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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

04
Mar19

Indústria da Delação: Petrobras entrega 2,5 bilhões para Lava Jato do Paraná administrar

Talis Andrade

Se a Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal permitirem esse escândalo, será a pá de cal em sua imagem

ong procurador lava jato .png

 

Por Luis Nassif 

----

Poraqui já revelamos vários capítulos obscuros da indústria de delações da Lava Jato. Mas o último capítulo conseguiu ser o mais escandaloso de todos.

 

A Lava Jato acertou um acordo inédito com a Petrobras. Por ele, a empresa pagou R$ 2,5 bilhões de reparação, para serem aplicados em projetos sociais administrados por uma fundação de direito privado recém constituída e controlada pelo Ministério Público Federal do Paraná, em conta vinculada com a 13ª Vara Federal de Curitiba, à qual pertencia Sérgio Moro.

lava jato absurdo.png

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Lava-Jato transferencia 2,5 bi.png

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Os estatutos da fundação foram aprovados pela 13ª Vara. Na coordenação haverá um representante do Ministério Público do estado do Paraná, indicado pelo próprio chefe da Procuradoria. A sede será em Curitiba. Pelo acordo, terá uma orçamento anual superior ao da própria Procuradoria Geral da República.

 

Segundo o acordo, os R$ 2,5 bilhões serão aplicados em

 

“iniciativas e desenvolvimento institucional de entidades e redes de entidades idôneas, educativas ou não, que reforcem a luta da sociedade brasileira contra a corrupção com os seguintes fins:

 

* afirmação de uma cultura republicana de respeito à legalidade e aos valores democráticos, de modo apartidário, por meia da promoção da cidadania, da formação de lideranças e do aperfeiçoamento das práticas políticas;


* promover a conscientização da população brasileira sobre importância da integridade no ambiente público e privado;


* fortalecimento da sociedade civil brasileira e fomento à cidadania participativa, na prevenção e controle social da corrupção;


* Desenvolvimento do controle social, da cultura de compliance e de estudos sobre corrupção, Impunidade e suas causas;

 

* reparação, proteção e promoção de direitos civis, políticos. sociais e económicos, especialmente por meio da educação, treinamento e profissionalização, de comunidades direta ou indiretamente afetadas.


Nos últimos anos, o Ministério Público Federal empenhou-se em combater fundações ligadas a Universidades. E a entrega de dinheiro público a organizações sem controle social, como as APAES (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais).

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Se a Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal permitirem esse escândalo, será a pá de cal em sua imagem.

dinheiro banqueiro Alfredo Sábat.jpg

 

Nota deste Correspondente: A Apaes no Paraná conta com a prestimosa colaboração da esposa do ex-juiz da Lava Jato Sérgio Moro. 

 

04
Mar19

Indústria da Delação: Petrobras entrega 2,5 bilhões para Lava Jato do Paraná administrar

Talis Andrade

Se a Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal permitirem esse escândalo, será a pá de cal em sua imagem

ong procurador lava jato .png

 

Por Luis Nassif 

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Poraqui já revelamos vários capítulos obscuros da indústria de delações da Lava Jato. Mas o último capítulo conseguiu ser o mais escandaloso de todos.

 

A Lava Jato acertou um acordo inédito com a Petrobras. Por ele, a empresa pagou R$ 2,5 bilhões de reparação, para serem aplicados em projetos sociais administrados por uma fundação de direito privado recém constituída e controlada pelo Ministério Público Federal do Paraná, em conta vinculada com a 13ª Vara Federal de Curitiba, à qual pertencia Sérgio Moro.

lava jato absurdo.png

Lava-Jato transferencia 2,5 bi.png

 

Os estatutos da fundação foram aprovados pela 13ª Vara. Na coordenação haverá um representante do Ministério Público do estado do Paraná, indicado pelo próprio chefe da Procuradoria. A sede será em Curitiba. Pelo acordo, terá uma orçamento anual superior ao da própria Procuradoria Geral da República.

 

Segundo o acordo, os R$ 2,5 bilhões serão aplicados em

 

“iniciativas e desenvolvimento institucional de entidades e redes de entidades idôneas, educativas ou não, que reforcem a luta da sociedade brasileira contra a corrupção com os seguintes fins:

 

* afirmação de uma cultura republicana de respeito à legalidade e aos valores democráticos, de modo apartidário, por meia da promoção da cidadania, da formação de lideranças e do aperfeiçoamento das práticas políticas;


* promover a conscientização da população brasileira sobre importância da integridade no ambiente público e privado;


* fortalecimento da sociedade civil brasileira e fomento à cidadania participativa, na prevenção e controle social da corrupção;


* Desenvolvimento do controle social, da cultura de compliance e de estudos sobre corrupção, Impunidade e suas causas;

 

* reparação, proteção e promoção de direitos civis, políticos. sociais e económicos, especialmente por meio da educação, treinamento e profissionalização, de comunidades direta ou indiretamente afetadas.


Nos últimos anos, o Ministério Público Federal empenhou-se em combater fundações ligadas a Universidades. E a entrega de dinheiro público a organizações sem controle social, como as APAES (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais).

 

Se a Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal permitirem esse escândalo, será a pá de cal em sua imagem.

dinheiro banqueiro Alfredo Sábat.jpg

 

Nota deste Correspondente: A Apaes no Paraná conta com a prestimosa colaboração da esposa do ex-juiz da Lava Jato Sérgio Moro. 

 

22
Dez18

Suprema injustiça ou suprema covardia?

Talis Andrade

 

dias toffoli aroeira.jpg

 

por Ribamar Fonseca

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O ministro Marco Aurélio Melo, do Supremo Tribunal Federal, surpreendeu o país às proximidades do Natal ao determinar, através de liminar, a libertação de todos os presos condenados em segunda instância, o que beneficiaria o ex-presidente Lula, preso desde abril em Curitiba. Marco Aurélio, o primeiro ministro do Supremo a ter coragem para cumprir a Constituição – a que ponto chegamos, onde é preciso coragem para o cumprimento da Carta Magna que estabeleceu a presunção de inocência – disse que "se o Supremo ainda for Supremo a sua decisão teria de ser obedecida". Ficou provado que não é mais. Ao derrubar em tempo recorde a liminar, o ministro Dias Toffoli confirmou que o Supremo há muito deixou de ser Supremo, não passando hoje de um boteco que pode ser fechado a qualquer momento por um cabo e um soldado. A Corte Suprema, que vergonhosamente rasgou a Constituição para se transformar em instrumento de interesses políticos, se apequenou por conta do enorme temor que a elite tem de Lula, aliado ao inexplicável ódio das classes dominantes, o que fez do ex-presidente o homem mais temido do país. Mesmo preso, despojado de tudo e até dos seus bens, Lula mete medo até a generais.

marco aurélio supremo.jpg

 

Ouve-se, frequentemente, que as instituições estão funcionando plenamente e que a democracia está em pleno vigor, mas a realidade é bem diferente. O Brasil se tornou terra sem lei, cuja Constituição desapareceu desfigurada pelas interpretações convenientes, permitindo que até juízes de primeira instância afrontem decisões de ministros da Suprema Corte. E com ela desapareceu também a democracia, hoje um arremedo destinado a iludir o resto do planeta, pois em nenhuma democracia do mundo generais se reúnem para avaliar se a Corte Suprema pode libertar um preso. Nenhuma democracia do mundo permite que a Justiça seja tutelada pelos militares. O próprio Marco Aurélio, aliás, disse, ao conceder a liminar, que a sua decisão "seria um teste para a nossa democracia, para ver se as nossas instituições ainda são respeitadas". O desrespeito ficou muito claro. Certamente por isso o Supremo Tribunal Federal, que teoricamente seria o guardião da Constituição, ficou reduzido a um guardião apenas, o ministro Marco Aurélio Mello que, justamente por essa posição corajosa, teve a sua cassação solicitada por um general de pijama. Pelo visto, defender a Constituição é crime.

 

Aliás, como a definição de crime mudou depois que o nosso Judiciário sofreu estranha metamorfose, Lula foi condenado e preso pelo crime de tirar 40 milhões de brasileiros da linha da pobreza; pelo crime de construir duas dezenas de universidades e abrir suas portas para as minorias – pobres, negros e indígenas; pelo crime de pretender usar o pré-sal para desenvolver a educação e saúde; pelo crime de tornar o país respeitado entre as grandes potências mundiais; pelo crime de ser nacionalista, arrancando o Brasil das garras do Tio Sam. De certo modo sua condenação e prisão tem alguma semelhança com a de Sócrates, o filósofo grego preso e condenado à morte pelo crime de ter ensinado a juventude do seu país a fraternidade, o perdão, a humildade, o amor ao próximo, lições aprofundadas 700 anos depois por Jesus Cristo. Preso, o filósofo, herói nas guerras em defesa do seu país, certo dia foi surpreendido pela sua mulher, Xantipas, que chegou esbaforida à prisão, gritando: "Sócrates! Sócrates! Os juízes te condenaram à morte!" E o grande filósofo, sereno: "E daí? Eles também estão condenados pela natureza!" De fato. Todos, sem nenhuma exceção, estão condenados à morte pela natureza.

 

O fato é que o medo da liderança de Lula parece ter afetado todo mundo. A melhor prova disso é que todos, incluindo a mídia, se mobilizam de imediato, para impedir a sua libertação, todas as vezes em que surge essa possibilidade, atropelando leis, prazos e hierarquias. A Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, por exemplo, a mesma que levou 45 dias para liberar um processo contra Aécio Neves, em poucas horas recorreu ao presidente do Supremo para revogar a liminar concedida por Marco Aurélio. E em apenas cinco horas, a exemplo do que aconteceu quando o desembargador Rogério Favreto concedeu habeas corpus ao ex-presidente, a decisão de libertá-lo foi cassada. Está mais do que evidente que pretendem deixa-lo morrer no cárcere, ou apodrecer, como deseja o presidente eleito Jair Bolsonaro. Com vários processos que permitam várias condenações, mesmo sem nenhuma prova, querem mantê-lo em prisão perpétua, já que aqui não existe pena de morte, pelo menos por enquanto, pois um dos filhos do novo presidente já sugeriu a sua implantação. Diante disso, de uma coisa ninguém mais tem dúvidas: Lula jamais sairá da cadeia, mesmo inocente, via judiciário. E todos, especialmente o ex-juiz Sergio Moro e os ministros Carmem Lucia e Dias Toffoli, terão dado a sua valiosa contribuição para eliminar o maior líder popular deste país, ironicamente justo quem os nomeou para o Supremo. Diante disso, vale a pena lembrar, mais uma vez, o que disse o Cristo no Sermão da Montanha: "Bem-aventurados os que são perseguidos pela Justiça, pois é deles o Reino dos Céus".

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27
Nov18

Jeito político de Bolsonaro já naufragou

Talis Andrade

 

 
por João Filho, no site The Intercept-Brasil:
 
Nunca existiu um político eleito que tenha cumprido todas as expectativas oferecidas durante a eleição. É natural da política, mas Bolsonaro certamente levará o chamado “estelionato eleitoral” para um novo patamar. O presidente eleito justificou a nomeação de ministros envolvidos em denúncias afirmando que a “questão ideológica é mais grave do que a corrupção”. Sobre a nomeação de um réu no Supremo, debochou: “Eu também sou réu no Supremo. E daí?”
 

bolso_rico corrupcao ideologia.jpg

 

 
A estupidez dos comentários já não choca mais ninguém. “Nós já fomos nos acostumando”, como tantas vezes recomendaram os militantes bolsonaristas. Mas vai ficando cada vez mais claro que a bravata moralizadora - a principal arma da campanha eleitoral - serviu apenas para ludibriar os eleitores que acreditaram que o capitão representaria um novo marco ético no país.
 

ykenga ideologia versus corrupcão.jpg

 



Quanto mais vai chegando perto da posse, mais a realidade vai se impondo sobre a bravata. Aos poucos, é possível que parte do seu eleitorado perceba que não é possível “varrer a corrupção” quando quem está com a vassoura na mão distribuiu tetas no serviço público para parentes e repassou grana da JBS para o partido mais corrompido na operação Lava Jato. Não sei se vai adiantar Sergio Moro conceder o perdão para todos os ministros. Um dos youtubers de estimação do bolsonarismo, Nando Moura, por exemplo, já mostrou insatisfação com a escolha de nomes envolvidos em corrupção nos ministérios.
 

moro perdão duke.jpg

 



A promessa de não negociar cargos com partidos também deve naufragar. A demagogia eleitoral não resistirá à realidade. As primeiras tentativas de emplacar um novo tipo de relação entre Executivo e Legislativo já não estão dando certo, como parecia óbvio.
 
Partidos aliados e o próprio partido de Bolsonaro já se mostram incomodados como excesso de nomeações de políticos do DEM para o primeiro escalão. Segundo a deputada Joice Hasselmann, comenta-se dentro do PSL que o futuro governo parece “ser do DEM”, haja vista os três democratas já nomeados. Bolsonaro tentou acalmar seus correligionários: “gente, por um acaso, por uma coincidência, essas pessoas são do DEM”. A tal coincidência se deu porque os nomes não foram discutidos com partidos, mas com as bancadas. Tereza Cristina (Agricultura) foi indicada pela bancada do agronegócio, enquanto Mandetta (Saúde) foi indicado pela bancada da saúde (leia-se bancada dos planos de saúde).

caetano-veloso-e-tereza-cristina-.jpg 

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Negociar apenas com bancadas e deixar os partidos de fora serve apenas para aplacar as expectativas de parte do seu eleitorado que demoniza a política partidária. Na prática, não ajuda a formar uma base de apoio no Congresso. Apesar de ter abocanhado o maior número de ministérios até agora, o DEM elegeu apenas 29 deputados e é a 4ª menor bancada da Câmara. Essa desproporção terá um custo alto para quem pretende aprovar grandes reformas. A bancada evangélica, por exemplo, vota junto em questões caras às suas religiões, mas se divide quando o assunto é reforma da previdência. Não se governa um país negociando somente com frentes parlamentares conservadoras e ignorando outras frações representativas da sociedade.

A promessa demagógica de acabar com o famoso toma-lá-da-cá, que nada mais é do que a forma com que se faz política em todas as democracias do mundo, não vai resistir por muito tempo. Negociar com partidos invariavelmente significa indicações de cargos em trocas de apoio. E é bom que seja assim. Apenas regimes ditatoriais dispensam esse tipo de negociação. Os próprios líderes das bancadas já estão dizendo que não é possível governar sem negociar com os partidos. Tanto Marco Feliciano, líder da bancada evangélica, quanto Alberto Fraga, líder da bancada da bala, já disseram que a estratégia é equivocada e deve ser corrigida. A insatisfação entre as lideranças partidárias já está instalada.

Muitos reclamam que até agora não tiveram uma conversa com nenhum representante do governo eleito. É incrível imaginar que um parlamentar que atuou na Câmara por quase 30 anos, chegando a apoiar os governos do PT em respeito às negociações partidárias, queira agora como chefe do Executivo negociar apenas com seus clubinhos conservadores.

Me parece óbvio que a estratégia não terá futuro e logo será abandonada. Isso pode fazer com que Bolsonaro passe a ser questionado por quem votou nele acreditando que haveria um novo jeito de fazer política dentro de um presidencialismo de coalizão.
 

O novo ministro da Educação fomentou boatos em seu blog

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 O nome dos sonhos de Bolsonaro para comandar o MEC era Olavo de Carvalho, o mentor intelectual do bolsonarismo, o filósofo youtuber que denuncia o avanço do “globalismo marxista” no Brasil. Graças a Zeus, Olavo rejeitou o convite e pediu publicamente o cargo de embaixador do Brasil nos EUA, onde reside.

A influência da bancada evangélica na escolha do novo ministro da Educação foi decisiva. Os religiosos vetaram a nomeação do educador Mozart Ramos, um nome com perfil técnico e com experiência na administração pública. Mozart tem uma visão liberal da educação e sempre foi muito criticado pelas esquerdas, mas nem isso foi suficiente para agradar a bancada evangélica, que exigia alguém que defendesse com fervor neopentecostal essa insanidade chamada Escola Sem Partido.

Depois de muitas idas e vindas, Bolsonaro afirmou na última quinta-feira pela manhã que não estava cogitando escolher Mozart para o MEC e que tudo não passava de “fake news” da imprensa para “criar intriga com a bancada evangélica”. Disse ainda que procurava “um bom nome técnico” para a pasta. Mas uma das marcas registradas do presidente eleito é desmentir à noite o que foi dito pela manhã. Foi o que aconteceu. À noite, ele anunciou um ministro sem nenhuma experiência administrativa e com perfil altamente ideológico. Bolsonaro cedeu à pressão do fundamentalismo religioso e escolheu Ricardo Vélez Rodriguez, uma indicação de Olavo de Carvalho.

O filósofo, que considera Einstein um “farsante”, Isaac Newton um “burro” e Galileu um “charlatão”, também considera Rodriguez “o maior conhecedor de pensamento político brasileiro do mundo”. Apesar de ter uma trajetória acadêmica, Ricardo Velez-Rodriguez está longe de ter um perfil técnico. É um homem religioso e reacionário. Isso fica claro em uma breve leitura do seu blog.

Assim como o novo chanceler, o novo ministro da Educação também é um blogueiro obcecado por produzir conteúdo antiesquerdista. O seu blog, chamado de Rocinante em alusão ao cavalo de Dom Quixote, se dedica a fazer um proselitismo ideológico e a espalhar notícias mentirosas. Nada muito diferente dos youtubers do Bolsonaro e tão cafona quanto. Para Rodriguez, petistas são “petralhas”, e o dia 31 de março - dia do golpe militar de 1964 - é um dia para o brasileiro “lembrar e comemorar”. Talvez o livro de Ustra também seja o de cabeceira desse valoroso acadêmico.

No dia 7 de novembro, Rodriguez escreveu um texto intitulado “Um roteiro para o MEC” em que diz aceitar a indicação de Olavo e dá uma ideia do que serão suas diretrizes no comando da pasta. É um texto essencialmente ideológico, sem praticamente nenhuma proposta de cunho técnico e administrativo. Ele considera que os brasileiros viraram reféns de um sistema de ensino calcado na “doutrinação de índole cientificista e enquistada na ideologia marxista, travestida de ‘revolução cultural gramsciana'”. O estilo rebuscado não é capaz de disfarçar o que o texto de fato traz em sua essência: chorume conspiratório.

O futuro ministro da Educação também já usou seu blog para espalhar notícias falsas que circulavam no submundo da internet. Quando Bolsonaro foi esfaqueado em Juiz de Fora, Rodriguez escreveu um texto que é praticamente um pot-pourri das fake news que circulavam à época. Apreciem um trecho:

“Falta que sejam cumpridas outras providências, como prender os outros membros da quadrilha que certamente estava na rua dando apoio ao criminoso-mor, como revelam vários vídeos postados nas redes sociais. Sabe-se que até uma funcionária pública do setor bancário teria participado, entregando a faca ao executor, pois foi identificada num desses vídeos. Falta que seja esclarecido de onde provieram os fartos recursos financeiros que pagaram a turma dos meliantes da Rua Halfeld e quem contratou em tempo recorde a banca de advogados para defender o criminoso.”

Esse contador de histórias é o homem que vai comandar um ministério fundamental para o país, que é altamente complexo, com demandas administrativas complicadas e que está cercado por disputas políticas. Não tem como dar certo. Como diria Eduardo Cunha, o bom e velho aliado de Bolsonaro, “que Deus tenha misericórdia dessa nação”.

31
Mai18

GILMAR CONTRIBUI COM SENSAÇÃO DE IMPUNIDADE, DIZ PROCURADORA

Talis Andrade

AUTO_thiagolucas2- presos solto gilmar habeas corp

 

 

247 - A procuradora Adriana Scordamaglia, do Ministério Público Federal em São Paulo, criticou a decisão do ministro Gilmar Mendes de mandar soltar novamente o operador do PSDB Paulo Preto, sua filha, Tatiana Arana de Souza, e o ex-diretor da Dersa Geraldo Casas Vilela; para a procuradora, que é integrante da Força Tarefa da Lava Jato em São Paulo, a decisão do ministro alimenta a sensação de impunidade. A fala depois da audiência de custódia da prisão de Paulo Preto, que recebeu a notícia de sua soltura antes mesmo de seu final da audiência de custódia; "Foi uma audiência sui generis, que foi atropelada ao seu final com uma liberdade concedida pela última instância", criticou

 

gilmar mende paulo preto.jpg

 

 

 

 

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