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16
Ago23

SP: As narrativas do capitão Derrite o matador

Talis Andrade
Tarcísio de Freitas e o secretário de Segurança Guilherme Derrite – Rogério Cassimiro/Governo de SP

 

Quando se reúnem 600 homens armados para supostamente encontrar o assassino de um policial, não há como esperar inteligência ou eficácia. Chacina era o que se esperava da operação – planejada por um ex-PM afastado por excesso de homicídios. Um serial killer...

 

Por Marina Amaral, na Agência Pública

O secretário de Segurança Pública do governo Tarcísio de Freitas, Guilherme Derrite, chamou de “narrativas” as denúncias de execução e violência policial feitas por moradores atingidos pela operação vingança no Guarujá – depois estendida para a Baixada Santista e o litoral norte do estado.

Foi essa sua resposta à deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP), precedida de um preâmbulo revelador: “Achei que a senhora, como mulher, ia defender a policial que tomou tiros de fuzil pelas costas do crime organizado”, disse a Sâmia, que o inquiria como parlamentar.

Guilherme Derrite, um ex-PM que chegou a ser afastado da Rota – a mais violenta força policial do estado – por excesso de homicídios, deixou evidente a motivação vingativa da Operação Escudo, que até o momento já matou 16 pessoas sob dois pretextos: o primeiro, “investigar” e “prender” os responsáveis pela morte de um policial, também da Rota; o segundo, convenientemente adicionado depois, combater o crime organizado. Cobrar o comportamento legal de agentes do Estado, pagos para exercer suas funções como funcionários públicos, e não para também agir como bandidos, não tem nada a ver com ser homem ou mulher.

Mas, na cartilha de Derrite, o papel da polícia é “tocar o terror”, prática conhecida por pretos pobres do Rio, da Bahia, de São Paulo e de onde mais houver favelas e o jogo de arreglos e acertos entre policiais e facções. Quando se reúnem mais de 600 homens armados para supostamente encontrar o assassino de um policial, não há como esperar inteligência ou eficácia. A chacina era o resultado esperado da operação planejada, patrocinada e aplaudida pelo governo Tarcísio de Freitas. Lei mais aqui

 

Capitão Derrite, o matador, já afirmou que policial bom tem que ter pelo menos 3 homicídios no currículo

Por g1 SP

Guilherme Muraro Derrite, de 38 anos, deputado federal nomeado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) secretário da Segurança Pública de São Paulo, já defendeu que é "vergonhoso" para um policial não ter ao menos "três ocorrências" por homicídio no currículo.

O áudio foi revelado em junho de 2015 pela Ponte Jornalismo.

"Os tenentes, principalmente os oficiais, que nos últimos 5 anos se envolveram em três ocorrências ou mais que tenha o resultado evento morte do criminoso estão sendo movimentados. E o Telhada se encaixa nessa lista, até eu que estou fora da rua há dois anos me encaixo, porque o camarada trabalhar cinco anos na rua e não ter [...] três ocorrências [em casos em que suspeitos morreram a tiros disparados pelo policial], na minha opinião, é vergonhoso, né?", diz Derrite na gravação, segundo a Ponte.
 

No áudio, veiculado em uma rede social, Derrite respondia sobre a transferência do tenente Rafael Telhada das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) para o 2º Batalhão do Choque da Polícia Militar (PM) e criticava as ações da polícia para reduzir a letalidade durante ocorrências. Ele chegou a ser detido pela Corregedoria da corporação por causa da gravação, de acordo com a reportagem. Esse caso chegou a ser arquivado depois pela Justiça militar, no entanto.

O futuro secretário chegou a ser condenado pela Justiça comum a pagar R$ 20 mil de indenização por dano moral à família de um homem morto pela PM, em 24 de fevereiro de 2020 em Osasco, na Grande São Paulo. Derrite postou que a vítima era criminosa e que iria usar "fantasia do capeta", mas na verdade era um encanador que tinha ido comprar leite e foi morto acidentalmente pela polícia (saiba mais abaixo).

Derrite é ex-policial militar com passagem pelas Rota da PM e com forte ligação com a família do presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele participou ativamente da campanha pela reeleição do presidente e o acompanhou em diversas agendas. Ele é formado em direito e oficial da reserva da PM. Assumirá a pasta da Segurança sem ter chegado ao topo da carreira, diferente de seus últimos antecessores, como, por exemplo, o atual secretário, general João Camilo Pires de Campos.

Post sobre ida de Bolsonaro e Derrite a São Paulo — Foto: Reprodução

Post sobre ida de Bolsonaro e Derrite a São Paulo — Foto: Reprodução

 

O deputado nasceu em Sorocaba, no interior paulista, e começou a carreira como militar no ano de 2003. Ele se tornou 1º Tenente da PM em 2010, quando assumiu o comando da Rota e ficou até 2013. Derrite também fez parte do Corpo de Bombeiros e foi eleito deputado federal pelo Partido Progressista (PP) no ano de 2018.

Em 5 de junho de 2020, Derrite postou em seu Twitter o trecho de um vídeo no qual explicava em entrevista à Joven Pan o motivo de sua saída forçada da Rota antes de ser realocado nos Bombeiros.

"Eu saí por que eu não brincava em serviço. Eu quando eu trabalhava na Rota eu pra rua pra trabalhar, pra defender a população. Eu fui transferido de maneira covarde do batalhão da Rota porque eu tive várias ocorrências com resultado, com troca de tiro. Infelizmente, a política à época do governo do PSDB que me tirou do serviço operacional. Eu dediquei minha vida à Polícia Militar, ao batalhão da Rota... eu enfrentei o crime organizado, enfrentei o PCC [a facção criminosa Primeiro Comando da Capital], eu não fugi do confronto. Eu me arrisquei na vida inúmeras vezes, troquei tiros inúmeras vezes com criminosos e o reconhecimento que eu tive foi a transferência. Não guardo mágoas de ninguém. Eu fui tirado das ruas por ser um bom policial e defender a população", comentou Derrite. 

Derrite aparece como um dos policiais militares "declarantes" em dois processos por homicídio simples na Justiça comum em Osasco, nos anos de 2008 e 2009, e em outro de 2011, na capital paulista. No total, aparecem os nomes de sete vítimas. A reportagem não conseguiu checar o que aconteceu com o processo de 2008. O de 2009 continuava em aberto. E o de 2011 foi arquivado.

Em março de 2022, Derrite migrou para o partido de Bolsonaro, o PL e foi reeleito deputado federal.

Derrite é coautor do Projeto de Lei 2310/2022 apresentado em agosto deste ano pelo deputado Subtenente Gonzaga (PSD-MG) que prevê que a Polícia Militar tenha poder de formalizar investigações e pedir ao Judiciário mandados de busca e apreensão. O projeto passou pela Comissão de Segurança Pública de Câmara dos deputados e aguarda parecer do relator da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Parabeniza 'CPFs cancelados'

 

Publicação de Derrite em redes sociais.  — Foto: Reprodução.

Publicação de Derrite em redes sociais. — Foto: Reprodução.

 

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