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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

19
Abr21

Jornalismo criminoso e safado: Leda Nagle espalha fake news sobre tratamento precoce da Covid-19 e conspiração para matar Bolsonaro

Talis Andrade

Image

O deputado federal Ivan Valente classificou nesta segunda-feira (19) em suas redes sociais como "deplorável” a postura de Leda Nagle. A bolsonarista compartilhou fake news de um suposto delegado que revelou os planos de Lula para matar Bolsonaro.

Leda Maria Linhares Nagle (Juiz de Fora, 5 de janeiro de 1951) é uma atriz e apresentadora do programa diário Sem Censura, durante 20 anos na TV Brasil. É mãe do ator Duda Nagle.

Com tom conspiratório, ela revela a postagem, e faz seu alerta. 

Nagle foi duramente criticada pelos internautas por disparar fake news de forma irresponsável.

JornalismoWando
Lembrando que a Leda Nagle é uma das principais disseminadoras de fake news sobre o coronavírus
Alexandre Garcia, Leda Nagle, Gazeta do Povo e Pingos nos Is da Jovem Pan são alguns dos que mais espalham fake news sobre coronavírus no YouTube.
Professor Glauco Silva
Leda Nagle, Pedro Bial, Alexandre Garcia, Allan dos Santos, Diogo Mainardi, Lacombe, Rodrigo Constantino, Danilo Gentile são todos do mesmo lixo fascista que assolou esse país! Precisamos de Lula para o povo Brasileiro recuperar sua sanidade.
Ivan Valente
@IvanValente
Que papel deplorável da Leda Nagle, espalhando Fake News como quem não quer nada. Esse é o método, alimentar a base bolsonarista com teoria da conspiração para desviar o foco da responsabilidade do Bolsonaro pelo genocídio. Não cola. Não tem fake que apague os crimes do genocida.

GovernaDino
Fiquem ligados! O que a Leda Nagle e eles estão fazendo é tentar criar um QAnon tupiniquim...cheio de teorias conspiratórias esdrúxulas...
Marcio Vaccari | Humor Político – Rir pra não chorar
18
Jul20

Quais são os efeitos das manifestações antidemocráticas

Talis Andrade

genildo intervenção militar .jpg

 

Nas redes e nas ruas, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro defendem há meses o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF). A Sputnik Brasil ouviu especialistas para entender o quadro.

No dia 19 de abril, Bolsonaro participou na manifestação em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, com faixas defendendo o Ato Institucional 5, decreto emitido pela ditadura militar que autorizou o fechamento do Congresso, a censura prévia e a cassação dos direitos políticos de opositores do regime.

Em discurso durante o ato, o presidente da República disse que os políticos precisam entender que "estão submissos à vontade de povo" e prometeu "fazer o que for possível para mudar o destino do Brasil".

Após o episódio, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu abertura de inquérito para apurar uma possível violação da Lei de Segurança Nacional. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a abertura do inquérito no dia 21 de abril.

Moraes autorizou, após pedido da PGR, a quebra de sigilo bancário de dez deputados federais e um senador. Todos eles são apoiadores de Bolsonaro. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra supostos financiadores e comunicadores ligados aos atos antidemocráticos. O blogueiro Allan dos Santos foi um dos alvos da operação.

No pedido de quebra de sigilo, a PGR disse que a transmissão dos atos gera renda para influenciadores digitais, segundo informações obtidas pelo Antagonista. De acordo com empresa especializada consultada pela PGR, o canal do YouTube Foco do Brasil pode ter faturado até R$ 98 mil com a transmissão do discurso de Bolsonaro no Quartel-General do Exército.

Após a movimentação do STF, canais bolsonaristas no YouTube apagaram vídeos. Levantamento da consultoria Novelo, obtido pelo jornal O Globo, mostra que mais de 2 mil vídeos foram retirados da plataforma. O canal Terça Livre, de Allan dos Santos, apagou 272 vídeos. Já o canal Foco do Brasil retirou 66 vídeos.

Moraes também autorizou a prisão da extremista Sara Giromini, integrante do acampamento 300 do Brasil. Sara, que foi solta com tornozeleira eletrônica, adotou para si o sobrenome "Winter", possível referência à ativista nazista britânica Sarah Winter.

Na verdade, essa parte da população sempre existiu, ela não é nova. Mas, diante do crescimento de vários valores democráticos ao longo dos últimos 20, 25 anos no Brasil, eles estavam mais abafados, digamos assim. É minoria, então estavam na oposição. E, hoje, eles estão em uma arena, são os protagonistas ou, pelo menos, conseguiram eleger um representante", afirma à Sputnik Brasil a cientista política e professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Maria do Socorro Braga.

Mesmo após a abertura do inquérito, Bolsonaro continuou participando de atos similares em Brasília. O presidente já passeou a cavalo e sobrevoou de helicóptero manifestações contra o STF e o Congresso. Para Braga, as manifestações governistas durante a pandemia de COVID-19 são uma tentativa de demonstrar apoio a um acuado Bolsonaro.

Apoio a ditadura diminuiu, aponta pesquisa

Desde 2018, o número de brasileiros que considera justificável um golpe militar caiu. De acordo com levantamento do Instituto da Democracia, 55,3% da população afirmou em 2018 que um golpe "se justificaria numa situação de muita criminalidade". Em 2019, este número recuou para 40,3% e, em 2020, registrou nova queda e ficou em 25,3%. O percentual de apoio a um hipotético golpe em outros contextos, como desemprego alto e corrupção, também diminuiu.

A pesquisa foi realizada entre 30 de maio e 5 de junho e fez 1.000 entrevistas por telefone. A margem de erro é de 3,1 pontos.

Fico com a impressão que esse dado de 2018 e a mudança dele ao longo desses dois anos talvez tenha a ver com o fato de que a ideia do golpe, do apoio à intervenção naquele momento ainda estava muito marcado pelo contexto do medo do PT e para tirar o PT vale tudo, até um golpe", afirma à Sputnik Brasil a antropóloga e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Leticia Cesarino.

Ainda assim, a professora da UFSC destaca a dificuldade de analisar pesquisas com perguntas sobre temas amplos como "golpe militar" e "muita corrupção" já que estas palavras têm significados diferentes para cada indivíduo e flutuam ao longo do tempo.

Já sobre os atos antidemocráticos, a antropóloga diz que eles demonstram a "redução significativa" de popularidade de Bolsonaro e que hoje eles representam "o último repositório dessa intenção antissistema por meio da qual Bolsonaro se elegeu."

A pesquisadora destaca que apesar de não ter sido encontrada nenhuma arma de fogo no acampamento dos 300 do Brasil, de Sara Giromini, o extremismo preocupa.

"É um discurso fascista? É. Mas a gente já viu essa passagem do discurso à prática de forma contundente? Não. Significa que não pode acontecer? Não. Claro que pode acontecer, mas isso já vem há dois anos. Teve uma ou outra coisa pontual, aquele ataque de coquetel molotov ao Porta dos Fundos, alguma coisa assim, mas essa passagem do discurso à prática da violência por esse grupo mais ideológico, que parece mais ideológico, ainda não foi feita. E eles, na bolha deles, jogam com isso o tempo todo", diz Cesarino.

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31
Mai20

Copo de leite: Bolsonaro usa símbolo nazista de supremacia racial em live

Talis Andrade

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"Ele vai dizer que não é, que é pelo desafio do leite, mas é um jogo de cena", afirma a antropóloga Adriana Dias, especialista em neonazismo

 

O presidente Jair Bolsonaro chamou atenção ao tomar um copo de leite puro durante live presidencial na última quinta-feira (29). Apesar do presidente dizer que estaria cumprindo um desafio de ruralistas, pesquisadores enxergam uma correlação do gesto com movimentos neonazistas – que adotam o copo de leite como símbolo.

Para Adriana Dias, que é doutora em antropologia social pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e que há anos pesquisa o fenômeno do nazismo, há uma referência clara entre o episódio e o neonazismo. “O leite é o tempo todo referência neonazi. Tomar branco, se tornar branco. Ele vai dizer que não é, que é pelo desafio, mas é um jogo de cena, como eles sempre fazem”, declarou à Fórum.

Dias, que é colunista da Fórum, ainda destaca que Bolsonaro pode se escorar no Shavuot, festa judaica que teve início na quinta-feira, para se justificar pelo ato, que ocorreu no mesmo dia em que explodiram manifestações em Minneapolis contra a violência policial contra negros – em razão do bárbaro assassinato de George Floyd. O leite como símbolo está diretamente ligado aos chamados “alt-right” estadunidenses. “O cara é engenhoso”, completou Dias.

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O antropólogo David Nemer, que pesquisa o bolsonarismo, fez uma sequência de postagens no Twitter comentando também a questão. “O extremismo do Bolsonarismo é tão tosco que eles apropriam tudo da Alt Right (extremistas brancos americanos) e com atraso – já que isso começou nos EUA em 2017”, declarou.

“Nacionalistas brancos fazem manifestações bebendo leite para chamar a atenção para um traço genético conhecido por ser mais comum em pessoas brancas do que em outros – a capacidade de digerir lactose quando adultos. É uma tentativa racista para se embasar em “ciência” p/ diferenciar e justificar a “raça branca”. Mas como já provado e explicado por toda ciência: Não há evidência genética para apoiar qualquer ideologia racista. O que há, é na verdade, um governo tosco e motivado pelo ódio”, detalhou Nemer.

O pesquisador ainda destacou a apropriação do leite por um grupo de bolsonaristas ligado ao perfil Leitadas Loen. Essa conta é alvo do inquérito do STF que investiga ataques ao Supremo e disseminação de fake news.

“O símbolo do copo de leite foi apropriado por uma facção das redes bolsonaristas, que são channers. Esse pessoal gosta da confusão que o meme gera com a simbologia nazista e se refestelam com a notoriedade que recebem da mídia. Essa fação é do Leon Leitadas”, acrescentou Nemer.

Desafio do Leite

Na live, Bolsonaro cita um desafio da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite) e elogia a ministra Tereza Cristina, no entanto, se nega a “desafiar” alguém, quebrando a corrente que estaria seguindo.

Após tomar o leite, ele fez questão de aproximar o copo da câmera.

 
28
Mai20

Inquérito contra fake news abala Carluxo

Talis Andrade

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por Altamiro Borges

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Batizado de pitbull pelo “paizão” presidente, Carlos Bolsonaro – ou Carluxo para os mais íntimos – deve estar miando. Por decisão do ministro Alexandre de Moraes, a Polícia Federal realizou na quarta-feira (27) várias operações no âmbito do inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura os crimes das fake news. 

Ao todo, foram 29 mandados de busca e apreensão que podem revelar como funciona e quem financia a fábrica de mentiras e o chamado "gabinete do ódio", que é liderado pelo vereador Carluxo Bolsonaro.

A relatora da CPMI das fake news, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), já solicitou que o STF compartilhe as provas colhidas. “Teremos agora novos elementos que ajudarão a desmontar essa rede de ódio, inverdades e impunidade que vem ameaçando a própria existência da democracia". 

Em dezembro, uma bolsonarista arrependida, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), já havia revelado à CPMI das fake news que os filhotes de Bolsonaro comandavam a ação criminosa nas redes sociais. Agora, com as apreensões da Polícia Federal, as provas contra os mimados filhotes do presidente poderão vir à tona.

Além disso, as provas colhidas no inquérito do STF ainda poderão influenciar o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que analisa supostos crimes cometidos na campanha de Jair Bolsonaro em 2018. “Elas podem colocar em dúvida a lisura do escrutínio”, explica Eugênio Aragão, advogado do PT no caso. 

Alexandre de Moraes já ordenou a quebra de sigilo bancário e fiscal dos empresários bolsonaristas que financiaram a difusão de fake news entre julho de 2018 e abril de 2020. A investigação do período de campanha eleitoral pode revelar o esquema milionário e criminoso que elegeu o fascista Jair Bolsonaro.

Os empresários investigados no inquérito

- Luciano Hang. O patético e espalhafatoso dono da rede de lojas Havan é hoje um dos bolsonaristas mais ativos do país. Ele é amigo íntimo do presidente, que inclusive já lhe prestou alguns favores palacianos. No caso específico das fake news, o “véio da Havan” aparece em várias postagens com suas roupas ridículas e suas postagens de ódio. Ele tem cerca de 4,5 milhões de seguidores nas redes sociais. 

Recentemente, através do portal transparência do Facebook, descobriu-se que ele aumentou a propagação de convocatórias para os atos que aconteceram em Brasília em 15 de março contra o Congresso Nacional e STF. A operação de busca e apreensão contra o empresário fascista se deu em sua casa e escritório em Brusque, Santa Catarina.

- Edgard Corona. Dono da milionária rede de academias Smart Fit, o fascistinha trocou mensagens nas redes sociais confessando que pretendia impulsionar vídeos no Facebook contra o Congresso Nacional e em defesa do laranjal de Bolsonaro. Em fevereiro, a Folha revelou algumas mensagens que sugerem que o empresário financiou as redes bolsonaristas de fake news. A operação da PF foi realizada em sua mansão em São Paulo. 

- Otávio Fakhoury. O investidor Otávio Fakhoury virou alvo das operações por ter declarado, em um grupo de WhatsApp, que financiaria caminhões de som nas manifestações fascistas de 15 de março. “Não vou deixar esses canalhas derrubarem esse governo”, afirmou na ocasião o prepotente ricaço. A operação de busca e apreensão foi realizada em sua casa e escritório em São Paulo.

Os difusores de ódio e de fake news

- Allan dos Santos. O blogueiro aloprado edita o site Terça Livre, um dos mais hidrófobos da internet. Na fase recente, o principal alvo de suas baixarias tem sido o STF. No início de maio, por exemplo, ele postou uma foto em frente ao prédio do Supremo apontando o dedo do meio. “Não podia deixar de dar minha opinião sobre quem rasga a Constituição”, escreveu na legenda. Em janeiro, Allan do Santos foi intimado para depor no inquérito, mas não compareceu. “Enquanto esse inquérito infantil continuar, nada que provenha dele terá minha submissão”, esbravejou o valentão no Twitter.

- Bernardo Küster. O youtuber baba ódio nas redes sociais. Em abril, ele divulgou em seu canal do YouTube uma teoria da conspiração que afirmava que o STF estaria aparelhado pelo Foro São Paulo, uma organização que reúne partidos de esquerda da América Latina. No vídeo, o maluco jurou que a suspensão da nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da Polícia Federal seria a prova da ligação dos ministros do STF com o Foro São Paulo. Ele também afirmou que o Supremo estaria escondendo os mandantes da facada em Bolsonaro. 

- Sara Winter. A ativista Sara Geromini é a líder do grupo terrorista “300 do Brasil” que está acampado em Brasília desde o início de maio. O Ministério Público do Distrito Federal já classificou o grupelho de “milícia armada”. Através das redes sociais, a provocadora Sara Winter prega a realização de atos de vandalismo contra o presidente da Câmara Federal e os ministros do STF. 

Após a operação de busca e apreensão em seu apartamento em Brasília, a fascistinha desafiou Alexandre de Moraes em vídeo na internet: “Eu queria trocar soco com esse filho da puta arrombado... Pena que ele mora em São Paulo. Se estivesse aqui, eu estava lá na porta da casa dele, convidando ele para trocar soco comigo... Você me aguarde, Alexandre de Moraes. O senhor nunca mais vai ter paz na vida. A gente vai infernizar a tua vida. A gente vai descobrir os lugares que o senhor frequenta. A gente vai descobrir quem são as empregadas domésticas que trabalham para o senhor. A gente vai descobrir tudo da sua vida, até o senhor pedir para sair”.

Os parlamentares bolsonaristas

- Bia Kicis. A procuradora aposentada e deputada federal pelo PSL do Distrito Federal é uma fascista convicta. Pelas redes sociais, ela vive atacando os pilares da democracia e sugerindo intervenção militar. Na segunda-feira (25), por exemplo, ela acusou o ministro Celso de Mello de ter “um plano para abalar a confiança” dos eleitores de Bolsonaro. Não apresentou qualquer prova – como geralmente ela procede. 

- Carla Zambelli. A deputada federal pelo PSL de São Paulo é hoje uma das principais estafetas de Bolsonaro. Ela até rompeu com seu padrinho de casamento, Sergio Moro. Recentemente, afirmou em entrevista à rádio Jovem Pan que “acredita” que Alexandre de Moraes tem ligação com o PCC – mas não apresentou qualquer evidência. 

- Cabo Junio Amaral. O deputado federal pelo PSL de Minas Gerais tem participado dos atos fascistas pelo fechamento do Congresso e do STF. Ao saber que seu nome aparecia no inquérito, ele ainda provocou nesta quarta-feira (27): “Repudio com veemência essa clara ilegalidade. Com a ‘credibilidade’ que eles [o Supremo] gozam, vão me promover e mais nada”, disparou no Twitter.

- Daniel Silveira. O deputado federal pelo PSL do Rio de Janeiro ficou famoso ao quebrar a placa da vereadora assassinada Marielle Franco. Pelo Twitter, ele vive disparando notícias falsas e convocando atos contra a democracia. No final de abril, por exemplo, ele participou de protesto em Brasília contra Rodrigo Maia.

- Douglas Garcia. O deputado estadual pelo PSL de São Paulo impulsionou convocatórias para atos fascistas. Pelo Facebook, um assessor do parlamentar confirmou que pagou para aumentar a propagação das mensagens. Em um vídeo, o deputado também aparece berrando e xingando os ministros do STF. Outro deputado estadual do PSL-SP que está arrolado no inquérito é o provocador Gil Diniz.

- Filipe Barros. O deputado federal pelo PSL do Paraná adora destilar veneno nas redes contra os ministros do Supremo. Ele também já se referiu a alguns membros do Ministério Público Federal como gângsteres.

- Luiz Philippe de Orléans e Bragança. Deputado federal pelo PSL de São Paulo e descendente dos imperadores Pedro 1º e Pedro 2º, o monarquista detesta a democracia. 

- Roberto Jefferson. O ex-deputado federal e atual presidente do PTB, famoso corrupto que só saiu da cadeia por benevolência da Justiça, virou um bolsonarista convicto. Na verdade, é um velhaco oportunista. Portando fuzil em foto no Twitter, ele agora resolveu atacar o STF. Em entrevista recente à Rádio Gaúcha, ele afirmou que o Supremo estaria arquitetando um golpe contra Bolsonaro. E rosnou: “A toga não é mais forte que o fuzil”.

 

27
Mai20

Conheça os primeiros nomes das milícias digitais que estão sendo investigados a partir de hoje

Talis Andrade

Shahrokh Heidari  assédio.jpg

 

A corrupção da informação precisa ser combatida, punindo os financiadores, e todos os pseudos jornalistas que propagam mentiras, meias-verdades e, principalmente, injúrias,  difamações, ameaças, bullyng, assédio, calúnia, abusos e falsidades. 

Sem nenhum compromisso com a ética, com a verdade, as principais fontes de informações criminosas hoje estão a serviço de Jair Bolsonaro (a família presidencial) e de Sérgio Moro (a lava jato, a república de Curitiba). 

Nas eleições de 2018, estes dois núcleos de informações persuasivas influenciaram os resultados das urnas, tornando vitoriosas as campanhas de candidatos da extrema direita para presidente-e-vice, para governadores estaduais, senadores e deputados federais e estaduais mais votados. 

A propagação do ódio, do medo, o terrorismo da informação vão aparecer no âmbito do inquérito do Supremo Tribunal Federal  — conhecido como Inquérito das Fake News, que apura a produção de informações falsas e ameaças aos ministros do STF. 

É preciso também investigar se esses bandos possuem braços armados, que as eleições de 2018 foram marcadas por agressões físicas e assédios judicial e policial. 

Discursando em seminário da Abraji, os ministros do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes foram enfáticos na defesa da liberdade de expressão como valor central da democracia, mas alertaram que ela não deve ser usada como preceito para disseminar desinformação. Os magistrados também defenderam o fortalecimento do jornalismo profissional.

Já foram identificados quatro financiadores das milícias digitais: Edgard Corona, Luciano Hang, Reynaldo Bianchi Júnior e Winston Rodrigues, e determinada a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos quatro para o período entre julho de 2018 e abril de 2020.

O ministro do STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, fez uma retomada histórica. “Minha relação com a imprensa é intensa e antiga. Descobri o Brasil ‘não oficial’ por meio do jornalismo, em 1975, com o assassinato do jornalista Vladimir Herzog e a simulação desonrosa da prática de suicídio. Descobri um país no qual, por trás da retórica do milagre econômico, faltavam liberdades essenciais e se torturavam adversários do regime. Foi um choque de realidade. A partir dali, comecei a ser um pensador crítico do regime e da sociedade”.

Barroso reforçou que, após o período de redemocratização, “houve tropeços” na manutenção da liberdade de imprensa, mas que também houve êxitos. O ministro citou como exemplo a revogação, em 2009, da Lei de Imprensa, mecanismo do período ditatorial vigente no país décadas após a promulgação da Constituição Cidadã, e reafirmou o compromisso do STF com a manutenção da liberdade de imprensa como pressuposto decisivo na preservação da cultura, da memória e da história do país.

“Convivi anos com a censura, que se impunha em nome da moral, da família, dos bons costumes e de outros pretextos de intolerância. Desde cedo me convenci de que a censura oscila entre o arbítrio, o capricho, o preconceito e o ridículo”, disse.

O ministro também lembrou uma tendência mundial de fragilização das democracias. “O mundo vive hoje um surto de democracias iliberais, que são a conjugação do conservadorismo intolerante, do populismo e do autoritarismo. Em grande parte desses regimes, líderes eleitos pelo voto popular vão desconstruindo regras da democracia, entre elas a liberdade de imprensa”.

O ministro Alexandre de Moraes, que encerrou o seminário, defendeu "o dever da imprensa de levar informações à população para que, dentro de um mercado livre de ideias, haja possibilidade de se chegar a consensos". Mas fez uma ressalva: "essa liberdade não pode se confundir com irresponsabilidade, ou com a possibilidade de, sob o falso manto da liberdade de expressão, fazerem-se associações criminosas”, disse.

“Ao mesmo tempo, não podemos confundir a responsabilização desses atos com qualquer possibilidade de censura prévia ou cerceamento do direito de a pessoa se expressar”, completou.

“Não é possível que novas formas de mídia se organizem com a finalidade de propagar discursos racistas, discriminatórios, de ódio ou contra democracias”, exemplificou o magistrado.

Moraes também reafirmou que as instituições do Judiciário devem ser firmes na responsabilização de agressores da imprensa e de jornalistas. “Se tivermos jornalistas amedrontados por ameaças, sejam físicas, sejam virtuais, estamos abrindo mão da liberdade de imprensa. Ela não é construída por robôs. O que é disseminado por robôs são as fake news”.

O seminário foi uma realização da Abraji e do Conselho Federal da OAB, com apoio da ESPM e da Faculdade de Direito da USP.

A Polícia Federal realizou buscas e apreensões nesta quinta-feira (27) no âmbito do Inquérito das Fake News.

São investigados:

  • Luciano Hang (SC): empresário, dono da Havan, apoiou Bolsonaro durante a eleição de 2018 e segue aliado do presidente
  • Roberto Jefferson (RJ): ex-deputado federal preso no Mensalão. Seu partido, o PTB, declarou apoio a Bolsonaro em 2018. Nas redes, tem defendido o presidente e criticado o STF, pedindo que Bolsonaro aposente compulsoriamente os ministros
  • Allan dos Santos (DF): blogueiro, é apoiador de Bolsonaro e um dos fundadores do site "Terça Livre"
  • Sara Winter (DF): blogueira. Em uma rede social, se define como "ativista pró-vida e pró-família, analista política e conferencista internacional"
  • Winston Lima (DF): blogueiro, dono do canal no YouTube "Cafezinho com Pimenta", onde transmite diariamente as falas de Bolsonaro na saída do Palácio do Alvorada. Promove manifestações de apoio ao presidente
  • Edgard Corona (SP): empresário, dono das redes de academia SmartFit e BioRitmo (SP)
  • Edson Pires Salomão (SP): assessor parlamentar do deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP)
  • Enzo Leonardo Suzi (SP): youtuber no canal no YouTube "Enzuh" e apoiador do governo Bolsonaro
  • Marcos Bellizia (SP): um dos líderes do movimento "Nas Ruas", que foi fundado em 2011 por Carla Zambelli, hoje deputada federal. O grupo organizava manifestações populares, em geral contra a corrupção
  • Otavio Fakhoury (SP): Investidor do setor imobiliário, um dos fundadores do partido Aliança para o Brasil, que está sendo formado em torno de Bolsonaro, e colaborador do site conservador  "Crítica Nacional"
  • Rafael Moreno (SP)
  • Rodrigo Barbosa Ribeiro (SP): assessor parlamentar do deputado Douglas Garcia (PSL) e líder do "Movimento Conservador" em Araraquara
  • Paulo Gonçalves Bezerra (RJ)
  • Reynaldo Bianchi Júnior (RJ): humorista, músico e palestrante
  • Bernardo Kuster (PR): em uma rede social, se define como diretor de opinião do jornal "Brasil Sem Medo". O veículo tem como presidente de seu conselho editorial Olavo de Carvalho, ideólogo do qual Bolsonaro se declarou, em 2019, um admirador
  • Eduardo Fabris Portella (PR)
  • Marcelo Stachin (MT): nas redes sociais, é defensor de Bolsonaro e com frequência se manifesta contrário ao STF
     
     
    William De Lucca
    @delucca
     
    O nome do Fernando Holiday é Fernando Silva Bispo. O nome da Sara Winter é Sara Fernanda Giromini. Essa gente da direita não é só colonizada, mas também é brega na hora de escolher o nome político, né?
 

 

 

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