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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

18
Abr21

Gilmar diz que suspeição de Moro pelo STF já está definida e não será revista

Talis Andrade

Gilmar rebate Kassio e pergunta se ministros comprariam carro de Moro ou  Deltan | A Gazeta

247 – O ex-juiz Sergio Moro, que segundo reportagem do Le Monde trabalhou contra o Brasil e a serviço dos Estados Unidos, já está condenado por parcialidade pelo Supremo Tribunal Federal e o caso não será revisto. Quem garante é o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. 

"Essa questão está resolvida. Porque, de fato, nós julgamos o habeas corpus (da suspeição de Moro na Segunda Turma). Nós temos que ser rigorosos com as regras processuais. Não podemos fazer casuísmo com o processo, por se tratar de A ou de B. O que é curioso é que eu propus que a matéria fosse afetada ao plenário, na época, em 2018 no início do julgamento. E por três a dois a minha posição ficou vencida. E, agora, a decisão foi tomada", disse ele, em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo.

Gilmar disse ainda que, em tese, Lula pode pleitear indenização por ter passado 580 dias preso injustamente. "Não sei se ele vai fazer, mas é uma questão a ser considerada", afirmou.

 

04
Mai20

A "lava jato" deixou "visível um ativismo jurídico muito grande"

Talis Andrade

 

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II - "A 'lava jato' acabou, pertence mais ao domínio da história do que ao da realidade"

Por Tiago Angelo e Fernanda Valente

ConJur

_ _ _

ConJur — Em entrevista concedida ao El País, o senhor afirmou que havia dois teatros durante a ditadura: o da vida política e o dos bastidores. Os fardados podiam intervir, interrompendo a peça a qualquer momento. De lá para cá, referindo-se à "lava jato" em Curitiba, disse que o partido fardado deu espaço ao partido togado. Ainda vê essa força toda emanando da "lava jato"?
Rubens Ricupero —
 Vejo uma espécie de esgotamento natural da operação, em parte por mudanças políticas — a eleição do Bolsonaro, a decisão de Moro aceitar ser ministro da Justiça, as revelações [do site] Intercept e toda a desmoralização que veio disso. A "lava jato" acabou. Ela continua existindo em tese, porque há condenações pendentes, assim como os recursos relativos ao Lula. Muito está por resolver, mas a "lava jato" acabou, assim como a "mãos limpas" acabou na Itália. O juiz que substituiu Moro não tem, nem de longe, aquele tipo de ativismo jurídico que o Moro tinha, ou aquele entendimento com os procuradores. Houve também uma certa aversão do STF e de outras instâncias. Aqueles filhotes da "lava jato" que tinham sido criados nas justiças federais de diversos estados continuam existindo, mas em fogo brando. Como fenômeno político-judiciário, a "lava jato" hoje pertence mais ao domínio da história do que ao da realidade. 

 

ConJur — O senhor já afirmou em algumas ocasiões que o confronto inicial gerado pela "lava jato" teve importância e gerou consequências positivas. Hoje, com tudo que se sabe sobre a atuação do ex-juiz Sergio Moro e dos procuradores, mantém essa opinião?
Rubens Ricupero —
 Como consequência política, a "lava jato" teve um impacto enorme na história brasileira. É responsável por boa parte do que aconteceu nos últimos anos. Basta ver que os escândalos de corrupção colocaram fim ao período de hegemonia do PT. Até hoje o PT não se reergueu do golpe que levou. Por outro lado, sempre tive dúvidas sobre a duração da "lava jato", que parecia exagerada enquanto operação judiciária. Além desse aspecto, a operação, em essência, pela própria natureza do Judiciário, continha uma limitação que, cedo ou tarde, acabaria por comprometê-la: operações policiais e judiciárias podem ser importantes para trazer luz sobre esquemas de corrupção, mas não conseguem por fim a eles. Isso acontece porque as soluções só podem ocorrer por meio de mudanças legislativas, algumas até de ordem constitucional, já que o que existia na raiz da corrupção eram problemas que apontavam para as imperfeições das instituições, para os defeitos que vão desde a politização das estatais até a ineficácia dos mecanismos de fiscalização. 

O saldo da "lava jato" é que algumas pessoas foram punidas, com grau maior ou menor de adequação, mas as raízes do problema não foram removidas. Esse problema permanece, tanto que uma das suas consequências foi a de dar ao presidente Jair Bolsonaro a justificativa de não tentar fazer um presidencialismo de coalizão, negociando com os partidos políticos ministérios, verbas e cargos de estatais. Por outro lado, isso cria um conflito maior com o Congresso, o que, novamente, demonstra o quanto as instituições são defeituosas. Em resumo, vejo a "lava jato" como uma tentativa de atacar os sintomas, não as causas da doença. Talvez tenha conseguido inibir os sintomas por um tempo, mas não removeu as causas profundas e não fez isso porque não podia fazer. A operação teve um papel histórico, mas, por todos os defeitos práticos, e em certos momentos deixando visível um ativismo jurídico muito grande, a "lava jato" deixou de existir. (Continua)

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01
Mai20

Moro e Bolsonaro: entre o balé o xadrez. E nós com isso?

Talis Andrade

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por Mendel Aleluia 

- - - 

O encontro de Moro e Bolsonaro, se não chega a ser fruto de um cuidadoso planejamento, também não é exatamente um acidente histórico. Bolsonaro, não sendo a escolha preferida da burguesia brasileira, apresentava a vantagem de encarnar, com muita desfaçatez, o discurso de ser um político “antissistema”. Nada mais falso, visto que a este pertence com tamanha afinidade que nenhuma contrapartida ofereceu ao povo brasileiro, nem mesmo à sua base mais antiga e fiel de apoiadores, nas suas décadas de “atividade” parlamentar (exceção feita às defesas das pautas corporativas dos militares). Sérgio Moro, este já com uma roupagem mais simpática aos setores golpistas da burguesia nacional e com afinidade estética com o grosso da classe média brasileira, já foi muito mais facilmente abraçado e incensado pela grande mídia. Mas, além da empatia pela cafonice e a realização do desejo infantil de transpor heróis dos quadrinhos para a realidade, o agora ex-juiz e ex-ministro mostrou uma característica fundamental para as pretensões golpistas que rondavam aquele Brasil do ocaso dos governos petistas: a disposição para burlar normas, leis e fazer o que fosse preciso para viabilizar a necessária interferência no processo eleitoral de 2018.

Feita a conversão de Bolsonaro, via Paulo Guedes, ao neoliberalismo, e verificada a adesão cada vez maior do ex-capitão entre as massas, a sua postura fascista declarada (e não velada, como preferiam as elites brasileiras) passou a ser tolerada. Sérgio Moro, herói por tirar o líder das pesquisas eleitorais do jogo, para a surpresa de ninguém deixa a magistratura e assume um ministério no novo governo. De lá pra cá, Bolsonaro e Moro dançam e jogam, são bailarinos e ao mesmo tempo enxadristas. Seguem exemplos:

1- Bolsonaro sabe que o arrivismo de Moro não tem no Ministério da Justiça seu fim. Há voos mais altos no Executivo ou no Judiciário. Um dos destinos desses voos, o STF, por enquanto está nas mãos de Bolsonaro;

2- Moro, mais popular que o próprio presidente, encampou, a despeito de tímidas resistências, a pauta do armamento e do tal “excludente de ilicitude”. Em nome do bom trânsito com o chefe, não se furtou a participar ativamente do projeto neofascista, o que tentará negar nos seus próximos movimentos políticos;

3- As revelações do The Intercept Brasil sobre os crimes cometidos por Sérgio Moro na Operação Lava-Jato invertem o jogo. De avalista do governo Bolsonaro, o ex-juiz passa a ser avalizado por este, o que muito agrada ao ex-capitão;

4- Passada a tempestade, a blindagem oferecida ao presidente por Moro começa a ficar cara. Os vínculos de Bolsonaro e família com o mundo do crime começam a ficar mais escancarados. A hora de pular do barco chegou e foi bem calculada. No bote salva-vidas microfones e holofotes, junto com uma boa dose de verniz democrático para contrastar com a amplificação do discurso autoritário do Planalto.

Isto posto, cabe reafirmar que, embora o desgaste do governo seja importante e sinalize algum grau de debilidade e fragilidade do projeto que o mesmo representa, não podemos criar nenhum tipo de ilusão sobre esta disputa. O Fora Bolsonaro ganha as redes e as varandas. Em breve terá também que ganhar as ruas. Sua queda, ainda no campo especulativo, precisa ocorrer por nossas mãos, impedindo o protagonismo daqueles que estão ao lado de Moro. Estes, servirão o mesmo prato: nós. Apenas querem uma mesa mais bem decorada.

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26
Abr20

Moro é "covarde e decepcionante", afirma deputada Carla Zambelli

Talis Andrade

 

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247 - A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) conversou neste sábado (25) com o apresentador José Luiz Datena, no programa Brasil Urgente, sobre os vazamentos de suas conversas com Sergio Moro para o Jornal Nacional da Rede Globo.

"Não tenho dúvida nenhuma de que ele usou aquela frase [de forma] pensada", afirmou Carla a Datena. "Eu não me senti com raiva. Eu me senti traída, decepcionada, magoada. É como se minha mãe tivesse acabado de contar para mim que não existe Papai Noel, coelhinho da Páscoa. O Moro, para mim, sempre foi um herói", acrescentou a deputada bolsonarista. 

Zambelli se “defendeu” da insinuação de que teria tentado usar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF) como moeda de troca para Sérgio Moro. "Venhamos e convenhamos, tem algum hipócrita aqui que não sabe que o Moro era um dos cotados para o STF? É algo que todo mundo sabe que ele queria”, afirmou.

A deputada encerrou o diálogo declarando que acredita na estabilidade do governo Jair Bolsonaro apesar da ruptura com o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública. “Um pilar do governo saiu, mas esse pilar é substituível. Acho que foi muito bom para que toda a população saiba que esse 'grande homem', esse 'grande jurista', esse 'grande herói' da República brasileira, na verdade, é uma pessoa covarde e decepcionante", concluiu. 

 

07
Dez19

'Coringa' e o medo da burguesia histérica

Talis Andrade

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“Do rio que tudo arrasta se diz que é violento,

mas ninguém diz violentas às margens que o comprimem”  

Bertold Brecht

 

Por João Paulo Rillo
Viomundo

Depois de 10 dias em cartaz, fui assistir ao filme Coringa e notei relativo esvaziamento nas salas de exibição.

Já era recorde de público no mundo inteiro, por isso estranhei a não lotação. Sucessos inferiores de bilheteria lotaram por mais tempo as salas dos shoppings paulistas pelo Estado.

Mas o estranhamento durou pouco, logo fui abduzido pela magia da sétima arte, comi um saco de pipoca e aproveitei cada segundo da obra de arte projetada na tela.

Tudo é encantador, o roteiro, a fotografia e a brilhante interpretação de Joaquim Phoenix.

O filme é sensível e profundo. Traduz com exatidão e urgência os conflitos e as letais doenças sociais produzidas pelo capitalismo.

Passei a indicar o filme aos amigos e conhecidos. E encontrei a mesma resistência e preocupação em várias pessoas: “ah, mas não é muito violento?”.

Eis a principal a razão do esvaziamento precoce das confortáveis salas de cinemas.

Os mesmos que naturalizam a violência real contra pretos e pobres e inflam o peito para dizer que “passou da hora de adotar a pena de morte nesse país” se assustaram ao verem desmoronar a ilusão pré-concebida do super-herói.

Passaram a difamar e a demonizar o filme que tanto os incomodou.
 
Nenhuma tese sociológica explicaria de forma tão impactante o caos que a indiferença social pode causar.

O protagonista é o anti-herói, um cidadão emocionalmente quebrado, perturbado e completamente solitário.

À medida que a sociedade do consumo empurra tudo que não é espelho para a margem, cria um ambiente paralelo extremamente imprevisível e perigoso.

Quem não se sente parte do mundo oficial não tem compromisso com ele. Esse é o detalhe sórdido que a burguesia produz e não admite.

Longe de ser panfletário e avesso ao maniqueísmo trivial dos filmes de heróis, Coringa é extremamente poético e assume lado nessa atmosfera de ódio e intolerância que acomete o mundo em seus quatro cantos.

Denuncia a degradação do tecido social e a ausência de Estado na vida dos mais desprovidos de renda e afeto.

Incomoda os opressores e seus cúmplices. Impossível não se mexer na poltrona, não se sentir opressor ou cúmplice pelo menos uma única vez durante a exibição.

O riso desesperado do protagonista – inconsciente do seu papel político – desperta indignação e insurgência nos moradores da cidade.

O filme desvenda, de maneira genial, a origem da violência e radicaliza a problemática do germinar da semente ao desmoronar da árvore.

Ele tira o espectador da zona de conforto e apresenta uma perspectiva utópica e revolucionária.

No meio do caos econômico e social que vive a cidade, o filme propõe que uma classe derrote a outra. Que os muito ricos e opressores paguem com a própria vida todo mal que causaram ao mundo.

Um final apoteótico para alguns e aterrorizador para outros.

Por isso que parte da burguesia nacional passou a militar contra o filme, dizendo se tratar de um palhaço marxista e doutrinador.

Incapaz de olhar em torno e assumir sua responsabilidade nessa tragédia social, a burguesia histérica prefere eleger fantasmas e confundir a realidade.

Para essa gente, a culpa é sempre dos outros; dos pobres, dos pretos, dos marginais, das prostitutas, dos gays e dos comunistas.

Uma obra de arte verdadeira carrega sempre uma beleza livre e subjetiva aos olhos de quem aprecia. Cada um entende como quiser a narrativa exposta.

Eu gosto da metáfora de que precisamos derrotar tudo que nos faz sofrer. Como alcançar esse objetivo é a busca diária dos que lutam por um mundo menos injusto.

O caos na velha Nova York fez-me lembrar de uma frase do jurista e ex-governador de São Paulo Claudio Lembo sobre os ataques do PCC em 2006:

“Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa. A bolsa da burguesia vai ter que ser aberta para poder sustentar a miséria social brasileira no sentido de haver mais empregos, mais educação, mais solidariedade, mais diálogo e reciprocidade de situações”.

Em tempo, Claudio Lembo não é um marxista, muito pelo contrário, é um liberal clássico.

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