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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

27
Jan22

CNMP confirma demissão de Castor de Mattos, mas é preciso investigar também seu chefe, Dallagnol

Talis Andrade

www.brasil247.com - O outdoor, Dallagnol e Castor

 

O caso do outdoor, que envolve também crime de falsidade ideológica, parece ser apenas a ponta do iceberg de uma turma que atuava como se estivesse acima da lei

 

por Joaquim de Carvalho

Em sessão nesta quinta-feira, 27/01, o Conselho Nacional do Ministério Público manteve a demissão do procurador Diogo Castor de Mattos, integrante da extinta Lava Jato e ex-estagiário de Deltan Dallagnol.

Castor de Mattos havia apresentado embargos de declaração e, em um recurso apresentado por seus advogados durante o recesso, conseguiu do plantonista efeito suspensivo da decisão que o afastou em outubro do ano passado.

Na sessão de hoje, o relator do caso, Oswaldo D'Albuquerque, votou pelo improvimento dos embargos de declaração, no que foi acompanhado por todos os conselheiros, exceto Antonio Edílio Magalhães Teixeira, indicado pelo Ministério Público Federal para CNMP e autor da decisão que concedeu o efeito suspensivo.

Com essa decisão, o procurador-geral da República, Augusto Aras, tem por dever de ofício encaminhar a demissão de Castor de Mattos, que precisa ser homologada pelo STF.

Castor de Mattos assumiu ter sido o contratante do outdoor de autopromoção da Lava Jato instalado em Curitiba, depois que rumores sobre o caso chegou até a corregedoria do Ministério Público Federal.

O outdoor dizia: “Bem-vindo à República de Curitiba. Terra da Operação Lava Jato, a investigação que mudou o país. Aqui a lei se cumpre. 17 de março – 5 anos de Operação Lava Jato — O Brasil Agradece”.

Mensagens acessadas por Walter Delgatti Neto deram conta de que o corregedor da época, Oswaldo Barbosa, perguntou a Dallagnol se a publicidade, vetada pela Constituição, tinha sido iniciativa da força-tarefa ou de algum integrante dela.

Dallagnol negou e, quando veículos de imprensa questionaram o MPF, ele orientou a assessoria de imprensa a também negar que a autorização fosse dele ou de algum procurador da força-tarefa.

“Temos só que dizer que não é nosso e não sabemos de quem é, mas recebemos esse tipo de manifestação como sinal de carinho da sociedade ou algo assim”, escreveu.

Os rumores aumentaram, e Castor de Andrade acabou se afastando da Lava Jato, com um atestado médico assinada por um psiquiatra. Ao comunicar a saída do ex-estagiário de Dallagnol, a Lava Jato omitiu a questão do outdoor.

O corregedor também arquivou a investigação contra Castor de Mattos e a classificou como sigilosa.

O caso teria morrido se o o Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu, representado pelo Coletivo de Advogadas e Advogados pela Democracia, não insistisse junto ao MPF e ao CNMP na necessidade de investigação.

A Polícia Federal esbarrou no caso em uma investigação paralela, sobre outro tema, e descobriu que a contratação do outdoor foi feita com o uso fraudulento de dados do músico João Carlos Queiroz Barbosa, o JC Batera.

O uso indevido de dados de outra pessoa caracteriza crime de falsidade ideológica. Castor de Mattos assumiu o pagamento, mas não há no processo disciplinar que acabaria aberto no CNMP nenhuma comprovação de que ele, efetivamente, pagou pela publicidade.

Em quase três anos, por conta do foro privilegiado de Castor de Mattos, nenhuma investigação criminal foi feita.

Tânia Mandarino, do Coletivo de Advogadas e Advogados, diz que exigirá a apuração imediata do crime de falsidade ideológica. Sem o foro, Castor responderá na Justiça estadual do Paraná.

A advogada diz que há razões para suspeitar que Castor de Mattos não agiu sozinho. E é importante registrar que Deltan Dallagnol tinha no procurador uma pessoa da extrema confiança.

Em seu livro “A luta contra a corrupção — a Lava Jato e o futuro de um país marcado pela impunidade”, Dallagnol conta que o ex-estagiário foi um dos primeiros procuradores que ele indicou para compor a força-tarefa.

“Diogo, na época calouro e aprendiz na equipe, foi meu estagiário e é das pessoas mais indignadas com a impunidade dos colarinhos brancos”, escreveu (página 59).

Em outro trecho, ele atribui a uma frase de Castor de Mattos a inspiração para promover a campanha “10 Medidas” contra a corrupção". Segundo seu relato, os dois estavam fazendo compras no supermercado em 18 de setembro de 2014, quando o ex-estagiários teria dito:

“Deltan, nós poderíamos aproveitar a Lava Jato para propor mudanças no sistema.”

O que Deltan omite no livro é que Diogo Castor de Mattos também foi portador de um recado do então presidente do Podemos no Paraná, o milionário Joel Malucelli, para que ele entrasse na política.

Conforme as mensagens acessadas por Delgatti, Malucelli encontrou Castor de Mattos em um clube de elite do Paraná, quando então conversaram sobre a popularidade do então coordenador da Lava Jato e a possibilidade de disputar uma vaga no Senado pelo Podemos.

Poupado pela Lava Jato, Malucelli foi investigado pelo Ministério Público do Paraná por corrupção e acabaria fazendo acordo de delação.

Dallagnol refletiu sobre o convite e, em gravações registradas para si mesmo no Telegram, avaliou que a candidatura só seria viável se houvesse procuradores candidatos a deputado em outros Estados. Acabou adiando o projeto da própria candidatura para 2022.

A relação de Dallagnol com Castor de Mattos também passou por manobras que garantissem ao irmão do ex-estagiário continuar promovendo acordos de delação premiada na Lava Jato, que renderam cifras milionárias para o escritório da família.

Dallagnol orientou Castor a não atuar no caso da Toshiba e a assinar peças sempre com outros integrantes da força-tarefa.

A relação entre os dois também pode ser vista na evolução patrimonial de Deltan Dallagnol. 

Um dos dois apartamentos de um andar que ele tem no prédio de luxo do Juvevê, em Curitiba, pertencia ao tio de Castor de Mattos, ex-secretário de Estado no Paraná em vários governos, inclusive o de Álvaro Dias.

Com uma relação tão próxima como esta, é razoável mesmo suspeitar que dificilmente Castor de Mattos teria a iniciativa de fazer publicidade da Lava Jato sem o conhecimento daquele que chama de "professor".

Portanto, no caso do outdoor, é preciso investigar também Deltan Dallagnol. Como ele mesmo diz em seu livro, é necessário mudar a história de “um país marcado pela impunidade”.

 

Mil vezes mais fácil deixar milhares de brasileiros inocentes apodrecerem na cadeia do que (não digo prender) demitir um procurador corrupto, um magistrado incompetente, parcial, suspeito. A maior penalidade que um juiz pode sofrer é a anistia antecipada para todos os crimes, e o prêmio de uma aposentadoria precoce

 

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Capa do jornal Folha de S.Paulo 27/01/2022Capa do jornal O Globo 27/01/2022

Capa do jornal Jornal Daqui 27/01/2022

Capa da revista ISTOÉ 21/01/2022

Capa da revista Veja 21/01/2022

23
Jan22

Por que as empresas que a Lava Jato quebrou escolheram a A&M que contratou Moro?

Talis Andrade

 

 

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Reinaldo Azevedo no Twitter
 
Reinaldo Azevedo
Fui o 1° a cobrar q relações entre Moro e Alvarez & Marsal fossem investigadas. No vídeo, expliquei tudo. VAMOS LÁ, MILÍCIAS MORISTAS! COMECEM A PASSAR PANO! Reinaldo Azevedo: Contrato de Moro tem de ser investigado, com quebra de sigilo
[É histórico. Reilnaldo foi o primeiro a denunciar que o ex-ministro Sergio Moro irá assumir o cargo de diretor da empresa americana Alvarez & Marsal. "Ele vai atuar na área de 'Disputas e Investigações', que atende à Odebrecht, grupo investigado na Lava Jato". Reinaldo Azevedo pontua que o anúncio mostra o caráter "amoral e antiético" do ex-juiz e propõe um questionamento: será razoável que aquele que beneficiou a empreiteira através do acordo de leniência agora receba somas milionárias dessa mesma empresa?]

Q espetáculo! TCU retirou sigilo das peças relativas à contratação de Moro pela Alvarez & Marsal. Empresas q caíram nas malhas da Lava Jato (Obrebrecht, Galvão, Enseada e OAS) pagaram R$ 42,5 milhões à empresa q contratou Moro em processos de recuperação judicial. Moro e A&M se negam a dizer valores da transação entre eles alegando tratar-se de contrato entre privados. Entre privados? Tudo isso nasce de questões de natureza pública, como pública era a função de Moro. P q empresas q a LJ quebrou escolheram a A&M, q contratou Moro?
 

Reinaldo Azevedo volta com o O É da Coisa, na BandNews FM, amanhã. Volta das férias. Reinaldo disse no Twitter:
Quem conhece a VAZA JATO ñ se surpreende c/ a grana q Detan recebeu. Eis reportagem do The Intercept s/ o modo como ele lucrava c/ palestras. Combinou até de abrir empresa de eventos em nome da mulher. Ainda q ñ o tenha feito, lucrou muito.
Deltan, candidato a deputado e presidente do Podemos-PR, recebeu R$ 191 mil só em férias atrasadas ao se desligar do MPF? O país precisa de uma nova moralidade. Contem com a vanguarda do Podemos — partido de Alvaro Dias, o Alicate da retaguarda — para mudar o Brasil.
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A q abismo chegamos! A piadinha é grotesca, claro! Zambelli achou q precisava ser + explícita. Bolsonaro percebe q ela quebra o tempo da sua comédia e manda q cale a boca. A afilhada de Sergio Moro (ele foi padrinho de seu casamento) cala. Encontro de gigantes.
Patada: Bolsonaro fazia uma piada sobre João Doria quando Zambelli decidiu entrosar junto. O presidente então se dirigiu a ela: "fica quieta, fica quieta aí".

Aguardam-se, ansiosamente, os respectivos pronunciamentos das patriotas Carla Zambelli e Janaína Paschoal sobre o sofrimento de “conservadores” como Ernesto Araújo e Abraham Van Trouble.

Mais rififi na extrema-loucura. Dudu Bananinha apela a Mário Frias para endossar ataque aos Irmãos Weintraub, que já apelidei de Van Trouble. Abraham, um “conservador” à moda Ernesto Araújo, esperava ter apoio do Bozo p/ disputar o gov. de SP. Loucura tem limite até p/ o ogro…Image
21
Jan22

Zero Zero, amigo de Bolsonaro, cola nele a pecha de corrupto

Talis Andrade

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A intenção de Waldir Ferraz, o Zero Zero, era livrar a cara do presidente e dos seus filhos Flávio e Carlos no caso das rachadinhas

 
 
 

Deu errado, e se tudo foi combinado com Bolsonaro, aí é que não dá para entender. Waldir Ferraz, de apelido Jacaré, é amigo do presidente desde que os dois serviam o Exército.

À Veja que começou a circular, Ferraz, assíduo frequentador do Palácio do Planalto, que troca mensagens diárias por celular com Bolsonaro, contou que ele se meteu numa enrascada sem saída.

Segundo Ferraz, Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher de Bolsonaro, mãe do seu filho Jair Renan, foi quem montou o esquema da rachadinha nos gabinetes de Flávio, Carlos e do próprio Bolsonaro.

À época, Bolsonaro era deputado federal. Diz Ferraz que Bolsonaro escalou Ana Cristina para cuidar dos três gabinetes – o de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio, o de Carlos na Câmara Municipal.

Diz que nem Bolsonaro nem os filhos sabiam que Ana Cristina recolhia parte dos salários dos funcionários, ficando com o dinheiro. Só souberam depois que Bolsonaro se elegeu presidente.

Ocorre que Bolsonaro, Flávio e Carlos assinaram as contratações, dispensas e os reajustes salariais dos funcionários. Logo, são responsáveis por desvio de dinheiro público, crime de peculato.

Ferraz com a palavra:Waldir Ferraz e Bolsonaro

“Quem assinava era ele [Bolsonaro]. Ele vai dizer que não sabe? É batom na cueca. Como é que você vai explicar? Ele está administrando. Não tem muito o que fazer.”

“Acho que ele vai ter problema se não for reeleito. Vai tudo cair, vai perder o foro privilegiado e tal.”

Duas vezes condecorado por Bolsonaro, Ferraz acusa Ana Cristina de chantagear o presidente pedindo-lhe dinheiro e outros favores em troca de não revelar o que sabe. Ana nega.

Veja gravou a conversa com Ferraz que, pelo jeito, não sabia que estava sendo gravado. Bolsonaro e os filhos Flávio e Carlos jamais se livrarão da pecha de políticos corruptos.

 

22
Out21

Rachadinhas: Ex-funcionário diz que Bolsonaro sabia de corrupção dos filhos

Talis Andrade

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Marcelo Luiz Nogueira dos Santos afirmou à Justiça que presidente tirou o comando das mãos da sua então esposa e passou para Flávio e Carlos quando descobriu estar sendo traído por ela

 
 
por Carolina Fortes /Revista Forum
 

Ex-funcionário da família Bolsonaro, Marcelo Luiz Nogueira dos Santos disse em depoimento ao Ministério Público do Trabalho no Distrito Federal que o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) sabia dos esquemas de corrupção de seus filhos Flávio e Carlos Bolsonaro em seus gabinetes na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados do Rio de Janeiro.

Segundo informações da coluna de Guilherme Amado, do Metrópoles, Marcelo Luiz contou que Bolsonaro tirou o comando das mãos de sua então esposa, a advogada Ana Cristina Siqueira Valle, e passou para os filhos quando descobriu estar sendo traído por ela.

O ex-empregado atuou na campanha de 2002 de Flávio para deputado estadual e, entre 2003 e 2007, foi lotado no gabinete de Flávio na Alerj. Em entrevista exclusiva à coluna, ele afirmou que, todos os meses, sacava 80% do seu salário e entregava o dinheiro em espécie nas mãos da ex-esposa do presidente – com o conhecimento dele.

Todos os assessores de Flávio, de acordo com o ex-empregado, faziam o mesmo, bem como os de Carlos. Ele trabalhou por quase 14 anos para o filho 01 do presidente e pediu demissão no mês passado, por não receber o salário que havia pedido.

Marcelo confessou ter devolvido 80% de tudo o que recebeu no gabinete de Flávio nos quase quatro anos em que foi seu servidor: cerca de R$ 340 mil no total.

A acusação foi encaminhada ao Ministério Público Federal e ao Ministério Público do Rio de Janeiro, onde Flávio foi denunciado por organização criminosa, lavagem de dinheiro e peculato (roubo praticado por funcionário público).

Carlos Bolsonaro também é investigado pela prática de “rachadinha” e pela nomeação de funcionários fantasmas em seu gabinete.

 
09
Out21

"Nada está tão ruim que não possa piorar", Bolsonaro

Talis Andrade

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Juliana Dal Piva no Twitter
 
 
Hoje foi um grande dia para 2 ministros brasileiros. Damares ( "DH"): "A gente tem que decidir, a prioridade é a vacina ou é o absorvente?" Queiroga (Saúde): “Eu vou fazer uma lei obrigando as pessoas a usar preservativo? Imagina.”Image
O senador Marcos Rogério faz longa defesa de que foi o gov federal que comprou as vacinas. Só esqueceu, por ex, que o governo pediu SÓ 10% das doses ao consórcio Covax. Eles pretendiam vacinar apenas a pop do grupo de risco. Nem vou falar da Pfizer...
Sobrinho de Bolsonaro falou que ia matar, diz homem que evitou feminicídio. Em entrevista para a coluna, ele falou das agressões. Nos processos, as mulheres relatam intimidação com armas, tiro, agressões, afogamento e vítimas arrastadas pelos cabelos.
O empresário Orestes Bolsonaro Campos, 39 anos, responde a dois processos na Justiça de São Paulo por episódios violentos contra mulheres com quem ele se relacionou e um companheiro de uma delas. Sobrinho do presidente Jair Bolsonaro, ele é conhecido como "Orestinho" e se tornou réu em um caso de lesão corporal e em outro por "homicídio qualificado tentado - feminicídio".Image
"Nada está tão ruim que não possa piorar". Bolsonaro, Jair.
Preciso concordar.
Este ano, depois de muito falar das investigações dela, decidi fazer um perfil da Ana Cristina. Vida e obra. 
A advogada Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro - Marcel Lisboa/UOL
A advogada Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro
 
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Gravações inéditas apontam o envolvimento direto de Jair Bolsonaro
em esquema ilegal de entrega de salários de assessores quando era deputado federal. É a 1ª vez que um ex-funcionário aponta a relação direta dele.

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04
Out21

Os mil dias de Bolsonaro presidente. Não há o que comemorar

Talis Andrade

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por Ricardo Noblat

Celebrar o quê hoje? Se vivo fosse, os 100 anos que completaria Carlos Zéfiro, autor de livretos com desenhos eróticos chamados de catecismos e que marcaram o despertar sexual de adolescentes entre os anos 1940 e 1980? Ou os 1.000 dias de desgoverno de Jair Bolsonaro, o pior presidente da história do Brasil?

Zéfiro era do bem, como podem testemunhar os que desfrutaram de sua arte. Bolsonaro, do mal, como admitem 59% dos brasileiros ouvidos pela mais recente pesquisa Datafolha que disseram que de jeito nenhum votarão nele nas próximas eleições. Que Zéfiro descanse em paz! Que Bolsonaro não tenha descanso!

Foram 1.000 dias com pelo menos três crises por mês, segundo o jornal O Globo. No 48º dia, 30% dos entrevistados pelo Datafolha avaliaram que seu governo era péssimo ou ruim. Há 10 dias, eram 53%. A Câmara dos Deputados coleciona 132 pedidos de impeachment contra ele, e em breve receberá mais.

A cada 52 dias, um ministro foi demitido ou pediu demissão. Um deles, Ricardo Salles, cunhou a frase “passar a boiada” quando aconselhou Bolsonaro a aproveitar a pandemia para revogar leis de proteção ao meio ambiente. Sob a pressão do governo americano, Salles saiu do governo por meter-se com contrabando de madeira.

Outro, Abraham Weintraub, da Educação, referiu-se aos ministros do Supremo Tribunal Federal como “vagabundos” que deveriam ser presos. Perdeu o emprego, evadiu-se do país e ganhou como prêmio de consolação uma diretoria do Banco Mundial, em Washington, com direito a salário pago em dólar.

Em um ano de pandemia, o governo trocou quatro vezes de ministro da Saúde. O terceiro, o general Eduardo Pazuello, tornou-se famoso com a frase exemplar: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Seu sucessor, o médico Marcelo Queiroga, por dar o dedo em Nova Iorque e levar o vírus para as Nações Unidas.

Ao se eleger, Bolsonaro prometeu “destruir o sistema” para pôr outro em seu lugar. O sistema venceu e está à procura de um presidente para pôr no lugar dele. O que Bolsonaro conseguiu foi destruir o combate à corrupção e contribuir para a morte de quase 600 mil pessoas ao dar passe livre à Covid-19,

Nunca antes um presidente da República participou de manifestações de rua em que seus devotos cobrassem o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal – Bolsonaro estrelou duas delas, uma à porta do Quartel-General do Exército em Brasília, a outra no 7 de Setembro na Avenida Paulista.

Brigou com o presidente da França, chamando sua mulher de feia; deslocou tropas para a fronteira com a Venezuela, mas só um caminhão a atravessou; declarou seu apoio a candidatos a presidente derrotados na Argentina e nos Estados Unidos; insultou a China, o maior parceiro comercial do Brasil no mundo.

Onde já se viu um presidente ser incapaz de não conquistar o partido pelo qual se elegeu e simplesmente abandoná-lo? Anunciar a criação de um partido para chamar de seu e não conseguir? E a 12 meses da eleição, estar sem partido porque muitos querem vê-lo pelas costas? Mas isso é nada se comparado com seu legado.

O voto impresso foi para o lixo. A inflação, antes sob controle, disparou. O número de desempregados aumentou de 13,3 milhões para 14 milhões, e ele não tem uma só grande obra para mostrar. Viajará nesta semana à Bahia para inaugurar com pompa e muito barulho 10 quilômetros de uma estrada asfaltada.

Ganhou uma vizinha incômoda em Brasília – sua ex-mulher Ana Cristina do Valle, nitroglicerina pura, um arquivo vivo que o derrubaria se resolvesse falar. Bolsonaro está agora às voltas com três filhos zero investigados por corrupção. Agradeça a Deus porque o quarto zero ainda está em fase de testes.

De saúde, não vai bem. Imaginou que daria uma boa notícia ao país quando afirmou no último fim de semana que não haverá golpe. Só não haverá porque o Exército, que batizou de seu, não parece tão empolgado com a ideia de jogar fora das quatro linhas da Constituição em socorro a um presidente sem futuro.

Para este blog, não será surpresa se Bolsonaro, mais à frente, desistir de concorrer à reeleição. Está aí uma boa notícia que certamente seria comemorada.

21
Set21

Senador pede convocação de filho de Bolsonaro após menção à CPI em vídeo com armas

Talis Andrade

Jair Renan, filho do presidente Jair Bolsonaro, faz menção à CPI em vídeo com armas publicado em suas redes sociais. — Foto: Reprodução/Redes Sociais

 

por Gustavo Garcia /G1

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O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) apresentou nesta segunda-feira (20) um pedido de convocação à CPI da Covid do filho 04 do presidente Jair Bolsonaro, Jair Renan.

O requerimento foi apresentado depois que Jair Renan postou um vídeo temporário em uma rede social no qual aparecem armas e a legenda "Aloooo CPI kkkkk". Na gravação, o filho de Bolsonaro afirma estar em uma loja de armas de propriedade de um amigo.Empresa contratada pelo governo atua de graça para Renan Bolsonaro, diz  jornal | Tribuna Online

Para Alessandro Vieira, as imagens acompanhadas da menção à CPI representam "ameaças" ao colegiado. O parlamentar também diz que o comparecimento de Jair Renan é necessário para que seja esclarecida a relação do filho do presidente com o lobista Marconny Ribeiro, já ouvido pela comissão.

"Para que seja possível esclarecer os vínculos que mantém com o lobista Marconny Nunes Ribeiro Albernaz de Faria, bem como para justificar as ameaças feitas a esta CPI através de vídeo em loja de armamentos, faz-se necessária a convocação do senhor Jair Renan Bolsonaro", afirma Vieira no requerimento.

Para Jair Renan ser convocado, o pedido do senador precisa ser aprovado pela CPI. Nesta terça-feira (21), o colegiado se reúne, mas não há previsão de votação de requerimentos.

O vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), manifestou apoio ao pedido formulado por Alessandro Vieira.

"Precisamos aprovar esse requerimento urgente. Estamos ansiosos para ouvir esse 'alô' pessoalmente", disse Randolfe.

 

Relação com lobistaCharge: Formação de Quadrinhos. Por Renato Aroeira

Documentos obtidos pela comissão mostram que Jair Renan Bolsonaro, um dos filhos do presidente, abriu uma empresa de eventos com ajuda de Marconny Ribeiro.

Conversas no telefone do lobista foram copiadas, a pedido do Ministério Público Federal no Pará e enviadas à CPI, entre elas, estão mensagens trocadas com Jair Renan.

Marconny Albernaz também seria próximo a Ana Cristina Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro e mãe de Jair Renan.

05
Set21

Novas denúncias de ex-funcionário sobre esquema das ‘rachadinhas’ sacodem a família Bolsonaro

Talis Andrade

 

 

“Ela ficava com 80% do meu salário”, afirma ex-assessor de Flávio Bolsonaro, sobre a ex-mulher do presidente, Ana Cristina Valle, apontada como a comandante do esquema

 

por Marina Rossi /El País

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A família Bolsonaro voltou ao centro do noticiário brasileiro nesta semana, em um novo escândalo revelado por mais um ex-assessor do clã. Desta vez, Marcelo Luiz Nogueira de Santos, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Patriotas), e que se diz muito próximo à família, denunciou e detalhou um esquema chefiado pela advogada Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). De acordo com ele, Ana Cristina era quem comandava, nos gabinetes do então deputado estadual Flávio Bolsonaro e do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), todo o esquema das rachadinhas, que consiste em contratar funcionários fantasmas pelos gabinetes e reter tudo, ou a maior parte, de seus salários.

“Ela ficava com 80% do meu salário”, denunciou Nogueira ao portal Metrópoles. De acordo com ele, o esquema teria sido realizado ao longo de anos, e Ana Cristina ficava até mesmo com uma parcela do 13º salário, das férias e até da restituição do imposto de renda. “[Ela] tirava o proporcional que a gente recebia. O 13º, férias, essas coisas todas”, disse o ex-funcionário ao UOL. O enredo narrado por Nogueira aos jornalistas envolve detalhes pessoais da família, expõe a intimidade dos Bolsonaro e dá mais informações sobre um caso que já está nas mãos da Justiça.

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Tanto Flávio quanto Carlos Bolsonaro são alvos de inquéritos que apuram, separadamente, a contratação de funcionários fantasmas em seus gabinetes. Nesta semana, tornou-se pública a determinação da Justiça do Rio de Janeiro de quebrar os sigilos bancários e fiscal de Carlos, de Ana Cristina Valle e de outras 25 pessoas e sete empresas. O Ministério Público do Rio de Janeiro, que abriu as investigações em julho de 2019 sobre as contratações de Carlos Bolsonaro, afirma ter indícios de que vários assessores não cumpriam expediente na casa. Assim, Carlos pode se somar ao irmão, Flávio, que, em outubro do ano passado, foi denunciado por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no caso das rachadinhas.

Os filhos do presidente teriam passado a comandar eles mesmos o esquema depois que Bolsonaro pai descobriu que Ana Cristina o traía com um segurança da família. Segundo Nogueira, o presidente pediu o divórcio em 2007 e teria autorizado que Carlos e Flávio comandassem o recolhimento dos pagamentos de seus supostos funcionários.

Nogueira conta que começou a trabalhar para a família quando ingressou no gabinete de Flávio Bolsonaro. Ali, ele diz que prestou serviços de atendimento ao público e correspondências de 2003 a 2007, e depois disso acabou se tornando uma espécie de assessor direto de Ana Cristina. No total, trabalhou por 14 anos com a família, chegando até a cuidar de Jair Renan Bolsonaro, o filho mais novo do presidente. “Era sozinho, ninguém tinha tempo para ele”, disse. Ele diz não ter como provar todas as denúncias que está fazendo. Mas a proximidade com a família é atestada pelas redes sociais. Há cerca de dois meses, Jair Renan publicou uma foto no Instagram ao lado de Nogueira, para fazer uma homenagem de aniversário. Na legenda, o caçula chama Nogueira de “grande amigo” e afirma que ele “ensinou muito, especialmente a como me tornar uma pessoa boa”.

De acordo com as acusações públicas, até mesmo a mansão onde Ana Cristina vive hoje com o filho, Jair Renan, no Lago Sul, em Brasília, teria sido comprada por meio de um esquema. O imóvel estaria registrado em nome de laranjas “para evitar escândalo”, segundo ele.

O ex-funcionário é o segundo ex-assessor de Flávio Bolsonaro que denuncia o esquema de devolução de salários. Em novembro do ano passado Luiza Souza Paes confirmou ao Ministério Público do Rio de Janeiro que repassava mais de 90% do seu salário a Fabrício Queiroz. Luiza apresentou extratos bancários para comprovar que, de 2011 a 2017, repassou 160.000 reais a Queiroz. Apontado como o operador das rachadinhas, Queiroz chegou a ser preso no ano passado, mas está em liberdade desde março deste ano.

“Fiel e apaixonado”

As denúncias que recaem sobre os Bolsonaro e sua ex-mulher surgem às vésperas da manifestação do 7 de setembro, para quando o presidente convocou seus aliados para irem às ruas em seu apoio. Carolina de Paula, cientista política do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Uerj, avalia que dificilmente as declarações de Luiz Nogueira causarão algum impacto nos atos da próxima terça-feira.

Em maio, ela e outros pesquisadores realizaram um levantamento com os eleitores que votaram no presidente em 2018, para o Data Iesp. “O que vimos é que a questão das rachadinhas para o público mais fiel ao presidente, que é composto de pessoas mais velhas e associadas à religião, não cola”, afirmou. “Eles não veem as rachadinhas como uma prática de corrupção, dizem ser algo ligado à cultura brasileira e não acham que Bolsonaro é responsável pelo ato dos filhos”, explica. E é esse público que estará nas ruas no próximo dia 7, segundo ela. “Por isso, [as denúncias de agora] não vão ter impacto no 7 de setembro”, afirma. “A não ser que ocorra algo muito forte com Bolsonaro. Mas ainda assim, depende do que for, porque é um público muito fiel e apaixonado”.

Por outro lado, existe um público decepcionado com o presidente que pode ser mais impactado por essas novas denúncias. “São pessoas que votaram nele por causa do discurso da Lava Jato e agora estão arrependidas”, explica Carolina. “Dentro desse grupo, que faz críticas a Bolsonaro, embora ainda o apoie, essas novas denúncias vão repercutir, porque elas solidificam as dúvidas que eles já estavam levantando”. Pedro Estevam Serrano, professor de Direito da PUC-SP, concorda com ela. “Bolsonaro tem um discurso moralista em relação à corrupção e isso [a denúncia das rachadinhas] o desgasta diante de uma parte do eleitorado dele, que é muito cioso diante das questões de corrupção”, afirma.

No entanto, Serrano esclarece que, no âmbito jurídico, não há implicações para o presidente até o momento. “Só se houver alguma forma de participação dele no crime”, diz. “O que se pode cogitar é que ele pode ter tido o poder de interromper a conduta, ter tido ciência da conduta, e não a interrompeu, mas para isso é preciso investigar”. Para Leonardo Yarochewsky, advogado criminalista e doutor em ciências penais pela UFMG, não é por que os filhos cometem crime que os pais serão responsabilizados. “Não há uma implicação direta pelo crime praticado pelos filhos”, diz. “Agora, se Bolsonaro cometer outros crimes em decorrência disso, como, por exemplo, obstrução da justiça, ou seja, impedir que a investigação ocorra, aí sim ele pode responder por isso”.

04
Set21

Bolsonaro tirou ex do controle das “rachadinhas” após descobrir que era traído com bombeiro

Talis Andrade

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Revista Fórum - Jair Bolsonaro passou todo comando do esquema de “rachadinhas” dos gabinetes dos filhos para Flávio e Carlos, após descobrir que a sua ex-esposa advogada, a Ana Cristina Siqueira Valle, o traia com o bombeiro que fazia a escolta da família no Rio de Janeiro.

Esta é mais uma revelação é do ex-empregado, Marcelo Luiz Nogueira de Santos, à coluna de Guilherme Amado. O ex-funcionário contou também que ela foi a primeira a controlar todo o recolhimento de parte dos salários de todos os assessores parlamentares dos dois, respectivamente primeiro e segundo filho de Bolsonaro.

 

Segundo Marcelo, Bolsonaro pediu a separação porque descobriu que a ex-mulher o traía com seu segurança, o bombeiro militar Luiz Cláudio Teixeira, que fazia a escolta do clã no Rio de Janeiro.

Leia a íntegra na Revista Fórum.

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03
Set21

Após denúncias sobre clã Bolsonaro, parlamentares planejam CPMI da Rachadinha

Talis Andrade

Marcelo Nogueira dos Santos com Ana Cristina em Boate do Rio de Janeiro

 

O Metrópoles publicou novas informações sobre supostos crimes envolvendo a família do presidente da República

 
 
 
 
Em meio às denúncias envolvendo o clã Bolsonaro, publicadas com exclusividade pelo colunista Guilherme Amado, do Metrópoles, diversos parlamentares criticaram o presidente Jair Bolsonaro, e planejam criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Rachadinha para investigar os casos de corrupção envolvendo apropriação de recursos públicos.
 

Rachadinha é prática ilegal de parlamentares ficarem com parte dos salários dos assessores.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) disse que, desde julho, coleta assinaturas para criar a CPI da Rachadinha e usou um salmo muito utilizado por Bolsonaro para justificar. “Sabe aquela história do ‘conhecereis a verdade e ela vos libertará’?”, disse.

Deputados, todavia, estudam a ideia de modificar o pedido para incluir as novas denúncias envolvendo a família do presidente e transformá-la em uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). Neste caso, para ser criada, necessitaria do apoio de 171 deputados e 27 senadores.

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