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O CORRESPONDENTE

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19
Mai18

Presídio da lava jato tem porão de tortura, a "surda"

Talis Andrade

pinhais-reproducao-tv-globo.jpg

 

 

O Complexo Médico Penal (CMP), localizado em Pinhais, um dos locais onde estão os presos da Operação Lava Jato, está sendo alvo de investigação. Segundo reportagem de Bruna Narcizo e Wálter Nunes, da Folha de S.Paulo, a Defensoria Pública do Paraná enviou à corregedoria do Departamento Penitenciário (Depen) do Estado a denúncia de que um preso sofreu maus tratos e agressões de agentes penitenciários.

 

O preso revela, ainda, a existência de um local chamado “surda”, sala onde os detentos seriam torturados por carcereiros.

 

De acordo com funcionários do CMP ouvidos pela Folha de S.Paulo, o local é usado para aplicação de medidas disciplinares. Os detentos ficam isolados na "surda" por 30, 20 ou 10 dias, dependendo do delito. Durante a punição, ficam suspensos banhos de sol e visitas de familiares. Contudo, os carcereiros não admitem a prática de tortura.

 

As agressões foram relatadas por um detento ao defensor público Alexandre Gonçalves Kassama. 

 

O defensor relatou à corregedoria que a prática de torturas no CMP já havia sido denunciada por outros detentos e não tinha sido ainda alvo dos defensores por não haver provas.

 

O Depen destaca que “o caso corre sob sigilo e encontra-se em fase inicial de instrução”.

 

O defensor anexou à denúncia o prontuário médico do detento, que diz que ele "jamais apresentou histórico de problemas psiquiátricos". Depois de três dias no CMP para tratar a asma ele passou a ter "alucinações e problemas nunca antes apresentados, tais quais fala desconexa e perda de equilíbrio".

 

O motivo das agressões seria um desentendimento entre o preso e um dos carcereiros. O detento diz ter estranhado estar sendo alojado na primeira galeria do CMP e não na terceira, onde havia ficado em outras oportunidades. Ele temia confronto com presos de facções criminosas.

 

Ao hesitar em entrar na cela, ele teria tomado um soco no rosto e colocado à força para dentro.

 

O detento também disse que, no dia seguinte, ao reclamar da demora no atendimento na enfermagem, um funcionário chamado "seu Gláucio" o teria segurado pelo pescoço, batido com sua cabeça na parede e lhe dado dois socos. O preso diz ter reagido empurrando o agressor. Três outros carcereiros o algemaram e espancaram, segundo o relato, com chutes enquanto ele estava no chão.

 

Levado de volta à galeria, ele teria sido algemado e, sem prescrição médica, tomado várias injeções. A partir daí passou a ter alucinações. O detento também diz ter tomado um soco do funcionário conhecido como "seu Bonfim".

 

Por fim, ele teria sido encaminhado à "surda" e lá teria esperado até "sair o roxo".

 

No domingo (13) seis presos fugiram do Complexo Médico Penal. Eles perfuraram o teto da terceira galeria e escaparam pelo telhado do presídio. A ocorrência motivou a troca na chefia de segurança do CMP. 

 

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