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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

28
Jul23

Ditadura militar contribuiu para genocídio dos povos indígenas. Bolsonaro antropófago

Talis Andrade
Qual é a natureza da relação Moro-Bolsonaro?

O projeto antropofágico de encontro pela deglutição se esgotou na torrente de atrocidades do governo Bolsonaro. Está difícil coletar, digerir e incorporar o tecido necrosado do noticiário semanal. Doravante, aqui: mais imagens, adivinhas e mensagens crípticas. Por Gavin Adams

 

É possível ver semelhanças entre os Anos de Chumbo e o governo passado

Por Gésio Passos

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Devastação, violência, fome, doenças e morte de milhares de indígenas yanomami em sua terra, em Roraima. Esse foi o retrato do Brasil no período da ditadura militar. Além da tortura, censura e assassinato de milhares nas cidades e no campo, a ditadura causou um genocídio entre os povos indígenas brasileiros.

O relatório da Comissão Nacional da Verdade, finalizado em 2014, indica que, apenas na investigação de dez povos, foram estimadas mais de 8 mil mortes decorrentes do governo militar. No caso do povo yanomami, segundo a comissão, não há um número oficial de mortos, mas se estima que chegue aos milhares.

Em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, Davi Kopenawa, líder yanomami, relembrou o descaso do governo durante a realização de grandes obras. Segundo a liderança, as estradas abriram caminho para os invasores garimpeiros e fazendeiros.

“Eu não sabia que o governo vinha deixar estrada na terra yanomami. [A autoridade] não avisou antes de destruir o nosso meio ambiente, antes de matar o nosso povo yanomami. A estrada é o caminho de invasores garimpeiros, fazendeiros, pescadores e caçadores”.

A tomada das terras indígenas para ampliação da fronteira agrícola e para exploração mineral e de energia foi um dos eixos do Plano de Integração Nacional dos militares. No caso dos yanomami, a destruição veio primeiro com a construção da rodovia Perimetral, a BR-210, que liga os estados do Amapá, Amazonas, Pará e de Roraima.

Já na década de 1980, a situação se agravou com a invasão de cerca de 40 mil garimpeiros na região. Uma campanha internacional exigiu que a ditadura fosse responsabilizada pelo genocídio yanomami. O Brasil foi denunciado em várias esferas internacionais, como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. A Terra Indígena Yanomami só foi demarcada após muita pressão, em 1992.

Marcelo Zelic, membro da Comissão de Justiça e Paz de São Paulo e colaborador da Comissão da Verdade, afirma que a estratégia entre o governo dos militares e o governo Jair Bolsonaro, também com forte presença de representantes das Forças Armadas, foram similares. Expulsão dos territórios e falta de assistência de saúde, que levaram à dizimação do povo indígena.

“A saúde indígena foi utilizada como uma arma, uma estratégia de ocupação territorial pelo enfraquecimento da saúde das comunidades. Isso é um crime bárbaro, contra a humanidade. É o uso da saúde como essa ferramenta. Isso é parte da cartilha que aparece quando você olha os documentos do passado”.

Zelic ainda acrescenta que nos dois momentos políticos, a falta do Estado nos territórios contribuiu para o aumento da violência contra os povos originários. “Quando você tem então um governo que estimula o garimpo, que enfraquece a presença do Estado nos territórios, que cria portarias que desestruturam o direito indígena, facilitando a penetração e invasão dos territórios, você tem essa repetição de uma fama acintosa. E uma repetição que promoveu o volume de violência muito grande no Brasil contra os povos indígenas desde 2019 [até] 2022”.

Em janeiro deste ano, o governo decretou emergência federal na Terra Indígena Yanomami. A medida resultou na expulsão de milhares de garimpeiros invasores, além de atendimento médico e ações contra a fome que afligia a população. Só em 2023, 53 mortes foram registradas entre os yanomami.

A Comissão Nacional da Verdade, em seu relatório final, apresentou 13 recomendações relacionadas aos povos indígenas. Entre elas, um pedido público de desculpas do Estado brasileiro aos indígenas pela tomada de suas terras e demais violações de direitos humanos, além da instalação de uma Comissão Indígena da Verdade.

Segundo o Ministério dos Povos Indígenas, a pasta ainda está sendo estruturada para retomada das discussões sobre essa Comissão.

28
Jul23

TSE proíbe saber da ‘experiência específica’ de ‘comer índio’

Talis Andrade

por Fernando Brito

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O ministro Paulo de Tarso Sanseverino, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) proibiu a veiculação, na TV e nas redes sociais do trecho da entrevista de Jair Bolsonaro ao The New York Times em que e ele diz que, para saciar a sua curiosidade de ver um índio (ser humano, portanto) ser cozido, embora não o tenha feito porque seus companheiros de viagem (que ele chama de “comitiva”) recusaram-se pois, do contrário “comeria o índio, sem problema nenhum”.

Diz ele que “a reportagem se refere a uma experiência específica dentro de uma comunidade indígena, vivida de acordo com os valores e moralidade vigentes nessa sociedade”.

“Experiência específica”, ministro? Acaso estava Jair Bolsonaro perdido na selva e vivendo dentro de um comunidade indígena e, portanto, sendo levado, a partilhar “os valores e moralidade vigentes nessa sociedade”?

“Eu queria ver o índio sendo cozinhado”, a frase dita por Bolsonaro, não tem a ver com partilhar a cultura indígena, mas com a curiosidade mórbida do então deputado.

O vídeo não associa Bolsonaro à admissão da antropofagia, é o próprio ex-capitão quem o faz e com o objetivo nítido de arrogar-se “valentão”, alguém que “não corre da raia”.

Se é admissível ter “uma experiência específica” de ver uma pessoa sendo cozida e provar de sua carne, será legítimo, por exemplo, montar excursões para assistir isso? Quem sabe para dizer que estaria compartilhando “os valores e moralidade vigentes” de sociedades ancestrais?

Ou admitir que se fizessem tours à Arábia Saudita para assistir decapitações ou ao Ísis, para assistir degolas e até experimentar como seria fazer isso?

E pior, dizer que não se pode falar que alguém desejou participar desta “experiência específica”, ainda mais alguém que é e pretende ser, por mais quatro (e sabemos, ainda por muitos mais) o dirigente máximo do país.

Vamos falar sério: o ministro proibiu a exibição da gravação – e não duvido que o plenário do TSE vá fazer o mesmo – porque é demolidora, e com razão, na demonstração dos desvios mentais de um psicopata.

Em uma entrevista de 2016 Bolsonaro aparece dizendo que comeria a carne de um indígena morto, mas que perdeu essa oportunidade. A conversa era com um jornalista do New York Times e, na época, o vídeo foi postado pelo próprio presidente. Isso significa que, por mais grotesca que seja a notícia, Bolsonaro não tem como negá-la. 

11
Mar23

Destruir ianomamis sempre foi obsessão para Bolsonaro

Talis Andrade

por Fernando Brito /Tijolaço

Ótima reportagem de Lira Neto, publicada hoje no Diário do Nordeste,(leia aqui) documenta a história que é indispensável para entender a tragédia que se passa na reserva ianomami, onde pessoas estão morrendo como moscas por conta da devastação e do envenenamento dos rios provocados pelo garimpo ilegal estimulado durante o governo Jair Bolsonaro.

É a trajetória do Projeto de Decreto Legislativo apresentado pelo então deputado de primeiro mandato, em 1993, pretendendo anular a demarcação das terras indígenas para aquela etnia, assinado um ano antes, por Fernando Collor, sob o argumento que não se poderia destinar áreas de fronteira para reservas e, entre outras razões, que a área era “riquíssima em madeiras nobres e minerais raros”.

O projeto chegou a ir a plenário, para votação em urgência, recusada pela maioria da Câmara.

Bolsonaro jamais desistiu de tirar a terra dos índios e, em 2003, conseguiu desarquivar seu projeto, para ser novamente rejeitado quatro anos depois.

Sempre foi sua ideia fixa, uma espécie de Mein Kampf, ao ponto de ser objeto de 44 pronunciamentos em seus mandatos. Em 2015, ele bradava:

“A reserva ianomâmi, lá em Roraima, e um pedacinho no Amazonas, tem duas vezes o tamanho do Rio de Janeiro, para 9 mil índios! Isso é um crime! O Brasil tem que ser nosso!

É possível acreditar que o desastre humanitário que está sendo revelado agora é resultado apenas de desídia ou incompetência deste homem?

Os antecedentes mostram que a destruição daqueles índigenas – aliás na mesma região onde ele disse ter se interessado em “ver o índio sendo cozinhado” – sempre foi uma obsessão de Bolsonaro.

É uma questão de honra para o nosso país levar esta monstruosidade aos tribunais. E não é possível fugir, desta vez, da palavra infamante: genocídio.

 

 

 

14
Out22

Foto de Bolsonaro em caminhão "canibal" viraliza após declaração sobre "comer índio"

Talis Andrade

Image

 

Registro é do fotojornalista parceiro da Fórum, Eduardo Matysiak, feito na Marcha Para Jesus de Curitiba; presidente foi ao TSE para censurar vídeo em que aparece dando declaração absurda. Charges de Marcio Vaccari

 

por Ivan Longo

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O vídeo resgatado por internautas esta semana que mostra Jair Bolsonaro (PL) falando em "comer índio" segue repercutindo e, nesta sexta-feira (7), uma imagem viralizou graças ao assunto. 

Trata-se de uma foto que mostra o presidente em um caminhão de som com a inscrição "canibal". O registro foi feito pelo fotojornalista Eduardo Matysiak, parceiro da Fórum, durante a Marcha Para Jesus de Curitiba (PR), em 21 de maio deste ano.

 

Confira

Bolsonaro: Problema é PT e tipo de gente saída de rincões - 16/09/2022 -  Poder - Folha

 

Entenda 

O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou em entrevista ao jornal americano The New York Times, em 2016, na época em que ainda era deputado federal, que só não comeu carne humana de um indígena em Surucucu porque ninguém quis ir com ele.

Além disso, ele disse também que só não teve relações sexuais com mulheres famintas no Haiti por falta de higiene. O vídeo com a íntegra da entrevista está no canal do YouTube do presidente.

 

Assista

 

Tentativa de censura 

A campanha de Bolsonaro entrou com ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que o vídeo da campanha de Lula (PT), onde o presidente fala que comeria carne humana, seja retirado do ar. 

O vídeo em questão é uma entrevista de Bolsonaro para o The New York Times onde, o então deputado federal Jair Bolsonaro (PL) declara ao jornalista Simon Romero que só não comeu a carne humana de um indígena porque ninguém quis acompanhá-lo. 

Irritada, a direção da campanha de Bolsonaro declarou que a frase do presidente "foi tirada de contexto" e alegam que na entrevista Bolsonaro fala sobre a sobrevivência na selva e que, às vezes, é necessário comer "carne humana, de índio, de animal, de qualquer coisa". 

Bolsonaro diz o seguinte ao jornalista do NYT: "Eu queria ver o índio ser cozinhado. Daí o cara: se for, tem que comer. Eu como [...] morreu um índio e eles estão cozinhando [...] eles cozinham o índio, é a cultura deles. Cozinha por três dias e come com banana [...] eu comeria o índio sem problema nenhum".

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09
Out22

Delírio antropofágico de Bolsonaro é informação, tem de ser público (vídeos)

Talis Andrade

 

 

por Fernando Brito

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Muito mais que à campanha de Lula, era dever da imprensa ter noticiado o que agora, finalmente, está em algumas ( e só algumas) das homepages dos grandes jornais e sites de notícias, porque foi ao ar na televisão: a declaração de Jair Bolsonaro dizendo que queria “ver o índio sendo cozinhado” em Roraima e teria pedido para ir a um ritual mesmo tendo, para isso, de comer carne humana: “Comeria o índio sem problema nenhum”, disse, em entrevista de 2016, a Simon Romero, do The New York Times, que está em seu próprio site (ou estava, nem fui verificar pois a tenho gravada).

Jair Bolsonaro foi ao TSE pedir a proibição da veiculação do vídeo, alegando que tira de contexto a fala do presidente. Não tira e qualquer um pode conferir isto assistindo os nauseantes minutos em que ele fala do assunto.

Os jornais estão – e isso vem sendo dito aqui, há dois dias – se omitindo criminosamente. O fato de que a entrevista seria “antiga” – e não é tanto assim, é de 2016, quando Jair Bolsonaro era deputado e tinha responsabilidades públicas absolutamente diversas de um “contado de vantagens” (vantagens na visão dele). O vídeo era público e estava no próprio canal do atual presidente. Não há nenhuma dúvida de sua veracidade e a entrevista ao NYT realmente ocorreu.

Isso não tem interesse jornalístico?

Para verificar, basta imaginar o que aconteceria se fosse Lula quem tivesse dito estas abjeções.

Bolsonaro, claro, não está sendo acusado de canibalismo (ou de antropofagia, mais especificamente), até porque não consumou o “comeria o índio”. Mas é, evidentemente, um psicopata, que se orgulha da compulsão mórbida de ver um ser humano ser cozinhado!

Está mentindo, até porque os yanomamis, índios aos quais se refere (aldeia Surucucus) não tem sequer tradições antropfágicas ancestrais.

Saber dos desvios mentais de Bolsonaro é relevante para que as pessoas tomem a sua decisão sobre quem presidirá o país. Mostrar o que este homem disse, apenas dois anos antes de se tornar presidente, é informação.

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O jornalismo não pode omitir informação, real e devidamente checada, como é esta, ou será cúmplice de uma mentira.

Aí está, de novo, o vídeo, para que se veja que não foi uma manipulação.

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