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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

22
Jan21

Impeachment: grupos de direita e esquerda convocam carreatas pela saída de Bolsonaro

Talis Andrade

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  • por Mariana Schreiber /BBC News

     

  • Com o agravamento da crise do coronavírus e a dificuldade do governo federal de agilizar uma ampla campanha de vacinação, pela primeira vez movimentos de esquerda e direita convocaram carreatas neste fim de semana em diversas cidades do país com uma pauta em comum: pressionar o Congresso Nacional a iniciar um processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro.

    O formato de carreatas, que acaba excluindo grande parte da população que não é motorizada, foi escolhido para reduzir o risco de contágio da covid-19 durante os atos.

    Por enquanto, as manifestações serão separadas. Grupos como o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem Pra Rua — organizações que protagonizaram a mobilização pela derrubada da então presidente Dilma Rousseff em 2016 — chamaram atos pelo país na manhã de domingo (24/1).

    Já organizações de esquerda, como sindicatos e movimentos populares reunidos na Frente Povo Sem Medo, decidiram nesta semana convocar carreatas para sábado (23/1)

    m cidades como Belo horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro, essa mobilização da esquerda está convergindo com a convocação iniciada na semana passada por integrantes do movimento Acredito — grupo de renovação política que não se coloca como de direita ou esquerda, mas como uma organização progressista, e do qual fazem parte os deputados federais Tabata Amaral (PDT-SP) e Felipe Rigoni (PSB-ES) e o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE)

    Lucas Paulino, integrante do movimento Acredito em Belo Horizonte que iniciou essa mobilização pelo Twitter, contou à BBC News Brasil que foi feito contato com o MBL tentando unificar as manifestações no sábado, mas os grupos de direita preferiram manter sua programação original.

    Adelaide Oliveira, porta-voz do MBL, disse à reportagem que a recusa não foi por divergência ideológica, mas pelo fato de o movimento reunir em São Paulo muitas pessoas do setor de comércio que trabalham sábado e, por isso, preferem atos aos domingos. Já o Acredito e a Frente Povo Sem Medo não quiserem marcar no domingo por causa da segunda etapa do Enem, que ocorre em todo o Brasil a partir de 13h30.

    Para Oliveira, é possível que no futuro grupos com diferentes visões ideológicas compartilhem a rua contra Bolsonaro. "Eu consigo imaginar plenamente a avenida Paulista com várias pautas (visões ideológicas) e a esquerda no seu lugar, no seu papel ali, em torno da mesma pauta (de impeachment do Bolsonaro)", disse, ao ser questionada sobre essa possibilidade pela reportagem

    Conversando com lideranças dos diversos movimentos, a BBC News Brasil encontrou como motivação em comum na defesa da queda do presidente a indignação com a falta de uma ampla campanha de vacinação para imunizar a população contra o coronavírus, além do agravamento da crise com a escassez de oxigênio em Manaus e outras cidades do Norte do país para tratar pacientes com covid-19, o que já levou dezenas de pessoas a morrerem sufocadas.

    No entanto, a reportagem identificou também resistências à convergência de grupos que têm estado em campos opostos desde 2016.

    Por um lado, lideranças de esquerda querem atos com agendas mais amplas, que, além de pedir impeachment e vacinação, cobrem mudanças na política econômica liberal e a volta do auxílio emergencial, pautas rejeitadas pelos movimentos de direita, que defendem redução do rombo fiscal e do tamanho do Estado.

    Do outro lado, a convocação do Vem Pra Rua e do MBL se coloca como apartidária e pede que os manifestantes levem apenas a bandeira do Brasil, excluindo bandeiras de partidos ou movimentos sociais. Para a esquerda, esse tipo de postura "criminaliza a política" e alimentou a vitória de Bolsonaro em 2018

    Embora a tentativa de unificar os atos neste fim de semana não tenha obtido êxito, integrantes do Acredito esperam que a proposta "amadureça" após os atos de sábado, caso as carreatas "sejam um sucesso".

    Eles citam como inspiração o movimento Diretas Já, que no início dos anos 1980 uniu diferentes partidos e grupos políticos a favor do fim da ditadura militar e da volta da eleição direta para presidente. Em abril de 1984, um comício em São Paulo com a participação de Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, Leonel Brizolla e Ulysses Guimarães atraiu centenas de milhares de pessoas.

    "Propomos uma manifestação suprapartidária, que inclua todo mundo que é oposição a Bolsonaro, de forma plural, sem preconceitos, sem distinção ideológica. Eu acho que o ideal é que todo mundo esteja na mesma rua. A gente precisa construir maioria (em favor do impeachment), e a maioria não vai vir nem só da direita, nem só da esquerda", diz Lucas Paulino.

    "Gostaríamos de conseguir colocar na mesma mesa a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e o MBL para conversar e sair dali com um consenso pra impeachment", disse também Marco Martins, que está em contato com lideranças dos movimentos de esquerda e direita em São Paulo.

    A mobilização para sábado teve início com um tuíte de Paulino propondo a carreata em Belo Horizonte — a partir daí foram criados grupos no WhatsApp e o Telegram para organizar atos em diferentes cidades.

    A partir da unificação com a mobilização da Frente Povo Sem Medo, há atos previstos em ao menos 25 municípios das cinco regiões do Brasil, incluindo Brasília, Belém, Rio Branco, Porto Alegre, Curitiba e João Pessoa

    "Acho que é positivo que todos os setores se manifestem pelo impeachment nesse momento. Isso mostra a ampliação do desgaste do governo Bolsonaro. Diversos setores têm dito que, nesse momento, a luta pelo impeachment é uma luta para retomar a democracia no país e para retomar também condições sanitárias mínimas no combate à pandemia", afirma Josué Rocha, que integra a Frente Povo Sem Medo e é da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto.

    "Esse debate (sobre atos unificados com grupos de direita) ainda vai se desenrolar, naturalmente, mas existem pautas bastante diferentes, principalmente sobre direitos dos trabalhadores, que vão provavelmente dificultar essa ação mais unitária", ressaltou.

A secretária-geral da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Carmen Foro, tem posicionamento semelhante — ela não descartou uma convergência mais à frente, mas enfatizou a diferença de agendas políticas.

"Há uma janela importante aberta de pedido de saída do Bolsonaro, por vários setores, por interesses diferenciados, mas tem uma janela aberta. Vamos fazer no sábado e eles no domingo. Dessa vez não serão carreatas antagônicas, serão carreatas que acumulam para um projeto futuro", acrescentou.

Torcidas organizadas, que realizaram atos "em defesa da democracia" em junho, não estão convocando para as carreatas do fim de semana porque a maioria dos seus integrantes não têm carro, disse à BBC News Brasil Danilo Pássaro, integrante da Somos Democracia, grupo que reúne 14 torcidas organizadas.

Segundo ele, o grupo continuará realizado ações pontuais buscando dar "visibilidade" à campanha pelo impeachment, como o ato realizado no último domingo em São Paulo, em que uma faixa gigante "Fora Bolsonaro" foi levada para o Minhocão, no centro da cidade, gerando um panelaço na região. Na terça, a mesma faixa foi levada pelo movimento para Brasilândia, na zona norte paulistana.

Dentro da esquerda, há pedidos pelo impeachment desde 2019, enquanto o MBL entrou nesse coro em abril do ano passado. Já o Vem Pra Rua está pela primeira vez mobilizando seus seguidores pela retirada de Bolsonaro, motivado pela falta de uma ampla campanha de vacinação.

No domingo (17/01), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso emergencial de duas vacinas — a da Astrazeneca/Oxford e a Coronavac, desenvolvida pela chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, órgão do Estado de São Paulo.

No entanto, somente a vacinação com a Coronavac começou, ainda assim com apenas 6 milhões de vacinas, devido à dificuldade do Butantã e da Fiocruz (que produzirá a da Astrazeneca/Oxford) de conseguir importar insumos ou vacinas prontas da China e da Índia, problema que os críticos do governo atribuem à incompetência diplomática da administração Bolsonaro.

Além disso, o governo demorou a buscar outros fornecedores, como Pfizer, cuja vacina já está sendo usada em dezenas de países.

"Com todas as evidências que vieram à tona no manuseio da vacina, fica mais do que caracterizado o crime de responsabilidade de Bolsonaro de não zelar pela segurança e por direitos individuais do brasileiro. Isso começa a trazer de forma mais explícita quais são as consequências dos atos atuais de Bolsonaro: mais desemprego e mais mortes", disse Rogério Chequer, líder do Vem Pra Rua, que declarou voto em Bolsonaro no segundo turno da eleição de 2018.

"O que estamos observando em termos de cenário é que uma enorme parte da população que antes simplesmente não gostava de Bolsonaro hoje está revoltada com Bolsonaro. O que a gente vê hoje é um aumento no nível da revolta da população, do inconformismo. E esses componentes, quando começaram a aparecer no impeachment de Dilma, começou a aumentar a velocidade do processo", compara.

Ele também descartou, no momento, a realização de atos conjuntos entre esquerda e direita por serem " movimentos com premissas de governo completamente diferentes".

"Estamos num momento onde a gente precisa de mais união e menos polarização. Eu acho que dois movimentos que não têm a mesma convergência política podem estar defendendo a mesma coisa. Se vão estar fisicamente um ao lado do outro, isso eu acho que é menos importante", acredita.

Aliança com Centrão pode proteger Bolsonaro

á foram apresentados mais de 60 pedidos de impeachment contra Bolsonaro, a maioria deles após a crise do coronavírus. Um processo, porém, só pode ser iniciado pelo presidente da Câmara, e o atual, Rodrigo Maia, disse não ter levado a ideia adiante argumentando que o foco do Congresso deveria estar no enfrentamento da pandemia.

No início de fevereiro, a Câmara elege seu sucessor e os candidatos que aparecem com mais condições de vencer são os deputados Arthur Lira (PP-AL), que concorre com apoio de Bolsonaro, e Baleia Rossi (MDB-SP), que é apoiado por Maia e tem se colocado como independente do governo.

Grupos defensores do impeachment têm pressionado parlamentares também pelas redes sociais. A conta no Twitter @sosimpeachment está contabilizando a posição dos deputados e, até a manhã de quinta-feira (21/01), indicava haver 111 favoráveis ao afastamento de Bolsonaro, 58 contra e 344 sem posicionamento público.

A Câmara só autoriza o afastamento de um presidente para ser julgado pelo Senado quando há 342 votos pelo impeachment. Hoje, Bolsonaro parece ter uma base capaz de impedir esse cenário — após um início de governo com embates com o Parlamento, a partir de maio de 2020 o presidente passou a fortalecer sua aliança com partidos do Centrão, trocando apoio político por indicações para cargos na administração federal.

Na avaliação de Rogério Chequer porém, "o nível de fidelidade dele (Bolsonaro) e do Centrão é muito baixo", podendo essa aliança se romper a depender das circunstâncias políticas e da pressão popular contra o presidente.

Além da aliança política, o apoio que Bolsonaro mantém com parte da sociedade pode ser um empecilho para o andamento do impeachment. Sua popularidade atingiu seu auge em meados de 2020, puxada pelo programa de auxílio emergencial. Pesquisas de opinião mostram que a avaliação positiva vem caindo a partir do final do ano passado, mas ainda não estão em patamares tão baixos quanto a de Dilma Rousseff atingiu quando a petista foi derrubada.

Segundo pesquisa Ibope de dezembro, o governo Bolsonaro era avaliado como bom ou ótimo por 35% da população contra 40% três meses antes. Já pesquisa XP/Ipespe divulgada na terça-feira (19/01) mostrou que a avaliação de Bolsonaro como ótimo e bom caiu de 38% para 32%, enquanto o ruim e péssimo subiu de 35% para 40%.

Nos últimos dias, apoiadores de Bolsonaro reagiram à mobilização pelo impeachment com a hashtag #QueroBolsonaroAte2026, enquanto os apoiadores das carreatas usaram #dia23ImpeachmentJa e #CongressoPauteOImpeachment.

O que os movimentos esperam do vice Mourão?

Um eventual impeachment de Bolsonaro levaria o vice-presidente Hamilton Mourão, general da reserva do Exército, ao comando do país. Apesar do aumento da mobilização contra o atual presidente, não há uma empolgação com um governo do vice entre os movimentos ouvidos pela reportagem.

Para Carmen Foro, da CUT, o ideal após um eventual afastamento de Bolsonaro seria que o Congresso elegesse um novo presidente da República para concluir o mandato. No entanto, isso só aconteceria se a chapa Bolsonaro-Mourão fosse cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — existem ações que questionam a legitimidade da eleição dos dois em andamento na Corte, mas sem previsão de conclusão.

"Não acho que Mourão, que os militares, é a saída política para alguma coisa", diz Foro.

Na visão de Lucas Paulino, do Acredito, a aprovação do impeachment seria uma sinalização clara para Mourão "do padrão de conduta que não é tolerada para um presidente".

"Então, se as bases jurídicas e políticas forem o extremismo antidemocrático do Bolsonaro e seu negacionismo científico, o Mourão já assumiria com essa bagagem e teria que agir de modo diferente para que não corra o risco de sofrer o mesmo processo", afirma. "Mas temos que ver se ele vai romper com o presidente e apresentar uma agenda própria. O vice tem que se colocar para sucessão até para o êxito do impeachment no Congresso."

Já para Rogerio Chequer, do Vem Pra Rua, não é a "qualidade" do vice que deve influenciar o andamento ou não de um processo de impeachment.

"A gente acredita que temos que ajudar no amadurecimento da democracia tirando aqueles governantes que não estão trabalhando para o povo, independentemente de quem seja o vice", argumenta. "Não éramos a favor de Michel Temer (vice de Dilma), não estamos fazendo nenhum movimento pró-Mourão. O que estamos fazendo é tentar tirar do poder uma pessoa que é hoje uma ameaça para o povo brasileiro."

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14
Nov20

Fora Bolsonaro começa com as eleições de prefeito e vereador

Talis Andrade

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Por Brasil de Fato

Quem passou por pontos estratégicos da capital paranaense nesta quinta-feira (12), pôde observar mensagens progressistas nas paredes de edifícios. As projeções visuais foram feitas na Casa da Mulher Brasileira e na Rua 24 Horas, no centro da cidade e na Havan do Parolin (em frente à BR-476). Foram exibidas mensagens sobre violência contra a mulher e estupro, além de críticas ao governo atual. Na Havan, símbolo do capitalismo opressor que domina o país e a política hoje, além das mensagens exibidas no centro da capital, uma projeção colocou fogo (virtualmente) na estátua da liberdade que fica na fachada da loja. Veja aqui

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Ana Júlia Ribeiro, 20 anos, candidata a vereadora pelo PT em Curitiba, uma das organizadoras da ação comentou, “A ideia da ação é causar impacto na população e levantar bandeiras de protesto, mas de forma pacífica”, explica Ana, que ficou conhecida no cenário político por meio de seu discurso na Assembleia Legislativa do Paraná durante as ocupações estudantis de 2016. 

No início da campanha, Ana foi processada pelo candidato a prefeito da capital pelo partido de Bolsonaro, devido às projeções visuais de sua campanha que, entre outras mensagens, exibia a hashtag #FORABOLSONARO. “Não vou me calar diante de tantos absurdos, e a mensagem à população é que ela também precisa demonstrar sua insatisfação no domingo, nas urnas”, comentou Ana Júlia.Image

 

 

 

19
Abr20

Bolsonaro discursa em frente ao Quartel General do Exército na capital, para fanáticos que pedem uma intervenção militar

Talis Andrade

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Presidente volta a ignorar alertas das autoridades de saúde contra as aglomerações e se reúne com apoiadores que pedem a volta ao trabalho e reabertura do comércio, enquanto aumentam as mortes por covid-19

por Deutsche Welle 

O presidente Jair Bolsonaro discursou neste domingo (19/04) para um grupo de apoiadores em Brasília que participava de uma manifestação em defesa do governo. No ato, que ocorreu em frente ao Quartel General do Exército na capital, muitos defendiam uma intervenção militar no país e faziam fortes críticas ao Congresso Nacional.

Contrariando as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), que pede que as pessoas evitem aglomerações para deter a disseminação do novo coronavírus, os manifestantes se acumulavam em torno de Bolsonaro, que subiu em uma picape para discursar.

"Eu estou aqui porque acredito em vocês. Vocês estão aqui porque acreditam no Brasil. Nós não queremos negociar nada. Nós queremos é ação pelo Brasil", disse Bolsonaro. "O que tinha de velho ficou para traz. Nós temos um novo Brasil pela frente. Todos, sem exceção, têm que ser patriotas e acreditar e fazer a sua parte para que nós possamos colocar o Brasil no lugar de destaque que ele merece. Acabou a época da patifaria. É agora o povo no poder."

"Todos no Brasil tem que entender que estão submissos à vontade do povo brasileiro. Tenho certeza, todos nós juramos um dia dar a vida pela pátria. E vamos fazer o que for possível para mudar o destino do Brasil. Chega da velha política", disse o presidente.

Neste domingo, protestos semelhantes ocorrem em outras cidades pelo país, como São Paulo, Curitiba, Salvador e Manaus. Os manifestantes pedem a reabertura do comércio e a volta ao trabalho, enquanto aumentam o número de mortes e de pessoas infectadas por covid-19 em todo o país. Alguns governos estaduais impuseram medidas de quarentena e isolamento.

Bolsonaro, entretanto, vem questionando a eficácia dessas medidas, adotadas também em diversos países ao redor do mundo, e minimiza a gravidade da doença. O presidente vem realizando passeios e aparições públicas, causando aglomerações em torno de sua figura e até mesmo apertando as mãos de seus apoiadores, o que os especialistas em saúde também pedem que seja evitado. 

Neste sábado, ele voltou a criticar os governadores estaduais e o Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que os estados da federação têm autonomia para ordenar o fechamento do comércio.

Números divulgados pelo Ministério da Saúde neste domingo elevaram o total de mortes pelo novo coronavírus no Brasil para 2.462, com 115 óbitos registrados nas últimas 24 horas. Nos sete dias que antecederam a divulgação desses dados, o aumento no número de mortes foi de 101 % (1.239 óbitos).

Estudos divulgados por diferentes instituições acadêmicas e universidades brasileiras nesta semana alertaram que o número de óbitos e de pessoas infectadas em todo o país pode ser até 15 vezes maior do que o anunciado pelas autoridades.

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10
Abr20

Estado “suicidário” caminha “em direção à catástrofe”

Talis Andrade

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III - “Bolsonaro se acha capaz de esconder os corpos”

Marina Amaral entrevista Vladimir Safatle

Agência Pública

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Trump mudou de atitude nesta semana depois de confrontado com a gravidade e a abrangência da epidemia nos EUA. Por que Bolsonaro continua se comportando de maneira cega e destrutiva? Por que é tão difícil para ele deixar de lado a luta ideológica e assumir a responsabilidade de combater a doença e amparar a população com políticas sociais emergenciais?

São pessoas que vem de horizontes completamente distintos, né? Trump é um empresário, uma pessoa de marketing, e ele sabe que não pode esconder os corpos. Não é esse o histórico da gestão de guerras nos Estados Unidos. E ele tem uma eleição em novembro então sabe que tem que fazer alguma coisa.

O Bolsonaro vem dos porões da ditadura militar. Ele está ligado a setores de tortura, ele está ligado a milícias, ele está ligado a um poder paralelo. Ele é um ditador fascista, não tem outro nome, vindo dos setores mais baixos do Exército. Ele vem dessa formação, traz essa lógica de que é possível usar uma estrutura pra descredenciar e desqualificar informações. Ele não tem interesse em governar nada, ele nunca quis governar o Brasil, ele já fala que o Brasil é ingovernável… A questão dele é fazer um processo de mobilização contínua então ele faz esse cálculo: o que eu faço pra mobilizar? Mesmo que isso crie pilhas de corpos. Pra ele isso não faz a menor diferença. Pra uma pessoa que disse que deveriam ter matado 30 mil pessoas na ditadura, que mataram pouco, isso aí tanto faz, se são 40 mil, 50 mil. Lembra qual foi a reação dele quando rompeu a barragem de Brumadinho? Qualquer estudante de semiótica percebe isso claramente. A reação inicial dele foi: ‘não é responsabilidade do governo’. Ponto. Não foi uma reação nem de ter aquela hipocrisia clássica da classe política, de se mostrar sensibilizado com as mortes, de chorar com os parentes dos mortos, nem isso.

Imaginar que uma pessoa como essa vai entender o que significa uma pandemia é um absurdo completo.

 

Li um artigo do senhor publicado no jornal GGN em que o senhor diz: “O fascismo brasileiro e seu nome próprio, Bolsonaro, encontraram enfim uma catástrofe para chamar de sua.” Como uma pandemia, uma situação de crise, pode favorecer um governante? O que há de positivo pra ele nisso?

Primeiro, a possibilidade de mobilização contínua de seus apoiadores; segundo, essa é uma tese que vem de alguns teóricos do fascismo, como a Hanna Arendt, o Adorno, de que existe um desejo de catástrofe no fascismo. Porque não é um governo, é um movimento contínuo. Por exemplo, uma guerra fascista não é uma guerra de conquista, é uma guerra feita pela guerra, que não pode parar em hipótese alguma; do ponto de vista da lógica da conquista, é uma guerra irracional porque é uma mobilização da população pela guerra, não uma guerra como forma de alcançar algo. Então, você prende uma parte da população numa dinâmica onde esse movimento pode se voltar até contra as pessoas, ir no sentido da autodestruição. A Hannah Arendt tem uma colocação interessante, quando ela fala que nem mesmo quando o movimento nazista ia contra os seus apoiadores, esses apoiadores paravam de apoiá-lo.

 

Como acontece agora quando as pessoas sabendo que estão correndo risco…

Isso, isso. Tem uma lógica de certeza delirante. Qualquer pessoa normalmente pensaria: ‘ok, essa pandemia é uma coisa que ninguém nunca viu’, então há uma incerteza a respeito dela. O que significa governar a partir da incerteza? Desde os gregos a gente sabe que numa situação de incerteza, a virtude que se espera é a prudência. E o que é a prudência? ‘Bem, eu não sei se o pior cenário vai se realizar, mas se isso acontecer, não tem volta’. As pessoas mortas não vão ressuscitar. Se o melhor cenário se realiza, posso travar a economia por um tempo, mas ela se recupera. Então, por prudência, você trabalha com o pior cenário. Isso é uma virtude de governo, quando você quer governar mesmo, você reconhece a incerteza de estar diante de um acontecimento difícil de ser previsto e desenvolve toda a sua estrutura para evitar o pior cenário. E o Bolsonaro faz exatamente o inverso. Ele usa um tipo de certeza arrogante delirante, e diz: ‘eu sei’, mas ninguém sabe o que vem. A gente tem as projeções, que são projeções, podem se realizar ou não. A ciência tem essa característica, a ciência é o domínio da incerteza, não é o da segurança. Então a única coisa racional a se fazer, como governante, é trabalhar com o pior cenário. E quando o sujeito faz o que ele faz, o que demonstra? Demonstra que conseguiu colocar uma parte da população em uma lógica de auto-imolação, de auto-sacrifício. Em uma lógica sacrificial, ‘eu vou ter coragem e vou lá trabalhar ser submetido às piores condições do mundo’, como se isso fosse alguma expressão de coragem enquanto é pura idiotice. Voltando aos gregos, eles sabiam fazer a distinção entre a coragem e a temeridade. Coragem é uma virtude mas o excesso de coragem é simples estupidez. É se colocar em uma condição onde com certeza você vai sofrer as piores consequências.

Por isso que eu digo: é uma lógica suicidária, e isso é um dado novo. Não adianta falar ‘isso aí está bem descrito, na situação do estado burguês’ ou coisa parecida. Isso não é verdade. Isso é um dado novo que aparece raramente. A gente tem uma estrutura necropolítica, que é uma gestão das mortes que vem de uma sociedade escravagista, onde uma parte dos sujeitos são considerados coisas, não pessoas, então, se eles morrem, não tem luto, não tem dor, não tem nada. Isso sempre esteve presente na sociedade brasileira, dependendo de quem morre é um número, não é uma pessoa, não é uma história. Só que agora tem um dado diferente: o Estado, ele generaliza esse processo. E ele cria uma situação em que ele também vai em direção a uma catástrofe. O Estado brasileiro está indo em direção a uma catástrofe. O que vai acontecer se isso realmente se realiza? A pessoa vai pro trabalho e não sabe se vai voltar viva.

 

E o senhor acha que, mesmo assim, se não houver um movimento forte pelo impeachment, o governo Bolsonaro pode sobreviver à pandemia? Ou até se fortalecer?

Uma parte da população que entra nessa lógica, ela não sai. Não tem como sair. Esse setor que chegou com ele até esse ponto, não vai abandoná-lo. Ele vai morrer com ele, mas não vai abandoná-lo. Não é à toa que vários desses estudiosos, quando eles falavam do fascismo, eles tendiam a caracterizá-lo como uma lógica paranóica. E isso não era uma metáfora, a analogia era frutífera porque você tinha essa mobilização desse delírio de grandeza, perseguição, e você tinha essa certeza delirante que é impossível de ser modificada pela experiência. Não tem nada na experiência que possa abalá-la. Tem que entender isso de uma vez. Com esse setor não tem nenhuma possibilidade de diálogo. Qualquer tentativa de criar diálogo é um suicídio pro resto. E não tem uma estrutura de mobilização do resto, é isso que é necessário. Que é a maioria. Nós somos a verdadeira maioria. A gente não consegue nem assumir isso.

 

E o senhor acha que essa maioria é capaz de se mobilizar mesmo sem uma liderança partidária?

É, ela vai ter que aprender a fazer isso porque agora é uma questão de vida ou morte. E, diga-se de passagem, isso seria salutar porque as estruturas partidárias brasileiras não se mostraram à altura dos desafios do país. E não é só hoje. Então, que um tipo de estrutura horizontal apareça, é absolutamente fundamental. Tudo isso que está acontecendo agora, por exemplo, eu estou numa região onde tem panelaço há dez, onze dias, tudo absolutamente espontâneo e não tem uma organização por trás. Isso demonstra muito claramente que tem uma sociedade em resistência contra o governo, sem que ninguém consiga vocalizar isso. Talvez não se tenha consciência do nível do drama que o país se colocou. Hoje os únicos países que têm esse tipo de situação são Brasil, Bielorrússia e Turcomenistão. Olha onde a gente foi parar!

 

Fazendo uma pergunta mais geral, além do Brasil, a gente tem visto que famílias do mundo todo não estão podendo se despedir de seus mortos, sequer fazer as cerimônias fúnebres. Como filósofo, que peso simbólico o senhor acredita que isso tem para a sociedade?

Uma sociedade se define a partir da maneira com a que ela lida com os seus mortos. Esse é o verdadeiro fundamento da vida social. Os gregos sabem desde Antígona. A sociedade que expulsa o ritual de memória, dos seus mortos, ela não consegue mais sobreviver. Independente de quem sejam os mortos. O que funda a universalidade é o direito de memória; todos têm direito de memória. E você criar essa situação, de ser obrigado a enterrar sem ritual, sem presença, sem nada, isso vai trazer um trauma social enorme. A gente vai sentir o que isso significa. O que minora essa situação é você saber que essa supressão não é em vão, que você faz isso por solidariedade social. Você não quer se infectar, mas você não quer infectar outros. Agora nos países em que você não tem nem isso, os infectados são losers, é quase isso. Mas como assim você morreu disso? É uma gripezinha!

 

É, a gente fez uma reportagem sobre o linchamento virtual dos que têm a Covid-19 e até a casa de uma pessoa que foi apedrejada…

São comportamento medievais que são potencializados por construção do governo. Claro, toda sociedade tem sua dinâmica regressiva. Se você tivesse o discurso que temos aqui na Noruega, teríamos comportamentos parecidos. Porque você libera a dimensão regressiva da sociedade. Legitima essa dimensão. Por isso que eu digo: é impossível gerir esse processo com esse governo.

 

O senhor acredita que um mundo diferente vai emergir da pandemia?

Sim, a única questão é qual. Existem vários cenários e é difícil saber para onde a coisa vai. Por exemplo, você tem um cenário possível, que é o fortalecimento da extrema direita e do fascismo. Mais em um modelo europeu, onde a extrema direita é antiliberal do ponto de vista da economia; não é uma extrema direita ultraliberal como no Brasil. Então lá pode haver um fortalecimento do Estado de proteção social, que deve circular cada vez mais, e a extrema direita pode juntar a isso o fortalecimento das fronteiras e das nacionalidades. Então, isso pode dar força pra extrema direita.

Outro cenário: o modelo neoliberal anglo-saxão, esse da Thatcher, do Reagan, da escola de Chicago, esse que é implementado no Brasil, vai entrar em colapso. Isso é claro porque ele já está em colapso; isso demonstra como uma pandemia como essa reconstitui a noção de governo. Porque ela não vai ser a última, vão ter várias outras, isso é só a primeira. Então você vai precisar de estruturas de governo para dar conta desses processos. E essas estruturas exigem um tipo de coesão social e intervenção estatal que o neoliberalismo no modelo de Chicago é incapaz de lidar. Só que aí vem uma outra coisa, porque o neoliberalismo tem três espaços de aplicação inicial: um, Estados Unidos, Inglaterra, no modelo Thatcher/Reagan; outro, o Chile de Pinochet, mas também o modelo alemão, dos liberais do final da 2a Guerra, que criaram a economia social de mercado. E essa ficou, e funcionou. Tanto que a Alemanha, de todos os países europeus, foi quem melhor conseguiu lidar com a situação; o índice de mortes é extremamente baixo. Então é possível que o modelo alemão – que vem lá dos anos 1930 e conjuga neoliberalismo e dinâmicas de intervenção e proteção – ganhe força. E isso pode ocorrer no Brasil, uma parte da direita vai deslocando pra esse modelo alemão, Armínio Fraga, esse pessoal, eles querem fazer um pouco isso. Esse é o segundo cenário.

E você tem um terceiro cenário que é de fato o Brasil entrar em uma dinâmica de transformação efetiva, levando em conta a incapacidade completa do governo. E aí você sensibiliza mais as pessoas pro processo de desigualdade, de injustiça social, e aí um processo de esquerda pode ganhar força. Mas, nesse cenário brasileiro é possível também que em uma situação como essa a gente tenha um golpe, a decretação de um estado de sítio. É difícil saber, se isso acontecer, quanto vai durar, como vai ser, mas é um cenário que está na mesa também.

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18
Mar20

Vozes na janela hoje 20h30

Talis Andrade

#ForaBolsonaros 

EU QUERO SABER... se quantas pessoas que estavam com o Bozo no episódio do #CoronaDay estão com sintomas.. isso precisa ser perguntado... #ForaBolsonaros
 
 
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É hoje pessoal, mas começou ontem. E vai continuar hoje. Bolsonaro Acabou, chega dessa mentira, agora será até cair. Tudo o quê disseram na campanha deu errada, fizeram muita coisa errada, por isso a economia está naufragando. #VozesNaJanela #ForaBolsonaros
 
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12:00 PM · Mar 18, 2020Twitter for Android
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18
Mar20

Movimentos convocam mobilização nas redes e ‘barulhaço’ nesta quarta às 20h30

Talis Andrade

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Ação vai marcar a data que inicialmente previa protestos no país, cancelados por causa da crise com o coronavírus. Greves também serão realizadas

18
Mar20

São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife e Distrito Federal registram panelaço contra Bolsonaro

Talis Andrade

Por G1 — São Paulo

As cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Belo Horizonte e Recife registraram panelaços na noite desta terça-feira (17) contra o presidente Jair Bolsonaro. Além de bater panelas, as pessoas gritavam "fora, Bolsonaro".

Os protestos ocorreram depois de Bolsonaro falar, mais de uma vez, em "histeria" em relação ao novo coronavírus e dizer que ações de governadores sobre isolamento prejudicam a economia. À noite, o governo anunciou que pedirá ao Congresso para reconhecer estado de calamidade pública em razão da pandemia.

No domingo (15), o presidente descumpriu monitoramento por coronavírus, participou de um ato a favor do governo e cumprimentou apoiadores no Distrito Federal. Nesta terça, Bolsonaro disse que o segundo teste para o coronavírus deu negativo.

Segundo o último balanço do Ministério da Saúde, há 291 casos confirmados de coronavírus, mais de 8 mil suspeitos e uma morte.

 
Panelaço contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é realizado no bairro de Santa Cecília, no centro de São Paulo — Foto: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO CONTEÚDOPanelaço contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é realizado no bairro de Santa Cecília, no centro de São Paulo — Foto: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO CONTEÚDO

Panelaço contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é realizado no bairro de Santa Cecília, no centro de São Paulo — Foto: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO CONTEÚDO

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18
Mar20

Haitiano enquadra Bolsonaro e inicia ‘impeachment simbólico’

Talis Andrade

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por Milton Alves

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) levou uma invertida histórica nesta segunda-feira (16) em frente ao Palácio do Alvorada, em Brasília. O corajoso e inusitado gesto de um haitiano iniciou uma espécie de “impeachment simbólico e moral” de Bolsonaro da presidência.

Bolsonaro estava em frente à residêncial oficial, local em que costuma receber afagos de fanáticos apoiadores e xingar a imprensa, quando um haitiano criticou em bom português a participação dele no ato pelo fechamento do Congresso Nacional e do STF no domingo (15), rompendo os protocolos de quarentena obrigatórios para os suspeitos de contaminação por coronavírus.

Bolsonaro fingiu não entender o que falava o haitiano com a mais absoluta clareza: “Bolsonaro acabou. Não é presidente mais”, afirmou ele, diante de um Bolsonaro desconcertado e com pose de paisagem.

Segundo o jornal O Estado de São Paulo, Bolsonaro teve contato com ao menos 272 pessoas no domingo. Apertou mãos, agitou a bandeira brasileira e fez selfies com celulares de apoiadores – situações que facilitam a propagação do Covid-19. E 14 membros de sua comitiva presidencial, que foi para Miami na semana passada, já estão infectados por coronavírus.

O vídeo com as cenas do inesperado diálogo viralizou nas redes sociais desde a noite de segunda-feira. Além disso, a hashtag #Bolsonaroacabou amanheceu nesta terça nos trending topics do Twitter (assista abaixo).

Desdobramentos políticos:

1. Bolsonaro começa a viver o primeiro círculo do isolamento político: o das forças políticas, dos líderes de bancadas e de partidos. O impeachment de Dilma começou a ganhar força institucional a partir desse círculo inicial.

2. Bolsonaro ainda tem uma razoável base de apoio social (entre 15 a 20% sólidos, firmes), mas começa a perder apoios em franjas importantes da sociedade, que antes estavam agrupadas em torno dele como um instrumento para o enfrentamento da esquerda, em particular do petismo.

3. Os próximos três meses serão decisivos para determinar o futuro do governo Bolsonaro. Tudo vai depender do resultado da economia, que caminha para uma brutal recessão e aponta para a falência da agenda neoliberal de reformas de Paulo Guedes. A hora é de mais Estado durante a crise econômica e sanitária: Dos Estados Unidos aos países da União Europeia as medidas adotadas, cada vez mais, são de caráter estatizante para tentar segurar o repuxo da crise econômica mundial.

4. Coronavírus: A depender do grau de expansão da pandemia no país, do número de vítimas, e das medidas de contenção adotadas pelo governo, que até aqui foram débeis, apesar do esforço do ministro da Saúde, a doença pode ser tornar um fator de alta combustão social e política -, contribuindo para a desestabilização do governo Bolsonaro.

5. As opções do establishment. Ainda em fase de especulações iniciais, exploratórias: a) Impeachment de Bolsonaro e a entronização de Hamilton Mourão; b) “Parlamentarismo branco” com o Triunvirato Neoliberal – Maia, Alcolumbre e STF – para seguir a agenda de Paulo Guedes sem Bolsonaro; c) Fechamento do regime (autogolpe) – governo de tipo bonapartista de Bolsonaro em aliança com os generais.

6. Saída democrática da crise, com a falência do governo Bolsonaro: Esquerda dividida e ainda sem iniciativa política de monta. Pode ser capturada na teia do establishment e optar por alianças com setores dominantes tipo governadores ou ser tragada pela força do Triunvirato Neoliberal (defesa das instituições). Sem povo na rua, organizado e mobilizado, a esquerda será abduzida por alguma saída por cima, costurada pelo establishment.

De todo modo, a experiência histórica indica que, em momentos de aguda crise social e humanitária, a política opera em circuitos de choques inesperados, fortuitos, e até disruptivos.

@mariamaria@mariamariahmari
 

Precisou um haitiano com coragem dizer esta VERDADE na cara do BOZO: "Você não é presidente mais."Queria ver essa coragem nos brasileiros!🥴😂😂👏🏼👏🏼

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18
Mar20

Panelas mostram esgotamento de Bolsonaro

Talis Andrade

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por Paulo Moreira Leite

A perspectiva é que a manifestação de ontem  sirva de estimulo para um protesto ainda maior na noite de hoje. 

Mais do que um descontentamento previsível num país estagnado economicamente, o panelaço registra o deslocamento da parcela de uma classe social que funciona como pêndulo político do país.

Recordando grandes fatos. Se a capacidade de mobilizar a classe média foi um elemento importante para o golpe cívico-militar  de 64, a campanha pelas diretas-já, vinte anos mais tarde,  seria impensável sem uma virada política ocorrida na luta contra a ditadura.

Entre 2002 e 2014, as quatro vitórias eleitorais sucessivas do Partido dos Trabalhadores foram obra do imenso apoio popular aos projetos Lula-Dilma. Não teriam ocorrido, contudo, sem um forte apoio nos setores médios da sociedade. 

A ascensão de Jair Bolsonaro mostrou uma situação política inversa.

Conforme o Ibope, no segundo turno de 2018 Fernando Haddad cravou  uma vantagem de 52% a 36%, junto ao numeroso contingente de  brasileiros da menor faixa de renda -- até 1 salário mínimo -- enquanto o desempenho de Bolsonaro ganhava fôlego maior na medida em que a fatia de renda se elevava. 

Em dezembro, quando Bolsonaro já estava em minoria no país, por 36% a 30%, um levantamento do Data Folha mostrava um quadro inverso.

Entre os mais pobres, a diferença era radical: 43% reprovavam seu governo, contra 22 a favor. Na faixa de 2 a 5 salários, que deu uma vantagem de 57% a 30% para Bolsonaro um ano antes, a diferença se aproximava da margem de erro, 35% positivos contra 31% negativos.

As panelas voltam a se manifestar, em março de 2020, numa resposta a desilusões sucessivas que costumam criar  desgastes irreversíveis.  

Inaceitável, num país democrático, a presença festiva de Bolsonaro no circo de extrema-direita, no domingo, foi a demonstração vergonhosa de quem não respeita a Constituição nem se encontra a altura do cargo.

Em meio a fracassos que já colocam a  luta interna num patamar selvagem, como se vê nas disputas em torno da condução da luta contra o coronavírus, Bolsonaro tornou-se tecnicamente  incapaz de governar um país com 210 milhões de habitantes, uma das dez maiores economias do mundo, num dos momentos mais difíceis de sua história.

Seria preciso dar respostas eficazes e rápidas a epidemia do Covid-19, que ameaça produzir uma das grandes tragédias dos últimos 500 anos. Para imaginar a dificuldade a ser enfrentada, basta acompanhar a luta difícil mesmo  nos países desenvolvido  e recordar o desfalque de 21 bilhões nos cofres da saúde pública brasileira entre 2018, 2019 e 2020.

Também é urgente recuperar o emprego,  sucateado por uma paralisia prolongada da economia. Alguém enxerga Paulo Guedes fazendo isso?

As panelas começam a bater quando ninguém mais acredita que um presidente será capaz de resolver os problemas que interessam o país. Expressam o inconformismo de quem foi atingido no plano moral, sentido-se uma gente que se sente lesado e enganado. Bolsonaro passou deste limite.

Alguma dúvida?

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17
Mar20

#Você não é presidente mais

Talis Andrade

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 Ministro da Saúde,  Luiz Henrique Mandetta, única liderança com racionalidade na cúpula do governo na crise do coronavírus, começa a ser alvo de Bolsonaro. Com isso, o risco para o país aumenta dramaticamente. Bolsonaro está expondo o Brasil a um risco como nenhum outro país, e uma eventual demissão de Mandetta pode gerar uma crise de gravíssimas proporções, alertou o portal 247. 

Apesar de fazer um trabalho de combate ao avanço do novo coronavírus, Mandetta entrou em rota de coalizão com o ex-capitão ainda no início da crise, quando determinou a proibição da saída de navios de cruzeiros até que o país consiga superar a emergência sanitária. 

Na hora de fortalecer Mandetta, Bolsonaro bota uma corona num general para ele reinar nestes tempos de morte. De trevas. De coronavírus. 

Após dizer que a pandemia do coronavírus é “fantasia propagada pela mídia”, Jair Bolsonaro agora escolheu ministro-chefe da Casa Civil, general Walter Braga Netto, empossado em fevereiro, com o objetivo de coordenar um comitê para supervisão e monitoramento da crise provocada pela doença no País. É o que aponta um decreto publicado em edição extra do Diário Oficial da União nesta segunda-feira (16). O general deve ter estudado virologia no Haiti. 

Braga é ex-interventor de Temer no Rio de Janeiro, e pediu 6,5 bilhões para comandar tropas apenas nas favelas sem as intocáveis milícias. 

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As secretarias estaduais de saúde divulgaram, até as 9h30 desta terça-feira (17), que já foram confirmados 301 casos de coronavírus, em 16 estados e no Distrito Federal. Em São Paulo foi registrada a primeira morte do coronavírus.

Bolsonaro abdica dos deveres presidenciais. De principal articulador das vontades da população. De indicar as providências a serem tomadas para o bem do povo em geral. 

Um haitiano que participou hoje da roda de rua de Bolsonaro, disse pro capitão:

"Bolsonaro, acabou. Você não é presidente mais"

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