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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

19
Set21

Por que o documentário fakeada incomoda tanta gente?

Talis Andrade

Bolsonaro foi vítima da banalidade do mal que tanto defende

 

por Emir Sader

- - -

O documentário de Joaquim de Carvalho presta um serviço excepcional ao Brasil, ao revelar tantas coisas de que desconfiávamos muito. Muita coisa é simplesmente fundamentar com provas concretas o que imaginávamos e que agora deixam de ser desconfianças, para ser conhecimento real da realidade.

Outras são coisas que são revelações realmente novas, que tornam o caso ainda mais escandaloso.

Mas uma das perguntas que já nos colocávamos e que se tornaram ainda mais agudas é: por que a mídia deixou passar batida aquela facada? Por que ninguém da mídia tradicional se debruçou sobre aquilo?

Porque era funcional à vitória do seu candidato. E ninguém se atreveu a romper aquele silêncio criminoso. Como não é possível que não tivessem se colocado interrogações sobre um episodio tao esquisito e tao funcional à vitória de um candidato, evitaram investigar, porque era útil para a eleição do candidato que tinham escolhido.

Como aceitaram que o candidato não participasse dos debates? Só porque deixaram passar batida a balela da facada, sem sequer se dedicarem a investigá-la.

Agora várias pessoas, para minha surpresa, se incomodam muito com o documentário. Não tem argumentos para discutir a veracidade do documentário.

Mas acusam a culpabilidade de não ter abordado o tema da facada, se sentem envergonhados por terem deixado passar um caso que qualquer jornalista com um mínimo de sensibilidade, teria se dedicado a investigar. Pelo menos, a se perguntar se tinha sido realmente um atentado ou uma farsa.

Para encobrir essa vergonha, se dedicam a atacar a Joaquim de Carvalho, um dos melhores e mais competentes jornalistas brasileiros. Ataques para os que pretendem desviar a atenção tanto da quantidade de argumentos do documentário, que fazem dele uma peça fundamental para desvendar tudo o que passa no Brasil de hoje, quanto da responsabilidade da mídia e dos jornalistas, que se calaram sobre aquela farsa.

É muito incômodo para quem diz que a eleição do Bolsonaro foi legítima e que vivemos numa democracia, ver e aceitar as provas incontestáveis do documentário. Se a facada tivesse sido desmascarada naquele momento, ainda antes do primeiro turno, o que teria acontecido com a candidatura do Bolsonaro?

Os que deixaram passar batido aquela farsa, tem que se incomodar muito com o documentário. Porque ali se mostra que tudo foi uma farsa. Que a facada foi forjada. Essas provas, somadas às declarações do Bolsonaro a dois dos seus comparsas de então de que a partir da facada, ele não perderia mais as eleições e outras afins, conformam o quadro da farsa que foi a eleição do Bolsonaro.

Já não bastassem o golpe inconstitucional contra Dilma Rousseff e a prisão e impedimento do Lula de ser eleito no primeiro turno em 2018, o documentário complementa o cenário de absoluta ilegitimidade da eleição de Bolsonaro. Tudo sob o olhar passivo e complacente do Judiciário e da mídia.

Vejam, se ainda não viram, o documento de Joaquim Carvalho sobre a fakeada e entendam, de forma cabal, como foi forjada a eleição do Bolsonaro. E como o que o país sofre, desde então, é resultado também da farsa da fakeada.

Nota deste correspondente: A mídia deu espaço para diferentes mentiras sobre Adélio: Veja esta de um tal Renato Cunha, "Advogado Criminalista e Militar Licenciado pelo exercício das funções, Chefe de Gabinete da 2ª Procuradoria de Justiça Criminal do Ministério Público do Estado de Alagoas (...)

3. Há rumores que circulam na internet de que houve um depósito efetuado na conta do agressor, salvo engano no dia do ato cometido, no montante de R$ 350.000,00 (trezentos e cinquenta mil reais). Investigue-se;

4. Três outras pessoas estão sendo investigadas por, no mínimo, serem partícipes do crime. Pergunta-se: Seria uma organização criminosa ou uma ramificação de outra?"

Nunca existiram essas "três outras pessoas".

Ramificações criminosas existem várias no Rio das Pedras no Rio de Janeiro. Uma delas, o Escritório do Crime. 

Várias outras aberrações encontraram espaço no jornalismo marrom, para servir de prova, dar veracidade aos boatos infames espalhados por figuras bolsonaristas, notadamente, pastores e militares.

Verificamos: Atentado contra Jair Bolsonaro com checagens em tempo real |  Agência Lupa

Outro pastor que espalhou boatos foi Marco Feliciano. Publicado

Por Sérgio Rodas/ ConJur

O deputado federal Marco Feliciano (Republicanos-SP) não provou sua acusação de que o ex-deputado Jean Wyllys (PT-RJ) teve participação na facada recebida pelo presidente Jair Bolsonaro durante as eleições de 2018 e teve a intenção de caluniar Wyllys ao publicar tal afirmativa.

Com esse entendimento, o 5º Juizado Especial Cível do Rio de Janeiro condenou o pastor a pagar indenização por danos morais de R$ 41,8 mil ao petista. 

Além disso, o deputado deverá fazer retratação pública em seu perfil no Twitter. Se descumprir a medida, terá que pagar multa de R$ 20 mil.

Em abril de 2020, Feliciano publicou em suas redes sociais mensagem associando Wyllys a Adélio Bispo, autor da facada contra Bolsonaro.

“Segundo @oswaldojunior, EM DEPOIMENTO À PF, TESTEMUNGA (sic) REVELA QUE ADÉLIO BISPO ESTEVE NO GABINETE DE JEAN WYLLYS. No dia do atentado alguém deu entrada na Câmara dos Deputados c/a identidade de Adélio. Jean renunciou mandato e saiu do país após eleição...", declarou Feliciano, compartilhando link do site Renews.

Jean Wyllys foi à Justiça, afirmando que a notícia era falsa, uma vez que a Polícia Federal, em dois inquéritos, concluiu que Adélio Bispo agiu sozinho e sem mandantes.

O 5º Juizado Especial Cível do Rio entendeu que Feliciano extrapolou o direito à liberdade de expressão. Isso porque não comprovou sua acusação de que Bispo esteve no gabinete de Wyllys.

Além disso, o juízo declarou que o pastor teve a intenção de caluniar o petista, sugerindo que ele estava associado à tentativa de homicídio de Bolsonaro.

Processo 0121680-46.2020.8.19.0001

Também apareceram vaquinhas virtuais. O Diário do Poder propaga:

"Em uma dessas campanhas o pedido é feito pelo 'nosso guerreiro Adelio"

E acrescenta o Diário do Poder, por Francine Marquez:

"Em menos de 24 horas, Adelio Bispo de Oliveira, que agrediu com uma facada o deputado federal e candidato a Presidência, Jair Bolsonaro (PSL-RJ), ganhou quatro campanhas de financiamento, para custear as despesas judiciais.

As 'vakinhas' foram criadas por Marlon Costa, de São João de Meriti/RJ, Hudson Alves, de Brasília, Talles de Peruibe, interior do estado de  São Paulo e Genival Da Costa Bentes de Santarém/PA. O Diário do Poder tentou entrar em contato com Hudson Alves, por meio de mensagem, para saber qual o motivo para criar uma campanha em prol de Adelio, porém não recebeu nenhuma resposta até o momento.

Nas campanhas os 'solidários' autores pedem ajuda para Adelio, a quem consideram um herói. 'Vamos ajudar a tirar esse herói da cadeia', ou 'Vamos ajudar o nosso guerreiro Adelio, esse homem que por um descuido acabou sendo preso'.

Descuido foi treinar tiro ao alvo com o filho 02 de Bolsonaro, vereador Carlos Bolsonaro do Rio de Janeiro, e praticar o atentado com uma faca. 

A mais safada e abusiva notícia foi publicar uma foto de um inexistente irmão de Adélio com Lula. Usaram a foto do médico ortopedista Marcos Heridijanio. Veja aqui

Bolsonaro é mitomaníaco. Seus propagandistas tinham que ser inimigos da claridade. 

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