Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

07
Mar21

Pandemia está no “pior momento” e brasileiros não estão conscientes da gravidade, diz presidente da AMB

Talis Andrade

 

Por Daniella Franco /RFI
 

O Brasil vive uma fase crítica da pandemia de Covid-19, com um balanço de quase 260 mil mortos, o colapso do sistema de saúde de vários estados, a vacinação avançando lentamente, enquanto muita desinformação é propagada sobre as medidas de prevenção contra a doença. Em entrevista à RFI, o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), César Eduardo Fernandes, faz um apelo em prol do uso da máscara e pede que a população não desista de lutar contra a pandemia: “A palavra a ser exercitada neste momento é a resiliência”.

Segundo dados divulgados pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), na quarta-feira (3), o Brasil registrou oficialmente 1 910  mortes por Covid-19 em 24 horas, o pior balanço desde o início da pandemia. Junto com o alto número de mortos e contaminados, os hospitais e UTIs enfrentam superlotação, enquanto não há previsão para a ampliação da vacinação.

“O nosso sentimento é de extrema preocupação. Passado um ano da pandemia, nós que imaginávamos que nesse período já teríamos dias melhores e um cenário mais esperançoso, estamos no pior momento”, afirma Fernandes.

Por isso, a AMB lançou um manifesto nesta semana, recomendando o uso de máscara e fazendo um apelo a todos os governantes e gestores públicos para que deem prioridade absoluta à vacinação e às medidas de prevenção contra a doença.

“Através dessas notas que emitimos, tentamos chamar a atenção para questões que são muito simples de serem praticadas e de alta eficácia. Veja que neste último ano jamais alguém ou alguma entidade séria contestou o uso de máscara, de atos simples, como higiene das mãos, do distanciamento social, do isolamento dos contaminados e suspeitos de contaminação”, observa.

Para o médico, a população brasileira parece não estar consciente da gravidade da situação. Ele aponta três possíveis motivos para esse comportamento:

“A impressão que eu tenho é que muitas as pessoas pensam que não serão contaminadas. Também acho que há a exaustão: não são só os médicos e os profissionais de saúde que estão exaustos, mas a população também. O terceiro ponto é que imaginávamos no final do ano passado que nessa época estaríamos nos despedindo da pandemia porque nossos números eram declinantes e todos se prepararam para voltar à vida normal. Ou seja, há um descompasso entre a expectativa que a população tinha e a realidade que vivemos”, diz.

Fernandes alerta que a situação tende a piorar nos próximos dias e semanas, com o aumento do balanço de vítimas. Segundo ele, a chegada das variantes traz ainda mais incertezas ao prognóstico da pandemia.

“É natural que os vírus sofram mutações e é o que está acontecendo com o coronavírus. Essas novas cepas, ao que tudo indica, são muito mais virulentas do que a anterior, e oferecem evolução para casos mais graves. Além disso, se especula sobre a eficácia das vacinas sobre essas novas cepas. Então, todo esse cenário mostra que esse é o pior momento da pandemia que estamos vivendo”, salienta.

Campanha de vacinação

O presidente da AMB elogia o cronograma de vacinação do Brasil, que está imunizando de forma prioritária os profissionais de saúde e as populações mais vulneráveis, como idosos e pessoas com comorbidades. No entanto a tarefa se mostra complexa.

“Temos uma população gigantesca e o número de vacinas disponíveis é muito baixo. Vacinamos um percentual pequeno da população – entre 2% e 3%. As notícias, ainda que desencontradas, sobre o número de vacinas que teremos, nos próximos meses, nos deixam claro que não teremos doses suficientes para atender à toda a população brasileira”, ressalta.

Para Fernandes, essa lentidão da vacinação no Brasil mostra que a imunização populacional é uma meta ainda longe de ser atingida: uma situação que classifica de “preocupante”.

“Acho que as autoridades precisam se debruçar seriamente sobre essa questão. Hoje o mundo todo clama, procura e quer comprar vacina e nós não temos imunizantes disponíveis. Estamos um pouco atrasados na aquisição de vacinas. Portanto, precisamos recuperar o tempo perdido”, reitera.

Enquanto não há imunizantes para todos, o presidente da AMB pede que a população seja resiliente e não desista de continuar aplicando as medidas básicas de prevenção. Segundo ele, é preciso que os brasileiros se preparem para dias difíceis.

“Não queremos trazer desalento à população, mas nosso objetivo é mostrar a realidade com a transparência necessária. Não podemos nos enfraquecer e perder as esperanças. Vamos superar a Covid-19, mas não sabemos quando. Provavelmente, chegaremos em 2022 ainda lutando contra a pandemia”, conclui.

=

Nota deste correspondente: O governo federal não comprou vacinas. Não há como governadores e prefeitos priorizar a vacinação. O presidente da AMB está passando panos quentes na política genocida de Bolsonaro e Pazuello. Essa a cruel realidade. Elogiar o cronograma de vacinação, que pode se estender até o final do ano, é humor ácido, mórbido.

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub