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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

24
Abr21

Candidata em Berlim, teuto-brasileira quer pressão sobre Bolsonaro

Talis Andrade

Juliana Wimmer

Filha de brasileira e alemão, Juliana Wimmer é candidata a deputada pelo Partido Verde. Ela vê o populismo de direita como ameaça real à democracia alemã, e a atual gestão no Planalto, como risco ao mundo inteiro

por Clarissa Neher /DW

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Apesar da aparente pouca idade, a teuto-brasileira Juliana Wimmer, de 31 anos, tem uma longa trajetória de engajamento político, que neste ano pode culminar com a consolidação do início de uma carreira na política alemã. A jovem jurista é uma das candidatas do Partido Verde para o Bundestag (Parlamento alemão).

Formada em Direito, mestre em Políticas Públicas e com experiências de trabalho no Ministério alemão da Justiça e no Centro Europeu para Direitos Constitucionais e Humanos (ECCHR), Wimmer começou a cogitar a candidatura há cerca de um ano, após conversas com colegas da legenda. A ideia foi também impulsionada pelo crescimento da sigla populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD).

"Nunca pensei que um partido destes pudesse entrar em qualquer parlamento aqui na Alemanha. Agora vimos que eles chegaram para ficar, por isso, é importante nos levantarmos e dizermos que temos uma visão da política diferente desta legenda que não é democrata", conta Wimmer à DW Brasil. Ela lembra o episódio ocorrido em 18 de novembro, quando deputados da AfD liberaram a entrada no Bundestag de ativistas de extrema direita e influencers conspiracionistas que invadiram gabinetes na tentativa de intimidar parlamentares e um ministro.

Wimmer é desde 2018 assessora da deputada do Partido Verde Katja Keul e estava trabalhando no dia do incidente. "Recebi um e-mail do partido alertando para ficarmos nos escritórios e fecharmos a porta. Isso me deixou chocada e mostrou que realmente esse partido no Parlamento é um perigo para todos. Isso me motivou como alemã, mas também como estrangeira, a deixar claro que esse não é um Bundestag que desejo e também a participar mais ativamente deste Parlamento", ressalta.

O passo rumo ao Parlamento não foi algo completamente inesperado na carreira da jurista. A política sempre esteve presente na vida de Wimmer. Filha de uma brasileira e de um alemão que se conheceram no Brasil no fim da década de 1980, Wimmer nasceu em Berlim em 1989. Nas conversas em família, tanto a política alemã quanto a brasileira eram temas constantes.

"Na escola aqui, tínhamos uma aula de política e, quando terminei o colégio, sentia falta destas aulas. Também queria participar ativamente de um partido e da campanha eleitoral de 2009", conta.

A escolha do partido

Com a decisão tomada, faltava então escolher a legenda. Para isso, Wimmer fez uma pesquisa sobre as plataformas de cada um dos partidos alemães. "O Partido Verde foi o que mais me convenceu pelos seus valores baseados na ecologia, pacifismo e feminismo". Com 19 anos na época, decidiu entrar para a juventude verde.

Juliana Wimmer

Wimmer nasceu em Berlim

Em 2015, com 28 anos, ela passou a integrar grupos de trabalho da legenda que tratam de política externa e questões locais do distrito eleitoral onde mora em Berlim. A história de vida de Wimmer foi fundamental para o foco em temas internacionais.

"As duas nacionalidades são muito importantes para mim. Essas duas perspectivas e culturas foram uma das razões que me levaram a trabalhar com política externa", destaca.

Neste ano, veio o grande passo na carreira política: em 21 de março, Wimmer participou da seleção interna do Partido Verde para a escolha dos nomes que entrariam na lista de candidaturas da legenda em Berlim para as eleições de 26 de setembro.

A jurista concorreu com outros 25 candidatos e conquistou a oitava posição. As chances da teuto-brasileira de entrar no Parlamento dependem da quantidade de votos que a legenda obtiver. Na Alemanha, cada eleitor tem direito a dois votos: o direto no candidato do distrito eleitoral e o na legenda. Metade das 598 cadeiras do Bundestag são ocupadas por candidatos eleitos diretamente e a outra metade pelas listas distritais, sendo distribuídas conforme a proporção de votos das siglas.

Caso conquiste uma cadeira no Bundestag, a política internacional deve ser uma das plataformas de seu mandato. Wimmer defende uma atuação alemã no exterior voltada para a paz, desarmamento, e para prevenção de conflitos, com uma visão feminista e envolvendo a sociedade civil.

Ela pretende também contribuir para uma maior diversidade no Parlamento. "As raízes migratórias fazem parte da minha identidade. Há muitos alemães que também tem uma outra nacionalidade e esse grupo ainda é pouco representando no Bundestag. No meu mandato, também pretendo lutar por todas as crianças de migrantes que vieram para a Alemanha", acrescenta.

Governo Bolsonaro

Ao comentar a política brasileira, Wimmer lamenta os inúmeros retrocessos ambientais e de direitos humanos que vêm ocorrendo desde o início do governo de Jair Bolsonaro. "Antes da pandemia, ainda havia grupos que estavam sendo beneficiados com o governo, como a elite ou quem votou nele, mas agora todo mundo está sofrendo", afirma, acrescentado que o descaso do presidente com a crise do coronavírus é "irresponsável".

"Essa política não é sustentável e se tornou um perigo, não só para o Brasil, mas pro mundo inteiro quando vemos essas mutações", comenta.

Para a jurista, o governo da chanceler federal alemã, Angela Merkel, apesar de ser crítico de Bolsonaro, poderia fazer muito mais para pressionar o presidente brasileiro. "O poder econômico da Alemanha e da União Europeia é muito forte, mas ele não está sendo usado suficientemente para mostrar que o Brasil agora não é um parceiro confiável no comercio mundial". Como exemplo de pressão que poderia ser feita, ela cita a aprovação de leis que aumentem a transparência e os padrões exigidos em relação a produtos importados do Brasil.

Além disso, ela considera importante iniciativas que apoiem a sociedade civil e mostrem que o país europeu está ciente do que o ocorre no Brasil, como a carta de deputados alemães enviada ao Congresso brasileiro com um pedido para não flexibilizar leis de proteção ambiental.

Atualmente com chances reais de comandar o novo governo alemão, como mostram pesquisas recentes de intenção de voto, o Partido Verde poderia no futuro aumentar a pressão sob Bolsonaro. No entanto, segundo Wimmer, uma mudança neste aspecto dependerá muito da coalizão que formará o novo governo. Caso seja feita uma aliança com os social-democratas, a tendência é o fortalecimento das conexões com a sociedade civil, o endurecimento das críticas e o uso do poder econômico.

"Se só for possível uma coalizão com a CDU, será bem difícil mudar o caminho que estamos agora, pois os conservadores têm em mente os interesses econômicos e são muito influenciados pelo lobby da economia alemã, e isso é o que impede o atual governo alemão de se posicionar mais fortemente contra a política de Bolsonaro", avalia.

17
Mar21

FGV acusa Transparência Internacional de usar e abusar da fundação à sua revelia

Talis Andrade

 

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Por Reinaldo Azevedo

Em matéria de transparência, parece que a Transparência Internacional, especialmente a TI-B (seção brasileira da TI) tem mais lições a aprender do que a ministrar. Reportagem publicada pela Carta Capital, por exemplo, traz novos detalhes da parceria da TI-B com a Lava Jato. Pode parecer incrível — como se já não tivéssemos visto coisas do balacobaco! —, mas, entre as peripécias, planejou-se até mesmo criar um “selo” para candidatos bons e maus. Embora o objetivo fosse abençoar nomes considerados liberais, cogitou-se uma mobilização para granjear apoios à esquerda. Recomendo que leiam a reportagem.

Pois bem. Agora vem a público uma outra informação do balacobaco. No dia 31 de janeiro, a direção da Fundação Getúlio Vargas, no Rio, enviou uma notificação à sede da Transparência Internacional, na Alemanha, relatando um caso realmente sui generis.

A FGV acusa a seção brasileira da Transparência Internacional de ter firmando um Memorando de Entendimento para desenvolver um trabalho em parceria com o Ministério Público Federal — leia-se: Lava Jato — utilizando, para tanto, mão de obra, expertise e até instalações da Fundação, mas sem o seu conhecimento — e, pois, sem um contrato.

Destaco trechos do documento, que é muito claro. No começo, tudo parecia bem. Acompanhem.

PARCERIA ANTIGA
Como é de conhecimento de V.Sas., em 30 de agosto de 2016 a Fundação Getúlio Vargas – FGV e a Transparency International Secretariat – TI-S celebraram Memorando de Entendimentos, formalizando a participação da FGV no Centro de Conhecimento Anticorrupção.

Também como é de conhecimento de V.Sas., em 17 de julho de 2017 a Transparência Internacional – Programa Brasil -TI-B, e a FGV, por meio de sua Escola de Direito do Rio de Janeiro, firmaram um acordo geral para cooperação técnica, de modo a viabilizar o desenvolvimento de “uma variedade de Projetos de Pesquisa Aplicada dentro da temática de combate à corrupção, promoção e compliance nos setores público e privado e avanço de práticas de transparência”, prevendo, neste Acordo, que cada projeto de pesquisa seria objeto de um Termo Aditivo específico, com o detalhamento e condições.

No mesmo 17 de julho de 2017, FGV e TI-B firmaram o 1º Termo Aditivo ao Acordo, visando criar mecanismo que, a partir da participação da sociedade civil, possibilitasse o desenvolvimento de propostas legislativas de combate à corrupção.

Em 17 de agosto de 2017, foi firmado o 2º Termo Aditivo ao Acordo, visando desenvolver pesquisa destinada a analisar os mecanismos de integridade e compliance de empresas estatais brasileiras e para propor iniciativas capazes de aprimorá-los.

Todas as pesquisas, objeto dos 1º e 2º Aditivos, foram plenamente realizadas, nos termos da contratação, com a produção de relevante bem público para a sociedade brasileira.

RETOMO
Tudo claro até aqui, certo? FGV e TI-B empenhadas em ações contra a corrupção. Como na música de Claudinho & Buchecha, as coisas caminhavam na base do “só love, só love”.

Destaco, de qualquer modo, essa vocação que tem a Transparência Internacional, do Brasil ou não, para ser uma espécie de polícia global, né? É uma pena que, em terras nativas, tenha se embrenhado em caminhos escuros, que envolvem até disputa eleitoral. Mas sigamos. A relação com a FGV vai começar a azedar. Afinal, até esse ponto, parece, a Lava Jato não havia entrado na história. Sigamos com o documento.

Em 03 de julho de 2019, a TI-B notificou-nos, fazendo referência à cláusula anticorrupção do Acordo, a partir de uma due dilligence promovida por V.Sas., previamente à assinatura do que seria o 3º Termo Aditivo, que previa a realização conjunta do projeto de pesquisa “Lava Jato Global: lições para o combate à corrupção”.

Fazendo menção a investigações promovidas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, a TI-B solicitou à FGV explanação sobre toda e qualquer investigação e processos judiciais e administrativos contra pessoas físicas e jurídicas relacionadas à FGV, além da execução de ações de remediação, tendo a FGV apresentado todas as informações requeridas.

Mesmo tendo recebido as informações solicitadas, e para decepção da FGV, a TI-B promoveu, unilateralmente, o distrato do Acordo, encerrando, no segundo semestre de 2019, as relações entre as Instituições.

EXPLICO
O Ministério Público do Rio investigou a FGV, acusando a fundação de fraudes em contratos de consultoria com o governo do Rio. A TI-B houve por bem, então, romper unilateralmente o contrato. Onde já se viu, né?, entidade e pessoas tão retas e sérias envolvidas com uma instituição investigada? Coisa realmente muito feia. É mesmo? Voltemos ao documento. Prestem atenção. O roteiro começa a ficar mais interessante.

Em 6 de dezembro de 2020, foi publicada matéria do site CONJUR, sob o título “Aras bloqueia repasse de R$ 270 milhões para clone de fundação da ´lava jato´”, reportagem esta que faz menção a um Estudo produzido pela TI-B para o Ministério Público Federal, Estudo este que foi divulgado nas redes sociais da própria TI-B (https://www.facebook.com/transparenciainternacionalbrasil ), anexo à Nota Pública intitulada “MPF desmente, mais uma vez, informações falsas de que a TI receberia e administraria recursos do Acordo de Leniência da J&F”.

Apenas a partir dessa publicação, a FGV tomou conhecimento da existência de um Memorando de Entendimentos (MOU), firmado entre o Ministério Público Federal e a TI-S em 12 de dezembro de 2017, ou seja, ainda durante a vigência do Acordo entre a TI-B e a FGV, MOU este que, além das Partes mencionadas, incluía a J&F Investimentos S/A e a TI-S, representada pelo Sr. Bruno de Andrade Brandão.

Nos termos deste MOU, a participação da TI-S foi expressamente justificada por deter a Instituição expertise para promover a estruturação do sistema de governança envolvendo recursos financeiros destinados a projetos sociais.

Desnecessário dizer que a FGV não é parte deste MOU e dele só agora teve conhecimento, não tendo participado, em qualquer momento ou por qualquer forma, das conversações e tratativas que neste documento resultaram.

RETOMO
Perguntará o leitor que está acompanhando até aqui: “Mas por que a FGV está dizendo que não faz parte desse fabuloso Memorando de Entendimento? É aí que está o busílis. A Fundação foi usada na celebração do troço sem ter sido nem avisada. Vocês se deram conta, certo? Ainda estava em curso uma parceria entre a seção brasileira da TI e a FGV quando esse outro acordo foi feito. Quem o assinou em nome a TI da Alemanha foi Bruno Brandão, o mesmo que celebrava os entendimentos com a fundação em nome da seção brasileira.

O que segue explica tudo direitinho:

Pois viu-se a FGV surpreendida ao saber que, para desincumbir-se das obrigações assumidas no âmbito deste MOU, a TI-S valeu-se, sem o conhecimento e tampouco a aprovação da FGV, dos conhecimentos de professor de seus quadros, Professor Michael Freitas Mohallem, indicado, na ficha catalográfica do documento intitulado “Governança de Estudos Compensatórios em casos de Corrupção” (resultado do referido MOU), como coautor do mesmo.

Mais grave: na página 111 deste documento, é admitida a utilização das instalações da FGV para a realização de entrevista, sendo que a Fundação não foi consultada sobre uso de espaço seu para tal finalidade, e, portanto, não o autorizou.

Demonstrando que a FGV não fez parte desse serviço, nada recebendo pelo mesmo, o acordo geral para cooperação técnica firmado entre TI e FGV exigia, como já mencionado supra, que cada projeto de pesquisa seria objeto de um Termo Aditivo específico, com o detalhamento e condições, o que em nenhum momento foi feito em relação aos serviços tratados no citado MOU.

RETOMO
Se a direção da FGV não está mentindo na notificação que faz à Transparência Internacional, na Alemanha, a fundação acabou fazendo parte de um… sei lá como chamar — troço? — sem que soubesse. Tanto um professor seu como suas instalações passaram, como posso dizer?, por uma espécie de apropriação, né?

A própria FGV resume para a TI o ocorrido:
(i) a FGV não foi consultada sobre o eventual interesse em participar ou não;

(ii) a FGV não recebeu qualquer solicitação formal para autorizar a participação de um de seus professores de tempo integral na coautoria do Estudo encomendado pelo MPF;

(iii) a FGV não autorizou a utilização das suas instalações para a realização de qualquer atividade relacionada, direta ou indiretamente, ao Estudo;

(iv) a TI não firmou com a FGV qualquer Termo Aditivo para participação desta última no projeto objeto do MOU assinado entre a TI e o MPF, o que era exigido por força do Acordo Geral firmado.

E acrescenta a direção da FGV:
Parece-nos, mais do que descortês, grave o fato de a TI-B se (i) apresentar como expert em determinada área do conhecimento, (ii) ser contratada por órgão estatal para a realização de estudos e, ato seguinte, (iii) promover os estudos a partir e com a coautoria com professor dos quadros da FGV, tudo sem conhecimento ou autorização expressa da Fundação Getúlio Vargas, quando o próprio Acordo Geral firmado entre TI e FGV exigia formalização de Termo aditivo a cada novo projeto a ser desenvolvido pelas duas instituições.

ENCERRO
A coisa não fica bonita para a Transparência Internacional — a da Alemanha ou seção brasileira. Mas é preciso que a FGV apure também se, dentro da fundação, houve atuação imprópria.

É preciso combater a corrupção e é preciso tomar cuidado com a indústria de combate à corrupção.

Sim, os males precisam de remédios. E, como escreveu Padre Vieira, é preciso saber quem remedeia os remédios. Ou o país acaba se entupindo de cloroquina moral.

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Artigo publicado originalmente no UOL, no Grupo Prerrogativas, com o título "FGV acusa Transparência Internacional-B de usar a fundação à sua revelia". ANTERIOR: Submundo – A conspiração da Lava Jato contra Lula

 
11
Fev21

Brasil registra 1.351 mortes por covid-19 em 24 horas

Talis Andrade

A situação sanitária do Brasil é muito preocupanteProfessora distribui álcool gel para aluno em escola de São Paulo

Professora distribui álcool em escola de São Paulo

DW - O Brasil registrou oficialmente 54.742 casos confirmados de covid-19 e 1.351 mortes ligadas à doença nesta quinta-feira (11/02), segundo dados divulgados pelo Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass).

Com isso, o total de infecções identificadas no país subiu para 9.713.909, enquanto os óbitos chegam a 236.201.

Diversas autoridades e instituições de saúde alertam, contudo, que os números reais devem ser ainda maiores, em razão da falta de testagem em larga escala e da subnotificação.

Em números absolutos, o Brasil é o terceiro país do mundo com mais infecções, atrás apenas dos Estados Unidos, que somam mais de 27,3 milhões de casos, e da Índia, com 10,8 milhões. Mas é o segundo em número absoluto de mortos, já que mais de 474 mil pessoas morreram nos EUA.

Brasil pode ficar isolado mundialmente por causa de possíveis variantes do coronavírus

22
Dez20

Antivacinas deveriam abrir mão de UTI, sugere geneticista alemão. Idem defensores da Cloroquina

Talis Andrade

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Membro do Conselho Alemão de Ética afirma que público deveria confiar em cientistas e em pessoas que "realmente conhecem o assunto", e não em teóricos da conspiração e opositores da vacinação

 

Pessoas que se recusam a tomar a vacina contra covid-19 não deveriam ter acesso a ventiladores e outras medidas de emergência se ficarem doentes, disse, em tom de provocação, um membro do Conselho Alemão de Ética (Deutscher Ethikrat) ao jornal Bild neste sábado (19/12). No Brasil faltam leitos hospitalares, e os defensores da Cloroquina, notadamente políticos, juízes, procuradores, promotores, terrivelmente evangélicos, deveriam fazer o mesmo.

O conselho formado por especialistas independentes assessora o governo e o Parlamento em questões sobre medicina, lei e ciência que têm impacto na sociedade.

"Quem quiser recusar a vacinação definitivamente, deveria sempre carregar um documento com a inscrição: 'Eu não quero ser vacinado!'", disse Wolfram Henn, um geneticista que também atua como vice-presidente do Conselho Central de Ética da Associação Médica da Alemanha. "Quero deixar a proteção contra a doença para os outros! Quero, se ficar doente, deixar meu leito de terapia intensiva e respirador para os outros."

Embora Henn aponte que as questões relacionadas à vacinação são compreensíveis e justificadas, ele recomendou confiar no conselho de "pessoas que realmente conhecem o assunto". Pesquisadores de todo o mundo, disse ele, "aceleraram o ritmo com um custo enorme, mas não à custa da segurança".

"Dentro de alguns meses, também haverá vacinas contra o coronavírus do tipo clássico, como aquelas que foram comprovadas um bilhão de vezes durante décadas contra a gripe ou hepatite", acrescentou.

Henn também criticou propagadores de teorias da conspiração e negacionistas do coronavírus, apontando que as decisões não deveriam ser deixadas para "'pensadores laterais' e opositores da vacinação", referindo-se ao movimento Querdenken ("pensamento lateral", em alemão), o grupo que tem liderado a maioria das manifestações contra as medidas para frear a pandemia impostas pelo governo alemão.

"Recomendo com urgência que esses alarmistas visitem o hospital mais próximo e apresentem suas teorias da conspiração aos médicos e enfermeiras que acabaram de sair de superlotadas unidades de terapia intensiva completamente exaustos", disse.

Após a sua entrevista ao Bild, Henn disse à emissora WDR que quis fazer uma provocação para estimular reflexão. "Em primeiro lugar, quero provocar e, no bom sentido, estimular a reflexão. [As pessoas] devem pensar quais são as consequências de suas ações."

"É perfeitamente claro que, no final, ninguém abrirá mão do tratamento em caso de emergência. A questão é que as pessoas que apresentam críticas muito rapidamente e que gostam de apontar para aquilo que se opõem também deveriam expressar o que realmente defendem. E se elas se voltam contra algo, então deveriam realmente pensar nas consequências de suas ações se elas forem levadas até o fim."

A Alemanha tem sido palco de um movimento barulhento contra as medidas relacionadas ao coronavírus. Vários grandes protestos foram realizados na capital, Berlim, e outras grandes cidades. No mês passado, um protesto na cidade de Leipzig atraiu mais de 20.000 participantes.

A Alemanha está atualmente sob um lockdown rígido que deve durar até pelo menos 10 de janeiro. O país vem enfrentando um aumento robusto no número de casos e mortes, apesar de seu sucesso no início da pandemia.

Na sexta-feira, a Alemanha registrou 33.777 novos casos, marcando a primeira vez que o país teve um aumento diário superior a 30.000. Autoridades de saúde também relataram mais de 25.700 mortes desde o início da pandemia. A partir de uma reportagem do DW

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16
Set20

Queimadas no Pantanal e na Amazônia: carta aberta de países europeus a Mourão protesta contra política ambiental brasileira

Talis Andrade

 

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Destruição do Pantanal pelas queimadas chegou a quase 3 milhões de hectares

 

Por BBC News

No dia em que a destruição do Pantanal pelas queimadas chegou a quase 3 milhões de hectares (equivalente à área da Bélgica), oito países europeus enviaram nesta quarta-feira (16/9) uma carta aberta ao vice-presidente brasileiro, general Hamilton Mourão, para protestar contra a política ambiental brasileira.Image

Os países afirmam que nos últimos anos o desmatamento aumentou no Brasil em ritmo alarmante e que estão "profundamente preocupados" com os efeitos dessa destruição para o desenvolvimento sustentável do país.

A carta foi enviada pelos países que participam da declaração de Amsterdã, uma parceria entre nações para promover sustentabilidade e cadeias de produção de commodities que não cause a destruição de florestas. Participam Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Dinamarca, Noruega, Países Baixos e Bélgica.

"Durante muito tempo o Brasil liderou a redução do desmatamento na Amazônia através do estabelecimento de instituições científicas independentes que garantem monitoramento rigoroso e transparente, de agências de controle competentes e do reconhecimento de territórios indígenas. Nos últimos anos, no entanto, o desmatamento tem crescido em ritmo alarmante, como foi documentado pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)", diz a carta.

A situação das florestas

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Além das queimadas que estão devastando o Pantanal neste mês de setembro — e cujas origens podem ser criminosas, segundo investigação da Polícia Federal —, a Amazônia também está sofrendo com devastação gerada pelo fogo. Em apenas 14 dias, setembro de 2020 já registrou mais queimadas na Amazônia do que em todo o mesmo mês do ano passado, segundo o INPE.Independente e respeitada internacionalmente, a instituição científica que faz o monitoramento do desmatamento vem sendo criticada e tratada como "oponente" pelo governo Bolsonaro desde que seus registros passaram a mostrar aumento na destruição dos biomas. Na segunda (15/9), Mourão afirmou que "alguém lá de dentro" do Inpe "faz oposição ao governo".

"Quando o dado é negativo, o cara vai lá e divulga", afirmou o vice-presidente.

A destruição tem sido registrada também por outras entidades. Segundo a Global Forest Watch, que mantém uma plataforma online de monitoramento de florestas, o Brasil foi responsável pela destruição de um terço de todas as florestas tropicais virgens desmatadas no planeta em 2019 — foram 1,3 milhão de hectares perdidos.

Desmatamento dificulta o investimento

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Questionada internamente por entidades científicas, ambientalistas e até pelo Ministério Público, a política ambiental do governo é o principal ponto mencionado pela carta dos países da declaração de Amsterdã.

Eles afirmam que as preocupações com a situação ambiental no Brasil atingem consumidores, negócios, investidores e a sociedade civil na Europa.

"Na Europa, existe um legítimo desejo de que os alimentos à disposição sejam produzidos de forma justa, ambientalmente segura e sustentável", afirma a carta. "Fornecedores, comerciantes e investidores estão respondendo (à essa preocupação) incorporando esse desejo em suas próprias estratégias corporativas."

O desmatamento no Brasil está tornando cada vez mais difícil para que empresas e investidores mantenham seus critérios de sustentabilidade, diz a carta.

"Nossos esforços coletivos para gerar mais investimento financeiro em produção agrícola sustentável (...) também poderia dar apoio ao crescimento econômico brasileiro", afirmam os países.

"No entanto, já que os esforços europeus buscam formar cadeias de produção livres de desmatamento, a atual tendência de desmatamento no Brasil está está tornando cada vez mais difícil para que empresas e investidores mantenham seus critérios de sustentabilidade."

"No passado, o Brasil mostrou que é capaz de expandir a produção agrícola ao mesmo tempo em que reduz o desmatamento", também afirma o documento.

As nações que assinam o documento afirmam que "esperam um comprometimento renovado e firme do governo do Brasil para reduzir o desmatamento que seja refletido em ações reais e imediatas".

Os países afirmam também que estão prontos para discutir formas de ajudar o Brasil a melhorar a sustentabilidade e dar suporte a um "setor agrícola sustentável" no país.

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Veja galeria de fotos aqui

02
Set20

"A PM é a instituição mais genocida do Brasil"

Talis Andrade

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Protesto contra violência policial no Rio de Janeiro: "vítimas são na grande maioria a população negra, jovem, favelada"

 

por Marcio Damasceno/ DW

A fabricante de armas Heckler & Koch (H&K), uma das maiores do ramo na Alemanha, anunciou na quinta-feira (27/08) que não exportará mais armamento para o Brasil, citando como motivos "as mudanças políticas" no país, "especialmente as agitações políticas antes das eleições presidenciais e a dura ação da polícia contra a população", conforme afirmou o porta-voz da empresa em reunião anual de acionistas.

O anúncio confirmou a decisão divulgada na reunião de acionistas da H&K do ano passado, de "não fornecer mais armas para o país depois da eleição de Jair Bolsonaro". A medida foi divulgada após questionamentos da Associação de Acionistas Críticos da Alemanha, entidade que forma uma rede de organizações alemãs que compram ações de empresas para cobrar delas respeito a temas como direitos humanos e meio ambiente, entre outros.

Na opinião do ativista Christian Russau, membro do conselho de direção da ONG, essa é uma pequena vitória para um objetivo ainda maior: a proibição da venda de armas alemãs para o Brasil.

"A Polícia Militar no Brasil é, na minha visão, a instituição mais genocida do país, e as vítimas são na grande maioria a população negra, jovem, favelada. Enquanto ainda faltar um controle democrático e efetivo das ações dessa polícia, não deveria ter exportações de armas da Alemanha", diz Russau.

Em entrevista à DW Brasil, o cientista político e escritor explica como a associação atua e quais os principais problemas abordados pela ONG sobre o papel de empresas alemãs em possíveis violações e abusos no Brasil.

 

DW Brasil: Pode-se dizer que a suspensão da venda de armamentos ao Brasil pela Heckler & Koch é uma vitória da Associação de Acionistas Críticos da Alemanha?

Christian Russau: É a vitória de muitos grupos que durante muitos anos criticaram a H&K por causa das armas que eles exportaram, por exemplo, para o México, algo proibido pela legislação alemã. Esses grupos fizeram muita pressão, então a imagem da empresa nos últimos anos vinha piorando bastante.

Pode ser que, considerando que as vendas para o Brasil não representam tanto financeiramente, a companhia tenha avaliado que a má imagem não era algo que compensasse nesse caso. Então eles talvez tenham preferido, dessa vez, fazer papel de bonzinhos.

Isso é para nós uma pequena vitória. Claro que queríamos que o Brasil fosse banido pelo Estado alemão de receber armas. A empresa Sig Sauer tem planos de fechar aqui e abrir uma joint venture no Brasil. Achamos que, segundo as leis de exportação alemãs, isso deveria ser proibido e também que a Glock, da Áustria, não deveria mais fornecer armas para o Brasil. Mas para que isso ocorra, os ativistas da Áustria deveriam fazer pressão sobre a Glock.

 

Por que a Alemanha deveria proibir a venda de armas de empresas alemãs ao Brasil?

A Polícia Militar no Brasil é, na minha visão, a instituição mais genocida do país, e as vítimas são na grande maioria a população negra, jovem, favelada. Enquanto ainda faltar um controle democrático e efetivo das ações dessa polícia, não deveria ter exportações de armas da Alemanha.

 

Como a associação tem agido em relação ao atual governo brasileiro?

Poucos meses antes das eleições, houve uma sabatina na Confederação Nacional da Indústria (CNI), e lançamos uma nota protestando contra o comportamento da CNI, elogiando um político que tem comportamento e discurso fascista, algo totalmente perigoso. Criticamos especialmente as empresas alemãs, que não são membros da CNI, mas, pelas suas filiais brasileiras, são membros das entidades empresariais estaduais.

Criticamos que as empresas alemãs estejam no Brasil fazendo negócios e até mesmo elogiando o governo Bolsonaro, dizendo que os ministérios da Economia e Infraestrutura estão levando o país para frente e que é necessário flexibilização das leis ambientais, desmantelar o sistema de licença prévia, licença de instalação e operação, algo que é muito importante para garantir o direito das pessoas e das comunidades que estão na área de grandes empreendimentos. 

Então, fazemos as campanhas criticando, esperando que algumas delas acordem e comecem a se distanciar ativamente de um governo literalmente fascista, como avalio o governo Bolsonaro.

 

Pode citar algum exemplo de outros avanços já conseguidos no que diz respeito ao Brasil?

Tivemos sucesso, por exemplo, no caso da Allianz, que é uma das maiores seguradoras do mundo e fez uma parte do seguro da hidrelétrica Belo Monte. Em 2013, questionamos o papel da empresa na Belo Monte, em relação às consequências ambientais e também violações de direitos humanos. Desde então, a Allianz se comprometeu a não assegurar projetos em que o direito à Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI) dos povos indígenas não é respeitado.

Com isso, vários projetos na Amazônia, por exemplo, podem deixar de ser assegurados pela Allianz, se são empreendimentos em que a CPLI não é respeitada. E se soubermos que a Allianz está envolvida neles, poderemos protestar fortemente.

A ideia é que isso se dissemine para outras seguradoras, e que essas empresas tenham mais dificuldade em conseguir seguro, e mais dificuldades em conseguir financiamentos para empreendimentos e, dessa forma, mudar algo gradualmente. Somos nitidamente fracos porque só temos uma ação de cada empresa, mas podemos tentar algumas coisas. (Transcrevi trechos)

16
Jun20

Pandemia acelera derretimento da imagem do Brasil na Europa

Talis Andrade

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Forma como Bolsonaro enfrenta a crise do coronavírus impulsiona vertiginosamente processo de deterioração da reputação brasileira. Imprensa europeia pinta cenário catastrófico, e parcerias importantes estão sob risco

 

por Astrid Prange/ Deutsche Welle

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É gritante o contraste entre a imagem atual do Brasil e a que tinha há uma década, quando era aclamado mundo afora por sua economia promissora, com a revista britânica The Economistestampando em sua capa uma imagem do Cristo Redentor decolando como um foguete. O país estava prestes a superar a França e assumir o posto de quinta maior economia do mundo. Nesse meio tempo, caiu para a 12ª posição.

"O Brasil estragou tudo?", questionava a Economist já em 2013, trazendo a crise no maior país latino-americano como manchete. Naquele momento, no entanto, ainda era difícil prever a dimensão do declínio brasileiro que estava por vir.

Apesar da crise econômica, o Brasil se apresentou para o mundo como país-sede da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, mostrando-se cada vez mais autoconfiante. Durante os governos Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, o país conquistou prestígio no cenário internacional.

O país chamou atenção sobretudo por seu bem-sucedido combate à pobreza por meio de programas sociais como o Bolsa Família, que ajudaram cerca de 30 milhões de brasileiros a ascender à classe média. Há dez anos, o jornalista alemão Alexander Busch, que atua como correspondente no Brasil, resumiu o clima de euforia em seu livro intitulado Brasil, país do presente - O poder econômico do gigante verde.

Agora, a euforia definitivamente chegou ao fim. E não apenas devido à crise econômica e aos escândalos de corrupção que vieram à tona nos últimos anos. Se desde que tomou posse o presidente Jair Bolsonaro já vinha contribuindo para um derretimento da imagem do Brasil na Europa, sendo criticado por ameaçar a democracia e o meio ambiente, a maneira como vem lidando com a pandemia de covid-19 vem acelerando vertiginosamente esse processo de deterioração da reputação brasileira.

"A imagem positiva acabou", afirma Friedrisch Prot von Kunow, presidente da Sociedade Brasil-Alemanha (DBG, na sigla em alemão) e que foi embaixador no Brasil entre 2004 e 2009. Atualmente, o diplomata não vê progressos sociais no Brasil, mas sim um cenário catastrófico. "Do ponto de vista alemão, uma personalidade como Bolsonaro é inconcebível. Pessoalmente, tenho dificuldade em lidar com isso."

Acordo Mercosul-UE e meio ambiente

Assim como o presidente americano, Donald Trump, Bolsonaro ameaça abandonar o Acordo de Paris para o clima e a Organização Mundial da Saúde (OMS), e a gestão da atual pandemia vem contribuindo para isolar ainda mais o Brasil no cenário internacional.

"Na crise do coronavírus, Bolsonaro vem se mostrando ainda mais radical que Trump", afirma Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais na Fundação Getúlio Vargas (FGV). "Com isso, a ratificação do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) fica cada vez mais improvável", escreveu no Twitter recentemente.

A destruição da Amazônia também vem rendendo duras críticas ao governo brasileiro. Na última quinta-feira, Georg Witschel, embaixador da Alemanha no Brasil, disse ao portal G1 que o desmatamento na região – que, segundo o Inpe, cresceu 34,4% entre agosto de 2018 e julho de 2019 em relação ao período anterior – torna a ratificação do tratado "cada vez mais difícil".

Para ter validade, o acordo Mercosul-UE, que foi assinado na cúpula do G20 em junho de 2019, tem que ser aprovado pelos parlamentos de todos os países de ambos os blocos. "Precisamos do apoio do Brasil, e o apoio é a redução do desmatamento", afirmou o embaixador alemão.

No início de junho, o jornal britânico The Guardian publicou um editorial manifestando preocupação com o avanço da destruição da Amazônia durante a pandemia. "O mundo não pode permitir que a pandemia de coronavírus distraia da destruição da floresta tropical", diz o texto.

"Enquanto Bolsonaro continua a atacar medidas de saúde pública, a população indígena da região amazônica parece estar cada vez mais ameaçada pela violência e pela doença", diz o jornal.

Devido às políticas do governo Bolsonaro para o meio ambiente e ao aumento do desmatamento na região amazônica, Alemanha e Noruega se distanciaram do Brasil, congelando no ano passado seus repasses para o Fundo Amazônia. O Ministério alemão do Desenvolvimento vem encerrando projetos no país.

Indústria alemã avalia permanência

A indústria alemã no Brasil também vem sofrendo com o derretimento da imagem brasileira. "Não há dúvida de que o Brasil e a América Latina ficaram menos atrativos", disse Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil, em entrevista ao jornal econômico alemão Handelsblatt na semana passada.

Ao ser questionado sobre a atuação do governo Bolsonaro diante da pandemia do novo coronavírus, Schiemer afirmou que a gestão da crise "deixa a desejar" e que "as constantes disputas políticas são uma fonte adicional de incerteza". "Com isso, a credibilidade do Brasil é prejudicada", disse.

Apesar de elogiar o fato de o governo ter agilizado o auxílio financeiro para os mais pobres e flexibilizado as leis trabalhistas de modo a evitar demissões em massa, Schiemer critica que disputas políticas tenham voltado a ocupar as autoridades e diz que gostaria que o governo dedicasse mais energia a implementação de sua agenda de reformas econômicas.

Em análise para o Handelsblatt, o correspondente Alexander Busch afirma que a crise do coronavírus e Bolsonaro são "uma combinação que acaba com o espírito empreendedor até mesmo dos maiores otimistas" e que médias empresas alemãs, duramente atingidas pelos efeitos da pandemia, se perguntam se vale a pena continuar no Brasil.

Ameaças à democracia e à saúde

Desde o início do governo Bolsonaro, editoriais dos principais jornais europeus vêm denunciando ameaças à democracia no Brasil. No último dia 7 de junho, o britânico Financial Times afirmou que, em meio à crise provocada pelo coronavírus e à queda na popularidade de Bolsonaro, "os brasileiros estão preocupados com a possibilidade de o presidente estar tentando provocar uma crise entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário para justificar uma intervenção militar".

Apesar de afirmar ser improvável que as Forças Armadas apoiem um golpe militar, o jornal aponta: "Outros países devem tomar nota: os riscos para a maior democracia da América Latina são reais, e estão aumentando."

Em meados de maio, foi a vez do jornal francês Le Monde, que escreveu que o governo brasileiro adotara uma via "extremamente perigosa" e que a postura do presidente causa "caos na saúde e semeia a morte". Para o diário, "há algo de podre" no país. "O Brasil de Bolsonaro habita um mundo paralelo", dizia o texto.   

No fim de maio, após a divulgação do vídeo com trechos de uma infame reunião ministerial em 22 de abril, o espanhol El País também havia destacado em editorial que "as ameaças à separação de poderes ali lançadas por alguns ministros são inadmissíveis" e que "o rosário de insultos emitidos pelo presidente é uma afronta intolerável às instituições".

A "gestão errática da pandemia e uma grave crise político-institucional com flertes com golpes de Estado", diz o jornal, "além de ser muito grave, desvia a atenção numa altura em que a luta contra o coronavírus deveria ser a prioridade de toda a classe política brasileira".

Num veemente editorial intitulado Covid-19 no Brasil: "E daí?"a revista científica britânica The Lancet escreveu no dia 8 de maio que "talvez a maior ameaça à resposta do país à covid-19 seja seu presidente, Jair Bolsonaro" e que a liderança do Brasil perdeu seu compasso moral – se é que jamais teve algum".

Desde então, o Brasil perdeu seu segundo ministro da Saúde em menos de um mês e viu o número de mortos por covid-19 saltar de 5 mil para mais de 43 mil, sendo atualmente o segundo país com mais óbitos em decorrência da doença.

14
Jun20

Petição pede boicote de supermercados alemães ao Brasil por desmatamento da Amazônia

Talis Andrade

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A iniciativa visa pressionar três das maiores redes de supermercados da Alemanha a não comprarem mais do Brasil, principalmente produtos agrícolas. Se obtiver adesão, o boicote pode resultar no fechamento de 70% do mercado varejista alemão às mercadorias brasileiras.

Um abaixo-assinado que colheu mais de 300 mil assinaturas em menos de uma semana exorta três das maiores redes de supermercado da Alemanha a não venderem mais produtos brasileiros por causa do desmatamento da Amazônia.

A ação, lançada na terça-feira (09/06) pela Campact, ONG sediada em Berlim, critica a polêmica Medida Provisória 910/19, substituída pelo Projeto de Lei 2633/20, sobre regularização fundiária. O projeto é conhecido por seus críticos como "PL da Grilagem", por apresentar risco de promover mais devastação florestal. 

A organização alemã cita uma ameaça de boicote formulada em maio pelas principais redes de supermercados do Reino Unido e pede que três grandes redes alemãs sigam o exemplo. O apelo é dirigido às companhias Lidl, Edeka e Aldi Nord, que figuram entre as cinco maiores varejistas da Europa em volume de faturamento.  

A Campact afirma que duas grandes redes alemãs, Aldi Süd e Rewe, já aderiram à iniciativa das redes britânicas, que ameaçaram no mês passado, em carta aberta ao Congresso Nacional, boicotar produtos brasileiros em caso de aprovação da proposta de regularização fundiária.

Bloqueio de 70% mercado varejista alemão ao Brasil

O sucesso da petição da Campact, com a adesão dos três supermercados, fecharia, segundo a ONG, 70% mercado varejista alemão aos produtos brasileiros. O objetivo da ONG alemã é aumentar a pressão para que o texto seja não só retirado da pauta do Congresso, mas descartado por completo.

"A proposta de lei ameaça a população indígena, a biodiversidade e o clima. Normalmente, recorreríamos diretamente aos políticos. Mas no caso do radical de direita Bolsonaro, a diplomacia é impossível. Por isso, visamos seu lado mais sensível: o sucesso econômico. Bolsonaro depende do apoio do lobby do agronegócio", diz o texto da petição online, que também foi enviado a 2,3 milhões de assinantes do boletim informativo da entidade. 

"Queremos que as redes de supermercado alemãs se juntem aos supermercados britânicos no boicote a produtos brasileiros, principalmente à carne bovina, para pressionar economicamente o governo Bolsonaro", afirma o grupo.

O texto da petição dá destaque à afirmação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em reunião ministerial do governo, em que ele fala em aproveitar o "momento de tranquilidade na aspecto da cobertura de imprensa" durante a crise de Covid-19 no Brasil para "passar a boiada": mudar regras e simplificar normas ambientais.

"Em vez de punir o desmatamento ilegal, Bolsonaro permite a destruição da floresta. Essa lei é como um convite para destruir a Floresta Amazônica – isso pouco antes da temporada de queimadas", disse em entrevista exclusiva à RFI Friederike Gravenhorst, integrante da Campact. "O pulmão verde da Terra está em perigo." 

Incentivo à destruição de novas áreas da floresta

O PL 2633/20 foi apresentado após a perda de validade em maio, por falta de acordo entre os parlamentares, da controversa Medida Provisória 910/19, editada em dezembro pelo presidente Jair Bolsonaro. O projeto prevê a regularização fundiária de imóveis da União, incluindo assentamentos, sem vistoria prévia, em áreas com até seis módulos fiscais e ocupadas até julho de 2008 – o texto da MP 910 incluía zonas ocupadas até 2014 e de até 15 módulos fiscais. 

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"Salvem a floresta: parem Bolsonaro!", diz mensagem veiculada na petição ONG alemã Campact. © Campact

 

O módulo fiscal é uma unidade cujo tamanho varia de acordo com o município, podendo ir de 5 a 110 hectares.

Defensores da iniciativa alegam que ela desburocratiza a concessão de títulos a agricultores, que poderiam produzir mais, com mais acesso a crédito. Críticos argumentam que a lei premiaria quem invadiu e derrubou florestas ilegalmente em áreas públicas e, ao possibilitar que desmatadores se tornem proprietários de áreas ocupadas ilegalmente, seria um incentivo à destruição de novas áreas de floresta.

 
02
Jun20

Comparações descabidas com nazismo desvalorizam memória do Holocausto, diz historiador

Talis Andrade

 

sinagoga.jpg

Sinagoga destruídda na Alemanha na Noite dos Cristais

Paula Adamo Idoeta entrevista Avraham Milgram

O uso de um evento histórico e marcante do período nazista como foi a Noite dos Cristais para caracterizar um fato político cotidiano brasileiro é "absurdo e inconsequente", na opinião do historiador Avraham Milgram, pesquisador que trabalhou por mais de três décadas do Museu Yad Vashem, o Museu do Holocausto, em Israel.

Milgram, que nasceu na Argentina, morou no Brasil desde pequeno e emigrou para Israel em 1973, foi consultado pela BBC News Brasil a respeito de declarações do ministro da Educação, Abraham Weintraub: em 27 de maio, quando a Polícia Federal fez uma operação de busca e apreensão a alvos próximos ao governo de Jair Bolsonaro, dentro do inquérito de combate a fake news que corre no Supremo Tribunal Federal, o ministro afirmou se tratar do "dia da infâmia, vergonha nacional, e será lembrado como a Noite dos Cristais brasileira".

Para o historiador Milgram, esse tipo de comparação "desvaloriza a memória do Holocausto".

"Desvirtua a essência do que houve em termos de atos anti-judaicos da Alemanha naquela época. E, por outro lado, engrandece e aumenta de forma exponencial um ato de caráter político local (brasileiro) destituído de essência racial, étnica, nacional e outras particularidades que há nas tendências genocidas nazistas", diz o pesquisador.

"Há aqui uma coisa perigosa do uso e abuso da memória do Holocausto, da história geral e anti-judaica em particular, para qualquer coisa."

A fala de Weintraub também foi criticada por entidades judaicas brasileiras e, indiretamente, pela Embaixada de Israel, que pediu, em nota, "que a questão do Holocausto como também o povo judeu ou judaísmo fiquem à margem do diálogo político cotidiano e as disputas entre os lados no jogo ideológico".

A reportagem voltou a conversar com Milgram para perguntar a respeito da declaração atribuída pela Folha de S.Paulo ao ministro Celso de Mello, comparando o Brasil atual ao período que antecedeu a ascensão de Hitler, para saber se a mesma avaliação do historiador se aplicava à declaração do decano do STF.

Milgram vê muitas diferenças entre as circunstâncias históricas, embora acredite que haja, no Brasil, um risco de recaída maior ao autoritarismo.

No Museu do Holocausto, Milgram coordenou múltiplos estudos e editou a Enciclopédia dos Justos Entre as Nações (em referência aos não judeus que arriscaram suas vidas para salvar judeus na época do Holocausto). Fez bacharelado, mestrado e doutorado na Universidade Hebraica e publicou, no Brasil e em Portugal, livros sobre a história judaica.

Em entrevista à BBC News Brasil, ele fala da importância histórica da Noite dos Cristais dentro do processo de perseguição dos judeus pelo regime nazista e do "prejuízo" causado por comparações equivocadas - feitas por todos os lados do espectro político - com esse período histórico. (Continua)

 

 

 

04
Mai20

Pandemia de coronavírus impulsiona mercado de maconha

Talis Andrade

Planta de cannabis

 

Classificada como produto essencial em alguns estados americanos, venda de cannabis quase dobra nos EUA. Canadá também registra crescimento da demanda depois de lucros menores do que o esperado com a legalização

por Nicolas Martin (rk)

Deutsche Welle 

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A cannabis é tão importante quanto leite ou pão? Apesar de parecer uma piada ruim, a maconha vem recebendo a bênção de autoridades durante a pandemia de covid-19. Em alguns estados americanos, lojas de cannabis puderam permanecer abertas durante a quarentena, exatamente como os supermercados e as padarias.  

"Isso mostra o quanto a cannabis está enraizada na sociedade", avalia Stephen Murphy, um analista do setor, sobre a decisão de alguns estados americanos de classificar a cannabis como um "produto essencial". 

A Prohibition Partners, firma de Murphy, é uma das que simboliza o hype pela planta. A empresa, que se define como independente, possui 40 funcionários em Londres, Barcelona e Dublin e analisa o mercado mundial da cannabis, realizando estudos econômicos, científicos e políticos.  

A crise do coronavírus teria mostrado como investidores de todos os setores ficaram mais cautelosos, uma tendência que, naturalmente, também é percebida no setor da cannabis. "A indústria ainda é nova, precisa de muito dinheiro para lobby, maquinário, tecnologia e pessoal. Vemos que algumas empresas têm muito mais dificuldades para conseguir recursos", diz Murphy.  

Essa dificuldade pode ter relação com a imagem negativa associada aos produtores de maconha. Além da má fama de maconheiras, várias empresas já afundaram – e com elas, o dinheiro de muitos investidores. Especialmente no Canadá, onde a maconha foi completamente legalizada em 2018, o retorno para a indústria acabou sendo decepcionante, sem a esperada explosão de lucros. Também por esse motivo, as ações de quase todas as empresas do setor despencaram.  

"Os investidores voltaram a ser realistas sobre o potencial da cannabis", afirma Murphy. Muitas empresas congelaram planos de expansão e demitiram funcionários. A companhia mais valiosa da planta, Canopy Growth, reduziu suas atividades na América Latina e na África, por exemplo.  

Recordes de vendas graças à quarentena obrigatória 

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, porém, o setor vem fornecendo notícias positivas. Em alguns dias de março, antes do anúncio do isolamento nos Estados Unidos, as vendas de maconha quase dobraram em comparação com os meses anteriores. No Canadá, as compras também aumentaram, num momento em que bares e restaurantes estão fechados.  

Até o momento, o Canadá é o único país desenvolvido no qual a cannabis é totalmente legalizada. A Nova Zelândia quer realizar um referendo popular sobre o tema em 19 de setembro. E os EUA poderão ser os próximos depois da eleição presidencial, em novembro, acredita Murphy. A cannabis é legalizada totalmente ou apenas para fins medicinais em 33 dos 50 estados americanos, mas continua sendo proibida no âmbito federal. "Ninguém vai querer desperdiçar o potencial eleitoral desse assunto, nem mesmo [o presidente americano Donald] Trump", diz Murphy.  

Na Alemanha, o consumo recreativo de maconha é proibido. Mas, há mais de três anos, pacientes podem consumir medicamentos à base da planta para tratar algumas doenças. Em alguns casos, o seguro-saúde arca com os custos. Segundo dados do Instituto Federal de Produtos Farmacêuticos e Medicinais (BfArM), os números cresceram continuamente até o final de 2019.  

Fila do lado de fora de loja de cannabis na Califórnia. Consumidores estão de pé, mantendo distância de dois metros uns dos outros.

Fila do lado de fora de loja de cannabis na Califórnia

 

No total, o lucro com a cannabis medicinal na Alemanha somou 120 milhões de euros no ano passado. Mas o mercado é cada vez mais disputado: até agora, mais de 50 empresas têm permissão para importar o produto, segundo a revista especializada Marijuana Business Daily.  

Ainda não se sabe se a crise do coronavírus influenciou os lucros do setor no país europeu. Mas Jürgen Neumeyer, presidente da Associação das Empresas da Indústria de Cannabis, que visa representar os interesses das companhias deste ramo, destaca que "faz tempo que o número de pacientes não aumenta".  

Segundo Neumeyer, a falta de vestuário de proteção na Alemanha pode ter deixado cicatrizes no mercado. As plantas de cannabis são verificadas nas farmácias do país, e a divisão em porções também é realizada localmente. Como muitos pacientes que usam a maconha medicinal pertencem ao grupo de risco, farmacêuticos precisam usar equipamentos de proteção neste trabalho. Além disso, menos pacientes estão indo ao médico, o que pode influenciar negativamente o número de prescrições de cannabis para uso medicinal.  

Colheita de cannabis na Alemanha? 

A Alemanha ainda recebe muita cannabis da Holanda e do Canadá. Mas, para Murphy, a pandemia do coronavírus também tem efeitos na logística do produto. Já antes da disseminação do vírus, farmacêuticos e pacientes reclamavam de gargalos no fornecimento, que deverá ser solucionado por meio do plantio controlado de maconha no país.  

No momento da liberação para uso medicinal, em 2017, o governo alemão iniciou uma licitação neste sentido, mas o processo empacou várias vezes e precisou ser reiniciado. Em abril do ano passado, o Instituto Federal de Produtos Farmacêuticos e Medicinais escolheu três empresas para o plantio. 

Até o final de 2020, essas empresas têm obrigação de fornecer a primeira colheita de cannabis à agência, ou seja, ao governo federal. À DW, o BfArM respondeu que a pandemia não mudou nada nesse objetivo. Porém, Neumeyer se diz menos otimista. Ele continua enxergando os objetivos como "muito ambiciosos".  

  • Cientista entra numa sala onde há uma plantação de maconha
     

    EXÉRCITO ITALIANO CULTIVA MACONHA PARA FINS MEDICINAIS

    Canábis terapêutica

    O Exército italiano produz a canábis terapêutica no Instituto Químico Farmacêutico Militar, em Florença. A erva, fornecida a hospitais e farmácias italianas, custa cerca da metade do preço da maconha importada.

    POLÍCIA FEDERAL BRASILEIRA NO COMBATE À MACONHA

    Em 4 de junho de 2019, o site do Ministério da Justiça destacava: 

    Brasília (DF), 03/06/2019 – O ministro da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Sergio Moro, acompanhou nesta segunda-feira (3), em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, as ações da Operação Nova Aliança, desenvolvida pela Polícia Federal em conjunto com a Secretaria Nacional Antidrogas paraguaia e que visa combater a produção e o tráfico de maconha.

     

    A Operação Nova Aliança  teve início em 30 de maio, em território paraguaio. Além da eliminação do cultivo e apreensão da droga, materiais usados na comercialização também são apreendidos. Puxada de saco de Moro: Aliança, o nome do novo partido do presidente Jair Bolsonaro.

    O ministro Sergio Moro declarou que a operação enfraquece o crime organizado. “Queremos intensificar as ações, agora com o interesse da Argentina em participar, prendendo os líderes das organizações, identificando e confiscando patrimônio, apreendendo drogas e erradicando plantações, como ocorreu agora”, afirmou Sergio Moro.

    Em conversa com os jornalistas, o ministro Moro disse que as ações de inteligência e investigação têm colaborado para o crescimento das apreensões. “Estamos investindo em operações que desmantelem as organizações criminosas”, ressaltou.

    O diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, destacou que a Operação Nova Aliança representa uma maneira com que as polícias brasileira e paraguaia podem atuar conjuntamente no combate ao crime organizado. “É de suma importância a operação, que já se realiza há muitos anos com resultados extremamente positivos. Não existe outra forma de enfrentar a criminalidade transnacional se não atuarmos em conjunto”, disse o Valeixo.

    Na farsa da "guerra às drogas", Brasil e Paraguai queimam 78 toneladas de maconha

    A Operação Nova Aliança, criada em 2018, é uma ação da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai - SENAD/PY, que conta com apoio em inteligência, financeiro e logístico da Polícia Federal brasileira, através da Coordenação Geral de Polícia de Repressão a Drogas – CGPRE, da Diretoria de Combate ao Crime Organizado - DICOR, e do Oficialato de Ligação da Polícia Federal no Paraguai.

    O estado destinou em 2020 R$ 417,9 milhões do orçamento para o que eles chamam de segurança pública, combinada com a aprovação do “pacote anticrime”, mas a verdade é que passa de aumento da repressão aos usuários e moradores de morros, favelas e periferias, verba que poderia estar sendo investido na educação, na saúde na ciência e tecnologias.

    É uma gastança de dinheiro sem prestação de contas

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