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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

26
Jul22

Delegado da PF:  Carla Zambelli “marginal e bandida”

Talis Andrade

dragas para o garimpo ilegal. quem financia?.jpeg

Degradando o rio, dragando ouro

 

Ex-superintendente no Amazonas, Alexandre Saraiva afirmou que a deputada integra lista de parlamentares que apoiam ilegalidades na região

 

 
 
O delegado Alexandre Saraiva, da Polícia Federal (PF), ecoou, nesta segunda-feira (25/7), uma hashtag com pedido de prisão contra a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). O assunto é um dos comentários registrados pelo Twitter.
 

A declaração ocorre após a congressista ter ameaçado o policial sobre um possível processo judicial por ter sido incluída na lista de parlamentares que ele considera “bandidos” e “marginais” por apoiarem, segundo ele, atividades ilegais na Amazônia. Ex-superintendente da PF na região, Saraiva deu declaração, em junho, durante entrevista à GloboNews.

“Se a Carla Zambelli me processar vou colocar este fato no meu currículo Lattes, algo como: ‘Processado por Carla Zambelli por chamá-la, em programa de grande audiência, de marginal e bandida.’ O que vocês acham? #zambellinacadeia”, provocou.

Em Roraima, Amapá, Pará e Mato Grosso, garimpeiros não ficaram de quarentena e lançaram-se em nova corrida pelo ouro. Uma corrida que nunca termina. "Estas pessoas  transformarem nos transmissores do coronavírus para os 180 povos que há milênios vivem na Amazônia", diz Danicley de Aguiar. Contaminam as pessoas e os rios. Os rios com mercúrio.
 
A presença de milicianos ligados ao garimpo ilegal e o contrabando de riquezas já deveriam ser sinal de alerta para ação rápida de fiscalização. Não é o que se vê. Apenas 20% do ouro extraído vem da mineração legal.
 
Sem poder contar com fiscalização contra o desmatamento, garimpo ilegal e contrabando de riquezas, indígenas têm pedido um plano de emergência para proteger povos da floresta.
 
Pedem ESVAZIAMENTO DOS GARIMPOS com urgência. De setembro do ano passado até março deste ano de 2020, são mais de 16 mil alertas de desmatamento registrados pelo INPE.
 
Saiba mais:
"Indígenas na Amazônia denunciam aumento de garimpo ilegal durante pandemia" - Deutsche Welle Brasil, 01/04/2020: https://p.dw.com/p/3aJbh
"Grileiros, madeireiros e garimpeiros não fazem home office" - UOL, 31/03/2020: https://bit.ly/2xM906B
"Sem esperar governo, indígenas fecham estradas e expulsam garimpeiros contra coronavírus" - Folha de São Paulo, 03/04/2020:
"O que há no projeto que libera a exploração de terras indígenas", NEXO, 08/02/2020: https://bit.ly/39DxlZh
Fonte: Árvore, Ser Tecnológico
 
Nenhuma descrição de foto disponível.
21
Jul22

Presidente da Funai Marcelo Xavier acusado de genocídio em congresso de povos indígenas da América Latina e Caribe em Madri

Talis Andrade

Presidente da Funai genocida

 
 
 
Natália Bonavides 
O presidente bolsonarista da FUNAI, Marcelo Xavier, foi expulso aos gritos em evento da ONU, na cidade de Madri, na Espanha!

247 - O delegado da Polícia Federal Marcelo Xavier, presidente da Funai, foi expulso nesta quinta-feira (21) do III Encontro de Altas Autoridades da Ibero-América com Povos Indígenas, que acontece em Madri, após ato de protesto de Ricardo Rao, ex-funcionário da Funai, que o acusou de ser o responsável pelo genocídio dos povos indígenas e do indigenista Bruno Pereira. 

Logo após a denúncia do ativista, Xavier se retirou da sala e uma mulher gritou “fora Bolsonaro”. 

Xavier é acusado por ativistas de seguir a cartilha de Jair Bolsonaro e promover um desmonte e aparelhamento no órgão, acobertando garimpeiros e deixando vulneráveis povos originários e o meio-ambiente. 

Yahoo! - O momento foi gravado e, nas imagens, é possível ver Ricardo Rao, ex-funcionário da Funai, denunciando a presença de Marcelo Xavier. Rao afirmava que o presidente da instituição não tinha porque estar ali. Em seguida, Xavier deixa o local do evento.

“Ele não é digno de estar com vocês e o Itamaraty é uma vergonha”, disse Ricardo Rao sobre Xavier e sobre o Ministério de Relações Exteriores do Brasil.

“Marcelo Xavier é um miliciano. Esse homem é responsável pela morte de Bruno Pereira e Dom Phillips”, afirmou o ex-funcionário da Funai, em referência aos assassinatos do indigenista e do jornalista, em 5 de junho, no Vale do Javari.

O evento do qual Marcelo Xavier participava era o Filac, o Fundo de Desenvolvimento dos Povos Indígenas da América Latina e o Caribe. Na gravação, não fica claro se Xavier volta para sala após o ocorrido.

Segundo o portal Uol, Ricardo Rao entrou na Funai em 2010, no mesmo período que Bruno Pereira, e deixou o Brasil após sofrer uma série de ameaças.

“A milícia controla hoje a Funai. Sempre recebemos ameaças. O Bruno recebeu, eu recebi, e até minha mãe recebeu. Agora, a diferença é que as ameaças se cumprem. Quem faz a ameaça acha que pode matar. Afinal, o Bolsonaro falou, não é?” declarou Rao ao Uol.Hoje tem atos contra o genocídio indígena por todo o Brasil - O Cafezinho

George Marques 
@GeorgMarques
Fora do Brasil eles não enganam ninguém. Em Madri, o presidente da Funai, Marcelo Xavier, foi expulso aos gritos de Fora milicianoPovos indígenas denunciam Bolsonaro por genocídio no Tribunal de Haia

 

O presidente da Funai, Marcelo Xavier mantem a incoerência típica de ministérios e órgãos do atual governo federal. Sua atuação, alinhadíssima ao discurso de Bolsonaro, não só nega o direito às demarcações, como também, persegue indígenas. A Folha de SP teve acesso a três solicitações feitas por ele à Polícia Federal e uma direcionada à Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Em 2020 ele apresentou uma notícia-crime contra a liderança indígena Almir Suruí. Xavier o acusava de estelionato e difamação, porque Almir fez uma campanha com objetivo de arrecadar contribuições para distribuir mantimentos às famílias dos Paiter Suruí, na pandemia.

Xavier considerou que Almir estava manipulando informações e que a sua campanha, na sua opinião, poderia prejudicar a imagem da Funai. Mas a Justiça Federal não viu provas e nem indícios de qualquer tipo de crime. Não satisfeito, solicitou à Abin o monitoramento do povo Paiter Suruí, por achar que foram divulgados dados inverídicos em relação ao enfrentamento da pandemia.

O presidente da Funai também apresentou uma notícia-crime à PF contra a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), em 2020. Ele ficou incomodado com a série de vídeos “Agora é a vez do maracá” e acusou os indígenas de calúnia e estelionato por que a produção estaria culpando o governo Bolsonaro por genocídio. A liderança indígena, Sonia Guajajara chegou a ser convocada para prestar depoimento. A Justiça Federal encerrou o inquérito.

A Folha indica que ele também já solicitou a abertura de um inquérito da PF contra o procurador Ciro de Lopes e Barbuda, por ele ter elaborado um parecer jurídico a favor dos indígenas. O procurador vinculado à Advocacia-Geral da União atua na Funai.

Tendo conhecimento da iniciativa o Ministério Público Federal reagiu, apontando crime de constrangimento ilegal e então, pediu à Justiça Federal o arquivamento do caso.

Segundo a reportagem, a Funai foi contatada para comentar as solicitações de Xavier contra indígenas e o defensor, mas não houve resposta.

Desde o início de sua gestão, lideranças indígenas relatam dificuldade de interlocução com Xavier. O assassinato do indigenista Bruno Pereira – crítico da administração e do jornalista Dom Phillips trouxeram ainda mais foco para a incompetência de Xavier. Servidores da Funai anunciaram que entrarão em greve. Uma das reivindicações é que Xavier deixe o cargo. Há três anos com presidente da Funai – antes, atuava como delegado da Polícia Federal – costuma receber elogios das bancadas ruralista e da bala por postura e discurso a favor da exploração de minérios em terras indígenas, por exemplo. Leia mais

Para as entidades é preciso dar uma resposta contundente – e urgente – aos ataques que mostram a tática a ser usada no período eleitoral deste ano pelo presidente e seus apoiadores.
E o Aras, ein?
Image
Central Eleitoral
@CentralEleicoes
Gilmar Mendes sobre urnas eletrônicas: "Até numa conversa com ele [Bolsonaro], brinquei, dizendo que tinha vontade de acreditar na fraude das urnas, porque, quando via nomes como Hélio Negão, Bia Kicis, ou coisas assim, pensava, poxa. Mas sei que eles foram eleitos".
 A bolsonarista Bia Kicis recebe, no Congresso Nacional, a líder nazista Beatrix von Storch, neta de ex-ministro de Hitler
A grande família Bolsonaro: candidato ganha "parentes" nas eleições
Fica a pergunta: Hélio Negão vai usar o sobrenome Bolsonaro nas eleições deste ano? Tudo indica que não... 
11
Jul22

Quem mandou matar pode ser a personalidade que demitiu Bruno Pereira da Funai

Talis Andrade

O Brasil deixa morrer seus defensores! - Fenasps

 

Polícia Federal anunciou que não teve mandante os assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips. 

Primeiro a PF devia investigar que poderosa e odienta figura pediu o afastamento ou a demissão de Bruno Pereira da Funai. 

Quem pede a cabeça de um funcionário por vingança pode muito facilmente contratar um pistoleiro de aluguel no abandonado Vale do Javari sem lei, onde impera o mando dos traficantes de coca, de armas, de ouro principalmente, e de madeira nobre, de pedras preciosas e de minérios. 

Quem mandou demitir ou afastar Bruno Pereira do serviço público? O presidente da República, o ministro da Justiça e Segurança Pública, o ministro do Meio Ambiente, o presidente da Funai?

A Polícia Federal tem a resposta. 

 

Indigenista foi demitido da Funai após denunciar garimpeiros

 

Escreve Ana Mendonça, in Estado de Minas:

O indigenista Bruno Araújo foi exonerado da Fundação Nacional do Índio (Funai) depois de coordenar uma operação que expulsou centenas de garimpeiros da terra indígena Yanomami, em Roraima.

Segundo a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), onde Bruno trabalhou depois da exoneração, ele foi demitido do cargo sem qualquer tipo de justificativa interna.

Bruno era o responsável pela Coordenação Geral de Indígenas Isolados e de Recente Contato (CGIIRC) da Funai até outubro de 2019.

O caso aconteceu depois da eleição do presidente Jair Bolsonaro (PL). Em seguida, o delegado da Polícia Federal Marcelo Xavier Silva assumiu a presidência da fundação, apoiado pela bancada ruralista.
 
A exoneração foi assinada pelo então secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública Luiz Pontel. No lugar de Pereira, o missionário evangélico Ricardo Lopes Dias foi nomeado e ficou apenas nove meses na posição.

Depois de ser afastado do cargo, Bruno assumiu uma função na Univaja, onde ele seguiu fiscalizando a região, que é constantemente atacada por garimpeiros, madeireiros e pescadores, ao lado dos indígenas.
O FISCAL do IBAMA
@fiscaldoibama
Ontem o fantástico mostrou q uma QUADRILHA de GARIMPEIROS movimentou R$ 16 BILHÕES desde 2019. Nesse FIO mostrarei que governo federal, municipal, o legislativo e as forças armadas AJUDARAM a quadrilha, desmobilizando a fiscalização ambiental e ficando do lado dos BANDIDOS 
Image
10
Jul22

Réquiem para um presidente em acelerado processo de decomposição

Talis Andrade

Policiais federais carregam o caixão com os restos mortais do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, encontrados ontem na Amazônia

 

Bolsonaro chegou ao fim e não se conforma

 
 
Foi como se nada tivesse acontecido, além de um crime banal. Mas se fosse banal, se não tivesse alcançado repercussão planetária, o governo não teria escalado a Polícia Federal, o Exército e a Marinha para esclarecê-lo e achar os corpos martirizados do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips.
 

Dois homens foram presos e confessaram o crime. Um deles disse que foi torturado para confessar e depois apontou o local da cova. Um terceiro, procurado, entregou-se. Restos dos corpos foram encontrados e ainda estão sendo examinados. Bruno foi morto com quatro tiros de rifle de caça, Dom com um.

O crime não teve mandantes, apressou-se a dizer a Polícia Federal. Como? O crime não teve mandantes, concluiu a Polícia Federal antes mesmo do enterro do que sobrou de Bruno e Dom. Sabe-se da eficiência da Polícia Federal, mas sabe-se também que ela hoje está sob o estrito controle do governo Bolsonaro.

Não era para estar. A Polícia Federal é órgão de Estado, não de governo. Não deve satisfações ao presidente, mas ao Poder Judiciário. Pelo menos era assim até a ascensão do ex-capitão que o Exército vomitou das suas fileiras por indisciplina e má conduta. Ele planejou atentados à bomba a quartéis e foi garimpeiro.

Quando ministro da Justiça, o ex-juiz Sergio Moro resistiu à intervenção de Bolsonaro na Polícia Federal. Seus sucessores, porém, conformaram-se. Bolsonaro ignora regras e leis. Elas existem para ser desrespeitadas. E ele faz questão de demonstrar isso ao negar-se, por exemplo, a usar capacete para pilotar motos.

A Amazônia, um dia, já foi nossa. Ou pensávamos que fosse. Hoje, é do crime organizado, nacional ou transnacional, dos contrabandistas de madeira e de outras riquezas, dos garimpeiros e dos caçadores ilegais, e dos que a desmatam para que a pecuária avance sobre as reservas indígenas. Bolsonaro está nem aí.

O Estado Criminoso e Abandonado da Amazônia (ECAA) está repleto de bandidos, e crer-se que nenhum poderoso chefão, que nenhuma das organizações à margem das leis que por lá atua não possa ter encomendado a morte de Bruno e Dom, é tudo menos imperícia da parte da Polícia Federal. É cumplicidade.

Bolsonaristas sempre traem suas verdadeiras intenções. Foram às redes sociais no fim de semana tirar partido da comoção provocada pelo duplo assassinato. Compararam a investigação do caso com a da facada em seu líder em setembro de 2018. E postaram barbaridades do tipo:

“Os mandantes dessas mortes vocês querem saber, mas quem mandou Adélio Bispo dar a facada, não.”

“Se revelarem os mandantes desses dois, também quero o mandante do atentado ao presidente.”

“A indignação de vocês é hipócrita, porque não se indignaram com o crime não resolvido contra o presidente?”.

Procedem assim não porque sejam idiotas, mas porque estão a serviço da desinformação. Bolsonaro sobreviveu à facada, segundo ele, graças a Deus – Bruno e Dom não escaparam aos tiros. Por três vezes, depois de anos de investigação, a Polícia Federal concluiu que Adélio agiu sozinho. E daí?

A facada catapultou Bolsonaro na preferência dos eleitores há quatro anos. Ele conta com a lembrança da facada para não perder pontos entre seus fanáticos seguidores. Quanto mais se discutir o que fez o seu governo até aqui, menores serão as chances de se reeleger. Portanto, assuntos incômodos devem ser logo sepultados.

Para tal, é necessário desviar a atenção coletiva do que de fato importa. A Petrobras faz mais um reajuste no preço dos combustíveis? Pau nela. CPI para investigá-la, prega Bolsonaro, fingindo que nada tem a ver. O governo é o maior acionista da Petrobras, depende dos seus lucros para ter dinheiro.

Bolsonaro não mudou a política de preços da Petrobras porque não quis ou não teve coragem. Tenta justificar seu fracasso como governante culpando a empresa, a Justiça, a oposição, a mídia e o que mais lhe parecer conveniente. Voltou a repetir em Manaus que não cometeu um só erro durante a pandemia.

É useiro e vezeiro em atirar no próprio pé. Arrisca-se qualquer dia a atirar no próprio peito.

Com censura e cerco à arte, Bolsonaro repete ditadura que temia a cultura

Lenio Luiz Streck
@LenioStreck
Para Bolsonaro, a culpa é “desse inglês”! Pronto! Eis a fala presidencial! E Mourão, presidente da conselho da Amazônia, está em campanha para o senado. Usando a máquina pública. O Brasil não é para amadores. É para militares.
 
 
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Ficheiro:Idi Amin caricature2.jpg – Wikipédia, a enciclopédia livre
Idi Amin e suas medalhas de ditador
General Idi Amin – A Self Portrait (1974) – Bobby's Pakoras & Reviews
TRIBUNA DA INTERNET
Mostra de charges sobre Bolsonaro retirada da Câmara de Porto Alegre será  exposta de modo itinerante | Rio Grande do Sul | G1
O entreguismo fardado do regime Bolsonaro
Charge - Angelo Rigon
 

18
Jun22

Última operação de Bruno enfureceu garimpo e fez Funai travar grandes ações

Talis Andrade

Operação em 2019 desmantelou garimpo e destrói 60 balsas no Vale do Javari - FunaiOperação em 2019 desmantelou garimpo e destrói 60 balsas no Vale do Javari. Última ação da Funai para proteger os povos isolados na imensidão e abandono do Vale do Javari. A última missão de Bruno Araújo que lhe custou o emprego na Funai e a vida

 

por Carlos Madeiro /UOL

- - -

Em 13 de setembro de 2019, quando ainda era coordenador-geral de Índios Isolados e de Recente Contato da Funai (Fundação Nacional do Índio), Bruno Araújo Pereira coordenou uma megaoperação no sudoeste do Amazonas que resultou em perdas consideráveis para o garimpo ilegal.

Quinze dias depois, Bruno foi demitido do cargo de coordenador geral. A operação foi um divisor de águas na mudança de rumo da política da Funai. O órgão não realizou mais nenhuma grande ação na região, que sofre também com invasões de caçadores e pescadores ilegais, além de madeireiros e até narcotraficantes.

 

Ação e reação

 

A operação Korubo reuniu cerca de 60 agentes da Funai, Polícia Federal e Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e enfraqueceu o garimpo na área com a destruição de 60 balsas que atuavam ilegalmente no rio Jandiatuba. A área fica dentro da Terra Indígena Vale do Javari, onde vivem 19 povos indígenas isolados —o nome Korubo faz referência a um destes povos.

Depois da operação, os garimpeiros aumentaram a pressão sobre a Funai, articulando um lobby pela demissão de servidores que estavam comandando ações desse porte na Amazônia —o que incluía Bruno e servidores de outro órgãos, como Ibama e ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).

O UOL perguntou à Funai se a demissão de Bruno foi motivada pela operação, mas o órgão não respondeu. Apenas alegou que "os cargos em comissão e as funções de confiança são de livre nomeação e exoneração por parte do gestor".

Segundo entidades da região, Bruno foi exonerado do cargo de coordenador-geral por perseguição, justamente por ter atuado pela proteção ao Vale do Javari. Após deixar a função, ele reassumiu o cargo efetivo de agente de indigenismo. Ao perceber que a Funai não iria mais atuar na defesa dos indígenas da região, ele pediu licença sem vencimentos em 29 de janeiro de 2020, para atuar na proteção de indígenas fora do órgão.

 

Garimpeiros enfurecidos

 

A coluna teve acesso a vídeos dos garimpeiros da região, que reclamaram de uma suposta truculência durante a operação Korubo e da destruição dos barcos.

"Eles estão no direito deles, mas humilharam todo mundo, colocaram todo mundo quase pelado, jogaram as coisas do outro lado do rio. Tivemos de atravessar o rio nadando", conta um dos garimpeiros que perdeu a balsa queimada pelos agentes do governo.

Em outro vídeo, garimpeiros vão até o local onde as balsas foram queimadas para conferirem a destruição. O vídeo, publicado no YouTube, é repleto de mensagens de apoio aos garimpeiros.

"Muito triste ver essa cena", diz um deles. "O Brasil tem muito a aprender", diz outro. "Sonhos queimados e esperanças resumidas a cinzas", afirma um segundo usuário. "Infelizmente esse sistema corrupto assola nosso país", comenta outra pessoa.

 

Reuniões com o governo

 

Em 16 de setembro de 2019, três dias após a operação no Javari, representantes do garimpo foram recebidos pelos então ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e do Meio Ambiente, Ricardo Salles, além de outros integrantes do governo. Um segundo encontro foi marcado para o dia 8 de outubro, com a participação do então ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas.

Uma carta obtida pela coluna prova que eles iriam se reunir e até adiaram o encontro marcado pare que Freitas participasse. A coluna não conseguiu confirmar se a reunião realmente aconteceu.

 

Carta anu - Reprodução - Reprodução

Carta anuncia encontro com integrantes do governo cinco dias antes da demissão de Bruno Imagem: Reprodução

 

O grupo era liderado por garimpeiros da região do Tapajós, no Pará, que também tiveram maquinário destruído por atividades em terras indígenas e chegaram a fechar por quatro dias a BR 163 em protesto contra a intensificação das fiscalizações na área.

Entretanto, os pedidos dos garimpeiros foram além da área e incluíram toda a Amazônia.

Hoje, um projeto que está parado na Câmara tenta liberar as atividades em terra indígena —o que é reprovado até pela entidade oficial da mineração no país.

 

Sem Bruno, sem grandes ações

 

Depois da saída de Bruno Pereira, a coordenação dosindígenas isolados foi entregue ao pastor Ricardo Lopes Dias, que tinha trabalhado em uma missão evangelizadora americana criticada por caciques do Amazonas.ricardo-20lopes-20dias.png

Pastor Ricardo Lopes Dias coordenar geral dos índios isolados, indicado pela ministra Damares, tomou o lugar de Bruno na Funai

 

Foi a partir desse momento que, segundo alegam as entidades indigenistas, o governo começou a mudar a forma de atuação na Funai. As entidades afirmam que o órgão passou a se alinhar ao discurso do presidente Jair Bolsonaro e ser permissiva à exploração de minérios na área indígena.

O MPF (Ministério Público Federal) no Amazonas, inclusive, precisou entrar com uma ação civil pública no final de 2019, cobrando o reforço às frentes etnicoambientais de proteção a isolados na região do Vale do Javari, que foram paulatinamente sendo   enfraquecidas ao longo dos últimos anos. O reforço, porém, não foi feito.

Após pedir licença da Funai, Bruno passou a atuar junto com a Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari) e a realizar, com a entidade, o trabalho de proteção da área e orientações de sustentabilidade ambiental com o povo que vive no entorno da terra.

 

Helicóptero do Ibama ajudou na operação de setembro de 2019 - Ibama - Ibama

Helicóptero do Ibama ajudou na operação de setembro de 2019 Imagem: Ibama

 

Segundo Francisco Loebens, integrante no Amazonas da equipe de apoio a povos livres do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), ligado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), a operação foi importante para mitigar a invasão de garimpeiros na TI Vale do Javari.

"A operação teve a participação ativa de Bruno na sua articulação e foi motivada sobretudo pela denúncia de um possível massacre praticado por garimpeiros contra indígenas isolados, conhecidos na região por flecheiros, que habitam essa área", afirma.

Segundo ele, a demissão causou "estranheza" porque Bruno era reconhecidamente "uma das pessoas mais qualificadas da Funai e respeitado por sua dedicação à proteção dos povos isolados".

Com a saída de Bruno, a proteção aos indígenas isolados foi reduzida, segundo Francisco e outros servidores e indigenistas ouvidos pela coluna. Um dos pontos citados é que operações como a Korubo não foram mais realizadas desde então.

Em 2019 houve, inclusive, um corte grande nos recursos para a atuação da Funai em relação aos povos indígenas isolados

Francisco Loebens, Cimi

 

Terra no Vale do Javari, alvo de diversos tipos de ataque - Funai - Funai

Terra no Vale do Javari, alvo de diversos tipos de ataque Imagem: Funai

 

Com a entrada do pastor, diz, mudou completamente a forma como a coordenação da Funai atuava na proteção de povos isolados.

"A preocupação era com a conquista espiritual dos indígenas isolados. As bases de proteção etnicoambiental da Funai passaram a atuar em precaríssimas condições. A direção da Funai passou a agir abertamente contra os direitos indígenas —perseguição, tentativas de criminalização de lideranças indígenas e de servidores do órgão indigenista que atuavam em defesa dos direitos indígenas", diz.

A partir daquele momento, o lobby a favor do garimpo só ganhou força na região. Por várias vezes, a imprensa nacional e internacional noticiou invasão de áreas, com destaque para a terra ianomami, em Roraima.

"Houve uma omissão total na demarcação e proteção dos territórios indígenas. Enfim, a Funai passou a ser a Fundação Nacional Anti-Indígena", finaliza Francisco.

18
Jun22

Bolsonaro faz motociata em Manaus do morticínio da Covid -19 dias após assassinato de Bruno e Dom na Amazônia

Talis Andrade

Imagewww.brasil247.com - Motociata na cidade de Porto Alegre.Image

 

Somente três dias após a confirmação da morte do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, assassinados na Amazônia, Jair Bolsonaro (PL) participa de uma motociata em Manaus, capital do Amazonas, neste sábado (18).

Mais uma vez o chefe do governo federal demonstra desprezo pelas duas vítimas, que se dedicavam à proteção da Amazônia e dos indígenas.

Bolsonaro não mostrou a mesma disposição para ir até Atalaia do Norte, onde as buscas por Bruno e Dom se concentravam, para prestar solidariedade, mas não poupa esforços para praticar sua motociata com apoiadores.

Motociata em Manaus do mortício, dos hospitais matadouros, das filas nos corredores da morte, dos empestados pela Covid-19 que não tiveram acesso a máscara, não tiveram acesso ao teste, não tiveram acesso aos medicamentos, não tiveram acesso a uma ambulância, não tiveram acesso a uma maca, não tiveram acesso a um leito, não tiveram acesso `a UTI, não tiveram acesso à intubação, que tiveram uma morte dolorosa, sem ar, sem cuidados paliativos, por culpa da militarização dos Ministério da Saúde, do mando de um ministro incompetente, de um general da ativa sem nenhum conhecimento para exercer o cargo. A estratégia da morte por Covid, para uma pretensa imunidade de rebanho, parecida morte, a morte animalesca, a morte sofrida pelos presos políticos, a mesma desumanidade, a mesma crueldade que os militares torturaram e executaram subversivos na Casa da Morte e na Ponta da Praia, no Rio de Janeiro da ditadura militar, que ensanguentou o Brasil durante 21 anos, de l964 a 1985. 

Manaus de alguns ensandecidos talvez órfãos da Covid, talvez viúvos da Covid, esquecidos do morticínio de Manaus foram para a motociata do Senhor da Morte, motociata igual se fez em La Paz, para festejar o golpe contra Evo Morales, para assediar mulheres indígenas que hoje, no Brasil, são estupradas, escravizadas e assinadas no Vale do Javari, invadido por madeireiros, por garimpeiros, por grileiros, por traficantes de pasta da coca, traficantes de madeira nobre, traficantes de ouro, traficantes de pedras preciosas, de plantas medicinais e outros produtos florestais na Amazônia sem lei da bancada de marginais senadores, deputados, latifundiários, milícias e guerrilheiros estrangeiros invasores do Brasil abandonado, do Brasil à venda, do Brasil Leiloado. 

Pode ser uma imagem de ao ar livre

15
Jun22

Governando à beira-mar

Talis Andrade

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Assassinatos de Bruno Pereira e Dom Philips como "rastilho de pólvora que poderá implodir o castelo de cartas marcadas"

 

por Hildegard Angel

- - -

Esse episódio gravíssimo das mortes do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, do jornal britânico The Guardian, escancara a conivência, pra não dizer parceria, do governo brasileiro com o crime organizado. Não apenas nas ilegalidades praticadas na Floresta Amazônica, sob os olhos do Comando Militar. É como um rastilho de pólvora que poderá implodir o castelo de cartas marcadas.

Cartas marcadas com A, de avião presidencial, onde foi encontrada pela polícia da Espanha uma carga de 39 quilos de cocaína. Com B, não preciso dizer de quem. Com C, do cinismo da vista grossa da mídia e das principais instituições do país.

Pulando para o F, da fakeada, caso em que a mídia insistiu em não se aprofundar, e até em ignorar investigações de colegas da mídia independente, como o vídeo incontestável do jornalista Joaquim de Carvalho, produzido pelo Brasil 247.

Chegando ao R, das Rachadinhas. Documentadas, evidenciadas, provadas, elas foram arquivadas na pasta "Vai ficar por isso mesmo", com as bênçãos da PF, da PGR, da AGU e mais todos os órgãos de investigação e controle do país, todos devidamente aparelhados.

Tem a carta marcada com Q, de queimadas, a carta com I, de invasões, a com C, P e I, de CPI da Covid, que em nada resultou, tem as cartas B, N, D, E e S, de BNDES, emprestando montanhas de dinheiro para certa empresa 17 (OneSeven) adubar com centenas de milhões shows de sertanojos.

As cartas F e N, de Fake News, o Ás que esse governo charlatão tirou da manga para dar o strike na eleição de 2018, e quer dar de novo em 2022.

Os olhos de toda a mídia, de todos os governos e povos do mundo estão neste momento fixos na Amazônia. Com o risco de, se olharem direito e ampliarem o foco, perceberem que este governo parece ter sido idealizado por um mestre do crime, com a genialidade de um Al Capone ou de um Beira-Mar, com F, de Fernandinho.

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