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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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12
Jun18

Procurador da Lava Jato lança livro para denunciar seletividade penal e vira alvo de chacota

Talis Andrade

corriola de curitiba roupa nova.png

 

CORRIOLA DE CURITIBA DE ROUPA NOVA - Castor é o segundo da direita para a esquerda, de barba

 

 

O procurador Diogo Castor de Mattos acaba de lançar um livro sobre a seletividade penal, isto é, o direito penal que alcança alguns e poupa outros. Em grupos de WhatsApp formado por criminalistas, o livro foi recebido com ironia.

 

“É um manual de instrução? Kkkkkkk”, escreveu um.

 

“Como garantir a blindagem de tucanos”, ironizou outro.

 

É que Diogo Castor de Mattos é um dos integrantes da força-tarefa da Lava Jato e hoje nenhum operador do direito minimamente sério acredita que o Ministério Público Federal em Curitiba trabalhe com isenção.

 

“Esse livro deve vender para aquela turma do Rotary que paga para ouvir palestra do Dallagnol”, caçoou outro criminalista, em referência ao evento em que o coordenador da Lava Jato conta a história de que vê uma velhinha sentada em sua cama quando lhe falta forças para prosseguir no combate à corrupção.

 

“É como se eu ouvisse a velhinha dizendo de novo, como disse uma vez na Procuradoria: não vai dar certo combater a corrupção”, diz, para delírio da platéia formada por pessoas que costumam vestir a camisa da CBF para protestar contra a corrupção do PT.

 

O livro de Diogo Castor de Mattos, intitulado O Amigo do Direito Penal, pode dar início a uma série. O próximo seria sobre a delação premiada. Mas, se houver sinceridade na obra, ele não falará apenas sobre as vantagens do instituto no combate ao crime organizado.

 

Poderia contar sobre como o irmão, o advogado Rodrigo Castor, participou da negociação sobre a delação premiada do publicitário João Santana e da mulher, Mônica Moura, sem que tivesse seu nome revelado no primeiro momento.

 

Seria um sucesso, e fica a dica para o título: “Confissões do irmão do advogado de um delator”. Um capitulo muito interessante seria o do episódio em que o juiz Sergio Moro assina um despacho autorizando João Santana a sacar 10 milhões de reais de uma conta bloqueada, justamente no período em que, normalmente, os clientes pagam os advogados, após o êxito na negociação do acordo de delação premiada.

(Joaquim de Carvalho/ DCM)