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12
Fev19

Sínodo para a Amazônia: trazer de volta os novos caminhos da irmã Dorothy 14 anos depois

Talis Andrade

Dorothy está viva na memória daqueles que continuam a lutar na defesa da Amazônia. Aqueles que a mataram nunca pensaram que ela se tornaria um símbolo de novos caminhos, um legado que está sendo posto em prática através do processo sinodal

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O assassinato da irmã Dorothy Stang, que completa 14 anos em 12 de fevereiro, foi um exemplo claro de que a busca de novos caminhos sempre foi, é e será arriscada. As novidades incomodam quem pretende conservar o sistema estabelecido, que sempre os beneficiou.

Existem muitos personagens que ao longo da história sofreram isso. O mesmo Jesus de Nazaré queria estabelecer uma nova maneira de se relacionar com Deus, o que provocou uma aliança do poder político e religioso para lhe dar a morte de um criminoso.

Com a irmã Dorothy aconteceu algo parecido, porque nos quase quarenta anos que ela desenvolveu sua missão no Brasil, ela conviveu com as pessoas, especialmente as mais pobres, e descobriu que o futuro da Amazônia e seu povo precisava de um novo caminho, que na época soava como ciência ficção, o desenvolvimento sustentável, que começou como algo local, mas que aos poucos foi alcançando reconhecimento nacional e internacional.

Podemos dizer que, com o Papa Francisco, a situação é semelhante, porque nos seus quase seis anos de pontificado ele não se cansou de tomar iniciativas surpreendentes. Agora ele quer buscar novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral, e com isso está mexendo com muita gente.

Encontrar novos caminhos para a Igreja faz com que aqueles que vivem apenas preocupados com o que se passa dentro da sacristia, se oponham a uma Igreja em saída, de portas abertas, hospital de campanha, uma igreja ministerial, sinodal, que não apenas dita o que tem que ser feito, mas também quer ouvir e aprender com todos. Os novos caminhos para a ecologia integral despertam as reticencias das grandes empresas e dos governos que as apoiam. Todos fazem parte do mesmo lado, aqueles que sempre viram a Casa Comum desde o desejo predatório daqueles que colocam o lucro pessoal acima do bem coletivo.

Todos eles reagem, como se viu nos últimos dias, não só contra o Papa Francisco, mas também contra aqueles que o apoiam e se sentem parte da abertura desses novos caminhos. Não tenho dúvidas de que, se ela estivesse viva, Dorothy Stang faria parte de tantos homens e mulheres que nos últimos meses têm insistido em chegar em cada canto da Amazônia para escutar, para aprender um pouco mais com a vida dos povos amazônicos especialmente com os povos indígenas. Aqueles que a perseguiram e assassinaram são os mesmos que continuam a perseguir aqueles que desejaram continuar seu legado.

Como cristãos, não podemos esquecer que nossa fé é baseada em alguém que sentiu a necessidade de tornar o Reino de Deus uma realidade. Para isso, é necessário enfrentar os poderes deste mundo, aqueles que participam da economia que mata, que consideram descartável uma grande parte da humanidade. Foi isso que matou a irmã Dorothy, mas que também faz aumentar a cada dia o número dos inimigos do Papa Francisco, que desde dentro eles chamam de herege e desde fora o chamam de comunista.

Dorothy está viva na memória daqueles que continuam a lutar na defesa da Amazônia. Aqueles que a mataram nunca pensaram que ela se tornaria um símbolo de novos caminhos, um legado que está sendo posto em prática através do processo sinodal. O Sínodo desperta cada vez mais interesse, tanto naqueles que o veem como um sinal de esperança, como naqueles que o consideram uma ameaça aos seus planos malignos.

Em um mundo que está passando por uma crise que põe em risco o futuro do próprio planeta, é sempre bom ter aqueles que se defendem com a mesma arma que Dorothy Stang carregou no momento em que foi vilmente assassinada, a Palavra de Deus. Ela é sempre luz no caminho e está nos fortalecendo diante de ataques daqueles que acreditam que são donos e pretendem controlar além de onde deveriam chegar.

 

 



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