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20
Mai20

Os especialistas alertam: “Um metro não é suficiente em ambientes fechados e nas regiões com maior contágio”

Talis Andrade

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A opinião sobre as novas regras de três especialistas em higienevirologia e epidemiologia. Baixos riscos para atividades ao ar livre. Mas cuidado com lugares lotados e encontros próximos entre crianças. A armadilha oculta: jantares em casa com amigos assintomáticos.

A reportagem é de Elena Dusi, publicada por La Repubblica, 18-05-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

À mesa, um metro de distância. No bar, à beira-mar ou na casa de um amigo. Podemos nos sentir seguros? Três especialistas em virologiaepidemiologia e higienerespondem a perguntas sobre o afrouxamento das regras de 18 de maio. Lembrando que a situação não é igual entre as regiões, que a diferença de risco é muito grande entre locais fechados e abertos e que mesmo nas situações que não podem ser controladas - principalmente em casa com os amigos - vale o princípio de não confiar em um vírusque já provou ser muito sorrateiro.

No restaurante

distância de um metro entre as pessoas é considerada o mínimo aceito para restringir a transmissão. "É uma questão de entender o risco que queremos correr", explica Carlo Signorelli, professor de higiene no hospital San Raffaele, em Milão. "A precipitação de gotículas respiratórias é muito alta no raio de um metro da pessoa infectada. É mais baixa, mas ainda existe, entre um e dois metros. É insignificante além de dois metros." Isso ocorre se a pessoa infectada tossir ou espirrar, mas também se fala ou simplesmente respira. Carlo Federico Perno, virologista da Universidade de Milão, também convida a avaliar a situação dos contágios em sua própria região: "Na Lombardia, em ambientes fechados, a distância de um metro entre as mesas não é suficiente para ter segurança. São necessários dois metros. Ao ar livre, no entanto, o risco de transmissão é muito menor. Ali, um metro é mais que razoável". Também Pier Luigi Lopalco, epidemiologista da Universidade de Pisa e consultor da região da Puglia, provavelmente voltará a frequentar restaurantes em Bari, onde a situação das infecções está sob controle. "Mas apenas ao ar livre, com uma ou duas pessoas, no máximo, talvez colegas, no final de um dia de trabalho."

Na praia

É a situação considerada de menor risco, graças ao sol e ao vento. "O vírus não é transmitido na areia, nem na água, nem nas trilhas das montanhas. A menos que, mais uma vez, as pessoas estejam muito próximas", explica Perno. "A partir dos dados que temos - acrescenta Signorelli -, vemos que a grande maioria das infecções ocorreu em locais fechados, principalmente estabelecimentos de saúde e casas. O vento da praia, em particular, tem um grande efeito na dispersão do vírus". O cloro nas piscinas é suficiente para inativar os microrganismos. E ao sol a sobrevivência do coronavírus é bastante reduzida. "A epidemia mostra claramente uma tendência sazonal" para Signorelli. "O verão ajuda. Estamos vendo isso com a diminuição de casos nossos e o aumento na América do Sul".

Jantando na casa de amigos

É uma das situações mais relaxantes. Mas também a mais insidiosa, devido ao risco de contágio. "Certamente não podemos prever controles também ali - explica Lopalco - e não esperamos que as pessoas usem máscaras em casa, mesmo que seria oportuno, durante encontros com amigos". Signorelli lembra que "durante a quarentena, 30% das infecções provavelmente ocorreram no ambiente doméstico". E em situações relaxadas, junto com as pessoas com quem nos sentimos confortáveis, tendemos a reduzir as precauções. "Estamos diante de um amigo - imagina Perno - que não tem sintomas, e confiamos nele. Mas ele próprio pode ter sido infectado sem o seu conhecimento. Infelizmente, o conceito "eu confio em você" não existe com esse vírus. Até os amigos mais queridos podem ser inimigos, do ponto de vista da doença."

Na academia

"É o último lugar que eu reabriria", começa Perno. "Sob esforço, o ar é emitido pelos pulmões a uma distância maior e em quantidades triplas que o normal". As academias nem sempre têm uma boa troca de ar. A umidade pode estar alta.

E lugares compartilhados, como vestiários, são considerados como um dos pontos demaior risco de contágio. Nisso as piscinas são semelhantes às academias.

No parque com as crianças

"Ao ar livre, o risco de contágio está quase exclusivamente ligado a aglomerações", explica Signorelli. E nos escorregas e nos brinquedos infantis, os contatos muito próximos entre as crianças continuam sendo um risco real. "Vimos que os mais jovens têm sintomas mais leves, mas o risco de contágio é semelhante ao dos adultos", diz Perno. "Eles podem, portanto, ser capazes de transmitir o vírus de formaassintomática". Manter duas crianças afastadas em um escorregador ou em uma casinha de madeira pode ser difícil. Mas isso deveria ser feito para evitar riscos.

Ar condicionado

ventilação natural é preferível, não há dúvida sobre isso. Mas o risco de transmissão de vírus através de aparelhos de ar condicionado é considerado baixo. "O coronavírusnão é a legionella, que prolifera nos aparelhos de ar condicionado", explica Perno. "O risco de o microrganismo ser removido do ar em um ambiente infectado e transmitido pelos ductos de ventilação para outro ambiente é insignificante. Discutimos sobre isso em relação aos hospitais com departamentos dedicados ao Covid, onde a concentração de vírus no ar era muito alta." Em casa ou em ambientes não lotados, não há indicações para manter o ar condicionado desligado.

Cuidado com as luvas

Elas são listadas como uma das precauções necessárias para reabrir restaurantes e bares. Mas luvas sujas podem ser muito mais perigosas do que as mãos nuas. "Se colocá-las de manhã e tirá-las à noite, tocando nossos rostos e as mais variadas superfícies, teremos um concentrado de micróbios realmente muito anti-higiênico", explica Perno. "Sou um crítico das luvas, a menos que sejam trocadas o tempo todo: toda vez que colocamos as mãos na boca ou no nariz ou tocamos uma superfície potencialmente infectada".

As máscaras

Com tantas incertezas e medidas de precaução que são tudo menos que férreas, a máscara permanece nossa âncora da salvação. Sempre que estamos em ambientes fechados e a distância de segurança for inferior a um metro ou um metro e meio, a máscara pode nos salvar. "Se duas pessoas a usam adequadamente, o risco de que uma possa infectar a outra é reduzido em 95%", explica Signorelli. "No transporte público, em particular, elas são muito importantes". Para Lopalco "elas também deveriam ser usadas em casa, quando se recebem amigos e ficamos mais próximos". Nessa situação, não existe outro método senão "confiar no bom senso das pessoas". Bom senso que resta - em uma fase dois, na qual será impossível submeter tudo e todos aos controles - a verdadeira pedra angular da reabertura.

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