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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

22
Jul20

Plataformas facilitam a compra e a venda de artefatos nazistas no Brasil

Talis Andrade

Estudantes de jornalismo monitoraram por mais de um ano sites em que são vendidos objetos ligados a Hitler e ao Holocausto

 

Caneca com rótulo do veneno usado em câmaras de gás na Segunda Guerra Mundial, à venda no Mercado Livre

 

 

Ter um objeto histórico – ou memorabilia – não é crime. Porém, de acordo com autoridades consultadas pela reportagem, quando há apologia ou divulgação do nazismo, o comerciante pode ir para a cadeia.

De acordo com a lei 7.716/89, é crime punível com multa e até dois anos de cadeia “fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo”.

Polícia Civil

“Um ponto importante é que esse determinado objeto ou símbolo precisa ter como finalidade a ‘divulgação do nazismo’”, diz o delegado Maurício Souza da Luz, da Polícia Civil de Ponta Grossa. “Pode ocorrer de uma pessoa ter um livro, por exemplo, que é tratado como um objeto de valor histórico, ou seja, o fim dele não seria a divulgação do nazismo, e nesse caso não incide nesse delito. O simples fato de a pessoa possuir um objeto, sem o intuito de divulgar o nazismo, não é entendido como crime.”

Porém, buscar o lucro com o nazismo e com o Holocausto pode ser questionado do ponto de vista ético e moral. Em 2013, no Reino Unido, o eBay tirou do ar produtos pertencentes a vítimas do Holocausto, pediu desculpas e doou 30 mil euros (R$ 180 mil) para instituições beneficentes.

Em outro caso, ocorrido neste ano, a Amazon deixou de vender vários livros de autores de extrema-direita como George Lincoln Rockwell (1918-1967), fundador do partido nazista americano, depois de um pedido do Museu de Auschwitz. A princípio, o episódio se referia a produtos encontrados na Amazon britânica, mas acabou abarcando todos os países que tinham o mesmo problema.

“Particularmente, acho imoral qualquer tipo de lucro sobre a dor alheia”, diz Rafael Kondlatsch, doutor em comunicação e pesquisador de discursos nas mídias. “Criar memorabilia a partir do Holocausto é dar um passo a mais na banalização do que foi a ação dos nazistas. Não há celebração alguma nisso, e usar o resgate histórico como argumento é ridículo – se assemelha ao sensacionalismo da imprensa sobre uma tragédia. (Continua)

 

Anúncio de bandeira nazista vendida por R$ 2.500

 


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