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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

25
Out22

Bolsonaro contra as crianças

Talis Andrade

Bolsonaro contra as crianças. Por Ilana Katz* | Combate Racismo Ambiental

CRIANÇA EMBAIXO DO VIADUTO: NINGUÉM VIVE BEM EM UM PAÍS QUE NEGLIGENCIA SUA POPULAÇÃO. FOTO: ISABELLA FINHOLDT/SUMAÚMA

 

A análise de fatos, vetos e políticas de governo mostra que o atual presidente determinou quem são as meninas e meninos “matáveis” do Brasil

 

por ILANA KATZ

As notícias sobre violências contra crianças costumam nos interromper. A gente para, pensa nos filhos, engole seco, lembra das crianças que vimos crescer e procura formas de lidar com a crueldade de um ato contra alguém com pouca ou nenhuma chance de se defender do ataque. Diante do horror que a humanidade pode produzir contra aqueles que deveria ser capaz de proteger, nos indignamos e fazemos a já clássica série de perguntas: como assim?, como pode?, com que coragem?. São interrogações que não têm fim e que não sossegam, porque a resposta que encontramos é contraintuitiva: sim, a humanidade é capaz de negligenciar, machucar, violar e matar crianças. A política da morte, no conceito de Achille Mbembe, a chamada necropolítica, não deixa as crianças de fora e escolhe entre aquelas a quem dá o direito à vida e à proteção social, e aquelas que considera “matáveis”. É preciso, porém, ir além da consternação. É preciso encarar por quais caminhos, hoje, o Brasil negligencia, desprotege e vulnerabiliza suas crianças. Análises dos quase 4 anos de Bolsonaro mostram que a lógica que guiou seu governo negligenciou a vida de determinadas crianças. É urgente agir para impedir que parte das infâncias brasileiras sigam na categoria de “matáveis” por mais 4 anos.

As crianças estão inscritas no artigo 227 da Constituição Brasileira como prioridade absoluta. Isso quer dizer que, de acordo com a Carta Magna, “é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.

Em 2022, ao examinarmos as condições de vida das crianças brasileiras, fica evidente que, diante do que está proposto, o fracasso é imenso. E, assim, torna-se monstruoso.

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11 em cada 100 brasileiros de 11 a 19 anos estão fora da escola e quase 50% saíram trabalhar e ajudar a família; entre os que ficaram, 21% já pensaram em desistir

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Crianças entre 4 a 10 anos que estão na escola sem conseguir aprender apresentam risco real de terem a vida escolar interrompida

Atos praticados de forma direta contra as crianças são estarrecedores. Os assassinatos hediondos, a violência sexual, ou coerções abusivas e violadoras, muitas vezes praticadas por representantes das instituições da República, como naquela oportunidade em que uma juíza ousou perguntar para uma menina de 11 anos, estuprada e grávida, se ela não podia aguentar mais um pouquinho para a criança nascer e evitar um aborto, chocam e indignam. A pergunta que não deveria dar descanso, porém, é sobre o que está sendo feito em termos de políticas efetivas contra a violência sexual que, de acordo com o Instituto Liberta, vitimiza 4 meninas por hora no Brasil.

Quando nos damos conta de que 76,5% dos crimes sexuais acontecem na família da vítima, não escapamos de considerar o papel fundamental que as escolas assumem nesse processo. A educação sexual, que ali pode e deve ter lugar, não é o único, mas é, certamente, um meio poderoso de agir contra a exploração sexual de meninas e meninos. Nublar esse debate com o argumento vazio e contracientífico que ficou conhecido como “ideologia de gênero”, dizendo que falar sobre sexo com crianças é o que as vitimiza, não faz nada mais do que perpetuar a violência contra as crianças. Negando informação, nega-se acolhimento e a possibilidade de emancipação dos jovens, que, sem isso, seguirão submetidos aos que os violentam. Os dados são muito claros: apenas 10% dos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes são notificados.

O que vemos é que está em curso um outro nível de violência contra crianças: a que se institui por negligência deliberada e que impede o acesso a direitos básicos, como aconteceu no caso das crianças Yanomami, em áreas invadidas por garimpeiros ilegais, que morreram por excesso de vermes, que morreram “do que um comprimido poderia evitar”. Havia vermes – e não havia medicamentos. Crianças indígenas foram então condenadas a vomitar vermes – e, das 9 crianças que morreram por doenças básicas entre julho e o início de setembro, 2 delas morreram nessa condição.

A denúncia, mostrada na primeira edição de SUMAÚMA, explica muito bem como atos deliberados de negligência, praticados pelo governo que escolheu proteger apenas algumas crianças e vulnerabilizar outras, afeta populações determinadas. Essas negligências, porém, atingem a todas as crianças brasileiras – e não só as que estão marcadas pela desigualdade decidida por marcadores sociais de raça, classe, gênero e deficiência. Atinge mesmo as que poderiam se pensar protegidas pelo privilégio que é acessar direitos no Brasil. Ninguém vive bem em um país que negligencia o cuidado de sua população.

Nos últimos anos, o Brasil assistiu às mais diversas formas de desmantelamento de políticas de proteção e cuidado que vinham sendo construídas por disputas de ideias, e avançando pela pactuação democrática. As notícias recentes são estarrecedoras e, embora não deem conta de descrever tudo o que perdemos, revelam os efeitos diretos do desinvestimento público sobre a vida das crianças.

No campo da saúde, um levantamento sobre a queda da imunização no Brasil, realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mostra o impacto da desproteção de alguns sobre a vida de todos. Neste ano, 3 em cada 5 crianças brasileiras menores de 5 anos estão desprotegidas contra a poliomielite, a doença que causa a paralisia infantil. Segundo Bernardo Yoneshigue, repórter da Folha de S.Paulo, “os dados preocupam especialistas, que avaliam uma possibilidade real da volta do vírus ao país, porque, para manter o vírus sob controle, 95% do público-alvo deve estar imunizado, e, no ano de 2021, apenas 69,9% da população foi protegida”. O Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações mostra que a última vez que o Brasil alcançou a meta foi em 2015, ano anterior ao impeachment de Dilma Rousseff (PT). Vale lembrar também que, em 2019, o Brasil perdeu o certificado de erradicação do sarampo.

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Em 2019, o Brasil perdeu o certificado de erradicação do Sarampo

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Em 2022, 3 em cada 5 crianças brasileiras menores de 5 anos não estão protegidas contra poliomielite e há risco real de o vírus voltar

Na educação, o relatório da Unicef Educação Brasileira em 2022 — A Voz dos Adolescentes denuncia que 11 em cada 100 brasileiros com idades de 11 a 19 anos estão fora da escola em 2022. Quase metade deles deixaram a escola para trabalhar e ajudar a sustentar suas famílias. O Brasil que colocava cada vez mais gente na sala de aula não existe mais, tornou-se uma imagem do passado. Mais grave ainda é constatar que acessar a escola não quer dizer a mesma coisa que acessar o direito fundamental à educação. Este mesmo relatório mostra que, entre os que permanecem na escola, 21% pensaram em desistir nos últimos 3 meses, e, entre esses, o motivo principal de metade deles é a dificuldade de acompanhar as explicações ou atividades propostas. Para calcular o crescimento da evasão escolar, será ainda necessário somar as crianças de 4 a 10 anos que estão na escola sem conseguir aprender e que, portanto, apresentam risco real de terem a vida escolar interrompida.

Na segurança pública, a lógica segregacionista está explícita. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em 2021, o assassinato de crianças e adolescentes que vivem na Amazônia Legal foi 34,3% superior à média nacional. E a média nacional é alarmante: 8,7 mortes violentas de crianças e adolescentes a cada 100 mil pessoas de 0 a 19 anos. A desigualdade racial é mais do que evidente: 66,3% das vítimas são negras e 31,3%, brancas. Entre os adolescentes, a proporção de vítimas negras salta para espantosos 83,6%.

A violência contra crianças produzida por negligência deliberada fica muito clara quando constatamos que a verba federal para a compra de merenda escolar não sofre reajuste desde 2017, enquanto nos últimos 5 anos a inflação acumulada (de setembro de 2017 a setembro de 2022) foi de 31,26%. Não é novidade que parte significativa da população de crianças brasileiras tem, na merenda escolar, a garantia de alimentação diária. Em agosto deste ano, porém, o reajuste para 2023 foi novamente vetado pelo governo Bolsonaro.

Como fica explícito na análise das escolhas do governo Bolsonaro, no campo das infâncias não é preciso fazer muita coisa para desproteger: a escolha pode ser, apenas, não fazer. É o que aprendi com Eliana Sousa Silva, diretora da Redes da Maré: como a negligência de Estado vulnerabiliza determinadas populações. Um governo que protege suas crianças não as deixa morrer de fome. Segundo dados dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), porém, mais de 65 milhões de brasileiros passam fome. Outra pesquisa, esta feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostra que, entre os anos de 2019 e 2021, o Brasil ultrapassou, pela primeira vez, a média mundial de pessoas sem condição de se alimentar. O jornal Nexo, ao esmiuçar as políticas públicas, mostrou que “o percentual de residências com crianças abaixo de 10 anos com insegurança alimentar grave praticamente dobrou de 2020 para 2022, passando de 9,4% para 18,1 %. Quando nessas casas há 3 ou mais pessoas com até 18 anos, o número sobe para 25,7%”.

Sequer mencionamos lazer, acesso à cultura, promoção de saúde mental e o cenário já é mortífero. Muita gente no campo social e, principalmente, no campo da política partidária, acredita — ou, pelo menos, tenta nos fazer acreditar que acredita — que se dedica à proteção das infâncias. Mas para levar as infâncias a sério e sustentar compromissos de cuidado com cada uma das crianças brasileiras é necessário muito mais do que discursos em tom caridoso de dedicação às criancinhas. É como diz aquele provérbio africano que repetimos à exaustão, no curso da crise sociossanitária resultante da pandemia de covid-19: “É preciso uma aldeia inteira para cuidar de uma criança”. A questão é que esse provérbio precisa ser lido, também, pelo seu avesso: é preciso cuidar da aldeia para cuidar de crianças.

A precisão dessa constatação pode ser vista no caso da mãe e do filho encontrados mortos, dentro de casa, em Uberlândia, em 13 de outubro de 2021. Segundo a imprensa, ela era cardíaca e provavelmente passou mal. O filho, tetraplégico, dependia dela e não pôde nem socorrê-la e nem sobreviver sem o cuidado da mãe. Morreram ambos, em dor e solidão, porque não havia uma aldeia, o que significa que não havia uma rede de proteção social para nenhum dos dois. É por fatos brutais como este que, se as violências contra crianças nos fazem parar, é imperativo que realmente paremos com a ladainha e passemos à ação. Não existe a possibilidade de cuidar de uma criança sem lhe oferecer um contexto que promova a vida — a sua, a dos seus, a dos outros.

O que temos como a mais dura e violenta realidade, porém, é que no país em que quase metade das famílias é chefiada por mulheres, a crise agravada pela pandemia produziu a feminização da fome. Os dados da já mencionada pesquisa da Fundação Getúlio Vargas apontam que, ao produzir 4,6 milhões de novos pobres, o contexto da pandemia produziu também um aumento de 14 pontos percentuais entre as mulheres que estão em situação de insegurança alimentar. “Como resultado, a diferença entre gêneros da insegurança alimentar em 2021 é 6 vezes maior no Brasil do que na média global.” Como o próprio relatório da pesquisa aponta, as mulheres estão mais próximas das crianças, e isso gera consequências para o futuro do país: a subnutrição infantil deixa marcas físicas e mentais permanentes.

A negligência comprovadamente deliberada do governo Bolsonaro na gestão da pandemia de covid-19 deixou, até agora, mais de 680 mil mortos no Brasil. Isso significa muitas filhas e filhos, milhares de netas e netos sem suas figuras de referência e proteção, lançadas precocemente na perda e no luto. Segundo a renomada revista de medicina Lancet, entre março de 2020 e abril de 2021, ao menos 130.363 crianças e adolescentes brasileiros, com até 17 anos, ficaram órfãos. Entre março de 2020 e setembro de 2021, os cartórios do Brasil registraram mais de 12 mil crianças de até 6 anos de idade na orfandade. Entre essas, 25,6% ainda não tinham completado 1 ano de idade quando perderam pai e/ou mãe. Esses números nos obrigam a questionar a ideia, que circula entre muitos, de que as crianças seriam a população menos afetada pela covid-19. As crianças órfãs são vítimas da covid porque são vítimas da chamada “pandemia oculta”, que, na verdade, está escancarada na nossa cara.

É ainda mais brutal. Em 7 de junho de 2021, o Brasil conquistou o título macabro de segundo país com mais mortes de crianças por covid-19 no mundo. Bolsonaro, porém, no dia 14 de outubro, em sua campanha à reeleição, disse que “a molecada” não morreu de covid, desmentindo os dados oficiais de seu próprio governo, que apontam 2.500 crianças e adolescentes de zero a 17 anos mortos pelo vírus. O extremista de direita diz que esses dados, dispostos pelo Ministério da Saúde de seu governo, foram fraudados. Como de hábito, não apresenta provas. Aqui na terra redonda, porém, cuidar das famílias enlutadas e proteger as crianças órfãs, necessariamente, demandam política pública e funcionamento efetivo da rede de proteção social. É por essa razão que Maria Thereza Marcílio, presidente da instituição Avante – Educação e Mobilização Social, sintetiza muito bem quando diz que “lugar de criança é no orçamento”.

A pauta racial é incontornável quando se discute a orfandade no Brasil. Pesquisas realizadas pela Rede de Pesquisa Solidária e pelo Instituto Pólis informam que pessoas negras morreram mais de covid-19 do que pessoas brancas. Portanto, a pandemia não foi democrática, como tentaram nos fazer acreditar no início. Ao contrário, a negligência deliberada do governo na gestão da crise reproduziu e ampliou as desigualdades sociais e raciais. Na base do mercado de trabalho, no qual se incluem os serviços domésticos, os números revelam o que já sabemos: “Não apenas as mulheres negras têm maiores chances de mortalidade pela covid-19 em comparação aos homens brancos em praticamente todas as ocupações de menor instrução, como também são maiores as chances em relação às mulheres brancas”.

A violência desses dados indica quais são as crianças que o Estado escolheu não proteger: na sua maioria, são as crianças filhas das mulheres negras. A hipótese de que muitas mulheres morreram como Cleonice Gonçalves, a empregada doméstica que foi uma das primeiras vítimas de covid no Brasil, faz sentido. Ela morreu porque não lhe foi concedida a possibilidade de isolamento social, morreu porque continuou servindo sua patroa, morreu porque não foi informada de que a patroa tinha covid-19. Quantas outras não cuidaram das crianças e da casa para os patrões se dedicarem ao home-office, que, já na expressão importada, revela a que classe social e a que raça serviu? Com as escolas fechadas, as filhas e filhos destas mulheres ficaram ou desamparadas ou protegidas por práticas de cuidado inventadas nos territórios considerados periféricos, que, diante da negligência do governo, buscam criar soluções para sobreviver.

Quem entrar no site da Câmera dos Deputados pode verificar que há um projeto de lei, de autoria do deputado Alexandre Padilha (PT), que desenha uma política de atenção integral às vítimas e familiares de vítimas da pandemia de covid-19, articulando toda a rede de proteção social (saúde, educação e assistência social). Mesmo aprovado pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados em junho de 2022, o projeto tramita lentamente: ainda precisa ser aprovado em mais duas comissões e só depois vai para o Senado. A pergunta indignada insiste: por que esse projeto de lei não está em ação, cuidando de crianças e adolescentes órfãos que o Brasil deveria ser capaz de proteger?

Talvez as razões sejam muito próximas dos motivos que levaram o atual governo a cortar 90% do orçamento da verba destinada ao combate à violência contra mulher, 80% do investimento destinado à construção de creches e pré-escolas (de 2018 até hoje) e 45% da verba destinada ao tratamento do câncer, a segunda doença que mais mata no país. Mata as crianças, mata suas mães, seus pais, suas pessoas de referência.

A criança é um medidor das políticas de cuidado do Estado para promover justiça social. Nesta operação, o Brasil no qual vivemos nos últimos anos está reprovado. Como pesquisadora no campo das infâncias, há quatro anos me apoio na luta de Bruna Silva para situar os efeitos da necropolítica, a política que escolhe as crianças dignas de proteção e as que serão deixadas para morrer. Bruna é a mãe de Marcos Vinícius, o menino que, em 2018, aos 14 anos, levou um tiro e morreu com a roupa da escola, numa operação policial na favela da Maré. A última fala do filho impede a mãe de dormir: “Mãe, eles não viram que eu estava com a roupa da escola?”. Nem as marcas mais óbvias e universais da infância, como o uniforme da escola, foi capaz de protegê-lo.

Segundo o instituto Fogo Cruzado, de 2016 a 2022, ações e operações policiais mataram 47 crianças na Grande Rio e outras 87 foram vitimadas pelas chamadas “balas perdidas”, que parecem sempre achar os mesmos corpos negros. Em 26 de setembro, há poucos dias do primeiro turno das eleições no Brasil, José Henrique da Silva, o Careca, foi uma das 7 pessoas mortas em outra operação policial realizada nas favelas da Maré. Careca, 53 anos, era testemunha da morte de Marcos Vinícius. Com seu assassinato, parte importante da história de Marcos Vinícius desapareceu. Esta morte interrompeu a vida de um brasileiro que deixou muita saudade e também revitimizou Marcos Vinícius e sua família, ao ferir seu direito à memória e à justiça. A articulação destas duas mortes vitimiza o Brasil, ao reproduzir injustiça para as crianças e para os adultos, fragilizando qualquer experiência de cidadania.

Quando recebi a notícia da morte de Careca, era noite de Rosh Hashaná, ano-novo judaico. Nessa oportunidade, nós, judeus, nos desejamos um ano bom e doce. Porém, para brasileiras e brasileiros que sonhamos e lutamos por justiça social, é impossível dormir sem fazer a pergunta: em quais famílias o ano começa bom e doce?

Marcos Vinícius, Careca e a fome que se tornou feminina expõem dimensões diversas do horror a que estamos todas e todos submetidos. Difícil mesmo, sob essa condição, é justificar o discurso que diz defender a família quando parte das crianças foram convertidas pelo atual governo em “matáveis”, desprotegendo assim todas as infâncias. Suas mães, já condenadas à tristeza e à injustiça, voltaram a sentir fome, muita fome.

O primeiro turno mostrou que 51 milhões de brasileiras e brasileiros, ao escolher Bolsonaro nas urnas, elegeram também, conscientes ou não, tudo isso que aqui está descrito. Outros 5,4 milhões, ao votar nulo ou branco, se omitiram diante da vida de crianças. O mesmo se poderia dizer das quase 33 milhões de pessoas que não compareceram às urnas. Neste caso, porém, precisamos lembrar de Ana Mirtes, que não pode votar porque precisou escolher entre pagar o ônibus que a levaria à sua zona eleitoral em São Paulo ou dar comida ao filho de 10 anos. Ana Mirtes escolheu a vida imediata do filho e, assim, teve roubado seu direito de escolher quem ela acredita que cuidará melhor das infâncias nos próximos anos. Ana Mirtes votaria em Lula, mas preferiu adiar a fome do filho para o dia seguinte, retrato eloquente do que aconteceu com a população dos considerados “matáveis” nos últimos anos. O resultado das urnas, em 30 de outubro, no segundo turno das eleições, definirá o destino das crianças brasileiras. Definirá também quem somos nós, os adultos que escolhemos que tipo de governo vai cuidar delas.

*Ilana Katz. Psicanalista, doutora em educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, pós-doutora em psicologia clínica pelo Instituto de Psicologia da USP; assessora do projeto Primeira Infância na Maré: Acesso a Direitos e Práticas de Cuidado” (Redes da Maré), no Rio de Janeiro; conselheira do Projeto Aldeias, no Médio Xingu, na Amazônia brasileira; integrante do conselho consultivo do Instituto Cáue — Redes de Inclusão; supervisora do Núcleo de Estudos e Trabalhos Terapêuticos (NETT) e integrante da Rede de Pesquisa Saúde Mental Criança e Adolescente

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Entre 2019 e 2021, o país ultrapassou pela primeira vez a média mundial de pessoas sem condição de se alimentar

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O percentual de residências com crianças abaixo de 10 anos em insegurança alimentar grave foi de 9,4% (2020) para 18,1 % (2022)

16
Jul22

A “milicianização” das eleições

Talis Andrade

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por Cristina Serra

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Pela enésima vez, o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, com um coronel a tiracolo, levantou suspeitas sobre as urnas eletrônicas, em audiência no Senado. Já é uma anomalia o general ir à casa legislativa falar de um assunto do qual nada entende, e a dupla ainda vai lá reforçar o trololó golpista.

Peroraram sobre “vulnerabilidade” das urnas, “ameaça interna”, “código malicioso” e tiveram a petulância de propor uma votação paralela com cédulas de papel. A única “ameaça interna” a eleições limpas, livres e seguras neste país são golpistas como Bolsonaro, o general, o coronel e os que apoiam essas sandices. Como disse o deputado Alexandre Padilha (PT-SP), em entrevista ao ICL Notícias, votação paralela é “milicianização das eleições”.

A sombra golpista que os herdeiros dos porões projetam sobre o país só é possível porque o Brasil fez uma transição incompleta da ditadura para a democracia. Diferentemente de outros países da América Latina, aqui os crimes dos militares foram varridos para debaixo do tapete da Lei de Anistia. Assassinato, tortura e estupro nas prisões foram perdoados e o país seguiu em frente, como se fosse normal tocar a vida sem se olhar no espelho e ver a monstruosidade refletida.

A covardia do estupro nos porões é a mesma do anestesista que dopa mulheres para violentá-las na hora do parto. É a mesma do general da pandemia que atrasou a compra de vacinas, empurrando centenas de milhares para a morte. É a mesma dos filhotes da ditadura que agora querem estuprar o processo eleitoral e a democracia. Covardes! Mil vezes covardes!

Como disse com assustadora franqueza John Bolton, ex-assessor do governo Trump, em entrevista à CCN americana, planejar golpes “dá muito trabalho”. Militares e civis bolsonaristas que o digam. Os elementos estão aí para quem quiser ver: população armada, estímulo à violência, estado de emergência fabricado e ataque às urnas. Vamos assistir a tudo calados e inertes?

05
Abr22

Moro e esposa são alvos de notícia-crime por possível fraude na mudança de domicílio eleitoral

Talis Andrade

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Ação questionando a transferência do domicílio eleitoral do Paraná para São Paulo foi protocolada na Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo

 

 

247 - O ex-juiz Sergio Moro, declarado suspeito e parcial pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos processos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no âmbito da Lava Jato,  e a mulher,  a advogada Rosângela Moro são alvo de uma notícia-crime por possível fraude na mudança de domicílio eleitoral. De acordo com o site GGN, a ação questionando a transferência do domicílio eleitoral do Paraná para São Paulo foi protocolada na Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo na segunda-feira (4), 

Moro e a mulher se filiaram ao partido União Brasil na semana passada e, de acordo com a legenda, o casal deverá disputar uma  vaga no Congresso pelo estado de São Paulo. O ex-juiz, porém, tem negado que tenha desistido de concorrer à Presidência da República. Ainda segundo a reportagem, a ação impetrada pelas advogadas Maíra Calidone Recchina Bayod, Priscila Pamela dos Santos e Gabriela Shizue Soares de Araújo “levantam a hipótese de Moro ter cometido crime na transferência do domicílio eleitoral, pois não há evidências públicas de que o casal mora em São Paulo”.

Ainda conforme a ação, “a citada mudança de domicílio eleitoral se deu mediante possível fraude e inserção de informação falsa no cadastro eleitoral, eis que os representados não possuem domicílio neste estado”. 

“Na verdade, como é público e notório, até pouco tempo os representados se dividiam entre o estado do Paraná e os Estados Unidos, após o primeiro ser vergonhosamente reconhecido como juiz suspeito e parcial pelo Supremo Tribunal Federal que em julgamento inédito (…) decidiu pela sua atuação suspeita e parcial”, diz um outro trecho da ação. 

Nesta segunda-feira (4), o deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) também afirmou que iria pedir a impugnação da candidatura do ex-juiz a deputado federal por São Paulo, pelo União Brasil, seu novo partido, pela suspeita de fraudar o domicílio eleitoral. 

A fuga dos marrecos - Renato Aroeira - Brasil 247
09
Out21

Bolsonarista presidente do CFM reconhece que liberou cloroquina “sem evidência científica”

Mauro Ribeiro investigado pela CPI do Genocídio

Talis Andrade

Filme de terror - Nando Motta - Brasil 247

 

O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Mauro Ribeiro, reconheceu num vídeo com o representante do Conselho Regional de Medicina de Goiás que liberou o uso da cloroquina mesmo “sem evidência científica”, e “fora das normas” do órgão (veja ao final). 

“Existem estudos observacionais para a hidroxicloroquina, mas não existe nenhuma evidência científica que comprove alguma eficácia da hidroxicloroquina” disse o presidente do CFM na conversa. Ele ainda completou: “Mas nós, numa decisão fora das nossas normas, acabamos liberando o uso da hidroxicloroquina. Fizemos uma análise grande do que existe na literatura e não tem nenhum trabalho que sustente a hidroxicloroquina como recomendável para o tratamento da Covid. No entanto, o Conselho Federal de Medicina liberou o uso”.

Na mesma conversa, atacou a ex-presidente Dilma Rousseff por abrir escolas de Medicina e disse que o órgão atua em parceria com Jair Bolsonaro. O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad ficou indignado com a divulgação do vídeo pelo site Metrópoles, uma conversa ocorrida em maio de 2020, e defendeu que Ribeiro seja julgado por um tribunal internacional. O CFM é alvo de investigação do Ministério Público Federal (MPF).Image

No vídeo, Mauro Ribeiro atacou a ex-presidente e o deputado federal Alexandre Padilha, ministro da Saúde de 2011 a 2014 por abrirem escolas de Medicina. "Não vamos recuperar o dano da época do governo da (ex) presidente Dilma e do ministro Alexandre Padilha", disse o presidente do CFM. "Teremos aproximadamente 1,5 milhão de médicos no Brasil, é a popularização da Medicina”.

Em outro trecho, o presidente Bolsonaro afirmou, enfaticamente, ter sido recebido cinco vezes por Bolsonaro entre janeiro de 2019 e maio de 2020 e regozijou-se: “Todas as nossas reivindicações foram atendidas pelo presidente, todas as nossas reivindicações. Ele nunca falou ‘isso aqui eu não posso atender’”. E escancarou: “por isso, existe sim apoio do Conselho Federal de Medicina ao Ministério da Saúde e ao presidente Bolsonaro”.

Lafa
“Não sou de direita, nem de esquerda”
 

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De acordo com o ex-prefeito Fernando Haddad, as declarações do chefe do CFM significam que a instituição "liberou o governo para promover desinformação que causou a morte de milhares de brasileiros". Seiscentos mil mortos. 

"Isso é caso para tribunal internacional", escreveu o petista no Twitter.

A CPI da Covid, que terminou a fase de depoimentos e apresentará o relatório final ainda este mês, investigou, por exemplo, a defesa do tratamento precoce, com remédios sem eficácia comprovada contra a Covid-19, como a cloroquina e a hidroxicloroquina. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, afirmou que a CPI vai pedir o indiciamento de 50 pessoas.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI, confirmou que a comissão pedirá o indiciamento de Bolsonaro.

 

 

18
Mar21

O ministro que veio que nada mude

Talis Andrade

Três dias depois de indicado e em meio à maior crise sanitária da história, Queiroga não tem data para assumir; e não quer mudar nem “política” que produz a tragédia, nem a equipe militarizada que herdará.. E mais: a geopolítica de Lula por vacinas

12
Mar21

"Há um ano a primeira morte, e Bolsonaro mantém discurso homicida"

Talis Andrade

Alexandre Padilha
Mandetta disse que Bolsonaro e Lula são a mesma coisa. Foi ele quem fez campanha para Bolsonaro, não Lula. Foi ele quem apoio o golpe, não Lula. Foi ele quem foi aliado de Bolsonaro como Ministro da Saúde, e não Lula. É fácil querer sair do barco quando ele já afundado, né?
Manuela
Duro golpe para os trabalhadores. A base do governo Bolsonaro aprovou o congelamento do salário dos servidores públicos por 15 anos.
Guilherme Boulos
Qualquer país do mundo com governo estaria pensando em medidas urgentes de controleda pandemia, antecipação da vacinação e ampliação imediata da rede hospitalar. O Brasil está discutindo mudar a Constituição e retirar direitos de servidores públicos.
Ana Júlia
Entrevista do Lula está sendo verdadeira aula, de civilidade, humanidade e liderança. Solidariedade às vítimas de COVID e ao luto. Deixar claro que nada é mais importante do que combater desigualdades. Sendo vítima de uma imprensa vingativa, defendeu a liberdade desta.#FalaLula
Rui Falcão
Mais de 270 mil vidas foram ceifadas pela irresponsabilidade de Bolsonaro. A população clama por #VacinaParaTodosJ
Reinaldo Azevedo
O tríplex, que era da OAS, foi pretexto escancarado para pegar um "ícone", Lula. Relembre reportagem da Vaza Jato pra entender como a Lava Jato se "esforçou" para comprovar sua tese, ainda que não tivesse as provas para a condenação. noticias.uol.com.br/colunas/reinal
Reinaldo Azevedo
Há um ano, a 1ª morte. Já são 273.124. Bolsonaro mantém discurso homicida. Atenção: contém uma coleção de vídeos com falas abjetas. noticias.uol.com.br/colunas/reinal via
Hildegard Angel
Maior admiração pela Gleisi Hoffman: "Vocês não são donos do país, contenham-se!"
Gleisi rebate presidente do Clube Militar: "Vocês não são tutores nem donos do país. Contenham-se"
A presidente nacional do PT e deputada federal Gleisi Hoffmann reagiu à nota do general da reserva Eduardo José Barbosa, presidente do luxuoso Clube Militar do Rio de Janeiro, criticando a decisão de Edson Fachin que...
brasil247.com
 
“O grande vencedor dessa semana histórica quando a justiça e a democracia se encontraram”, anunciou o jornalista, comentando a decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF) que na segunda-feira (8) extinguiu as ações da 13ª Vara de Curitiba, contra Lula.
 
Zanin, ao lado de Valeska Martins, advogada e esposa com quem há mais de cinco anos trabalha na defesa do ex-presidente, sempre soube como apresentar provas da inocência e da perseguição política cometida contra Lula pelos procuradores da Lava Jato e pelo ex-juiz Sergio Moro.

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11
Mar21

Gleisi denuncia Eduardo Bolsonaro ao Conselho de Ética após deboche sobre máscaras: "enfiem no rabo"

Talis Andrade

 

247 - A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) denunciou nesta quinta-feira (11) ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) por quebra de decoro parlamentar.

A medida de Gleisi é consequência do vídeo divulgado por Eduardo no qual o parlamentar manda que apoiadores das medidas de prevenção contra o coronavírus "enfiem no rabo" as máscaras de proteção.

"Em vídeo publicado em suas redes sociais na madrugada desse dia 11 de março de 2021, com ampla divulgação nacional, o representado, demonstrando total insensibilidade com a dor dos brasileiros vitimados e suas famílias, ignorando os milhares de cidadãos e cidadãs que, nesse instante, sofrem em busca de um leito hospitalar que lhes garanta o direito fundamental de continuar respirando, enfim, numa postura ominosa, ignara e mendaz, ridiculariza a proteção sanitária do uso de máscaras, que é, ao lado do distanciamento social e higienização, os principais mecanismos de proteção contra a doença, haja vista que a imunização vacinal tem sido diuturnamente negligenciada pelo Presidente da República e seu Ministro da Saúde", argumenta a deputada na representação.

A declaração de Eduardo foi ironizada pelo também deputado federal e ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT-SP).

A atitude de Eduardo, segundo Gleisi, "consiste em atitude intolerável no âmbito do exercício de representação popular e que ofende milhões de famílias brasileiras que perderam entes queridos ou sofrem com ao drama de internações e busca por cuidados médicos em razão do Sars-Cov-2".

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14
Jan21

'Manaus é a prioridade nacional neste momento', afirma ministro da Saúde

Talis Andrade

Pazuello fez pronunciamento em Manaus nesta quarta-feira — Foto: Matheus Castro/G1

 

Capital amazonense passa por um aumento dramático no número de casos, internações e mortes.

 

G1 - O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello afirmou que "Manaus é a prioridade nacional neste momento, não poderia deixar de ser" em relação à pandemia de Covid-19, durante um pronunciamento na manhã desta quarta-feira (13). A capital amazonense passa por um aumento dramático no número de casos, internações e mortes.

O ministro voltou a falar sobre a vacinação do país e também do envio do imunizante à capital amazonense: "Vamos vacinar em janeiro. E Manaus será também a primeira a ser vacinada, eu fui claro? Ninguém receberá a vacina antes de Manaus. A vacina será distribuída simultaneamente em todos os estados, na sua proporção de população. E Manaus terá a sua prioridade também", disse Pazuello.

Questionada pela Rede Amazônica sobre a afirmação de Manaus ser a primeira a ser vacinada, a assessoria negou qualquer tipo de prioridade. A assessoria esclareceu que o ministro quis dizer que, já que a logística para a capital amazonense é mais difícil, as doses da vacina devem ser enviadas primeiro para a cidade, mas o início da aplicação da vacina será simultâneo em todos os estados.

'Crise do oxigênio'

"Manaus vive a crise do oxigênio", afirmou o ministro. Por conta do surto de Covid-19 que a capital vivencia, o consumo do gás aumentou nos hospitais. O governo montou uma força-tarefa para ampliar o abastecimento de oxigênio na rede estadual de saúde, e conta com apoio das Forças Armadas para trazer os tanques de outros estados.

"É uma luta nós conseguirmos o oxigênio tanto líquido quanto gasoso em qualquer lugar. O que nós estamos fazendo? Uma ponte aérea, para trazer os tubos de oxigênio. Essa ponte aérea são aviões da FAB e aviões civis contratados para trazer tubos de oxigênio para Manaus", disse.

Alexandre Padilha
Bolsonaro e Pazuello não conseguem prestar o mínimo de auxílio à população de Manaus! O povo está sem oxigênio e a cidade está caminhando para uma das maiores crises de saúde pública já vistas em território nacional. O GOVERNO BOLSONARO ESTÁ PATROCINANDO UM GENOCÍDIO EM MANAUS!
Renata Souza
Em hospitais federais de Manaus, alas inteiras estão morrendo asfixiadas. Não só pacientes com covid, mas qualquer um que precise de oxigênio. Vidas perdidas, famílias destruídas. Bolsonaro e Pazuello precisam responder por esse crime.
Rogério Correia
Em só um hospital de Manaus, quase 30 pessoas mortas por asfixia. Tragédia humanitária, muito triste. Pandemia não perdoa, pune quem fala tanto, faz pouco e ainda atrapalha quem tenta fazer algo de bom. Que a carapuça sirva a quem de direito, tá ok?
Benedita da Silva
O "não consigo respirar" acontece sempre no Brasil. Hoje, é na cidade de Manaus. Se uma grande capital sofre com isso, imagina a quantidade de pessoas em situação desesperadora pelo interior do país? O desgoverno Bolsonaro precisa acabar. Isso é muita irresponsabilidade.
Quote Tweet
Mônica Bergamo
OXIGENIO ACABOU EM HOSPITAIS DE MANAUS; LEITOS VIRARAM CAMARA DE ASFIXIA, DIZ PESQUISADOR; PACIENTES ESTAO SENDO TRANSFERIDOS PARA O PIAUÍ: www1.folha.uol.com.br/colunas/monica
Mídia NINJA
Colapso e morte! Só no Pronto Socorro 28 de Agosto, em Manaus, 28 pessoas foram mortas por asfixia pela falta de oxigênio conforme informação do ex-prefeito Artur Virgílio.
Marcelo Freixo
NÃO É INCOMPETÊNCIA. O que estamos vendo em Manaus são as consequências de CRIMES PREMEDITADOS por Bolsonaro e seus cúmplices. O horror em Manaus é a materialização do projeto bolsonarista para o Brasil. Obra de um presidente que goza com o sofrimento alheio e promove a morte.
Eliane Brum
Segundo ano de pandemia e Bolsonaro e seu governo seguem matando a população com sua negligência deliberada. E impunemente. Mais de 50 pedidos de impeachment - e nada. É muito simbólico que falte "ar" na maior floresta tropical do mundo.
Gleisi Hoffmann
Pessoas morrendo sufocadas em Manaus por falta de oxigênio nos hospitais e em vez de prestar ajuda federal, Bolsonaro politiza as mortes e critica as autoridades locais por não terem adotado tratamento com cloroquina, que não tem eficácia pra covid. É um ser desprezível!
The Telegraph
There has been a huge rise in cases in Manaus, a city that was believed to be close to herd immunity following the first wave
Brazilian Covid variant may infect people who have recovered from virus
Scientists find new coronavirus strain has mutated to be more infectious and has changes that help it evade immune system
telegraph.co.uk
Laís Lacerda
Impossível não chorar com o que acontece em Manaus. Você precisar dar morfina pra um paciente ficar mais confortável pra morrer no corredor do enquanto implora pelo Estado que ñ vem talvez seja a coisa mais desumana q eu já vi. Não existem palavras pra esse nível de perversidade.
Medo e Delírio em Brasília
Anteontem Pazuello esteve em Manaus e olha o q ele falou sobre a falta de oxigênio. Nas palavra do GENERAL DA ATIVA ñ havia "NADA" a ser feito. E só hj ele resolveu convocar uma reunião de emergência p/ debater a falta de oxigênio, sabe como é, ele foi lá pra desovar cloroquina
Paulo Teixeira
A situação de Manaus deixa as claras as prioridades de Bolsonaro: falta oxigênio nos hospitais enquanto ele oferece cloroquina para o tratamento da Covid. Um crime que está sendo praticado durante o mandato. Impeachment
Brasil 247
Ex-senadora Vanessa Grazziotin critica governador do Amazonas e lamenta colapso em Manaus pela pandemia: "é inacreditável, já vivemos isso ano passado"
Carlos Latuff
Nesse momento em que Manaus luta para respirar, os tweets negacionistas de Bia Kicis não ajudam em nada, peo contrário! É hora do tomar alguma providência
Fábio Felix 
O cenário em Manaus é de guerra diante do colapso no sistema de saúde.
 
13
Jan21

Secretários estaduais de Saúde consideram "perversidade" e "loucura" pressão do general Pazuello por cloroquina

Talis Andrade

Charge – 16 de julho de 2020 | Jornal Tribuna Ribeirão

O general ministro da Saúde  é tão genocida quanto o capitão presidente. Quantos brasileiros a dupla Bolsonaro/Pazuello vai matar hoje? 

247 - Secretários estaduais de Saúde repudiaram a pressão do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para que autoridades prescrevam a cloroquina contra o coronavírus. Dirigentes trataram o documento da pasta como "esdrúxulo", "loucura" e "perversidade". A informação foi publicada pela coluna Painel, da Folha

O ofício do ministério, assinado por Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação da Saúde, afirmou que não utilizar estes medicamentos é "inadmissível". Incentivado pelo silêncio da Associação Médica Brasileira. Idem Sociedade Brasileira de Infectologia. E Conselho Federal de Medicina. O documento foi enviado para a secretaria municipal de Saúde de Manaus.

Os deputados federais Alexandre Padilha (PT-SP) e Marcelo Freixo (PSOL-RJ) anunciaram ações no Tribunal de Contas da União (TCU) e no Ministério Público Federal contra o ministério. 

Folha de S.Paulo Twitterissä: "Esta é a charge de @Benett_ publicada na  #Folha desta quinta (2). Quer ver mais charges do jornal? Acesse  https://t.co/SYBMd91i4u #folha #fsp #folhadespaulo #coronavirus  #coronavirusbrasil #covid19 #charge #humor #

06
Dez20

Vacunación para usted, general Pazuello

Talis Andrade

capachi general saude .jpg

 

 

por José Ribamar Bessa Freira /Taqui Pra Ti

- - -

O ministro da Saúde do Brasil, general Eduardo Pazuello, na quinta-feira (3) participou da reunião dos titulares da Saúde do Mercosul, todos falantes de espanhol. Apesar de não entender chongas de medicina, prestava muita atenção e exibia expressão sagaz de quem estava sacando tudo o que os seus colegas hablaban sobre el combate al coronavirus. Ele tem uma cara inteligente, não tem não? Logo a seguir, falou tanto quiquiriqui sobre a vacina, que trouxe à tona a história vivida por Stanislaw Ponte Preta, humorista responsável por nos alegrar nos anos 1960 com sua coluna no jornal Última Hora

Aconteceu dentro de um avião da Varig lotado com jornalistas brasileiros que iam cobrir a Copa do Mundo de 1962 em Santiago do Chile. O cronista Paulo Mendes Campos, sentado a seu lado, conta que na escala em Buenos Aires, um argentino careca, de barba ruiva, vestido de branco com estetoscópio no pescoço que não deixava dúvidas sobre sua condição de médico da saúde pública, entrou na aeronave pedindo a cada passageiro o atestado de vacina. Quando chegou a vez de Stanislaw, o médico estendeu a mão cobrando:

–  Vacunación, señor!

Como se estivesse recebendo um cumprimento de boas-vindas, Stanislaw apertou a mão do médico, balançou-a várias vezes e respondeu efusivamente:

– Vacunación para usted también.

Era brincadeira inocente. Mas Stanislaw, pseudônimo de Sérgio Porto, tinha um humor considerado “corrosivo”, apimentado. “Fazia graça descobrindo verdades e tinha a coragem de ser odiado por dizê-las”. Como todo homem de sensibilidade, “desprezava os mesquinhos, os medíocres, os debilóides, os cretinos” – escreve Paulo Mendes Campos. Numa crônica em que desenha seu autorretrato, Stanislaw se define como “humorista a sério” e revela de quem não gostava: “puxa-saco, militar metido a machão, burro metido a sabido e, principalmente, racista”. 

Vossas xexelências

Foi para combater as vossas excelências e as vossas xexelências, que Stanislaw criou o FEBEAPÁ – Festival da Besteira que Assola o País. Lá registrava diariamente as asneiras dos “cocorocas”: ministros, deputados, senadores, bispos, juízes, generais, delegados, externando tudo aquilo que estava engasgado na garganta de cada um de nós, nos vingando da babaquice oficial, com um estilo inconfundível.

Pretapress – sua “agência de notícias – não daria conta de tanta bobagem proferida pelas “novas otoridades”, pelos negacionistas e terraplanistas. O general Pazuello, o ex-capitão Jair e quase todo o atual ministério seriam pratos feitos para o Febeapá, que hoje é representado pelos memes irônicos nas redes sociais.

O nosso general, para tranquilizar o país, sustentou que a pior fase da pandemia havia passado, porque as regiões do Norte e do Nordeste do Brasil estão situadas no Hemisfério Norte e sofreram mais com o inverno. Alguém comentou nas redes que o ministro deu “uma aula de geografia da terra plana”.

– “Rezamos para o impacto [do coronavirus] ser menor, mas terá algum grau do impacto” – disse ele sobre a expansão da epidemia para o interior do país.

Quando o seu Ministério tentou escamotear os dados de mortos e infectados, os deputados o pressionaram durante sessão da Comissão Externa de Ações contra o coronavirus e ele, então, admitiu que “os dados são inescondíveis”.

Ele fala besteira, mas pelo menos foi sincero quando disse:

– “Eu nem sabia o que era o SUS, porque passei a minha vida sendo tratado, também em instituição pública, mas do Exército. Vim conhecer o SUS, a partir de agora desse momento da vida”.

– “Ele continua sem saber” – comentou o deputado Alexandre Padilha (PT-SP), ex-ministro da Saúde.

Com “zero” experiência em saúde pública, o ministro foi convidado por deputados e senadores, nesta quarta (2), para explicar a denúncia de que o Brasil corre o risco de perder, por data de validade, 6,86 milhões de testes para diagnóstico do coronavirus, segundo reportagem do Estadão. E no dia seguinte, participou da reunião com ministros do Mercosul. Em ambas, fez uma ginástica intelectual, com declarações que levariam Stanislaw Ponte Preta ao delírio, se vivo fosse.  

O Febeapá

O ministro Pauzello anunciou aos parlamentares que o Ministério busca uma vacina eficiente, mas que se depender do governo, a população não será obrigada a se imunizar. Disse ainda que até o momento – e essa é a posição do ministério – “a nossa estratégia será a de não obrigatoriedade da vacina” e que falava como ministro, mas em total consonância com o presidente da República. “Obedece quem tem juízo”, havia dito o general de divisão quando levou um chega-prá-lá do capitão Jair, que o desautorizou a comprar “a vacina chinesa do Dória”. O general na ativa só faz o que manda o capitão excluído do Exército.  Uma humilhação pública.

Nos próximos dias, o plenário virtual do STF deve julgar ação do PDT que quer garantir a competência de estados e municípios para decidir sobre a obrigatoriedade da vacina, quando o que se deve discutir é o acesso da população à imunização e a informação sobre esse processo. Enquanto a Inglaterra já começa a imunizar seus cidadãos na próxima semana e outros países europeus ainda este ano ou em janeiro, o ministro prevê para o Brasil iniciar só no mês de março. Ele não mencionou nem a Pfizer, nem a CoronaVac produzida pela China com o Instituto Butantan de São Paulo. 

– Ignorar a possibilidade de comprar vacina da Pfizer é um crime – afirmou o fundador e ex-presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina Neto em entrevista à CNN Brasil. O governo está contando só com uma, a AstraZeneca, que será insuficiente para cobrir a demanda do país. Além disso – pergunta Vecina – por que começar só em março, quando podemos iniciar em janeiro? Isso num momento em que o país se aproxima dos 180.000 mortos, com mais de 6.5 milhões de pessoas infectadas e, segundo especialistas, à beira de uma 2ª ou 3ª onda.

Enquanto isso, Pazuello horroriza seus colegas do Mercosul ao preconizar “o tratamento precoce que fez e faz a diferença para Covid” e ao defender, nas entrelinhas, a cloroquina, mesmo com pesquisas indicando que seu uso pode causar sequelas graves. Os especialistas assinalam que a mensagem faz as pessoas acreditarem na fantasia de que existem remédios contra o coronavirus, criada pelo capitão curandeiro da cloroquina e chancelada por uma compra de mais de R$1,5 milhão para a fabricação do medicamento pelo Laboratório do Exército, decisão de Bolsonaro que não passou pela análise técnica da Anvisa, segundo o ex-ministro Luiz Mandetta.

O Ministério da Saúde já gastou R$ 162, 4 milhões em publicidade, dos quais R$ 88 milhões em propaganda, sendo um terço (R$ 30 milhões) em campanha sobre o agronegócio, a reabertura do comércio e os “feitos” do governo, em vez de informações sobre o distanciamento social e o combate à pandemia, segundo apuração do Repórter Brasil em matéria assinada por Diego Junqueira, que informa estar o Tribunal de Contas da União de olho nesses gastos que fogem da pauta do Ministério. 

O general Pazuello merece mesmo o diploma de sócio honorário do FEBEAPÁ conferido por Stanislaw Ponte Preta, na falta de um FECRUAPÁ – Festival das Crueldades que Assolam o País. Suspeito que a história vai fazê-los pagar caro por isso.  

Os ministros da Saúde do Mercosul só faltaram dizer ao seu colega do Brasil:  Vacunación para usted también.  Quanto a Stanislaw, morto em 1968 aos 45 anos, só resta pedir emprestado a Paulo Mendes Campos o final de sua crônica que homenageava o humorista:

– “Não sei por que essa lembrança me comove e serve para fechar esta página que eu não queria triste. Que a tristeza fique conosco, os amigos que o amavam”.

P.S.1 – Ainda estudante, entrevistei Stanislaw Ponte Preta para um trabalho na disciplina ministrada por Zuenir Ventura, em 1966, no Curso de Comunicação da UFRJ. Sai daquela conversa com vontade de ser jornalista. Leitor fiel de Stanislaw, meu grande sonho, não realizado, era construir uma ponte sobre o igarapé de Manaus batizada de Ponte Preta. (Ver http://taquiprati.com.br/cronica/336-iii–lalau-as-certinhas-e-os-cocorocas)

P.S. 2 – Três dias de homenagem a Bartomé Meliá com mesas e cinedebates entre conferencistas e o público.

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