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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

31
Dez22

Tomando Posse

Talis Andrade
www.brasil247.com -
Ilustração Miguel Paiva

 

por Miguel Paiva

- - -

Aproveito aqui a posse do Presidente Lula, dos ministros e governadores para tomar posse também de coisas que havia perdido ou estavam proibidas e esquecidas.

Tomo posso do ar mais tranquilo, da democracia, do clima mais feliz e ameno, da alegria e da risada. Tomo posse do meu direito de ser como eu quiser, de amar quem eu quiser e me vestir como eu quiser. Tomo posse do direito de acreditar no deus que eu escolhi, na religião que eu sigo ou mesmo de não acreditar em nada ou ninguém.

Tomo posse do direito de ser gordo, magro, negro, branco, amarelo indígena ou europeu. É meu direito também pensar como eu quero, ajudar o próximo, fazer da educação meu objetivo maior, ler o que eu quiser, ouvir a música que mais eu curto naquele momento. No momento seguinte posso mudar. Tomo posse também de todas as comidas e bebidas que existem nesse país e que estejam ao meu alcance. Tomo posse do direito de matar a fome de todos, de restabelecer o amor entre as pessoas, de conviver com as diferenças, de ouvir as conversas, dar risadas, respeitar o entendimento e o trabalho coletivo.

Tomo posse da terra, da casa, do meu lugar preferido. A posse das ruas, das praças, das praias, das planícies e das montanhas, dos rios, mares, lagos e praias. Posse das riquezas que temos, do petróleo, da pecuária, das florestas, das plantas medicinais, do conhecimento dos povos originários, da tradição passada de boca em boca, dos ensinamentos, dos truques e da sabedoria. Falando em sabedoria temos que tomar posse novamente da ciência, das vacinas, da medicina, do SUS, dos médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, de todos aqueles que nos ajudaram a combater a Covid.

Tomamos também posse da nossa relação de gratidão com os professores, alunos, funcionários, escritores, artistas, atores, músicos, comediantes, cartunistas, jornalistas, pesquisadores e doutores que nos ajudaram a manter de pé não só o país mas todos aqueles que resistiram ao fascismo que ameaçou a nossa identidade e a nossa cultura estes anos todos.

Tomamos posse também do país, do Brasil, dos seus símbolos, das suas características da sua bandeira, suas cores e sua paisagem. Tomamos posse da Amazônia para que não seja mais desmatada nem queimada. Tomamos posse das riquezas deste solo- mãe gentil que nos fornece o suficiente para sermos felizes. Vamos tomar posse novamente do orgulho de ser brasileiro, da alegria de dividir o pão, de compartilhar o trabalho e olhar no rosto do outro o sorriso que gostamos de dar e ver.

Este é o Brasil que eu quero novamente e se faltou alguma coisa para tomar posse é só juntar nessa lista. Temos o direito e o dever de tomar não só posse como tomar conta deste país para que não aconteça novamente de o perdermos de vista. Viva a democracia, as eleições e o presidente Lula. E possuído deste sentimento de Brasil termino por aqui para que todos nós possamos tomar posse da cidadania que tanto nos faltou.

24
Fev19

Desprezo e indiferença também matam

Talis Andrade

desprezo.jpg

 

Até o insulto, o desprezo e a indiferença em relação ao próximo «podem matar», disse o Papa Francisco.

No âmbito do ciclo de catequeses sobre o Decálogo, o Pontífice prosseguiu a reflexão sobre o quinto mandamento, e comentando o trecho bíblico tirado do Evangelho de Mateus (5, 21-24), equiparou estas três atitudes ao ódio homicida.

Meditando em particular sobre o primeiro, com um acréscimo ao texto preparado, constatou que «nós estamos habituados a insultar. E em nós o insulto nasce espontâneo como se fosse um respiro». Mas, advertiu, «Jesus diz-nos: “Detém-te, porque o insulto faz mal, mata”». E o mesmo acontece com o desprezo, considerado «uma forma de matar a dignidade de uma pessoa». Eis porque, desejou Francisco, «seria bom se este ensinamento de Jesus entrasse na mente e no coração» de cada um.

Ciente de que «nenhum código humano equipara gestos tão diferentes, atribuindo-lhes o mesmo grau de juízo», o Papa observou que ao contrário, «coerentemente, Jesus» convida até a interromper a oferenda do sacrifício no templo, se nos recordarmos que um irmão está ofendido conosco, ir à sua procura e a reconciliar-se com ele. Por conseguinte, «também nós, quando vamos à Missa, deveríamos ter esta atitude de reconciliação com as pessoas com as quais tivemos problemas». Ao contrário, na prática «enquanto esperamos» o celebrante «bisbilhotamos um pouco e falamos mal do próximo». Mas, recomendou, «Isto não se pode fazer! Pensemos na gravidade do insulto, do desprezo, do ódio: Jesus coloca-os ao nível do assassínio». De resto, esclareceu com exemplos concretos, «para ofender a inocência de uma criança é suficiente uma frase inoportuna. Para ferir uma mulher, pode bastar um gesto de insensibilidade. Para partir o coração de um jovem, é suficiente negar-lhe a confiança. Para aniquilar um homem basta ignorá-lo. A indiferença mata. É como se disséssemos a outrem: “Para mim tu estás morto”».

Em síntese, concluiu o Papa, «não amar é o primeiro passo para matar; e não matar é o primeiro passo para amar».

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