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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

O CORRESPONDENTE

19
Nov23

PF investiga navio cabaré com sertanejos

Talis Andrade

Reserve sua cabine navio cabaré 2023 leonardo e bruno e marrone

Por Altamiro Borges
 
Famosos por terem apoiado ostensivamente o “capetão” Jair Bolsonaro, muitos milionários sertanejos seguem metidos em confusões e histórias sinistras. Nesta sexta-feira (17), o jornal O Globo noticiou em primeira mão que “a Polícia Federal investiga uma suspeita de sequestro, assédio sexual e tráfico de pessoas envolvendo o ‘Navio Cabaré’, cruzeiro da empresa Promoação, que contou com atrações como os sertanejos Leonardo e Bruno e Marrone. Quatro mulheres, com idades entre 18 e 21 anos, teriam sido vítimas do esquema”. 

De acordo com a reportagem, a luxuosa embarcação partiu do Porto de Santos (SP) e foi abordada pela PF na segunda-feira (13) em Angra dos Reis (RJ). Na operação, a polícia resgatou as jovens, naturais dos estados de Santa Catarina e São Paulo, que “foram contratadas por uma agência para trabalhar como modelos”. Em nota, a empresas responsável por organizar o evento e fretar o navio negou qualquer irregularidade. “A Polícia Federal, no entanto, afirma continuar investigando o caso e que ‘há elementos que indicam indícios de crime’”. 

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Os relatos das quatro jovens

Entre outros “indícios”, “as quatro jovens relataram terem percebido que os funcionários do local forneciam bebidas suspeitas de conter substâncias incomuns. Além disso, as vítimas eram impedidas de se comunicar externamente e só podiam se locomover no navio sob vigilância. Uma das jovens conseguiu ter acesso a um telefone e fez contato com a família, que acionou a PF. As quatro jovens foram levadas à Delegacia de Polícia Federal em Angra dos Reis, de onde foram encaminhadas ao Instituto Médico-Legal para a realização de exames de corpo de delito. O inquérito segue para apurar se houve participação de outras pessoas”. 

Em outro matéria publicada neste sábado (18), O Globo dá mais detalhes sobre o Navio Cabaré. O cruzeiro com shows dos sertanejos ocorreu entre 12 e 15 de novembro no luxuoso MSC Preziosa, fretado pela empresa Promoação. “Entre as principais atrações estavam o cantor Leonardo e a dupla Bruno e Marrone, além de Diego & Victor Hugo e outros cantores. O MSC Preziosa conta com spa, teatro, cinema 4D, pistas de boliche, além de bares, restaurantes e piscinas e jacuzzi. O preço das cabines variava entre R$ 6,5 mil e R$ 8,5 mil”. 

Já o site Splash “entrou em contato com as assessorias dos cantores, que não se manifestaram. A assessoria de Bruno & Marrone afirmou que os esclarecimentos seriam prestados pela empresa Promoação, que organiza o cruzeiro e contrata as atrações”. A matéria ainda relata que “um homem foi preso em flagrante na embarcação e pode responder pelos seguintes crimes: sequestro ou cárcere privado, assédio sexual, importunação sexual e tráfico de pessoas. As jovens foram encaminhadas ao IML para a realização de exames. A Delegacia de Polícia Federal em Angra dos Reis instaurou um inquérito para apurar a participação de outras pessoas”.

12
Nov23

Os palestinos nos livros didáticos de Israel

Talis Andrade
Ilustração: Doaa Eladl
 
 
Por Jair de Souza

A esta altura, passados mais de 30 dias do início de um massacre sem paralelos na história, os mais de 2.300.000 palestinos habitantes da Faixa de Gaza estão submetidos a um cerco total, estando privados do acesso a água, alimentos e eletricidade. E, como bonificação especial, quase todos os seus edifícios residenciais, seus hospitais e suas escolas vêm sendo implacavelmente arrasadas por intensos bombardeios das forças militares de Israel.

No entanto, apesar das monstruosas cenas de horror que conseguem furar o bloqueio comunicacional das autoridades israelenses e chegam ao conhecimento público, boa parte da população israelense não demonstra estar muito sensibilizada diante deste imenso quadro de dor e sofrimento.

O que poderia explicar tamanha indiferença, tamanha falta de empatia com o drama sofrido por toda essa gente desamparada? A resposta, em boa medida, é dada pelo resultado de uma pesquisa conduzida por Nurit Peled-Elhanan, uma pesquisadora israelense da Universidade Hebraica de Jerusalém.

É interessante observar que a motivação inicial de seu trabalho se deu em função de um terrível golpe por ela sofrido quando perdeu a própria filha, vítima de um atentado suicida cometido por um palestino. Uma síntese de sua pesquisa está no vídeo deste link:https://youtu.be/GCcV7AtYgwo

Neste documentário, Nurit Peled-Elhanan fala de sua pesquisa relacionada com o conteúdo dos livros didáticos de Israel. Ela expõe em detalhes como estes livros são elaborados com o objetivo de desumanizar o povo palestino e fomentar nos jovens estudantes israelenses a base de preconceitos que lhes permitirá atuar de forma cruel e insensível com o mesmo durante o serviço militar.

Conforme explica Nurit Peled-Elhanan, as construções de mundo feitas a partir dos livros didáticos, por serem as primeiras a se sedimentarem na mente das crianças, são muito difíceis de serem erradicadas. Daí a importância que o establishment israelense dedica à ideologia a ser transmitida nos livros didáticos. Neles, os palestinos nunca são apresentados como seres humanos comuns. Nunca aparecem em condições que possam ser consideradas normais.

Segundo Nurit Peled-Elhanan, não há nesses livros nem sequer uma fotografia de um palestino que mostre seu rosto. Eles são sempre apresentados como constituindo uma ameaça para os judeus.

Foi por entender o grande valor desta mensagem que, já em 2012, me dispus a traduzir ao português o vídeo-documentário e produzir as respectivas legendas. Nosso objetivo era e é possibilitar que um maior número de pessoas venham a entender as técnicas de desumanização utilizadas para viabilizar a aprovação, a aceitação ou a indiferença em relação àqueles grupos humanos que são escolhidos como alvos para extermínio.

Considero um dever moral de todos os que se sentem vinculados à humanidade dedicar os esforços possíveis para impedir que este genocídio venha a se consumar. Neste momento, as palavras do saudoso reverendo evangélico Desmond Tutu se tornam mais válidas do que nunca: “Aquele que se mostra indiferente em uma situação em que a opressão é evidente está tomando o lado do opressor”.

Não pode restar nenhuma dúvida para ninguém sobre quem são os opressores e quem são as vítimas no atual conflito entre o Estado de Israel e o Povo Palestino.

Israel quer arrastar o Brasil para a guerra

 
 

Embaixador de Israel afronta Lula

 
 
07
Nov23

O Brasil vai romper acordos com Israel?

Talis Andrade

Por Altamiro Borges

Na semana passada, mais de 40 movimentos sociais e entidades da sociedade civil encaminharam ao governo Lula um manifesto propondo que o Brasil rompa com acordos firmados recentemente com o Estado terrorista de Israel. Entre eles, estão dois projetos assinados durante as trevas de Jair Bolsonaro, que versam sobre a cooperação entre os dois países para as áreas de segurança e serviços aéreos, e um terceiro, firmado durante a gestão do golpista Michel Temer, que trata do acesso ao sistema previdenciário de residentes de ambos países. 

Os três projetos foram aprovados pela Câmara dos Deputados no início de outubro, antes do início da ofensiva israelense de genocídio do povo palestino e ainda dependem da apreciação do Senado. O manifesto contra os acordos é assinado pela articulação internacional BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e Movimento Negro Unificado (MNU), entre outros. 

 

A cumplicidade com os crimes contra a humanidade

“Esses acordos aprofundam a cumplicidade do Brasil com os crimes contra a humanidade perpetrados por Israel e dão aval para que o apartheid e o genocídio continuem... Urgimos ao presidente Lula que denuncie os acordos firmados por Bolsonaro com o apartheid israelense. Dado que os crimes contra a humanidade cometidos por Israel se nutrem da cumplicidade internacional, revogar estes instrumentos é fundamental para contribuirmos de fato com a paz, os direitos humanos e o direito internacional”, enfatiza o manifesto. 

O documento defende um cessar-fogo imediato na guerra, a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza e que o Brasil e países de todo o mundo pleiteiem um embargo militar contra o Estado sionista. “Há 75 anos, Israel implementa uma política de limpeza étnica contínua, impondo um regime de apartheid a todo o povo palestino e ocupando e colonizando seu território. Não podemos aceitar que táticas e tecnologias desenvolvidas pelo apartheid israelense sigam sendo exportadas normalmente”. 



Postura pouco ousada do governo Lula

Até agora, o governo Lula tem adotado uma política externa de não confronto com os terroristas de Israel. Nos fóruns internacionais, especialmente na Organização das Nações Unidas (ONU), defendeu o cessar-fogo e a criação de corredores humanitários para a retirada de civis e envio de alimentos e medicamentos. O presidente Lula até endureceu seu discurso, afirmando que o que ocorre em Gaza “não é uma guerra, mas um genocídio”. O governo também foi exemplar nos esforços para a repatriação de brasileiros das áreas de conflito. 

Essa conduta, porém, está bem aquém de outras adotadas na própria América do Sul. Na semana passada, por exemplo, o governo boliviano, liderado por Luís Arce, foi bem mais ousado. “A Bolívia decidiu romper relações diplomáticas com o Estado de Israel em repúdio e condenação à agressiva e desproporcional ofensiva militar israelense, que está sendo levada a cabo na Faixa de Gaza”, anunciou o vice-ministro das Relações Exteriores. Já o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, retirou o embaixador em Tel Aviv. “Se Israel não parar o massacre do povo palestino, não poderemos estar lá”, disse. E até o mandatário do Chile, Gabriel Boric, tomou a mesma atitude contra “as violações inaceitáveis do Direito Internacional Humanitário que Israel cometeu em Gaza”.

A esquerda tem medo de Israel?

 
 
30
Out23

Julia Zanatta e Gayer mentem sobre o Hamas

Talis Andrade

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Por Altamiro Borges

Na semana passada, dois deputados bolsonaristas dos mais hidrófobos e desqualificados – Gustavo Gayer (PL-GO) e Julia Zanatta (PL-SC) – divulgaram uma lista com supostos apoiadores do grupo Hamas, chamando-os de terroristas. Ela incluía parlamentares, intelectuais, jornalistas e lideranças de movimentos sociais. Além disso, os fascistoides garantiram que tinham encaminhado esses nomes para a embaixada dos EUA no Brasil para que fossem vigiados e barrados no território ianque. 

Segundo notinha da Folha, “Gustavo Gayer chegou a publicar a lista, mas acabou apagando o post. Ele indicou parlamentares do PT, do PSB e do PSOL, além de intelectuais e entidades. Já Zanatta fez um vídeo dizendo que se inspirou em iniciativa do senador republicano Marco Rubio de sugerir o cancelamento de vistos americanos de pessoas que estariam supostamente apoiando ações do Hamas. Ela listou nomes de deputados do PT, PCdoB, PSOL e PSB e disse que iria encaminhar à embaixada, assim como ao senador americano... Quem apoia terrorista não deve querer visto americano’, diz Zanatta”. 



Psol, PT e UBM rechaçam os macartistas

A lista macarthista gerou imediata reação. O deputado Ivan Valente (Psol-SP), que teve o seu nome incluído, já anunciou que irá tomar providências. “Vamos ao Supremo Tribunal Federal com queixa-crime por injúria e difamação, ação civil por danos morais e Conselho de Ética”, postou em suas redes sociais. Nesta quarta-feira (25), o jornal Estadão informou que “cinco deputados do PT apresentaram ação ao STF contra Julia Zanatta (PL-SC) e Gustavo Gayer (PL-GO), que tentaram associar os petistas com o grupo terrorista Hamas”. 

A ação encaminhada ao Supremo foi assinada pelos deputados Erika Kokay (PT-DF), Helder Salomão (PT-ES), Nilto Tatto (SP), Padre João (PT-MG) e Paulão (PT-AL). Em 2021, esses parlamentares aderiram a um manifesto em apoio à causa palestina. O texto não caracterizava o Hamas como “grupo terrorista”, a exemplo do que faz a Organização das Nações Unidas (ONU) e a maioria dos países do planeta. Esse manifesto voltou à tona agora, totalmente descontextualizado, para atacar os deputados, intelectuais e entidades populares. 

“Constata-se a existência de uma informação torpe, reprovável, caluniosa, incompatível com a dignidade e estatura de quem ocupa um cargo de deputado e se volta, por simples desavenças ideológicas, contra colegas parlamentares de maneira vil e mentirosa, na medida em que, entre outras deslealdades, tenta caracterizar os interpelantes como criminosos que devem ser impedidos de ingressar nos EUA e, consequentemente, em qualquer nação democrática, o que os tornaria pessoas que deveriam ser tratadas como inimigas da democracia e dos direitos humanos”, afirma a ação encaminhada ao Supremo. 

No mesmo rumo, uma das entidades incluída na listinha abjeta, a União Brasileira de Mulheres (UBM), “enviou ofícios à Embaixada dos EUA no Brasil, ao Ministério das Relações Exteriores e à Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados questionando a iniciativa de parlamentares bolsonaristas que têm associado autoridades, organizações e intelectuais brasileiros ao grupo terrorista Hamas”, informa Mônica Bergamo na Folha. “Tantos problemas acontecendo no Brasil e vemos deputado utilizando o mandato e a tribuna para disseminar mentiras, ódio e defender a guerra”, protesta a presidente da UBM, Vanja Andréa.

Vídeo: O verdadeiro imbecil é contra a educacão

Vídeo: Todo poder emana do cano de uma arma

25
Out23

Diários do Apocalipse

Talis Andrade
Foto: Oliver Weiken/EPA

 

Sob terror e escombros, humanidade e poesia. Crônica da guerra, por uma escritora palestina. A família confinada em Gaza. As bombas gritam, os telefones se calam. As mortes que não contam. Em meio ao terror de Israel, a Palestina viverá

 

Por Sarah Aziza, The Baffler | Tradução: Antonio Martins, Outras Palavras

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Acordo cedo, de maneira estranha, em 7 de outubro, sonolenta após uma noite que terminou tarde. Coloco a chaleira para ferver e ligo o rádio na BBC. Um momento depois, ouço um noticiário que começa com “Lutadores palestinos de Gaza cruzaram a fronteira para Israel…”. Viro na direção do som desencarnado. Estou acostumada a acordar com notícias de violência na Cisjordânia – pelo menos uma manhã a cada semana começa assim, com uma história de ataques de colonos ou outra incursão do exercito de Israel. Labib Dumaidi, um estudante universitário palestino de dezenove anos, foi baleado ontem durante outro pogrom em Huwara, na Cisjordânia. Mas este relato é algo diferente, e minha mente luta para compreender as palavras. Gaza? Como?

* * *

Uma imagem: uma escavadeira estoura uma cerca em torno a Faixa de Gaza, vinda de Israel, e corpos passam pela abertura. Fora da câmera, um homem rouco grita em árabe: “Quebrei! Deus é grande! Quebrei!” Por um instante, Gaza já não significa inacessível, encurralada, inerte. Toda a minha vida, esse nome tem sido uma dor, amada e intransponível, íntima e fora de alcance. É a terra onde meu pai nasceu como refugiado, um lugar que ele amou apesar da Grande Tragédia [Nakba] que enroscou sua família por lá. Gaza, um lugar que nasceu em mim da primeira vez que ele me contou histórias do mar. Quando tinha seis anos, ele mergulhava no Mediterrâneo a caminho de casa, nadando nu na água até que seu irmão chegasse para puxá-lo de volta. Vejo Gaza retornar em seus olhos cada vez que ele avista as ondas.

Gaza, também o lugar onde meu pai viu minha avó cavar trincheiras à medida que se aproximava a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Ele não entendeu as valas até que os aviões rasgaram o céu. Por toda a vida, lamentei os familiares mantidos cativos lá, suas vidas tornando-se mais desesperadas a cada ano de cerco que começou em 2007. Prendi a respiração com eles através de quatro guerras, seus corpos presos sob céus em queda, impedidos de qualquer fuga. Um massacre tão rotineiro que Israel o chama de “aparar a grama”. Minha família e dois milhões de outros, enjaulados por um poder nuclear que os chama de ervas daninhas. Muitas vezes desesperei que jamais viveria para vê-los livres.

No entanto, por um instante, vendo aqueles corpos correndo sob o sol, parece absurdamente simples. Um muro é apenas um muro.

* * *

“Lutadores palestinos romperam as barreiras israelenses…”. Aguardo a inevitável sequência – notícias de que esses guerrilheiros em potencial foram mortos, como é o destino da maioria dos palestinos que se rebelam. Em vez disso, ouço que dezenas de israelenses foram mortos – a contagem acabou de começar. Ruptura. O único status quo que já conheci – aquele em que qualquer violência desvia-se para a morte brutal dos palestinos – foi, ainda que brevemente, derrubado. Uma sensação estranha: minha visão embaçando, meu corpo se dividindo ao meio, as partes se separando. Meu corpo sabe o que ainda está além da minha capacidade de compreensão. Uma história terminou, e estamos caindo, já sangrando, na próxima.

* * *

Começam a chegar mensagens de um dos meus primos em Gaza começam: “Exatamente às seis e trinta [em 7 de outubro], acordamos com o som de mísseis partindo da Faixa de Gaza como relâmpagos. A pergunta repetida por todos foi: ‘O que está acontecendo???’. . . A situação até este momento não é nada. . . mas tememos a resposta da ocupação. Eles não nos deixarão dormir esta noite. . . Pedimos a Deus segurança. . .”

* * *

Levará dias para saber o número final de israelenses mortos pelo Hamas. Mas quando ultrapassa cem, entro em pânico. Embora meu estômago se revolte com imagens dos mortos, tenho certeza de que eles já estão sendo metabolizados pela máquina sionista. Receio a maneira como a violência – tanto real quanto fabricada – será alavancada para lançar um arsenal do tamanho de um século em uma jaula humana. Este é o cálculo cruel de nossa opressão: minha compaixão pelos mortos é ofuscada pelos números altos de nossos já mortos e dos que em breve morrerão.

“Eles nos chamam de terroristas, Sarah”. A voz do meu pai está perplexa, ferida. Por trinta anos, ele esperou, certo de que os Estados unidos retribuiriam seu amor. Estamos falando no domingo, 8 de outubro, e as últimas 36 horas passaram por nós como dentes. “Eles chamaram isso de massa…?”. Sua boca gagueja a palavra em inglês. “Massacre, Baba. Isso significa matar em grande escala. E sabe de uma coisa? Acho que foi um massacre… Muitas pessoas foram mortas”. Na cozinha, meu parceiro judeu mantém-se discreto sobre o fogão, preparando comida que não iremos provar. Meu pai suspira. Estamos nos afogando em um luto complexo.

É uma pesar muito maior que as palavras. Grande o suficiente para reconhecer a dor judaica, tanto recente quanto histórica. Como palestina, recuso-me a imitar o opressor negando a humanidade dos falecidos. Mas essa tristeza situa-se dentro da cratera da certeza de que o mundo continuará a recusar a nossa. É um abismo esculpido por décadas de discurso, no qual apenas certos corpos sangram. Dentro deste consenso, não há desapropriação violenta da nossa terra, nenhuma forma aceitável em que possamos resistir às nossas muitas mortes lentas e instantâneas. Recusa o fato de que, por décadas, enterramos centenas de mortos para cada israelense morto. Nesse olhar seletivo do Ocidente, só há a nossa barbárie, que deve ser brutalmente contida.

Para o meu pai e para mim, o assassinato de cidadãos israelenses em 7 de outubro vibra com uma familiaridade primal, uma espécie de déjà vu. Minha família foi expulsa etnicamente da região a nordeste da Faixa de Gaza durante a Nakba em 1948 – bem perto do local dos ataques. Muitos dos meus parentes perderam irmãos, pais e filhos para balas e bombas sionistas. O horror vivenciado em 7 de outubro pareceu estranho, como se eu já tivesse visto isso antes. Essa ressonância não mistura tristezas ou histórias únicas, mas para nós a terra há muito tempo está assombrada, o chão já está manchado. Por mais chocados que estejamos com os ataques, também os vemos pelo que são – as convulsões inevitáveis de um corpo político violento. A erupção de uma verdade purulenta: a de que um regime de apartheid é sempre um território de morte.

* * *

Passei a maior parte de 2023 em uma profunda depressão, que se enraizou durante uma visita à Palestina em março. Enquanto estava lá, senti o sabor de eletricidade de cobre no ar. As condições materiais atingiram novos níveis de miséria absurda. Recordes de violência foram quebrados e quebrados novamente, enquanto o governo de extrema direita de Israel se regozijava na linguagem do genocídio. Das colinas da Cisjordânia devoradas por assentamentos ilegais a Jerusalém segregada, um sentimento selvagem pairava vermelho e espesso. Uma vibração, ameaçando se tornar um grito.

Voltei para as chuvas de abril. Minhas entranhas estavam secas como ossos. “Sinto que algo violento está iminente”, disse ao meu parceiro. Diante de mim, vi anos longos e lentos de perda angustiante. Vi levante. Vi nossas ruas banhadas em sangue.  

* * *

O breve silêncio do Ocidente é substituído por um rugido. Políticos de Washington a Bruxelas gritam com uma sincronia que parece ensaiada. Apenas horas se passam antes que a justa tristeza pela perda de vidas judias seja transformada em declarações de guerra. Pedidos para “arrasar” e “liquidar” conosco. Demandas de “nenhuma restrição” [à ação de Israel]. Somos declarados “animais” pelo ministro da Defesa de Tel Aviv, e o consenso ocidental concorda – senadores dos EUA nos chamam de selvagens, que merecem ser aplainados no chão. Um segundo tipo de déjà vu: o de meus piores pesadelos, realizados. A retórica da guerra ao terror é reprisada; palestinos, muçulmanos, ISIS e Hamas são reduzidos a um monte degradado. As facções antiárabes mais extremas de Israel estão em alta, enquanto celebridades e governos ocidentais ecoam os clamores do pós-11 de setembro de bem contra o mal. A própria noção de civis palestinos desaparece. Este é o primeiro tipo de morte.

* * *

“Você acha que o Hamas matará os reféns?” Meu pai pergunta ao telefone. “Não faço ideia, Baba. Acho que eles querem trocá-los por prisioneiros palestinos.” “Ahhhh. Eu realmente espero que eles não os matem. Isso não é… não queremos isso.” “Não. Isso não é o que queremos.”

Meu primo em Gaza manda outra mensagem: “Agora estamos todos reunidos em um quarto, ouvindo as notícias no rádio e também pelas redes sociais. Meu irmão Mahmoud [nove anos] sempre sente medo em todas as guerras, e tentamos acalmá-lo. Ele pergunta: ‘Como é a morte?’ Ele chora, ‘Tenho medo de morrer’. Ele não quer comer nada e está muito assustado. Tentei fazê-lo assistir a um filme até que esquecesse, mas ele ainda pensa na morte e pergunta: ‘Como é a morte e o que sentimos quando morremos?’ Seu rosto está pálido. . . Sinto um sentimento estranho e diferente.”

* * *

Alguns leitores esperam que eu denuncie a resistência violenta. Eles imaginam que, sem essa garantia, que não pedem de nenhum israelense, não tenho o direito de falar. Acreditam ter direito a uma versão de palestina que abre mão de tudo o que o liberalismo branco oferece a nossos opressores e a si mesmo: o direito de existir, o direito à autodefesa. Eles criminalizaram nossas formas não violentas de protesto, mataram manifestantes pacíficos, prenderam nossos poetas e assassinaram nossos jornalistas. Eles não acreditam em nosso sofrimento histórico ou contemporâneo. Ao mesmo tempo, acreditam que é nosso estado natural – parte da paisagem marrom e nebulosa do chamado “mundo árabe”. É uma abjeção que devemos aceitar, em silêncio e acima da dor dos nossos mortos.

E nossos mortos – oh, nossos mortos. Às vezes me pergunto se morremos de verdade. Quando centenas de manifestantes pacíficos de Gaza foram abatidos por soldados israelenses, nós os contamos sozinhos. Este ano, até o dia anterior aos ataques do Hamas, os palestinos foram assassinados a uma taxa de cerca de um por dia – mais de duzentos até 6 de outubro. Para nós, até funerais podem se tornar cenas de assassinato ou lugares para ataques de soldados.

Se um assassino não se incomoda em cobrir seus rastros, eles realmente mataram?

* * *

Estou empenhada em manter minha humanidade. Leio testemunhos de israelenses das áreas visadas pelo Hamas. Quase invariavelmente, eles narram a busca de esconderijo em uma área segura, um abrigo destinado a proteger a vida. Um homem diz ao New York Times: “Em cada casa em nossa comunidade [perto da fronteira com Gaza], há o que chamamos de uma área segura, que é um construída com concreto muito forte e tem um tipo especial de porta, supostamente resistente à queda de morteiros e foguetes. É geralmente onde as crianças dormem”. Acho esse detalhe tão arrepiante. Eu me pergunto, em que tipo de mundo alguém imagina que vive, em que tais estruturas são normalizadas? Que tipo de status quo alguém aceita, em que seus filhos se abrigam dessa maneira todas as noites? Realmente parece paz? Será que ocorre aos arquitetos se perguntar o motivo de os foguetes serem lançados? Ou essa sociedade aceitou completamente que os morteiros lançados de Gaza são apenas mísseis de ódio? As filhas deles não sentem falta de acordar com o sol?

* * *

Mensagem da minha prima. Uma casa em sua rua, no Campo de Refugiados de Nuseirat, é bombardeada. Outras pessoas são mortas enquanto compram comida em um mercado próximo. Quando pedem para fugir, ela responde: “Não sabemos para onde ir… Eles tratam as pessoas de Gaza como monstros. Por quê?”

* * *

Rehan, uma jornalista de Gaza em seus vinte anos, usa a bateria do telefone que está acabando para gravar um diário em áudio. Coloca sua filha na cama. Abre a janela para alimentar um gato faminto. Diz ao gravador: “Minha gata Yara teve três gatinhos adoráveis há três semanas… mas como posso cuidar deles agora?” Por trás de sua voz, há o som de bombas caindo.

* * *

Segunda-feira, 9 de outubro. A previsão em Gaza é de tempo ensolarada com nuvens passageiras. Eu acordo em Nova York. O ar está frio.

* * *

“Cinco em Khan Younis”, diz meu pai. Está falando dos nossos parentes mortos. Não usa a palavra mortos. “Cinco se foram em Khan Younis”, ele diz. “Apenas duas crianças sobraram.”

الله يرحمهم.

* * *

“Mas e o Hamas?” Cresci com esta pergunta sendo lançada em minha cara toda vez que declarava o direito de meu povo à sobrevivência. “E o Hamas?” Não importava se eu acabara de pedir água limpa ou o direito de retornar à nossa terra roubada. “E o Hamas?”, perguntavam, mantendo minha humanidade como refém. Seus sorrisos presunçosos a esta pergunta, que eles viam como um golpe retórico. Eu lhes dei horas, páginas das minhas palavras. Enchi salas com o meu hálito quente, ofegando: “Nós não somos terroristas – o Hamas é um sintoma da opressão – sim, claro que condeno o extremismo – esta é uma luta pelos direitos humanos – Israel sustentou o Hamas por anos – por favor, olhe para nossas crianças – por favor, você não vê nossos idosos indefesos? – por favor, se você não nos respeita como seres humanos, poderia poupar um pouco de piedade?”

* * *

Outra tia desaparece.

* * *

“Seu nariz está sangrando”, meu parceiro aponta enquanto choro.

* * *

Israel anuncia que a fronteira com Gaza está novamente “totalmente segura”.

* * *

O telefone da minha prima está morrendo; Israel cortou toda a eletricidade, gás, água e comida. “Também sentimos cheiro de fumaça agora. Acho que é gás [branco] de fósforo que eles jogaram no céu hoje”, ela manda mensagem. “Me sinto sufocada por isso. Meu amigo morreu inalando gás de fósforo branco na guerra de 2008.”

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Você está bem?
Você está bem?
Você está bem?
Você está bem?

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A matemática do apocalipse: 1,1 milhão intimados a evacuar o norte de Gaza em vinte e quatro horas. Pediram a mais de um milhão que empurrem seus corpos para um pedaço de terra onde mais de um milhão de corpos já estão.

Isso não é algo que corpos humanos possam fazer. Notícias de nossa não existência vêm e vêm novamente.

* * *

Atravesso uma passarela de pedestres em Queens várias horas antes do amanhecer. Eu me curvo. Minha mão está na minha boca. Não sei mais como mover o ar para dentro ou para fora.

* * *

Como é ficar à beira da aniquilação? Só posso falar do meu ponto, distante alguns graus do epicentro da guerra. Aqui, parece que estou caindo por uma garganta infinita. É a incredulidade misturada com a sensação de que este dia já chegou. É saber que qualquer possível sobrevivência estará inscrita na consciência de que este planeta é um lugar onde seu extermínio foi decretado, e milhões o acolheram.

* * *

Um amigo palestino me manda uma mensagem: “Você já comeu hoje?”

* * *

Outro me manda mensagem de sua casa na Cisjordânia, onde mais de trinta palestinos foram mortos em uma semana. “É difícil, mas apenas nos tornará mais determinados a sermos livres.”

* * *

Os Estados Unidos anunciam que duplicarão sua presença militar no Oriente Médio. Eu fico acordada até tarde em um quarto cheio de amigos libaneses e sírios, cercada por fantasmas.

* * *

O desafio: manter um senso de agência no meio de formas sobrepostas de déjà vu; reconhecer que o ímpeto de um século de tentativas de apagamento está por trás dos eventos atuais e, no entanto, resistir ao desespero. Acreditar, até insistir, que de alguma forma ainda é possível deter a máquina imperialista genocida.

É uma esperança que morre e ressuscita a cada hora. Revivida, incontáveis vezes, pela narrativa em mudança radical nas ruas. Em mais de dez anos de organização em prol das vidas palestinas, nunca vi tanta solidariedade vibrante, diversa e urgente. A mudança que senti em 2021, quando um ciclo anterior de brutalidade israelense instigou protestos em massa de um público pós-George Floyd, parece ter se mantido. Embora eu tenha cuidado em confiar no meu feed de mídia social para refletir a realidade política, estou chocada com o volume da resposta antissionista de base.

Meu telefone é inundado com mensagens de texto e postagens em redes sociais de amigos, colegas e figuras culturais de todo o mundo. Esmagadoramente, as mensagens reconhecem o contexto do colonialismo e da violência desproporcional, bem como a piora da crise humanitária em Gaza. Tentando subverter uma resposta da mídia norte-americana lamentavelmente distorcida, os amigos compartilham relatos de organizações humanitárias e jornalistas independentes no local. Postagens de judeus antissionistas proclamam este como um momento para cumprir o juramento de “nunca mais”. Meu parceiro, membro ativo da Jewish Voice for Peace, participa de ações diárias enquanto o grupo denuncia a manipulação do luto.

Mais importante talvez, seja o rápido movimento para as ruas. Dezenas de milhares se reúnem de cidade em cidade, bandeiras palestinas voando de Nova York e Londres a Bagdá e Kuala Lumpur. Manifestações pró-Palestina são proibidas na França, Viena e Berlim. Manifestantes franceses, desafiando essas ordens, são pulverizados com gás lacrimogêneo. Centenas de ativistas judeus bloqueiam a casa do senador Chuck Schumer no Brooklyn, protestando contra seu apoio enfático aos bombardeios israelenses. Dezenas, incluindo descendentes de sobreviventes do Holocausto, são presos. “Isso parece diferente”, sussurramos eu e meus amigos um para o outro. A pergunta que não fazemos: Vai durar?

Há momentos que sempre desafiarão palavras. Há crimes tão hediondos que toda a alma humana estremece. Bombas atingem o Hospital al-Ahli em Gaza, matando pelo menos quinhentas pessoas. A negação de Israel segue rapidamente. Meios de comunicação norte-americanos, após inicialmente relatarem a bomba como israelense, logo se alinham sugerindo que os palestinos podem ser culpados.

الله يرحمهم.

* * *

“Costumava ter esperança”, meu pai me diz ao telefone.

“E agora?”

“Eu não sei”, ele diz. “Eu não sei. Mas sei que continuaremos.”

Conheço essa verdade, embora não conheça sua forma. Não é necessário chamá-la de esperança, mas não se pode negar que o ethos palestino é esmagadoramente de vida. Insistimos em sobreviver, em amar mesmo as versões destroçadas da existência que nos foram concedidas. Somos mestres em paradoxo, criando beleza e cuidado dentro de jaulas, sob destroços. Somos fluentes em absurdo, mudando de forma para sustentar nossa humanidade dentro de paredes cada vez mais estreitas. Setenta e cinco anos de justiça adiada não apagaram nossa determinação de construir, reconstruir, escrever, casar, dar à luz, dançar, permanecer.

Mesmo assim, sabemos que merecemos muito mais, e por isso pressionamos contra nossa opressão com imaginação e amor desafiantes. Como a estudiosa palestina Sophia Azeb coloca, “Não estamos obrigados a estruturar nossas epistemologias, estéticas e políticas apenas dentro da arquitetura desta catástrofe.” Embora nunca tenhamos conhecido uma Palestina livre, nenhum número de bombas pode extinguir a vontade inata de viver com dignidade. Desta forma, nossa resistência é, para citar Mahmoud Darwish, incurável. Este é o cerne do problema de Israel – não se trata de barbárie palestina, mas de vida palestina. É uma praga para o projeto sionista, nossa recusa de um século em desaparecer. Continuará sendo uma praga enquanto o Estado de Israel existir como uma estrutura baseada em nossa morte. Israel está enganado se acredita que esta será a última palavra. A Palestina viverá.

Damares Alves espalha fake news sobre Gaza

 
 
Heloísa Villela, em Ramalah, a rotina no conflito
07
Out23

Ex-assessor de Damares entrega homem-bomba

Talis Andrade
 
 
 
 
Por Altamiro Borges

Nesta quinta-feira (5), em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Distrito Federal, o blogueiro Wellington Macedo de Souza – que foi assessor da ex-ministra e atual senadora Damares Alves (Republicanos-DF) – resolveu abrir o bico e dedurou outro bolsonarista por uma ação terrorista na véspera do Natal do ano passado. 

Segundo nota do site Metrópoles, ele “jogou no comparsa Alan Diego dos Santos a responsabilidade pela tentativa de explosão de uma bomba no Aeroporto de Brasília. Ambos foram condenados pelo crime. Wellington Souza disse que estava em um carro com Alan Diego na ocasião, mas que não sabia da existência de explosivos no veículo”. 
 
“Perguntei o que estava acontecendo e vi na mão dele um controle, tipo de ar-condicionado, e ele disse: ‘Não pare mais. Pode seguir. Vou explodir o caminhão’. Entrei em pânico, em desespero, porque ainda tinha uma mochila no banco traseiro. Falei para ele: ‘Como você faz isso comigo? Estou com uma tornozeleira eletrônica’. Falei que todo o percurso que foi feito estava registrado” – confessou o influenciador digital na CPI. 

Covardão tenta repassar a culpa

Como lembra o site, o plano dos “homens-bomba” bolsonaristas era colocar explosivos em locais estratégicos, como um caminhão-tanque no aeroporto. “Alan Diego fazia várias publicações no Instagram contra o resultado das urnas, com frases como ‘está chegando a hora’, postada no dia em que a bomba foi colocada, e a hashtag ‘patriotas’”. 

Em função da gravidade do crime, Alan Diego foi condenado em maio a cinco anos e quatro meses de cadeia, em regime fechado. Já Wellington Souza pegou seis anos de cadeia, mas conseguiu fugir. Só acabou sendo preso em 14 de setembro no Paraguai, após uma operação conjunta da Polícia Nacional paraguaia com a Polícia Federal. 

Para se safar, o covardão agora tenta repassar toda a culpa pelo plano terrorista para o seu comparsa. Mas ele é um criminoso reincidente. O ex-assessor de Damares Alves já havia sido preso em 2021 por estimular ações golpistas nas comemorações do 7 de Setembro. Pouco depois, ele foi solto sob a condição de usar a tornozeleira eletrônica. 

Dois dias após a tentativa da explosão da bomba no Aeroporto de Brasília, o blogueiro de extrema-direita quebrou o equipamento para fugir. Mesmo considerado foragido pela Justiça, ele ainda tentou entrar de forma ilegal na cerimônia de posse do presidente do Paraguai, Santiago Peña, que teve a presença de Lula. 

Outros terroristas ligados à ex-ministra

Wellington Macedo de Souza, que foi assessor do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos em 2019, não é o único terrorista que teve relação direta com a atual senadora Damares Alves. Uma detalhada reportagem do site do PT aponta outros “golpistas” ligados à ex-ministra, à “líder religiosa” também apelidada de Damares da Goiabeira. 

“Outro é o blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio, apontado como um dos principais articuladores do ataque às sedes dos Três Poderes. Ele não foi lotado no Ministério de Damares, mas a assessorou durante a transição de governo e, depois, emplacou a esposa, Sandra Terena Eustáquio, como secretária de Igualdade Racial na pasta”. 

“Completando o time de golpistas que gravitaram Damares, estão Renan Sena, preso por participar diretamente do atentado de 8 de janeiro em Brasília, e Sara Giromini, conhecida também como Sara Winter, uma das líderes dos primeiros ataques ao Judiciário, presa em 2020 após ameaçar ministros do Supremo Tribunal Federal”. 

“Enquanto Renan foi funcionário terceirizado do Ministério da Mulher na gestão de Damares, Sara Winter atuou como chefe da Coordenação Geral de Atenção Integral à Gestante e à Maternidade de abril a dezembro de 2019. A extremista ocupava um cargo de confiança vinculado à Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres da pasta”.

A Corregedoria-Geral da União (CGU) identificou duas irregularidades em repasses milionários do Ministério dos Direitos Humanos na gestão da senadora Damares Alves. De acordo com o Estadão, a "Globo Soluções Tecnológicas" recebeu quase 12 milhões de reais em equipamentos diversos, como macas, computadores e ônibus. A sede cadastrada pela ONG na Receita Federal é apenas um barraco em Anchieta, no Rio de Janeiro, o sem registro de funcionários. A proprietária foi beneficiária do Auxílio Emergencial. A informação é do jornal O Estado de São Paulo

A senadora Damares Alves (Republicanos) defendeu o o empresário do ramo do agronegócio Argino Bedin, acusado de financiar atos antidemocráticos após o resultado das eleições presidenciais de 2022. Durante o depoimento do ruralista em 03/10, Damares chamou Bedin de 'grande homem', e disse que ele é 'muito amado'.

Durante depoimento, Argino Bedin se negou a responder até se conhecia alguns de seus familiares, como Roberta Bedin, filha do empresário; Sérgio Bedin e Ary Pedro Bedin, primos; e Nilson Bedin, sobrinho. Entretanto, o presidente da Comissão, deputado Arthur Maia (União-BA), interferiu e ressaltou que a ordem judicial permite o silêncio apenas em questões que podem ser incriminadoras, o que não inclui se isentar de responder se conhece algumas pessoas. “Estão perguntando se o senhor conhece, ao que me parece, um parente do senhor. Se ficar calado, o senhor vai estar negando a resposta de uma situação óbvia, não tem nada que possa incriminá-lo em dizer se conhece um familiar”, esclareceu Maia. Esses nomes dos quais Bedin se recusou a dizer se conhece estão em um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), citados como pessoas que teriam fornecido caminhões para manifestantes bloquearem rodovia, em ato de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2022.

30
Set23

Fala golpista de Paulo Bilynskyj quatro dias antes dos atos terroristas de 8 de janeiro

Talis Andrade

 

Deputado delegado Paulo Bilynskyj volta ameaçar Lula de morte (segunda parte)

 

Paulo Bilynskyj no dia 4 de janeiro provoca. No quarto dia da terceira presidência de Lula da Silva, no X, o ex-delegado, expulso da Polícia de São Paulo, critica a decisão do governo de desvendar os mandantes do assassinato de Marielle Franco. E interpela as Forças Armadas se vão "deixar acontecer" que o governo reprima manifestações que reivindicam intervenção militar golpista. O deputado bolsonarista da extrema direira critica entrevista do ministro da Justiça e Segurança Pública Flávio Dino:

Delegado Paulo Bilynskyj
Ministro da Justiça de Lula ameaça acionar polícias de outros países caso policiais brasileiros não aceitem reprimir as manifestações. E ai, Forças Armadas. Vão deixar isso acontecer?

As provocações mentirosas de Paulo Bilynskyl antes da posse de Lula:
Avisa que não vai ter ninguém na posse. (continua)
 
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"Não vai ter ninguém na posse". Bilynskyj também falhou na convocação terrorista de 8 de janeiro:

Policial bolsonarista de SP sofre nova punição

por Altamiro Borges

Na segunda punição em poucos dias, o Conselho da Polícia Civil de São Paulo aprovou na semana passada a demissão do delegado Paulo Bilynskyj pela difusão nas redes sociais de mensagens que fazem apologia aos crimes de estupro e racismo. Pouco antes, o policial teve a sua arma apreendida após postar um vídeo em que aparece atirando, atacando a esquerda e convocando seus seguidores a participarem dos atos golpistas de apoio ao fascista Jair Bolsonaro no 7 de Setembro. 

No caso do pedido de demissão, a postagem criminosa faz parte do material promocional dos cursos online ministrados pelo delegado. Ela usa imagens de uma moça branca sendo carregada por homens negros e, na legenda, frases do tipo que a “situação fica preta” para quem não se prepara adequadamente para concursos. 

Criminoso é candidato a deputado pelo PL

“A demissão, proposta pela Corregedoria, foi aprovada pelo Conselho na semana passada. O processo administrativo com a decisão foi enviado à Secretaria da Segurança e, agora, deve seguir para o governador Rodrigo Garcia (PSDB), quem tem a palavra final de exonerá-lo”, informou a Folha nesta sexta-feira (29). 

O jornal lembra que “Paulo Bilynskyj, que tem mais de 700 mil seguidores nas redes sociais, está afastado das funções para concorrer a deputado federal pelo PL... De acordo com integrantes da cúpula da segurança paulista, a punição ocorre porque, em maio de 2020, Bilynskyj publicou um vídeo nas redes sociais, pela Estratégia Concursos, com conteúdo considerado ilegal”. 

Cortar na carne para servir de exemplo

“O ouvidor da Polícia de São Paulo, Elizeu Soares Lopes, disse que a decisão é um exemplo a ser seguido pelas polícias de todo o país e por outras instituições... ‘Precisa cortar na carne, mesmo, para mostrar para todo mundo, para toda a sociedade, que a população negra é merecedora de respeito. A população negra não pode ser aviltada em sua dignidade’, afirmou”. 

Segundo delegados que participaram da reunião do Conselho, a recomendação pela demissão foi aprovada por unanimidade. Teria pesado na decisão um histórico de problemas disciplinares do policial bolsonarista. “O delegado ganhou espaço no noticiário em 2020, quando a sua então namorada, Priscila Barrios, disparou seis vezes contra ele. Investigações posteriores concluíram que ela se matou com um tiro no peito após ter atirado contra o namorado, por conta de questões amorosas entre eles”. 

Ato golpista do 7 de Setembro

Já no caso da retirada da arma e do distintivo do delegado, a decisão foi tomada logo após a divulgação do vídeo convocando os seus seguidores para o ato golpista no Dia da Independência. “A Corregedoria da Polícia Civil fez a solicitação e o delegado-geral, Osvaldo Nico Gonçalves, concordou com a medida nesta quinta-feira (28). Ele ficará sem a arma e o distintivo até a conclusão das investigações”, relata o site UOL. 

“Nos vídeos, Bilynskyj, que também é instrutor de tiro, publica fotos em que aparece com a bandeira do Brasil sobre os ombros, segura um fuzil e diz que seu plano é ‘lutar com toda força para que não dê merda’ nas eleições, em referência a possível vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)... Em vídeo mais recente, ele aparece em um treinamento de tiro disparando contra alvos. A gravação é uma resposta a um seguidor que perguntou se ele participará do 7 de setembro de Jair Bolsonaro e sobre um ‘possível ataque’ no dia. O delegado escreveu que estará lá e classificou como ‘fracote’ quem não comparecer”. (In 31 julho 2022) Continua

19
Set23

Fantástico detona jagunços bolsonaristas

Talis Andrade
 
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A corrupção veste Prada (vídeos)

Por Altamiro Borges

No seu esforço para desidratar o bolsonarismo e, desta forma, viabilizar uma alternativa de “centro” na política, a TV Globo tem exibido algumas matérias impactantes. Neste domingo (17), o programa Fantástico trouxe duas reportagens que desmascaram o terrorismo da extrema-direita: uma traça o perfil do primeiro “patriotário” condenado no Supremo Tribunal Federal pelos atos golpistas do 8 de janeiro; a outra escancara a violência do jagunço Roberto Jefferson, o ex-presidente do PTB que segue na cadeia. 

Aécio Lúcio Costa Pereira, que foi condenado a 17 anos de prisão pelo STF, é o típico fanático bolsonarista. O criminoso reúne ao menos dez boletins de ocorrência contra ele, registrados por vizinhos. Segundo a matéria, ele é acusado de agressão verbal e física, homofobia, intolerância religiosa e até furtos. “Ele passava e falava: ‘Eu vou acabar com você’, relatou uma professora, que registrou boletins de ocorrência contra o machista por injúria, calúnia, difamação e perturbação da tranquilidade.

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Entrevistado, o perito Bruno Costa rebateu a mentira do jagunço bolsonarista de que não disparou para atingir os policiais. “Primeiro que ele deu muito tiro num veículo que tinha um policial atrás, abrigado, e segundo que dois policiais foram atingidos por tiro”. Já a advogada da policial atingida, Estela Nunes, disse que a agente sofreu “danos físicos e psicológicos”. “Ela tem o dano psicológico, que acho que é o maior dos danos. Na região do quadril e no rosto, ela teve perda de sensibilidade a toque, ao calor e ao frio. Além disso, a marca no rosto a faz lembrar diariamente da violência que sofreu”.

A corrupção veste farda

 

Braga Netto e outros generais ficam impunes

 
 

Duelos e condenados no STF expõem militares

 
 
12
Set23

'Não há limites?', questiona Lenio Streck após fake news de Alexandre Garcia

Talis Andrade
 
 
 
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O jurista Lenio Streck publicou no Twitter uma mensagem crítica à iniciativa de Alexandre Garcia após o jornalista espalhar a notícia falsa de que barragens de represas construídas por governo petista no Rio Grande do Sul foram abertas de propósito para inundar o estado.

"Pior que a tal de Samara Baum é o Alexandre Garcia, velho conhecido no meio… No auge da tragédia, quer lacrar. Samariou, por assim dizer. Disse, de boca cheia, que enchentes no RS são culpa do PT. Sim, ele falou! Isso é o que se chama liberdade de expressão. Não há limites?", escreveu o jurista no Twitter.

O crime de Alexandre Garcia

 
 
11
Set23

Alexandre Garcia será internado ou preso?

Talis Andrade
"Alexandre Garcia, ex-porta-voz do general-ditador João Figueiredo, foi demitido do cargo porque se exibiu, sensualizando entre lençóis, para uma revista masculina", diz Leandro Fortes; "De lá pra cá, assumiu o cargo de porta-voz dos patrões", afirma o jornalista ao comentar a agressão de Garcia aos alunos cotistas nas universidades públicas
Valet de chambre sempre

 
por Altamiro Borges

O jornalista Alexandre Garcia, que iniciou sua carreira como porta-voz do general João Batista Figueiredo e foi defecado pela ditadura após posar de cueca numa revista masculina, vive seus piores momentos. Não se sabe se o patético bolsonarista será preso ou internado em breve. Após ser demitido da TV Globo, da CNN e até da Jovem Pan por difundir fake news e destinar ódio, ele hoje presta seus serviços sujos à direitista Revista Oeste. 

Na semana passada, em plena tragédia humanitária no Rio Grande do Sul, o farsante postou que “no governo petista foram construídas, ao contrário do que recomendavam as medições ambientais, 3 represas pequenas, que aparentemente abriram as comportas ao mesmo tempo. Isso causou uma enxurrada”. Esta insinuação criminosa agora será investigada e deveria resultar numa punição exemplar de Alexandre Garcia. 

Ministério da Justiça e AGU reagem

Em suas redes sociais, o ministro Flávio Dino, da Justiça, já garantiu uma resposta rápida ao crime. “Reitero que fake news é crime, não é ‘piada’ ou instrumento legítimo de luta política. O crime é ainda mais grave quando se refere a uma crise humanitária, pois pode gerar pânico e aumentar o sofrimento das famílias. A Polícia Federal já tem conhecimento dos fatos e adotará as providências previstas em lei”. 

No mesmo rumo, o Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias, determinou que a Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia instaure investigação sobre a mentira difundida pelo fascistoide. “É inaceitável que, nesse momento de profunda dor, tenhamos que lidar com informações falsas”. Alexandre Garcia é um sujeito desqualificado e decadente, mas não pode ser subestimado. Ele ainda tem uma legião de fanáticos seguidores. 

Fardado em restaurante em Brasília. Gagá?

Ele sabe disso e faz encenações. Em meados do ano passado, por exemplo, ainda como comentarista da Jovem Pan, ele foi fotografado de farda em um restaurante no Setor de Rádio e TV de Brasília. A cena ridícula virou chacota nas redes sociais, mas ele foi paparicado por seus amantes pela fantasia de militar. Vanessa Lippelt, editora do site Congresso em Foco que se encontrava no restaurante, ironizou: “Sei nem o que dizer dessa farda, gente. O áudio da @giulianamorrone nunca fez tanto sentido para mim”. 

Ela se referiu a uma conversa, de maio de 2020, entre dois jornalistas da TV Globo: Giuliana Morrone e Gerson Camarotti. No áudio vazado, a apresentadora critica os ataques rancorosos do bolsonarista à emissora. “O que é isso? A montoeira de dinheiro que esse homem recebeu da Globo, microfone dourado, festinha, foi diretor daqui a vida inteira, e aí sai cagando regra. Ele que fez isso aqui! Eu estou revoltada, sabia?”. Ao final, Giuliana Morrone compara Alexandre Garcia à secretária de Cultura de Jair Bolsonaro e conclui: “Ele está gagá, tipo Regina Duarte”.
 

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