Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

21
Mai21

Morre o procurador Alessandro Oliveira, chefe da "lava jato" no Paraná

Talis Andrade

Alessandro Oliveira substituiu Deltan Dallagnol na coordenação da Lava Jato em Curitiba — Foto: Reprodução/RPC

Mistério

O procurador Alessandro Oliveira, coordenador da Lava Jato que substituiu Deltan Dallagnol, morreu nesta quinta-feira (20). Uns dizem que foi suicídio, outros mais um caso de covid-19. 

Oliveira se licenciou do cargo no último dia 13. Na ocasião não foram dados detalhes sobre o motivo para o afastamento.

Alessandro José Fernandes de Oliveira herdou o comando de Dallagnol, no fim do ano passado, quando o ex-chefe da Lava Jato, no Paraná, pediu afastamento por causa da saúde da filha.

A força-tarefa com dedicação exclusiva a casos de corrupção na Petrobras foi dissolvida, em Curitiba.

As investigações da Lava Jato seguem com o Grupo de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público Federal.

O falecimento foi confirmado pelo Ministério Público Federal, que não divulgou a causa da morte.

Conforme a funerária, entre as causas constam na declaração de óbito insuficiência respiratória e insuficiência renal crônica. A Folha de S. Paulo informa que foi cancer.

16
Set20

Lula entrevista: “Podridão da Lava Jato enfraquece democracia"

Talis Andrade

lula-rstuckert.jpg

 

Em entrevista ao ‘Diário do Centro do Mundo’, ex-presidente reagiu à nova farsa montada pela operação sob forma de mais uma “denúncia” contra o Instituto Lula. ”Qual o crime eu cometi? Eu dei soberania a esse país. Esse país tinha orgulho quando eu governava, cresceu, acabou com a fome, melhorou a renda. O crime que eu cometi foi o “crime” da ousadia, de que era possível permitir que os pobres participassem do orçamento da Federação, que pudessem tomar café, almoçar e jantar todo dia”, lembrou o ex-presidente. “Como eu sei que eles querem anular essa parte da história do Brasil, meu papel é defender esse legado”, ressaltou

A nova farsa da Lava Jato, na forma de mais uma “denúncia” armada para atacar Lula, foi desmascarada nesta terça-feira (15) pelo ex-presidente, em entrevista ao ‘Diário do Centro do Mundo’ (DCM). Na conversa, que reuniu jornalistas de veículos progressistas e lideranças da esquerda mundial, Lula disse que a mais nova acusação de que o Instituto Lula lavou dinheiro da Odebrecht é mais uma tentativa de desviar o foco das ilegalidades cometidas pelos procuradores.

“[O procurador Deltan] Dallagnon montou uma quadrilha de perseguição, de afirmação da primeira mentira”, disse Lula, fazendo referência ao powerpoint apresentado com estardalhaço na imprensa em 2016, em especial na Rede Globo, que deu amplo espaço para a peça de ficção produzida pela força-tarefa contra ele. À época, Dallagnol fez um espetáculo midiático para apresentar a “tese” da acusação contra Lula por corrupção. “Eles estão presos àquela mentira, eles não têm como sair dela, envolveu muita gente na perspectiva de destruir o Lula”, afirmou.

Segundo Lula, o substituto de Dallagnol na operação, Alessandro Oliveira, não foi escolhido por ser imparcial. “Ele entrou porque compactua com a podridão e com as canalhices que Dallagnol fez, com o objetivo de destruir a industria naval, de óleo, gás, petróleo e de engenharia. Essa gente ainda vai ser condenada por crime de lesa-pátria, por destruído a base industrial desse país”, avaliou Lula. “É questão de tempo”.

“Qual o crime eu cometi? Eu dei soberania a esse país. Esse país tinha orgulho quando eu governava, cresceu , acabou com a fome, melhorou a renda”, pontuou o ex-presidente. “O crime que eu cometi foi o crime da ousadia, de que era possível permitir que os pobres participassem do orçamento da Federação, que pudessem tomar café, almoçar e jantar todo dia”, lembrou o ex-presidente. “Como eu sei que eles querem anular essa parte da história do brasil, meu papel é defender esse legado”.

Lula lembrou das tentativas da força-tarefa para enfraquecer o advogado Cristiano Zanin, que demonstrou, desde o início das investidas da Lava Jato contra o líder petista, o caráter político e persecutório da operação. “Estão fazendo a mesma canalhice com o Zanin”, observou.

“Essa podridão está enfraquecendo a democracia brasileira, está escancarando e desmoralizando a confiança que a sociedade aprendeu a ter no Ministério Público. Até quando o Poder judiciário será conivente com essa podridão?’, indagou. Lula lembrou que o julgamento do caso do powerpoint foi adiado 42 vezes, livrando procurador Deltan Dallagnol no Conselho Nacional do Ministério Público. “Isso é uma farsa, uma coisa mentirosa”, disse Lula. “Para mim, é questão de honra a minha inocência e a punição dessa parte podre do Ministério Público”.

Integração Latino-americana

Lula reforçou a importância da integração latino-americana como forma de resistência ao neoliberalismo golpista, que vem promovendo ataques à Região há décadas. Ele citou o caso da Bolívia, vítima de um golpe que derrubou Evo Morales do poder. “Fui o primeiro operário eleito e o Evo Morales foi o primeiro indígena. Ele fez uma administração estupenda, nunca na história da Bolívia, houve tanto crescimento econômico e o povo teve tanta ascensão social como no governo dele”, ressaltou.

“Na linhagem e na política da América Latina, pobre não pode subir um degrau na escada de ascensão social. Espero que o MAS, o partido do Evo, possa ganhar as eleições na Bolívia”.

7 de setembro

Lula teceu comentários sobre seu histórico discurso do dia 7 de setembro, que atingiu repercussão internacional, em comparação ao pífio pronunciamento presidencial. “O problema é que ele não tem o que falar, porque ele não tem compromisso com o Brasil, a não ser liberar porte de arma. Deveríamos ter um presidente que pensasse em livro, em carteira de trabalho, no salário mínimo, nas universidades, em ciência e tecnologia, na saúde e nas pessoas”, destacou.

Segundo Lula, por causa de Bolsonaro, uma parte da sociedade brasileira está tomada pelo ódio, por mentiras. “A Rede Globo e outros meios de comunicação têm responsabilidade com o que aconteceu nesse país”, argumentou. “Esse fascismo não nasceu de graça, isso vem na negação da política, dos partidos”, lamentou.

Coronavírus

Ele também condenou a condução do governo durante a crise sanitária que teve início em fevereiro no país. Segundo Lula, Bolsonaro deveria ter evitado o “genocídio” da pandemia do coronavírus. “Temos um país governado por um desgoverno, um país dominado pela cabeça conversadora de uma elite que não pensa no povo como ser humano, pensa como número”.

Fortalecimento da ONU

Durante a entrevista, Lula defendeu ainda o apoio dos governos à Organização Mundial da Saúde (OMS), que, na sua avaliação, fez um trabalho excepcional no combate à pandemia. “É uma pena que o governante americano, grosseiro e irresponsável como ele é, propôs retirar U$ 400 milhões de ajuda à OMS, quando na verdade deveria ter colocado R$ 400 milhões a mais”. Lula defendeu uma reformulação do sistema ONU, por meio do fortalecimento de suas agências e uma atividade mais responsável e atuante, com papel mais destacado no combate às desigualdades.

“Não temos fome porque falta alimento, temos fome porque falta dinheiro para que as pessoas tenham acesso ao alimento”, explicou. “É importante que o mundo volte a ser mais humanizado e solidário”. Para isso, argumentou Lula, a ONU precisa ter mais força de decisão para que suas resoluções sejam cumpridas por todos os países.

Eleições municipais

Lula voltou a defender que partidos do campo progressista possam lançar candidaturas próprias nas eleições municipais. “Eu acho isso um luxo no Brasil, que partidos possam lançar candidato”, disse. “Quem for para o segundo turno, que tenha o apoio dos outros. Deixem cada um disputar voto, fazer campanha, defender seu programa, ir na televisão”.

“Essa campanha é muito importante para o PT, o partido está apresentando candidatos em muitas cidades. Tenho dito que o PT tem história para contar ao povo, tem programa e tem legado para conversar com o povo”. Segundo Lula, o PT tem a chance de perguntar ao eleitor qual é o partido que mais defendeu o trabalhador no país. “O PT pode fazer essa pergunta: quem é que fez mais política de inclusão social do que o PT?”, questionou.

Pantanal em chamas

Falando sobre os incêndios que assolam o Pantanal, Lula também criticou a política do governo para o meio ambiente. Segundo o ex-presidente, Bolsonaro desmontou mecanismos de proteção ambiental, como políticas preventivas para evitar incêndios. Ele mencionou a demissão do diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão, no fim de 2019.

“Tentaram desmoralizar uma instituição de muita credibilidade internacional, desmontaram o Ibama”, criticou Lula, que também não poupou o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles: “ele não tem respeito pela natureza, pelos índios, negros, pelas matas, pelas florestas”, afirmou Lula. Para o ex-presidente, os incêndios não são causados por Bolsonaro, mas o quadro foi agravado “por causa dessa irresponsabilidade dele e da sua turma”.

Assange

Lula também se manifestou sobre o processo de extradição do ativista Julian Assange, fundador do ‘Wikileaks’, para os EUA, onde poderá ser condenado a 175 anos de prisão. “O Assange não pode ser extraditado, se as pessoas acreditam na democracia”, opinou Lula. Para ele, Assange deveria ser premiado pela revelação ao mundo de atrocidades cometidas pelos EUA e outras nações.

“Assange não merece ser punido, merece ser reconhecido como um homem que prestou um enorme serviço à humanidade, denunciando o genocídio das guerras, da mentira, da manipulação dos EUA”, afirmou Lula. Ele cobrou de associações internacionais de imprensa e organizações da sociedade civil uma posição clara em defesa de Assange e da liberdade de expressão. “[A extradição] não será o joelho de um policial sobre um homem negro, será o joelho de milhões de governantes do mundo sufocando o Assange para que ele morra em vida. Não temos o direito de permitir isso”.

 

07
Set20

A Lava Jato é uma Hidra e Moro é sua cabeça

Talis Andrade

Hercules and the Hydra – Ercole e l'Idra – Artes Classicas

 

por Fernando Brito

- - -

O procurador Deltan Dallagnol será julgado disciplinarmente, por sua interferência nas eleições para a presidência do Senado.

É outro dos casos cuja apreciação no Conselho Nacional do Ministério Público – onde a maioria dos integrantes é composta de procuradores federais e estaduais – vem sendo postergada há anos e que, depois de suspenso por Celso de Mello foi liberado por Gilmar Mendes para ser julgado, pelo risco de prescrição, tal como aconteceu no processo do powerpoint contra Lula, arquivado semana passada.

O novo coordenador da Força Tarefa de Curitiba, Alessandro Oliveira, estreou muito mal na função recém assumida, gravando, com outros procuradores que atuam na chamada “Lava Jato”, um vídeo de apoio a Dallagnol no qual, estranhamente, diz que o julgamento não tem nada a ver com a operação.

Ora, então qual é a razão de levantar-se a “Lava Jato” contra ele?

A “Lava Jato” agora é uma associação de classe, um sindicato, um clube que deva o direito de proteger seus integrantes de acusações que não versem sobre a sua atuação?

Sim, ela tornou-se isso e acrescentou ao artigo 127 da Constituição da República a função de defender seus próprios integrantes, como “intocáveis” que se tornaram.

Mas é ainda pior que um desvio funcional e institucional.

A Lava Jato tornou-se uma Hidra, o monstro mitológico da Grécia que matava os homens apenas com seu hálito venenoso e que regenerava-se – como mostrou seu novo coordenador – cada uma de suas sete cabeças, peçonhentas. Mas havia uma cabeça, a central que , vencida, acabou com seu poder.

Esta cabeça, embora combalida e fraca, chama-se Sergio Moro e precisa ser colocada, como a da Hidra, debaixo de uma pesada pedra.

02
Set20

Acordão na Lava Jato

Talis Andrade

dallagnol julgado.jpg

 

 

por Helena Chagas

- - -

Além de marcar o fim de uma era, a saída do procurador Deltan Dallagnol do comando da força tarefa da Lava Jato em Curitiba teve, para muita gente nos meios políticos e jurídicos, um cheiro de acordão — no mínimo,  de trégua no acirrado conflito interno do Ministério Público e também nos confrontos entre a operação e outras instituições, como o STF.  Apesar das negativas, o afastamento voluntário do procurador, sem ataques a ninguém e nem críticas à PGR ou ao STF, seria sua parte no acordo em que se livrou de maiores punições no CNMP por seus atos.

É bom lembrar: há dias, Dallagnol, alvo de uma série de representações no Conselho por excessos cometidos na condução da operação, foi  salvo por dois ministros do STF — Luiz Fux e Celso de Mello, que determinaram o arquivamento ou adiamento desses julgamentos. Pelas contas de muita gente, havia maioria para punir Dallagnol, o que seria um desgaste imenso para a Lava Jato, que já não vive seus melhores dias, tendo quase que diariamente procedimentos e decisões revogados no Judiciário.

Foi para salvar o pouco que resta da Lava Jato, tirando-a dos holofotes, que a turma de Curitiba concordou com a operação Dallagnol, que coincidiu com um momento pessoal difícil para o procurador e deu-lhe também razões de cunho familiar para o afastamento. Seu substituto, Alessandro Oliveira, é considerado um técnico, avesso ao estrelismo e com interlocução mais fácil com Brasília.

A pergunta que não quer calar hoje é se a Lava Jato, que nos últimos tempos vem se esforçando para mostrar que está  viva desengavetando denúncias menores e antigas, acabou de acabar. Formalmente não, até porque, com esse entendimento com Curitiba, o PGR Augusto Aras deve prorrogar sua vigência, ainda que com enxugamento de pessoal. 

Mas é óbvio que aquela Lava Jato que cresceu no imaginário popular no papel heróico do combate à corrupção acabou há muito tempo.  Perdeu sua aura de intocabilidade com a ida do ex-juiz Sergio Moro para o governo Bolsonaro, e, sobretudo,  por excessos e injustiças que estão agora sendo revistos pelo Judiciário. O que se tenta agora, tanto por parte da PGR quanto da força tarefa, é um armistício que preserve a imagem de uns e de outros, já que o conflito público estava sendo desgastante para todos.   

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub