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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

15
Mai22

Quais as chances de um novo surto de Covid no Brasil?

Talis Andrade

 

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por Raquel Miúra/ RFI

Dados mostram aumento de 30% nos casos nas últimas duas semanas. Especialistas ouvidos pela RFI afirmam que são esperadas novas mutações do coronavírus diante da baixa vacinação em muitos países e orientam que cuidados como uso de máscara sejam mantidos. Eles destacam  também que situação brasileira hoje, com cobertura vacinal de quase 80% da população, reduz muito o risco de novo pico de mortes.

Nas ruas do Brasil, a maioria da população já circula sem máscara e mesmo em locais fechados o acessório já cai em desuso. Nos últimos dias, entretanto, o setor farmacêutico alertou para o aumento da procura por exames e autotestes com resultados positivos.

A RFI ouviu três especialistas na área para entender os riscos de uma nova onda de coronavírus no país. A avaliação deles é de que a pandemia não acabou: muitos países têm uma taxa baixa de vacinação, criando um terreno propício para o aparecimento de uma nova variante global, como aconteceu com a ômicron. 

A situação atual, dizem, ainda exige um esquema vacinal com doses de reforço e cuidados, como o uso da máscara em locais fechados. Nenhum deles, porém, acredita que haverá ondas graves de casos no país a curto prazo.

“Eu não acredito em uma nova onda importante de óbitos num espaço breve, embora possa haver aumento de casos. O Brasil tem uma cobertura vacinal satisfatória, apesar de deixar um pouco a desejar na aplicação da dose de reforço. Além disso, como grande parte da população foi exposta ao vírus durante a onda da ômicron, a gente ainda passa por um momento onde o grau de imunidade na população permite que os indicadores continuem num patamar confortável”, disse à RFI Mauro Sanchez, epidemiologista do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília.

“Essa flexibilização das regras que a gente tem visto é compreensível, mas é preciso ter consciência de que a situação pode mudar no curto ou médio prazo porque já há consenso na literatura científica de que novas variantes vão parecer. O que a gente não sabe é quão transmissíveis e virulentas elas serão”, alerta Sanchez. A média móvel de novos casos subiu 29% em duas semanas. Já a variação média de mortes por Covid é estável: foram registrados cem óbitos diários nos últimos sete dias.

 

Remédio contra Covid

Para o médico André Bon, infectologista do Hospital Universitário de Brasília, o mundo ainda terá de conviver com a realidade do coronavírus por um bom tempo, diante da possibilidade de novas mutações do vírus, mas ele lembra que o Brasil hoje pode encarar o problema de forma muito mais favorável do que em ondas anteriores.

“Nesse momento, além da vacina, a gente tem cada vez mais medicamentos disponíveis para o tratamento da Covid, algumas inclusive com previsão de uso no SUS. O cenário epidemiológico é bem diferente do que o que a gente tinha no começo da pandemia”.

Segundo o infectologista, é preciso trabalhar no sequenciamento genético dos casos e monitorar o aumento do contágio e as ocupações de leito. O objetivo é poder reagir rapidamente no caso de uma nova onda.

“As pessoas estão deixando de fazer os testes, como o PCR, como acontecia antes e têm procurado o autoteste ou exames de farmácia. Isso pode dificultar um pouco o monitoramento e a notificação. A gente precisa manter os registros porque ainda terá de lidar com essa situação por um tempo, já que vivemos num mundo globalizado e pode haver novas versões do vírus”.

Manifestante exibe cartaz durante protesto contra a gestão da crise sanitária pelo governo de Jair Bolsonaro. Brasília, 18 de outubro de 2021.
Manifestante exibe cartaz durante protesto contra a gestão da crise sanitária pelo governo de Jair Bolsonaro. Brasília, 18 de outubro de 2021. AP - Eraldo Peres

 

Mãos limpas e uso de máscaras

No Brasil, 77% da população tem um esquema de vacinação completo, com a segunda dose, e 41% receberam uma dose extra de reforço. Estados e municípios retiraram exigências sanitárias como uso obrigatório de máscaras diante da redução de casos e mortes este ano.

“Não dá para falar nada ainda sobre fim da pandemia. Todos que fizeram previsões muito assertivas sobre a situação envolvendo o coronavírus erraram. Uma das características dessas doenças emergentes é a imprevisibilidade e a capacidade de evolução desses organismos, com surgimento de variantes”, explicou Eliseu Waldman, do departamento de epidemiologia da USP. “ É possível que ocorram novos surtos, novos picos. Porém o mais provável é que esses eventos passem a ser menos frequentes e menos intensos.”

Waldman, no entanto, ressalta que apesar da situação mais controlada no Brasil por conta da vacinação, continua havendo mortes diárias em número considerável e por isso é preciso manter os cuidados pessoais e coletivos.

“É bom lembrar que os óbitos continuam porque a doença atinge de forma mais grave aqueles com maior vulnerabilidade. Então o recado é que as pessoas tomem a vacina, não fiquem apenas no esquema básico de imunização, tomem também as doses de reforço. Devemos continuar com o uso de máscara, evitar aglomeração, especialmente em locais fechados, e manter a higienização das mãos.”

13
Jan22

2,5 mil crianças morreram devido à Covid

Talis Andrade

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Diversos países do mundo começaram antes do Brasil a vacinação de crianças entre 5 e 11 anos contra a Covid-19, como o Equador (foto). AP - Dolores Ochoa

 

"Vacinar crianças é crucial para combater a pandemia", afirma infectologista

 

por Raquel Miura /RFI

A vacinação de crianças de 5 a 11 anos deve começar em breve no Brasil. O Ministério da Saúde ainda não fixou uma data, mas a expectativa é de que dia 13 de janeiro cheguem as primeiras doses pediátricas da Pfizer para a distribuição aos estados e municípios.

Vinte dias depois da autorização da Anvisa, o governo enfim incluiu crianças entre 5 e 11 anos na campanha de imunização contra a Covid-19, passo fundamental no combate à pandemia, disse à RFI o infectologista André Bon.

"A gente só vai conseguir acabar com a pandemia quando grande parte da população estiver vacinada. E hoje as crianças não estão imunizadas, representando um bolsão de transmissão, um risco a pessoas imunossuprimidas, e também um risco para o surgimento de novas variantes, como aconteceu em locais onde a vacinação era baixa", afirma o médico.

O governo disse que encomendou 20 milhões de doses da Pfizer destinadas ao público infantil, suficientes para a primeira etapa, mas este mês apenas 3,7 milhões devem chegar ao país.

Estados e municípios vão estabelecer os critérios, seguindo diretrizes do Ministério da Saúde, de começar a vacinação pelos mais velhos e com prioridade para crianças com deficiência ou comorbidade, indígenas e quilombolas.Image

2,5 mil crianças morreram devido à Covid

No Brasil, mais de 2,5 mil crianças e adolescentes morreram de Covid ao longo da pandemia. "Por não terem sido vacinadas até agora, as crianças são mais suscetíveis, no meio de uma pandemia e com uma nova variante mais transmissível. Com isso a gente vem observando, em vários países, um aumento na proporção de crianças entre o número de infectados, inclusive entre os casos mais graves", considera Bon.

O governador do Piauí Wellington Dias (PT), do Fórum Nacional dos governadores, disse que assim que as doses pediátricas estiverem disponíveis, os pequenos começarão a ser vacinados.

"Da parte dos governadores e prefeitos, assim que as doses chegarem, começaremos a imunizar as crianças. E, claro, continuaremos cobrando a autorização para avançar a campanha para menores de cinco anos", declarou o governador.

Após o resultado da consulta pública, o governo abandonou a ideia de exigir receita médica para vacinar menores de 12 anos, hipótese que tinha sido aventada pelo ministro da saúde, Marcelo Queiroga, em apoio ao posicionamento do presidente Jair Bolsonaro.

Os especialistas reforçam que se uma criança não tomar a primeira dose, mesmo assim ela deve ir para a escola porque, seguindo os protocolos de higiene, os colégios são locais seguros.Image

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06
Jan22

Mais de 2,5 mil crianças morreram de Covid

Talis Andrade

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"Vacinar crianças é crucial para combater a pandemia", afirma infectologista

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