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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

06
Out17

Por que os militares golpistas não defendem Othon Silva?

Talis Andrade

por Natália Pimenta

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Já que a ameaça de um golpe militar é um tema do momento, vale a pena tocar numa questão importante, mas pouco discutida, envolvendo membros das forças armadas. A relação entre o vice-almirante Othon Silva e os militares golpistas. Melhor dizendo, por que os militares não defendem Othon?

 

Por que Othon deve ser defendido vamos explicar a seguir.

 

Othon Silva é um senhor de 78 anos, condenado pela Operação Lava Jato a 43 anos de prisão. A acusação, evidentemente, é corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa (!) e congêneres. Mas o motivo real da perseguição é de natureza muito diversa: Othon é o principal responsável pelo desenvolvimento do programa nuclear brasileiro, tendo criado um método nacional para enriquecimento de urânio e trabalhado no desenvolvimento de um sistema de propulsão nuclear para submarinos. O programa no qual trabalhava foi fechado em 1994, logo antes do início do governo FHC. Não por acaso, já que esse governo foi totalmente pró-imperialista e resultou em um retrocesso de décadas no que diz respeito à independência do País e à sua indústria.

 

 

O próprio Othon denunciou que os Estados Unidos estavam espionando o Brasil em razão do programa nuclear, o que ficou patente após as denúncias de Snowden e de que veio a público que a própria presidente Dilma Rousseff era alvo de espionagem.

 

Em 2005, durante o governo Lula, o programa nuclear foi retomado e Othon assumiu a presidência da Eletronuclear. As obras de Angra 3 foram retomadas após 23 anos de abandono.

 

Ao ler essa coluna muitos podem ter aguçado o preconceito em relação à utilização da energia nuclear. Mas não se trata aqui de discutir se essa é a melhor forma de energia ou não, se ela deve ser erradicada ou se devemos desenvolvê-la. O que importa para essa discussão é que esta é uma poderosa forma de energia que o imperialismo, em especial o norte-americano, não quer que o Brasil, nem nenhum outro país atrasado, domine.

 

Os Estados Unidos estão armados até os dentes e sabem que passar do domínio da energia nuclear para fins pacíficos para seu uso para fins bélicos é apenas um pulo. E esse é seu grande receio.

 

Othon é o pai do programa nuclear brasileiro; a pessoa com maior compreensão do problema, que dominava a tecnologia e todos os aspectos do trabalho.

 

Levando tudo isso em consideração, não dá para acreditar que a Lava Jato condenou o vice-almirante por corrupção. É uma perseguição, a mando dos EUA, e uma ameaça a todos que ousam se levantar contra o domínio do imperialismo.

 

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Agora, cabe a questão: por que os militares golpistas, “intervencionistas”, não defendem Othon? Teriam duplo motivo para isso: a perseguição e condenação de um militar e a própria questão “nacionalista”. Afinal, não foi um grande serviço à pátria o que ele prestou?

 

Isso não acontece porque os “patriotas” verde-amarelos e os militares fascistas não defendem a independência do Brasil. São treinados nos EUA e mantêm íntima relação com esse país e sua chegada ao poder seria apenas uma maneira de garantir que os interesses norte-americanos prevaleçam.

 

Enquanto os militares bradam contra os “comunistas” e ameaçam intervir na situação política, não se vê o mesmo empenho na defesa da Amazônia que está para ser vendida, na defesa do petróleo e das nossas riquezas naturais, nem na entrega das estatais.

 

Falam apenas em “corrupção”, que é um pretexto para que possam intervir.

 

Ao ignorar o caso de Othon, deixam não apenas de defender o que poderia ser encarado por eles como a perseguição a um militar como afirmam que não lhes interessa o programa nuclear.

 

Ou seja, para eles não interessa possuir uma arma poderosíssima contra os inimigos externos. Afinal, o verdadeiro inimigo deles é o “inimigo interno”, leia-se, o povo brasileiro. Os sindicalistas, os trabalhadores, os que lutam pelos seus interesses, aqueles que estão indefesos e pouca resistência podem oferecer diante dos fuzis e tanques militares.

 

 

 

06
Out17

Suicídios, linchamentos e os abusos do penalismo do espetáculo

Talis Andrade

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Abuso das prisões temporárias e preventivas, uso indiscriminado e irregular do instrumento das delações premiadas, investigações que não consideram as garantias individuais mínimas, condenações que subvertem completamente o princípio da proporcionalidade entre delito e pena – todos esses elementos e mais alguns com o mesmo sentido marcam a realidade jurídica brasileira nos últimos anos.

 

O trágico suicídio do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier, que havia sido preso de modo arbitrário há alguns dias, deve ser visto como parte desse triste processo. Em carta publicada logo após a sua soltura, Cancellier havia feito um relato sobre o linchamento social a que vinha sendo submetido. Sem direito à defesa, impedido de entrar na universidade que dirigia, visto do dia para a noite como corrupto, o professor demonstrou no texto a tristeza e a estupefação que, aparentemente, o levaram ao ato extremo.

 

Um processo parecido já havia ocorrido ao almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, considerado o pai do Programa Nuclear brasileiro. Condenado a incríveis 43 anos de prisão pelo juiz Sérgio Moro, o militar, segundo noticiou a imprensa, também tentou o suicídio. Conhecendo o papel central jogado pelo almirante nos projetos ligados aos interesses nacionais é de se imaginar que sua retirada da atividade científico-militar atende às pretensões dos que não querem ver o Brasil desenvolvendo todas as suas potencialidades como nação livre, soberana e independente.

 

Chama a atenção, no caso do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, o uso político feito por vários setores da esquerda de sua prisão arbitrária. Cegos diante do arbítrio, movidos pela mesquinhez das disputas locais, ávidos pelos aplausos fáceis dos que acham que corrupção é o único mal do Brasil, o udenismo de esquerda contribuiu para o apedrejamento do qual o reitor foi vítima. Que o trágico episódio sirva para demonstrar que o arbítrio e a cessações dos direitos individuais são processos que, se não forem barrados, carregarão a todos, especialmente os mais fracos.

 

Também é importante notar o papel jogado por parcela importante da imprensa nesse processo. No penalismo do espetáculo, os holofotes têm sido dados por uma mídia irresponsável e interessada na destruição da política e dos interesses nacionais. As mesmas luzes que transformam figuras do judiciário em estrelas, têm funcionado como o instrumento privilegiado do linchamento público de cidadãos que, até que o devido processo prove o contrário, são inocentes.

 

Vivemos no Brasil dias muito difíceis. Estão sob ataque princípios nascidos do iluminismo penal no século 18. No ano que vem completam-se 280 anos do nascimento de Césare Beccaria que, com seu livro Dos delitos e das penas, lançou ao mundo as ideias que dariam base às garantias individuais mínimas que agora são solenemente desprezadas. Que os democratas brasileiros de todos os quadrantes políticos se unam imediatamente, para que possamos homenagear o pensador italiano em um outro cenário. In Portal Vermelho

 

 

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