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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

10
Jul21

Abraji rejeita ameaça de advogado de Bolsonaro contra Juliana Dal Piva

Talis Andrade

Juliana Dal Piva

Na tarde de 09.jul.2021, Frederick Wassef, que se apresenta como advogado do presidente Jair Bolsonaro, atacou Juliana Dal Piva, uma das jornalistas investigativas mais consagradas do país. A colunista do UOL foi xingada com rótulos pejorativos e recebeu ameaças veladas.

Demonstrando desprezo à liberdade de imprensa e sem temer possíveis punições, o advogado recomendou que a jornalista mudasse para a China:  "Faça lá o que você faz aqui no seu trabalho, para ver o que o maravilhoso sistema político que você tanto ama faria com você. Lá na China você desapareceria e não iriam nem encontrar o seu corpo”.

Há anos, Juliana Dal Piva investiga o esquema das rachadinhas envolvendo os filhos de Jair Bolsonaro. No início da semana, foi além. Revelou, por meio de áudios e de uma apuração minuciosa, conexões diretas do presidente com a apropriação de salário de servidores na Câmara dos Deputados.

A Abraji não reproduzirá aqui as hostilidades proferidas por Wassef por se tratar de afirmações toscas e ultrajantes. O presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, disse que vai pedir à corregedoria do órgão que apure o fato e tome as medidas necessárias.

Defendemos a liberdade de imprensa como direito garantido pela Constituição e pilar do Estado Democrático de Direito. Todo o apoio a Dal Piva, ao UOL e a todos os veículos e profissionais de imprensa que vêm sendo atacados sistematicamente desde que o governo Bolsonaro assumiu o poder, em janeiro de 2019.

Exigimos que sejam tomadas as medidas legais cabíveis contra Wassef e todos os que vilipendiam o trabalho essencial da imprensa de levar à sociedade assuntos de interesse público. Esperamos que as instituições que defendem a democracia façam seu papel e resistam à destruição do espaço cívico promovida pelos autoritários de plantão e seus militantes.

Diretoria da Abraji, 10 de julho de 2021.

 

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20
Dez20

Jornalista que divulgou absolvição de réu do caso Mariana Ferrer é alvo de campanha de desqualificação

Talis Andrade

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Portal Imprensa - A jornalista catarinense Schirlei Alves, do Intercept Brasil, precisou fechar sua conta no Instagram após ser vítima de uma onda de ataques por conta da matéria que assinou no Intercept Brasil no dia 3 de novembro, sobre o caso Mariana Ferrer.ferrer mariana.jpg

Mariana Ferrer humilhada por um advogado cruel 

 

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo repudiou os ataques que, entre xingamentos e comentários misóginos, tentam desqualificar a reportagem por conta do uso do termo “estupro culposo”, que não está presente no processo.

O Intercept admitiu que a expressão foi usada para resumir o caso e explicá-lo para o público leigo, como um "artifício usual ao jornalismo”, mas que, em nenhum momento, declarou que a expressão foi citada no processo.

Nos autos, transcritos na matéria, é possível ler que o Ministério Público de Santa Catarina cita que só há dolo (intenção de praticar o crime) quando existe simultaneamente consciência e vontade e que “sem dolo, não há crime, ante a ausência de previsão da modalidade culposa”.

Por conta do uso do termo escolhido pelo jornal e da ampla repercussão do caso a partir da publicação da reportagem, a jornalista passou a ser acusada de manipular a opinião pública além de receber mensagens com palavras depreciativas e machistas.  Uma campanha para desqualificar o trabalho dela também está em curso.

A Abraji emitiu nota em que considera tais ataques um comportamento antidemocrático. “A Abraji repudia a amplificação das vozes de ódio contra a jornalista. Discordar do encaminhamento de uma reportagem, contestar os processos de apuração de um veículo ou apontar erros fazem parte do jogo democrático. Desqualificar uma jornalista mulher com palavras de baixo calão e discurso de ódio por ela desempenhar seu trabalho de informar à sociedade um assunto de interesse público, por outro lado, é um comportamento antidemocrático”.

O caso Mariana Ferrer ganhou repercussão em todo o Brasil e levou mulheres e homens a protestar em várias cidades do País contra a cultura do estupro e a impunidade dos estupradores.

20
Dez20

Jornalista é vítima de ataques nas redes sociais

Talis Andrade

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ABI - Associação Brasileira de Imprensa

O machismo é um dos preconceitos mais praticados no Brasil e, segundo estudiosos , está na base dos casos de violência contra a mulher. Esta realidade escandaliza o país e, embora cada vez mais denunciada, mantém-se ativa com sua agressividade. Os últimos alvos são recentes: A jornalista catarinense Schirlei Alves contabilizou dezenas de ataques em suas redes sociais, depois de ter revelado o caso da influenciadora digital Mariana Ferrer, humilhada durante audiência sobre acusação de estupro.

Freelancer do Intercept Brasil, Schirlei Alves, em reportagem no dia 3 de novembro, mostrou o comportamento abusivo do advogado de defesa do empresário acusado do crime contra Mariana Ferrer, durante uma audiência. Também causou indignação o comportamento do juiz e do Ministério Público de Santa Catarina, que pediu a absolvição do réu.

Na contramão dos fatos, a jornalista foi acusada de manipular a notícia e sofre campanha para a desqualificação de seu trabalho. Ela recebeu mensagens com palavras depreciativas e machistas e teve sua conta do Instagram fechada depois de agredida por diversos comentários misóginos e xingamentos.

Entidades da sociedade civil, como a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), expressam repúdio às agressões contra a jornalista, vítima de comportamentos antidemocrático e de discursos de ódio.

- - -

Nota deste correspondente: ABI e Abraji, covardemente, escondem os nomes dos inquisidores de Schirlei Alves e dos assassinos da honra de Mariana Ferrer: Os nomes do juiz, do promotor e do advogado do caso que desonra a Justiça e que se transformou em exemplo de reportagem, de bom Jornalismo. 

carregando tv jornalista empregado Giacomo Cardell

 

12
Nov20

Abraji condena retaliação de procurador da República contra Aos Fatos

Talis Andrade

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Nesta quarta-feira (11.nov.2020), O procurador-chefe do Ministério Público Federal em Goiás, Ailton Benedito, divulgou em uma rede social que está movendo processo contra o site Aos Fatos. Além disso, estimulou outras pessoas a iniciarem ações semelhantes contra agências de checagem em geral. 

Souza informou estar movendo uma ação contra o site de checagens em um Juizado Especial Cível de Goiás, embora não tenha detalhado a qual processo se refere. Há uma ação em andamento, iniciada após o Aos Fatos ter citado o nome do procurador em uma reportagem de maio de 2020 sobre propagadores de informações falsas sobre cloroquina e hidroxicloroquina.

Pelo Twitter, o procurador sugere ainda que “vítimas” de agências de checagem acionem os Juizados Especiais Cíveis (JEC), criados para facilitar o acesso à Justiça, “sem a necessidade de advogado”.

Desde ontem, 10.nov.2020,  Aos Fatos vem sendo atacado por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro depois de ter publicado que um terço dos tweets mais populares de bolsonaristas sobre as eleições norte-americanas continha desinformação.

A sugestão do procurador para que todos que se sentissem lesados por ter sido apontados como disseminadores de desinformação procurassem a justiça foi replicada pela deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) e pelo deputado estadual Douglas Garcia (PTB-SP). 

O empresário Otávio Fakhoury, um dos principais suspeitos de financiar atos antidemocráticos em 2019, publicou ameaça semelhante na conta pessoal de Tai Nalon, diretora executiva do Aos Fatos. 

Levantamentos da Abraji mostram como essa tática de intimidação visa constranger profissionais de imprensa e se configura como uma afronta à liberdade de expressão. Organizações internacionais também alertaram sobre o aumento do assédio judicial contra jornalistas no Brasil.

A Abraji repudia a tentativa de intimidar jornalistas por meio de ações judiciais. É inaceitável que um representante do Ministério Público incentive de maneira irresponsável retaliações contra a imprensa fazendo uso dos Juizados Especiais Cíveis, pensados para causas de menor complexidade. Essa tática ameaça o exercício do jornalismo, colocando em risco os direitos fundamentais da sociedade à informação e à liberdade de pensamento e expressão.

Diretoria da Abraji, 11 de novembro de 2020.

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09
Out20

Sérgio Moro: de cereja do bolo do governo Bolsonaro ao impiedoso descarte

Talis Andrade

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por Laurez Cerqueira

- - -

Sérgio Moro fugiu da verdade nua.

Certamente num delírio narcísico, se entregou à volúpia de achar que tinha o Brasil a seus pés. Pediu até demissão do cargo de juiz. Achou que seria presidente da República num estalar de dedos.

Aceitou ser ministro de Bolsonaro como cereja do governo. Não entendeu que no governo não cabia dois candidatos à presidência da República. Acabou se demitindo, numa cena humilhante.

Com a demissão, tentou fazer de Bolsonaro guindaste para alçar sua candidatura, mas a imprensa do poder econômico, que usou e abusou dele e da Lava-jato para tentar destruir o PT e o ex-presidente Lula, deixou-o no relento, como um cão depois da caça, abandonado pelos caçadores.

Descartado, Moro vai morar nos Estados Unidos exatamente no momento em que processos contra o ex-presidente Lula estão sendo arquivados por falta de provas.

Não só isso, a ação de suspeição contra ele, quando juiz da Lava-jato, deve ir  para as mãos  do futuro ministro do STF,  Kassio Nunes,  que se diz garantista.  Bolsonaro,  que é um pote até aqui de mágoas,  causa dúvidas e calafrios em Moro, sobre o que espera por ele no STF. Isso pode ter feito com que ele apressasse  a arrumação das malas para sair do país.

Deltran Dallagnoll também saiu de fininho,  alegando problemas familiares. Mas não é apenas por esse motivo. Ele desapareceu da mídia porque o serviço que era para ele e outros capatazes da Lava-jato  fazerem para a Casa Grande acabou.

Os processos forjados, Power Point exposto numa coletiva à imprensa, acusando o PT de ser uma organização criminosa e o ex-presidente Lula “chefe da organização”, com base em “convicções” pessoais, como ele disse, a prisão do ex-presidente Lula e o impedimento dele ser candidato à presidência da República, foi o ápice da tarefa dos integrantes da Lava-jato. Queiram ou não, esses episódios já estão afixados na parede da história do Brasil.

Os processos contra Dallagnoll se avolumam e ele pode sofrer um revés, por formular denúncias contra inocentes, sem provas, e imputar crimes com base em “convicções” pessoais.

Os processos, antes no âmbito do Conselho Nacional do Ministério Público, que mais parece um departamento de defesa corporativa dos procuradores, estão sendo abertos em instâncias do judiciário.

O procurador Carlos Fernando, o fanfarrão, que acusou o PT de querer acabar com a Lava-jato e viu Bolsonaro dizer, com toda pompa, que ele acabou com a Lava-jato, também sumiu, se aposentou, não é mais nada na vida pública.

Enfim, todos sofrem agora do mesmo infortúnio: o descarte, o caminho para o ostracismo. O poder econômico é cruel. Usa descarta e segue em frente cuidando dos negócios das suas corporações nacionais e transnacionais.

Uma lição para quem vende a alma ao diabo.

 

 

25
Ago20

Abraji condena ameaça de Bolsonaro de agressão física a jornalista

Talis Andrade

Abraji condena ameaça de Bolsonaro de agressão física a jornalista

 

Durante uma visita à Catedral de Brasília no domingo, 23.ago.2020, o presidente do Brasil disse a um jornalista que gostaria de agredi-lo fisicamente. Abraji, Artigo 19, Conectas Direitos Humanos, Observatório da Liberdade de Imprensa da OAB e Repórteres sem Fronteiras se solidarizam com o repórter e condenam mais um episódio violento protagonizado por Jair Bolsonaro, cuja reação, ao ouvir uma pergunta incisiva, foi não apenas incompatível com sua posição no mais alto cargo da República, mas até mesmo com as regras de convivência em uma sociedade democrática. Um presidente ameaçar ou agredir fisicamente um jornalista é próprio de ditaduras, não de democracias.

A ameaça se deu quando um repórter questionou o presidente sobre os depósitos realizados por Fabrício Queiroz na conta bancária da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. O mandatário respondeu à pergunta com a frase: "Minha vontade é encher tua boca com uma porrada, tá?". Os colegas do jornalista perguntaram se a resposta era uma ameaça ao profissional, ou mesmo à imprensa como um todo, mas o presidente deixou o local sem responder. 

Essa ameaça de agressão física se soma a um histórico de forte hostilidade de Bolsonaro contra jornalistas e marca um novo patamar de brutalidade. Desde o início de seu mandato, em jan.2018, Jair Bolsonaro vem demonstrando carecer de preparo emocional para prestar contas à sociedade por meio da imprensa, uma responsabilidade de todo mandatário nas democracias saudáveis. Jornalistas têm sido vítimas de agressões verbais constantes ao cumprir sua obrigação profissional de questionar o presidente sobre ações do governo federal e indícios de corrupção ao longo de sua carreira política. 

A questão da segurança do trabalho dos jornalistas que cobrem a Presidência da República sob Bolsonaro é uma preocupação recorrente. Em jun.2020, organizações da sociedade civil entraram com uma ação na justiça do Distrito Federal solicitando ao governo que garanta a segurança de jornalistas que cobrem a agenda presidencial - sobretudo os que ficam diante do Palácio do Alvorada e que vinham sendo atacados com frequência por apoiadores do presidente. As agres.sões levaram diversos veículos a interromper a cobertura diária na frente do palácio.

O discurso hostil e intimidatório. de Bolsonaro contra a imprensa vem incentivando sua militância a assediar jornalistas nas redes sociais nos últimos meses, inclusive com ameaças de morte e agressões aos profissionais e a seus familiares. Em pelo menos dois casos, um em Minas Gerais e outro emBrasília, este último no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa (03.mai.2020), apoiadores do presidente agrediram repórteres que estavam no desempenho de suas funções. A frase "minha vontade é encher tua boca com uma porrada" pode ser entendida como uma legitimação do cometimento de crimes como esses.

Tal comportamento inadmissível por parte de um presidente da República deveria ser condenado por todas as instituições e cidadãos comprometidos com a estabilidade e o progresso do Brasil. As organizações abaixo assinadas esperam sobretudo dos líderes dos Poderes Legislativo e Judiciário uma reação contundente contra mais essa atitude violenta e irresponsável de Jair Bolsonaro.

Abraji
Artigo 19
Conectas Direitos Humanos
Observatório da Liberdade de Imprensa da OAB
Repórteres sem Fronteiras

25
Ago20

Entidades condenam novo ataque de Bolsonaro à imprensa

Talis Andrade

 

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Abraji: "O discurso hostil de Bolsonaro contra a imprensa vem incentivando sua militância a assediar jornalistas"

 

Abraji, ANJ, RSF e OAB classificam de lamentável, incompatível e "própria de ditaduras" fala do presidente de que sua vontade era "encher de porrada" repórter que o questionou sobre depósitos de Queiroz à primeira-dama.

por Deutsche Welle

Entidades de defesa da liberdade de expressão e de imprensa condenaram o ataque feito neste domingo (23/08) pelo presidente Jair Bolsonaro a um repórter do jornal O Globo que o questionou sobre depósitos feitos pelo ex-policial militar Fabrício Queiroz na conta bancária da primeira-dama Michelle Bolsonaro.

O jornalista, que acompanhava Bolsonaro numa visita aos arredores da Catedral de Brasília, perguntou ao presidente sobre os motivos para Queiroz, ex-assessor de seu filho Flávio Bolsonaro, e a esposa dele terem depositado 89 mil reais na conta da primeira-dama. Diante da insistência do repórter, o presidente respondeu: "A vontade é encher tua boca com uma porrada."

Em reação à ameaça de agressão por parte do presidente, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou uma nota conjunta com as entidades Artigo 19, Conectas Direitos Humanos, Observatório da Liberdade de Imprensa da OAB e Repórteres sem Fronteiras (RSF) na qual afirmam se solidarizar com o repórter e condenar "mais um episódio violento" protagonizado pelo presidente.

A reação de Bolsonaro "foi não apenas incompatível com sua posição no mais alto cargo da República, mas até mesmo com as regras de convivência em uma sociedade democrática", diz a nota.

A Abraji afirma que, desde que Bolsonaro tomou posse, jornalistas vêm sendo alvo de agressões verbais e que a segurança dos repórteres que cobrem a Presidência da República preocupa. A associação lembrou que em junho alguns veículos de comunicação – incluindo o grupo Globo e o jornal Folha de S. Paulo – decidiram suspender temporariamente a cobertura jornalística na porta do Palácio da Alvorada, em Brasília, devido à hostilidade enfrentada pelos repórteres por parte de apoiadores de Bolsonaro.

"O discurso hostil e intimidatório de Bolsonaro contra a imprensa vem incentivando sua militância a assediar jornalistas nas redes sociais nos últimos meses, inclusive com ameaças de morte e agressões aos profissionais e a seus familiares", diz a nota conjunta divulgada pela Abraji. "A frase 'minha vontade é encher tua boca com uma porrada' pode ser entendida como uma legitimação do cometimento de crimes como esses."

Ao repercutir a nota da Abraji no Twitter, a organização Repórteres sem Fronteiras destacou trecho que diz que "um presidente ameaçar ou agredir fisicamente um jornalista é próprio de ditaduras, não de democracias".

Citado pela imprensa brasileira, o presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Marcelo Rech, também condenou a atitude de Bolsonaro. "É lamentável que mais uma vez o presidente reaja de forma agressiva e destemperada a uma pergunta de jornalista. Essa atitude em nada contribui com o ambiente democrático e de liberdade de imprensa previstos pela Constituição", afirmou.

Em sua conta no Twitter, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, lamentou o fim da moderação por parte de Bolsonaro vista nas últimas semanas. "Lamentável ver a volta do perfil autoritário que tanta apreensão causa nos democratas. Nossa solidariedade ao jornalista ofendido e ao jornal O Globo."

OS DEPÓSITOS

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No início de agosto, uma reportagem da revista Crusoé apontou que Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, depositou 72 mil reais na conta de Michelle Bolsonaro entre 2011 e 2018. Os repasses foram descobertos com a quebra de sigilo bancário do ex-policial militar e contrariaram a versão sobre o caso apresentada pelo presidente.

A quebra do sigilo bancário de Queiroz foi autorizada pela Justiça no âmbito da investigação sobre um esquema de "rachadinha"  – prática ilegal através da qual os funcionários de parlamentares são coagidos a devolver parte de seus salários – no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O filho do presidente foi deputado estadual entre 2003 e janeiro de 2019, e Queiroz foi seu assessor entre 2007 e 2018.

Segundo a reportagem, Queiroz depositou ao menos 21 cheques na conta de Michelle entre 2011 e 2018, em valores que somam 72 mil reais. Até então, era conhecido apenas um repasse de 24 mil reais do ex-assessor para a esposa do presidente.

Quando o caso veio à tona, no final de 2018, Bolsonaro afirmou que os repasses feitos por Queiroz a Michelle eram referentes a uma dívida de 40 mil reais que o ex-assessor tinha com o presidente. Bolsonaro alegou que os valores haviam sido depositados na conta de sua esposa por ele não ter tempo de ir ao banco.

Os depósitos de Queiroz a Michelle divulgados pela Crusoé foram confirmados pelo jornal Folha de S. Paulo, que noticiou ainda que a esposa de Queiroz, Marcia Aguiar, também repassou dinheiro em 2011 para a primeira-dama, por meio de seis cheques que somaram 17 mil reais.

Com isso, os valores repassados para a primeira-dama somariam 89 mil reais, bem acima do suposto empréstimo de 40 mil reais que Bolsonaro mencionou.

Desde as recentes revelações, o presidente não se manifestou sobre os depósitos à sua esposa.

 

 

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27
Mai20

Conheça os primeiros nomes das milícias digitais que estão sendo investigados a partir de hoje

Talis Andrade

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A corrupção da informação precisa ser combatida, punindo os financiadores, e todos os pseudos jornalistas que propagam mentiras, meias-verdades e, principalmente, injúrias,  difamações, ameaças, bullyng, assédio, calúnia, abusos e falsidades. 

Sem nenhum compromisso com a ética, com a verdade, as principais fontes de informações criminosas hoje estão a serviço de Jair Bolsonaro (a família presidencial) e de Sérgio Moro (a lava jato, a república de Curitiba). 

Nas eleições de 2018, estes dois núcleos de informações persuasivas influenciaram os resultados das urnas, tornando vitoriosas as campanhas de candidatos da extrema direita para presidente-e-vice, para governadores estaduais, senadores e deputados federais e estaduais mais votados. 

A propagação do ódio, do medo, o terrorismo da informação vão aparecer no âmbito do inquérito do Supremo Tribunal Federal  — conhecido como Inquérito das Fake News, que apura a produção de informações falsas e ameaças aos ministros do STF. 

É preciso também investigar se esses bandos possuem braços armados, que as eleições de 2018 foram marcadas por agressões físicas e assédios judicial e policial. 

Discursando em seminário da Abraji, os ministros do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes foram enfáticos na defesa da liberdade de expressão como valor central da democracia, mas alertaram que ela não deve ser usada como preceito para disseminar desinformação. Os magistrados também defenderam o fortalecimento do jornalismo profissional.

Já foram identificados quatro financiadores das milícias digitais: Edgard Corona, Luciano Hang, Reynaldo Bianchi Júnior e Winston Rodrigues, e determinada a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos quatro para o período entre julho de 2018 e abril de 2020.

O ministro do STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, fez uma retomada histórica. “Minha relação com a imprensa é intensa e antiga. Descobri o Brasil ‘não oficial’ por meio do jornalismo, em 1975, com o assassinato do jornalista Vladimir Herzog e a simulação desonrosa da prática de suicídio. Descobri um país no qual, por trás da retórica do milagre econômico, faltavam liberdades essenciais e se torturavam adversários do regime. Foi um choque de realidade. A partir dali, comecei a ser um pensador crítico do regime e da sociedade”.

Barroso reforçou que, após o período de redemocratização, “houve tropeços” na manutenção da liberdade de imprensa, mas que também houve êxitos. O ministro citou como exemplo a revogação, em 2009, da Lei de Imprensa, mecanismo do período ditatorial vigente no país décadas após a promulgação da Constituição Cidadã, e reafirmou o compromisso do STF com a manutenção da liberdade de imprensa como pressuposto decisivo na preservação da cultura, da memória e da história do país.

“Convivi anos com a censura, que se impunha em nome da moral, da família, dos bons costumes e de outros pretextos de intolerância. Desde cedo me convenci de que a censura oscila entre o arbítrio, o capricho, o preconceito e o ridículo”, disse.

O ministro também lembrou uma tendência mundial de fragilização das democracias. “O mundo vive hoje um surto de democracias iliberais, que são a conjugação do conservadorismo intolerante, do populismo e do autoritarismo. Em grande parte desses regimes, líderes eleitos pelo voto popular vão desconstruindo regras da democracia, entre elas a liberdade de imprensa”.

O ministro Alexandre de Moraes, que encerrou o seminário, defendeu "o dever da imprensa de levar informações à população para que, dentro de um mercado livre de ideias, haja possibilidade de se chegar a consensos". Mas fez uma ressalva: "essa liberdade não pode se confundir com irresponsabilidade, ou com a possibilidade de, sob o falso manto da liberdade de expressão, fazerem-se associações criminosas”, disse.

“Ao mesmo tempo, não podemos confundir a responsabilização desses atos com qualquer possibilidade de censura prévia ou cerceamento do direito de a pessoa se expressar”, completou.

“Não é possível que novas formas de mídia se organizem com a finalidade de propagar discursos racistas, discriminatórios, de ódio ou contra democracias”, exemplificou o magistrado.

Moraes também reafirmou que as instituições do Judiciário devem ser firmes na responsabilização de agressores da imprensa e de jornalistas. “Se tivermos jornalistas amedrontados por ameaças, sejam físicas, sejam virtuais, estamos abrindo mão da liberdade de imprensa. Ela não é construída por robôs. O que é disseminado por robôs são as fake news”.

O seminário foi uma realização da Abraji e do Conselho Federal da OAB, com apoio da ESPM e da Faculdade de Direito da USP.

A Polícia Federal realizou buscas e apreensões nesta quinta-feira (27) no âmbito do Inquérito das Fake News.

São investigados:

  • Luciano Hang (SC): empresário, dono da Havan, apoiou Bolsonaro durante a eleição de 2018 e segue aliado do presidente
  • Roberto Jefferson (RJ): ex-deputado federal preso no Mensalão. Seu partido, o PTB, declarou apoio a Bolsonaro em 2018. Nas redes, tem defendido o presidente e criticado o STF, pedindo que Bolsonaro aposente compulsoriamente os ministros
  • Allan dos Santos (DF): blogueiro, é apoiador de Bolsonaro e um dos fundadores do site "Terça Livre"
  • Sara Winter (DF): blogueira. Em uma rede social, se define como "ativista pró-vida e pró-família, analista política e conferencista internacional"
  • Winston Lima (DF): blogueiro, dono do canal no YouTube "Cafezinho com Pimenta", onde transmite diariamente as falas de Bolsonaro na saída do Palácio do Alvorada. Promove manifestações de apoio ao presidente
  • Edgard Corona (SP): empresário, dono das redes de academia SmartFit e BioRitmo (SP)
  • Edson Pires Salomão (SP): assessor parlamentar do deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP)
  • Enzo Leonardo Suzi (SP): youtuber no canal no YouTube "Enzuh" e apoiador do governo Bolsonaro
  • Marcos Bellizia (SP): um dos líderes do movimento "Nas Ruas", que foi fundado em 2011 por Carla Zambelli, hoje deputada federal. O grupo organizava manifestações populares, em geral contra a corrupção
  • Otavio Fakhoury (SP): Investidor do setor imobiliário, um dos fundadores do partido Aliança para o Brasil, que está sendo formado em torno de Bolsonaro, e colaborador do site conservador  "Crítica Nacional"
  • Rafael Moreno (SP)
  • Rodrigo Barbosa Ribeiro (SP): assessor parlamentar do deputado Douglas Garcia (PSL) e líder do "Movimento Conservador" em Araraquara
  • Paulo Gonçalves Bezerra (RJ)
  • Reynaldo Bianchi Júnior (RJ): humorista, músico e palestrante
  • Bernardo Kuster (PR): em uma rede social, se define como diretor de opinião do jornal "Brasil Sem Medo". O veículo tem como presidente de seu conselho editorial Olavo de Carvalho, ideólogo do qual Bolsonaro se declarou, em 2019, um admirador
  • Eduardo Fabris Portella (PR)
  • Marcelo Stachin (MT): nas redes sociais, é defensor de Bolsonaro e com frequência se manifesta contrário ao STF
     
     
    William De Lucca
    @delucca
     
    O nome do Fernando Holiday é Fernando Silva Bispo. O nome da Sara Winter é Sara Fernanda Giromini. Essa gente da direita não é só colonizada, mas também é brega na hora de escolher o nome político, né?
 

 

 

15
Fev20

Escalada contra jornalistas ganha corpo com execução, ataque sexista e intimidação

Talis Andrade

Após morte na fronteira e operação contra jornalista, repórteres apurando caso Adriano da Nóbrega são detidos na Bahia. Entidade lista 38 casos de violação à liberdade de imprensa na regiãoLéo Veras, Valério Luiz, Patrícia Campos Mello e Glenn Greenwald.Léo Veras, Valério Luiz, Patrícia Campos Mello e Glenn Greenwald

Nesta semana, a execução do jornalista Léo Veras, na fronteira entre Brasil e Paraguai, reacendeu os temores de que a violência venha a cercear a atuação de mais profissionais da imprensa na América Latina. “Todo assassinato de jornalista é uma tentativa de calar o mensageiro, comprometendo a liberdade de imprensa”, manifestou-se a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), ao cobrar apuração rigorosa sobre o caso. A entidade desenvolve um programa que financia a investigação de delitos contra jornalistas, já que, de acordo com levantamento do Comitê de Proteção dos Jornalistas (CPJ), o Brasil é um dos 10 países com os maiores índices de impunidade nesse tipo de crime, em ranking encabeçado por Somália, Síria e Iraque.

MAIS INFORMAÇÕES

Segundo o mais recente estudo do CPJ, o Brasil acumula 15 casos de assassinatos de jornalistas não resolvidos ou julgados.

O de maior repercussão é a denúncia do Ministério Público Federal contra Glenn Greenwald, fundador do The Intercept, acusado de envolvimento na invasão de celulares de autoridades como o ministro Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, da Operação Lava Jato. Para entidades como a ONG Anistia Internacional, a denúncia “representa uma escalada na ameaça à liberdade de imprensa no Brasil”.

Além da prisão e agressão dos fotojornalistas Rodrigo Zaim e Daniel Arroyo pela PM de São Paulo, durante a cobertura de protestos contra o aumento das passagens, o relatório ainda cita dois episódios protagonizados por Jair Bolsonaro, em que o presidente acusou —sem especificar o motivo— repórteres da Folha de S. PauloUOL e Globo de mentir. Chegou a qualificar jornalistas como “raça em extinção” no Brasil ao dizer que cancelou todas as assinaturas de publicações no Planalto, afirmando que “envenena a gente ler jornal”.

Na última terça-feira, um dos filhos do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, endossou a fala de Hans River do Rio, ex-funcionário de uma agência de disparos de mensagens em massa, que em audiência na CPMI das Fake News acusou a repórter Patricia Campos Mello, da Folha, de ter sugerido um encontro sexual a troco de acesso a informações. Após a acusação, a jornalista divulgou as conversas que manteve com Hans, que não continham nenhuma insinuação de sexo, desmentindo o relato do depoente. No entanto, o deputado já havia divulgado vídeos da falsa denúncia, gatilho para uma campanha difamatória impulsionada por bolsonaristas contra Mello nas redes sociais, com montagens misóginas, ofensas e até ameaças direcionadas à repórter.

Em 2018, depois de publicar uma reportagem sobre a contratação de empresas para disparo ilegal de mensagens pelo Whatsapp, na última eleição presidencial, Mello já havia sido alvo de ataques parecidos e precisou bloquear suas contas em mídias sociais. Em apoio a Patricia Campos Mello, um grupo de mulheres e jornalistas assinou um manifesto cobrando providências da CPMI em relação aos propagadores da mentira. Entidades como a Abraji, Associação Brasileira de Imprensa e Instituto Vladimir Herzog divulgaram uma nota conjunta em solidariedade à repórter. “Em tempos de banalização do ódio e do absurdo, é preciso denunciar a estratégia de destruição de reputações e instituições. Os democratas deste país não podem observar calados à busca sistemática de degradação da reputação de jornalistas, adversários políticos, organizações da sociedade civil e todos os que façam críticas ao governo.”

Para denunciar intimidações a profissionais de imprensa, as jornalistas Anabela Paiva, Roberta Jansen e Cecília Olliveira criaram uma conta no Twitter que compila casos e oferece suporte às vítimas de linchamento virtual. Um dos episódios replicados esta semana envolve o apresentador André Rizek, do Sportv, ameaçado pelo empresário Will Dantas após criticar ao meia-atacante Pedrinho. “A minha vontade era encontrá-lo tête-à-tête e esfregar a cara desse baitola no asfalto. Ele não perde por esperar. Vai achando que você está blindado por trabalhar em um grande veículo de comunicação. Até os grandes capos caem”, publicou Dantas, que é agente do jogador do Corinthians, no dia seguinte à crítica de Rizek.

Nesta sexta-feira, assim como acontece na Turquia ou na Venezuela, o repórter Hugo Marques e o fotógrafo Cristiano Mariz, da revista Veja, foram detidos pela Polícia da Bahia quando tentavam localizar uma testemunha da ação policial que matou Adriano da Nóbrega, ex-capitão da PM próximo à família Bolsonaro. Eles foram abordados por policiais com armas em punho, revistados e conduzidos à delegacia, onde tiveram um gravador apreendido. Depois de prestar depoimento, acabaram liberados. A Secretaria da Segurança Pública informou que a prisão ocorreu após uma denúncia de moradores locais, que estranharam o carro ocupado pelos repórteres. No desfecho da ocorrência, o gravador foi devolvido.

Casos de homicídio de jornalistas com a Abraji

Entre os casos atualmente investigados pelo programa da Abraji está o de Jefferson Pureza, radialista assassinado no começo de 2018 em Edealina, sul de Goiás. No fim do ano passado, Leandro Cintra da Silva, dono de um lava jato na cidade, foi condenado a 14 anos de prisão pelo crime. Porém, o vereador José Eduardo Alves da Silva (PR) e o amigo Marcelo Rodrigues Santos, acusados de arquitetar o homicídio, acabaram absolvidos. O Ministério Público de Goiás recorre da decisão.

O julgamento relativamente rápido pela morte de Pureza foge às regras de crimes semelhantes contra jornalistas. Em 2012, também em Goiás, o comentarista esportivo Valério Luiz de Oliveira, de 49 anos, foi atingido à queima-roupa quando deixava a Rádio Jornal 820, região sul de Goiânia. Em um programa de TV, onde o jornalista também atuava, Valério criticou a diretoria do Atlético Goianiense e afirmou que “quando o barco está enchendo de água, os ratos são os primeiros a pular fora”. De acordo com a investigação policial, as recorrentes críticas do comunicador à cúpula atleticana teriam motivado o homicídio.

Indiciado como mandante da execução, o cartola Maurício Sampaio chegou a ficar detido por 94 dias, mas aguarda em liberdade o julgamento. O processo não impediu que vencesse uma eleição a presidente no Atlético. Após dezenas de recursos na Justiça, seu júri popular e de outros quatro acusados de participação no crime só foi marcado na última quarta-feira, para junho, oito anos depois do assassinato. “Meu pai era um jornalista de posições fortes, que morreu por confrontar dirigentes de futebol poderosos. O julgamento ocorrerá a despeito das resistências institucionais de anos e anos”, afirma Valério Luiz Filho. A defesa de Sampaio informa que ele diz ser inocente e rechaça ter ordenado a execução. [Transcrevi trechos]

12
Fev20

Nova onda de ataques à jornalista Patricia Campos Mello é "abominável", diz CIDH

Talis Andrade

Créditos da imagem: Cartunista Gilma

Ocorrido nesta terça (11), o depoimento à CPMI das Fake News de Hans River do Rio Nascimento, ex-funcionário da agência de disparos de mensagens em massa Yacows, causou uma nova onda de ataques à jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de São Paulo.

Nascimento trabalhou para a Yacows durante a campanha eleitoral de 2018. Em dezembro daquele ano, reportagem da Folha indicou que diferentes empresas, incluindo a Yacows, fizeram uso fraudulento de nome e CPF de idosos para disparar mensagens em massa para políticos via WhatsApp.

Durante a apuração, Patricia falou várias vezes com Nascimento. No começo, ele disse que não sabia quais campanhas se valeram da fraude, mas mostrou-se solícito e respondeu às perguntas da repórter.

Porém, alguns dias depois de a Folha procurar a Yacows para solicitar esclarecimentos sobre o caso, Nascimento pediu que a repórter retirasse da matéria tudo o que havia falado.

Convocado pelo deputado Rui Falcão (PT-SP), o depoente sugeriu à CPMI das Fake News que a jornalista estava disposta a fazer sexo com ele em troca de informações para a reportagem.

"Quando eu cheguei na Folha de S.Paulo, quando ela [repórter] escutou a negativa, o distrato que eu dei e deixei claro que não fazia parte do meu interesse, a pessoa querer um determinado tipo de matéria a troco de sexo, que não era a minha intenção, que a minha intenção era ser ouvido a respeito do meu livro, entendeu?", disse Nascimento no Congresso.

A CPMI é formada por deputados e senadores e investiga a disseminação de notícias falsas na eleição de 2018.

''ABOMINÁVEL ATAQUE" DO DEPUTADO

EDUARDO BOLSONARO

Nas redes sociais e no Congresso, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) usou a fala de Hans para atacar a repórter da Folha, incitando seus apoiadores (reais e robôs) a fazer o mesmo.

"Eu não duvido que a senhora Patrícia Campos Mello, jornalista da Folha, possa ter se insinuado sexualmente, como disse o senhor Hans, em troca de informações para tentar prejudicar a campanha do presidente Jair Bolsonaro. Ou seja, é o que a Dilma Rousseff falava: fazer o diabo pelo poder", disse Eduardo.

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) emitiu nota repudiando as declarações do deputado, que repercutiram para "milhões de seguidores alegações difamatórias".

"É assustador que um agente público use seu canal de comunicação para atacar jornalistas cujas reportagens trazem informações que o desagradam, sobretudo apelando ao machismo e à misoginia. Além disso, esta é mais uma ocasião em que integrantes da família Bolsonaro, em lugar de oferecer explicações à sociedade, tentam desacreditar o trabalho da imprensa", frisou a entidade.

 

Edison Lanza, relator especial para liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), condenou "abominável" ataque de Eduardo Bolsonaro a Patricia Campos Mello

 

Edison Lanza, relator especial para liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), também repudiou o posicionamento de Eduardo Bolsonaro no caso.

"Condeno a abominável desqualificação do deputado @BolsonaroSP à jornalista
@camposmello com base em estereótipos de gênero, para minar sua excelente investigação sobre injeção de "notícias falsas" na campanha #Brasil. Não reproduzirei o ataque", tuitou Lanza.

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