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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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12
Ago18

Perguntas capciosas de Moro para desqualificar Gilberto Gil como testemunha de Lula

Talis Andrade

O juiz da corriola de Curitiba fugiu de perguntas sobre sítio de Atibaia para indagar sobre José Dirceu, Palocci, João Santana, Saci-Pererê, Visconde Sabugosa, para provocar a conclusão de que Gil não sabia de nada.

 

Moro não quis saber se Gil conhecia o parente de Rosangela Moro envolvido em corrupção com Beto Richa

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Moro e Temer  e Aécio denunciados pela "prática de corrupção e lavagem de dinheiro"

 

 

Jornal GGN - Como ex-ministro da Cultura entre 2003 e 2008, durante o governo Lula, o cantor e compositor Gilberto Gil prestou depoimento ao juiz Sérgio Moro como defesa do ex-presidente, na manhã desta quinta-feira (09). Apesar de o processo ter relação com o sítio em Atibaia, o magistrado usou uma estratégia constrangedora para retirar a importância do depoimento de Gil.



É que a defesa de Lula, representada na audiência pelo advogado Cristiano Zanin, emitiu diversas perguntas ao músico sobre o conhecimento dele acerca das acusações sustentadas hoje pelo Ministério Público Federal (MPF) contra Lula, que seriam supostas práticas criminosas enquanto Gil ocupava o cargo no Ministério, e obteve a negativa para todas as questões.



"É fato notório que o senhor participou do governo do ex-presidente Lula participava de reuniões, audiências, despachos. Nesta função ou ao participar destas reuniões, alguma vez o senhor presenciou ou teve notícia de algum ato do ex-presidente Lula que pudesse sugerir que ele havia solicitado ou recebido alguma vantagem indevida em troca de atos que ele teria praticado como presidente da República?", questionou Zanin.
"Não, nunca", respondeu Gilberto Gil.



"Alguma vez o senhor presenciou ou teve conhecimento de alguma situação em que o ex-presidente Lula tivesse concedido benefícios às empresas Obrecht e OAS em troca de supostas reformas em um sítio em Atibaia?", continuou o advogado, com a resposta do compositor: "Não, de maneira nenhuma".



Após diversas perguntas na mesma linha, e a negativa para todas, Moro resolveu adotar uma estratégia com a testemunha de defesa de Lula. Quis sustentar que o fato de Gilberto Gil não ter tido conhecimento dos crimes não significa que eles não ocorreram.



Por isso, o odiento juiz partidário tomou a liberdade de fazer perguntas que fogem do processo central sobre o sítio de Atibaia e fez o músico passar por um tipo de constrangimento, tentando desmerecer a confiança da testemunha.



Após o próprio MPF não querer fazer nenhuma pergunta a Gil, o diálogo introduzido por Moro teve como base perguntar se o compositor conheceu, enquanto foi ministro da Cultura de Lula, os ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci e o marqueteiro João Santana.



E com a confirmação positiva de Gilberto Gil, Sergio Moro então perguntou se ele sabia que os ex-ministros e o ex-marqueteiro cometiam ilícitos. Gil respondeu que não. Safadamente, o juiz de Curitiba então atacou e julgou: "O senhor teve conhecimento que tanto o senhor Antonio Palocci quanto o senhor João Santana são confessos em relação à prática de corrupção e lavagem de dinheiro?"



"Tenho ouvido notícias a respeito dessa possibilidade", respondeu Gil. "Mas na época o senhor não tinha conhecimento?", insistiu Moro, desqualificando a testemunha. "Não", completou o ex-ministro.



Abaixo, a reprodução do diálogo travado por Moro com o músico:



O senhor conheceu o ex-ministro José Dirceu?
- Sim, claro.



Ele foi ministro ao mesmo tempo que o senhor?
- Sim.

O senhor teve conhecimento de quando ocupava o Ministério do senhor Dirceu em algum esquema de corrupção?
- Não.



O senhor conheceu durante o seu cargo no Ministério o senhor Antonio Palocci?
- Sim.

O senhor teve conhecimento durante o exercício do seu cargo como ministro do envolvimento do senhor ministro Antonio Palocci em algum esquema de corrupção?
- Não.

O senhor chegou a conhecer o senhor João Santana?
- Sim.

O senhor teve contato com ele durante o período que o senhor ocupou esse cargo como ministro da Cultura.
- Sim.

O senhor teve conhecimento de envolvimento dele em algum esquema de corrupção ou de lavagem de dinheiro? Na época que o senhor ocupava esse cargo de ministro.
- Não. Não tive conhecimento de nada desse tipo.



(Moro repete a pergunta por corte de sinal)
- Não, não tive conhecimento nenhum.



O senhor teve conhecimento que tanto o senhor Antonio Palocci quanto o senhor João Santana são confessos em relação à prática de corrupção e lavagem de dinheiro?
- Tenho ouvido notícias a respeito dessa possibilidade.



Mas na época o senhor não tinha conhecimento?
- Não.

 

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 Moro não perguntou se Gil conhecia Tacla Durán, que denunciou a propina de cinco milhões de dólares por uma delação premiada...

 

Também não perguntou pelo misterioso DD.