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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

19
Jan22

A campanha do ódio em ação

Talis Andrade

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por Cristina Serra

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Reportagem de Jamil Chade e Lucas Valença, no UOL, mostra tratativas do “gabinete do ódio” para adquirir tecnologias de espionagem israelense. Uma das empresas procuradas, que atende pelo sugestivo nome de DarkMatter (em português significa “matéria escura”), desenvolveu dispositivos que podem invadir computadores e celulares, mesmo com os aparelhos desligados.

Essas movimentações prenunciam que os mecanismos de disparo em massa de mentiras por aplicativo, largamente utilizados em 2018, serão brincadeira de criança perto do que estará, agora, ao alcance das quadrilhas que apoiam o chefe miliciano. Indicam também como a campanha de reeleição de Bolsonaro poderá atuar totalmente fora do radar do TSE, deixando os concorrentes a comer poeira e as instituições a enxugar gelo.

Talvez seja a confiança de Bolsonaro em esquemas criminosos que explique seu comportamento, em alguns aspectos, pouco compatível com o de quem busca a recondução ao cargo. Ele nunca demonstra compaixão pelas vítimas de tragédias. Ao contrário, exibe frieza e desdém, como fez durante as enchentes na Bahia e em Minas Gerais e como tem feito ao longo da pandemia, chegando ao cúmulo de negar vacinas para crianças.

Bolsonaro já deu o tom da violência que vai estimular nos próximos meses. Em recente pronunciamento, ameaçou o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra com o excludente de ilicitude, uma licença para matar, a ser dada para policiais que ajam “sob violenta emoção”. A proposta foi derrotada no Congresso, mas ainda é defendida pela bancada da bala.

É tudo na mesma linha do “vamos fuzilar a petralhada toda aqui do Acre” e “petralhada, vai tudo vocês (sic) para a ponta da praia [gíria para lugar de execução de presos políticos na ditadura]”. O golpista emite sinais eloquentes de que não aceitará a derrota e de que tudo fará para tumultuar as eleições. Nossas instituições estão preparadas para detê-lo?

Gabinete do ódio negociou programa espião para usar contra opositores, diz  fonte do UOL - Hora do Povo

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12
Jan22

A extrema direita caipira se internacionaliza de verdade

Talis Andrade

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Reinaldo Azevedo no Twitter
 
Reinaldo Azevedo
Q PT tentará mudar coisas se eleito, isso é claro. Ñ fosse p/ mudar, eleito ñ seria. Lógica elementar. Ciro tbem é mudancista. Querem tudo como está? O voto é Bolsonaro. Querem igual, mas c/ lavajatismo? O voto é Moro. Querem + reformas chamadas “liberais”? Há Doria, por ex. O q não é possível é afirmar que a suposta prova do extremismo de Lula está em eventual mudança na legislação trabalhista ou na lei do teto de gastos — q já foi para o brejo faz tempo. Isso não é opinião. É análise. Vai, jumento! Me chama de petista! Cumpra seu papel no debate.

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Com Bolsonaro, a extrema direita caipira se internacionaliza de verdade.
Política ñ é metafísica. Tem falhado o esforço p/ pintar o PT c/ as tintas do demônio. Tese da “polarização” micou, como adverti. Aí vem papo da suposta “contrarreforma” trabalhista p/ demonizar Lula. Nada se faz por decreto na área. Tudo passa pelo Congresso, de perfil incerto.
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Aos inconformados e furiosos com as minhas opiniões, que não endossam as boçalidades moro-bolsonaristas ou, genericamente, da extrema direita ou da direita antipovo, um trechinho de “Lisbon Revisited - (1923)”, de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa):
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Barra Torres acuou Bolsonaro, e o “Mito” faz de conta que não é com ele. Sim, ogro sugeriu interesses escusos da Anvisa p/ liberar vacinação em crianças. Ou fala quais são ou cala a boca. Como sempre, chamado a provar o que diz, ele se acovarda.
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12
Jan22

Elio Gaspari: "se Bolsonaro precisa parar de exercer ilegalmente a Medicina, todo mundo ganha"

Talis Andrade

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247 – “Parece que a nota do almirante da reserva Antônio Barra Torres, presidente da Anvisa, levou-o a baixar a bola também no ridículo conflito em torno da vacina das crianças”, escreve Elio Gaspari em sua coluna desta quarta-feira nos jornais Folha de S Paulo e O Globo depois de dizer que Jair Bolsonaro foi “regulado” por Michel Temer logo depois da tentativa de autogolpe de 7 de setembro de 2021. “Se disso resultar uma moratória de Bolsonaro diante da pandemia, o ano de 2022 terá começado melhor”.Para ele, que é um dos mais graduados analistas da cena política nacional desde os anos 1970, “desde que o coronavírus entrou na agenda mundial, o capitão errou rodas. A "gripezinha" matou mais de 600 mil pessoas e a cloroquina serviu para nada. A boa notícia veio do funcionamento do programa de imunização, área na qual o Brasil tinha um desempenho histórico louvável”.

Gaspari deixa claro que o reconhecimento da população aos programas públicos de vacinação, comandados pelo SUS, foi fundamental. Ele saúda o comportamento da população, que se vacinou. “Nem o declínio na qualidade da gestão do ministério da Saúde foi suficiente para anestesiar os brasileiros”, diz. E conclui: “Se Bolsonaro parar de exercer ilegalmente a medicina, deixando a pandemia para os médicos, todo mundo ganha”.Image

O jornalista condena duramente os blefes e a bazófia do presidente contra a Anvisa. “Ao atacar a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, presidida por um almirante-médico da reserva, escolhido por ele, Bolsonaro atravessou o espelho”, escreve. “Ele jamais documentaria a insinuação de que a Agência tinha interesses na compra de vacinas. Esse tipo de malandragem rolou na máquina do ministério da Saúde e foi contida, como ficou demonstrado pela Comissão Parlamentar de Inquérito”. Para Gaspari, a briga com a Anvisa é apenas mais uma das tantas brigas inúteis de um governante que não governa. “O conflito com a Anvisa e com Barra Torres fez parte do acervo de brigas inúteis do governo Bolsonaro. Nessa prateleira estão as caneladas contra a China, a eleição de Joe Biden e o governo argentino de Alberto Fernández. Tudo para nada”, diz.
Leia aqui a íntegra da coluna na Folha de S Paulo.ImageImageImage

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10
Jan22

Cadê o machão muito macho?

Talis Andrade

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Por Eric Nepomuceno /Jornalistas pela Democracia 

O médico e contra-almirante da reserva da Marinha Antônio Barra Torres tem ao menos uma tremenda mancha em seu currículo que só o tempo mostrará se pode ou não ser apagada: foi muito próximo de Jair Messias. Mas dia desses mostrou que tem ao menos uma tremenda lucidez e um robusto punhado de hombridade.  

A maneira com que ele desafiou o Genocida a provar mais uma de suas boçalidades – insinuar que poderia haver interesses escusos por trás da decisão da Anvisa de aprovar a óbvia vacinação contra Covid em crianças entre cinco e onze anos – chamou a atenção de todo brasileiro com um mínimo de lucidez.

Muita gente – eu inclusive – ficou na espreita, aguardando a dimensão do estrondo da resposta do machão instalado na poltrona presidencial, que com certeza não deixaria semelhante desafio passar em branco.

Afinal, macho que é macho não leva desaforo para casa. E Jair Messias, dia sim e o outro também, vive exaltando a própria macheza.   

Pois bem: o que se ouviu durante dois dias foi um estrondoso silêncio. E, na segunda-feira dia 10, surgiu um fiapo de miado numa entrevista gravada ainda no sábado para uma emissora irremediavelmente bolsonarista. Tudo que o Genocida disse foi que a questão da vacina para crianças não deve servir para afastar as pessoas.

Barra Torres, aliás, aproveitou para, além de sacudir Jair Messias, esfregar nele uma humilhação. Recordou que, como contra-almirante, ocupa um generalato na Marinha.  

Cadê a humilhação? Ora, no Exército, Jair Messias jamais passou de tenente. E só virou capitão por ter, depois de encarar cadeia por atos de indisciplina, ido para a reserva.

Não é a primeira nem a décima vez que o Genocida deixa claro que, além de ser irremediavelmente vil e totalmente desequilibrado sem volta, é medroso. Ele se borra todo quando tem que enfrentar alguém grande.  

Foi assim quando aceitou assinar uma carta escrita pelo marqueteiro do golpista Michel Temer depois de ter ofendido o Supremo Tribunal Federal e ter tentado um golpe no dia 7 de setembro em São Paulo.

Claro que sobravam indícios de que a chance do golpe dar certo era a mesma da Cate Blanchett ou a Julia Roberts implorarem para jantar comigo. Mas Jair Messias, apesar de toda sua estupidez, sabe perfeitamente como atiçar aquele pequeno núcleo de seguidores mais bovinos e, por isso mesmo, absoluta e irremediavelmente fiéis. Daí ter virado machão e depois ter, de novo, se borrado todo.

Aliás, é justamente esse rebanho que ficará decepcionado com a covardia do macho muito macho diante da bordoada que levou de Barra Torres. E por isso que podemos esperar que Jair Messias parta para o ataque contra outros alvos.  

Já ensaiou o primeiro, contra o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal. Meio pífio, é verdade. Mas, como dizem os ibéricos, “algo es algo”.  

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09
Jan22

Herodes Tropical atrasa vacinação de crianças

Talis Andrade

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Em uma entrevista à TV Nova Nordeste nesta quinta-feira (6), Bolsonaro negou as mortes de crianças pela Covid-19 e colocou em dúvida a honestidade dos profissionais da Anvisa por terem aprovado a vacinação infantil contra Covid.

"Você vai vacinar o teu filho contra algo que o jovem por si só, uma vez pegando o vírus, a possibilidade dele morrer é quase zero? O que que está por trás disso? Qual o interesse da Anvisa por trás disso aí? Qual o interesse das pessoas taradas por vacina?", declarou o Herodes Tropical.

A resposta de Antonio Barra Torres veio em tom pessoal, e diretamente ao presidente Bolsonaro.

O diretor-presidente da Anvisa disse, em nota emitida pelo neste sábado (8) que, caso o presidente tenha informações que "levantem o menor indício de corrupção" contra ele, que "não perca tempo nem prevarique" e que "determine imediata investigação policial".

"Se o senhor dispõe de informações que levantem o menor indício de corrupção sobre este brasileiro, não perca tempo nem prevarique, Senhor Presidente. Determine imediata investigação policial sobre a minha pessoa aliás, sobre qualquer um que trabalhe hoje na Anvisa, que com orgulho eu tenho o privilégio de integrar. ", disse Barra Torres.

Barra Torres também pediu que, caso não tenha indícios, Bolsonaro se retrate da acusação feita contra a agência.

"Agora, se o Senhor não possui tais informações ou indícios, exerça a grandeza que o seu cargo demanda e, pelo Deus que o senhor tanto cita, se retrate. Estamos combatendo o mesmo inimigo e ainda há muita guerra pela frente", disse Barra Torres.

Anvisa autorizou o uso da vacina Pfizer para vacinação infantil contra a Covid-19 no dia 16 de dezembro. No entanto, as regras para a imunização de crianças foramdivulgadas pelo Ministério da Saúde apenas nesta quarta-feira (5)após umaconsulta pública realizada pela pasta.

O jornalista Josias de Souza diz que Bolsonaro faz sabotagem, retardando o início da vacinação. 

Presidente da Anvisa Antonio Barra Torres responde a Bolsonaro

 

Em relação ao recente questionamento do Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, quanto à vacinação de crianças de 05 a 11 anos, no qual pergunta "Qual o interesse daAnvisapor trás disso aí?", o Diretor Presidente daAnvisa, Antonio Barra Torres, responde:

Senhor Presidente, como Oficial General da Marinha do Brasil, servi ao meu país por 32 anos. Pautei minha vida pessoal em austeridade e honra. Honra à minha família que, com dificuldades de todo o tipo, permitiram que eu tivesse acesso à melhor educação possível, para o único filho de uma auxiliar de enfermagem e um ferroviário.

Como médico, Senhor Presidente, procurei manter a razão à frente do sentimento. Mas sofri a cada perda, lamentei cada fracasso, e fiz questão de ser eu mesmo, o portador das piores notícias, quando a morte tomou de mim um paciente.

Como cristão, Senhor Presidente, busquei cumprir os mandamentos, mesmo tendo eu abraçado a carreira das armas. Nunca levantei falso testemunho.

Vou morrer sem conhecer riqueza Senhor Presidente. Mas vou morrer digno. Nunca me apropriei do que não fosse meu e nem pretendo fazer isso, à frente daAnvisa. Prezo muito os valores morais que meus pais praticaram e que pelo exemplo deles eu pude somar ao meu caráter.

Se o senhor dispõe de informações que levantem o menor indício de corrupção sobre este brasileiro, não perca tempo nem prevarique, Senhor Presidente. Determine imediata investigação policial sobre a minha pessoa aliás, sobre qualquer um que trabalhe hoje naAnvisa, que com orgulho eu tenho o privilégio de integrar.

Agora, se o Senhor não possui tais informações ou indícios, exerça a grandeza que o seu cargo demanda e, pelo Deus que o senhor tanto cita, se retrate.

Estamos combatendo o mesmo inimigo e ainda há muita guerra pela frente.
Rever uma fala ou um ato errado não diminuirá o senhor em nada. Muito pelo contrário.

 

Antonio Barra Torres
Diretor Presidente -
Anvisa
Contra-Almirante RM1 Médico
Marinha do Brasil

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Os 39 países que aprovaram imunização de menores de 12 anos contra covid em 3 de novembro último

por Redação BBC News

 

Em 3 de novembro de 2021, Ao menos 39 países já autorizaram ou já iniciaram o uso de vacinas contra Covid-19 em crianças (menos de 12 anos), sendo que a grande maioria aplica ou aplicará o imunizante da Pfizer/BioNTech para jovens de 5 a 11 anos.

Mas, além dessa, há diversas vacinas adotadas para essa faixa etária ao redor do mundo: Sinopharm, Sinovac (Coronavac) e Soberana 02.

Médicos, autoridades de saúde e cientistas têm afirmado que, dada a persistência da variante delta, o avanço acelerado da ômicron e a volta do ensino presencial, a vacinação de crianças é o próximo passo crucial no combate à pandemia.

"Os pais precisam entender a urgência da vacinação porque a pandemia ainda não acabou", disse à BBC James Versalovic, patologista-chefe do Hospital da Criança do Texas (EUA).

O aval das autoridades americanas, por exemplo, foi dado após um grupo de especialistas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e da agência local de controle e regulamentação de alimentos e remédios (FDA) avaliar riscos e benefícios da vacinação de crianças contra a Covid-19.

Nos EUA, mais de 5 milhões de crianças já receberam a vacina contra covid. Ao justificar a necessidade de vacinar as crianças, o CDC dos EUA diz que elas podem desenvolver casos graves de Covid-19 e que também podem ter complicações de saúde de curto e longo prazo desenvolvidas a partir da covid.

Dados oficiais dos EUA apontam quase 1,8 milhão de casos de covid em criança de 5 a 11 anos no país. Quase 200 morreram, e a maioria delas já tinha problemas de saúde crônicos.

A vacina é eficaz e segura para as crianças, segundo pesquisadores, agências reguladoras de diversos países (inclusive a Anvisa) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo análises de pesquisadores do órgão regulador dos EUA, a vacina da Pfizer/BioNTech tem eficácia de quase 91% na prevenção de covid em crianças pequenas, uma resposta imunológica comparável à observada em pessoas de 16 a 25 anos. Nenhum efeito colateral sério foi identificado pelos pesquisadores.

A vacina para a faixa etária de 5 a 11 anos tem uma dosagem diferente (um terço da aplicada em adultos) e demanda agulhas menores.

Estima-se que a segunda dose seja concedida três semanas depois. Em razão dessas mudanças, os países precisam fazer novas encomendas com a Pfizer/BioNTech, em vez de fracionar as doses já adquiridas.

Na Europa, ao menos 23 países já aprovaram ou já iniciaram vacinação desta faixa etária contra a Covid-19.

São eles: Alemanha, Áustria, Bélgica, Croácia, Chipre, Dinamarca, Eslováquia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Malta, Portugal, Reino Unido, República Tcheca e Suécia.

Há diversas diferenças nos programas adotados no continente europeu. Muitos decidiram imunizar todas as crianças dessa faixa etária, como Portugal.

Mas outros países vão começar a imunização apenas daquelas com alto risco de contrair a forma grave da Covid-19, como o Reino Unido, França, Finlândia e Suécia. Estima-se que a imunização seja ampliada nas próximas semanas nesses países.

Ao menos outros 16 países também já autorizaram ou começaram a vacinação de crianças, segundo dados reunidos pela agência de notícias Reuters e pela reportagem da BBC News Brasil.

São eles: Austrália, Bahrein, Brasil, Chile, China, Cuba, El Salvador, Emirados Árabes Unidos, Equador, EUA, Israel, Indonésia, Filipinas, Nova Zelândia, Singapura e Tailândia.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou em 16 de dezembro a aplicação da vacina da Pfizer em crianças de 5 a 11 anos.

Agora, a imunização desse público, na prática, depende do Ministério da Saúde. Mas o ministro Marcelo Queiroga disse que o assunto só terá uma definição em 5 de janeiro (entenda mais abaixo neste texto).

Países que já iniciaram vacinação de crianças contra a covid-19. .  .

O primeiro país a aplicar vacinas em crianças pequenas foi a China, em junho, quando autoridades aprovaram o uso emergencial da vacina da fabricante Sinovac (parceira do Instituto Butantan no Brasil na produção da Coronavac) para jovens de 3 a 17 anos.

O país estabeleceu uma meta aproximada de vacinar 80% de sua população de 1,4 bilhão até o final do ano, um número impossível de atingir sem contemplar também um grande número de menores de 18 anos.

Em teoria, a vacina contra a Covid-19 é voluntária na China, embora alguns governos locais tenham dito que os alunos não terão permissão para voltar à escola neste semestre a menos que sua família inteira tenha sido vacinada com duas doses.

Essa mesma vacina Coronavac foi aprovada para uso emergencial em crianças acima de 6 anos em outros países, como Chile (setembro), Equador (outubro) e Indonésia (novembro).

Cuba, por sua vez, começou no início do mês a vacinação em crianças de dois a 18 anos com as vacinas produzidas no país, tornando-se o primeiro país do mundo a imunizar crianças tão pequenas. A campanha será feita em etapas para viabilizar a volta às aulas.

Em novembro, os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein também autorizaram o uso emergencial da vacina Pfizer/BioNTech para crianças de 5 a 11 anos. Ambos os países já haviam aprovado o uso de outro imunizante, Sinopharm, semanas antes para jovens de 3 a 17 anos e de 3 a 11 anos, respectivamente. Leia mais

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09
Jan22

Chefe da Anvisa desafia Bolsonaro a mandar PF investiga-lo

Talis Andrade

 

por Fernando Brito

Numa educada, mas duríssima nota, o diretor-presidente da Anvisa, Almirante Antonio Barra Torres reagiu às insinuações lançadas por Jair Bolsonaro sobre haver interesses na liberação da vacinação de crianças de 5 a 11 anos contra a Covid.

Depois de lembrar suas origens humildes e seus “princípios cristãos”, Torres diz que , se Bolsonaro tem qualquer indício de irregularidade em sua atuação ou na dos diretores da Agência de Vigilância Sanitária, que mande a Polícia Federal abrir uma investigação sobre eles, imediatamente.

Mas, se não tem, que se retrate pelo que disse em sua live de quinta-feira, que se retrate por ter que haveria algo escuso “por trás” do que classificou como “interesse da Anvisa” em liberar a vacinação infantil.

Leia o texto:

Em relação ao recente questionamento do Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, quanto à vacinação de crianças de 05 a 11 anos, no qual pergunta “Qual o interesse da Anvisa por trás disso aí?”, o Diretor Presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, responde:

Senhor Presidente, como Oficial General da Marinha do Brasil, servi ao meu país por 32 anos. Pautei minha vida pessoal em austeridade e honra. Honra à minha família que, com dificuldades de todo o tipo, permitiram que eu tivesse acesso à melhor educação possível, para o único filho de uma auxiliar de enfermagem e um ferroviário.

Como médico, Senhor Presidente, procurei manter a razão à frente do sentimento. Mas sofri a cada perda, lamentei cada fracasso, e fiz questão de ser eu mesmo, o portador das piores notícias, quando a morte tomou de mim um paciente.

Como cristão, Senhor Presidente, busquei cumprir os mandamentos, mesmo tendo eu abraçado a carreira das armas. Nunca levantei falso testemunho.

Vou morrer sem conhecer riqueza Senhor Presidente. Mas vou morrer digno. Nunca me apropriei do que não fosse meu e nem pretendo fazer isso, à frente da Anvisa. Prezo muito os valores morais que meus pais praticaram e que pelo exemplo deles eu pude somar ao meu caráter.

Se o senhor dispõe de informações que levantem o menor indício de corrupção sobre este brasileiro, não perca tempo nem prevarique, Senhor Presidente. Determine imediata investigação policial sobre a minha pessoa aliás, sobre qualquer um que trabalhe hoje na Anvisa, que com orgulho eu tenho o privilégio de integrar.

Agora, se o Senhor não possui tais informações ou indícios, exerça a grandeza que o seu cargo demanda e, pelo Deus que o senhor tanto cita, se retrate.

Estamos combatendo o mesmo inimigo e ainda há muita guerra pela frente. Rever uma fala ou um ato errado não diminuirá o senhor em nada. Muito pelo contrário.

(Ass) Antonio Barra Torres, Diretor Presidente – Anvisa, Contra-Almirante RM1 Médico da Marinha do Brasil
06
Jan22

Bolsonaro: "Qual o interesse daquelas pessoas taradas por vacina?"

Talis Andrade

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Bolsonaro sobre vacinação de crianças: “Qual o interesse da Anvisa?”

 

 

Após o Ministério da Saúde anunciar as regras para vacinação de crianças, o presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a desestimular a imunização do público infantil nesta quinta-feira (6/1).

Bolsonaro ainda alfinetou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que autorizou em dezembro a aplicação de doses pediátricas da vacina Pfizer em crianças de 5 a 11 anos.

“Você pai e você mãe, vejam os possíveis efeitos colaterais. A própria Pfizer diz que outros possíveis efeitos colaterais podem acontecer a partir de 22, 23 ou 24 anos. E você vai vacinar teu filho contra algo que o jovem, por si só, uma vez pegando o vírus, a possibilidade dele morrer é quase zero?”, disse o titular do Palácio do Planalto, sem apresentar provas, em entrevista à Rádio Nova FM, de Pernambuco.

“O que está por trás disso? Qual o interesse da Anvisa por trás disso aí? Qual o interesse daquelas pessoas taradas por vacina? É pela sua vida, pela sua saúde?”, continuou o chefe do Executivo federal.

Apesar de Bolsonaro dizer que “desconhece” casos de mortes por Covid-19 em crianças na referida faixa etária, o Brasil registrou 301 mortes de crianças entre 5 e 11 anos em decorrência do coronavírus, desde o início da pandemia até o dia 6 de dezembro. Isso corresponde a 14,3 mortes por mês, ou uma a cada dois dias, segundo dados da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização da Covid-19.Image

 

O mandatário voltou a declarar que não vacinará Laura Bolsonaro, sua filha caçula de 11 anos, e classificou a decisão da agência como “lamentável”. “A Anvisa lamentavelmente aprovou vacina para crianças entre 5 e 11 anos de idade. Minha opinião é que minha filha de 11 anos não será vacinada”, disse o presidente. Leia mais

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20
Dez21

A volta do dedo-duro. Bolsonaro pede nome de “pessoas que aprovaram vacinação de crianças” (vídeos)

Talis Andrade

 

 

 

 

 

 

 

TRIBUNA DA INTERNET | Novo front da guerra das vacinas registra duros  ataques entre o Centrão e a Anvisa

"Perseguição a técnicos da Anvisa é vergonha nacional", diz Gilmar Mendes

 

O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse nesta quinta-feira (16/12) que não interfere na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas que pediu o nome de quem aprovou, mais cedo, a aplicação da vacina da Pfizer contra a Covid-19 em crianças de 5 a 11 anos. A liberação foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

“A Anvisa não está subordinada a mim, deixar bem claro isso. Não interfiro lá. Eu pedi o nome das pessoas que aprovaram a vacinação de crianças de 5 a 11 anos, para que todo mundo tome conhecimento de quem são essas pessoas e formem o seu juízo. […] Você tem o direito de saber o nome das pessoas que aprovaram a vacinação a partir de 5 anos”, disse o presidente durante transmissão ao vivo nas redes sociais.

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes classificou como "covardia" as ameaças aos técnicos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) após o aval para vacinação de crianças contra covid-19.

"Não faz sentido divulgar nomes de técnicos que exercem essa atividade, especialmente num ambiente tão conflagrado, como o que estamos vivendo. Basta olhar as mensagens no Twitter para ver que o tom é sempre de ameaça, essa chamada mensagem de ódio. Você ameaçar um técnico que está fazendo o seu trabalho é uma manifesta covardia", disse o ministro. "Não faz sentido algum violar as regras de autonomia da agência", complementou.

 

 

 

11
Out21

Os senadores da CPI da Covid envolvidos com médicos da escola de Mengele, o anjo nazista da morte

Talis Andrade

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A CPI da Covid tem que denunciar senadores envolvidos na necropolítica. Pela divulgação de medicamentos ineficazes.

Hospital da polícia militar do RS testou proxalutamida sem autorização da Anvisa em pacientes com Covid-19

Pacientes internados no Hospital da Brigada Militar de Porto Alegre receberam remédio fabricado na China e tratado por Bolsonaro como a “nova cloroquina”. Não havia liberação para testá-lo em seres humanos na capital gaúcha.

 

Participação na CPI da Covid

Os responsáveis pelo experimento, segundo o major médico Christiano Perin, foram o endocrinologista Flávio Cadegiani e o infectologista Ricardo Zimerman, que trabalha como especialista terceirizado no hospital desde 2017, e teria sido o coordenador principal dos testes rodados na capital gaúcha. 

Em maio, Zimerman depôs na CPI da Covid a convite do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), para defender o uso de medicamentos ineficazes contra o coronavírus, de antiparasitários a antimaláricos. Na ocasião, também defendeu o uso de antiandrogênicos, como a proxalutamida. Outro suposto estudo semelhante ao de Porto Alegre, mas realizado em Manaus na mesma época, com participação de Cadegiani e Zimerman, está sob investigação da Conep por indícios de irregularidades e infrações éticas. O órgão prepara uma denúncia ao Ministério Público Federal com base em uma apuração interna sobre as irregularidades cometidas no estado do Amazonas.

 

Topa tudo por dinheiro

Essa ideia de testar bloqueadores de testosterona para conter o coronavírus existe desde o início da pandemia e tem sido promovida pela Applied Biology, um centro de pesquisas norte-americano focado em inventar e patentear terapias contra a calvície. Um dos idealizadores da tese do potencial dos antiandrogênicos contra a Covid-19 foi o presidente da empresa, o dermatologista norte-americano Andy Goren, que se define como um especialista na “descoberta de novas terapias”.

Infográfico: Pedro Papini

 

Antes mesmo de publicar o primeiro artigo sobre a teoria ou testar sua eficácia clinicamente, a empresa deu entrada para uma patente do tratamento antiandrogênico contra a Covid-19 nos EUA ainda em março de 2020, com menos de dois meses de pandemia decretada. Esse pedido de patente da Applied Biology tem validade internacional desde julho de 2020, após ter sido registrado na Organização Mundial de Propriedade Industrial (OMPI), na qual o Brasil é signatário. Isso significa que, no caso da aprovação de eventuais tratamentos antiandrogênicos contra a Covid-19, governos e hospitais deverão royalties à Applied Biology pela invenção. E o tratamento com proxalutamida sequer seria a primeira patente da clínica norte-americana no Brasil, que já reserva royalties a duas terapias para calvície criadas pelo centro de pesquisas.

Inicialmente, o tratamento em vias de ser patenteado para Covid-19 previa o uso de outros antiandrogênicos já disponíveis no mercado, como a dutasterida. A escolha pela proxalutamida como droga-propaganda da teoria surgiu após a Kintor, a farmacêutica chinesa que fabrica o medicamento, fazer sua primeira oferta pública de ações na bolsa de valores de Hong Kong, em maio daquele ano. Desde a sua fundação, em 2009, a startup opera no vermelho. A empresa se beneficiou de uma mudança de lei no mercado de capitais chinês que permitiu a oferta de ações de companhias que operam no prejuízo – mas a crise financeira que surgiu no início da pandemia atrapalhou parte do otimismo da startup, que foi forçada a fechar as portas de um centro clínico em Miami. A ideia da abertura das ações era viabilizar os trâmites necessários para a comercialização da proxalutamida, que recém concluía estudos preliminares que sugeriam sua potencial eficácia contra o câncer.

Na época, as ações da Kintor foram vendidas a preços entre HK$ 17,80 e HK$ 20,15 (em valores de dólares de Hong Kong), o equivalente a R$13,30 e R$ 15, segundo o câmbio do período, conforme a calculadora do Banco Central. Dois meses depois, em julho de 2020, a farmacêutica fechou uma colaboração com a Applied Biology dias após o pedido da patente para a terapia antiandrogênica ser registrado pelos norte-americanos. Hoje, com mais de um ano de parceria e as especulações sobre a eficácia da proxalutamida contra a Covid-19, o valor das ações da companhia em Hong Kong atingiu HK$ 79,95 em julho deste ano, o equivalente a R$ 54 por ação, uma valorização de quase 350%, que tem atraído ceticismo de agentes do mercado financeiro. 

Um dos motivos dessa desconfiança são informações duvidosas divulgadas pela própria Kintor a investidores: em julho, os chineses anunciaram uma aprovação emergencial para uso da proxalutamida no Paraguai que não existiu, conforme apuração da Agência France-Press. Procurado, o Ministério da Saúde paraguaio não respondeu às tentativas de contato do Matinal. No caso da Covid-19, a vigilância sanitária paraguaia depende das aprovações de nações vizinhas para autorizar vacinas em caráter emergencial – porém, o órgão não explica bem como funciona o processo para a aprovação de outros medicamentos contra o coronavírus. Sobre o caso, a Kintor Pharmaceutical se limitou a indicar as informações oficiais contidas em seu site, que não respondiam a nenhuma das perguntas enviadas.


Após a divulgação de resultados sem revisão de cientistas do estudo com indícios de fraude no Amazonas, em 11 de março, as ações da Kintor Pharma valorizaram mais de 300%. Fonte: Google Finance

 

O endocrinologista Flávio Cadegiani, um dos coordenadores do experimento realizado em Porto Alegre, foi diretor clínico da Applied Biology, conforme sugerem os “conflitos de interesse” apontados pelo próprio médico nos artigos sobre a proxalutamida que assinou com pesquisadores da companhia. Junto a Andy Goren, o presidente da empresa norte-americana, Cadegiani se reuniu com o ministro de Ciência e Tecnologia Marcos Pontes no ano passado com o objetivo de promover a teoria antiandrogênica no país. Desde ao menos outubro de 2020, o médico promove o uso da proxalutamida em supostos testes clínicos, inclusive com postagens públicas em suas redes sociais e recrutamento de voluntários via WhatsApp – o que não é usual em pesquisas médicas por criar um viés em que apenas os pacientes com tendência a “acreditar” na terapia são selecionados.

Além do experimento realizado no Hospital da Brigada, a dupla Cadegiani e Zimerman também assinou a pesquisa que amparou a criação do TrateCov, um aplicativo promovido pelo Ministério da Saúde que receitava um combo de medicamentos sem eficácia contra a Covid, como cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina, e que foi tirado do ar após dez dias, em janeiro, por causa da recomendação de doses cavalares dos medicamentos para crianças. O estudo que amparou a iniciativa do governo brasileiro teve participação da Applied Biology, e incluiu perguntas sobre calvície aos pacientes do app. O próprio aplicativo TrateCov foi hospedado nos Estados Unidos. Na época, mais uma vez, essas inconsistências motivaram questionamentos da Conep.  

No início do ano, a mesma Applied Biology, com apoio da Kintor Pharmaceutical e em parceria com o grupo hospital amazonense Samel, rodou o já mencionado estudo clínico com indícios de irregularidades no estado do Amazonas, com participação da dupla de médicos. Nessa época, Ricardo Zimerman havia viajado para Manaus a convite do Ministério da Saúde para promover o uso de cloroquina no estado por meio do TrateCov. Lá, encontrou-se com Cadegiani e passou a auxiliá-lo na pesquisa com proxalutamida. Em seguida, os dois médicos ampliaram o uso do medicamento para o Hospital da Brigada Militar, onde Zimerman trabalha. O infectologista gaúcho havia sido convidado pela pasta para viajar ao Amazonas por indicação do médico Helio Angotti, o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde da pasta, um dos principais entusiastas do tratamento precoce no governo federal, que apresentou o experimento com proxalutamida realizado no Amazonas ao presidente Jair Bolsonaro.  

Na época, Bolsonaro se animou com a divulgação dos supostos resultados milagrosos da droga e chegou a usar um almoço que debateria a demissão do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello para discutir uma eventual aprovação do uso emergencial do medicamento. A Anvisa marcou duas reuniões com uma consultoria especializada em regulação de medicamentos contratada pela Applied Biology para discutir a aprovação da proxalutamida no Brasil, mas o escritório desmarcou e nunca mais procurou a agência reguladora. 

Em abril, o governo federal tentou convencer a Fiocruz a produzir a proxalutamida no Brasil, diante da falta de interesse de farmacêuticas da iniciativa privada brasileira. À Fiocruz, a Kintor Pharmaceutical garantiu que poderia entregar 100 milhões de comprimidos do medicamento ao País a partir de junho, segundo uma reportagem da CNN Brasil, mas as negociações novamente travaram na falta de anuência da Conep aos experimentos realizados no Amazonas. 

No mês seguinte, em maio, na CPI da Covid, o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, chegou a ser perguntado sobre uma eventual aprovação do uso da proxalutamida pelo senador Eduardo Girão (PODE/CE), um dos defensores do uso do medicamento. Torres relatou o que discutiu sobre o remédio em conversas realizadas nos dias 11 e 15 de março, das quais participaram a Applied Biology, autoridades da Anvisa e o médico Flávio Cadegiani. “Um dos pontos que apresentamos foi, sim, a necessidade da interlocução com a Conep, porque, sem ética em pesquisa, absolutamente, não dá para fazer nada, a ética tem que prevalecer na seleção dos voluntários testadores, enfim, é fundamental. E esse grupo não voltou mais a nos contatar”, respondeu Torres na ocasião

Apesar dos entraves burocráticos e regulatórios, a droga continuou a ser defendida por Bolsonaro. Em julho, o presidente voltou a defender a liberação da droga. Com isso, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, reforçou que o medicamento precisa ser melhor estudado. [Transcrevi trechos de reportagem de Pedro Nakamura (com edição de Marcela Donini e Sílvia Lisboa e checagem de Juan Ortiz) para Matinal Jornalismo. Leia mais ]

Anvisa veta uso de remédio defendido por Bolsonaro contra a COVID-19Charges - Fotografia - Folha de S.Paulo

O medicamento proxalutamida, que vinha sendo testado no tratamento da COVID-19 no Brasil, foi barrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Diretoria Colegiada da agência reguladora decidiu, por unanimidade, suspender o uso da droga em pesquisas científicas no país e a importação da substância. A proibição foi feita de forma cautelar diante de denúncias e investigações que estão sendo feitas a respeito dos estudos com o fármaco, exaltado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Em agosto, o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul abriu um inquérito civil público para investigar o uso irregular da proxalutamida em testes no Hospital da Brigada Militar, em Porto Alegre. A medicação teria sido aplicada em cerca de 50 pacientes, em um ensaio supostamente clandestino, apesar de a Brigada ter assegurado que "o estudo obedeceu às exigências dos órgãos competentes e as normas legais aplicáveis aos procedimentos em questão" - afirmou em nota.
 
Porém, a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), órgão vinculado ao Conselho Nacional de Saúde (CNS) - responsável por autorizar a realização de pesquisa com seres humanos no país -, negou ter recebido "qualquer solicitação para a realização de estudo com a substância proxalutamida no Hospital da Brigada Militar de Porto Alegre" [Transcrevi trechos de reportagem de Maria Eduarda Cardim, para o Correio Braziliense]. É desconhecido o número de mortos nesse experimento nazista à Mengele em Porto Alegre. 
 

Unesco denuncia 200 mortes com experiência bolsonarista da proxalutamida no Amazonas como "das mais graves da história"

Arquivos josef mengele - Rede Brasil Atual

A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) considerou a denúncia de 200 mortes de voluntários de pesquisa clínica com a proxalutamida feita no Amazonas uma das infrações éticas mais graves da história da América Latina. A declaração foi divulgada nesse sábado (9) por meio da Rede Latino-americana e Caribenha de Bioética (Redbioética-Unesco). A informação foi publicada pelo jornal Folha de S.Paulo.

A Unesco deu seu posicionamento, após a Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa) fazer uma denúncia à Procuradoria-Geral da República no mês passado. A entidade é responsável por regular a participação de seres humanos em pesquisas científicas no Brasil.

Jair Bolsonaro defendeu o uso da substância no combate ao coronavírus, mas o remédio não teve eficácia comprovada contra a Covid-19. O uso da substância em pesquisas científicas também foi vetado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no começo do mês passado.

De acordo com o comunicado da rede de bioética da Unesco, a denúncia da Conep incluiu graves violações dos padrões éticos de pesquisa com a proxalutamida. "É ética e legalmente repreensível, conforme consta do ofício da Conep, que os pesquisadores ocultem e alterem indevidamente informações sobre os centros de pesquisa, participantes, número de voluntários e critérios de inclusão, pacientes falecidos, entre outros", disse.

"Qualquer alteração em um protocolo de pesquisa deve ser aprovada pelo sistema de ética em pesquisa local", afirmou.

Por que o senador Marcos do Val deu “ombrada” no deputado Luis Miranda?

O deputado Luis Miranda passou a ser conhecido depois que denunciou ao presidente Jair Bolsonaro favorecimento na compra das vacinas Covaxin pelo Ministério da Saúde, crime que vem sendo investigado pela CPI da Covid 19.

Escreve Caio Barbieri: Em mensagens disparadas por WhatsApp no dia 23 de março deste ano, as quais o Metrópoles teve acesso, Luis Miranda questionou ao ajudante de ordens de Bolsonaro o motivo da falta de respostas do presidente sobre a pressão sofrida pelo irmão dele, Luis Ricardo Miranda, que é concursado do Ministério da Saúde, para autorizar a aquisição do imunizante indiano. 

“Bom dia irmão, o PR [presidente da República] está chateado comigo? Algo que eu fiz? Só precisamos saber o que fazer em uma situação como essa”.

Como resposta, o militar que assessora o presidente da República respondeu: “Bom dia. Negativo, deputado. São muitas demandas. Vou lembrá-lo”.

“Obrigado irmão! Você sabe que a vontade é de ajudar. Estamos juntos”, agradeceu o deputado, mas acabou ficando sem respostas.

Esta denúncia levou os irmãos Miranda à CPI. 

Pressão

À coluna Janela Indiscreta, ainda nesta quarta-feira (23/6), o deputado Luis Miranda afirmou que o coronel Marcelo Pires foi um dos nomes dentro da alta cúpula do Ministério da Saúde a pressionar o irmão dele, Luis Ricardo Fernandes Miranda, para a compra da Covaxin.

O militar chefiava desde janeiro a Diretoria de Programas do ministério, mas foi exonerado em meados de abril após a chegada do atual ministro Marcelo Queiroga.

“O coronel Pires foi um dos que pressionou meu irmão a assinar a compra da Covaxin, mas o processo estava todo errado e cheio de falhas. Esse foi um dos pontos que levamos ao presidente Bolsonaro sobre o que estava acontecendo no Ministério da Saúde”, garantiu o congressista em conversa exclusiva.

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No print encaminhado à coluna Janela Indiscreta, o militar que ocupava a diretoria da pasta escreveu: “Obrigada, meu amigo, estamos com muitos brasileiros morrendo. Precisamos fazer tudo para ajudar. O representante da empresa veio agora a noite falar com o Elcio para agilizar a LI para embarcar as vacinas esta semana. Quatro milhões”.

Bolsonarista e propagandista do tratamento precoce, do kit cloroquima, o kit me engana, o senador Marcos do Val não gostou do atrapalho dos irmãos Miranda, que colocaram uma pedra no meio do caminho do gabinete paralelo e o gabinete de Bolsonaro.

O deputado Luis Miranda (DEM-DF) e o senador Marcos do Val (Podemos-ES) se desentenderam durante intervalo de sessão da CPI da Covid na sexta-feira 25/6. No vídeo é possível ver que outros parlamentares precisaram apartar a briga entre as partes.

Marcos do Val é instrutor da SWAT desde o ano de 2000 e membro de Honra da SWAT de Beaumont no Texas desde 2003. Fundador e instrutor-chefe do CATI - International Police Training, inc, primeira e única empresa de treinamento policial Multinacional da atualidade, com filiais na Europa e EUA. Criador das inovadoras técnicas de IMOBILIZAÇÕES TÁTICAS®, hoje difundidas em várias unidades policiais ao redor do mundo. Treina policiais para derrubar com pernada, golpe de mão e ombrada

Do Val era mediador da entrega do kit covid (vide tags). Victor Fuzeira e Luciana Lima registraram: Luís Miranda reclamou da briga. “Aqui mesmo, no intervalo. Sempre admirei o Marcos Durval, e ele teve um descontrole comigo. Onde está a nossa história?”, disse. Onde? Uma história que precisa ser contada. Ninguém bate no próximo, dentro do Senado, de graça. 

 

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04
Jun21

NISE YAMAGUCHI E IRMÃOS TIVERAM REUNIÕES SECRETAS COM A CÚPULA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

Talis Andrade

Médica que CPI da Covid suspeita ser parte do “gabinete paralelo” de Bolsonaro fez encontros em Brasília sem registro em agendas oficiais. Inclusive defendeu a imunização de rebanho sem uso da vacina

 

por Paulo Motoryn /The Intercept
 

A MÉDICA NISE YAMAGUCHI, que depõe à CPI da Covid nesta terça-feira, 1º de junho, foi apontada como “conselheira paralela” de Jair Bolsonaro pelo ex-ministro Luiz Henrique Mandetta e o diretor-presidente da Anvisa, o militar da ativa da Marinha Antonio Barra Torres.

Agora, documentos mostram que ela frequentou o Ministério da Saúde, ao longo de seis meses, para reuniões nos gabinetes do então ministro interino Eduardo Pazuello e do secretário-executivo – o número dois da pasta – Elcio Franco. Nise estava tão à vontade que escalou até os irmãos para encontros com a área responsável pela indicação de medicamentos ao  SUS.

Nenhuma das visitas consta nas agendas oficiais de Pazuello e de Franco, nem foi divulgada publicamente. Mas elas indicam a influência direta da entusiasta da cloroquina sobre o alto escalão da pasta. As reuniões secretas são mais um indício da existência do que a CPI da Covid chama de “ministério paralelo”: um grupo de negacionistas que influenciou a tomada de decisões de Bolsonaro na pandemia, contrariando evidências e políticas de saúde.

Os registros das ida da médica ao ministério estão em documento que recebi via Lei de Acesso à Informação, no qual constam os registros de todos os visitantes da sede do ministério em Brasília em 2020. De acordo com a lista, Nise Yamaguchi esteve no prédio em pelo menos quatro datas em junho, julho e dezembro de 2020. Em duas delas, a médica passou pela recepção mais de uma vez, nos períodos da manhã e da tarde – o que indica que teve reuniões que ocuparam todo o dia.

As visitas secretas dos Yamaguchi ao Ministério da Saúde

Da portaria ao gabinete de Pazuello

Em resposta a requerimentos feitos por senadores da oposição, a Casa Civil da Presidência entregou à CPI documentos que mostram quatro visitas de Nise ao Palácio do Planalto. Agora, os registros de acesso ao Ministério da Saúde mostram que a influência da médica e de seus irmãos também foi exercida diretamente no comando da pasta.

As reuniões de Nise Yamaguchi e seus irmãos no Ministério da Saúde, porém, não haviam sido reveladas nem mesmo pela médica.

Nise se encontrou pela primeira vez com Bolsonaro após o início da pandemia de covid-19 em 6 de abril de 2020, quando, a convite dele, foi a um almoço no Palácio do Planalto, em Brasília. À época, o presidente já reclamava publicamente da resistência do então ministro Luiz Henrique Mandetta em defender o uso maciço da cloroquina contra a covid-19.

Dois meses depois do primeiro encontro com Bolsonaro, em 10 de junho, Nise pisou pela primeira vez no Ministério da Saúde. À época, Eduardo Pazuello já era ministro interino.

A lista de visitas indica que a médica entrou às 9h41 no prédio e foi encaminhada ao órgão descrito como “GM” – identificação usada para o gabinete do ministro da Saúde. Foi um dia cheio. Nise voltou a passar pelas catracas do prédio à tarde, às 14h50. Desta vez, foi encaminhada à “SE”, sigla para a secretaria-executiva, então comandada pelo coronel da reserva do Exército Elcio Franco.

Naquele dia, como em todas as outras visitas de Nise à sede da pasta, as agendas oficiais de Pazuello e Franco não registraram os encontros. A Lei de Conflito de Interesses, de 2013, prevê que agentes públicos em cargos de confiança ou de comando divulguem diariamente suas agendas de compromissos, mesmo que reservadas a despachos internos. Quando se trata de ministros e secretários-executivos, a publicação é obrigatória e visa a transparência na administração pública. Nesse caso, a falta de anotação indica que Pazuello e Franco acharam melhor esconder as visitas de Nise.

Naquele 10 de junho, ela não estava sozinha. Foi acompanhada da irmã, Greice Naomi Yamaguchi, que entrou no prédio nos mesmos horários que ela. Greice sequer é médica. Diz ser graduada pela Fundação Getúlio Vargas e ter feito mestrado e doutorado na França em administração de empresas. Participou do governo de transição de Bolsonaro, é adepta de teorias da conspiração e tentou carreira política pelo Novo e pelo PSL.

Nessa e em suas outras visitas ao Ministério da Saúde, Greice Naomi tomou um rumo diferente da irmã: foi encaminhada ao oitavo andar do prédio. Ali, funciona a Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde. É o setor responsável por “formular e implementar políticas nacionais de assistência farmacêutica”, fomentar “parcerias público-privadas na produção de produtos estratégicos” e “coordenar o processo de incorporação e desincorporação de tecnologias em saúde no âmbito do SUS”.

Aquela não havia sido a primeira visita de Greice Naomi ao ministério. Na tarde de 6 de abril – logo após a irmã Nise almoçar com Bolsonaro –, ela e outro irmão, o cirurgião plástico Charles Takahito Yamaguchi, dono de um consultório na Avenida Brasil, uma das regiões mais caras de São Paulo, já haviam ido ao oitavo andar do prédio em que funciona a pasta.

Dois dias depois, em 12 de junho, as duas irmãs voltaram ao ministério para reuniões no período da tarde. No dia seguinte, 13, um sábado, Nise se reuniu no Palácio do Planalto com o então assessor da Presidência Arthur Weintraub.

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Os irmãos Charles Takahito, Nise e Greice Naomi Yamaguchi posam para foto durante evento. Foto: Reprodução/Twitter

 

Em 18 de junho – ou seja, seis dias após a terceira visita de Greice –, a secretaria passou a ser comandada por Hélio Angotti Neto, médico e discípulo de Olavo de Carvalho, guru da extrema direita brasileira. Ele é mais um defensor do inexistente tratamento precoce da covid-19, que inclui a cloroquina, e chegou a encomendar um manual com orientações sobre a medicação.

Depois da posse de Angotti, Greice Naomi não voltou ao ministério. Mas Nise, sim. A médica voltou a aparecer na lista de visitantes do Ministério da Saúde pouco mais de 15 dias depois, em 2 de julho. Desta vez, passou pelas catracas em dois horários diferentes, às 10h40 e 16h58. Nas duas ocasiões, foi enviada para o gabinete do ministro interino Pazuello.

A médica voltaria a Brasília em 8 de setembro, quando se reuniu com o assessor da Presidência Filipe Garcia Martins no Palácio do Planalto. A última visita dela ao Ministério da Saúde em 2020 ocorreu em 30 de dezembro, quando foi encaminhada à secretaria-executiva comandada por Elcio Franco.

Um levantamento mostra que, enquanto Nise frequentava sigilosamente o Palácio do Planalto e o Ministério da Saúde, de março de 2020 a janeiro de 2021, o governo Bolsonaro implementou ao menos quatro medidas federais promovendo ou facilitando a prescrição da cloroquina e da hidroxicloroquina.

Em março, retirou a exigência de receita médica especial para pacientes que recebem os remédios. Em maio, um protocolo do Ministério da Saúde recomendou uso de cloroquina em todos os casos de covid-19, inclusive com sintomas leves; em junho, flexibilizou a prescrição de ivermectina, nitazoxanida, cloroquina e hidroxicloroquina. Em janeiro deste ano, lançou o TrateCov, aplicativo que indicava automaticamente cloroquina em casos de suspeita de covid-19.

Nesse período, Bolsonaro também atuou como garoto-propaganda do remédio, usando o currículo de Nise para sustentar seus argumentos. Contaminado pela covid-19 no início de julho, ele disse a jornalistas, no dia 7 daquele mês, que usou cloroquina para tratar a doença.

“Estou muito bem e credito isso não só ao atendimento dos médicos, mas pela forma como ministraram a hidroxicloroquina, que [teve] reação quase imediata. Poucas horas depois [de tomar], já estava me sentindo muito bem”, disse o presidente. Cinco dias antes da declaração, Nise havia passado o dia no Ministério da Saúde.

Duas semanas depois, em 24 de julho, Bolsonaro foi fotografado por jornalistas oferecendo caixas do medicamento às emas que vivem no gramado da residência oficial.

BRASILIA, DF,  21-05-2020:  A médica oncologista e imunologista Nise Yamaguchi, que defende o uso da cloroquina no tratamento da covid-19, chega ao palácio do Planalto na manhã de hoje. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

Nise Yamaguchi: portas abertas – às escondidas – no governo federal para defender remédios sem efeito contra a covid-19. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

 

Ministério paralelo

Nascida em Maringá, interior do Paraná, em 1959, Nise Yamaguchi se formou em Medicina na Universidade de São Paulo, a USP, em 1982 e se tornou imunologista e especialista em oncologia. Até os primeiros meses da pandemia, atuava no Hospital Israelita Albert Einstein, um dos mais prestigiados no Brasil. Mas foi afastada do corpo clínico da instituição em julho do ano passado, após fazer analogia entre o pânico provocado pela pandemia e a postura de vítimas do Holocausto.

Em meados de março de 2020, Nise se tornou conhecida do grande público por conceder entrevistas para diversos veículos de comunicação e gravar vídeos fazendo a defesa do que chama de tratamento precoce com cloroquina e hidroxicloroquina contra a covid-19. As sociedades brasileiras de ImunologiaPneumologia e Infectologia afirmam que os remédios são inócuos contra o novo coronavírus, mesma posição da Organização Mundial de Saúde, a OMS, e das autoridades sanitárias dos Estados Unidos e de países da Europa.

O alinhamento de Nise ao bolsonarismo é recente. A médica chegou a ser chefe de gabinete do Ministério da Saúde em São Paulo de 2007 a 2010, quando a pasta estava sob o comando do então ministro José Gomes Temporão no segundo mandato de Lula. Em reportagem publicada na revista piauí em 2007, a jornalista Daniela Pinheiro investigou os bastidores da atuação do então ministro da Saúde e ouviu de Nise que ela mesma havia sido a autora da indicação dele a ministro do governo petista.

Luiz Henrique Mandetta disse à CPI suspeitar de ‘assessoramento paralelo’ a Bolsonaro sobre pandemia.

“Um dia, encontrei-me com o [Roberto] Kalil [médico que atendia o ex-presidente Lula] na porta do Incor. Foi muita coincidência. Eu falei que tinha que ser o Temporão [o novo ministro da Saúde]. Era preciso um nome da área, suprapartidário, competente. Era a nossa chance de conseguir isso. Ele me perguntou: ‘ele é seu amigo? Você confia nele? Então vai ser’”, disse.

A CPI da Covid tem colhido indícios de que a política de combate à pandemia do governo Bolsonaro foi desenhada por um grupo informal de assessores sem atuação formal dentro do Ministério da Saúde. Chamado de “gabinete paralelo”, “ministério paralelo”, grupo de “aconselhamento paralelo” ou de “assessoramento paralelo”, ele teria insuflado o negacionismo do presidente e, ao mesmo tempo, lhe dado argumentos para defendê-lo.

Além de Nise, os suspeitos de integrar o grupo são os médicos Luciano Dias Azevedo, Paolo Zanotto, Anthony Wong e Osmar Terra, além do empresário Carlos Wizard. Os assessores especiais da Presidência, Arthur Weintraub e Filipe Garcia Martins, também podem ter participado do grupo.

Em seu depoimento à CPI, Mandetta afirmou acreditar que Bolsonaro recorria a “outras fontes” e citou o termo “assessoramento paralelo” para caracterizar a busca do presidente a informações sobre a pandemia de coronavírus diferentes das fornecidas pelo Ministério da Saúde.

“Isso não é nenhuma novidade para ninguém. Havia por parte do presidente um outro olhar, uma outra decisão, um outro caminho. Todas as vezes que a gente explicava, o presidente compreendia. Ele falava: ‘ok, entendi’. Mas, passados dois ou três dias, ele voltava para aquela situação de quem não havia talvez compreendido, acreditado ou apostado naquela via. Era uma situação dúbia. Era muito constrangedor para um ministro da Saúde ficar explicando por que estávamos indo por um caminho, se o presidente estava indo por outro”, afirmou Mandetta aos senadores.

O relator da CPI, Renan Calheiros, do MDB alagoano, e o vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues, da Rede do Amapá, disseram nos últimos dias estarem convencidos de que a atuação do grupo pró-cloroquina junto ao presidente realmente existiu.

Em audiência na Câmara dos Deputados, Nise Yamaguchi defendeu a imunização de rebanho sem uso da vacina.

“Acho que já temos muita coisa comprovada com relação à existência do ‘gabinete paralelo’. Já temos até o número de reuniões que eles tiveram”, disse Calheiros. Esse gabinete paralelo apostava – e insiste – em cloroquina, aglomeração e imunização de rebanho”, afirmou Randolfe, durante audiência.

Em 28 de outubro do ano passado, por sugestão do líder do governo na Câmara dos Deputados Ricardo Barros, do PP do Paraná, uma comissão da Câmara discutiu a possibilidade de se buscar a imunidade de rebanho da covid-19 no país, que seria obtida evitando-se o isolamento e permitindo que um alto percentual da população se infectasse pelo coronavírus. Entre os debatedores, estavam Nise, Zanotto e Wang – os três defenderam a estratégia de contaminação em massa da população.

“Nesse momento, não vai existir ninguém no mundo que possa dizer que você vai sair na rua e não vai pegar uma tuberculose, ou uma outra infecção viral”, disse Nise à comissão. A médica chegou a ser cogitada como nova ministra da Saúde depois das demissões de Mandetta, em abril, e de Nelson Teich, seu sucessor, em maio. Nas duas ocasiões, foi preterida.

Entrei em contato com Nise, Greice Naomi e Charles Yamaguchi através dos e-mails e telefones disponíveis em suas redes sociais. Na única ligação atendida, às 11h18 da segunda-feira, 31 de maio, uma secretária do consultório de Nise disse que informaria a médica sobre meu pedido de entrevista. Não tive retorno.

O Ministério da Saúde foi procurado na sexta-feira, 28 de maio. A assessoria de comunicação disse que enviaria as justificativas para as visitas dos irmãos Yamaguchi até a manhã de segunda-feira, 31 – o que não ocorreu. O espaço segue aberto para manifestações.

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