Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

O CORRESPONDENTE

18
Jul20

Andreia C. Faria vence Prémio Literário Inês de Castro

Talis Andrade

andreia.jpg

 

 

por Diogo Vaz Pinto/ Jornal I

- - -

O livro que reúne a obra poética de Andreia C. Faria, “Alegria para o Fim do Mundo”, foi distinguido com o Prémio Literário Fundação Inês de Castro. O júri do prémio achou também necessário dar um Tributo de Consagração a Lídia Jorge, não vá o público esquecer-se dela.

Publicado pela Porto Editora, na colecção Elogio da Sombra, dirigida por Valter Hugo Mãe, no capítulo final desta recolha, em que a autora acrescenta a alguns dos livros publicados anteriormente, e agora revistos, um conjunto de poemas inéditos, coloca como epígrafe duas citações que ressoam espantosamente por estes dias. Vale a pena citá-las: “e, através da dor de descobrir o mundo em tão medonha desordem, teve a alegria de ver restabelecer-se a ordem no seu próprio coração” (Kleist, “Michael Kolhaas, O Rebelde”). E a segunda: “No fundo, o que nos parece terrível talvez seja indefeso, talvez espere a nossa ajuda” (Rilke, “Carta a Um Jovem Poeta”).

E agora, como se um prémio exigisse um balanço, senão um acto de contrição, leia-se o último desses inéditos: “Agora meço-me./ Comparo/ as ervas altas e os pulsos,/ os tumultos e os seios,/ a dentição e a caligrafia.// Guardo um registo/ ósseo e incisivo, comovente,/ de estar viva.// Peço ao amigo que me trace a solidão,/ me sublinhe/ obsessiva, insone, sob/ traves de sentido e tempo/ e mais acima, à mística distância, me descarte/ ainda viva/ em qualquer canto/ entre as costelas. Basta-me/ a polpa de uma ferida/ muito doce/ aberta/ na lembrança.”

Falta carácter aos prémios literários neste país. E se é sempre avisado desconfiar das suas boas intenções, para que a sua inabilidade hoje em construir uma proposta crítica do espaço literário seja mais completa, uma vez por outra conseguem ser justos, reconhecendo a tempo um valor inegável, mesmo antes de o silêncio à volta de um autor se tornar o maior dos gritos.

No caso deste prémio, não se fala num valor monetário, presumindo-se, assim, que não haja nada a receber. O que nos diz que a Fundação Inês de Castro, e o júri por esta constituído – José Carlos Seabra Pereira (essa omnipresente eminência que tem um lugar à cabeceira de tudo o que é prémios literários), Mário Cláudio (que no mesmo dia do anúncio deste prémio foi agraciado pelo Grande Prémio de Novela e Romance da APE, e pela terceira vez), Isabel Pires de Lima (ex-ministra), e ainda a dupla Bouvard e Pécuchet da nossa cena literária, Pedro Mexia e António Carlos Cortez – parece convencido de que a visibilidade é prémio bastante, o que não deixa de ter a sua graça num tempo que, culturalmente, não passa de um afogamento nas margens ruidosas que comprimem um rio terrivelmente silencioso.

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2023
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2022
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2021
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2020
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2019
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2018
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2017
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub