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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

29
Jun22

Escândalos abalam campanha de Bolsonaro

Talis Andrade

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por André Cintra /Vermelho

Começou o clima de “já perdeu” na pré-campanha à reeleição do presidente Jair Bolsonaro. Quem detalha é a jornalista Malu Gaspar em sua coluna desta terça-feira (28) no jornal O Globo.

Os escândalos de corrupção no MEC – que levaram à prisão preventiva do ex-ministro Milton Ribeiro –, o mau desempenho em pesquisas e as divergências sobre estratégias eleitorais abalaram a pré-candidatura. A tudo isso se somam as más notícias da economia, como os juros cada vez mais altos, os incessantes reajustes nos combustíveis e a inflação sem controle.

Com o sugestivo título “Por que o núcleo político da campanha de Bolsonaro vive clima de derrota”, Malu Gaspar informa que o “comportamento” do presidente é, acima de tudo, a razão para o “clima de velório” que tomou conta da “chamada ‘ala política’ da campanha”.

Para melhorar as chances de Bolsonaro ao menos avançar nas pesquisas, o marqueteiro Duda Lima traçou diversas “recomendações” ao presidente, que tinha na agenda uma importante viagem ao Nordeste entre quinta-feira e o sábado. Mas, segundo aliados, Bolsonaro ignorou tudo.

“Lima fez uma apresentação propondo que Bolsonaro dedicasse todas as oportunidades que tivesse no Nordeste para fazer a defesa do Auxílio Brasil e de outras iniciativas que geraram emprego”, diz Malu Gaspar. O objetivo era “tentar virar o voto de eleitores que hoje decidiram abraçar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)”.

“O material apresentado ao presidente na quarta-feira continha uma lista de programas, junto com o que o presidente deveria dizer sobre cada um deles nos discursos. Depois de assistir a apresentação, Bolsonaro elogiou o plano e disse ter concordado com tudo”, acrescenta a colunista. “Mas, nos dias seguintes, o esperado ‘foco total no social’ virou uma sequência de falas a respeito do caso Milton Ribeiro, das suspeitas infundadas do presidente sobre as urnas eletrônicas e da guerra de bastidores com o Supremo do que de programas sociais ou de realizações do governo que acabaram deixadas de lado.”

A coluna compila depoimentos de apoiadores próximo ao presidente. “O risco de derrota só aumenta”, diz um deles. “O presidente está fazendo de tudo para perder”, irritou-se outro aliado. “No nosso planejamento, junho seria o mês da virada, mas até agora só colecionamos problemas”, emenda um “estrategista da campanha”.

Conforme o texto, “o desânimo é recíproco”, o que leva Bolsonaro a ignorar os conselhos que lhe chegam de tudo quanto é lado – o PL, o marketing da campanha, a equipe jurídica, etc. Mesmo a proposta eleitoreira e inicialmente consensual – de reajustar o Auxílio Brasil, dobrar o vale-gás e criar um voucher de R$ 1.000 para os caminhoneiros – já não empolga parte da base bolsonarista.

É por isso que uma outra jornalista, Maria Cristina Fernandes, arrisca a dizer, no Valor Econômico, que o foco de Bolsonaro, a esta altura, está mais “na contestação dos votos do que na obtenção de um resultado eleitoral favorável nas urnas”. A escolha de um general para vice seria a evidência dessa nova tática.

“Braga Netto não lhe acrescenta votos, mas garante que o Ministério da Defesa aja como operador de uma estratégia fundada na contestação do processo eleitoral e na perseguição de seus adversários”, escreve Maria Cristina. “Se o atual vice, general Hamilton Mourão, foi um seguro contratado por Bolsonaro para não ser derrubado pelo Congresso, Braga Neto cumpre outra função. A de evitar que o eleitor o derrube.”

CPI do MEC causa desespero em Bolsonaro

 
 
21
Jun22

Natália Bonavides vai ao MPF contra Nunes Marques por viagem bancada por advogado

Talis Andrade

www.brasil247.com - Natália Bonavides e Kassio Nunes Marques, ministro do STF

Natália Bonavides e Kassio Nunes Marques, ministro do STF (Foto: Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados | STF)

 

247 - A deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) informou nesta segunda-feira (20) que recorreu ao Ministério Público Federal (MPF) contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro no ano passado para a vaga de Celso de Mello. O objetivo é apurar se o magistrado usou um jatinho bancado pelo advogado Vinícius Peixoto Gonçalves e que, de acordo com a parlamentar, "patrocina causas no STF". O custo da viagem de Brasília a Paris, na França, foi de, pelo menos, R$ 250 mil.

"Essa denúncia é bastante grave. Se os indícios de que o ministro tenha recebido vantagem indevida forem confirmados, estaremos diante do cometimento de corrupção passiva. Nossa Constituição e o Conselho Nacional de Justiça vedam expressamente aos juízes receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios e contribuições de pessoas físicas. Perante a lei, receber esse tipo de presente é motivo para impeachment", afirmou a parlamentar.

"Pedimos que o Ministério Público Federal apure os fatos e, se confirmadas as hipóteses, busque a responsabilização nas esferas cível e criminal. Os representantes da justiça não podem estar acima da própria justiça e, de mesmo modo, não podem ser eximidos das responsabilizações em caso de cometimentos de crime de responsabilidade", acrescentou. 

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Nunes Marques, capacho no STF, curte Paris

 
 

 

 

 
 
 
 
20
Jun22

Mortes de Bruno e Dom repercutem no mundo

Talis Andrade

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Confirmados os bárbaros assassinatos do ambientalista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, o Brasil volta a ser destaque negativo na mídia internacional. O “capetão” Jair Bolsonaro, que já era tratado como um pária planetário, agora é visto como o responsável indireto pelas mortes na Amazônia. A imprensa mundial não vacila em responsabilizar o governo brasileiro pelo aumento da violência na região – ao contrário de parte da mídia nativa, sempre tão dócil com o fascista. 

Nesta sexta-feira (17), a tragédia teve novamente ampla cobertura, como reportagens e artigos analíticos, em inúmeros veículos – como o Financial Times, New York Time, El País e Clarín –, além das agências de notícias, como a Reuters. O prestigiado diário inglês The Guardian homenageou o seu colaborador, com foto de primeira página para Dom Phillips e um editorial incisivo cobrando do governo brasileiro uma explicação para a comunidade internacional sobre as mortes. 

Editorial do The Guardian

“No entanto, o presidente Jair Bolsonaro, ao dizer que algo ‘perverso’ aconteceu, também culpou insensivelmente os dois homens. Em contraste, os brasileiros demonstraram imensa simpatia por eles e suas famílias, entendendo que seu trabalho beneficiava os indígenas, os brasileiros como um todo e o mundo em geral. Simplesmente não era do interesse de um Estado capturado por interesses extrativistas e que despreza o Estado de Direito, criando uma cultura de impunidade para aqueles que exploram a floresta amazônica e tornando seus protetores muito mais vulneráveis”. 

Já o jornal estadunidense New York Times alertou que “os desaparecimentos são um capítulo particularmente sombrio na recente história sangrenta da Amazônia. O Sr. Phillips dedicou grande parte de sua carreira a contar histórias do conflito que devastou a floresta tropical, enquanto o Sr. Pereira passou anos tentando proteger as tribos indígenas e o meio ambiente em meio a esse conflito... Agora parece que o trabalho se tornou mortal para eles, sinalizando até onde as pessoas irão explorar ilegalmente a floresta tropical”. 

O Washington Post replicou despacho da Associated Press confirmando os bárbaros assassinatos. “Autoridades brasileiras dizem que pescador confessou ter matado um jornalista britânico e um especialista indígena na remota região amazônica do Brasil e levou a polícia a um local onde restos humanos foram recuperados”. E a agência Reuters listou as reverências aos mortos. “Grupos indígenas, ambientalistas, repórteres e familiares e amigos prestaram homenagem ao jornalista britânico Dom Phillips e ao especialista em tribos isoladas brasileiras Bruno Pereira”. 

Milhões de menções na internet

Além da repercussão na mídia tradicional, a tragédia também ocupou a internet nos últimos dias. Segundo levantamento da consultoria Quaest, o tema foi um dos principais destaques nas redes sociais. Felipe Nunes, diretor da empresa, tuitou que “o assassinato de Dom Phillips e Bruno Pereira não é um assunto apenas nacional. Desde o dia 5/6 já são mais de 18 milhões de menções nas redes em mais de 100 países. No Brasil, o assunto movimentou mais de 7 milhões de menções, nos EUA foram 1M e na Inglaterra quase 500k”. 

Com essa amplíssima repercussão, a imagem do Brasil fica ainda mais desgastada no mundo. Como aponta Jamil Chade, correspondente da Folha, diplomatas temem um “abalo sem precedentes” da reputação externa do país e preveem que acordos comerciais e de investimentos podem até ser congelados. “Para experientes diplomatas ouvidos pela coluna, a confirmação das mortes de Bruno Pereira e de Dom Phillips aprofunda um mal-estar e pode ‘sepultar’ qualquer tentativa de inserção do governo de Jair Bolsonaro no exterior”. 

Desgaste da imagem e impactos comerciais

“Dentro do Itamaraty, a ordem nos últimos dias foi a de passar a informação para agências internacionais e governos estrangeiros de que o Planalto estava comprometido na busca pelos dois homens. Mas, sem credibilidade por anos de um discurso negacionista, a palavra do Brasil está sendo recebida com desdém e desconfiança. Segundo ex-embaixadores, o caso pode ter impacto maior que o de Chico Mendes ou de Dorothy Stang... Hoje, dizem eles, a Amazônia está no centro do debate internacional e nunca, no período de democracia, o governo brasileiro foi tão criticado no exterior como agora”. 

“O caso também pode ter impactos econômicos e comerciais. No último ano, o maior fundo soberano do mundo – na Noruega – reduziu investimentos no Brasil sob a alegação de que o país vivia uma crise tanto no que se refere aos direitos humanos como em questões ambientais. Cenários feitos por diplomatas apontam que essa tendência, agora, pode aumentar. Não há confiança na palavra do Brasil de que age para defender a Amazônia, indígenas ou ativistas. Acordos comerciais já com sérias dificuldades para serem aprovados agora seriam congelados”.

Mortes de Bruno e Dom repercutem no mundo

 
 
15
Jun22

Golpe de Bolsonaro não vai esperar a derrota eleitoral

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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Impressiona a capacidade da imprensa brasileira – e, de resto, de toda a nossa pretensa elite intelectual – de tratar como “muito séria” qualquer pequena questão no “programa de governo” de Lula – por exemplo, para ficar em um só , a diferença entre “revisão” ou “revogação” da tal reforma trabalhista – e tratar quase que jocosamente a ameaça de golpe para manter Jair Bolsonaro no poder, como se isto fosse simples bravata presidencial, que esbarraria num inexpugnável Tribunal Superior Eleitoral.

Não é e também não é uma ameaça bem distante, no horizonte nebuloso de um longínquo cenário pós eleitoral, no caso provável de uma derrota do atual mandatário.

A um golpe não basta a força – e essa Bolsonaro tem, à medida em que o Exército está, de fato, sob o comando não de seus chefes formais, mas dos generais Braga Netto (bolsonarista antigo) e Paulo Sérgio Oliveira (neobolsonarista seduzido pela ascensão que experimentou com a queda do general Edson Leal Pujol, no ano passado, depois de este dizer que não queria “a política dentro dos quartéis).

Precisa, por falsas que sejam, de razões para legitimar a agressão que representa à institucionalidade democrática e à manifestação eleitoral da população.

Portanto, fazê-lo depois do pronunciamento eleitoral dos brasileiros é um risco, quase certeza, de não ser legítimo, aqui ou lá fora, porque será, por mais que se fale em “liberdade”, uma evidente negação desta, no seu ponto essencial: o de escolher seus governantes.

Esta é a fonte dos riscos de não terminarmos o processo eleitoral já no primeiro turno.

Entre os dias 2 e 30 de outubro, datas do primeiro e do segundo turnos – estão concentrados os perigos: deputados e governadores já eleitos dificilmente lutarão por mandatos que não sejam os seus; covardias se vestirão de “neutralidade” e nem-nens demonstrarão e tem um só “nem”.

O eleitor brasileiro percebe isso melhor do que os grupos políticos que se entregam a aventuras pessoais ou de grupos, com candidaturas pífias mas que, voluntária ou tolamente impedem que, desde já, se diga que o repúdio ao atual governo é tão esmagador que não se lhe dará a chance de conspirar – e não seria a primeira vez, pois fez-se o mesmo em 1950 – para, estranha expressão, recusar a vitória ao vencedor.

Não custará ao prezado leitor e à distinta leitora capacidade para imaginar o que, naqueles 28 dias, se fará para criar a histérica versão de que estaremos sob a ameaça da China, do comunismo, do gayzismo, da corrupção, das drogas, da dissolução da família e da perseguição religiosa. Há anos temos exemplos de que não lhes falta perversidade para gritar isso e nem tolos que façam coro.

Este é o terreno perigoso e não custa refletir o que poderia ter havido, mesmo num país sem histórico de golpes se o ataque ao Capitólio tivesse ocorrido antes de se formalizar a derrota de Donald Trump, e não depois de proclamados os resultados, como ocorreu.

Não estamos discutindo “voto útil”, algo que pode ou não ocorrer em eleições normais. O que está em questão é que o resultado das urnas prevaleça e, para isso, é preciso que elas falem alto, forte e definitivamente no primeiro turno.

Quem quiser fugir desta evidência, que o faça sabendo do perigo.Bolsonaro GIFs | Tenor

Golpistas são punidos... na Bolívia e nos EUA

 
 
09
Jun22

Fome dispara e atinge 33,1 milhões de pessoas

Talis Andrade

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Por Altamiro Borges 

 

Em menos de dois anos, o número de seres humanos passando fome disparou no Brasil, saltando de 19 milhões para 33,1 milhões, segundo a pesquisa Vigisan (Inquérito Nacional sobre Segurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19), divulgada nesta quarta-feira (8). Esse número impressionante representa 15,5% da população brasileira. No covil de Jair Bolsonaro, com sua necropolítica e seu plano de desconstrução, o país ruma celeremente para a barbárie social. 

O levantamento, que inexplicavelmente não foi manchete nos jornalões nem destaque nos telejornais, foi encomendado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, que envolve seis entidades da sociedade civil. Ele foi realizado pelo instituto Vox Populi entre novembro de 2021 e abril de 2022, com visita a 12.745 domicílios de 577 municípios nos 26 estados e no Distrito Federal. Em 2020, quando foi realizada a primeira pesquisa deste tipo, foram encontradas 19 milhões de pessoas com fome no Brasil – 9,1% da população. 


Metade da população com insegurança alimentar

Fome - Charge - Estado de Minas
Ainda segundo a pesquisa, mais da metade (58,7%) da população brasileira convive com insegurança alimentar em algum grau, o que significa 125,2 milhões de brasileiros. “São famílias que estão preocupadas com a possibilidade de não ter alimento no futuro ou já passam fome. O problema aparece mais no campo, onde 60% dos domicílios relataram algum tipo de dificuldade – 18,6% com insegurança alimentar grave”, registra postagem no site UOL. 

A pesquisa também aponta que as famílias negras e chefiadas por mulheres são as mais atingidas: 65% dos domicílios comandados por pessoas pretas e pardas convivem com restrição de alimentos em qualquer nível; 63% dos lares com responsáveis mulheres apresentaram algum patamar de 

insegurança alimentar. “Proporcionalmente, a preocupação com o acesso a alimentos atinge maiores parcelas da população no Norte (71,6%) e no Nordeste (68%). Em números absolutos, o Nordeste registra mais pessoas com fome: são 12 milhões em situação de insegurança alimentar grave”. 



Os níveis de segurança alimentar

Charge: O Brasil passa fome em meio à pandemia. Por Nando Motta
Conforme explica o site, o nível de segurança alimentar é dividido em quatro graus: 

1) Segurança alimentar: alcança hoje 41,3% dos brasileiros. É quando a família tem acesso regular e permanente a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais; 

2) Insegurança alimentar leve: atinge 28% dos brasileiros. É quando a família tem preocupação ou incerteza quanto ao acesso aos alimentos no futuro, com qualidade inadequada resultante de estratégias que visam não comprometer a quantidade de alimentos. 

3) Insegurança alimentar moderada: atinge 15,2% dos brasileiros. É quando há redução quantitativa de alimentos entre os adultos e/ou ruptura nos padrões de alimentação resultante da falta de alimentos. 

4) Insegurança alimentar grave: atinge 15,5% dos brasileiros. É quando há redução quantitativa de alimentos entre as crianças e/ou ruptura nos padrões de alimentação resultante da falta de alimentos. 



"Horrorizados" e com "sentimento de indignação"

Charge 25/05/2020 | Um Brasil

Segundo a pesquisadora Ana Maria Segall, todos os envolvidos no Vigisan ficaram “horrorizados” com o resultado de 33,1 milhões de pessoas com fome. “Isso nos dá um sentimento de muita indignação. E o que mais chama atenção é a velocidade da fome, considerando o intervalo entre um levantamento e outro”. Ela afirma que “a parte mais dolorosa da pesquisa foi ver como a fome atinge mais as casas onde há três ou mais pessoas abaixo de 18 anos – um em cada quatro desses domicílios (25%), há fome. Quanto menor a faixa etária da fome, mais repercussões ela vai causar, e prejuízos a longo prazo. Estamos falando de crianças que vão levar essas sequelas para o resto da vida”. 

A amostragem também indicou que, entre os que têm fome, 15,9 milhões tiveram que adotar estratégias consideradas inaceitáveis ou vergonhosas para adquirir comida. “São aquelas imagens que vemos em reportagens: pessoas atrás de caminhão de osso, buscando alimentos nos lixões”, explica Ana Maria Segall. Para Francisco Afonso, integrante da ONG Ação da Cidadania, esse desastre tem como principal responsável o desgoverno de Jair Bolsonaro, que tem desmontado todas as políticas públicas de combate à fome – inclusive com a destruição dos estoques reguladores de alimentos. 

“Houve uma ação para privilegiar o agronegócio exportador em detrimento da agricultura familiar. Todas as políticas públicas foram melhores para o agronegócio, com menos apoio e redução na produção dos alimentos. Só o feijão, nos últimos anos, perdeu 70% de sua área”. Ele também cita o desmantelamento de políticas como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) como responsáveis pelo aumento da fome.

Charge do Correio ironiza irregularidades em recursos do Fome Zero

Diante da fome, brasileiro quer ter esperança

 
 
05
Jun22

Nunes Marques, capacho de Bolsonaro no STF

Talis Andrade

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Por Altamiro Borges

Primeiro indicado por Jair Bolsonaro para compor o Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Kassio Nunes Marques vai se mostrando um autêntico capacho do fascista. Nesta quinta-feira (2), ele garantiu a devolução do mandato do deputado estadual bolsonarista Fernando Francischini (União Brasil do Paraná), que havia sido cassado em outubro do ano passado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por difundir fake news contra as urnas eletrônicas. 

A decisão nem chegou a surpreender seus pares no STF. Em várias outras ocasiões – como no julgamento que condenou o deputado miliciano Daniel Silveira (PL-RJ) ou na aplicação de penas contra o blogueiro foragido Allan dos Santos –, Nunes Marques já havia votado para agradar o “capetão” que o nomeou. Por essas e outras posturas subservientes, o sinistro já andava totalmente isolado no Supremo e até já virou motivo de chacotas e humilhações. 

"Um teleguiado do bolsonarismo"

 
A devolução do mandato do deputado paranaense só reforça essa desmoralização. Como afirma o jornalista Kennedy Alencar no site UOL, o ministro presta mais um desserviço à democracia brasileira. “É uma decisão monocrática e Nunes Marques tem sido um ministro muito afinado com o bolsonarismo. Ele age mais como um teleguiado do bolsonarismo dentro do STF do que como um ministro da Suprema Corte”. 

Conforme enfatiza, “Fernando Francischini está na raiz dessa mentira que o presidente da República espalha a respeito da confiabilidade da urna eletrônica” e merecia ser punido. O colunista, porém, avalia que a decisão será revertida. “Não acredito que o STF vai endossar a desautorização de uma decisão do TSE, ainda mais em um ano eleitoral”. Para ele, a decisão monocrática só servirá para desgastar, ridicularizar e isolar ainda mais Nunes Marques no Supremo. 


Bolsonaro e filhote 01 festejam


Essa não é avaliação das hordas bolsonaristas, que até agora festejam a decisão do seu ministro. O próprio “capetão” veio a público para manifestar sua alegria com o voto de seu capacho no STF. Como registrou o site Metrópoles, “o presidente Jair Bolsonaro elogiou o ministro Nunes Marques, que suspendeu a decisão de cassar o mandato do deputado Fernando Francischini”. O fascista ainda aproveitou o episódio para atacar novamente o Tribunal Superior Eleitoral. “Nós sabemos que o TSE está tendo medidas arbitrárias e não quer transparência no sistema eleitoral”, esbravejou. 

Outro animadinho com o ministro-servil e o deputado das fake news foi o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Pelo Twitter, o filhote 01 do presidente, também apelidado de Flávio Rachadinha, postou: "Parabéns ao deputado @Francischini (o mais votado da história do PR) pela vitória e ao ministro Kassio Nunes Marques por fazer justiça. Neste caso, a decisão do TSE era a própria desmoralização do tribunal, que serviu de vergonhoso palco político para ‘mandar recado’ a Bolsonaro”.
Kássio Nunes Marques, vergonha nacional - O CORRESPONDENTE

26
Mai22

Tratores, caminhões de lixo e outras mutretas

Talis Andrade

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por Altamiro Borges

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A corrupção avança celeremente no laranjal de Jair Bolsonaro. O jornal Estadão revelou na segunda-feira (23) um esquema de compra de caminhões de lixo com suspeita de sobrepreço de R$ 109 milhões. Já a Folha publicou que o Ministério da Cidadania comprou tratores usando indevidamente verbas para o amparo de famílias carentes na pandemia da Covid-19. E o “capetão” ainda tem a caradura de afirmar que não há roubalheira no seu governo. Relembrando o patético general Augusto Heleno, “se gritar pega centrão, não fica um meu irmão”! 

 

Segundo a reportagem do Estadão, Ciro Nogueira (PP-PI), cacique do Centrão e ministro da Casa Civil, destinou R$ 240 mil em emenda parlamentar para a aquisição de um caminhão de lixo, em janeiro de 2021. A empresa que forneceu o veículo para a cidade piauiense de Brasileira é de uma amiga do velhaco e frequenta o seu gabinete. Todo esse sinistro processo envolveu aliados do ministro bolsonarista. Além de Carla Denardin, dona do Grupo Mônaco Diesel Caminhões, a estatal que fez o pregão é comandada por um apadrinhado e a prefeita da cidade é do mesmo partido de Ciro Nogueira. 

O veículo foi entregue no mês passado. Segundo especialistas ouvidos pelo jornal, esse tipo de caminhão é indicado para municípios com mais de 17 mil habitantes, o que não é o caso de Brasileira, que tem 8,3 mil moradores. Ainda segundo o jornal, desde que Ciro Nogueira se aproximou de Jair Bolsonaro, o Grupo Mônaco conseguiu contratos no valor de R$ 11,9 milhões com a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) do Piauí, reduto eleitoral do ministro. 

Em outra reportagem, o mesmo Estadão informou que “centenas de caminhões de lixo foram comprados com suspeitas de sobrepreço”. A compra e a distribuição para pequenas cidades teriam saltado de 85 para 488 veículos de 2019 para 2021. “A diferença dos preços de compra de modelos idênticos, em alguns casos, chegou a 30%. Em outubro passado, por exemplo, o governo adquiriu um modelo de caminhão por R$ 391 mil e menos de um mês depois aceitou pagar R$ 505 mil pelo mesmo veículo”. 

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R$ 89,8 milhões na suspeita compra de tratores



Confirmando que o governo fascista se tornou um covil de corruptos, a Folha deu
destaque à denúncia de que “o governo destinou para a compra de tratores um recurso de R$ 89,8 milhões que deveria ser direcionado para mitigar o impacto da pandemia da Covid-19 em comunidades pobres. Os equipamentos agrícolas viraram símbolo de clientelismo político na atual gestão. Os tratores foram comprados pelo Ministério da Cidadania no âmbito de uma ação voltada a famílias de extrema pobreza da zona rural”. 

“A operação envolveu drible a uma determinação do Tribunal de Contas da União e pressão para acelerar a liberação de recursos da União... A aquisição de 247 equipamentos foi efetivada no apagar das luzes de 2021. Ocorreu antes mesmo de a pasta definir a relação de municípios beneficiados, o que denota a ausência de critérios técnicos”. 

No maior cinismo, o maior beneficiado da entrega foi a Bahia, “estado do próprio ex-ministro João Roma, pré-candidato ao governo estadual pelo PL, mesmo partido de Bolsonaro... Enquanto gasta R$ 89,8 milhões na compra de tratores, o Ministério da Cidadania ainda ignorou pedido da área técnica da pasta para incluir mais 45 mil famílias de extrema pobreza que vivem no campo em iniciativa de transferência de recursos diretos”. Só dá bandidos no laranjal!

Os crimes de Bolsonaro na pandemia da Covid

 
 
16
Abr22

TV de Valdemiro demite e templo vai a leilão

Talis Andrade

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Por Altamiro Borges 

O “apóstolo” bolsonarista Valdemiro Santiago está vivendo o seu inferno astral. Segundo reportagem de Rogério Gentile postada no site UOL nesta quinta-feira (14), “a Justiça de São Paulo decidiu leiloar o templo da Igreja Mundial do Poder de Deus localizado em Santo Amaro, zona Sul de São Paulo, em razão de uma dívida de cerca de R$ 409,8 mil”. 

O imóvel, com capacidade para receber cerca de 20 mil pessoas, foi inaugurado em 2014 pelo fundador da seita. Além do templo, o edifício possui um setor administrativo com cinco pavimentos, piscina e estacionamento para 813 automóveis e 162 motos. Ele é avaliado em R$ 33,47 milhões, de acordo com documento homologado pela Justiça.IMPD – SANTO AMARO - C2J Construtora

IMPD – SANTO AMARO - C2J Construtora


Várias cobranças judiciais por dívidas

 
“A decisão de leiloar o imóvel, atualmente desocupado, foi tomada pelo juiz Luiz Fernando Guerra em processo movido pela empresa Guima-Conseco... Ela foi contratada em 2017 pela Mundial para realizar serviços de limpeza, controle de pragas e limpeza de caixa d'água dos templos do Brás, sede da Mundial, e de Santo Amaro, a subsede”. 

A partir de 2019, quando a igreja começou a entrar em crise financeira, ela não pagou três parcelas do contrato. “Os R$ 409 mil cobrados incluem correção monetária, juros e multa. A Mundial, que sofre atualmente uma série de cobranças judiciais por dívidas, fez um acordo para pagar o débito, mas não o cumpriu”, descreve a matéria do UOL. 

“Outras empresas que cobram dívidas da igreja estão pedindo à Justiça para que o valor obtido no leilão também seja utilizado no pagamento dos seus créditos. Ex-bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Valdemiro Santiago fundou a Mundial em Sorocaba no ano de 1998, Em seu site, a igreja diz contar com cerca de 6.000 templos em diversos países”. 
 
 
Atraso de salário e demissões na TV Mundial


Quem também poderá solicitar uma parte da grana do leilão, marcado para 10 de maio, são os trabalhadores explorados pelo “apóstolo”. Nos últimos meses, já ocorreram duas greves dos profissionais da TV Mundial contra atrasos no pagamento de salários. No início de abril, até como forma de retaliação, cerca de 20 funcionários foram demitidos. 

A emissora neopentecostal tem 120 empregados. A demissão azedou ainda mais o clima interno e travou as negociações entre o Sindicato dos Radialistas de São Paulo e a TV Mundial. Uma nova paralisação poderá ser deflagrada em breve. Além de atraso nos salários, a igreja de Valdemiro Santiago cortou o vale-refeição e não deposita o FGTS dos funcionários.
 
11
Abr22

TCU investigará file mignon do Exército

Talis Andrade

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Por Altamiro Borges 

O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu na quarta-feira (6) instaurar um novo processo para analisar a licitação para a compra de carne pelo Comando da 2ª Brigada de Infantaria de Selva, do Exército. Segundo o site UOL, “o inquérito vai apurar o pregão 12/2020, realizado para aquisição de 4.740 quilogramas de filé mignon bovino”. 

O processo decorre de ação protocolada pelo deputado Elias Vaz (PSB-GO). As Forças Armadas licitaram, só em 2020, a compra de mais de 1,2 mil toneladas de filé mignon, ao custo total de R$ 47,9 milhões, para integrantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Também foram licitadas a compra de 438,8 toneladas de salmão por R$ 18,6 milhões. 

“Na ocasião, a 2ª Brigada de Infantaria de Selva priorizou aquisições de filé mignon por preço mais caro que o ofertado em uma licitação: a brigada preferiu pagar R$ 59 por quilo ao invés de R$ 54,24, uma diferença de R$ 4,76 por quilo”, descreve a reportagem. Como se observa, a alta oficialidade está se dando muito bem no laranjal de Jair Bolsonaro!

 
Outros dois escândalos dos milicos  


No final do ano passado, o TCU já havia acusado o Ministério da Defesa de gastar recursos destinados ao enfrentamento da Covid-19 para a compra de filé mignon e picanha. Segundo informações do levantamento sigiloso feito pela Secretaria de Controle Externo de Aquisições Logísticas, foram utilizados R$ 535 mil em itens considerados de luxo. 

Esse não é o único escândalo que incomodou os milicos nos últimos dias. Na semana passada, o jornal O Globo denunciou a existência de um “orçamento secreto” do Ministério da Defesa. Segundo a bombástica reportagem, foram gastos com emendas parlamentares R$ 588 milhões para bancar a construção de uma capela funerária e de campos de futebol. 

Já o jornal Estadão revelou na quinta-feira (7) que o Exército estaria fomentando notícias falsas nas redes sociais sobre o desmatamento na Amazônia. “Sabe-se que os suspeitos teriam cursado a Academia das Agulhas Negras entre 2012 e 2014. Em 2019, o Exército publicou norma disciplinando o uso de redes sociais. No caso em questão, os perfis derrubados do Facebook eram mantidos com identidades falsas”.
 

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05
Abr22

Eduardo Bolsonaro tortura Míriam Leitão

Talis Andrade

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Por Altamiro Borges

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), também chamado de Dudu Bananinha, é realmente muito escroto. Pelo Twitter, ele voltou a ironizar a bárbara tortura sofrida por Míriam Leitão, da Rede Globo, durante a ditadura militar. Ele postou: “Ainda com pena da [emoji de cobra]”. O fascistoide conta com o cretinismo parlamentar para manter a sua imunidade! 

Quando tinha apenas 19 anos e estava grávida, a hoje conhecida jornalista foi presa e torturada por carrascos da ditadura dos generais (1964-1985). Em uma sessão de tortura, ela foi deixada nua em uma sala escura com uma cobra. O tuíte do filhote 03 do presidente gerou manifestações de repúdio até dos que discordam da colunista global. 

Lula presta solidariedade à jornalista global

 
O ex-presidente Lula, que sempre sofreu críticas ácidas da jornalista e da Rede Globo, foi um dos primeiros a repudiar o fascista. “Minha solidariedade à jornalista Míriam Leitão, vítima de ataques daqueles que defendem o indefensável: as torturas e os assassinatos praticados pela ditadura. Seres humanos não precisam concordar entre si, mas comemorar o sofrimento alheio é perder de vez a humanidade”, postou nas redes sociais. 
 
A Federação Nacional dos Jornalistas divulgou nota em que lembra que “não foi a primeira vez que Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, tratou a tortura como uma prática banal e defensável. Também não foi a primeira vez que a jornalista Míriam Leitão foi desrespeitada pela família Bolsonaro, em sua história de militante e presa política”. 

O texto da Fenaj também enfatiza que “passa da hora de os demais poderes constituídos da República brasileira agirem para garantir o Estado de Direito, com a punição cabível para autoridades que insistem em agir fora dos preceitos legais e democráticos”. A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) também afirma que a “apologia à tortura é crime e quem a pratica deve se submeter aos rigores da legislação”. 

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Cadê o Conselho de Ética?


PSOL e PCdoB já protocolaram representações no Conselho de Ética da Câmara Federal em que pedem a cassação do mandato do parlamentar. Para a líder do PSOL, deputada Sâmia Bomfim, a postagem dele sobre a tortura é “desumana”. “Quando ele faz piada com essa situação, reafirma, mais uma vez, que é um criminoso inimigo da democracia”. 

No mesmo rumo, o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) afirma que é urgente punir Eduardo Bolsonaro “por respeito à democracia, à sociedade e às mulheres. A publicação dele é repugnante. Se isso não é quebra de decoro, o que será? A leniência da Câmara em outros tempos normalizou barbaridades como o elogio a tortura”. 

O deputado Alexandre Molon (PSB-RJ) também reagiu indignado. “Que tipo de monstro é capaz de debochar da tortura de uma mulher grávida?”, perguntou pelo Twitter. Já o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que o comentário é “nojento, covarde e asqueroso”. E a deputada Natália Bonavides (PT-RN) exigiu uma postura dura da Câmara Federal.
 

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