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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

10
Nov17

Quem roubou as praças do Recife?

Talis Andrade

 

O DESVERDECER DO RECIFE

 

As crianças não possuem nenhuma árvore

                      [de predileção.

Os namorados não encontram a sombra

                      [dos verdes ramos

para esconderem o primeiro beijo.

 

Recife, que fizestes do teu verde,

o verde das paisagens de Franz Post?

 

As meninas subiam nas árvores.

Em plena luz do dia,

eu via o céu estrelado.

As meninas subiam nas árvores:

nos cajueiros e mangueiras.

Os cabelos assanhados

- amarrados na cintura

sujos aventais -,

as mães vinham correndo:

- Meninas, desçam daí!

Se vocês caírem

vão perder a virgindade.

 

Recife, que fizestes de tuas

                   [árvores sagradas?

 

 

O PROGRESSO

 

Vejo a noite e seu cortejo de fantasmas

destruindo os jardins

das casas salvaguardadas 

      [da febre imobiliária.

 

Os jardins transformados

em estacionamentos de carro.

 

(Poemas do livro Romance do Emparedado, páginas 176 e 177)

 

 

DE FRANZ POST A BURLE MARX, 

A PAISAGEM ROUBADA

 

DErby 1950..jpg

 Praça do Derby, 1950

derby_ 2017.jpg

 Praça do Derby, 2017

 

A Veja publica reportagem.

 

As praças de Burle Marx: "legado do paisagista encanta (va) Recife".

Encantava que nas praças do Recife falta o principal. Falta gente.

 

Praças onde não existe a paz para os velhos.


Praças onde não existe espaço para a correria das crianças.


Praças onde não existe um cantinho com sombra e flores para os namorados. E um gramado para sentar ou deitar.

 

Até os espaços estão sendo roubados nas praças do Recife.


A Praça do Derby foi ocupada pela Polícia Militar. Virou campo de futebol, de exercícios físicos, de revista de tropas. É uma extensão do quartel. O resto foi tomado para a passagem de ônibus e carros.


O Parque 13 de Maio, ampliado pelo grande prefeito Antonio Farias, foi acimentado. Não é mais parque, nem praça, que os vereadores também roubaram espaços para construir estacionamento de carro. Uns safados.

 

Havia a praça da antena da Rádio Jornal do Comércio. Terreno doado. Veio o antigo bodegueiro Paes Mendonça, que novo rico fez o pelegado Sindicato dos Bancários construir um supermercado para ele Paes Mendonça depois vender aos gringos. Assim começou a estória de um grileiro.

 

Praças foram vendidas a outros especuladores imobiliários, coronéis do asfalto, que estão invadindo o verde e o azul da Bacia do Pina com a conivência de autoridades bandidas.

 

As praças de Burle Marx estão descaracterizadas. De beiradas cortadas para alargar ruas e avenidas.

 

Trocaram as cores verde e azul pela cor cinza dos cemitérios.

 

Recife não tem um passeio público.

 

As calçadas também estreitadas possuem mais buracos que os orçamentos públicos dos serviços fantasmas e obras super, super faturadas e inacabadas.

 

 

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