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O CORRESPONDENTE

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28
Out23

Os dez dedos ou as mãos de Julia Zanatta, a deputada da grinalda nazi

Talis Andrade

 

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Carlos Bolsonaro esteve em clube de tiro da deputada Júlia Zanatta no mesmo período que Adélio Bispo, aquele que esfaqueou seu pai. Nova revelação coloca em xeque inúmeras versões da família Bolsonaro sobre o caso. Atentado foi apontado por especialistas como fundamental para a eleição em 2018 do então desconhecido deputado federal presidente. E eleição de Zanatta da tiara nazista deputada e reeleição de Carlos, o filho Zero Dois, vereador do Rio de Janeiro em 2020

 

Com base em matérias jornalistas e publicações nas redes sociais, um internauta fez uma apuração individual e levantou novos questionamentos sobre o atentado contra Jair Bolsonaro (PSL) durante a campanha eleitoral de 2018.

Algumas informações são tão intrigantes que muita gente custa a crer que possam se tratar de meras “coincidências”. Informa Pragmatismo Político foi constatado, por exemplo, que Adélio Bispo, o homem que esfaqueou Bolsonaro, esteve nos mesmos dias no mesmo clube de tiros que Carlos Bolsonaro, filho do presidente.

Adélio Bispo vivia na cidade de Montes Claros (MG) até 2017, mas em 2018 ele começou a viajar pelo Brasil e chegou até a cidade de São José (SC), Região Metropolitana de Florianópolis.

No dia 5 de julho de 2018, Adélio praticou uma hora de tiro esportivo no clube .38. Dois dias depois Carlos Bolsonaro desembarcou na mesma cidade e passou um final de semana inteiro confinado no mesmo clube de tiro, conforme postado pelo próprio vereador em seu Instagram.

Foi neste mesmo clube, inclusive, que Carlos se refugiou quando brigou com o pai depois que foi obrigado a retirar do canal do YouTube oficial da presidência um vídeo de Olavo de Carvalho.

A imprensa tradicional já havia noticiado, timidamente, que os filhos de Bolsonaro, como Carlos e Eduardo, frequentavam o mesmo clube de tirou que Adélio treinou. A mídia não revelou, porém, que Carlos e Adélio estiveram no mesmo local durante o mesmo período.

“Aqui começa a teoria de fato. Ninguém fica 24 horas dentro de um clube de tiro. Nesses dias, Carlos e Adélio estiveram nos mesmos espaços, possivelmente compartilhando de armas similares e montando um plano. Sim, é esse plano mesmo que você pensou”, publicou o autor do levantamento.

Adélio permaneceu em São José até agosto de 2018. A facada em Juiz de Fora (MG) aconteceu um mês depois, em setembro. Naquela ocasião, Carlos Bolsonaro acompanhava o pai na comitiva, algo que nunca tinha feito antes.

A apuração repercutiu nas redes. “Em alguns anos, quando for tarde demais, esse falso atentado entrará para a história”, escreveu um internauta. “Qualquer ser humano percebe que tem algo errado nessa história. As evidências são no mínimo intrigantes”, observou outro.

Confira aqui o passo a passo da apuração do portal Pragmatismo político. 

 

A mão de Julia Zanatta

Difícil entender que Adélio Bispo aprenda a atirar com Júlia Zanatta, e prefira ficar no meio de uma multidão fanática, com uma faca enfrentar guarda-costas e ferir e tentar matar um candidato a presidente. 

Em 23 de março de 2023 escreveu João Almeida Moreira: 

Brasil continua sobre brasas. Na sexta-feira, 17, a deputada Júlia Zanatta, do PL, partido de Jair Bolsonaro, publicou uma selfie. No punho, uma carabina, no corpo, uma T-shirt com o desenho de uma mão, com quatro dedos, crivada de balas - os quatro dedos aludem, claro, a Lula da Silva, que perdeu o mínimo quando era metalúrgico.

A publicação fez-nos recuar a setembro de 2021, quando o site Brasil 247, simpático ao PT de Lula, lançou um documentário sobre o atentado sofrido por Bolsonaro em Juiz de Fora, um mês antes das Presidenciais de 2018 que o elegeriam. Atingido no abdómen, o então candidato presidencial foi atendido, logo depois, na Santa Casa da Misericórdia da localidade e, mais tarde, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. O autor do atentado, Adélio Bispo, foi preso em flagrante e está, desde 2019, numa prisão de alta segurança em Campo Grande.

Chamado Bolsonaro e Adélio, Uma Fakeada no Coração do Brasil, usando os nomes do agredido e do agressor e um jogo de palavras entre "facada" e "fake", o filme de 1h44m do jornalista Joaquim de Carvalho tenta provar a teoria de conspiração de esquerda de que o atentado foi forjado.

Levanta questões como a dispensa de colete à prova de bala por Bolsonaro, ao contrário do que era hábito, e a presença, incomum, de Carlos Bolsonaro, líder da Comunicação do pai, na comitiva. Além da utilização de uma equipa de segurança diferente da do costume, sendo que quase todos os guarda-costas, apesar de terem cometido falhas gritantes, segundo especialistas, acabaram promovidos por Bolsonaro.

O autor do filme pergunta ainda quem paga os honorários do advogado de Adélio e por que razão a família Bolsonaro não recorreu da decisão de um juiz que considerou o agressor "inimputável" depois de ter publicamente discordado dela.

São revelados também dois vídeos: num, seis meses antes do ataque, Bolsonaro admite ter problemas digestivos e pede orações durante um culto evangélico, com a sua mão e a da mulher Michelle Bolsonaro na região do estômago; noutro, o então candidato toma dois comprimidos horas antes do atentado.

"Bolsonaro forjou a facada e aproveitou para tratar um cancro, benigno, que precisava de operar, juntando a fome à vontade de comer. Foi uma farsa com requintes cinematográficos que levou Bolsonaro de oito segundos de campanha para 24 horas por dia - e assim foi eleito", disse ao DN Alexandre Frota, um ex-aliado do capitão reformado que viveu o atentado por dentro.

Mas jornalistas e críticos, mesmo não-Bolsonaristas, desvalorizaram o filme por não acreditarem que três polícias - Federal, Militar e Civil -, duas equipas médicas - a da Santa Casa e a do Einstein -, e Ministério Público fizessem parte de uma conspiração, afinal de contas, à moda do QAnon e de todas as burradas da extrema-direita americana que a homóloga brasileira adora copiar.

Entretanto, o documentário aborda um detalhe intrigante: dois meses antes do atentado, Carlos Bolsonaro e Adélio coincidiram no mesmo clube de tiro, em Florianópolis, à partida fora do alcance financeiro do agressor, a viver na altura numa pensão sem casa de banho privada a mais de 1000 km de distância. A dona do clube, no entanto, foi perentória ao negar que eles tivessem estado juntos - e a pista perdeu-se.

A dona do clube de tiro era a hoje deputada Júlia Zanatta, cuja participação destaca Clayson Felizola. Vide vídeo:

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