língua de qualquer golpista que se preze, dos analfabetos políticos em geral e de parte da mídia e da classe média está a falácia de que a Forças Armadas são impermeáveis à corrupção . Nada mais falso. Existem civis e militares honestos ou desonestos.

Preceder com lisura no trato da coisa pública ou enveredar pelos descaminhos da corrupção não são prerrogativas da condição de militar ou de civil. Tem a ver, isto sim, com o caráter, a formação familiar e a educação de cada um.

Recorrendo à história recente do país, veremos que durante a ditadura militar, a longa noite que durou 21 anos, não faltaram episódios escabrosos de corrupção. Se é verdade que parcela considerável das falcatruas acabou encoberta pela censura imposta aos meios de comunicação, outras vieram à tona, seja por ações corajosas da imprensa alternativa ou mesmo através de reportagens da mídia comercial, quando conseguia ludibriar os censores e desafiar os generais.

Casos como Coroa-Brastel, Delfim e Capemi são exemplos de crimes financeiros que lesaram dezenas de milhares de brasileiros. A montanha de dinheiro público drenada pelas obras intermináveis da Transamazônica e da Ponte Rio-Niterói, o contrabando dentro da Polícia do Exército no Rio e o caso Luftalla foram outros escândalos que ganharam as manchetes dos jornais, embora os governos militares tudo tenham feito para varrê-los para debaixo do tapete.

Voltando ao desvio dos R$ 600 de quem está praticamente na miséria, a banda democrática da sociedade tem que exigir a imediata devolução do dinheiro e a responsabilização criminal tanto dos que se locupletaram como daqueles que, no comando da burocracia, escancararam as portas do erário para essa patifaria.
 
25
Fev20

Ato anti-Congresso: Bolsonaro manda vídeo por WhatsApp convocando para o "foda-se"

Talis Andrade

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Jair Bolsonaro está compartilhando pelo WhatsApp uma chamamento para os atos do dia 15 de março contra o Congresso Nacional, que foram organizados após declaração do general Augusto Heleno, chefe do GSI, informa a jornalista Vera Magalhães.

Segundo ela, a mensagem compartilhada do celular do presidente tem um vídeo em tom dramático sobre a facada da época da eleição, dizendo que ele “quase morreu” para defender o Brasil, e a chamada: “15 de março. Gen Heleno/Cap Bolsonaro. O Brasil é nosso, não dos políticos de sempre”.

O movimento "começou a se formar após o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete Segurança Institucional (GSI), reclamar da pressão do Congresso para o Planalto liberar mais verbas do orçamento. “Nós não podemos aceitar esses caras chantagearem a gente o tempo todo. Foda-se”, disse o chefe do GSI, em uma conversa privada.

A frase acabou vazando durante uma cerimônia no Palácio da Alvorada, na última terça-feira (18). Estavam com Heleno na hora do desabafo o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Eduardo Ramos."

O vídeo de 1 minuto e 40 segundos traz frases como “ele foi chamado a lutar por nós. Ele comprou a briga por nós. Ele desafiou os poderosos por nós. Ele quase morreu por nós. Ele está enfrentando a esquerda corrupta e sanguinária por nós. Ele sofre calúnias e mentiras por fazer o melhor para nós. Ele é a nossa única esperança de dias cada vez melhores. Ele precisa de nosso apoio nas ruas”.

“Dia 15.3 vamos mostrar a força da família brasileira. Vamos mostrar que apoiamos Bolsonaro e rejeitamos os inimigos do Brasil. Somos sim capazes, e temos um presidente trabalhador, incansável, cristão, patriota, capaz, justo, incorruptível. Dia 15/03, todos nas ruas apoiando Bolsonaro”, diz o texto que aparece na tela, entremeado por imagens de Bolsonaro sendo esfaqueado, no hospital e depois em aparições públicas”, continua o texto.

 

 
05
Fev20

Sete mentiras

Talis Andrade

 

 

19
Nov19

CHILE: MUTILAÇÃO NOS OLHOS

Talis Andrade

É uma estratégia de guerra a mutilação de pessoas 

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“Em uma estratégia de mutilação importada diretamente de Israel, em apenas duas semanas de protestos, Carabineros cegaram parcialmente 157 pessoas devido a tiros intencionais, uma brutalidade de número que não tem precedentes em todo o mundo, onde até a mídia internacional está denunciando esse massacre”. A imprensa não oficial do Chile também está ajudando a denunciar o massacre.

Foram15 ataques nesse desde o surto social que o país vive. Nesse contexto, o diretor do Instituto Nacional de Direitos Humanos (NHRI), Sergio Micco, relatou um novo número de feridos. Segundo o profissional, até as 06:00 horas do sábado, 157 pessoas sofreram lesões oculares. Resultado de espingardas disparadas pela polícia. Micco também indicou que, como agência, eles entraram com 179 ações legais; 132 são queixas sobre tortura e tratamento cruel e degradante. Em lesões oculares, a Micco já solicitou a realização de opiniões de especialistas relevantes. “Pedimos uma opinião de especialistas para conhecer a composição dos pellets; a quantidade de pólvora e a pressão impressa em seu uso. É um assunto que temos que estudar. É da maior gravidade ter 157 pessoas com ferimentos nos olhos ”, disse o diretor da agência.

ONU exige o fim do uso de pelotas contra a população

O Sistema das Nações Unidas no Chile pede às autoridades que acabem com o uso de projéteis não letais. Três semanas após o início da crise social no país, o Sistema das Nações Unidas no Chile reitera sua rejeição de todas as formas de violência e sua preocupação com a situação nacional, especialmente com o grande número de mortes e feridos.

Em particular, o Sistema das Nações Unidas no Chile pede às autoridades a pararem imediatamente o uso de granulados, que até hoje causaram centenas de feridos e mais de 170 traumas oculares, segundo dados oficiais da Instituto Nacional de Direitos Humanos. O uso arbitrário e indiscriminado deste tipo de armas não letais constitui uma violação grave dos direitos humanos e viola o princípio da proporcionalidade.

O Sistema das Nações Unidas no Chile também pede o alinhamento das ações de controle da violência com os padrões internacionais existentes que foram ratificados pelo Estado chileno.

O Sistema das Nações Unidas no Chile, que mantém diálogos com a sociedade civil e organizações estatais, é disponibilizado às autoridades e à sociedade como um todo, para avançar em medidas que permitam a proteção de todas as pessoas e paz social

O caso de crianças palestinas mutiladas

O HISPANtv, em um relatório sobre os ataques contra o povo palestino, publica: O Comitê de Defesa dos Direitos Humanos na Palestina, em um relatório citado terça-feira pela agência de notícias palestina Maan, informou que atualmente 12 moradores da cidade de Al-Quds (Jerusalém) ficaram cegas depois de ter sido alvo das forças israelenses.

Em sete desses casos, ele acrescenta, crianças têm menos de 6 anos de idade e perderam pelo menos um dos olhos. A agência, em um comunicado, denunciou o caso ao consultor judicial e ao inspetor geral da polícia israelense.

Referindo-se a evidências consistentes, eles confirmaram que os agentes recorreram ilegalmente a esse tipo de arma, uma vez que, sob as leis, é proibido disparar balas de borracha contra crianças, mulheres grávidas e idosos.

Mesmo nas manifestações, ele só pode ser usado para indivíduos identificados e apontar a parte inferior do corpo.

Essas restrições, diz a entidade palestina, não são muito claras, pois, dadas as consequências perigosas dessas balas, na maioria dos casos não existe legislação específica.

Assim, alertou sobre o uso continuado dessa arma pelas forças armadas israelenses e a considera um sinal da irresponsabilidade da polícia do regime de Tel Aviv. No final, pediu que sejam tomadas imediatamente as medidas para o fim imediato do uso de armas dissuasivas, como balas de borracha.

Em 1º de abril, a Palestina denunciou oficialmente no Tribunal Penal Internacional de Haia (TPI), que poderá permitir que as autoridades do regime israelense sejam julgadas por seus crimes de guerra ou contra a humanidade.

 

Fonte: Alejandra Paredes, Kaos en la Red

Tradução: IBRASPAL

04
Nov19

91% dos chilenos consideram previdência privada, sonho de Guedes e Bolsonaro, o pior problema do país

Talis Andrade

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Victor Farinelli
Fórum

O instituto de pesquisas chileno Termômetro Social publicou neste domingo (3) uma pesquisa de opinião sobre a crise social e política. Uma das perguntas focou os principais problemas sociais existentes no país, que os neoliberais consideravam, até há pouco, a Suíça da América Latina ou o modelo neoliberal que deu certo.

As entrevistas citavam diferentes aspectos sociais e pedia para estabelecer em uma escala de 1 a 10 o nível de insatisfação com o tema. O que teve o pior resultado foi o sistema previsional chileno, indicado com nível máximo de insatisfação por 91% dos chilenos.

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Imagem de manifestante com bandeira Mapuche no topo de estátua militar em Santiago se tornou símbolo dos protestos no Chile por reformas sociais. Foto de Susana Hidalgo

 

Vale lembrar que o sistema de previdência do Chile foi privatizado nos Anos 80, durante a ditadura de Augusto Pinochet, e passou a ser administrado por empresas do setor financeiro, através de um modelo de capitalização individual. É exatamente esse modelo, que é repudiado pela quase unanimidade dos chilenos, que o ministro da Economia de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes pretende impor no Brasil.

A pesquisa mostra que as manifestações realizadas no Chile contam com altíssimo apoio popular: 85% das pessoas concordam com a mobilização e 56% afirmam já ter participado de ao menos um ato. Além disso, 80% das pessoas se disseram a favor da elaboração de uma nova constituição, que é considerada uma das principais demandas dos movimentos, dado que ainda está vigente a carta magna imposta pelo ditador Augusto Pinochet em 1980. Os que disseram estar contra uma mudança constitucional foram apenas 7%. Além disso, 66% disseram considerar esta a questão política mais importante do país neste momento.

Outros aspectos sociais que também desmontam o mito do sucesso socioeconômico do neoliberalismo chilenos: o segundo e terceiro itens que mais tiveram nível máximo de insatisfação foram saúde (89,4%) e educação (85,5%), respectivamente – e em ambos os casos, considerando tanto o acesso quanto a qualidade. A pobreza também foi citada como problema de mais alta prioridade para 81,6%, enquanto o custo de vida teve 79,6% de repúdio total.

Dos 14 aspectos perguntados, apenas um teve menos de 50% de citações, e foi uma má notícia para a extrema direita: a imigração foi citada como problema da mais alta importância para apenas 39,7% dos entrevistados.

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15
Set19

Setembro Amarelo: o drama invisível do suicídio de idosos no Brasil

Talis Andrade

O descaso do poder público com a saúde dos idosos traz a eles a sensação de abandono e invisibilidade social

 

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07
Set19

Em três anos de golpe, o desmonte acelerado do Estado e de uma nação

Talis Andrade
Quanto mais tempo durar essa lógica de destruição de direitos e da soberania, muito mais gente vai sofrer. É urgente que o povo reaja, se erga e se defenda
 

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por Paulo Donizetti de Souza, da RBA
___

O complexo processo político, jurídico e midiático que levou ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff dá margem para muitas efemérides. Dezembro de 2015, quando o hoje encarcerado Eduardo Cunha acolheu o pedido de impeachment elaborado por Janaína Pascoal e Miguel Reale Jr. Abril de 2016, quando a Comissão Especial aprova relatório favorável à abertura do processo, seis dias antes de, no dia 17, o plenário aprovar por 367 a 137 o encaminhamento do processo para o Senado.

No mês seguinte, a comissão do Senado dá andamento ao cortejo e, no dia 12 de maio, o plenário da Casa afasta Dilma Rousseff para que seu vice, Michel Temer, passe a ocupar interinamente o Palácio do Planalto. O Senado teria 180 dias de prazo para sacramentar o golpe, mas o consolidou mais rapidamente.

Em 31 de agosto, a presidenta eleita com 54 milhões de votos foi deposta, sem provas nem crime de responsabilidade, e definitivamente substituída por Temer. E as consequências dessa data para as mais diversas áreas de funcionamento do país inspiram a série de reportagens que a RBA passa a publicar a partir de hoje.

Reeleita em 2014 para um segundo mandato, Dilma derrotou nas urnas pela quarta eleição consecutiva, desde 2002, o projeto neoliberal então representado pelo finado PSDB de Aécio Neves. Apanhando da mídia desde a década anterior, o que seria o quarto mandato petista no Planalto deparou com um turbilhão de ataques concentrados desde as manifestações de junho de 2013.

O movimento popular nasceu modesto, contra o aumento de passagens de ônibus, e acabou rapidamente sequestrado pelas forças ocultas do poder econômico. Foi o nascedouro da serpente fascista criada com a sintonia entre os meios comerciais de comunicação e a então emergente indústria de fake news disseminada pelas redes sociais.

Como a própria presidenta observou recentemente, a democracia e o neoliberalismo não se bicam. Para que este se impusesse novamente como regente da República, foi necessário o uso violento dos sistemas de justiça, político e dos meios de comunicação disponíveis.

Tanto é que, pouco satisfeitas com o golpe de 2016, essas mesmas forças encaminharam a sua continuidade por meio da farsa eleitoral de 2018 – a que levou o Luiz Inácio Lula da Silva para a prisão em tempo recorde, sem crime e sem provas, para que Jair Bolsonaro vencesse.

O que se observou nos três anos completados neste 31 de agosto jamais teria sido viabilizado por vias democráticas, com debates transparentes para livre escolha da população, indignada e hipnotizada pelo discurso do suposto combate à corrupção por meio da qual o PT teria quebrado o Brasil.

Até quando?

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O Brasil que começou a ser gestado em 2003, com a eleição de Lula, tinha como meta a inclusão social, e esta como motor do fortalecimento do mercado interno e do desenvolvimento nacional. O resultado que levou ao pleno emprego com crescimento econômico fortaleceu o Brasil que, naqueles anos, foi responsável por elaborar uma política interna e internacional que incomodou as estruturas reinantes desde 1500, com raros intervalos democráticos e de avanços civilizatórios.

Retirada do país do mapa da fome da ONU, criação dos Brics, fortalecimento do Mercosul, assento na direção do FMI e no comando na Organização Mundial do Comércio. O Brasil parecia deixar, gradual e seguramente, o passado de colonizado. Começava a trilhar uma trajetória de liderança mundial que levou Lula a ser reconhecido como “o cara” pelo presidente norte-americano Barack Obama, numa reunião do G20, em abril de 2009.

Três anos após o golpe, o Brasil enfrenta o pior momento de sua frágil democracia. Os Estados Unidos voltaram a ser referência para as decisões tomadas em terras brasileiras. Chegam a “indicar” o filho do presidente como embaixador. A soberania popular atropelada pela desinformação e por uma classe política que retrocede aos métodos dos anos 1950.

A soberania nacional é assombrada pela desmonte do aparelho estatal, com venda a preço de banana ou sucateamento de ativos públicos fundamentais para uma nação desenvolvida.

As reportagens que estão por vir têm por objetivo lembrar o país que fomos. Mostrar para onde estamos indo. E alertar para o que ainda podemos ser. Do golpe de 2016 ao caos representado pelo inacreditável governo de Jair Bolsonaro, o Brasil saiu dos trilhos e uma parte do povo brasileiro acompanha, entre incrédulo e desesperado, os estragos que consumirão décadas de reconstrução.

Uma outra parte, porém, ainda não se deu conta de associar e lei que escancarou as terceirizações ao golpe. E a reforma trabalhista que destruiu direitos a pretexto de criar empregos, e acabou foi destruindo. Foram 7 milhões de vagas extintas até aqui, desde 2014. E os empregos que se abrem são precários e mal pagos.

Não satisfeitos, governo e uma classe empresarial com mentalidade de século 19 jogam pesado para criar um ambiente ainda pior, em que o trabalhador que se dê por feliz com um pingado e um pão com manteiga, se não for incomodar.

E a reforma do ensino médio com vistas a empobrecer o ensino público e a estimular o ensino privado, a elitização do conhecimento. Com o estancamento dos investimentos na expansão do ensino público superior, na ciência e na tecnologia.

Quantos brasileiros se dão conta de que foi somente nos primeiros 15 anos deste século que o Brasil passou de 3,5 milhões para 7,2 milhões de matriculados no ensino superior – em universidades públicas, muitas delas abertas no interior, de onde os jovens não precisaram mais sair para estudar, e em particulares por meio de programas como ProUni e Fies?

Quantos sacaram que nesse universo, 22% eram alunos negros em 2001, e 42% em 2015? Quem tem noção de que a Lei de Cotas tem previsão legal de passar por análise e avaliação de seus resultados em 2020? Quem imagina o que pode ocorrer com essa que foi uma das mais importantes ações afirmativas e de inclusão se o atual estágio de estupidez governamental prosseguir?

É possível que muita gente esteja de olho nisso, porque foram a juventude e a preocupação com o desmonte da educação os grandes motores das maiores manifestações já enfrentadas nesses poucos meses de um governo devastador.

Quem se tocou que o programa Ciência sem Fronteiras, que já bancou mais de 100 mil jovens brasileiros para aperfeiçoar os estudos no exterior, está acabado?

E quantos recursos já foram retirados da agricultura familiar, responsável por sete em cada dez pratos de comida servidos na mesa dos brasileiros? E quanto já saiu e ainda sairá da saúde pública? E da cultura? E a aposentadoria, a de quem está quase lá e a de quem nem tem ideia de como vai ficar quando seu dia chegar? E a Amazônia, o que restará dela?

E foram apenas três anos. Quanto mais tempo durar essa lógica de destruição de direitos e da soberania, muito mais gente vai sofrer. E muito mais tempo levará o Brasil para voltar à superfície, depois de submergir como nação nesses apenas três anos.

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01
Ago19

Não houve eleição e não há presidente

Talis Andrade

Ficou claro que não houve nada parecido a eleições minimamente legítimas no ano de 2018

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EL PAÍS
 
 

[Parte 4] Há algumas semanas, o país viu a maior derrota da história da classe trabalhadora brasileira desde o início da ditadura militar. A reforma previdenciária aprovada em primeiro turno na Câmara não é mero ajuste, mas a mudança estrutural das relações trabalhistas no país. Apenas para ficar em um de seus pontos. Enquanto a idade mínima para homens aposentarem passou para 65 anos, estados como Maranhão, Piauí e Alagoas têm expectativa de vida masculina em torno de 67 anos. Nos bairros pobres da cidade de São Paulo, como Cidade Tiradentes, Jardim Ângela, Anhanguera, Grajaú, Iguatemi a expectativa de vida varia de 54 a 57 anos. Na verdade, 36 dos 96 distritos paulistanos têm expectativa de vida abaixo de 65 anos. Ou seja, essas pessoas simplesmente não irão se aposentar mais. Elas estão condenadas a parar de trabalhar apenas no momento em que se aprontarem para a morte.

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Mas a reforma passou, em seu primeiro embate, com um silêncio tumular vindo da oposição. É em relação a isto que devemos estar realmente preocupados. No momento em que foi necessário um processo comum (já que todos serão, de alguma forma, afetados), não havia nada capaz de produzi-lo. Onde estávamos e o que realmente nos mobiliza neste momento? Todos deveriam fazer uma autocrítica honesta, não apenas partidos e sindicatos, mas todos, isto se não quisermos ser tragados por movimentos desta natureza mais uma vez. Enquanto a capacidade de produção de força comum estiver fora de nosso alcance, continuaremos a perder.

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Isto pode parecer com mais um chamado em nome da “unidade”. Mas valeria a pena precisar melhor esse ponto. Por mais paradoxal que isto possa parecer, talvez precisemos agora de divisão para unir, e não de união. É claro que essa operação parece um contrassenso para os que acham que a política anda na mesma via dos sinais matemáticos. Mas, a despeito de seu estranhamento, ela faz todo sentido.

Há certas situações nas quais é necessário dividir para crescer. A oposição brasileira até agora sonhou com uma união em cima do nada. Ela não definiu as rupturas que quer tomar para si, o horizonte de suas novas lutas. Tentará ela ser, mais uma vez, o “good cop” do capitalismo brasileiro ou estará enfim disposta a vocalizar rupturas até agora não tentadas? Será ela o arauto do retorno a uma democracia que nunca existiu entre nós ou assumirá enfim o desafio de romper e criar o que até agora não existiu? Pregará ela o evangelho da “integração para todos” e do respeito a uma emancipação de indivíduos proprietários ou estará disposta a ser a força de desintegração que nos levará para fora do universo de propriedades? Essas divisões podem criar novas alianças. Por isto, elas podem nos fazer crescer.

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