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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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18
Mai22

Le Monde relembra descaso pela morte de congolês Moïse, "símbolo das agressões racistas no Brasil"

Talis Andrade
Foto de Moïse Mugenyi Kabagambe, de 24 anos, morto por espancamento no último 24 de janeiro na Barra da Tijuca, é exibida durante protesto. Rio de Janeiro, 5 de fevereiro de 2022.
Foto de Moïse Mugenyi Kabagambe, de 24 anos, morto por espancamento no último 24 de janeiro na Barra da Tijuca, é exibida durante protesto. Rio de Janeiro, 5 de fevereiro de 2022. AP - Bruna Prado

O site do jornal Le Monde publica nesta quarta-feira (18) o perfil do congolês Moïse Mugenyi Kabagambe, espancado até a morte no começo do ano em um quiosque na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O bárbaro assassinato continua sob investigação no Ministério Público do Rio de Janeiro.

A correspondente do diário na capital fluminense, Anne Vigna, escreve que o garçom de 24 anos se tornou o símbolo das agressões racistas no Brasil. No país, "três quartos das vítimas de homicídios são pessoas negras", destaca.
 

Le Monde relembra que as cenas da morte de Moïse dominaram os jornais na TV e viralizaram nas redes sociais. Imagens das câmeras de segurança do próprio quiosque onde o jovem trabalhava mostram ele sendo espancado por três homens até a morte. 

Na época, nenhuma investigação foi aberta pela polícia do Rio, lembra a matéria. Foi apenas após os protestos organizados pela família e os amigos de Moïse que as autoridades mobilizaram. A opinião pública se sensibilizou com as denúncias e milhares de pessoas saíram às ruas para denunciar a violência, que hoje é alvo de uma investigação no Ministério Público do Rio de Janeiro. 

Segundo o jornal, a cor da pele de Moïse explica a natureza do crime: "75,5% das vítimas de homocídio em 2020 eram pessoas negras", sublinha. "Se Moïse fosse branco, ele estaria vivo hoje, tenho certeza. No Brasil, se alguém bate em um negro, todo mundo pensa que é um ladrão e ninguém reage", disse Sammy, o irmão mais velho de Moïse, em entrevista ao jornal Le Monde

A correspondente descreve que hoje, a algumas ruas de onde o congolês foi espancado até a morte, um grafite o representa, exibindo a palavra "justiça". Enquanto isso, dezenas de africanos continuam a desempenhar a mesma função do jovem congolês em quiosques em praias do Rio, em atividades descritas como trabalho escravo pelos investigadores. Segundo as estatísticas mais recentes das autoridades locais, que datam de 2021, 1.663 pessoas se encontram em condições comparáveis ao trabalho escravo, das quais 82% são negras. 

 

15
Mar22

Imprensa francesa destaca jeito confuso e tom monótono do ex-juiz Sergio Moro que tem vida luxuosa

Talis Andrade

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Texto por RFI

Um perfil do ex-juiz Sergio Moro figura na edição do Le Monde desta terça-feira (8). Recebida no Hotel Intercontinental de São Paulo, onde o presidenciável reside durante sua campanha na capital paulista, a enviada especial do jornal francês Anne Vigna começa seu texto descrevendo como a expressão facial do ex-ministro de Bolsonaro oscila à medida que se alternam os assuntos da pauta.

O ar orgulhoso de quem acaba de firmar alianças com os movimentos conservadores que organizaram as manifestações pela destituição da presidente Dilma logo dá lugar a um semblante aborrecido quando o assunto é o julgamento do STF, em março de 2021, que o declarou "parcial" e cancelou parte de suas condenações, inclusive as do ex-presidente Lula. "Nunca houve parcialidade, é um grande erro por parte do Tribunal. O meu trabalho como juiz e como ministro da Justiça foi excelente”, responde, irritado.

O incômodo aumenta ainda mais, conta a jornalista do vespertino francês, quando ela menciona o vazamento, em junho de 2019, de suas trocas com os promotores da operação Lava Jato no aplicativo de mensagens Telegram. Enquanto Moro se apresentava como um magistrado íntegro e honesto, os diálogos revelavam, ao contrário, a violação de sua neutralidade. Ao longo da investigação, ele assessorou a Promotoria para melhor demolir os argumentos da defesa, tendo em vista o caso de Lula.

Sergio Moro levanta o queixo: “O Brasil tinha uma imagem muito negativa junto à comunidade internacional e nós a mudamos graças à operação Lava Jato". A jornalista rebate, lembrando a ele que parte do Judiciário, embora comprometida com o combate à corrupção, rejeita vigorosamente seus métodos. Moro rejeita a análise, olha o relógio e pede água com gás.

Quando questionado sobre sua omissão nos escândalos envolvendo a família Bolsonaro quando ele estava à frente do Ministério da Justiça até abril de 2020, ele responde que, "quando assumiu o cargo, havia apenas suspeitas sobre o desfalque do clã Bolsonaro, ou não teria aceitado esse cargo”.

 

"Um Macron dos trópicos"

A matéria do Le Monde afirma que "Moro se apresenta como um Emmanuel Macron dos trópicos", a opção entre a extrema direita e a esquerda, nem Lula nem Bolsonaro.

Por estar em terceira posição e muito atrás dos outros candidatos na corrida presidencial, na mais recente pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada em 16 de dezembro, muitos observadores até imaginam Moro jogando a toalha em poucos meses, para tentar a sorte em um cargo de menor prestígio, mas em uma campanha que, mesmo assim, lhe permitirá restaurar sua imagem.

"Ele apostou que os temas da eleição de 2018, corrupção e valores morais, ainda estariam em alta quatro anos depois. Ele está claramente na campanha errada, porque é a economia e o social que interessam este ano”, comenta no artigo o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC, em São Paulo, Gilberto Maringoni.

Para o jornal francês, Moro tem uma única constante: a de desenvolver suas ideias sempre no mesmo tom monótono.

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