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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

05
Jun21

Cacetete quebrado na cabeça de manifestante não é caso isolado de violência policial em Goiás

Talis Andrade

Repressão a movimentos cresce, mas indignação também aumenta | Partido dos  TrabalhadoresEstudante agredido por policial em Goiânia permanece em estado grave -  Economia - EstadãoPM goiana omitiu agressão a estudante e disse que capitão foi "vítima" -  Ponte JornalismoÉ grave estado de saúde do estudante agredido por policial goiano - Ciberia

PROTESTO DE “TERRORISTAS” MOTIVOU AGRESSÃO A ESTUDANTE, DIZ MILITAR

 

“TODO POLICIAL TEM o conhecimento elementar de que, para imobilizar alguém, não pode atingir a cabeça ou os genitais. Aliás, qualquer pessoa adulta e racional tem esse conhecimento”, disse o Secretário de Segurança de Goiás, Ricardo Ballesteri, no último domingo, dia 30, em seu perfil pessoal no Facebook.

Elementar, mas nem para todos.

O capitão Augusto Sampaio, subcomandante da 37ª Companhia Independente da Polícia Militar que quebrou o cacetete na cabeça de Mateus Ferreira da Silva, de 33 anos, durante um protesto na greve geral na última sexta-feira (28), em Goiânia parece não saber. Ou apenas não se importar. Mateus segue internado, teve melhoras e não corre risco de morrer. Enquanto isso, militares realizaram na tarde desta quinta-feira (5) um ato de apoio ao capitão Sampaio. “Agressão seria evitada se não tivessem terroristas protestando”, justificou tenente-coronel da PM, Alessandri da Rocha, na foto abaixo com o secretário de segurança.

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Ricardo Balesteri, Secretário de Segurança Pública de Goiás, posa para foto com camisa da ROTAM após ministrar Aula Inaugural do 16° Curso Operacional de Rotam

 

A Polícia Civil divulgou nota na noite do dia 2, terça-feira, afirmando que vai aguardar a formalização dos procedimentos administrativos no âmbito militar, para averiguar a necessidade de abertura de inquérito contra o capitão Augusto. A decisão de instaurar ou não uma investigação na esfera civil depende de interpretação: se o capitão cometeu um crime comum ou militar ao ferir Mateus. Ou seja, no entendimento da Polícia Civil não houve tentativa de homicídio.

O Ministério Público, responsável pelo controle externo da atividade policial, repudiou a ação e pediu à Polícia Civil a abertura de um inquérito para que seja apurado eventual crime comum por parte do capitão da PM, sem prejuízo ao inquérito policial militar, que já foi instaurado e é acompanhado pelo MP. O órgão soube da decisão da Polícia Civil pela imprensa, o que mostra o antigo problema de falta de comunicação no âmbito da segurança pública.

O capitão, que recebeu 2 medalhas do governo goiano por “preservação da ordem” em 2016, já foi acusado de ao menos outras quatro ocorrências de agressão, inclusive contra menores de idade em situação de rua, entre 2008 e 2010. Já houve processo contra o militar envolvendo ainda abuso de autoridade, favorecimento pessoal, alteração de limites imobiliários e abuso de autoridade continuado e lesão corporal, num total de 10 ações. Depois de ferir Mateus, ele foi afastado das ruas, mas continua trabalhando administrativamente. Ele acumula 34 elogios em sua ficha funcional e nenhuma punição. O alinhamento do secretário de Segurança, que literalmente veste a camisa, somando à decisão da Polícia Civil, também pode conferir ao policial alguma segurança.

“Minha percepção da segurança pública em Goiás é alarmante. Recebo frequentemente denúncias de condutas de policiais militares em Goiás, que são muito violentos e ‘personalistas’, no sentido em que ‘marcam’ as pessoas que costumam estar ligadas aos movimentos sociais da região ou que denunciam, no âmbito da sociedade civil, a conduta dos PMs nas ruas. Não à toa, alguns casos de Goiás pararam em Cortes”, afirma a coordenadora do Observatório Goiano de Direitos Humanos (OGDH), Andreia Vettorassi.

O objetivo do Observatório é fazer com que a ação contra Mateus seja entendida como tentativa de homicídio, “visto a gravidade do ferimento e o tipo de golpe desferido contra um homem desarmado”, apurado pela Polícia Civil e Ministério Público Estadual, e não apenas pela Corregedoria da Polícia Militar.

“Mato por satisfação”

A sequência de “casos isolados” cometidos pelo capitão não é bem uma novidade e parece encontrar eco em algumas partes da corporação. Ser preso por liderar um grupo de extermínio e apontado pelo Ministério Público por participação em uma chacina com cinco mortes e por crime de pistolagem não impediu que o policial militar Ricardo Rocha fosse empossado no início do ano passado chefe do Comando de Policiamento de Goiânia da PM-GO, cargo que ocupa até hoje. Ele ainda é alvo de ação da Polícia Federal contra grupo de extermínio no estado, de investigações sobre relações escusas entre policiais militares e políticos, e de participação de PMs em chacinas. Nada que seja exclusivamente inerente a Goiás, claro.

“Mato por satisfação”. Essa foi capa do jornal O Popular de 3 de março de 2011, que trazia detalhes sobre a Operação Sexto Mandamento, que investiga a violência policial em Goiás. No mesmo dia o jornal foi cercado por três dezenas de policiais da Ronda Ostensiva Tático Metropolitana (ROTAM) – a mesma que está estampada na camisa que o secretário de Segurança veste – que ameaçaram jornalistas. O policial que comandou a ação, tenente Alex de Siqueira, foi denunciado pelo Ministério Público Estadual pelos crimes de prevaricação e ameaça.

Um mês antes da capa, em 15 de fevereiro, 19 policiais militares tinham sido presos pela Polícia Federal acusados de participação em um esquadrão da morte. O comando da Ronda foi trocado e houve promessas de punição exemplar. Mas a promessa durou pouco, e, em novembro, a ROTAM estava de volta às ruas. Atualmente, a investigação da Sexto Mandamento ainda segue nas mãos da Polícia Federal, sob a responsabilidade do delegado Francisco Badenes, que desbaratou a Scuderie Le Coq, grupo de extermínio que atuou no Espírito Santo nos anos 80 e 90.

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Capa do Jornal O Popular, edição de 03 de março de 2011

No ano passado, houve uma audiência pública a pedido dos deputados PM Alberto Fraga (DF) e Alexandre Baldy (GO) para tratar dos desdobramentos da operação, e eles foram surpreendentes.

O que aconteceu foi uma retratação aos oficiais convidados, que tinham sido presos na operação, com pedido de desculpas do deputado Fraga. O mais surpreendente contudo foi a fala do representante do Ministério Público, responsável pelo controle externo da atividade policial. “Houve a ascensão de um movimento de ideário político-liberal, especificamente no Direito Penal, um movimento que buscou vitimizar o criminoso e criminalizar o policial. (…) Parte da ascensão da criminalidade que se viveu deu-se em razão da ascensão desta ideologia, com o consequente enfraquecimento da atividade policial, o que traz como consequência mais ousadia da parte do criminoso”, afirmou Raphael Perissé, procurador da República.

O caso investigado pela Operação Sexto Mandamento se soma a outros dois que, em dezembro de 2014, foram federalizados pelo Superior Tribunal de Justiça, e  envolvem três desaparecimentos forçados e uma tortura. A federalização desloca das autoridades locais para as federais a competência de investigar e julgar crimes. O objetivo é garantir maior isenção, principalmente em casos de graves violações de direitos humanos em que há risco de descumprimento de obrigações assumidas por tratados internacionais firmados pelo Brasil. Na época o MP goiano foi contra.

Estes três e  outros 43 casos no estado foram denunciados à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OEA), pela Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado de Goiás e movimentos sociais no mesmo ano. Ainda não há uma decisão sobre a denúncia.

“Casos isolados”

Outro caso recente em Goiás, ficou conhecido como o “Amarildo de Goiás“, em alusão ao pedreiro Amarildo, que desapareceu em julho de 2013, na Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, depois de ser levado pela polícia para prestar esclarecimentos. Seu corpo nunca foi encontrado e o caso virou um lema contra a violência policial.

O “Amarildo de Goiás” se chamava Roberto Campos da Silva, tinha 16 anos e foi morto dentro de casa, após invasão de PMs descaracterizados, no último 17 de abril. O pai dele também foi baleado, mas sobreviveu, e continua internado. O jornal local, O Popular, apurou que o que aconteceu com Robertinho, como era chamado, é bastante comum e relatou oito casos em que policiais, identificados ou não, entraram em grupo em residências sem autorização judicial e depois das 18 horas, o que não pode ocorrer sem mandado. Três Policiais Militares foram presos, e o juiz do caso afirmou que esse tipo de conduta criminosa é comum.

O número de reclamações em relação a casos como o de Robertinho vem aumentando. “É uma postura recorrente, essa dos policiais militares. A posição das comissões da OAB que lidam com o tema é no sentido de ilegalidade da PM, que atua investigando crimes comuns, sem a devida interação com a Polícia Civil, isolada e usurpando a função investigativa. É uma ação fora de controle, que só vem depois que ação já foi praticada”, explica Roberto Serra, presidente da Comissão de Direitos da OAB-Goiás. A entidade pretende propor à Secretaria de Segurança uma resolução óbvia: que a atuação da Polícia Militar seja limitada às suas atribuições constitucionais.

Procurada por The Intercept Brasil, a Secretaria de Segurança de Goiás não se pronunciou sobre o assunto. “O corporativismo com o erro, ao contrário do que possa superficialmente parecer, não defende e não preza a instituição policial. O corporativismo com o erro é apenas uma forma de não honrar o trabalho dos bons policiais, dos cuidadores do povo, a imensa maioria”, disse o secretário há cinco dias. Ou seja, parece que seu silêncio corrobora exatamente para o corporativismo que diz condenar. Publicado em 4 de maio de 2017

 
28
Fev20

Deputada Carla Zambelli sobre ato de 15 de março contra o Congresso

Talis Andrade

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A deputada Carla Zambelli (PSL-SP) disse ao Congresso em Foco que estará nas manifestações contra o Congresso Nacional convocadas para o próximo dia 15. Ela compartilhou em suas redes sociais imagens de convocação para o ato e com crítica ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que classificou o movimento como antidemocrático. “O Congresso ficará contra o povo?”, questionou a deputada. Que povo? As milícias? Os policiais amotinados? A deputada Zambelli devia ser cassada por tramar o fechamento do Congresso e do STF, Superior Tribunal Federal. As manifestações golpistas são palacianas, e o primeiro "foda-se" foi do general da reserva Augusto Heleno. 

> “Dia do foda-se” e greve da PM tensionam debate político pós-Carnaval

 

Segundo ela, não há motivo para os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), reagirem negativamente contra Bolsonaro por causa da manifestação. “Se Maia e Alcolumbre forem inteligentes, não. Pois o Executivo não teve responsabilidade sobre esta convocação”, declarou. Inteligentes?  

A oposição articula reunião para discutir o assunto com a presença de Maia e Davi Alcolumbre. A revelação sobre o compartilhamento do vídeo contra o Congresso foi feita pela colunista Vera Magalhães, do jornal O Estado de S. Paulo.

Bolsonaro confirmou que postou o vídeo, depois negou, como sempre faz quando enfrenta reações. 

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26
Fev20

Manifestação do ‘foda-se’ pode ser motivo para impeachment de Bolsonaro, diz OAB

Talis Andrade

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Para o presidente nacional da OAB, é “inadmissível” o presidente trair o que jurou ao Congresso, quando jurou defender a Constituição”. 

Ao convocar o povo para um ato político contra o Congresso Nacional, o dia do "foda-se", Bolsonaro “conspira pela supressão da Constituição”, afirmou Santa Cruz.

A manifestação, marcada para 15 de março, avaliza a fala do ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, que chamou o Congresso de "chantagista" na semana passada.

Pelas redes sociais e por WhatsApp, apoiadores do presidente postam imagens de ataque ao Congresso, aos presidentes da Câmara e do Senado, e apelam para o golpismo das Forças Armadas.

O próprio presidente Jair Bolsonaro encaminhou a amigos um vídeo que convoca a população a ir às ruas para defendê-lo. A informação foi confirmada à Folha pelo ex-deputado federal Alberto Fraga (DF)."Eu recebi um vídeo, ele [presidente] me encaminhou. Mas não foi ele que fez o vídeo. Confesso que não entendi assim [como um incentivo]. Ele nunca fez esse tipo de pedido. Quem está fazendo isso são os bolsonarianos pelas redes sociais. Para mim, mesmo, ele não falou absolutamente nada", disse Fraga, que é amigo pessoal do presidente.Um outro vídeo, diferente do recebido por Fraga, mas exaltando a manifestação do dia 15 e adotando tom mais dramático, também foi compartilhado por Bolsonaro, conforme revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Ao menos seis congressistas bolsonaristas já manifestaram apoio à mobilização: Carla Zambelli (PSL-SP), Filipe Barros (PSL-PR), Guiga Peixoto (PSL-SP), Aline Sleutjes (PSL-PR), Éder Mauro (PSD-PA) e a senadora Soraya Thronicke (PSL-MS).

“Entendo que é inadmissível, o presidente está mais uma vez traindo o que jurou ao Congresso em sua posse, quando jurou defender a Constituição Federal. A Constituição e a democracia não podem tolerar um presidente que conspira por sua supressão”, afirmou Santa Cruz.

Para o advogado, o apoio de Bolsonaro à convocação das manifestações pode ser considerado crime de responsabilidade. Segundo o artigo 85 da Constituição, “são crimes de responsabilidade os atos do presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra: […] o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação”.

 
24
Jan20

Moro ameaça mas não vai deixar o governo

Talis Andrade

por Fernando Brito

Diz a máxima política que não se nomeia aquele que não se pode demitir.

Jair Bolsonaro, em busca de legitimação, o fez, nomeando Sérgio Moro ministro da Justiça, para sinalizar um suposto combate à corrupção e um conflito de morte – que o elegera – com Lula e o PT.

Está, agora, às voltas com a complicada resolução desta equação que começou, entendam-me os que aprenderam limites da função matemática no 2° grau, para o que valia desde que houvesse a submissão ao projeto político bolsonarista.

Está mais que claro que Moro constrói um projeto, no governo Bolsonaro, um projeto de candidatura.

Não será exagero dizer que o “morismo” está mais fora do governo – e nem tanto fora do poder – do que dentro.

Moro tem mais de um partido – o Podemos e o Novo-, o resto de outro, o PSL, e retalhos de vários outros.

E acha tem a Globo, o que é uma temeridade.

Não sabe se terá a artilharia de alto calibre, mas não tem a tropa. A fardada e nem a do “homem macho”, que pertencem ao ex-capitão.

Este é o temor de Moro: quase três anos sem aquilo que lhe deu o que tem hoje: o poder.

Está aí o exemplo de Joaquim Barbosa – lembram de “o menino pobre que mudou o Brasil”?

Se pagar para ver o desafio em que Moro o coloca, demitir-se no caso e perder os poderes que hoje tem, afundará no pântano onde estão Doria e Huck.

Pode ser talvez o primeiro entre eles, o que não é nada.

Já Bolsonaro terá tempo de construir um novo “xerifão”, posto para o qual se insinua, expressamente, seu amigo Alberto Fraga.

Por tudo isso, é improvável que Moro se aventure a um lance “heróico” de abandonar o Ministério da Justiça, como sugere Bela Megale, em O Globo.

Moro é um rato e ratos apenas roem.

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27
Nov18

Jeito político de Bolsonaro já naufragou

Talis Andrade

 

 
por João Filho, no site The Intercept-Brasil:
 
Nunca existiu um político eleito que tenha cumprido todas as expectativas oferecidas durante a eleição. É natural da política, mas Bolsonaro certamente levará o chamado “estelionato eleitoral” para um novo patamar. O presidente eleito justificou a nomeação de ministros envolvidos em denúncias afirmando que a “questão ideológica é mais grave do que a corrupção”. Sobre a nomeação de um réu no Supremo, debochou: “Eu também sou réu no Supremo. E daí?”
 

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A estupidez dos comentários já não choca mais ninguém. “Nós já fomos nos acostumando”, como tantas vezes recomendaram os militantes bolsonaristas. Mas vai ficando cada vez mais claro que a bravata moralizadora - a principal arma da campanha eleitoral - serviu apenas para ludibriar os eleitores que acreditaram que o capitão representaria um novo marco ético no país.
 

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Quanto mais vai chegando perto da posse, mais a realidade vai se impondo sobre a bravata. Aos poucos, é possível que parte do seu eleitorado perceba que não é possível “varrer a corrupção” quando quem está com a vassoura na mão distribuiu tetas no serviço público para parentes e repassou grana da JBS para o partido mais corrompido na operação Lava Jato. Não sei se vai adiantar Sergio Moro conceder o perdão para todos os ministros. Um dos youtubers de estimação do bolsonarismo, Nando Moura, por exemplo, já mostrou insatisfação com a escolha de nomes envolvidos em corrupção nos ministérios.
 

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A promessa de não negociar cargos com partidos também deve naufragar. A demagogia eleitoral não resistirá à realidade. As primeiras tentativas de emplacar um novo tipo de relação entre Executivo e Legislativo já não estão dando certo, como parecia óbvio.
 
Partidos aliados e o próprio partido de Bolsonaro já se mostram incomodados como excesso de nomeações de políticos do DEM para o primeiro escalão. Segundo a deputada Joice Hasselmann, comenta-se dentro do PSL que o futuro governo parece “ser do DEM”, haja vista os três democratas já nomeados. Bolsonaro tentou acalmar seus correligionários: “gente, por um acaso, por uma coincidência, essas pessoas são do DEM”. A tal coincidência se deu porque os nomes não foram discutidos com partidos, mas com as bancadas. Tereza Cristina (Agricultura) foi indicada pela bancada do agronegócio, enquanto Mandetta (Saúde) foi indicado pela bancada da saúde (leia-se bancada dos planos de saúde).

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Negociar apenas com bancadas e deixar os partidos de fora serve apenas para aplacar as expectativas de parte do seu eleitorado que demoniza a política partidária. Na prática, não ajuda a formar uma base de apoio no Congresso. Apesar de ter abocanhado o maior número de ministérios até agora, o DEM elegeu apenas 29 deputados e é a 4ª menor bancada da Câmara. Essa desproporção terá um custo alto para quem pretende aprovar grandes reformas. A bancada evangélica, por exemplo, vota junto em questões caras às suas religiões, mas se divide quando o assunto é reforma da previdência. Não se governa um país negociando somente com frentes parlamentares conservadoras e ignorando outras frações representativas da sociedade.

A promessa demagógica de acabar com o famoso toma-lá-da-cá, que nada mais é do que a forma com que se faz política em todas as democracias do mundo, não vai resistir por muito tempo. Negociar com partidos invariavelmente significa indicações de cargos em trocas de apoio. E é bom que seja assim. Apenas regimes ditatoriais dispensam esse tipo de negociação. Os próprios líderes das bancadas já estão dizendo que não é possível governar sem negociar com os partidos. Tanto Marco Feliciano, líder da bancada evangélica, quanto Alberto Fraga, líder da bancada da bala, já disseram que a estratégia é equivocada e deve ser corrigida. A insatisfação entre as lideranças partidárias já está instalada.

Muitos reclamam que até agora não tiveram uma conversa com nenhum representante do governo eleito. É incrível imaginar que um parlamentar que atuou na Câmara por quase 30 anos, chegando a apoiar os governos do PT em respeito às negociações partidárias, queira agora como chefe do Executivo negociar apenas com seus clubinhos conservadores.

Me parece óbvio que a estratégia não terá futuro e logo será abandonada. Isso pode fazer com que Bolsonaro passe a ser questionado por quem votou nele acreditando que haveria um novo jeito de fazer política dentro de um presidencialismo de coalizão.
 

O novo ministro da Educação fomentou boatos em seu blog

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 O nome dos sonhos de Bolsonaro para comandar o MEC era Olavo de Carvalho, o mentor intelectual do bolsonarismo, o filósofo youtuber que denuncia o avanço do “globalismo marxista” no Brasil. Graças a Zeus, Olavo rejeitou o convite e pediu publicamente o cargo de embaixador do Brasil nos EUA, onde reside.

A influência da bancada evangélica na escolha do novo ministro da Educação foi decisiva. Os religiosos vetaram a nomeação do educador Mozart Ramos, um nome com perfil técnico e com experiência na administração pública. Mozart tem uma visão liberal da educação e sempre foi muito criticado pelas esquerdas, mas nem isso foi suficiente para agradar a bancada evangélica, que exigia alguém que defendesse com fervor neopentecostal essa insanidade chamada Escola Sem Partido.

Depois de muitas idas e vindas, Bolsonaro afirmou na última quinta-feira pela manhã que não estava cogitando escolher Mozart para o MEC e que tudo não passava de “fake news” da imprensa para “criar intriga com a bancada evangélica”. Disse ainda que procurava “um bom nome técnico” para a pasta. Mas uma das marcas registradas do presidente eleito é desmentir à noite o que foi dito pela manhã. Foi o que aconteceu. À noite, ele anunciou um ministro sem nenhuma experiência administrativa e com perfil altamente ideológico. Bolsonaro cedeu à pressão do fundamentalismo religioso e escolheu Ricardo Vélez Rodriguez, uma indicação de Olavo de Carvalho.

O filósofo, que considera Einstein um “farsante”, Isaac Newton um “burro” e Galileu um “charlatão”, também considera Rodriguez “o maior conhecedor de pensamento político brasileiro do mundo”. Apesar de ter uma trajetória acadêmica, Ricardo Velez-Rodriguez está longe de ter um perfil técnico. É um homem religioso e reacionário. Isso fica claro em uma breve leitura do seu blog.

Assim como o novo chanceler, o novo ministro da Educação também é um blogueiro obcecado por produzir conteúdo antiesquerdista. O seu blog, chamado de Rocinante em alusão ao cavalo de Dom Quixote, se dedica a fazer um proselitismo ideológico e a espalhar notícias mentirosas. Nada muito diferente dos youtubers do Bolsonaro e tão cafona quanto. Para Rodriguez, petistas são “petralhas”, e o dia 31 de março - dia do golpe militar de 1964 - é um dia para o brasileiro “lembrar e comemorar”. Talvez o livro de Ustra também seja o de cabeceira desse valoroso acadêmico.

No dia 7 de novembro, Rodriguez escreveu um texto intitulado “Um roteiro para o MEC” em que diz aceitar a indicação de Olavo e dá uma ideia do que serão suas diretrizes no comando da pasta. É um texto essencialmente ideológico, sem praticamente nenhuma proposta de cunho técnico e administrativo. Ele considera que os brasileiros viraram reféns de um sistema de ensino calcado na “doutrinação de índole cientificista e enquistada na ideologia marxista, travestida de ‘revolução cultural gramsciana'”. O estilo rebuscado não é capaz de disfarçar o que o texto de fato traz em sua essência: chorume conspiratório.

O futuro ministro da Educação também já usou seu blog para espalhar notícias falsas que circulavam no submundo da internet. Quando Bolsonaro foi esfaqueado em Juiz de Fora, Rodriguez escreveu um texto que é praticamente um pot-pourri das fake news que circulavam à época. Apreciem um trecho:

“Falta que sejam cumpridas outras providências, como prender os outros membros da quadrilha que certamente estava na rua dando apoio ao criminoso-mor, como revelam vários vídeos postados nas redes sociais. Sabe-se que até uma funcionária pública do setor bancário teria participado, entregando a faca ao executor, pois foi identificada num desses vídeos. Falta que seja esclarecido de onde provieram os fartos recursos financeiros que pagaram a turma dos meliantes da Rua Halfeld e quem contratou em tempo recorde a banca de advogados para defender o criminoso.”

Esse contador de histórias é o homem que vai comandar um ministério fundamental para o país, que é altamente complexo, com demandas administrativas complicadas e que está cercado por disputas políticas. Não tem como dar certo. Como diria Eduardo Cunha, o bom e velho aliado de Bolsonaro, “que Deus tenha misericórdia dessa nação”.

18
Mar18

Marielle foi eleita com 46.500 votos, dentre os quais apenas 1.600 foram de eleitores da Maré e arredores

Talis Andrade


MBL e deputado propagam mentiras em campanha difamatória

 


Sem qualquer evidência, desembargadora liga vereadora a "bandidos" e ativa fábricas de 'fake news'

 

PSOL diz que vai acionar CNJ contra magistrada. Boatos e ataques correm pelo WhatsApp

 

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 por Heloísa Mendonça e Flávia Marreiro

 

Nas 19 horas que se seguiram à morte de Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, mais de meio milhão de tuítes circularam mencionando o assassinato da vereadora do PSOL, de acordo com estudo da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV Dapp). Do total, 88% eram mensagens de apoio e luto e apenas 7% fizeram uso da redes para criticar o PSOL, a esquerda e ativistas dos direitos humanos em geral como "defensores de bandidos". 

 

Passados alguns dias, o panorama evoluiu. Alguns atores da direita radical, incluindo o MBL (Movimento Brasil Livre) e o deputado da bancada da bala Alberto Fraga (DEM), passaram a protagonizar uma ativa campanha difamatória contra Marielle Franco. Não se trata de questionar visões de mundo ou até mesmo criticar a comoção com o crime político, posições esperadas num debate. O que foi ativado foi uma fábrica de informações falsas e boatos que aludem, sem qualquer base factual, ao envolvimento da vereadora com "bandidos".


Um dos focos para a propagação das notícias falsas foi a desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), Marília Castro Neves, uma das pessoas a disseminar uma acusação sem provas sobre vereadora. Ela afirmou, em um comentário no Facebook, que Marielle Franco "estava engajada com bandidos" e "não era apenas uma lutadora". Segundo a desembargadora, "a tal Marielle descumpriu 'compromissos' assumidos com seus apoiadores", que, segundo Marília, seriam do Comando Vermelho.

 

 

Na noite de sexta-feira, o deputado Alberto Fraga, presidente do DEM no Distrito Federal e presidente da Frente Parlamentar de Segurança Pública, também resolveu usar informações falsas na campanha contra a vereadora. “Conheçam o novo mito da esquerda, Marielle Franco. Engravidou aos 16 anos, ex-esposa do Marcinho VP, usuária de maconha, defensora de facção rival e eleita pelo Comando Vermelho, exonerou recentemente 6 funcionários, mas quem a matou foi a PM”, escreveu no Twitter. Na manhã deste sábado, o tuíte de Fraga já tinha mais de mil curtidas e centenas de compartilhamentos, mas acabou sendo deletado. No início da tarde, o deputado escreveu que o assunto tinha gerado muita polêmica. "Vamos deixar a Polícia trabalhar e com certeza essas acusações, de ambos os lados, serão sanadas. Como prova, vou retirar o post", disse.

 

Ainda que há dias a biografia de Marielle esteja nos jornais, o Aos Fatos, site de checagem de notícias, explicou ponto a ponto as informações inverídicas ou sem qualquer evidência usadas: Marielle nunca foi casada com nenhum ex-traficante. A vereadora tinha 38 anos de idade, era casada com Mônica Benício e tinha uma filha de 19 anos, chamada Luyara Santos. Isso significa que ela engravidou entre os 18 e 19 anos - e não aos 16. Ainda segundo o site de checagem, não há qualquer nexo entre a disputa de territórios do Comando Vermelho na Maré e a eleição de Marielle. A vereadora foi eleita com 46.500 votos, dentre os quais apenas 1.600 foram de eleitores da Maré e arredores. Transcrevi trechos.Leia mais

 

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17
Mar18

A voz do povo vale mais que a língua de trapo de uma desembargadora que recebe auxílio moradia de luxo

Talis Andrade

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Glenn Greenwald comenta: "Desculpe, mas nenhuma pessoa que diga um vômito difamatório e mentiroso como este pode ser uma desembargadora. Marilia Castro Neves é um lixo".

 

Multidões nas ruas do Brasil choram a morte de Marielle. 

 

Para o povo em geral, o assassinato de Marielle coisa de polícia de dia e milícia de noite. Que a polícia entra nas favelas derrubando portas e atirando.

 

A velha desembargadora Marília que recebe salário acima do permitido pela Constituição, mais auxílio moradia de alto luxo, nada sabe do sofrimento do povo sem terra, sem teto, sem emprego, sem nada. São milhões de brasileiros que o golpe de Temer atirou na miséria. 

 

Da desembargadora do Tribunal que talvez irá julgar os assassinos de Marielle, os mandantes e executores, o antecipado perdão. 

 

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 Seguindo o modelo nazi-fascista da desembargadora a fala de um deputado da extrema direita:

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17
Mar18

Desembargadora baseou ‘denúncia’ em fake news do WhatsApp

Talis Andrade

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 Desembargadora Marília Castro NEVES: "Marielle, um cadáver tão comum quanto outro qualquer" 

 

 

Justissa do Brazil cada vez se parece mais com a justissa dos países do Terceiro Mundo sob intervenção estrangeira e/ ou governados por ditadores vassalos de algum império ou multinacional.

 

Não foi um gesto gratuito da presidenta do Superior Tribunal de Justiça, ministra Cármen Lúcia, anunciar a prisão de Lula em um banquete das empresas internacionais proprietárias das riquezas do Brazil.

 

São previsíveis que todas as investigações de Sérgio Moro resultam em multas da Justiça dos Estados Unidos, país que termina sendo moradia de políticos e togados, a exemplo do ex-presidente do STJ Joaquim Barbosa, que 'comprou' luxuoso apartamento em Miami.

 



Desembargadora baseou ‘denúncia’ de que Marielle era ligada ao CV em fake news do WhatsApp

Desembargadora-Marilia-Castro-Neves-acusou-Mariell

Escreve Kiko Nogueira: A fake news de que Marielle Franco era ligada ao Comando Vermelho, espalhada pela desembargadora Marília Castro Neves, está sendo repercutida por toda a extrema direita.

 

No Twitter, logo após a doutora Marília, o deputado Alberto Fraga, presidente do DEM no Distrito Federal e presidente da Frente Parlamentar de Segurança Pública, escreveu essa estupidez:

 

“Conheçam o novo mito da esquerda, Marielle Franco. Engravidou aos 16 anos, ex-exposa do Marcinho VP, usuária de maconha, defensora de facção rival e eleita pelo Comando Vermelho, exonerou recentemente 6 funcionários, mas quem a matou foi a PM”.

 

A fonte da turma é um áudio de WhatsApp, transferido depois para o YouTube e outras plataformas, de uma suposta “conversa vazada” entre traficantes do CV.

 

Sujeito não precisa ser muito inteligente para perceber que é mais falso que o umbigo de Adão. Escute o áudio

 

 

EXECUÇÃO DE MARIELLE EXPÕE UM JUDICIÁRIO ESTÚPIDO E PRECONCEITUOSO: “Qualquer outra coisa diversa da esquerda é mimimi para agregar valor a um cadáver…” Afirma desembargadora.O problema é o casamento da burrice com a má fé.

 

Escreve Fábio St Rios: A desembargadora Marilia Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, denunciou Marielle Franco, por envolvimento com o Comando Vermelho. Até aqui, poderia ser tudo normal, se a denúncia não fosse baseada numa gravação que circulou no whatsapp que, com certeza, é falsa, não só pelas características risíveis mas, pela própria forma em que circulou socialmente.

 

Para piorar, a reação da própria desembargadores, expôs a forma como agem em ódio de classe, muito característico da sociedade média e alta da sociedade carioca.

 

“Qualquer outra coisa diversa da esquerda é mimimi para agregar valor a um cadáver…”

 

um cadáver comum .png

Obviamente, após a postagem e a péssima repercussão, a desembargadora resolveu apagar a postagem e à coluna de Mônica Bérgamo, tentou se explicar da seguinte maneira:

 

“Eu postei as informações que li no texto de uma amiga”, afirma.


“A minha questão não é pessoal. Eu só estava me opondo à politização da morte dela. Outro dia uma médica morreu na Linha Amarela e não houve essa comoção. E ela também lutava, trabalhava, salvava vidas”.

 

A emenda saiu pior que soneto. Sua justificativa parece mais com um ciúme louco, de um reconhecimento que Marielle tem do povo e que a desembargadora jamais terá, a menos que mude, por completo, seus conceitos sobre a sociedade. Sobre a desembargadora, o jornalista enviado da CNN, Gleen Greenwald, que foi responsável por divulgar todos os documentos do caso Edward Snowdem da espionagem da NSA, declarou:



“Acordei com mais raiva, não menos, sobre essa difamação. Eu era um advogado e eu sei o quanto os juízes sujos podem corromper o sistema de justiça. Como alguém pode esperar justiça com uma pessoa com essa mentalidade? Marilia Castro Neves deve ser removida.


Desculpe, mas nenhuma pessoa que diga um vômito difamatório e mentiroso como este pode ser uma desembargadora. Marilia Castro Neves é um lixo.” Desabafou no twitter, o jornalista.

 

Greenwald é vencedor do Prêmio Pulitzer de Jornalismo.

 

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