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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

25
Abr22

Indulto: patriotismo entre compadres

Talis Andrade

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por Luiz Marques 

Não é possível pensar a liberdade política sem o princípio da tolerância, que não se confunde com nenhum indulto presidencial. A liberdade política supõe posições contrastantes, plurais, em circulação no espaço público. Da tolerância religiosa, o Ocidente herdou a abstenção de juízos frente à exposição de ideias políticas e morais consideradas censuráveis. Ao invés de impedir que venham à luz, é melhor que se exprimam livremente para evitar um mal maior. Não obstante, a tolerância ao dissenso é um direito revogável, o que levou o Conde Mirabeau a afirmar na Assembleia Nacional francesa, nos anos fervilhantes da revolução, que “a tolerância é de certo modo tirânica, uma vez que a autoridade que a tolera pode também não tolerar”. 

No Dicionário de Política (UNB), organizado por N. Bobbio, N. Matteucci e G. Pasquino, lê-se que Marcílio de Pádua (Defensor Pacis, 1324) foi um precursor da teoria política da tolerância, ao sustentar que a Sagrada Escritura ensina e convence, não obriga e pune. A fé não deve ser imposta à consciência, a salvação espiritual é um ato que depende apenas da vontade dos indivíduos. Para Marcílio, os infiéis e os hereges não poderiam ser submetidos aos tribunais eclesiásticos, como se viu mais tarde na Inquisição. Mas poderiam ser punidos por tribunais seculares pelas transgressões às leis civis.

No século 16, sob a influência do humanismo, a tolerância foi expandida para a esfera civil. No século 17, John Locke dissecou com brilhantismo intelectual a tolerância num tratado sobre os deveres da Igreja, dos particulares, e da magistratura eclesiástica e civil. Locke argumentou que a Igreja não é obrigada a manter, sob seu teto, os que pecam contra a doutrina estabelecida. Porém, a excomunhão não deve vir acompanhada de violência contra o corpo e os bens daquele que é expulso. Ainda, os direitos dos particulares (homens e cidadãos) não pertencem ao universo religioso. Igreja e Estado são ordens separadas. Por isso, o magistrado civil precisa se abster de qualquer ingerência nas opiniões religiosas. Contudo, o que é lícito no Estado não pode ser proibido na Igreja, e o que é ilícito no Estado não pode ser permitido na Igreja. Não deve haver sobreposição de jurisdições, nem de soberanos. A máxima de que “toda Igreja é ortodoxa para si mesma e errônea ou herética para os outros”, não se aplicaria ao Estado, o soberano-mor.

No século 18, Voltaire publicou o famoso Traité sur la Tolérance (1763) para combater a intolerância religiosa. No século 19, a tolerância compôs um alicerce essencial do liberalismo político. Em consequência, tornou-se a grande virtude da democracia moderna. No século 20, as coisas mudam no momento que o fascismo ascende ao poder na Itália e, na sequência, na Alemanha utilizando-se da democracia para, empoderado, destruir as instituições democráticas. O fenômeno se repete no século 21. 

O Brasil é o laboratório de testes do moderno fascismo. Se o neoliberalismo dissociou as bases econômicas do liberalismo clássico de qualquer compromisso com a igualdade social, e fez do livre mercado a matriz de uma “nova razão no mundo”; por seu turno, o neofascismo desqualificou a política para tomá-la de assalto nas urnas e impor o estado de exceção. As demagogias e o cinismo da extrema-direita, por exemplo, ao exaltar “o movimento democrático de 1964”, enquanto até as pedras sabem do golpe impetrado contra a normalidade constitucional, e fazer o elogio póstumo do general Newton Cruz, chefe do Sistema Nacional de Informações (SNI) do regime ditatorial, classificado como “um herói da democracia”, enquanto todos sabem que o órgão servia à máquina de repressão, – mostra que a batalha em curso não se dá nas “quatro linhas” da Carta Magna, de 1988. Não estamos diante de adversários em uma disputa que respeita procedimentos do Estado Democrático de Direito, senão que diante de inimigos das “regras do jogo”. 

Nenhuma consideração sobre a tolerância (religiosa ou civil) se aplica aos neofascistas. Os dispositivos disciplinares que incidem sobre a sua liberdade, e as multas na forma de pecúnia, não podem ser atribuídos à intolerância. Trata-se, no caso da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o réu, deputado Daniel Silveira (PTB/RJ), de uma punição a discursos reiterados de incitamento das massas à violência contra autoridades e instituições que funcionam como guardiãs da legalidade, no país. 

A única ressalva concerne à apatia e à indiferença, relativas aos inúmeros ataques ocorridos sobretudo depois de 2018, e que passaram à margem do processo de responsabilização. Quem pratica a discriminação, seja racial, sexual, étnica ou política (contra a democracia e a república) não sofre uma perguição intolerante, como alardeou o presidente ao argumentar o esdrúxulo indulto para um criminoso condenado a oito anos de reclusão, com a perda do mandato parlamentar. Suas ações deletérias não evocam a antítese tolerância / intolerância. Respondem por crimes que atentam contra a institucionalidade vigente e os valores civilizatórios construídos nas sociedades modernas. Repita-se, dentro dos marcos da Constituição em vigor. Neste contexto, a tolerância seria negativa, perigosa, irresponsável. Não uma prova de civilidade; uma prova de fraqueza.

Só quem despreza a democracia pode achar que a convocação de um novo Ato Institucional (AI-5), saudoso do autoritarismo e das torturas nos porões das delegacias e dos quartéis, é uma simples questão de ponto de vista. A barbárie neofascista não deve ser subestimada, ao apelar para a violência aberta e, através de medidas provisórias de interesse das milícias, armar setores que corrompem a sociabilidade democrática. 

A democracia tem de desenvolver mecanismos de autodefesa para enfrentar os perigos que a rondam, se não quiser repetir a triste experiência da República de Weimar. Envolvido em incontáveis e gravíssimas denúncias de corrupção, que vão da Saúde à Educação, passando pelas Forças Armadas, o Palácio do Planalto desvia o foco de atenção para a contenda com o STF, em defesa de um meliante vulgar. O “joio”, na expressão metafórica usada pelo ministro “terrivelmente evangélico”, André Mendonça, ora em desgraça com os furiosos bolsominions. A discordância se resumiu à extensão da pena.

Barrar a intolerância em certas circunstâncias, é uma coisa. Aceitar com passividade atos beligerantes de discriminação, é outra. A democracia é o regime que persegue a igualdade política, social, etc. As demais modalidades de organização da sociedade são manifestações discriminatórias de classes sociais ou grupos com estilos de vida diferentes, – tendem no limite ao neofascismo, qual o bolsonarismo. Não convivem com a diversidade, a grande riqueza da humanidade. Não espanta que, na campanha eleitoral, o candidato do extremismo tenha falado no palanque em “fuzilar a petralhada”, fazendo arminha com as mãos. Era já motivo suficiente para barrar-lhe a candidatura, na Justiça.

Agora que a grama da ignorância e da brutalidade que cresceu, é hora de aparar o jardim para garantir a paz social. Juristas da democracia serão capazes de arguir, com competência, a inconstitucionalidade do provocativo indulto. Esse espúrio patriotismo entre compadres coloca interesses pessoais acima dos interesses nacionais.

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23
Abr22

General Heleno diz que derrubar perdão concedido por Bolsonaro a Daniel Silveira 'abre as portas para a insegurança jurídica'

Talis Andrade

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Novo Dia do Foda-se do general Augusto Heleno. Do golpe contra a Justiça: O soldado Daniel Silveira e o cabo Junio Amaral vão fechar o STF. Golpistas arriscam transformar Bolsonaro em ditador, porque o partido dos generais não tem votos para eleger um presidente nas urnas livres e democráticas

 

O general da reserva do Exército e ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI),  Augusto Heleno Pereira, defendeu o perdão concedido por Jair Bolsonaro ao deputado federal bolsonarista Daniel Silveira (PTB-RJ), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 8,9 anos de prisão, e a perda dos direitos políticos, por promover ataques à democracia e instituições democráticas.

Para o militar, uma eventual derrubada do decreto “abre as portas para o personalismo e para a insegurança jurídica".

"A atitude do Pres Rep (Presidente da República), em relação ao STF, tem por objetivo principal o respeito à Constituição. Isso representa, em suma, a valorização da democracia e seus princípios. Desrespeitá-los abre as portas para o personalismo e para a insegurança jurídica. Brasil acima de tudo!", postou o militar nas redes sociais. 

A postagem de Heleno foi feita na esteira das ações apresentadas por diversos partidos de oposição junto ao STF visando anular a graça institucional concedida pelo ocupante do Palácio do Planalto a Silveira. O parlamentar vinha sendo incentivado por Jair Bolsonaro  a disputar uma vaga no Senado. 

O uso do instrumento da graça para beneficiar o aliado vem sendo vista como uma nova afronta de Bolsonaro ao Poder Judiciário, um novo Dia do Foda-se (vide tag), típico de general do SNI da ditadura de 1964, que prendeu e torturou milhares de brasileiros, e uma forma de insuflar a base eleitoral de extrema direita, que pede o fechamento do STF. Isto é, pede o fim da Democracia. Não existe Democracia sem uma Justiça livre das botinas dos gorilas militares.

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Nesta sexta-feira (21), partidos da oposição entraram com ações para anular o decreto com o indulto individual a Silveira. A relatoria do caso está nas mãos da ministra Rosa Weber. 

Para Augusto Heleno, general símbolo do parasitismo militar, o melhor para caserna seria um tribunal de guerra com novos ministros no supremo: soldado deputado Daniel Silveira, cabo deputado Junio Amaral, a múmia Roberto Jefferson, Oswaldo Eustáquio, Allan dos Santos, Arthur do Val (Mamãe Falei), Gabriel Monteiro, Bia Kicis, Carla Zambelli, general Eduardo José Barbosa, presidente do Clube Militar, André Mendonça ou Kássio Nunes.

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12
Abr22

Janio: as instituições estão devastadas

Talis Andrade

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por Fernando Brito

Como no “tá tudo dominado” do funk, o Brasil já não se escandaliza com nada. Congresso e sistema judiciário, ainda que neste último surjam alguns gemidos do Supremo Tribunal Federal, vivem em completa anomia, onde padrões normativos de conduta e de valores enfraqueceram ao ponto de quase desaparecer.

Assistimos a um período onde se aceita do ( e no) governo, as maiores barbaridades, desde o achaque rastaquera de tomar o dinheiro de servidores de gabinete até o envolvimento com o crime organizado e suspeitas de execução de ex-parceiro marginais.

Até mesmo quando a imprensa publica, há quase um aceitar como “pitoresco” e “natural” que as instituições da República não reajam ao absurdo, como se fosse parte da hegemonia política a associação ao crime, inclusive os de morte.

Cumprida a missão de derrubar um governo eleito, o próprio Ministério Público Federal, que se apresentava – não dá trabalho recordar – como a vestal da Lei, intocável e intolerante, aceitou-se em berço esplêndido, no qual bale feito cordeiro.

Numa única frase, Janio de Freitas condensa a situação de nosso país: Não há polícia, não há Judiciário, não há Congresso, não há Ministério Público, não há lei que submeta Bolsonaro ao [que lhe é] devido.

 

São as entranhas brasileiras

 

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Janio de Freitas, na Folha

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Nenhum presidente legítimo, desde o fim da ditadura de Getúlio em 1945 —e passando sem respirar sobre a ditadura militar— deu tantos motivos para ser investigado com rigor, exonerado por impeachment e processado, nem contou com tamanha proteção e tolerância a seus indícios criminais, quanto Jair Bolsonaro. Também na história entre o nascer da República e o da era getulista inexiste algo semelhante à atualidade. Não há polícia, não há Judiciário, não há Congresso, não há Ministério Público, não há lei que submeta Bolsonaro ao devido.

As demonstrações não cessam. Dão a medida da degradação que as instituições, o sistema operativo do país e a sociedade em geral, sem jamais terem chegado a padrões aceitáveis, sofrem nos últimos anos. E aceitam, apesar de muitos momentos dessa queda serem vergonhosos para tudo e todos no país.

Nessa devastação, Bolsonaro infiltrou dois guarda-costas no Supremo Tribunal Federal. Um deles, André Mendonça, que se passa por cristão, na pressa de sua tarefa não respeita nem a vida. Ainda ao início do julgamento, no STF, do pacotaço relativo aos indígenas, Mendonça já iniciou seu empenho em salvá-lo da necessária derrubada.

São projetos destinados a trazer a etapa definitiva ao histórico extermínio dos indígenas. O pedido de vista com que Mendonça interrompeu o julgamento inicial, “para estudar melhor” a questão, é a primeira parte da técnica que impede a decisão do tribunal. Como o STF deixou de exigir prazo para os seus alegados estudiosos, daí resultando paralisações de dezenas de anos, isso tem significado especial no caso anti-indígena: o governo argumentará, para as situações de exploração criminosa de terras indígenas, que a questão está subjudice. E milicianos do garimpo, desmatadores, contrabandistas e fazendeiros invasores continuarão a exterminar os povos originários desta terra.

deforestation__vasco_gargalo tráfico de madeira.

 

 

Muito pouco se fala desse julgamento. Tanto faz, no país sem vitalidade e sem moral para defender-se, exangue e comatoso. Em outro exemplo de indecência vergonhosa, nada aconteceu à Advocacia-Geral da União por sua defesa a uma das mais comprometedoras omissões de Bolsonaro. Aquela em que, avisado por um deputado federal e um servidor público de canalhices financeiras com vacinas no Ministério da Saúde, nem ao menos avisou a polícia. “Denunciar atos ilegais à Polícia Federal não faz parte dos deveres do presidente da República”, é a defesa.

A folha corrida da AGU é imprópria para leitura. Mas, com toda certeza, não contém algo mais descarado e idiota do que a defesa da preservação criminosa de Bolsonaro a saqueadores dos cofres públicos. Era provável que a denúncia nada produzisse, sendo o bando integrado pela máfia de pastores, ex-PMs da milícia e outros marginais, todos do bolsonarismo. Nem por isso o descaso geral com esse assunto se justifica. Como também fora esquecido, não à toa, o fuzilamento de Adriano da Nóbrega, o capitão miliciano ligado a Bolsonaro e família, a Fabrício Queiroz, às “rachadinhas” e funcionários fantasmas de Flávio, de Carlos e do próprio Bolsonaro. E ligado a informações, inclusive, sobre a morte de Marielle Franco.

Silêncio até que o repórter Italo Nogueira trouxesse agora, na Folha, duas revelações: a irmã de Adriano disse, em telefonema gravado, que ele soube de uma conversa no Planalto para assassiná-lo. Trecho que a Polícia Civil do Rio escondeu do relatório de suas, vá lá, investigações. O Ministério Público e o Judiciário estaduais e o Superior Tribunal de Justiça não ficam em melhor posição, nesse caso, do que a polícia. São partes, no episódio de implicações gravíssimas, de uma cumplicidade que mereceria, ela mesma, inquérito e processo criminais. O STJ determinou até a anulação das provas no inquérito das “rachadinhas”, que, entre outros indícios, incluía Adriano da Nóbrega.

Desdobrados nas suas entranhas, os casos aí citados revelariam mais sobre o Brasil nestes tempos militares de Bolsonaro do que tudo o mais já dito a respeito. Mas não se vislumbra quem ou que instituição os estriparia.

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31
Mar22

Lição de Democracia e Liberdade e Fraternidade para quem conspira o golpe, trama a ditadura, a tortura, o exílio e o fuzilamento do inimigo

Talis Andrade

 

Em solidariedade a Aroeira, artistas recriam sua charge sobre Bolsonaro e lançam abaixo assinado 

 

por Mônica Nunes /Conexa o Planeta

Charges, cartoons e ilustrações produzidos com talento traduzem muito bem – e com grande efeito – a realidade. E os artistas que se dedicam à essa arte – do desenho, da boa leitura e da interpretação dos fatos – têm nos ajudado a enfrentar o cenário inóspito e cada vez mais tenebroso promovido por Bolsonaro desde que assumiu o governo, em janeiro de 2019.

São um alento ou uma provocação contra a inércia como as charges criadas por Renato Aroeira, um dos mais importantes artistas brasileiros desse tipo de manifestação artística, que, esta semana, foi alvo de mais uma arbitrariedade cometida pelo ministro da justiça, André Luiz Mendonça, ex-Advogado Geral da União que assumiu a vaga deixada por Sergio Moro em abril. Tudo por causa da charge abaixo:

Angeli

Com a charge “polêmica”, Aroeira criticou a declaração de Bolsonaro que incitava seus seguidores a invadirem e filmarem hospitais, alegando que não falta estrutura para atender os pacientes com covid-19 (pelo menos dois casos de invasão foram registrados). Ela foi publicada no site Brasil 247 e reproduzida pelo jornalista Ricardo Noblat (em seu Twitter), que também foi incluído na investigação.

Rapidamente, uma onda de solidariedade uniu chargistas, escritores e jornalistas e invadiu as redes sociais com um movimento que ganhou o nome de #somostodosaroeira. Foi criado um abaixo assinado online  Pela liberdade de expressão, em solidariedade ao cartunista Aroeira – que, no mesmo dia, já reunia mais de 10 mil assinaturas e, no terceiro dia, já chegou à meta de 75 mil, que foi aumentada para 150 mil. Assina, lá!

Mas o movimento não ficou restrito à petição. Cerca de 70 chargistas do Brasil e do exterior começaram a publicar releituras da charge de Aroeira. Cada um, com seu estilo, reproduziu o desenho e assinou com o artista. Ou seja, o movimento em resposta à ameaça de Mendonca, produzirá cerca de 70 desenhos parecidos. Pois é… o governo vai abrir inquérito contra todos, agora?

“Estão fazendo uma coisa maravilhosa, que eu nunca tinha visto… Fiquei muito emocionado com isso”, declarou Aroeira ao colunista Chico Alves, do UOL. “É bobagem brigar com gente que só estava fazendo piada. Porque rindo você castiga com uma força, rapaz…”.

Gladson Targa

Nessa conversa, ele destaca uma característica intrínseca dos chargistas, que somente as pessoas obtusas não conseguem entender. O fio condutor que os move é o desrespeito. Por excelência. O objetivo é ridicularizar. “A gente mostra que aquela atitude que todo mundo está achando pomposa, circunspecta e séria, na verdade, é uma calhordice ridícula. É como se disséssemos: a sua anágua está aparecendo. Mostramos a roupa íntima, a bunda… o rei está nu. A gente é desrespeitoso por natureza”.

Aroeira lembra também que a maioria desses profissionais é humanista e, por isso, cada vez mais, bate nos opressores e não nos oprimidos, como antes. Para ele, os oprimidos mudaram sua atitude e estão mudando o mundo. E, nesse cenário, a charge pode funcionar como uma “força auxiliar”. Ele explica: “A gente ajuda as pessoas a rirem, a apontarem para o inimigo e rirem dele, ridicularizá-lo, ajudamos a fazer uma catarse ou outra, que é sempre bom”.

E a charge continua…

Latuff

Todas as reproduções e releituras da charge de Aroeira têm sido identificadas pelos artistas com a frase Charge Continuada. Exceto as que foram criadas para criticar a atitude de Mendonça ou se utilizam do tema com outro viés que não o de copiar o que foi feito por ele, como a de Angeli (que reproduzi mais acima), Latuff, Nando Motta e Quinho.

Quinho (acima e abaixo)

E, apesar do incomodo que causou a ameaça de ser enquadrado na Lei de Segurança Nacional, Aroeira não vai “dar um tempo”. Ele revelou que já está fazendo a continuação da charge de Bolsonaro nazista: “É a mesma charge, só que agora com o ministro da Justiça e o Wajngarten, da Secom, passando pano e limpando a sujeira que o Bolsonaro tinha feito”, contou à Alves.

Do ponto de vista político, Aroeira considera a atitude do ministro como “um baita tiro no pé” já que deu à sua charge muito mais visibilidade do que se tivesse ficado restrita ao site Brasil 247 e ao twitter de Noblat.

Para rebater a acusação de calúnia, citou a atitude de Picasso quando foi abordado por um oficial nazista em frente à tela Guernica. ‘Você fez isso?’. E o pintor espanhol respondeu: ‘Não, vocês fizeram’. Então, parafraseando Picasso, se Aroeira fosse abordado por Bolsonaro e perguntasse se, com a charge polêmica, ele o estava chamando de nazista, o artista responderia: ‘Não, você próprio se chamou de nazista. Eu só desenhei’. Perfeito.

A maior besta

Durante as campanhas para a eleição presidencial de 2018, uma charge de Aroeira, de 1993, se espalhou pelas redes, talvez como um apelo bem humorado e perspicaz para que os incautos observassem quem era, de fato, aquele que estava sendo apontado como a salvação da Pátria.

O artista desenhou Bolsonaro como uma espécie de dinossauro usando botas de militar nas quatro patas e o chamou de Estupidossauro Bolsonarus: a maior besta que já caminhou sobre a face da Terra. Na época, o atual presidente era um medíocre deputado federal que já falava em fechar o Congresso Nacional e entregar o governo aos militares. Só mudou de cargo.

A campanha não surtiu efeito, é verdade. Nem mesmo a divulgação de vídeos de entrevistas em que Bolsonaro dizia, em alto e bom som, que a ditadura militar foi incompetente porque deveria ter matado uns 30 mil – só a COVID-19, devido principalmente à inépcia de seu governo, já matou 43 mil pessoas! – e dizimado os indigenas como os americanos, demoveu 38% dos brasileiros da ideia de votar nesse cara.

Muita gente chegou a dizer que ele estava brincando quando dizia essas sandices. Outros argumentavam com a justificativa de que, pelo menos, ele era sincero. Viram o que quiseram e, junto com aqueles que se omitiram nas eleições (votaram em branco e nulo), colocaram os brasileiros nas mãos de um facínora.

Então, um viva aos chargistas, cartunistas e ilustradores que, todos os dias – em jornais, sites e redes sociais -, nos ajudam a driblar o desespero e a nos fortalecer para continuar lutando por democracia, por liberdade e pela vida!

Fontes: UOL, Folha de São Paulo, Correio Brasiliense, Twitter Noblat

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

 

15
Jan22

André Mendonça e o imperativo da ingratidão

Talis Andrade

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por Wilson Gomes

Ainda repercute a aprovação do nome de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal, e houve muitas razões para tanto.

Antes de tudo, é justo duvidar das intenções de quem o indicou. O presidente deste país pode ser acusado de tudo, menos de ter qualquer convicção republicana. Sim, presidentes podem ter agendas ocultas na indicação de juízes da Suprema Corte, mas quer o bom comportamento democrático que intenções e apetites que não se harmonizem com o interesse geral da Nação sejam ao menos camuflados em princípios universais. “Servir à Constituição e à Justiça”, “proteger os valores liberal-democráticos que construíram este país” são em geral fórmulas que tranquilizam os cidadãos de que essa indicação levou em consideração o interesse de todos.

Da hipocrisia, diz-se que é a última homenagem que o vício presta à virtude. Afinal, só se obriga a alguma hipocrisia quem reconhece valor do bem, mesmo quando a intenção de praticar o mal. Com Bolsonaro, contudo, essa distinção se perdeu e os apetites e más intenções lhe escapam, sem dissimulação, pelos cantos da boca. Na sua compreensão, os ministros do STF por ele indicados antes de serem ministros do STF são seus ministros, seus subordinados, alinhados com seus interesses e projetos.

Não por acaso, gabava-se há pouco tempo o presidente de possuir 10% do STF, uma vez que lá tem assento Kássio Nunes Marques, por ele indicado. Isto posto, imagino que considere agora ser o feliz proprietário de ao menos 18% do Supremo, com a ascensão de André Mendonça.

Afinal, na mentalidade de Jair Bolsonaro, juízes da Suprema Corte não servem a princípios constitucionais, a valores da democracia liberal ou ao povo brasileiro, mas são servos ideológicos ou venais de projetos de poder. E se podem servir a outras potestades, também podem servir ao presidente, aos seus interesses e à sua visão de mundo. É simples assim o mundo bolsonarista.

Além disso, a candidatura de Mendonça à Suprema Corte foi diversas vezes vendida pelo presidente e pelos seus como uma representação dos evangélicos conservadores do país. E o lobby pró e contra a aprovação de Mendonça levou completamente a sério o fato de que não se tratava de uma mera indicação de um juiz para substituir o aposentado Marco Aurélio Mello, mas da elevação à cúpula do Poder Judiciário de um ministro “terrivelmente evangélico”.

Juiz evangélico no Supremo não é propriamente uma novidade. Já tivemos um diácono batista, Antonio Martins Vilas Boas, indicado por Juscelino Kubitschek, tão profundamente evangélico que criou uma Igreja em Brasília que até hoje lá está. Por outro lado, “juiz terrivelmente evangélico” é um conceito novo de conteúdo desconhecido e ameaçador. Não basta ser evangélico, por que precisa além disso ser terrível? Essa nota talvez explique por que razão Mendonça chega à Suprema Corte com a menor proporção de votos favoráveis da nossa história republicana.

Por fim, além de terrivelmente evangélico, André Mendonça, nos anos em que esteve a serviço de Bolsonaro, demonstrou que pode ser terrivelmente leal aos interesses da pessoa a quem serve, mesmo que estes colidam com a Constituição, a Democracia ou a ética. Enquanto tinha funções de ministro de Estado da Justiça, Mendonça não se furtou ao papel de cão de guarda de Jair Bolsonaro, desses que mordem ou ameaçam o incauto que se atrever a divergir, criticar o insultar o presidente. Abriu investigações contra ou ameaçou com inquéritos policiais jornalistas, colunistas e até cartunistas. Até os autores do outdoor que promoveram nacionalmente a expressão “pequi roído”, atribuída a Bolsonaro, foram ameaçados pelo feroz Mendonça.

Como se isso fosse pouco, Mendonça ainda assinou ADI contra os decretos estaduais de lockdown durante a pandemia, solicitou autorização ao STF para operações policiais nas universidades por presumida “carga ideológica” dos professores e, para coroar, o seu Ministério compôs um dossiê sigiloso com 579 perfis suspeitos de antifascismo e antibolsonarismo, um crime ainda não previsto no Código Penal. Assim, não se sabe até onde pode chegar o ministro André Mendonça do STF, mas o ministro André Mendonça de Bolsonaro certamente chegou longe demais na defesa do seu patrono.

É fato, portanto, que Bolsonaro não teve boas intenções republicanas ao indicar Mendonça e nem pretendeu disfarçar este fato. É também fato que Mendonça aceitou fazer tudo o que fosse necessário para garantir seja a sua indicação por Bolsonaro seja o apoio da parte efetivamente mais terrível e mais antidemocrática do lobby evangélico. De modo que chegar à cúpula do Poder Judiciário nos ombros de Jair Bolsonaro e de Silas Malafaia, isto é, do bolsonarismo e do setor pentecostal ultraconservador, não é certamente uma boa recomendação de que ali está uma alma republicana, um devoto da nossa Constituição liberal-democrática, um servo do Estado de Direito.

Por outro lado, sejamos realistas, não havia outro caminho para o STF enquanto Bolsonaro fosse presidente da República que não passasse por uma promessa de servidão voluntária ao seu projeto de poder e à sua visão de mundo. Sem mencionar a já comprovada Lei Bolsonaro de Indicação de Ministros que reza que “se sair esse, o próximo será pior”. Como Mendonça queria muito ser juiz do Supremo, precisava fazer promessas e juras de fidelidade ao bolsonarismo e ao malafaismo. Se foi sincero ou pragmático, veremos.

Isso quer dizer que lealdades aos padrinhos e patrocinadores e aos que têm o poder de indicação e de aprovação de juízes do STF não são (nem devem ser) matéria garantida. Juízes da Suprema Corte, ao contrário, deveriam cultivar o hábito da ingratidão, não para trocar os seus patronos por outros senhores, mas para não ter senhor algum além da Constituição. Para isso deveria servir o fato de que, uma vez eleito, os ministros da Suprema Corte não estão mais sob qualquer arbítrio dos presidentes que o indicaram. De modo que só nos resta, a este ponto, torcer para que, empossado ministro do STF, André Mendonça se revele republicanamente ingrato às forças sombrias e antidemocráticas que o conduziram até ali.

26
Dez21

O jornalismo e o terrivelmente cristão

Talis Andrade

 

 

 

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Por Juliana Rosas /objETHOS

“A palavra é problemática. Existem dois tipos de ‘deus’ no mundo e as pessoas tendem a misturá-los. Há um tipo de deus, o deus misterioso, sobre o qual nada sabemos. A principal característica desse deus é justamente que ele é misterioso e nós humanos não conseguimos compreendê-lo. Como começou o Big Bang ou como a vida começou, todas as coisas que a ciência não sabe. Estou perfeitamente satisfeito com este deus misterioso. Mas, há um tipo completamente oposto de deus, que se concretiza como deus legislador e sobre este deus se conhece muito. Sabe-se exatamente o que este deus pensa sobre a moda feminina, sobre a sexualidade, em quem você deve votar. De alguma forma, as pessoas trocam de deus e por causa disso as mulheres deveriam se cobrir, dois homens não deveriam fazer sexo um com o outro e você deveria votar neste ou naquele partido. Se há uma força responsável pelo grande mistério da vida no universo, pelos buracos negros e galáxias, não acho realmente que ele se preocupa com o código de vestimenta das mulheres.”

Este é um trecho de uma fala do historiador Yuval Noah Harari, autor do best seller “Sapiens – Uma Breve História da Humanidade”, entre outros livros. O “terrivelmente evangélico” indicado a ocupar a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) usa este segundo tipo de deus em várias de suas declarações. “Os verdadeiros cristãos não estão dispostos jamais a matar por sua fé, mas estão sempre dispostos a morrer para garantir a liberdade de religião e de culto”, disse André Mendonça em abril deste ano. A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, também teve sua cota extrapolada de decisões baseadas exclusivamente em sua religião e quando questionada sobre a laicidade do Estado, proferiu uma das suas mais famosas frases: “O Estado é laico, mas a ministra é terrivelmente cristã”.

Se as pessoas tendem a considerar sua fé como algo bom, usar o advérbio “terrivelmente” seguido de qualquer adjetivo deveria ser questionável. Mas como sempre foi comum no jornalismo, declarações são repetidas sem questionamento. Coloca-se aspas, cita-se o autor e tudo bem. A imprensa acredita que está sendo objetiva e imparcial. Frente à extrema polarização política que tomou o país há alguns anos, resvalando para outras áreas, como religião e comportamento, muitos se esquecem da história.

Numa época não tão longínqua assim, não havia Estado ou este era a Igreja. Não havia leis e pessoas inocentes foram queimadas vivas. A fogueira foi apenas uma das consequências de ter poderes religiosos governando a vida da população. Indivíduos mataram e morreram em nome de seu deus, fé ou religião. Esta nem sempre foi boa e pura. Foi corrompida pela humanidade por questões pessoais e mesquinhas. O jornalismo estaria sendo informativo, e também – por que não? – objetivo ao contextualizar declarações e notícias. De cunho religioso ou não.

Mas não é só do atual governo que o jornalismo extrai suas citações religiosas. Cristãs, para ser mais exata. Com a morte de mais de 600 mil brasileiros por covid-19 desde o início da pandemia, boa parte da população recorreu à fé para explicar a tragédia. Quando ela chegou a famosos, o jornalismo reverberou. Há quem tenha dito que a morte de Paulo Gustavo foi castigo ou “porque deus quis”. Outras prontamente esclareceram que o que o matou foi a doença, agravada pela falta de vacina e pelas inações governamentais.

Não ouvimos dos céus se alguém desceu para buscar o ator e comediante ou algum dos mais de 600 mil mortos, mas as ações desumanas do governo puderam ser vistas no dia a dia e compuseram o relatório da CPI da Covid. Os mais sensíveis certamente estarão esbravejando sobre a liberdade religiosa ou de expressão, citando até um dos mais ridículos conceitos que se ousou usar no país: cristofobia. Entretanto, em nome da democracia e dos valores jornalísticos, é um debate que necessita ser travado seriamente.

O jornalismo tradicional afirma ser plural, objetivo, apartidário. Sempre ouvindo todos os lados da história, não assumindo ideologias ou partidos. Se é uma terrível ofensa ao jornalismo dizer que ele estaria defendendo esta ou aquela ideologia, partido x ou y, por que não podemos dizer que sua tendência de comportamento e cobertura é cristã e que nesse campo deveria também ser objetivo e plural? Somente porque o cristianismo é a religião majoritária no país? Cristãos são maioria no Brasil mas maioria, ao contrário do que muitos pensam, não é sinônimo de democracia. É, entre outras definições, respeito às minorias. Mais do que antes, atualmente procura-se mais aceitação por diversos movimentos, minoritários ou não, como o negro, feminino, indígena, LGBTQIA+, etc. E tem se buscado também mais consideração pelas religiões de matriz africana.

Para quem também não sabe, o Brasil é um Estado laico, independentemente da religião da população. A Constituição assegura a liberdade de crença, mas também que alguém não pode justificar um crime pela religião e há leis e ações que coíbem a intolerância religiosa. A justiça é “cega” não para deixar de ver malfeitos, mas para que todos sejam iguais perante ela. A laicidade da justiça existe para que as leis estejam acima de fés individuais e garantir a equidade de todos perante a legislação. Religiões têm suas crenças e ações, individuais ou coletivas e o Estado não pode se guiar por algo que pode beneficiar uns e prejudicar outros.

Em uma tragédia e caso tornado midiático mais recente, a morte de Marília Mendonça, a religião no jornalismo esteve presente especialmente nas falas de amigos e familiares. Sobre discursos políticos, estudos e críticas jornalísticas afirmam que somente reproduzir tais falas, sem contexto e acriticamente, pode propagar notícias falsas e espalhar desinformação. Inúmeros casos aconteceram com atual presidente do Brasil e o ex-presidente americano. O presidente brasileiro se diz aliado da comunidade judaica, mas tem ações e aliados que exaltam a supremacia branca. Comporta-se em visitas a países árabes e muçulmanos, mas faz declarações islamofóbicas.

A fé acima de outros valores acaba fazendo com que pessoas tratem mal seu semelhante e justifiquem doenças ou desastres, algo que, por princípio moral, não deveriam fazê-lo. Por preconceito e comentários maldosos, muitos evitam declarar sua religião ou falta desta no ambiente de trabalho. O objETHOS observa a ética jornalística e nada mais antiético do que a intolerância religiosa. Quando esta resvala no fanatismo, já se torna criminosa.  O jornalismo pode, em vez de normalizar comportamentos antiéticos em nome da religião, expô-los, criticá-los e contextualizá-los à luz da democracia. Quando não o faz, deixa de cumprir seu dever ético, democrático e de serviço público.

Por séculos, religião e política andaram juntas e não foi fácil a separação. Nem na prática nem nas mentes. “O cristianismo na política deixou de ser sinônimo de justiça social e igualdade, nos anos 1970 e 1980, para ser agora sinônimo de aversão a direitos e liberdades. E a Bíblia deixou de ser sinônimo de libertação, para ser um chicote que se estala no lombo de minorias e meio de opressão”, afirmou o professor e pesquisador Wilson Gomes.

Muitas vezes, a cruz vira espada e políticos apelam “à radicalização religiosa para dividir o país e corroer ainda mais a democracia”. Muitos brasileiros são terrivelmente cristãos e não conseguem perceber que o Estado é melhor laico e certos tipos de fé fazem mal e não bem. Mas a sociedade brasileira não está preparada para esta discussão. E o jornalismo do país é receoso em iniciá-la.

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25
Dez21

Rosângela Moro nunca tocou numa Bíblia, diz Reinaldo Azevedo

Talis Andrade

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Jair Bolsonaro fez uma fala natalina ladeado pela esposa. Sergio Moro arriscou o mesmo.

Michelle Bolsonaro festejou a indicação de André Mendonça para o STF em transe (ou êxtase, no dizer da igreja), com uma oração na língua dos anjos.

Para Reinaldo Azevedo, Rosângela Moro desconhece a xenolália. Não sabe nenhuma palavra, não decantas. Para Reinaldo Azevedo, nunca tocou numa bíblia.

Reinaldo Azevedo
@reinaldoazevedo
“Então é Natal…” Mas não dá. Vejam msg de Moro-Rosângela tentando tomar o eleitorado evangélico de Bolsonaro. Ela cita “versículos”. Mas ñ diz de q. Nunca tocou numa Bíblia. Ah, sim: é Segunda Epístola de Paulo aos Coríntios! Nós, os corintianos, ñ caímos nessa. Vozes do além!

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08
Dez21

De onde vem a língua estranha falada por Michelle Bolsonaro para comemorar a nomeação do “terrivelmente evangélico”? (vídeo)

Talis Andrade

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Michelle Bolsonaro chora e pula ao comemorar aprovação de André Mendonça no  STF: 'Glória a Deus' | Brasil | O Dia

Para os católicos, o dom de línguas é um fenômeno bastante normal para as pessoas envolvidas na Renovação Carismática. Mas as pessoas que têm contato com este tipo de oração pela primeira vez podem sentir-se desapontadas, já que algo como a glossolalia parece estranho para eles. São Paulo advertiu os Coríntios que isto poderia acontecer.

“Se, pois, numa assembleia da igreja inteira todos falarem em línguas, e se entrarem homens simples ou infiéis, não dirão que estais loucos?” (I Coríntos 14, 23).

E esta advertência vem a partir da experiência. Os apóstolos falando em línguas no dia de Pentecostes foram objetos de gozação. “Outros, porém, escarnecendo, diziam: “Estão todos embriagados de vinho doce” (Atos 2, 13).

Aqueles que falam em línguas podem ser acusados de serem fanáticos ou mentalmente desequilibrados. Tal acusação pode atingir todas as pessoas que estejam profundamente envolvidas em oração, o que é notável a partir da imaginação convencional de oração. E o exemplo do Rei Davi prova isto. A filha de Saul, que olhava-o pela janela, viu que o Rei saltava e dançava em frente à Arca da Aliança, e desprezou-o em seu coração (I Crônicas 15, 29).

No entanto, é necessário declarar que o falar em línguas foi prometido por Jesus antes de Sua Ascensão.

“Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas”. (Marcos 16, 17).

Portanto, não há nada estranho em usar este carisma. O problema parece surgir entre as pessoas que não conhecem o ensinamento bíblico sobre este dom. Leia mais

Brasil 247 - Entre os evangélicos as palavras proferidas pela primeira dama Michelle Bolsonaro, aos pulos e gritos, na última quarta-feira (1) para comemorar a aprovação de André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal (STF), chama-se língua dos anjos.

A língua incompreensível, que não tem nenhuma associação com o português ou qualquer outro idioma conhecido, é tida entre os evangélicos pentecostais como “o dom de línguas”, dado somente àqueles batizados no Espírito Santo, e faz referência à festa de Pentecostes, quando o Espírito Santo teria outorgado aos discípulos de Cristo poderes de cura e glossolalia (falar línguas).

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) disse que "seriam línguas com as quais a gente se comunica com Deus e com o que cremos. Somente Deus, através do Espírito Santo, entende aquela língua, não é uma língua natural", completou. 

No entanto,  após a circulação do vídeo na internet onde Michelle Bolsonaro aparece gritando e pulando euforicamente para comemorar a aprovação do amigo e pastor André Mendonça ao STF, o “dom” foi questionado.ImageImage

O jornalista e comentarista da TV 247 Joaquim de Carvalho, por exemplo,  disse que “o que a Michelle fez é fraude espiritual, engana trouxas”. Carvalho também questionou o posicionamento dos senadores Eliziane Gama (Cidadania-MA) e Omar Aziz (PSD-AM) que votaram a favor de Mendonça.

Joaquim de Carvalho
Ao ver o vídeo da Michelle Bolsonaro pulando de alegria e supostamente falando a língua dos anjos, senti raiva de senadores como Eliziane Gama e Omar Aziz, que publicamente apoiaram André Mendonça. Atiraram o país ao inferno. O q Michelle fez é fraude espiritual, engana trouxas.
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Michelle Bolsonaro entra em êxtase com aprovação de Mendonça: "Deus quem te  escolheu" - Revista FórumImage
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04
Dez21

O projeto de poder das igrejas de mercado inclui avançar no legislativo, executivo, judiciário

Talis Andrade
 
Vídeo: Primeira-dama Michelle Bolsonaro comemora aprovação de André Mendonça  como ministro do STF após sabatina no Senado - Portal de Prefeitura
Emocionada, Michelle Bolsonaro comemora ida de André Mendonça ao STFMendonça comemora com Michelle e diz que ida ao STF é 'salto para os  evangélicos' - 01/12/2021 - Poder - Folha
 
Marcia Tiburi
@marciatiburi no Twitter
Eu vi a Micheque comemorando, não entendi o que ela dizia, mas parece que tem a ver com o ministro bolsonarista da igreja de mercado que foi para o STF. Senti vergonha alheia, embora ninguém desse governo mereça nem esse tipo estranho de pena.
 
Escrevi um pouco + sobre em
instagram.com
Foto do perfil de marciatiburi
Que antropologia, que filosofia, que ciência política dará conta de explicar esse fenômeno? 
O prefeito do Rio manifestou seu apoio à Michelle Bolsonaro alegando que nas redes sociais as pessoas estão rindo de sua religiosidade. Ele não entendeu do que se trata. Infelizmente, o problema não está na religiosidade da primeira dama. De fato, no país da liberdade de expressão, também a religiosidade deve ser respeitada como uma expressão legítima. Sabemos que, na prática, não é assim, mas devemos defender que assim seja (há muito ódio contra religiões de matriz africana, por exemplo). Não há nenhum problema no uso de logolalias, glossolalias, verborragias para expressar as próprias emoções religiosas. Mesmo que possa parecer ridículo, devemos olhar por esse lado do direito à expressão. O que não pode ser sustentando é que pessoas politicamente comprometidas se manifestem religiosamente em um Estado laico. Para o bem da democracia que depende do Estado laico os políticos deveriam manter o decoro religioso em silêncio, abraçando assim a beleza de todas as religiões. Mas sabemos que o que está em
Jogo é mais grave que tudo isso. O projeto de poder das igrejas de mercado inclui avançar em todas as instituições e poderes: legislativo, executivo, judiciário e midiático. Quando a língua que ninguém entende serve ao poder, ela já não é mais uma simples expressão da liberdade. Ela é um ato de mistificação. O que essas pessoas do poder usam são as mesmas táticas de sempre sobre as massas: criar o estupor que tudo paralisa. Pobre Brasil governado por gente tão perversa. #forabolsonaro #religiao#deus
 

Michelle Bolsonaro entra em êxtase com aprovação de Mendonça: “Deus quem te escolheu”

Primeira-dama publicou fotos emocionadas ao lado do novo ministro do STF durante a madrugada. Bolsonaro disse que "meu compromisso de levar ao Supremo um 'terrivelmente evangélico' foi concretizado".

 

Uma das principais lobistas para a aprovação pelo Senado do nome de André Mendonça à uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), Michelle Bolsonaro entrou em êxtase com o fim do processo que concretizou a indicação de Jair Bolsonaro (PSL) como ministro “terrivelmente evangélico” na corte.

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04
Dez21

Novo ministro da suprema corte diz que "evangélicos têm agora representante no STF"

Talis Andrade

Michelle chora e faz oração após aprovação de Mendonça ao STF; vídeo

Michelle Bolsonaro pula e reza coa aprovação de André Mendonça

O ex-ministro da Justiça e ex-advogado-geral da União, André Mendonça, segunda indicação de Jair Bolsonaro para o Supremo Tribunal Federal (STF), teve o nome aprovado na quarta-feira (1) por 47 votos a 32 no plenário do Senado. Mendonça defendeu estado laico e democrático.

Foi a votação mais apertada entre os atuais ministros do Supremo, mas o pastor e ex-ministro teve o nome aprovado à mais alta corte do país. Bolsonaro comentou nas redes sociais que cumpriu uma promessa de campanha ao indicar um nome "terrivelmente evangélico".

André Mendonça, 48 anos, treinou muito em casa para dar respostas mais equilibradas em assuntos delicados para muitos religiosos, mas que poderiam dificultar sua aprovação entre os mais progressistas. Na sabatina do Senado, quando foi perguntado sobre o casamento gay, por exemplo, num primeiro momento disse que seguirá a Constituição. Pressionado a se posicionar, afirmou que vai defender o direito constitucional do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, já reconhecido pelo tribunal, mas sem lei aprovada pelo Congresso.

Mendonça defendeu o estado laico e democrático e seu mantra virou “a Bíblia na vida pessoal e a Constituição na vida pública”. Mas após ver seu nome aprovado pelo plenário, não escondeu o peso religioso que carrega. “A primeira reação foi dar glória a Deus por essa vitória. Um passo na história de um homem, mas um salto na história dos evangélicos do Brasil; 40% de uma nação que agora são representados no Supremo Tribunal Federal”, disse.

O judeu Luiz Fux, presidente do STF, disse que a posse do novo ministro deve acontecer ainda este ano. “Manifesto satisfação ímpar pela aprovação de André Mendonça, porque sei dos seus méritos”, afirmou em nota.

No interrogatório da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Mendonça fez aceno aos parlamentares citados na Lava Jato e que não querem ver Sérgio Moro nem pitado de ouro, dizendo que não se pode criminalizar a política e que delação premiada não prova nada.

Nos bastidores, apoiadores de Mendonça diziam que o ex-presidente Lula havia se comprometido a não pedir voto contrário e a não dificultar a aprovação do nome, de olho no voto dos evangélicos, um segmento que a cada eleição tem tido um peso maior.

Olhos voltados para 2022

O cuidado de Lula ao tratar esses eleitores mostra que já foi dada a largada para a briga presidencial e os últimos movimentos aqueceram o mercado de apostas: Bolsonaro enfim se filiou ao PL; Sérgio Moro ingressou no Podemos, incomodando nas pesquisas nomes como o de Ciro Gomes, do PDT; o PSDB escolheu João Dória como pré-candidato do partido; e o PT conversa com políticos de centro, como Geraldo Alckimin, para compor uma possível chapa com Lula. Sem contar outros nomes jogados na roda das conversas, como o do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD).

Há uma corrida para ver quem conseguirá se apresentar como uma terceira via viável eleitoralmente entre Bolsonaro e Lula, e as pesquisas de intenção de voto é que mostrarão o fôlego de cada um, definindo quem fica na briga e quem cederá espaço para as composições. O deputado Lincoln Portela, do PL, disse à RFI que acredita numa terceira via fragmentada e não vê chances de um segundo turno sem Lula e Bolsonaro.

“Na minha avaliação, essa que vem sendo chamada de terceira via estará pulverizada, com vários nomes. E não vejo hipótese alguma de não haver segundo turno entre Lula e Bolsonaro”, afirmou o parlamentar do PL.

Bolsonaristas vão insistir na narrativa construída de que o atual presidente é o caminho contra o comunismo. E não à toa apoiadores de Lula mais moderados quase infartam quando ele sai em defesa de ditaduras de esquerda.

No PT a ideia é trazer um vice de centro para amenizar essa marca. “Queremos uma chapa que vença as eleições, inclusive no primeiro turno. Então a ideia é ir além do espectro da esquerda e buscar um nome para vice que seja de centro”, disse à RFI o deputado petista Carlos Zarattini. Ele concorda com o colega do PL de que tudo aponta para um segundo turno entre Bolsonaro e Lula, mas acha que as demais candidaturas não devem ser tão numerosas.

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