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03
Nov19

Reinaldo Azevedo: general, o Haiti não é aqui

Talis Andrade

Heleno de Tróia, um militar de pijama que ama as ditaduras das Américas do Sul e Central

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 “O general Augusto Heleno, chefe do GSI (Gabinete da Segurança Institucional), resolveu me tirar para dançar no Twitter. Muita gente tenta. Poucos conseguem. Sou um senhor difícil. A pessoa tem de ao menos ter altura para chutar a canela. É o caso do ministro”, diz o jornalista Reinaldo Azevedo sobre a reação de Heleno após ele ter sugerido que o militar fosse convocado para explicar “suas considerações a respeito da defesa que o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) fez de um novo AI-5” . 

“Em vez de repudiar a tese por princípio, expressando a impossibilidade prática e moral de um golpe, o general resolveu flertar com a ideia. Reconheceu a dificuldade para implementá-la, é verdade, mas não sua desnecessidade”, destaca Azevedo em seu blog no UOL. 

“O general foi feito para guerra. É o normal. Mas não para flertar com golpes. Eu cuido de palavras e ideias. É a minha profissão. A conversa acima é coisa de golpista. E é uma tolice imaginar que vou me comportar como um menino assustado diante de seu uniforme, hoje na gaveta. O Haiti não é aqui”, ressalta o jornalista. 

A referência ao Haiti faz parte do 'humor negro' ou humor ácido de Reinaldo. Donato escreveu no Diário do Centro do Mundo

"Em 2005, o general Augusto Heleno liderou uma operação de invasão no bairro de Cite Soleil, em Porto Príncipe. O bairro é tão pobre que é similar às favelas daqui.

Comandando soldados brasileiros e também de outras nações, o general esteve à frente do episódio que vários grupos de direitos humanos hoje classificam de ‘massacre’.

O relatório oficial sobre a operação relata um saldo de seis mortes no episódio. A agência Reuters, no entanto, fez uma profunda investigação e publicou um especial revelando que massacre é mesmo o termo mais adequado.

Naquele dia 6 de julho de 2005 foram disparados nada menos que 22 mil tiros. Só por aí já se tem uma dimensão do episódio. Um relatório da diplomacia fala em 70 mortes, mas o número pode passar da centena. Dezenas de inocentes morreram ao ficarem no fogo cruzado. Muitas vítimas eram mulheres e crianças.

'Temos informações confiáveis ​​de que mataram um número indeterminado de moradores desarmados de Cite Soleil, incluindo vários bebês e mulheres', disse à época o coordenador de uma ONG, Renan Hedouville."

Tutor do deputado Eduardo Bolsonaro, importante ressaltar que o general Augusto Heleno foi conferencista da academia da repressão

Escola americana que ensinou tortura aos agentes da ditadura nos países das Américas do Sul e Central, e ainda recebe e forma militares brasileiros

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Situado na cidade de Fort Benning, na fronteira dos Estados americanos da Georgia e do Alabama, o prédio da Escola de Infantaria é vigiado há décadas pelas entidades mundiais de defesa dos direitos humanos. Ali funciona o Instituto do Hemisfério Ocidental para a Cooperação em Segurança. A instituição ganhou essa identificação em 2001, mas continua conhecida pelo antigo nome, School of the Americas (SOA), e por um apelido tristemente famoso: "Escola de Assassinos." Criada em 1946 para possibilitar o intercâmbio entre militares americanos e seus colegas da América Latina, revelou-se especialmente eficaz em formar repressores que atuaram nas ditaduras da América Latina nas décadas de 70 e 80. De lá, saíram déspotas como o panamenho Manuel Noriega e o boliviano Hugo Bánzer, além de muitos oficiais brasileiros acusados de torturas durante o regime militar. Por isso, são freqüentes as manifestações pelo fechamento da instituição.

A School of the Americas foi criada no Panamá e em 1983 se transferiu para Fort Benning. A instituição atraiu a atenção do mundo em 1993, quando divulgou a relação de soldados diplomados. Centenas deles tinham se envolvido em homicídios, torturas e golpes de Estado. Eram personagens como os dois integrantes das juntas militares argentinas, os generais Roberto Viola e Leopoldo Galtieri; o coronel Domingo Monterrosa, que comandou um massacre de dezenas de pequenos agricultores em El Salvador; o general hondurenho Humberto Ragalado, ligado aos cartéis de drogas colombianos; além de vários outros envolvidos em crimes cometidos na América Latina. O Pentágono revelou, em 1996, que a instituição criou um manual de tortura, onde orientava como tratar prisioneiros das formas mais violentas possíveis. O fato levou o jornal The New York Times a publicar um histórico editorial sob o título Escola de ditadores. Os protestos pelo fechamento do instituto continuam e anualmente uma multidão se reúne à frente dos seus portões carregando cruzes que representam as vítimas. A última manifestação, em novembro, reuniu 20 mil pessoas, entre americanos e latino-americanos. Há oito meses, congressistas americanos votaram uma emenda que propunha acabar com o Whinsec, derrotada por seis votos de diferença.

Em 2006, general Augusto Heleno deu uma palestra na polêmica Escola das Américas.

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