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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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10
Abr19

Silêncio sobre Evaldo é apoio aos 80 tiros do Exército que o executaram

Talis Andrade

música evaldo rosa 80 tiros.jpg

Evaldo Rosa

negro 80 tiros.jpg

 

 

Por Aquiles Lins
 
A execução brutal do músico negro Evaldo Rosa dos Santos por militares do Exército no Rio de Janeiro não recebeu nenhuma manifestação até às 9h30 desta terça-feira, 9, mais de 30 horas após o ocorrido, por parte das principais autoridades do governo federal. 
 

No Twitter do presidente Jair Bolsonaro, que apressou-se em comemorar ação da Rota que matou 11 pessoas em São Paulo, e do vice-presidente Hamilton Mourão não havia qualquer menção a este crime hediondo. Mourão, lembremos, antes do verniz do media training, foi didático ao dizer durante a campanha que os militares são "profissionais da violência".

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, até o momento também não se manifestou sobre os 80 disparos de fuzis, feitos de trás para frente, contra o carro em que Evaldo estava com a família, a caminho de um chá de bebê. 80 tiros de fuzis! É mais do que a polícia da Alemanha disparou em um ano inteiro. Em 2017, foram 75 disparos de arma de fogo, com 14 mortes.

bozo 80 tiros.jpg

 

Ao Globo, o governador Wilson Witzel, que defende uso de snipers contra suspeitos e pede para "mirar na cabecinha", esquivou-se dizendo que não lhe "cabe fazer juízo de valor e muito menos tecer qualquer crítica a respeito dos fatos".

pacote anticrime witzel moro atirador.jpg

 

Quando autoridades públicas deste porte não condenam um assassinato brutal como este, significa dizer que concordam com ele. O ministro Moro inclusive apresentou um projeto de lei que isenta policiais de punição em circunstâncias semelhantes. Bolsonaro então, nem se fala, sua biografia é enlameada por ataques à vida humana.

É óbvio ululante que uma ação de execução sumária desta magnitude, contra um homem negro que levava a família a um chá de bebê, está amparada no discurso de apologia às armas, de defesa do assassinato, de desprezo pela vida.

Aliás, já não há apreço pela vida no estado brasileiro há muito tempo.

violenciamilitares 80 tiros.jpg

Como-estou-massacrando 8o tiros.jpg

80-tiros-no-rj.jpg

 

Nota deste Correspondente: O ministro da Segurança Pública foi entrevistado, nesta terça-feira (9), no programa Conversa com Bial, quando considerou o óbvio: que foi  um 'incidente' a morte do músico Evaldo Rosa.

"Incidente" tem como sinônimos as palavras: acontecimentocasoeventoocorrênciacircunstânciadificuldadeepisódioimprevistoinconvenienteinesperadoperipécia.

Moro falou para defender os assassinos e o seu pacote anticrime, para afirmar que o "incidente" não tem qualquer relação com o que se coloca no chamado projeto, ou seja, o crime não decorreu de "escusável medo, surpresa ou violenta emoção".

Decorreu de quê? 

"Pelo que eu entendi no episódio, e mais uma vez destacando que ele está em apuração pelo Exército, aparentemente não teria havido sequer uma situação de legítima defesa", afirmou o ministro.

Medo, realmente não existiu. Existiu sim: malvadeza, corvadia, abuso de autoridade: Dez militares, fortemente armados, em patrulha, contra um músico negro desarmado, acompanhado de familiares, inclusive uma criança.

Supresa? Também não. Os dez soldados estavam de tocaia, na espera de um "carro branco" roubado, possivelmente um veículo de propriedade de algum militar.  

lafa 80 tiros.jpg

 

Muito menos existiu violenta emoção, ato injusto da vítima.

Falta coragem no Moro para afirmar que o "incidente" foi mais uma chacina no Rio de Janeiro, zona de guerra.  

william rio 80 tiros.jpg

 

 

 

 

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