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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

14
Mai18

Quem sabe roubar vai gozar a vida em uma ilha encantada

Talis Andrade

Fisher Island, o bairro mais rico dos EUA, onde 10% dos moradores são brasileiros (continuação)

 

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El PAÍS

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Pablo de Llano
Correspondente en Miami

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Quem comprou a cobertura de 32?

–Um russo –responde Puig, reservada.

 

Em Fisher Island, a identidade de seus habitantes é protegida com zelo. Uma das atrações para aqueles que compram neste Éden é a alta privacidade e a segurança. “Não precisam sair para nada”, explica Bernard Lackner, diretor do clube social da ilha, em seu escritório. “É uma cidade, pois tem escola para crianças, supermercado, clínica de saúde, banco, correio, tinturaria, campo de golfe, 18 quadras de tênis, duas marinas, lugar de entretenimento para os cães dos moradores e até um pequeno observatório astronômico”, enumera. Ao lado dele, cochila no tapete Lily, um velho cachorro da raça King Charles Spaniel.

 

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 Marina

 

 

“Não existe nada igual”, diz sobre Fisher Island o promotor imobiliário Edgardo Defortuna, CEO do Fortune International Group. “Existem lugares com a mesma qualidade, como Porto Cervo, na Itália, mas lá há uma mistura entre pessoas que moram lá e outras que não. Fisher Island é mais exclusiva: existem apenas residentes ou sócios do clube; todos compradores muito elitistas e um pouco isolados da sociedade. Essa uniformidade é a característica fundamental da ilha.”

 

Fisher Island é um extremo do polo privilegiados da desigualdade social característica de Miami, em 2017 a segunda região metropolitana dos Estados Unidos com maiores níveis de pobreza. A dez minutos de carro da ilha, com tráfego reduzido, fica, por exemplo, o histórico bairro afro-americano de Overtown, onde muitas famílias vivem com o mínimo e a droga e a violência abundam.

 

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“Minha ilha pelo seu iate”

 

 

 

No início do século XX, a área de Fisher Island era uma ponta da península selvagem de Miami Beach, mas a construção de um canal de acesso ao porto a separou, ficando como uma ilha de oito hectares. Seu segundo proprietário foi o primeiro afro-americano milionário de Miami, Dana A. Dorsey, que a vendeu em 1919 ao empresário que legaria seu nome ao lugar, Carl Fisher, louco por carros de corrida e visionário do ramo imobiliário que criou Miami Beach. Fisher ampliou a superfície e alguns anos mais tarde vendeu sua parte a William Kissam Vanderbilt II –também apaixonado por automobilismo e membro de uma das famílias mais ricas dos EUA– em troca de seu barco de recreio de 75 metros de comprimento: “Minha ilha pelo seu iate”, disse ele, segundo a lenda.

 

 

Depois Vanderbilt adquiriu mais hectares e começou a construção de uma mansão de estilo mediterrâneo que terminou nos anos quarenta. Nas quatro décadas seguintes Fisher Island passou por várias mãos, incluindo as de Bebe Rebozo, um íntimo do presidente Richard Nixon –que tinha uma casa de veraneio em Miami–, mas foi apenas na década de oitenta que seu desenvolvimento imobiliário começou. Foi aberto o clube –que inclui a mansão– e suas dimensões continuaram aumentando, até os atuais 87 hectares.

 

Não é uma ilha de casas grandes, mas de edifícios médios com apartamentos que superam a média de 400 metros quadrados e em que o menos caro que se pode comprar é um estúdio, com um quarto, por um milhão de dólares, segundo Puig. Seus habitantes são pessoas do mundo dos negócios, do espetáculo e dos esportes que a usam em geral como residência de veraneio alguns meses por ano. Os brasileiros foram compradores vorazes entre 2008 e 2010, com sua moeda, o real, forte no meio do crash global. Os russos começaram a chegar nos anos noventa, depois da queda da União Soviética. Entre seus moradores conhecidos estiveram Oprah Winfrey e Boris Becker, e hoje é de conhecimento público que possuem casa a supermodelo Karolina Kurkova e a estrela do tênis Caroline Wozniacki.

 

A balsa demora cerca de sete minutos para levar ou trazer –em seus carros– os moradores desta ilha originalmente desenvolvida por dois entusiastas dos bólidos, onde hoje o limite de velocidade é de 30 quilômetros por hora. O maior problema de segurança em Fisher Island, brinca Lackner, pode ser “uma colisão entre dois carrinhos de golfe”. 

 

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PS: Para que país os ricos brasileiros, com dupla nacionalidade e/ou residência no exterior, pagam mais impostos?

 

 

 

 

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