Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

01
Jun20

Um homem "abençoado, ungido por Deus"

Talis Andrade

paz-na-terra.jpg

 

 

IV - Bolsonaro é Moloque, o deus que exigia o sacrifício de vidas

A minha advertência e exortação aos cristãos é dramática, pois sou cristão e ministro evangélico. Usarei uma metáfora que beira à realidade tangível: vocês estão seguindo cegamente um adorador do deus amonita, Moloque. O culto a esse deus exigia o sacrifício de vidas humanas, inclusive a prole de seus adoradores. O que fazia um ser humano atentar contra a vida de sua prole, de seus filhos, ao entregar um dos seus à morte como sacrifício a um deus ardendo em alta temperatura?

Em vários desses cultos pagãos, era comum a prática de orgias sexuais, regadas a bebidas com propriedades psicotrópicas e vinho. Na generalização em que Paulo e demais escritores do novo testamento tratam os praticantes desses rituais, o termo feitiçaria é o comumente utilizado. Um exemplo de cultos desse tipo era o culto ao deus Baco (ou Dionísio para os gregos), de onde surge o termo “bacanal” em alusão às práticas litúrgicas desses cultos.

Na carta aos Gálatas, por exemplo, Paulo (5:20) cita a feitiçaria como uma das obras da carne. A palavra traduzida como feitiçaria é farmakia, de onde vem a palavra farmácia. Essa palavra foi usada para identificar a feitiçaria em virtude dos fármacos usados nos rituais e dos remédios produzidos com a finalidade de uma cura mágica de doenças e outros males. Com o torpor produzido pelas intensas orgias, misturado ao efeito de substâncias psicotrópicas, é possível compreender um pouco a frieza que permitia a entrega de filhos em rituais assassinos.

Esse mesmo torpor eu identifico nos evangélicos ainda seguidores de Bolsonaro. Estão sob efeito de um fármaco que foi e que está circulando em suas almas chamado ódio. Ódio de partidos, políticos e governos anteriores. O ódio tem o mesmo efeito da paixão: ambos cegam. Esses cristãos estão tão evidentemente cegos que, no mínimo, se calam ante a estupidez assassina de um presidente que, contra todas as recomendações médicas do mundo, faz caminhadas nas ruas, entra em restaurantes, cumprimenta pessoas, sendo ele um possível foco proliferador do vírus em virtude de ter estado na companhia de vários outros infectados na comitiva que foi aos EUA. Aliás, essa ação é vista como uma ação de fé e coragem de um homem “abençoado por Deus” e “ungido por Deus”. Um homem que também pratica farmakia ao incentivar o uso de remédios, como a cloroquina, sem ter nenhuma competência científica para tal.

Por isso, faço um apelo aos meus irmãos que ainda estão sob esse torpor: permitam que a luz invada as densas trevas do ódio e se reconciliem agora com a vida, antes que a morte que agora nos atinge tenha efeitos trágicos sobre toda a sua fé na vida, em Deus e no próximo e antes que vocês sejam chamados de “terrivelmente evangélicos” por todo o mundo que vos olha.

 

29
Mai20

Bolsonaro fala em “desaparecimento” de ministros do STF. Seria Teori Zavascki um desaparecido político?

Talis Andrade

Teori Zavascki

Por Denise Assis

Jornalistas pela Democracia

 

Quinhentos dias de governo e estamos roçando no número de 500 mil infectados pelo coronavírus. É isto mesmo. São mil infectados para cada dia que o senhor Bolsonaro está sentado na cadeira da presidência. Sem avançar em um projeto em favor da sociedade, sem promover o prometido crescimento da economia, disseminando o ódio, a discórdia e governando com ameaças quase infantis, com o fito de nos paralisar.

São mais de 26 mil mortos e ele sentado sobre a tampa dos seus ataúdes, “negocia” com desembaraço e tranquilidade o seu destino em 2022.  “Nós trocamos algum cargo neste sentido, atendemos, sim, alguns partidos neste sentido, conversamos sobre eleições de 2022. Se eu estiver bem em 2022, há interesse de alguns parlamentares desses estados em ter o seu respectivo candidato a governo, se eu poderia (sic) entrar neste acordo em alguns estados do Brasil”, antevê, num português mastigado e maltratado.

Nem uma palavra sobre a pandemia, a não ser os seus “esperneios” por armar a população para abrir o comércio à bala, e fazer girar a economia “na porrada”, como é de seu feitio, para vergonha geral da Nação. Como sabemos, suas preocupações pessoais e familiares se sobrepõem às suas obrigações de governante. Na sua pauta, agora, o mais urgente é salvar a própria pele e a dos integrantes da “famiglia” e, para isto, não corou nem piscou, ao jogar no ar a seguinte fala, durante live feita ontem, ao lado de um “eufórico” presidente da Caixa Econômica federal, Pedro Guimarães – por que sorri tanto, esse economista?

“Se aparecer uma terceira vaga —espero que ninguém desapareça—, mas o Augusto Aras entra fortemente na terceira vaga”. A vaga em questão, é para o Supremo Tribunal Federal (STF), onde se sabe, elas não existem. Estão todas preenchidas. Tivesse ele o mínimo de educação, e saberia que não se deve tratar do tema até que elas estejam disponíveis. E isto só será possível em novembro, com a aposentadoria do ministro Celso de Mello, ou em julho do ano que vem, quando pelo mesmo motivo, deixa o cargo o ministro Marco Aurélio Mello.

Mas não se deve esperar tanto de alguém que troca o bom dia por um “porra”. O que se pode esperar dele, isto sim, é um profundo conhecimento sobre desaparecidos. Temos 434 mortos e desaparecidos políticos, que a turma do general Augusto Heleno – com quem ele muito se identifica -, saberia nos informar o paradeiro. Porém, não dizem, porque, neste caso eles deixariam de ser “desaparecidos”, e os seus amigos passariam a ser “criminosos”.

 

E quando Bolsonaro fala que espera, “ninguém desapareça”, difícil não lembrar de outra modalidade de expediente para abrir vagas no Supremo: a dos “acidentados”. Poderíamos recordar das indagações sobre o acidente do ex-ministro Teori Zavascki, que continuam sem resposta, desde que sofreu um “acidente”, em 19 de janeiro de 2017. Na ocasião, publiquei artigo no site “O Cafezinho”, onde fazia perguntas sobre a “queda” do seu avião, que até hoje são pertinentes, pois ficaram sem resposta:

– Por que será que ninguém estranhou o fato de a Marinha do Brasil, que em 1992, tinha condições de rastrear com sonares toda a costa fluminense, em busca do corpo do Dr. Ulysses, e enviou ao local aparelhagem sofisticadíssima, desta vez vem a público dizer que não é capaz de erguer do mar, a uma profundidade de quatro metros, uma aeronave de pequeno porte, em frangalhos, coisa que os próprios pescadores fizeram, antes de chegar socorro, conforme detalha André Barcinsky na Folha de São Paulo? Quais os impedimentos técnicos?

– Ninguém considera esquisito transferir para a empresa dona do avião, a responsabilidade de retirar da água uma aeronave que transportava uma alta personalidade pública, responsável por conclusões em torno de delações que implicariam a cúpula do governo?

– A Marinha do Brasil não conseguiria, ou estaria economizando recursos, conforme disse um constrangido oficial na TV, ou dentro do avião estariam aparelhos (lap top) e documentos que deveriam ser entregues apenas a quem de “direito”? Ou seja, à família do empresário, ou ao filho de Teori e a quem mais tivesse interesse naquela viagem.

– Por que os bombeiros não abriram a aeronave para resgatar a moça que apelava pela vida (todos vimos)? Era mais importante retirá-la viva ou preservar seco o ambiente interno do avião, para resguardar o que lá estivesse (um lap top) e pudesse ser retirado? (Até que um pescador solidário furou a fuselagem, alagando tudo, na sanha de passar oxigênio para a moça que apelava por socorro).

– Por que o senador José Medeiros (PSD) de Mato Grosso – a mesma cidade das mulheres que estavam no avião, e cujas identidades levaram uma eternidade para serem reveladas -, disse, às 10h58, em seu Face, que à noite, no JN, a população seria assombrada com uma “bomba” sobre o Supremo?

– Qual seria a agenda do senador José Medeiros no gabinete presidencial do Michel, por volta das 17h, justamente quando a notícia chegou ao gabinete do presidente, e que o fez clamar por Deus! Como reproduziram os jornais?

– Por que o hangar de onde partiu a aeronave tinha tão poucas informações a dar a respeito dos passageiros?

E, por fim, por que não estamos tratando disto como o fizemos com o caso do Riocentro, que pôs fim à ditadura de 21 anos que se abateu sobre o Brasil?

Depois da fala de Bolsonaro, de ontem, talvez fosse útil acrescentar aí mais uma pergunta: Seria Teori Zavascki mais um desaparecido político?

 

28
Mai20

Bolsonaro é Moloque, o deus que exigia o sacrifício de vidas

Talis Andrade

The statue on display at the Roman Colosseum is similar to this depiction of the pagan deity Moloch from the National Cinema Museum in Turin, Italy. | Wikimedia Commons/Jean-Pierre Dalbéra

 
13
Mar20

O juiz terrivelmente evangélico de Bolsonaro um cowboy marombeiro lavajatista

Talis Andrade

III - QUEM SÃO OS JUÍZES-CELEBRIDADE ESPALHAFATOSOS QUE MILITAM NA DIREITA 

 

por Nayara Felizardo, João Filho

 

Marcelo Bretas é outro expoente dos juízes-celebridade. É um magistrado marombeiro, que adora exibir seus músculos no Instagram com fotos tiradas em frente ao espelho. Lavajatista de carteirinha, o juiz blogueirinho se sentiu muito à vontade no figurino de herói e se mantém permanentemente sob os holofotes. Esse status foi conquistado porque Bretas descumpre o código de ética da magistratura e as recomendações do CNJ, que lhe ajudaram a conquistar essa aura de cowboy lavajatista implacável com a criminalidade.

Todas as suas manifestações públicas relacionadas à política estão alinhadas ao bolsonarismo. O juiz tem atuado escancaradamente como um militante bolsonarista de uma forma nada sutil. O juiz aceitou o convite de Flávio Bolsonaro para participar da posse do presidente. Naquela época, o filho mais velho de Bolsonaro já estava enrolado com milicianos e rachadinhas em seu gabinete, mas isso não constrangeu Bretas. A sintonia com Jair Bolsonaro e sua família é tanta que, quando o presidente o seguiu no Twitter, Bretas comemorou e se disse honrado.MP eleitoral vê Crivella e Bretas violando a lei por irem a evento gospel com Bolsonaro

bretas bolsonaro ponte .jpg

 

Quando Bolsonaro viajou ao Rio de Janeiro, o juiz usou o Instagram para lhe dar boas vindas e se juntou a ele no evento de inauguração da alça de ligação da Ponte Rio-Niterói com a Linha Vermelha, andando em carro oficial da presidência e aparecendo ao lado do presidente cantando um hino evangélico. Esse tipo de comportamento contraria uma resolução do CNJ que regula o uso das redes sociais de juízes. O texto aponta que juiz pode ter opinião política, mas veda manifestações públicas de simpatias político-partidárias ou “em apoio ou crítica a candidato, lideranças políticas ou partidos políticos”, a fim de preservar a imparcialidade.

Além dos holofotes, Marcelo Bretas também é guiado pela religião. Segundo ele, o principal livro da sua vara não é a Constituição, mas a bíblia. Ele tem o costume bizarro de citar versículos bíblicos em suas sentenças, como se vivêssemos sob um estado fundamentalista cristão. Para delírio da sua claque evangélica, o juiz já insinuou até mesmo que a teoria da separação dos poderes teria sido criada pelo profeta Isaías, e não por Montesquieu.

Bretas foi quem autorizou a prisão do ex-presidente Michel Temer, que aconteceu à margem da lei, já que o próprio juiz não apresentou na sentença absolutamente nenhum fato que justificasse a prisão preventiva. À época, Lava Jato e STF travavam uma guerra declarada, e Bretas aproveitou para mandar indiretas aos ministros, transformando a sentença em um ataque contra juízes da suprema corte. Ou seja, o juiz de primeira instância, além de autorizar a prisão de um ex-presidente da República de forma irregular, usou a sentença para provocar seus superiores.

Moro-e-Bretas-prendendo-Temer.jpg

 

Bretas não poupa julgamento de valor em suas decisões e costuma ser mais rigoroso com acusados famosos. Reportagem do site Conjur mostra que a dosimetria das penas que aplicadas por ele varia até 273%. O critério para condenar um acusado a mais anos de prisão depende do quão famoso ele é.

Para o juiz, o que ele considera como “ambição” dos réus é “desmedida”, “repugnante”, “reprovável” e deve ser considerado como um agravante para penas mais severas. Além de apresentar um texto sofrível, Bretas abusa dos adjetivos e das opiniões desnecessárias nas sentenças. Como todo bom juiz-celebridade, o palavreado adotado nas sentenças parece estar voltado para agradar a torcida.

Vejamos alguns exemplos de sentenças. Nessa, relativa à Operação Mascate, Bretas não consegue disfarçar o desprezo pelos réus:

“(…)de tudo que foi apurado nestes autos, a única conclusão possível é que os acusados SERGIO CABRAL e WILSON CARLOS há muitos anos sustentam uma vida de luxo e conforto com o fruto de vários acordos criminosos feitos com várias empresas (…)”

“São, igualmente, reprováveis os motivos que levaram o condenado a dedicar-se intensamente à atividade criminosa apurada nestes autos, considerando as grandes somas de dinheiro de origem espúria posto em circulação clandestinamente e por meio de centenas operações de branqueamento. Toda a atividade criminosa aqui tratada teve a finalidade de que Sergio Cabral, seus familiares e comparsas integrantes da organização criminosa desfrutassem de uma vida regalada e nababesca”.

“Os autos revelaram a ambição desmedida de Carlos Miranda, que era o mais importante homem na administração financeira dos milhões de reais de propinas recolhidas em favor da referida organização criminosa”.

“Os autos revelaram que Ary Filho possuía ambição desmedida em manter-se ao lado de pessoas detentoras de poder, tanto que participava intensamente das campanhas eleitorais de Sergio Cabral”.

Nesse mesmo julgamento, Bretas comenta o fato de Sérgio Cabral ter pedido a sua suspeição depois que o magistrado deu entrevista para o site Valor Econômico antecipando a decisão do julgamento. Foi o próprio magistrado que julgou se tinha agido errado e, claro, concluiu que não. “Em verdade, parece a defesa apegar-se a filigranas, talvez porque não existem argumentos concretos para a oposição da suspeição (…) Em verdade, fica a impressão de que a própria defesa do acusado/excipiente, antecipando-se a possível decisão desfavorável, equivocou-se em fazer uma leitura tendenciosa das declarações veiculadas na imprensa”.

Em outras sentenças, Bretas faz declarações dignas de um político populista que busca dialogar com o tal “sentimento social” de Barroso, sempre abusando de opiniões particulares como se fosse um tuiteiro qualquer:

“MIRANDA se dedicava à atividade criminosa com o fim de desfrutar de uma vida regalada e nababesca, o que vai muito além da mera busca pelo dinheiro fácil, elementar dos tipos dessa espécie”.

“nada mais repugnante do que a ambição desmedida de um agente público que, opta por aceitar vantagens ilícitas oferecidas por empresas”.

Grilo e Bretas têm tudo para seguir o mesmo caminho de Sergio Moro, que virou celebridade atuando politicamente na magistratura e, assim, pavimentou o caminho para se transformar num político popular de extrema direita.

O espírito jurídico dos nossos tempos é lavajatista: reacionário, punitivista e populista. É dentro desse cenário que está sendo forjada a figura do juiz-celebridade. Essa figura é, ao mesmo tempo, agente e produto da degradação gradual pela qual vem passando a democracia brasileira. Quando um juiz vira celebridade atropelando as regras, morre um pouco a democracia.

 

jejum Laerte.jpg

dallas jejum encorajamento .jpg

jejum Juiz-Marcelos-Bretas-com-Fuzil-Twitt-em-apoi

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub